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domingo, 3 de outubro de 2010

As Mulheres da República: Maria Veleda. Professora. Republicana. Livre-Pensadora

(1871-1955)
Faro
Cortesia de bibliotecaesdica

Com a devida vénia a Natividade Monteiro, APH e Pinhal Digital.
Maria Carolina Frederico Crespim foi o seu verdadeiro nome. Mas ficou conhecida por Maria Veleda. Uma das mais importantes dirigentes do primeiro movimento feminista português, dedicada aos ideais de justiça, liberdade, igualdade e democracia e empenhada na construção de uma sociedade melhor.

Estreou-se na imprensa algarvia e alentejana com a publicação de poesia, contos e novelas, tendo-se dedicado mais tarde aos temas feministas e educativos, defendendo a educação laica e integral, numa combinação ideal entre a teoria e a prática, a liberdade, a criatividade, o espírito crítico e os valores éticos e cívicos.

Cortesia de aph
Convertida ao livre-pensamento e iniciada na Maçonaria, em 1907, aderiu também aos ideais da República e tornou-se oradora dos Centros Republicanos, escolas liberais, associações operárias e intelectuais, grémios, círios civis e comícios do Partido Republicano, da Junta Federal do Livre-Pensamento e da Associação Promotora do Registo Civil.
Entre 1910 e 1915, como dirigente da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» e das revistas A Mulher e a Criança e A Madrugada, empenhou-se na luta pelo sufrágio feminino, escrevendo, discursando, fazendo petições e chefiando delegações e representações aos órgãos de soberania. Combateu a prostituição, sobretudo, a de menores, e o direito de fiança por abuso sexual de crianças. Fundou «O Grupo das Treze» para combater a superstição, o obscurantismo e o fanatismo religioso que afectava sobretudo as mulheres e as impedia de se libertarem dos preconceitos sociais e da influência clerical que as mantinham submetidas aos dogmas da Igreja e à tutela masculina.
Cortesia de aph
Porém, após os acontecimentos da «noite sangrenta», em 1921, e a desilusão dos sucessivos governos republicanos, que não cumpriram as promessas de conceder o voto às mulheres, Maria Veleda abandonou o activismo político e feminista em 1921. Fez-se jornalista do Século e de A Pátria de Luanda, onde continuou a defender os ideais feministas e republicanos que sempre a nortearam.
Em 1925, fundou o «Grupo Espiritualista Luz e Amor», aderindo ao fenómeno espiritista, muito em voga na década de 20, e colaborando na sua imprensa. Publicou as «Memórias de Maria Veleda» no jornal República, em 1950, cinco anos antes da sua morte.

Maria Veleda dedicou a sua vida aos ideais de justiça. Iniciou processoa de mudança nas práticas sociais e lançou o debate sobre os lugares, os papéis e os poderes de mulheres e homens num mundo novo.

Cortesia de pinhaldigital Cortesia de eb23-maria-veleda  

Cortesia de Natividade Monteiro/APH/PinhalDigital/JDACT

sábado, 2 de outubro de 2010

As Mulheres da República: O Grupo das Treze.

Cortesia de esffl

O Grupo das Treze
Queriam acima de tudo combater a ignorância e a superstição e foi com esse objectivo que, em Maio de 1911, constituíram o «Grupo das Treze», número simbólico com o qual as sócias da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas quiseram surpreender e, desde logo, quebrar uma primeira superstição. Para elucidar a sociedade quanto aos seus propósitos tinham máximas, todas elas compostas por 13 palavras, como:
  • O fanatismo é uma espécie de lepra que corrompe e devora o pensamento;
  • A sociedade ideal será aquela em que a mulher levante templos à ciência;
  • A ciência fortalece as almas, a superstição amortalha-as na treva da Morte.

Foi com este espírito ousado, que surgiram, tentando despertar novas ideias nas assembleias que as ouviam: «Iluminar as almas, libertar as consciências, eis a verdadeira missão da mulher moderna». Criaram um distintivo: uma medalha com o número 13 e foi com ela que se apresentaram na sessão solene de apresentação pública do Grupo das Treze, em que estiveram presentes:
  • Judite Pontes Rodrigues;
  • Carolina Amado;
  • Ernestina Pereira Santos;
  • Lydia d’Oliveira;
  • Maria Veleda;
  • Antónia Silva;
  • Adelina Marreiros;
  • Honorata de Carvalho;
  • Marianna Silva;
  • Filipa d’Oliveira;
  • Berta Vilar Coelho;
  • Lenia Loyo Pequito;
  • Carolina Rocha da Silva - esta última em substituição de Maria da Madre de Deus Diniz d’Almeida, que não pode comparecer na sessão inaugural.

Como «Grupo das Treze» não duraram muito: existiram apenas até Outubro de 1913.

Cortesia de esffl
Mas como sócias da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas foram activistas dinâmicas e destacaram-se pelas iniciativas cívicas e políticas. Lutaram pela lei do divórcio, pelo direito ao voto das mulheres e apoiaram a Obra Maternal, instituição criada no tempo da monarquia com o objectivo de proteger e educar as crianças sem família ou vítimas de maus tratos.
Em 1913, reivindicaram no Senado e na Câmara de Deputados a revogação da lei que permitia o direito de fiança a violadores de menores.

Cortesia de Escola Secundária Francisco Fernandes Lopes/JDACT