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quarta-feira, 9 de março de 2011

Navegações Portuguesas: Parte XVI. Amerigo Vespucci. «O nome «América» atribuído ao continente descoberto por Colombo (novo para os Europeus), em consequência das navegações do final da centúria de Quatrocentos, tem a sua origem em Américo Vespúcio que afirma, no Mundus Novus, ter estado no continente»

(1454-1512)
Florença
Cortesia de wily35
«Amerigo Vespucci ou Américo Vespucci, recebeu uma sólida formação humanista, em grande medida por influência familiar e em consonância com o centro cultural que era a Península Itálica e a sua cidade natal à data. Virá a ingressar no serviço de Lorenzo di Pier Francesco de Medici, o Popolano, detentor de importante casa comercial deslocando-se, por isso, para Sevilha.

Só no final da década de 1490 Vespúcio se iniciará na actividade de mareante do que dispomos, como principal fonte documental, das controvertidas cartas vespucianas, em número de seis, duas das quais impressas. A sua autenticidade, é critério decisivo na aceitação da cronologia e número de viagens realizadas por Vespúcio o que, desde cedo, provocou acesos debates. É no entanto possível comprovar a participação de Vespúcio na expedição de Alonso de Hojeda (como tripulante) que partiu de Cádis a 18 de Maio de 1499 e aí regressou em Junho de 1500, tendo descoberto a costa que se estende do Suriname a Pária, percorrendo a costa já anteriormente reconhecida por Colombo e descobrindo um segundo troço, das ilhas Testigos até Chichibacoa.

Mapa de Waldseemuller de 1507.
Está escrito o nome América para nomear o continente
Cortesia de wikipedia
Nesta viagem não deverá ter tido lugar o percurso da costa brasileira com descoberta das embocaduras do Pará e Amazonas (como é frequentemente aventado), uma vez que o regime regional de ventos e correntes o tornava inviável tendo em conta as capacidades técnicas dos navios envolvidos. Uma segunda viagem, a decorrer de 1501 a 1502, num dos três navios da armada comandada, muito provavelmente, por Nicolau Coelho, conduziu à descoberta da maior parte do litoral brasileiro, provavelmente do actual Rio Grande do Norte até a um ponto a Sul da Ilha da Cananeia (25º ou 26º S) com este percurso a ser fundamentado pelos dados astronómicos aduzidos e pela toponímia e avanços cartográficos coevos.
A atribuição a Vespúcio do comando da armada não deverá passar de uma das muitas fábulas construídas em torno da sua figura. Terá sido nesta viagem que, em contacto com os nautas portugueses, realizou o aprendizado do cálculo de latitudes a partir de alturas meridianas do Sol. Uma terceira viagem (1503-1504) comandando um de seis navios de nova armada capitaneada por Gonçalo Coelho, com estabelecimento de uma feitoria-fortaleza em território do que viria a ser o Brasil, muito provavelmente em Cabo Frio.

Cortesia de constelar
Algures no decurso de 1504-1505 terá regressado a Sevilha, participando na Junta de Toro. No âmbito da Junta de Burgos (1508) foi criado o cargo de piloto-mor sendo nomeado para o mesmo (o que é atestado das suas capacidades enquanto nauta). 
Excelente piloto com significativo currículo, na naútica prática e no seu ensino e consolidação em Castela, foi aqui divulgador (senão introdutor) da escola náutica portuguesa, v.g., a determinação da latitude em alto mar com recurso ao astrolábio, tábuas de declinação solar e regimento do Sol.

O nome «América» atribuído ao continente descoberto por Colombo (novo para os Europeus), em consequência das navegações do final da centúria de Quatrocentos, tem a sua origem em Américo Vespúcio que afirma, no Mundus Novus, ter estado no continente.
A sede de informações sobre os novos territórios do Ocidente Atlântico e sucessivas edições dos seus registos (com o que carregam de verdade e exagero) viriam a contribuir decisivamente para a estabilização de América como a designação do continente por parte da civilização que se assumiria como dominante». In Duarte Nuno da Rocha, Navegações Portuguesas, Biografias, Instituto Camões, CVC, 2002.

Cortesia do CVC Instituto Camões/JDCT

domingo, 18 de abril de 2010

Pêro de Alenquer: Um dos melhores pilotos náuticos dos Descobrimentos

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arronchesemnoticias
Pêro de Alenquer (século XV) foi um piloto náutico português. Na exploração de 1487-1488 pilotou a caravela com que Bartolomeu Dias ultrapassou o cabo da Boa Esperança, tendo anotado, nessa viagem, inúmeras observações. A sua escolha para esta função demonstra que já devia possuir larga experiência na navegação atlântica, dado que a equipagem desta armada foi recrutada entre os melhores homens do mar à época, dado o cuidado que o monarca dedicou à sua organização.
Quando da viagem de Vasco da Gama, que culminou com a Descoberta do caminho marítimo para a Índia, Pêro de Alenquer foi o piloto-mor da nau «São Gabriel», capitânea da armada, outra indicação de que seria, seguramente, o melhor piloto de seu tempo.
Os historiadores acreditam que Pêro morreu no regresso desta última viagem.
Garcia de Resende, na sua Crónica de D. João II (1545), a respeito deste profissional, relata que, certo dia, estando o monarca à mesa de refeições, afirmou que só podiam vir navios de pano latino da costa da Mina (ou seja, apenas de bandeira portuguesa), uma vez que desejava manter a exclusividade desta rota. Pêro de Alenquer replicou que de lá traria qualquer navio redondo. Diante da negativa do rei, o piloto reafirmou o que dissera antes, e o monarca rematou a conversa afirmando que a «...um vilão peco não há coisa que lhe não pareça que fará e enfim não faz nada». Terminada a refeição, o monarca mandou chamar Alenquer e pediu-lhe que lhe perdoasse por ter dito aquilo, mas pretendia manter o segredo da navegação para a Mina - e por isso manteve sempre a Guiné bem guardada no seu reinado, acrescenta o cronista.
A história de Resende embora considerada incongruente sob vários pontos de vista - não apenas dado que Portugal não era o único país onde existiam navios redondos que pudessem navegar até à Mina, e que não é credível que pretendendo o monarca manter o controle da navegação daquela costa, um dos seus pilotos de confiança não soubesse que devia manter sigilo rigoroso a seu respeito, demonstra que o navegador era um personagem próximo do soberano, e dele se afirma que era um «muito grande piloto da Guiné e que bem tinha descoberto».
Uma pequena Nota sobre Garcia de Resende:
Garcia de Resende, 1470-1536, foi um poeta, cronista, músico e arquiteto português. Sabe-se que em 1490 era moço da câmara de D. João II (1481-95) e, no ano seguinte, seu moço de escrevaninha ou secretário particular, cargo que exercia ainda em Alvor, onde o soberano veio a falecer. Coube-lhe ser designado secretário-tesoureiro da faustosa embaixada de D. Manuel I (1495-1521) ao Papa Leão X. Os últimos anos de vida passou-os em Évora, onde era proprietário. Como muitos homens do Renascimento, Garcia de Resende tinha muitas facetas: trovava, tangia, desenhava e julga-se que era entendido em arquitectura militar. Alguns historiadores consideram-no o iniciador do ciclo dos Castros, pois as suas trovas referentes à morte de Inês de Castro são o mais antigo documento poético conhecido versando sobre o assunto. Escreveu a Miscelânea em redondilhas, curiosa anotação de personagens e de acontecimentos, nacionais e europeus. Mas o que o tornou conhecido foi o Cancioneiro Geral, em que reuniu as composições poéticas produzidas nas cortes de D. Afonso V (1438-81), D. João II e D. Manuel I, tendo-lhe redigido um prólogo dedicado ao príncipe D. João e composto as quarenta e oito trovas com que encerra a obra.

Um futuro trabalho...
Wikipedia/JDACT