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domingo, 27 de março de 2022

A Bibliotecária de Auschwitz. António G. Iturbe. «A espichada sra. Gottlieb, que tanto esticava o pescoço para se fazer de importante, Dita chamava de sra. Girafa. E o tapeceiro cristão da loja de baixo, completamente calvo e magricela…»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Na escola, haviam-lhes contado que o grande relógio era um inofensivo artefacto mecânico idealizado pelo mestre Hanus mais de cinco séculos antes. Mas a lenda contada pelas avós a angustiava: o rei teria mandado Hanus construir o relógio astronómico e suas estátuas, que desfilavam a cada hora em ponto; depois, teria dado ordens para que seus xerifes o cegassem, de modo que ele nunca pudesse reproduzir uma maravilha igual para outro monarca. Para vingar-se, o relojoeiro teria enfiado a mão dentro do mecanismo e o inutilizado. Quando as engrenagens a seccionaram, as peças emperraram, e anos se passaram sem que fosse possível repará-las. À noite, às vezes sonhava com essa mão amputada serpenteando por entre as rodas dentadas do mecanismo, para cima e para baixo. O esqueleto fez soar uma sineta, e teve início o festival mecânico: um desfile de autómatos que se destravava para recordar os cidadãos de que os minutos se empurram nervosos uns aos outros, e que as horas se vão uma após a outra, tal como aquelas estátuas, que havia séculos entravam e saíam apressadamente daquela descomunal caixa de música. Todavia, agora se dá conta, atormentada pela angústia, de que aos nove anos uma menina ainda não tem consciência disso, enxergando o tempo como uma cola espessa, num mar imóvel e pegajoso por onde não se avança. Por isso, nessa idade os relógios só apavoram mesmo se tiverem esqueletos próximos ao mostrador. Dita, agarrada a esses livros velhos que podem levá-la à câmara de gás, vê com nostalgia a menina feliz que foi. Quando acompanhava a mãe nas compras no centro, adorava parar diante do relógio astronómico da praça da Cidade Velha, mas não para ver o espetáculo mecânico, porque na verdade aquele esqueleto a inquietava mais do que ela gostaria de admitir, e sim para se divertir espiando os transeuntes absortos, muitos deles estrangeiros de passagem pela capital, que observavam muito concentrados a aparição dos autómatos. Continha com pouca dissimulação a vontade de rir que sentia ao ver as caras de assombro e o sorriso abobado dos presentes. Em seguida inventava apelidos para eles. Recorda com uma pontinha de melancolia que uma de suas diversões preferidas era pôr apelidos em todos, principalmente nos vizinhos e conhecidos de seus pais. A espichada sra. Gottlieb, que tanto esticava o pescoço para se fazer de importante, Dita chamava de sra. Girafa. E o tapeceiro cristão da loja de baixo, completamente calvo e magricela, ela chamava em segredo de sr. Cabeça de Bola. Lembra-se de perseguir por alguns metros o bonde, que tocava sua campainha ao fazer a curva da praça Staromĕstské e se perdia serpenteando pelo bairro de Josefov, e logo se punha a correr em direcção à loja de Ornest, onde sua mãe comprava tecido para fazer seus casacos e saias de Inverno. Não esqueceu o quanto gostava daquela loja, cuja porta exibia um letreiro luminoso com uns carretéis coloridos, que iam acendendo um depois do outro até chegarem ao topo e recomeçarem. Se não tivesse sido uma garotinha que corria com essa felicidade isolante das crianças, talvez, ao passar perto da banca de jornais, teria notado que havia uma longa fila de compradores e que, na pilha de exemplares do Lidové Noviny, a manchete, com quatro linhas e um tamanho de fonte descomunal, não só informava como também gritava na primeira página: O governo consente a entrada do exército alemão em Praga. Dita abre os olhos por um momento e vê os SS fuçando nos fundos do barracão. Até levantam os desenhos pendurados na parede com pregos feitos de pontas de arame para ver se debaixo se esconde algo. Ninguém fala, e o barulho dos guardas revirando tudo é ouvido com nitidez nesse barracão que cheira a humidade e mofo. A medo também. É o cheiro da guerra. Do pouco que recorda de quando era criança, sempre lhe vem à mente que a paz cheirava à densa sopa de galinha que cozinhavam nas noites de sexta-feira. Como não se lembrar do sabor do cordeiro bem-tostado e da pasta de ovo com nozes? Longos dias de escola e tardes brincando de amarelinha e de pique com Margit e outras colegas de classe que se esfumam na sua memória... Até que tudo entrou em decadência». In António G. Iturbe, A Bibliotecária de Auschwitz, 2012, Dita Dorachova, Planeta Manuscrito, Lisboa, 2013, ISBN 978-989-657-432-1.

Cortesia de PManuscrito/JDACT

António Iturbe, JDACT, Auschwitz, II Guerra Mundial, Literatura,

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

A Bibliotecária. Dita Dorachova. Auschwitz. Antonio Iturbe. «Os SS que o acompanham repetem a sua ordem e a amplificam, até transformarem-na num grito que penetra os tímpanos dos prisioneiros»


jdact

Auschwitz-Birkenau, Janeiro de 1944
«(…) Ela se dá conta de que já ouviu antes essa maneira tão peculiar de assobiar as sinfonias, com tal precisão de melómano. Foi depois de viajarem amontoados durante três dias num vagão de carga fechado, sem comida nem água, vindos do gueto de Terezín, para onde foram deportados ao serem expulsos de Praga e onde viveram durante um ano. Era noite quando chegaram a Auschwitz-Birkenau. Impossível esquecer o barulho de sucata do portão metálico se abrindo. Impossível esquecer a primeira baforada de um ar gelado que cheirava a carne queimada. Impossível esquecer os clarões de luz, intensos na noite: a plataforma estava iluminada como uma sala de cirurgia. E depois, as ordens, os golpes de culatras contra as paredes do vagão, os disparos, os apitos, os gritos. E, no meio da confusão, essa sinfonia de Beethoven impecavelmente assobiada com a mais absoluta calma por um capitão, um Hauptsturmführer, para o qual os próprios SS olhavam com pavor. Naquele dia, o oficial passou perto de Dita, e ela viu o seu uniforme impecável, as luvas brancas imaculadas e a cruz de ferro sobre o peitilho da jaqueta; uma medalha que só se ganha em combate. Ele parou diante de um grupo de mães e filhos e deu uma amistosa palmadinha com a mão enluvada num dos pequenos. Até sorriu. Apontou para dois gémeos de 14 anos, Zdenek e Jirka, e um cabo se apressou a tirá-los da fila. A mãe agarrou o guarda pela aba da jaqueta e se pôs de joelhos, implorando que não os levasse. O capitão interveio com absoluta calma: num lugar algum eles serão tratados como tio Josef os tratará. E, de certo modo, assim seria. Ninguém em Auschwitz tocava num fio de cabelo dos gémeos que o doutor Josef Mengele coleccionava para as suas experiências. Ninguém os trataria como ele nos seus macabros genéticos para averiguar como fazer para que as alemãs dessem à luz gémeos e assim multiplicassem os nascimentos arianos. A menina se lembra de Mengele se afastando de mãos dadas com os garotos sem deixar de assobiar placidamente. A mesma sinfonia que agora se ouve no bloco 31.
Mengele...
A porta do quarto do responsável pelo bloco se abre com um ligeiro chiado, e o Blockältester Hirsch sai de seu minúsculo cubículo fingindo ter uma agradável surpresa com a visita dos SS. Bate sonoramente os calcanhares para saudar o oficial. É uma forma respeitosa de reconhecer a patente do militar, mas também uma maneira de mostrar uma postura marcial, nem submissa, nem acobardada. Mengele mal olha para Hirsch, está distraído e continua assobiando com as mãos para trás, como se nada daquilo fosse por sua causa. O sargento, o Padre, como todos o chamam, esquadrinha o barracão com seus olhos quase transparentes sem tirar, todavia, as mãos de dentro das mangas da jaqueta, caídas sobre o colo, não muito distantes da capa da pistola. Jakopek não se enganou. Inspeção, sussurra o Obersharführer.
Os SS que o acompanham repetem a sua ordem e a amplificam, até transformarem-na num grito que penetra os tímpanos dos prisioneiros. Dita, no grupo das garotinhas, sente um calafrio, aperta os braços contra o corpo e ouve os livros roçando nas suas costelas. Se a pegarem com eles, será o fim de tudo. Não seria justo..., murmura. Tem 14 anos e a vida por estrear, tudo por fazer. Nada pôde sequer começar. A Dita lhe vêm à cabeça estas palavras que sua mãe repete há anos, de maneira maçadora, quando ela lamenta a própria sorte: é a guerra, Edita... É a guerra. Era tão pequena que quase já não lembra como era o mundo quando não existia a guerra. Tal como esconde os livros sob o vestido nesse lugar onde arrebataram tudo, também guarda na cabeça um álbum de fotografias feito de lembranças. Fecha os olhos e trata de evocar como era o mundo quando não existia o medo. Ela se vê com nove anos de idade, parada em frente ao relógio astronómico da praça da Cidade Velha, em Praga, no início de 1939. Olhava meio de soslaio para o velho esqueleto a vigiar os telhados da cidade com as suas órbitas vazias, enormes como punhos negros». In Antonio G. Iturbe, 2012, A Bibliotecária de Auschwitz, Dita Dorachova, Planeta Manuscrito, Lisboa, 2013, ISBN 978-989-657-432-1.

Cortesia de PManuscrito/JDACT

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Assim foi Auschwitz Primo Levi. «… ora descarregando carvão ou sacos de cimento ou outras coisas ainda, todas extremamente pesadas; trabalhos que, naturalmente, eram executados ao ar livre…»

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«(…) Raramente encontrávamos lá dentro alguma fibra de carne. Como bebida, de manhã e à noite era distribuído meio litro de uma infusão de substituto de café, sem açúcar; só aos domingos vinha adoçado com sacarina. Em Monowitz havia falta de água potável; a água que havia nos lavatórios servia só para uso externo, sendo de origem fluvial e chegando ao Campo sem ser filtrada, tornando-se, por isso, altamente suspeita: tinha um aspecto límpido, mas, vista numa camada espessa, parecia amarelada; tinha um gosto entre o metal e o enxofre. Os prisioneiros eram obrigados a tomar duche duas ou três vezes por semana. Esses banhos, porém, não eram suficientes para manter a higiene pessoal, pois a quantidade de sabão que nos era dada era parcimoniosa: era distribuído apenas uma vez por mês, sob a forma de um sabonete de 50 gr. de péssima qualidade. Tratava-se de um pedaço rectangular, muito duro, desprovido de substâncias gordas, mas rico em areia, que não fazia espuma e se despedaçava com extrema facilidade, de modo que após um ou dois banhos estava totalmente consumido. Depois do banho, não havia possibilidade de secar o corpo ou de o enxugar, pois não havia toalhas; e, quando saíam do banho, os prisioneiros tinham de correr nus, independentemente da estação do ano, fossem quais fossem as condições atmosféricas e meteorológicas e a temperatura, até aos seus blocos, onde eram guardadas as roupas.
Os trabalhos atribuídos à grande maioria dos prisioneiros eram manuais e todos muito cansativos, inadequados às condições físicas e a capacidade dos condenados; poucos eram aqueles que ficavam empregados em trabalhos que tivessem alguma afinidade com a profissão ou ofício que exerciam na sua vida civil. Assim, nenhum dos dois autores deste relatório pôde alguma vez trabalhar no Hospital ou no laboratório químico da Buna-Werke, foram ambos obrigados a partilhar a sorte dos seus companheiros e tiveram de se submeter a esforços superiores às suas forças, ora cavando com pá e picareta, ora descarregando carvão ou sacos de cimento ou outras coisas ainda, todas extremamente pesadas; trabalhos que, naturalmente, eram executados ao ar livre, no Inverno e no Verão, sob neve, chuva, sol e vento, sem indumentária suficiente para se protegerem das intempéries e das baixas temperaturas. Esses trabalhos, além disso, tinham de ser efectuados a um ritmo acelerado, sem qualquer pausa, à excepção do intervalo de uma hora, do meio-dia à uma, para a refeição do almoço; ai de quem fosse surpreendido parado ou em atitude de descanso durante as horas de trabalho.

A partir desta nossa rápida descrição das modalidades de vida no Campo de concentração de Monowitz, é possível deduzir-se facilmente quais eram as doenças mais frequentes que atingiam os prisioneiros e as suas respectivas causas. A classificação pode ser feita nos seguintes grupos:

1) doenças distróficas;
2) doenças do sistema gastrointestinal;
3) doenças devidas ao frio;
4) doenças infecciosas gerais e cutâneas;
5) doenças cirúrgicas;
6) doenças de trabalho.

Doenças distróficas. Se do ponto de vista quantitativo a alimentação ficava muito aquém do necessário, do ponto de vista qualitativo era desprovida de dois importantes factores: as gorduras e, principalmente, as proteínas animais, salvo os míseros vinte ou 25 gramas de salame que eram fornecidos duas ou três vezes por semana. Ademais, faltavam vitaminas. Assim se explica como essas e outras tantas carências alimentares eram o ponto de partida daquelas distrofias que atingiam quase todos os prisioneiros, desde as primeiras semanas da sua estada». In Primo Levi, Assim foi Auschwitz, 2015, Penguin Randon House Grupo Editorial, Objectiva, 2015, ISBN 978-989-877-569-6.

Cortesia de Objectiva/JDACT

terça-feira, 18 de julho de 2017

Assim foi Auschwitz Primo Levi. «Ao meio-dia, os deportados recebiam um litro de sopa de nabo ou couve, absolutamente insípida devido à falta de qualquer tempero…»

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«(…) O estado higiénico-sanitário do Campo parecia, à primeira vista, realmente bom: as ruas e vielas que separavam os diversos blocos, eram limpas e bem conservadas, até onde permitia o chão lamacento; o exterior dos blocos, em madeira, era bem pintado e o interior tinha os soalhos cuidadosamente varridos e lavados todas as manhãs, com os chamados castelos (beliches) de três andares em perfeita ordem, as mantas dos catres bem estendidas e alisadas. Mas tudo isto era apenas aparência, sendo a substância completamente diferente: na verdade, nos blocos, que normalmente deveriam albergar entre 150 e 170 pessoas, amontoavam-se sempre pelo menos 200, muitas vezes até 250 pessoas, e portanto em quase todas as camas dormiam duas pessoas. Nessas condições, o tamanho do dormitório era certamente inferior ao mínimo exigido pelas necessidades de respiração e hematose. Os catres eram providos de uma espécie de saco grande, mais ou menos cheio com serragem de madeira, reduzida quase a pó pelo uso prolongado, e dois cobertores. Os cobertores, além de nunca serem trocados nem submetidos, a não ser muito raramente e por motivos excepcionais, a qualquer desinfecção, estavam, na maior parte dos casos, em péssimo estado de conservação: gastos pelo uso prolongado, rasgados, cobertos de todo o tipo de manchas. Só os catres mais à vista eram providos de cobertores mais decentes, quase limpos, e às vezes até bonitos: eram os catres dos andares inferiores e mais próximos da porta de entrada.
Naturalmente, essas camas eram reservadas para os pequenos líderes do Campo: capatazes e seus assistentes, ajudantes do chefe de bloco, ou simplesmente amigos de uns ou de outros. Assim se explica a impressão de limpeza, ordem e higiene que a pessoa tinha ao entrar num dormitório pela primeira vez e deitando um olhar superficial ao seu interior. Nas armações dos beliches, nas vigas de sustentação, nas tábuas dos catres, viviam milhares de percevejos e pulgas que impediam os prisioneiros de dormir à noite; nem sequer as desinfecções dos dormitórios com vapores de ácido nitrídrico, efectuadas de três em três meses ou de quatro em quatro, eram suficientes para destruir esses hóspedes que continuavam a vegetar e a multiplicar-se quase imperturbáveis.
Os piolhos, pelo contrário, eram combatidos a fundo, a fim de prevenir o surgimento de uma epidemia de tifo petequial: todas as noites, após regressar do trabalho, e com maior rigor nas tardes de sábado (dedicadas, entre outras coisas, a rapar o cabelo; a barba e por vezes também outros pêlos), praticava-se o chamado controlo dos piolhos. Cada prisioneiro tinha de se despir e submeter as suas roupas ao exame minucioso dos encarregados dessa função; se fosse encontrado um único piolho na camisa de um deportado, todas as roupas de todos os ocupantes do dormitório eram imediatamente enviadas para desinfecção e os homens eram submetidos a duches, depois de serem esfregados com lisol. Assim, tinham de passar a noite inteira nus, até às primeiras horas da manhã, quando as suas roupas voltavam do barracão de desinfecção, impregnadas de humidade.
No entanto, não se tomava qualquer outra providência para a profilaxia das doenças contagiosas, que eram frequentes: tifo e escarlatina, difteria e varicela, sarampo, erisipela etc., sem contar com as inúmeras infecções cutâneas contagiosas, como as epidermofitoses, os impetigos, as sarnas. É de facto surpreendente que, tendo em conta tanta negligência em relação às normas higiénicas de pessoas que viviam numa promiscuidade tão grande, nunca tenham surgido epidemias de rápida difusão. Uma das maiores possibilidades de transmissão de doenças infecciosas consistia no facto de uma razoável percentagem de prisioneiros não dispôr de gamela ou de colher, de modo que três ou quatro pessoas eram obrigadas a comer sucessivamente no mesmo recipiente ou com o mesmo talher, sem poder lavá-lo.
A alimentação, de quantidade insuficiente, era de má qualidade. Consistia em três refeições: de manhã, logo depois de acordar, eram distribuídos 350 gramas de pão quatro vezes por semana e 700 gramas três vezes por semana, portanto, uma média diária de 500 gramas, quantidade que seria razoável se o próprio pão não trouxesse incontestavelmente uma grande quantidade de escórias, entre as quais, de forma muito visível, serragem de madeira; além disso, ainda de manhã, davam-nos 25 gramas de margarina com uns vinte gramas de salame ou uma colherada de doce ou ricota. A margarina era distribuída só seis dias por semana; mais tarde, essa distribuição reduzir-se-ia para três dias. Ao meio-dia, os deportados recebiam um litro de sopa de nabo ou couve, absolutamente insípida devido à falta de qualquer tempero, e à noite, no final do trabalho, outro litro de sopa um pouco mais consistente, com algumas batatas ou, por vezes, ervilhas e grão-de-bico; mas esta também totalmente desprovida de componentes gordurosos». In Primo Levi, Assim foi Auschwitz, 2015, Penguin Randon House Grupo Editorial, Objectiva, 2015, ISBN 978-989-877-569-6.

Cortesia de Objectiva/JDACT

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Assim foi Auschwitz. Primo Levi. «As repetidas desinfecções deterioravam os tecidos, acabando com a sua resistência. Todo este material resultava das roupas de pior qualidade retiradas aos passageiros dos vários comboios»

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«(…) Assim que chegou ao Campo, o grupo de 95 homens foi levado para o pavilhão de desinfecção, onde todos foram prontamente despidos e, depois, submetidos a uma completa e cuidadosa depilação: cabelos, barbas e tudo o resto caíram rapidamente sob tesouras, navalhas e máquinas. A seguir, os homens foram colocados na sala dos chuveiros e ali ficaram trancados até à manhã seguinte. Cansados, famintos, com sede e sono, atónitos com o que tinham visto e inquietos pelo seu destino imediato, mas, acima de tudo, inquietos pela sorte dos entes queridos de quem tinham sido brusca e brutalmente separados poucas horas antes, com o espírito atormentado por obscuros e trágicos pressentimentos, eles tiveram de passar a noite inteira em pé, com os pés na água que pingava das tubagens e corria pelo chão. Finalmente, por volta das 6 horas da manhã seguinte, foram submetidos a uma fricção geral com uma solução de lisol e depois a um duche quente; de seguida, foram-lhes entregues os uniformes do Campo e, para os vestir, foram conduzidos a outra sala, na qual tiveram de entrar pelo lado de fora do pavilhão, saindo nus para a neve, com o corpo ainda molhado do duche recente.
O uniforme dos prisioneiros de Monowitz durante o Inverno era composto por um casaco, um par de calças, um boné e um sobretudo de pano às riscas; uma camisa, um par de cuecas de algodão, um par de meias; um pulôver; um par de sapatos com sola de madeira. Muitas meias e muitas cuecas tinham sido visivelmente feitas a partir de alguns thaled, o manto sagrado com o qual os Judeus se costumam cobrir durante as orações, encontrados nas malas de alguns deportados e utilizados para aquela finalidade em sinal de desprezo. Mal chegava o mês de Abril, quando o frio, embora mais brando, ainda não desaparecera, as roupas de pano grosso e os pulôveres eram retirados, e as calças e o casaco eram substituídos por peças análogas de algodão, também às riscas; só em finais de Outubro voltavam a ser distribuídas roupas de Inverno.
No entanto, isso não aconteceu no Outono de 44, porque as roupas e os casacos de pano grosso tinham chegado ao limite extremo de uso, de forma que os prisioneiros tiveram de enfrentar o Inverno de 44-45 vestindo algodão, como nos meses de Verão; só uma pequena minoria recebeu uma leve gabardina impermeável ou um pulôver. Era rigorosamente proibido possuir mudas de roupa ou de peças íntimas, de forma que era quase impossível lavar camisas ou cuecas: essas peças eram trocadas, de acordo com as autoridades, a cada 30-40-50 dias, segundo a disponibilidade e sem possibilidade de escolha; as peças não vinham lavadas, eram apenas desinfectadas a vapor, pois não havia lavandaria no Campo. Em geral, eram cuecas curtas de algodão e camisas, sempre de pano, frequentemente sem mangas, sempre de aspecto repugnante devido a todo o tipo de manchas, com frequência reduzidas a farrapos; nalgumas ocasiões, em vez disso, recebia-se a camisa ou as calças de um pijama ou mesmo alguma peça de roupa feminina.
As repetidas desinfecções deterioravam os tecidos, acabando com a sua resistência. Todo este material resultava das roupas de pior qualidade retiradas aos passageiros dos vários comboios que, corno se sabe, chegavam continuamente ao Centro de, Auschwitz provenientes de todas as partes da Europa. Eram distribuídos sobretudos, casacos e calças, tanto de Verão como de Inverno, em péssimas condições, cheios de remendos e impregnados de sujidade (barro, graxa, tinta). Os prisioneiros tinham de tratar pessoalmente de os arranjar sem receberem linhas ou agulhas para isso. Era extremamente difícil conseguir trocá-los, o que só acontecia quando qualquer tentativa de arranjo fosse de todo impossível. As meias nunca eram trocadas, e a sua recuperação ficava entregue à iniciativa de cada um. Era proibido possuir lenços de assoar ou qualquer outro pedaço de tecido.
Os sapatos eram feitos numa oficina própria que existia no Campo; as solas de madeira eram pregadas em chapas de couro ou de couro sintético ou de pano emborrachado provenientes do calçado de pior qualidade retirado dos comboios que chegavam. Quando estavam em bom estado, constituíam uma defesa razoável contra o frio e a humidade, mas eram absolutamente inadequados para as caminhadas, mesmo curtas, e causavam escoriações na sola dos pés. Podia considerar-se afortunado aquele que tivesse sapatos emparelhados e do tamanho adequado. Quando se estragavam, eram consertados infinitas vezes, para além de qualquer limite razoável, de forma que era raríssimo ver calçado novo, e aquele que normalmente era distribuído não durava mais de uma semana. Não eram distribuídos atacadores, cada qual os substituía como podia por pedaços de papel retorcido ou por fio eléctrico, quando era possível encontrar algum». In Primo Levi, Assim foi Auschwitz, 2015, Penguin Randon House Grupo Editorial, Objectiva, 2015, ISBN 978-989-877-569-6.


Cortesia de Objectiva/JDACT

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Assim foi Auschwitz. Primo Levi. «Monowitz era, portanto, um típico Arbeits-Lager (campo de trabalho): todas as manhãs a população inteira do Campo, excepto os doentes e as poucas pessoas designadas para trabalhos internos»

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«(…) Assim que o comboio chegou a Auschwitz (eram aproximadamente 21 horas de 26 de Fevereiro de 1944), os vagões foram rapidamente esvaziados por numerosos SS, armados com pistolas e bastões; e os viajantes foram obrigados a colocar malas, trouxas e cobertores ao longo do comboio. A comitiva foi logo dividida em três grupos: um de homens jovens e aparentemente válidos, que veio a ser constituído por 95 indivíduos; um segundo de mulheres, também jovens, grupo pequeno, composto por apenas 29 pessoas, e um terceiro, o mais numeroso de todos, com crianças, inválidos e velhos. Enquanto os primeiros foram encaminhados separadamente para vários campos, há razões para crer que o terceiro foi conduzido directamente para a câmara de gás de Birkenau, e aqueles que o integravam trucidados nessa mesma noite.
O primeiro grupo foi levado para Monowitz, onde havia um Campo de concentração sob a alçada administrativa de Auschwitz, do qual distava cerca de 8 km, e que fora constituído em meados de 1942 com a finalidade de fornecer mão-de-obra para a construção do complexo industrial Buna-Werke, subordinado à I.G. Farbenindustrie. Esse campo albergava entre 10000 e 12000 prisioneiros, embora a sua capacidade normal se limitasse a 7000-8000 homens. A maior parte deles eram Judeus de todas as nacionalidades da Europa, mas havia uma pequena minoria de criminosos alemães e polacos, de políticos polacos e de sabotadores.
A Buna-Werke, destinada à produção em grande escala de borracha sintética, gasolina sintética, corantes e outros subprodutos de carvão, ocupava uma área rectangular com cerca de 35 km2. Uma das entradas dessa zona industrial, totalmente isolada por cercas altas de arame farpado, encontrava-se a poucas centenas de metros do Campo de concentração dos Judeus, enquanto, a pouca distância deste e adjacente à periferia da zona industrial, havia um Campo de concentração para prisioneiros de guerra ingleses e, mais longe, encontravam-se outros Campos para trabalhadores civis de várias nacionalidades. Diga-se de passagem que o ciclo produtivo da Buna-Werke nunca começou: a data de inauguração, prevista inicialmente para Agosto de 1944, foi sendo protelada devido aos bombardeamentos aéreos e à sabotagem por parte dos operários civis polacos, até à evacuação do território pelo exército alemão.
Monowitz era, portanto, um típico Arbeits-Lager (campo de trabalho): todas as manhãs a população inteira do Campo, excepto os doentes e as poucas pessoas designadas para trabalhos internos, dispunha-se numa formação perfeitamente ordenada e desfilava ao som de uma banda, que tocava marchas militares e alegres cançonetas, para se dirigir aos locais de trabalho que, para alguns grupos, ficavam a uma distância de seis-sete quilómetros: o trajecto era feito em passo acelerado, quase em corrida. Antes da saída para o trabalho e depois do regresso, todos os dias se realizava a cerimónia de chamada numa praça do Lager própria para esse fim, onde todos os prisioneiros tinham de ficar em formação rígida, durante uma a três horas, independentemente do clima que estivesse». In Primo Levi, Assim foi Auschwitz, 2015, Penguin Randon House Grupo Editorial, Objectiva, 2015, ISBN 978-989-877-569-6.

Cortesia de Objectiva/JDACT

Assim foi Auschwitz Primo Levi. «A viagem de Fossoli para Auschwitz durou exactamente quatro dias; e foi muito penosa, sobretudo por causa do frio, que era tão intenso…»

jdact

«Graças à documentação fotográfica e às declarações agora numerosas fornecidas por ex-internos dos vários Campos de concentração criados pelos alemães para a aniquilação dos judeus da Europa, talvez já não exista ninguém que ainda ignore o que foram esses lugares de extermínio e as torpezas que lá foram praticadas. No entanto, com a finalidade de dar a conhecer melhor os horrores, dos quais nós próprios também fomos testemunhas e muitas vezes vítimas durante o período de um ano, acreditamos ser útil trazer a público em Itália um relatório que apresentámos ao governo da U.R.S.S., por solicitação do Comando Russo do Campo de Concentração de Kattowitz para italianos ex-prisioneiros. Foi neste Campo que também nós ficámos abrigados após a nossa libertação, efectuada pelo Exército Vermelho em finais de Janeiro de 1945. Acrescentamos agora a essa exposição algumas informações de ordem geral, pois o nosso relatório da altura devia restringir-se exclusivamente ao funcionamento dos serviços sanitários do Campo de Monowitz. O mesmo governo de Moscovo solicitou relatórios análogos a todos os médicos de qualquer nacionalidade que, vindos de outros campos, também tivessem sido libertados.
Partimos do Campo de concentração de Fossoli di Carpi (Módena) em 22 de Fevereiro de 1944, num comboio com 650 Judeus de ambos os sexos e de todas as idades. O mais velho passava dos oitenta anos, o mais novo era um bebé de três meses. Muitos estavam doentes, alguns gravemente: um velho de setenta anos, que tivera uma hemorragia cerebral poucos dias antes da partida, foi igualmente embarcado e morreu durante a viagem.
O comboio era composto apenas por vagões de transporte de gado, fechados pelo lado de fora; em cada vagão, foram amontoadas mais de cinquenta pessoas, a maior parte das quais levava consigo todas as malas que conseguia, porque um primeiro sargento alemão do Campo de Fossoli tinha-nos sugerido, com ar de quem dava um conselho desinteressado e afectuoso, que nos provêssemos de muitas roupas pesadas, camisolas de malha, cobertores, peliças, porque seríamos levados para regiões com um clima mais rigoroso do que o nosso. E acrescentara, com um sorrisinho benévolo e uma piscadela de olho irónica, que, se alguém tivesse dinheiro ou jóias escondidas, faria bem em levá-los também, pois lá seriam certamente úteis. A maioria dos que partiam mordeu o isco, seguindo um conselho que escondia uma armadilha grosseira; outros, pouquíssimos, preferiram confiar os seus bens a algum particular com livre acesso ao Campo; outros, por fim, que no acto da detenção não tinham tido tempo de providenciar mudas de roupa, partiram apenas com o que vestiam.
A viagem de Fossoli para Auschwitz durou exactamente quatro dias; e foi muito penosa, sobretudo por causa do frio, que era tão intenso, especialmente nas horas nocturnas, que de manhã as tubagens de metal que percorriam o interior dos vagões estavam cobertas de gelo, devido ao vapor da respiração que se condensava sobre elas. Outro tormento era a sede, que só podia ser saciada com a neve recolhida durante a única paragem diária, quando o comboio se detinha em campo aberto e os viajantes eram autorizados a descer dos vagões, sob a rigorosíssima vigilância de inúmeros soldados, prontos, com a metralhadora sempre apontada, a abrir fogo contra quem quer que fizesse menção de se afastar do comboio.
Era durante essas curtas paragens que se procedia, vagão a vagão, à distribuição dos alimentos: pão, doce e queijo; nunca água ou qualquer outro líquido. As possibilidades de dormir eram reduzidas ao mínimo, pois a quantidade de malas e trouxas que se amontoavam no chão não permitia que ninguém se ajeitasse numa posição cómoda e propícia ao descanso; os viajantes deviam, portanto, contentar-se em ficar acocorados da maneira que lhes custasse menos num espaço muito reduzido. O soalho dos vagões estava sempre molhado e não era fornecido sequer um pouco de palha para o cobrir». In Primo Levi, Assim foi Auschwitz, 2015, Penguin Randon House Grupo Editorial, Objectiva, 2015, ISBN 978-989-877-569-6.

Cortesia de Objectiva/JDACT

sábado, 16 de abril de 2011

Irene Némirovsky: «Em 2004 a obra póstuma, Suite Française (Suite Francesa), foi galardoada com o Prémio Renaudot, um conceituado do panorama literário francês. A primeira vez que este prémio distinguiu um escritor a título póstumo»

(1903-1942)
Kiev
Cortesia de clubdelecturaunedes

Irene Némirovsky, escritora de origem ucraniana nascida  no seio de uma família judaica-ucraniana com interesses na banca, e falecida no campo de concentração «maldito» nazi de Auschwitz, na Polónia.
Durante a infância, passou várias vezes férias na costa francesa, na zona de Biarritz. Entretanto, por motivos políticos o regime soviético começou a perseguir o pai de Irene.
Em 1919, já depois de ter vivido em São Petersburgo, exilou-se com a família em Paris. Estudou literatura na Universidade da Sorbonne, onde se licenciou em Letras. Entretanto começou a escrever contos que publicava numa revista literária. Em 1923 lançou o seu primeiro romance, Le Malentendu, que havia escrito aos 18 anos.

Em 1929, lançou o primeiro romance David Golder e tornou-se num dos nomes mais estimados do meio literário de Paris. Posteriormente escreveu Le Bal (O Baile), Le Vin de Solitude e Jézabel.
Contudo, quando a Alemanha invadiu a França durante a Segunda Guerra Mundial, muitos dos que admiravam Irene passaram a ignorá-la por ela ser judia. Mas o facto é que, no início do conflito, Irene se tinha convertido ao catolicismo.
Irene Némirovsky foi detida em Julho de 1942 pela Gestapo, a polícia política do regime «maldito» nazi, apesar dos apelos em contrário do embaixador alemão em Paris e do Marechal Pétain. Assim, foi enviada para o campo de concentração de Auschwitz, na Polónia. A escritora viria falecer no campo de concentração nazi a 17 de Agosto desse ano.

Cortesia de sololibros
Da família só se salvaram duas filhas, Denise e Elisabeth, que foram entregues a uma mulher católica, que as escondeu. Na sua mala Denise levou os manuscritos da mãe. Só em 1954 abriu a mala e teve coragem de ler o que a mãe escrevera. Entre os manuscritos, encontrava-se Suite Française, publicado apenas em Setembro de 2004. Esta obra conta o êxodo dos judeus de Paris em 1940. O livro está dividido em dois romances:
  • um sobre a fuga dos judeus,
  • o segundo sobre a ocupação nazi, e já foi considerado o mais importante documento literário do pós-guerra desde os diários de Anne Frank.
Em 2004 a obra póstuma de Irene Némirovsky, Suite Française (Suite Francesa), foi galardoada com o Prémio Renaudot, um dos mais conceituados do panorama literário francês.
Foi a primeira vez que este prémio distinguiu um escritor a título póstumo».
In Infopédia. Porto Editora, http://www.infopedia.pt/$irene-nemirovsky.

Cortesia de Infopédia/JDACT

domingo, 26 de setembro de 2010

Edith Stein: Uma filósofa judia alemã, discípula de Edmund Husserl. Foi proclamada como co-padroeira da Europa pelo contributo do seu pensamento filosófico. Faleceu aos 51 anos, asfixiada numa câmara de gás em Auschwitz

(1891- 1942, Auschwitz, campo de concentração nazi)
Breslau, Alemanha 
Cortesia de communio
Edith Theresa Hedwing Stein, mais conhecida por Edith Stein foi uma religiosa alemã, a última de onze irmãos de uma família judia que professava o Judaísmo. Foi professora de Filosofia, sendo discípula de Edmund Husserl (fenomenologia) e secretária particular desse filósofo. Faleceu aos 51 anos asfixiada numa câmara de gás, a 9 de Agosto de 1942, no campo de concentração de Auschwitz, na Polónia.

Cortesia de edithstein-kreis
Quando menina e adolescente, não obstante os pedidos de sua mãe em professar a fé judaica, ela qualificava-se sempre de ateia. Contudo, acompanhava a mãe à sinagoga mais por delicadeza do que por convicção religiosa, passando o tempo a distrair-se e olhando para quem entrava e saía.
Pelos seus 30 anos, no Outono de 1921, veio-lhe parar às mãos a autobiografia de Santa Teresa de Ávila, intitulada «Livro da Vida». Ficou encantada! Recebeu o baptismo, aos 31 anos, no Primeiro de Janeiro de 1922 e entrou para um convento. A família cortou relações com ela.

Cortesia de provsjose
Para escapar à perseguição da II Guerra Mundial, fugiu em 1940 da Alemanha Nazi para os Países Baixos. Mas, quando esta nação foi ocupada pelos nazis, Edith Stein foi presa com a sua irmã. Saiu do convento de hábito carmelita que continuou a usar no campo de concentração, oferecendo a sua vida, como ela disse, pela conversão ao Catolicismo do povo hebreu. O seu número de prisioneira era o 44070.
O maldito campo nazi de Auschwitz-Birkenau
Cortesia de annefrankguide
Pelo seu heroísmo cristão, no dia 1 de Maio de 1987, foi beatificada por João Paulo II em Colónia e, a 11 de Outubro de 1998, foi canonizada pelo mesmo Papa, sob o nome de Santa Teresa Benedita da Cruz, ou apenas Teresa da Cruz. No dia 1 de Outubro de 1999, João Paulo II, numa carta apostólica em forma de «motu proprio» intitulado «Spes aedificandi», proclamou Santa Teresa Benedita da Cruz, co-padroeira da Europa (Hebreus Católicos, Dia Mundial da Juventude) pelo particular contributo cristão que outorgou através do seu pensamento filosófico.

Cortesia de montecarmelo
«Con este tercer volumen se completa los «Estudios Filosóficos» y concluye la edición de las Obras Completas de Edith Stein en castellano. Queda aquí recogida la etapa del «pensamiento cristiano» (1921-1936), con obras inéditas hasta ahora en nuestra lengua, como Acto y potencia; ¿Qué es filosofía? (Un diálogo entre Husserl y Santo Tomás), y temas varios como la libertad, la gracia, la verdad, etc. Se incluye también Ser finito y ser eterno».

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/motu_proprio/documents/hf_jp-ii_motu-proprio_01101999_co-patronesses-europe_po.html

Cortesia de dlibraryacuedu
Cortesia de Editorial Monte Carmelo/wikipédia/JDACT