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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

O Símbolo Perdido Dan Brown. «Hoje em dia nenhum veículo pode se aproximar dos prédios importantes. Sinto muito, senhor. Langdon verificou o relógio, surpreso ao ver que já eram 18h50»

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«(…) Apesar dos empurrõezinhos ocasionais do irmão e de não lhe faltarem pretendentes, Katherine nunca havia casado. A ciência se tornara sua parceira de vida, e seu trabalho se revelara mais recompensador e estimulante para ela do que qualquer homem jamais poderia desejar ser. Katherine não se arrependia de nada. A disciplina que ela havia escolhido, ciência no ética, era praticamente desconhecida quando Katherine ouvira falar nela na primeira vez, mas nos últimos anos tinha começado a abrir novas portas para a compreensão do poder da mente humana. O nosso potencial desconhecido é realmente impressionante. Os dois livros de Katherine sobre noética a haviam firmado como líder nessa disciplina obscura, mas as suas mais recentes descobertas, quando publicadas, prometiam transformar a ciência na ética em assunto de conversas mundo afora. Naquela noite, no entanto, ela estava pensando em tudo menos em ciência. Mais cedo, tinha recebido informações preocupantes sobre o irmão. Ainda não consigo acreditar que seja verdade. Não havia pensado em mais nada a tarde inteira.

Com uma chuva fina tamborilando no seu pára-brisa, Katherine juntou rapidamente as suas coisas para entrar. Estava prestes a descer do carro quando seu telefone móvel tocou. Ela viu o nome de quem estava ligando e respirou fundo. Então ajeitou os cabelos atrás das orelhas e se acomodou para atender. A uns 10 quilómetros dali, Mal'akh percorria os corredores do prédio do Capitólio com um telefone colado à orelha. Esperou pacientemente enquanto o telefone tocava do outro lado. Por fim, uma voz de mulher atendeu. Sim? Precisamos nos encontrar de novo, disse Mal'akh. Houve uma longa pausa. Está tudo bem? Tenho novas informações, disse Mal'akh. Pode falar. Mal'akh respirou fundo. Aquilo que seu irmão acredita que está escondido na capital...? Sim. Pode ser encontrado. Katherine Solomon soou espantada. Está me dizendo que..., é real? Mal'akh sorriu. Às vezes uma lenda que dura muitos séculos..., tem um motivo para durar.

Não pode chegar mais perto? Robert Langdon sentiu uma súbita onda de ansiedade quando o motorista parou na Rua 1, a uns bons 400 metros do prédio do Capitólio. Infelizmente não, respondeu o motorista. Segurança nacional. Hoje em dia nenhum veículo pode se aproximar dos prédios importantes. Sinto muito, senhor. Langdon verificou o relógio, surpreso ao ver que já eram 18h50. Uma área em obras em torno do National Mall os atrasara, e sua palestra começaria dali a 10 minutos. O tempo está virando, disse o motorista, saltando do carro e abrindo a porta do passageiro. É melhor o senhor se apressar. Langdon fez menção de pegar a carteira, mas o homem o deteve com um gesto. O seu anfitrião já me deu uma generosa gorjeta além da tarifa. Típico de Peter, pensou Langdon, recolhendo suas coisas. Está bem, obrigado por me trazer. As primeiras poucas gotas de chuva começaram a cair quando Langdon pisou na esplanada central graciosamente curva que descia para a entrada subterrânea de visitantes. O Centro de Visitantes do Capitólio tinha sido um projecto caro e controverso. Descrito como uma cidade subterrânea comparável a partes da Disney World, ele supostamente disponibilizava mais de 46 mil metros quadrados de espaço para exposições, restaurantes e salões de conferência. Langdon estava curioso para conhecê-lo, embora não tivesse previsto uma caminhada tão longa. O céu ameaçava desabar a qualquer momento. Ele apressou o passo para uma corrida leve, mas seus sapatos sociais patinhavam no cimento molhado. Eu me vesti para dar uma palestra, não para uma corrida de 400 metros ladeira abaixo na chuva!

Quando chegou ao final da esplanada, estava sem ar e ofegante. Empurrou a porta giratória e parou por alguns instantes no saguão para recuperar o fôlego e secar as roupas com as mãos. Enquanto fazia isso, ergueu os olhos para o espaço recém-concluído à sua volta. Confesso que estou impressionado. O Centro de Visitantes do Capitólio não se parecia em nada com o que ele esperava. Como era subterrâneo, Langdon estava apreensivo antes de entrar ali. Um acidente na infância o havia deixado preso durante uma noite inteira dentro de um poço fundo, o que lhe causara uma aversão quase incapacitante a espaços fechados. Mas, apesar de estar debaixo da terra, aquele lugar era de alguma forma..., arejado. Leve. Amplo». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Dan Brown, Washington, D.C., Literatura, Maçonaria,

sábado, 14 de novembro de 2020

O Símbolo Perdido Dan Brown. «Ela estava quase sem maquilhagem e usava os grossos cabelos pretos soltos e ao natural. Assim como Peter, seu irmão mais velho…»

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«(…) Naquele caso, os instintos de Nuñez não percebiam nada que lhe causasse medo. A única coisa estranha que ele percebeu, agora que os dois estavam muito próximos, era que aquele homem com pinta de durão parecia ter aplicado no rosto algum tipo de autobronzeador ou correctivo. Cada louco com a sua mania. Todo mundo detesta ficar branco no inverno. Liberado, disse Nuñez, concluindo a verificação e guardando o detector. Obrigado. O homem começou a recolher seus pertences da bandeja. Enquanto ele fazia isso, Nuñez reparou que os dois dedos que emergiam das ataduras exibiam cada qual uma tatuagem: a ponta do indicador tinha a imagem de uma coroa e a do polegar, a de uma estrela. Parece que todo mundo tem tatuagem hoje em dia, pensou Nuñez, embora a ponta do dedo parecesse um lugar dolorido para se tatuar. Doeu fazer essas tatuagens? O homem baixou os olhos para as pontas dos próprios dedos e deu uma risadinha. Menos do que o senhor imagina. Que sorte, comentou Nuñez. A minha doeu para caramba. Fiz uma sereia nas costas quando estava no campo de treinamento. Uma sereia? O careca sorriu. É, respondeu o guarda, sentindo-se acanhado. Erros da juventude. Sei como é, disse o careca. Eu também cometi uma grande tolice na juventude. Agora acordo com ela todo dia de manhã. Ambos riram enquanto o homem se afastava. Brincadeira de criança, pensou Mal'akh enquanto passava por Nuñez e subia a escada rolante em direcção ao prédio do Capitólio. Entrar tinha sido mais fácil do que ele previra. A postura corcunda e a falsa barriga acolchoada haviam ocultado a verdadeira forma física de Mal'akh, enquanto a maquilhagem no rosto e nas mãos escondera as tatuagens que lhe cobriam o corpo. O golpe de mestre, porém, tinha sido a tipóia, que disfarçava o poderoso objecto que Mal'akh estava levando para dentro do prédio. Um presente para o único homem do mundo capaz de me ajudar a obter o que procuro.

O maior e tecnologicamente mais avançado museu do mundo é também um dos segredos mais bem guardados da face da Terra. Ele abriga mais peças do que o Hermitage, o Museu do Vaticano e o Metropolitan de Nova York..., juntos. No entanto, apesar da magnífica colecção, poucos cidadãos comuns têm acesso às suas instalações superprotegidas. Situado no número 4.210 da Silver Hill Road, logo depois dos limites da cidade de Washington, o museu é um imenso edifício em zigue-zague, constituído por cinco blocos interligados, cada um deles maior do que um campo de futebol. O exterior de metal azulado do complexo não dá nenhuma pista da estranheza que existe lá dentro, um mundo alienígena de quase 56 mil metros quadrados do qual fazem parte uma zona morta, um armazém molhado e quase 20 quilómetros de armários. Naquela noite, a cientista Katherine Solomon estava um pouco nervosa ao conduzir o seu Volvo branco até ao portão de segurança principal do complexo. O guarda sorriu. Não gosta de futebol americano, sra. Solomon? Ele baixou o volume da TV portátil que transmitia o show que precedia o play-off dos Redskins. Katherine forçou um sorriso tenso. Hoje é domingo à noite. Ah, é mesmo. A sua reunião. Ele já chegou?, perguntou ela, ansiosa. O guarda baixou os olhos para alguns papéis. Não estou vendo o nome dele no registo.

Eu cheguei cedo. Katherine deu um aceno simpático e continuou subindo o sinuoso acesso até sua vaga no fundo do pequeno estacionamento em dois níveis. Começou a recolher os seus pertences e usou o retrovisor para dar uma rápida conferida no visual, mais por força do hábito do que por vaidade. Katherine Solomon tinha sido abençoada com a pele mediterrânea resistente de seus ancestrais e, mesmo aos 50 anos, sua tez continuava lisa e morena. Ela estava quase sem maquilhagem e usava os grossos cabelos pretos soltos e ao natural. Assim como Peter, seu irmão mais velho, tinha olhos acinzentados e uma elegância esguia, aristocrática. Poderiam muito bem ser gémeos, as pessoas sempre lhes diziam. O pai deles havia sucumbido a um câncer quando Katherine tinha apenas 7 anos, e ela quase não se lembrava dele. Na ocasião, o irmão, com apenas 15 anos, oito a mais do que ela, teve que iniciar a sua jornada para se tornar o patriarca dos Solomon, muito antes do que qualquer pessoa jamais havia sonhado. Como era de esperar, porém, Peter se adaptara ao papel com dignidade e força à altura do nome da família. Até hoje, cuidava de Katherine como se os dois ainda fossem crianças». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Dan Brown, Washington, D.C., Literatura, Maçonaria, 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

O Símbolo Perdido Dan Brown. «O guarda esperou o visitante tirar do bolso a colecção habitual de moedas e chaves, além de dois telefones móveis. Torção?, perguntou Nuñez olhando para a mão ferida do homem…»

 

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«(…) Reconheço que seria fácil. Langdon guardava as anotações de todas as palestras que fazia. Acho que eu poderia pensar no assunto. Qual é a data do evento? O assistente pigarreou, soando subitamente pouco à vontade. Bem, na verdade o evento é hoje à noite, professor. Langdon deu uma sonora risada. Hoje à noite? É por isso que está um caos aqui esta manhã. O Smithsonian está numa situação profundamente embaraçosa... O assistente começou a falar mais depressa. O sr. Solomon está disposto a mandar um jacto particular buscá-lo em Boston. O vôo dura apenas uma hora, e o senhor estaria de volta à sua casa antes da meia-noite. Conhece o terminal aéreo particular do Aeroporto Logan, em Boston? Conheço, admitiu Langdon com relutância. Não é de espantar que Peter sempre consiga o que quer. Maravilha! O senhor poderia encontrar o jacto lá, digamos..., às cinco horas? O senhor não me deixa muita escolha, não é?, disse Langdon com uma risadinha. Eu só quero agradar ao sr. Solomon, professor. Peter tem esse efeito nas pessoas. Langdon pensou no assunto por alguns instantes, sem ver nenhuma saída. Tudo bem. Diga a ele que eu topo. Incrível!, exclamou o assistente, parecendo profundamente aliviado. Então, deu a Langdon o número da aeronave e várias outras informações. Quando Langdon finalmente desligou, pensou se Peter Solomon algum dia havia escutado um não. Voltando a preparar o seu café, Langdon pôs mais alguns grãos dentro do moedor. Um pouco de cafeína extra hoje de manhã, pensou. O dia vai ser longo.

O prédio do Capitólio dos Estados Unidos ergue-se, imponente, na extremidade leste da esplanada conhecida como National Mall, sobre uma colina que o arquitecto da cidade, Pierre L'Enfant, descreveu como um pedestal à espera de um monumento. O Capitólio tem descomunais 230 metros de comprimento por 107 de largura. Com quase 6,5 hectares de área, abriga a impressionante quantidade de 541 aposentos. A arquitectura neoclássica foi meticulosamente projectada para reproduzir a grandiosidade da Roma antiga, cujos ideais serviram de inspiração aos fundadores dos Estados Unidos para estabelecer as leis e a cultura da nova república. O novo posto de controle de segurança para os turistas que chegam ao prédio fica bem no fundo do recém-concluído centro de visitantes subterrâneo, debaixo de uma magnífica clarabóia de vidro que emoldura a cúpula do Capitólio. O agente de segurança Alfonso Nuñez, contratado havia pouco tempo, estudou cuidadosamente o visitante que se aproximava do seu posto de controle. O homem tinha a cabeça rapada e passara alguns minutos no saguão terminando de falar ao telefone antes de entrar no prédio. Seu braço direito estava preso em uma tipóia e ele mancava um pouco. Vestia um casaco militar surrado que, somado à cabeça rapada, fez Nuñez supor que pertencia às forças armadas. Os membros das forças armadas norte-americanas estavam entre os visitantes mais frequentes da capital.

Boa noite, senhor, disse Nuñez, respeitando o protocolo de segurança que mandava abordar verbalmente qualquer homem que entrasse sozinho. Olá, disse o visitante, olhando em volta para a entrada quase deserta. Noite tranquila. Hoje é dia de play-off da NFC, respondeu Nuñez, referindo-se a uma partida da fase decisiva e eliminatória do campeonato de futebol americano. Estão todos vendo os Redskins jogar. Nuñez também queria estar fazendo isso, mas aquele era o seu primeiro mês no emprego e ele havia perdido no palitinho. Objectos metálicos na bandeja, por favor. Enquanto o visitante se esforçava para esvaziar os bolsos do casaco comprido usando apenas uma das mãos, Nuñez o observou com atenção. O instinto humano fazia concessões especiais aos feridos e deficientes, mas esse era um instinto que Nuñez havia sido treinado para superar.

O guarda esperou o visitante tirar do bolso a colecção habitual de moedas e chaves, além de dois telefones móveis. Torção?, perguntou Nuñez olhando para a mão ferida do homem, que parecia envolta em várias ligaduras elásticas grossas. O homem careca assentiu. Escorreguei no gelo. Faz uma semana. Ainda está doendo à beça. Sinto muito. Pode passar, por favor. Mancando, o visitante atravessou o detector de metais, ao que a máquina protestou com um apito. O visitante franziu o cenho. Estava com medo que isso acontecesse. Estou usando um anel debaixo das ligaduras. Meu dedo estava inchado demais para tirar, então os médicos enfaixaram o braço por cima. Sem problemas, disse Nuñez. Vou usar o detector manual. Ele passou o detector manual por cima da mão enfaixada do visitante. Como era previsto, o único metal que o aparelho localizou foi uma grande protuberância no dedo anular machucado do homem. O guarda não se apressou ao esfregar o detector por cada centímetro da tipóia e do dedo do homem. Sabia que o seu supervisor provavelmente o estava monitorando pelo circuito fechado na central de segurança do prédio, e Nuñez precisava daquele emprego. O seguro morreu de velho. Com cautela, ele inseriu o detector dentro da tipóia do homem. O visitante fez uma careta de dor. Desculpe.

Tudo bem, disse o homem. Hoje em dia todo o cuidado é pouco. Não é? Nuñez estava gostando daquele cara. Estranhamente, isso contava muito ali. O instinto humano era a primeira linha defensiva dos Estados Unidos contra o terrorismo. Estava provado que a intuição humana detectava o perigo com mais eficácia do que todos os equipamentos eletrónicos do mundo, o dom do medo, como dizia um dos seus livros-texto sobre segurança». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Dan Brown, Washington, D.C., Literatura, Maçonaria,

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

O Símbolo Perdido Dan Brown. «O único membro vivo da família de Solomon, sua irmã mais nova Katherine, aparentemente herdara o gene da ciência…»

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«(…) Célebre académico cujos modos calmos desmentiam sua poderosa linhagem, Peter vinha da riquíssima família Solomon, cujo nome podia ser visto em prédios e universidades de todo o país. Assim como os Rothschild na Europa, os Solomon sempre carregaram consigo todo o imaginário da realeza e do sucesso norte-americanos. Peter assumira a posição de chefe da família ainda jovem, após a morte do pai. Agora, aos 58 anos, já havia ocupado os mais diversos cargos de poder ao longo da vida. Actualmente, estava à frente do Instituto Smithsonian. Langdon de vez em quando provocava Peter, dizendo que a única mácula no seu pedigree irretocável era o diploma de uma universidade de segunda categoria, Yale.

Ao entrar em seu escritório, Langdon espantou-se ao ver que também havia recebido um fax de Peter.

Peter Solomon

Escritório do secretário

Instituto Smithsonian

Bom dia, Robert,

Preciso falar-lhe com urgência.

Por favor, ligue-me hoje de manhã assim que puder no telefone 202 329-5746.

Peter

Langdon discou o número na mesma hora, sentando-se diante da escrivaninha de carvalho esculpida à mão para esperar a ligação se completar. Escritório de Peter Solomon, atendeu a já conhecida voz do assistente. Anthony falando. Em que posso ajudar? Alô, aqui é Robert Langdon. O senhor me deixou um recado mais cedo... Sim, professor Langdon! O rapaz pareceu aliviado. Obrigado por retornar a ligação tão depressa. O sr. Solomon está ansioso para falar com o senhor. Deixe-me avisá-lo que está na linha. Pode aguardar um momento? Claro. Enquanto Langdon esperava Solomon atender, baixou os olhos para o nome de Peter no cabeçalho do papel timbrado do Smithsonian e teve de sorrir. O clã dos Solomon não inclui muitos preguiçosos. A árvore genealógica de Peter estava coalhada de magnatas dos negócios, políticos influentes e cientistas consagrados, alguns dos quais haviam chegado a integrar a Real Sociedade de Londres. O único membro vivo da família de Solomon, sua irmã mais nova Katherine, aparentemente herdara o gene da ciência, pois agora era uma das figuras mais importantes de uma disciplina recente e inovadora chamada ciência noética.

Tudo isso é grego para mim, pensou Langdon, achando graça ao recordar a mal-sucedida tentativa de Katherine de lhe explicar a ciência noética numa festa na casa do irmão no ano anterior. Langdon havia escutado com atenção e então respondido: parece mais magia do que ciência. Katherine piscara o olho, brincalhona. As duas são mais próximas do que você pensa, Robert. Então o assistente de Solomon voltou ao telefone. Sinto muito, o sr. Solomon está tentando organizar uma teleconferência. As coisas por aqui estão um pouco caóticas esta manhã. Não tem problema. Eu posso ligar depois. Na verdade, ele me pediu que lhe comunicasse o motivo da ligação, se o senhor não se importar. É claro que não me importo. O assistente respirou fundo. Como o senhor já deve saber, professor, todos os anos aqui em Washington o conselho do Smithsonian organiza um evento de gala para agradecer aos nossos mais generosos patrocinadores. Boa parte da elite cultural do país comparece. Langdon sabia que sua conta bancária tinha uma quantidade de zeros, pequena demais para incluí-lo na elite cultural, mas ficou imaginando se Solomon iria convidá-lo mesmo assim. Este ano, como de costume, prosseguiu o assistente, o jantar vai ser precedido por um discurso de abertura. Tivemos a sorte de conseguir o Salão Nacional das Estátuas do Capitólio para esse evento.

O melhor salão de toda a capital, pensou Langdon, recordando uma palestra política que assistira certa vez no impressionante salão circular. Era difícil esquecer 500 cadeiras dobráveis dispostas num arco perfeito, cercadas por 38 estátuas em tamanho natural, num lugar onde outrora havia funcionado a primeira Câmara dos Representantes da nação.

O problema é o seguinte, disse o assistente. Nosso orador adoeceu e acabou de nos informar que não vai poder fazer o discurso. Ele fez uma pausa, constrangido. Isso significa que estamos desesperados atrás de um substituto. E o Sr. Solomon esperava que o senhor pudesse considerar a possibilidade de cumprir essa função. Langdon ficou surpreso. Eu? - Aquilo não era absolutamente o que ele imaginava. Tenho certeza de que Peter pode encontrar um substituto muito melhor. O senhor é a primeira escolha do sr. Solomon, professor, e está sendo excessivamente modesto. Os convidados do instituto ficariam encantados em ouvi-lo, e o sr. Solomon pensou que o senhor poderia dar a mesma palestra que fez no canal de TV Bookspan há alguns anos, o que acha? Assim, não precisaria preparar nada. Ele disse que o tema era o simbolismo na arquitectura da nossa capital... Parece perfeito para a ocasião. Langdon não tinha tanta certeza. Se bem me lembro, essa palestra tinha mais a ver com a história maçónica do prédio do que... Exato! Como o senhor sabe, o sr. Solomon é maçom, assim como muitos dos homens de negócios que estarão presentes. Tenho certeza de que eles adorariam ouvi-lo falar sobre esse assunto». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Dan Brown, Washington, D.C., Literatura, Maçonaria,

O Símbolo Perdido Dan Brown. «Langdon sentiu uma súbita preocupação com seu velho amigo. Peter Solomon era um homem cortês e de boas maneiras, com certeza não era do tipo que ligava no domingo…»

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«(…) Robert Langdon estava ocupado relendo as suas fichas de anotações quando o barulho dos pneus do carro mudou de tom. Ele ergueu os olhos, surpreso ao ver onde estavam. Já chegamos à Memorial Bridge? Largou as anotações e olhou para fora, fitando as águas mansas do Potomac que corriam logo abaixo. Uma bruma pesada pairava sobre a superfície do rio. Aquele local, muito apropriadamente chamado de Foggy Bottom, sempre lhe parecera singular para se construir a capital do país. De todos os lugares do Novo Mundo, os pais fundadores haviam escolhido um brejo lamacento à beira de um rio para assentar a pedra angular de sua sociedade utópica. Langdon olhou para a esquerda, para além da pequena enseada conhecida como Tidal Basin, em direcção à silhueta graciosamente arredondada do Jefferson Memorial, o monumento em homenagem a Jefferson que muitos chamavam de Panteão dos Estados Unidos da América. Bem na frente do carro, um segundo monumento, o Lincoln Memorial, se erguia com rígida austeridade, lembrando com as suas linhas ortogonais o antigo Partenon de Atenas. Mas foi mais adiante que Langdon viu a peça central da cidade, a mesma coluna que avistara do céu. Sua inspiração arquitectónica era muito, muito mais antiga do que os romanos ou os gregos. O obelisco egípcio dos Estados Unidos.

A coluna monolítica do Monumento a Washington assomava bem à frente, iluminada contra o céu como o majestoso mastro de um navio. Da perspectiva oblíqua de Langdon, o obelisco parecia suspenso..., oscilando no céu soturno como se estivesse num mar agitado. Langdon se sentia igualmente sem chão. Sua visita a Washington tinha sido totalmente inesperada. Acordei hoje de manhã imaginando um domingo tranquilo em casa..., e agora estou a poucos minutos do Capitólio.

Naquela manhã, às 4h45, Langdon havia mergulhado numa água completamente calma, iniciando o dia como sempre fazia, percorrendo 50 vezes a piscina deserta de Harvard. Sua forma física já não era exactamente a mesma dos seus dias de estudante, quando jogava pólo aquático e era um típico rapaz norte-americano, mas ele ainda era esbelto e tinha um corpo tonificado e respeitável para um homem de 46 anos. A única diferença agora era a quantidade de esforço que precisava fazer para mantê-lo assim.

Ao chegar em casa, por volta das seis, ele iniciou seu ritual matutino de moer manualmente os grãos de café de Sumatra e saborear o aroma exótico que enchia sua cozinha. Naquela manhã, porém, surpreendeu-se ao ver a luzinha vermelha piscando na secretária eletrónica. Quem é que liga às seis da manhã de um domingo? Apertou o botão e escutou o recado. Bom dia, professor Langdon, sinto muitíssimo por ligar assim tão cedo. A voz educada hesitava perceptivelmente e exibia um leve sotaque do sul dos Estados Unidos. Meu nome é Anthony Jelbart e sou assistente executivo de Peter Solomon. O sr. Solomon me disse que o senhor costuma acordar cedo..., ele precisa contactá-lo com urgência. Assim que receber este recado, será que poderia fazer a gentileza de ligar directo para ele? O senhor já deve ter o novo número pessoal dele, mas caso não tenha é 202329-5746.

Langdon sentiu uma súbita preocupação com seu velho amigo. Peter Solomon era um homem cortês e de boas maneiras, com certeza não era do tipo que ligava no domingo, quando o dia ainda mal nasceu, a menos que houvesse algo muito errado. Langdon parou de fazer o café e foi depressa até ao escritório retornar a ligação. Espero que ele esteja bem. Solomon era seu amigo e mentor e, embora fosse apenas 12 anos mais velho do que Langdon, representava uma figura paterna para ele desde que se conheceram na Universidade de Princeton. No seu segundo ano, Langdon tivera de assistir a uma palestra vespertina de um renomado convidado, o jovem historiador e filantropo Peter Solomon. Falando com um entusiasmo contagiante e apresentando uma fascinante visão da semiótica e da história dos arquétipos, Solomon despertou em Langdon o que mais tarde se transformaria numa paixão da vida inteira pelos símbolos. Mas não fora o brilhante intelecto de Peter, e sim a humildade nos seus bondosos olhos cinzentos, que dera a Robert a coragem para lhe escrever uma carta de agradecimento. O estudante de segundo ano jamais havia sonhado que um dos mais ricos e intrigantes jovens intelectuais dos Estados Unidos pudesse responder-lhe. Mas ele respondeu. E isso marcou o começo de uma amizade verdadeiramente gratificante». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

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domingo, 8 de novembro de 2020

O Símbolo Perdido. Dan Brown. «… o pescoço, o rosto e a cabeça raspada estavam completamente tomados por uma intrincada tapeçaria de símbolos e marcas. Eu sou um artefacto..., um ícone em construção»

 

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 «(…) Ao atravessar o corredor, o homem alto passou por antiguidades italianas de preço inestimável, uma água-forte de Piranesi, uma cadeira Savonarola, uma lamparina de prata Bugarini. Enquanto andava pela casa, olhou por uma janela que ia do chão até ao tecto para admirar o contorno clássico da paisagem distante. O domo luminoso do Capitólio reluzia com um poder solene contra o céu escuro de Inverno. É lá que ele está escondido, pensou. Está enterrado lá em algum lugar. Poucos eram os homens que sabiam da sua existência..., e mais raros ainda os que conheciam o seu impressionante poder ou a forma engenhosa como havia sido escondido. Até hoje, era o maior segredo não revelado daquele país. Os poucos que de facto conheciam a verdade mantinham-na oculta atrás de um véu de símbolos, lendas e alegorias. Agora eles abriram as suas portas para mim, pensou Mal'akh. Três semanas antes, num ritual obscuro testemunhado pelos homens mais influentes dos Estados Unidos, Mal'akh havia alcançado o grau 33, o mais alto escalão da mais antiga irmandade ainda activa no mundo. No entanto, apesar da nova posição de Mal'akh, os irmãos nada haviam revelado. E nem vão contar, sabia ele. Não era assim que funcionava. Havia círculos dentro de círculos..., irmandades dentro de irmandades. Mesmo que Mal'akh esperasse muitos anos, talvez nunca viesse a conquistar a sua total confiança.

Felizmente, não precisava disso para descobrir o seu mais bem guardado segredo. Minha iniciação cumpriu seu objectivo. Animado com o que estava por vir, ele seguiu a passos largos até ao seu quarto de dormir. Espalhados por toda a casa, alto-falantes transmitiam os sons fantasmagóricos de uma rara gravação de um castrado cantando o Lux Aeterna do Réquiem de Verdi, um lembrete de uma vida anterior. Mal'akh accionou o controle remoto para fazer soar o tonitruante Dies Irae. Então, embalado por um fundo musical de furiosos tímpanos e quintas paralelas, disparou escadaria de mármore acima, com o roupão a esvoaçar conforme galgava os degraus com as pernas musculosas. Enquanto corria, sua barriga vazia reclamou com um ronco. Já fazia dois dias que Mal'akh estava em jejum, bebendo apenas água, preparando o corpo segundo os antigos costumes. A sua fome será saciada ao raiar do dia, lembrou a si mesmo. Assim como a sua dor. Mal'akh adentrou o santuário de seu quarto com uma atitude de reverência, trancando a porta atrás de si. Enquanto seguia em direcção ao toucador, parou, sentindo-se atraído pelo enorme espelho dourado. Incapaz de resistir, virou-se para encarar o próprio reflexo. Vagarosamente, como quem desembrulha um precioso presente, abriu o roupão para revelar o corpo nu. A visão o deixou maravilhado. Eu sou uma obra-prima. Seu imenso corpo estava todo raspado e liso. Ele baixou os olhos primeiro para os pés, tatuados com as garras de um avião. Mais acima, as pernas musculosas desenhadas como botaréu esculpidas em relevo, a esquerda em espiral, a direita com estrias verticais. Boaz e Jaquim. A virilha e o abdómen eram um arco decorado, acima do qual o peito forte exibia o brasão da fénix de duas cabeças..., ambas em perfil, com os olhos aparentes formados pelos seus mamilos. Os ombros, o pescoço, o rosto e a cabeça raspada estavam completamente tomados por uma intrincada tapeçaria de símbolos e marcas. Eu sou um artefacto..., um ícone em construção.

Dezoito horas antes, um mortal tinha visto Mal'akh nu. O homem soltara um grito de medo. Meu Deus, você é um demônio! Se é assim que você me vê..., havia respondido Mal'akh, ciente, como os antigos, de que anjos e demónios eram idênticos, arquétipos intercambiáveis, e de que tudo era uma questão de polaridade: o anjo guardião que derrotava o inimigo no campo de batalha era considerado por ele um demónio destruidor.

Mal'akh então inclinou o rosto para baixo, obtendo uma visão oblíqua do próprio cocuruto. Ali, dentro do halo que parecia uma coroa, reluzia um pequeno círculo de pele clara, sem tatuagem. Aquela tela cuidadosamente preservada era o único pedaço de pele virgem do corpo de Mal'akh. O lugar sagrado vinha aguardando pacientemente..., e naquela noite seria preenchido. Embora Mal'akh ainda não tivesse em mãos aquilo de que precisava para completar sua obra-prima, sabia que a hora estava se aproximando depressa. Empolgado com o próprio reflexo, já podia sentir seu poder aumentar. Fechou o roupão e andou até à janela, olhando novamente para a cidade mística à sua frente. Ele está enterrado lá em algum lugar. Tornando a se concentrar na tarefa em questão, Mal'akh foi até à penteadeira e, com cuidado, cobriu o rosto, o couro cabeludo e o pescoço com uma camada de correctivo até as tatuagens sumirem. Então vestiu as roupas e outros acessórios especiais que havia preparado meticulosamente para aquela noite. Ao terminar, examinou-se no espelho. Satisfeito, alisou o couro cabeludo com a palma suave de uma das mãos e sorriu. Ele está lá, pensou. E hoje à noite um homem vai me ajudar a encontrá-lo. Enquanto saía de casa, Mal'akh se preparava para o acontecimento que abalaria o prédio do Capitólio dos Estados Unidos naquela noite. Fizera um esforço imenso para colocar todas as peças nos seus devidos lugares. E agora, finalmente, seu último peão havia entrado no jogo». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Dan Brown, Washington, D.C., Literatura, Maçonaria,

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O Símbolo Perdido. Dan Brown. «O recinto parecia um santuário sagrado do mundo antigo. A verdade, porém, era ainda mais estranha. Estou a poucos quarteirões da Casa Branca»

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Casa do Templo. 20h 33m
«O segredo é saber como morrer.
Desde o início dos tempos, o segredo sempre foi saber como morrer. O iniciado de 34 anos baixou os olhos para o crânio humano que segurava com as duas mãos. O crânio era oco feito uma tigela e estava cheio de vinho cor de sangue. Beba, disse ele a si mesmo. Você não tem nada a temer. Como rezava a tradição, ele havia começado aquela jornada vestido com os trajes ritualísticos de um herege medieval a caminho da forca, com a camisa frouxa deixando entrever o peito pálido, a perna esquerda da calça arregaçada até ao joelho e a manga direita enrolada até ao cotovelo. Do seu pescoço pendia um pesado nó feito de corda, uma atadura, como diziam os irmãos. Nessa noite, porém, assim como os companheiros que assistiam à cerimónia, ele estava vestido de mestre. O grupo que o rodeava estava todo paramentado com aventais de pele de cordeiro, faixas na cintura e luvas brancas. Em volta do pescoço usavam joias cerimoniais que cintilavam à luz mortiça como olhos espectrais. Muitos daqueles homens ocupavam cargos de poder lá fora, mas o iniciado sabia que as suas posições mundanas nada significavam entre aquelas paredes. Ali todos eram iguais, irmãos unidos pelo juramento compartilhando um elo místico. Correndo os olhos pelo impressionante grupo, o iniciado se perguntou quem, no mundo exterior, seria capaz de acreditar que todos aqueles homens pudessem se reunir num mesmo lugar…, principalmente naquele lugar. O recinto parecia um santuário sagrado do mundo antigo. A verdade, porém, era ainda mais estranha.
Estou a poucos quarteirões da Casa Branca. Aquele edifício colossal, situado no número 1.733 da Rua 16 Noroeste, em Washington, D.C., era a réplica de um templo pré-cristão, o Templo do Rei Mausolo, o primeiro mausoléu..., um lugar para onde se era levado após a morte. Diante da entrada principal, duas esfinges de 17 toneladas montavam guarda ao lado das portas de bronze. O interior era um labirinto de câmaras ritualísticas, corredores, alcovas secretas, bibliotecas e até mesmo um compartimento contendo os restos mortais de dois corpos humanos. O iniciado havia aprendido que cada cómodo daquele edifício guardava um segredo, mas sabia que nenhum deles ocultava mistérios mais profundos do que a câmara colossal na qual se encontrava agora, ajoelhado, segurando um crânio nas mãos. A Sala do Templo. A sua forma era a de um quadrado perfeito. E o ambiente era sombrio e grandioso. O tecto altíssimo se erguia a surpreendentes 30 metros, sustentado por colunas monolíticas de granito verde. Ao redor da sala, fileiras de cadeiras russas de nogueira escura, estofadas com couro de porco trabalhado à mão, estavam dispostas em níveis. Um trono de 10 metros de altura dominava a parede oeste, e um órgão escondido ocupava o lado oposto. As paredes eram um caleidoscópio de símbolos antigos..., egípcios, hebraicos, astronómicos, alquímicos e outros ainda desconhecidos.
Nessa noite, a Sala do Templo estava iluminada por uma série de velas minuciosamente posicionadas. O seu brilho fraco era complementado apenas por um facho de luar que entrava pela ampla clarabóia do tecto jogando luz sobre o elemento mais surpreendente da sala, um imenso altar feito de um bloco maciço de mármore belga preto polido, situado bem no meio do recinto quadrado. O segredo é saber como morrer, lembrou o iniciado a si mesmo. Chegou a hora, sussurrou uma voz. O iniciado deixou o seu olhar subir até ao rosto do distinto personagem vestido de branco à sua frente. O Venerável Mestre Supremo. O homem, de quase 60 anos, era um ícone norte-americano, estimado, robusto e dono de uma fortuna incalculável. Seus cabelos outrora escuros estavam ficando grisalhos, e o semblante conhecido reflectia uma vida inteira de poder e um vigoroso intelecto. Preste o juramento, disse o Venerável Mestre, com uma voz suave feito a frio. Complete a sua jornada. A jornada do iniciado, assim como todas as daquele tipo, havia começado no grau 1. Naquela noite, num ritual parecido com este de agora, o Venerável Mestre o vendara com uma faixa de veludo e pressionara uma adaga cerimonial contra seu peito nu, indagando: você declara seriamente, pela sua honra, sem influência de motivações mercenárias ou quaisquer outras considerações indignas, candidatar-se de forma livre e espontânea aos mistérios e privilégios desta irmandade? Sim, havia mentido o iniciado. Então que isso seja um estímulo à sua consciência, alertara o mestre, bem como a morte instantânea caso algum dia você venha a trair os segredos que lhe serão revelados». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT