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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

BNP. Adquire Carta de Fernando Pessoa a Pierre Hourcade. «As três cartas de Fernando Pessoa foram dirigidas ao académico e crítico literário Pierre Hourcade (1908-1983), que viveu vários anos em Portugal, sobretudo em Coimbra, cuja universidade frequentou, dedicando-se ao estudo da cultura luso-brasileira»

Cortesia da bnp 

«A Biblioteca Nacional de Portugal adquiriu, através do exercício do direito de preferência, uma das três cartas que Fernando Pessoa enviou a Pierre Hourcade e que foram a leilão, organizado pela firma Artes e Letras, no passado dia 11 de Abril de 2011.
As três cartas de Fernando Pessoa foram dirigidas ao académico e crítico literário Pierre Hourcade (1908-1983), que viveu vários anos em Portugal, sobretudo em Coimbra, cuja universidade frequentou, dedicando-se ao estudo da cultura luso-brasileira. À data do envio das missivas pessoanas, o lusitanista francês encontrava-se a residir em Lisboa. Redigidas em francês, eram propriedade dos herdeiros do primeiro tradutor do autor de Mensagem para a língua de Verlaine, que as souberam preservar até ao presente e que agora proporcionaram que viessem a ser leiloadas em Lisboa. Foram escritas sobre papel liso não timbrado, porventura à mesa do café Martinho da Arcada (que Pessoa usava como sua segunda caixa postal), e encontram-se todas datadas: de 24/XII/1931, 27/XII/1934 e 15/IV/1932, respectivamente.

Todas têm uma modelação circunstancial, marcação e/ou desmarcação de encontros entre os dois personagens no Café Martinho, não incluindo referências críticas e/ou literárias especialmente relevantes. Permitem, no entanto, apreciar o estilo muito peculiar e a boa fluência de Pessoa na escrita em francês. A carta datada de 24/XII/1931 (lote 111), adquirida pela BNP, é a mais extensa, presume-se inédita, e apresenta ligeiras correcções, espelhando claramente o tom inconfundível do trato epistolar do poeta dos heterónimos.


Cortesia da bnp

Recorde-se que o Estado procedeu à classificação do espólio de Fernando Pessoa (Decreto n.º 21/2009, de 14 de Setembro), considerando-o uma "universalidade de facto composta por todos os documentos produzidos ou reunidos por Fernando Pessoa, seja na forma de manuscritos autógrafos, isolados ou integrados em documentos de terceiros, assinados ou não, de dactiloscritos ou tiposcritos, com ou sem intervenção autógrafa, assinados ou não", razão pela qual a BNP exerceu agora o direito de preferência que a lei lhe confere e procederá ao registo de classificação das outras duas cartas leiloadas». In Biblioteca Nacional de Portugal, Doações.

Cortesia da BN de Portugal
JDACT

BNP. O Poeta e ensaísta João Rui de Sousa doa o seu Espólio literário. «De investigador de espólios à guarda do ACPC João Rui de Sousa passa a doador e a autor aí representado. Contribui, também desta forma, para o enriquecimento de um arquivo relevante no domínio da História da Literatura Portuguesa Contemporânea»

Cortesia da bnp 

«João Rui de Sousa, poeta, ensaísta e crítico literário, formalizou, no dia 27 de Maio de 2011, a doação do seu Espólio literário à Biblioteca Nacional de Portugal A cerimónia teve lugar na Sala do Conselho, pelas 16h00, assinando o respectivo Termo, em representação da BNP, o seu director, Jorge Couto. Para a BNP reveste-se de especial significado a doação do espólio de um colaborador de um passado recente, 1982 a 1993, período em que João Rui de Sousa integrou a equipa do Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC), a então recém-criada Área de Espólios.
Formado em Agronomia e licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, João Rui de Sousa estreou-se nas letras na revista Cassiopeia (1955) - de que foi um dos fundadores, com António Ramos Rosa, José Terra, José Bento e António Carlos - publicando aí os poemas «A Morte da Paisagem e Poema Contíguo ao Ódio e o ensaio A Angústia e o Nosso Temp», géneros literários de que é autor de referência. Na poesia deu à estampa Circulação (1960), A Hipérbole na Cidade (1960), A Habitação dos Dias (1962), Meditação em Samos (1970), Corpo Terrestre (1972). Em 1983 reúne os poemas aí publicados com inéditos e dá corpo a O Fogo Repartido. Na década seguinte edita Enquanto a Noite, a Folhagem (1991), Palavra Azul e Quando (1991), Sonetos de Cogitação e Êxtase (1994), Obstinação do Corpo (1996) e Respirar pela Água (1998). São já do séc. XXI Os Percursos, as Estações (2000), Obra Poética: 1960-2000 (2002), Lavra e Pousio (2005) e Quarteto Para as Próximas Chuvas (2008), distinguido com o Prémio Nacional António Ramos Rosa e o Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes.


Cortesia da bnp
No ensaio, publicou Fernando Pessoa Empregado de Escritório (1985; 2º ed. revista e aumentada, 2010), Este Rio de Quatro Afluentes (1988), António Ramos Rosa ou o Diálogo com o Universo (1988). Mas é muito vasta a sua colaboração na imprensa – em, por exemplo, Cadernos do Meio-dia, A Capital, Colóquio Letras, Folhas de Poesia, JL, Nova Renascença, Revista da Biblioteca Nacional, O Tempo e o Modo ou na Seara Nova – onde, como ensaísta e crítico literário, contribuiu, de forma indelével, para o conhecimento e interpretação críticos da Literatura Portuguesa da segunda metade de Novecentos e início do presente século. João Rui de Sousa é ainda editor literário da antologia de poemas de Adolfo Casais Monteiro (1973) e das Poesias Completas do mesmo autor (1993), bem como prefaciador de diversas obras de outros autores. Sob a chancela da Biblioteca Nacional, reflectindo o seu labor na Instituição, regista-se o seu contributo para a iniciativa Fernando Pessoa:
  • o último ano (1985), catálogo da exposição comemorativa do cinquentenário da morte do Poeta, de que foi um dos organizadores, a Fotobibliografia de Fernando Pessoa (1988), prefaciada por Eduardo Lourenço, e Poesia e Alguma Prosa, de Mário Saa (2006).


Cortesia da bnp
De investigador de espólios à guarda do ACPC João Rui de Sousa passa a doador e a autor aí representado. Contribui, também desta forma, para o enriquecimento de um arquivo relevante no domínio da História da Literatura Portuguesa Contemporânea. O seu acervo literário é constituído, para já, por parte do epistolário – cartas de/a António Ramos Rosa, Eugénio Lisboa, João Bigotte Chorão, João Palma-Ferreira, Jorge de Sena, José Carlos Gonzalez, Luís Amaro, Luiz Pacheco, Natália Correia, Pedro da Silveira – cujos espólios já integram o ACPC -, e de, entre outros, Egito Gonçalves, Eugénio de Andrade, Fernando Guimarães, Herberto Hélder, Liberto Cruz, Maria Alzira Seixo ou Matilde Rosa Araújo». In Biblioteca Nacional de Portugal, Doações.

Cortesia da BN de Portugal
JDACT

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Biblioteca Nacional de Portugal: Mostra. Políbio Gomes dos Santos (1911-1939). Até ao dia 31 de Agosto de 2011, Sala de Referência. «De próxima influência presencista, pelo tom intimista em que se recorta a sua poesia e está bem presente no seu único livro em vida, As Três Pessoas (1938), não deixou de emergir em Políbio uma intenção social que cedo aproximou o poeta do Neo-realismo...»

Cortesia de bnp 

A BNP assinala os 100 anos do nascimento do poeta, que se completaram no pp dia 7 de Agosto, com uma mostra em que apresenta uma selecção de documentos do seu espólio, integrado no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea.
Prematuramente desaparecido, com 27 anos, vítima de tuberculose, Políbio Gomes dos Santos deixou uma curta obra que é, não obstante, reconhecidamente a de um grande poeta.


Cortesia de bnp

De próxima influência presencista, pelo tom intimista em que se recorta a sua poesia e está bem presente no seu único livro em vida, As Três Pessoas (1938), não deixou de emergir em Políbio uma intenção social que cedo aproximou o poeta do Neo-realismo, ao lado de Joaquim Namorado e Fernando Namora, em Coimbra, desde 1935.
Da individualidade fundadora, essa poesia abre-se aos outros e fala de (a) outras vozes, a (de) uma imensa humanidade que reside nesse «quadro negro – a Vida».

Chamam-me lá em baixo:
Voz de coisas, voz de luta,
É uma voz que estala e mansamente cala
E me escuta.

Em 1944, os seus parceiros de percurso acolhem na colecção «Novo Cancioneiro» um título póstumo, Voz que Escuta, cujo trabalho poético reforça a escrita laboriosa que era a de Políbio e que encontra lastro, por exemplo, na criação de Carlos de Oliveira que profundamente o admirava». In Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia de BNP/JDACT

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Biblioteca Nacional de Portugal: Doação do filósofo Delfim Santos. «O espólio, que agora a Família generosamente doou à Biblioteca Nacional de Portugal, integrando o seu Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, será entregue por fases. Permitirá aos investigadores estudar sobre fontes primárias o percurso e pensamento de Delfim Santos, autor cujas obras completas têm a chancela da Fundação Calouste Gulbenkian»

Cortesia da bnp

O espólio do filósofo e pedagogo Delfim Santos (1907-1966) foi doado à Biblioteca Nacional de Portugal pelos herdeiros do escritor representados pela viúva, Doutora Maria Manuela Hanemann Saavedra de Sousa Marques Pinto dos Santos.

Delfim Pinto dos Santos, natural do Porto, licenciou-se em Ciências Histório-Filosóficas na Faculdade de Letras do Porto, onde teve como mestre Leonardo Coimbra e por condiscípulos Agostinho da Silva, Álvaro Ribeiro, José Marinho ou Santana Dionísio. Tendo iniciado a vida activa na arte da ourivesaria, na empresa de seu pai, aos 18 anos completa, em um ano como aluno externo, os estudos preparatórios na Escola Mouzinho da Silveira e o curso geral no Liceu Alexandre Herculano.

Concluída a licenciatura em 1931, inicia uma profícua carreira como docente, em colégios particulares, depois no Liceu Normal de José Falcão em Coimbra, onde inicia o estágio que vem a concluir no Liceu Normal de Lisboa (Pedro Nunes). Em 1934, é professor no Liceu Gil Vicente, em 1942 professor de Filosofia no Liceu Camões e, em 1943, ingressa, como assistente da Secção de Ciências, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, em 1948, ano em que obteve uma bolsa para especialização em orientação vocacional e profissional nos EUA, passa a professor extraordinário e, em 1950, a professor catedrático.

Cortesia de bnp

Na segunda metade da década de trinta do século passado, Delfim Santos aprofunda os seus conhecimentos, como bolseiro do Instituto para a Alta Cultura, em Viena (1935), Berlim, Londres e Cambridge, familiarizando-se com a Filosofia das Ciências e a Metafísica do Conhecimento. Em 1937, inicia o leitorado em Berlim e desenvolve divulgação cultural no Instituto para Portugal e Brasil da Universidade dessa cidade. Em 1940, doutora-se na Universidade de Coimbra, com a tese Conhecimento e Realidade. Em 1958 é professor no Instituto de Altos Estudos Militares, cargo que manterá até 1962. Em 1963 é Director do recém-formado Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian e, em 1966, pouco antes de morrer, é nomeado Director do Instituto Pedagógico de Adolfo Coelho da Faculdade de Letras de Lisboa.

Ao longo da sua carreira Delfim Santos participou e proferiu conferências em diversos congressos nacionais e estrangeiros e colaborou em numerosas publicações periódicas, entre as quais a revista A Águia, de que chegou a ser director, Revista de Portugal, Presença, Revista do Porto, Inquérito, Diário Popular, Revista da Faculdade de Letras, Litoral, O Mundo Literário, Escola Portuguesa, Revista Brasileira de Filosofia, Arquivos da Universidade de Lisboa ou Diário do Norte. Algumas dessas colaborações foram editadas em separatas. Publicou ainda, por exemplo, Linha Geral da Nova Universidade de Coimbra (1934), Situação Valorativa do Positivismo (1938), Da Filosofia (1939), Conhecimento e Realidade (1940), Notes pour une Étude sur Descartes (1944), Fundamentação Existencial da Pedagogia (1946), Meditação sobre a Cultura (1946), A Criança e a Escola (1959), tendo prefaciado e preparado introduções e versões de obras de autores como Friedrich Nietzsche, Régis Jolivet, Hermann Hesse e Karl Jaspers.


Cortesia de museusportugal e delfimsantos 

O espólio, que agora a Família generosamente doou à Biblioteca Nacional de Portugal, integrando o seu Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, será entregue por fases. Permitirá aos investigadores estudar sobre fontes primárias o percurso e pensamento de Delfim Santos, autor cujas obras completas têm a chancela da Fundação Calouste Gulbenkian». In Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia de BNP/JDACT

sábado, 16 de julho de 2011

Biblioteca Nacional de Portugal: Amato Lusitano (1511-1568). Mostra. De 18 de Julho a 17 de Setembro de 2011. «... o nome pelo qual a Europa renascentista conheceu o ilustre médico português de ascendência judaica, João Rodrigues. Exerceu medicina em Lisboa, porém a crescente perseguição aos judeus obrigou-o a partir para Antuérpia e aí publicou a sua primeira obra, Index Dioscoridis, em 1536»

Cortesia de bnp

Amato Lusitano (1511-1568).
Mostra. De dia 18 de Julho a 17 de Setembro de 2011.
BNP
Entrada livre

«Amato Lusitano foi o nome pelo qual a Europa renascentista conheceu o ilustre médico português de ascendência judaica, João Rodrigues, cujos principais passos biográficos se conhecem através das suas próprias obras. Formado na Universidade de Salamanca, para onde se deslocara, muito jovem ainda, com vista a fazer aí os estudos preparatórios, recebeu licença para exercer medicina aos 18 anos.

Regressado a Portugal entre 1529 e 1534, exerceu medicina em Lisboa, porém a crescente perseguição aos judeus obrigou-o a partir para Antuérpia e aí publicou a sua primeira obra, Index Dioscoridis, em 1536, permanecendo no ambiente clínico e científico flamengo até partir para Itália. Em 1541 fixa-se primeiro em Ferrara, onde leccionou na Universidade e fez a descoberta da circulação do sangue e descreveu pela primeira vez as válvulas venosas; em 1547 vai para Ancona, onde cura a irmã do Papa Júlio III; passa por Veneza, onde o embaixador do imperador Carlos V, Diego de Mendoza, é assistido por João Rodrigues. Chamado a Roma em 1550 para tratar do estado de saúde do próprio papa, entre inúmeras personalidades ilustres, cura também de doença D. Afonso de Lencastre, embaixador português nessa cidade. Regressou a Ancona em 1552 e aí permaneceu até 1555, altura em que os emissários do novo papa João IV ordenaram a expulsão de todos os judeus, sendo obrigado a fugir para Pesaro, abandonando finalmente a Itália em 1556 rumo a Ragusa (então capital da importante república independente de Ragusa, actual Dubrovnik croata) e em 1559 fixou-se na cidade macedónia de Salónica, à época sob o domínio Otomano e na qual permaneceu até à morte, vítima de um surto de peste.


Cortesia de bnp

No curso da sua vida e depois postumamente, foi publicada a sua experiência médica em Curationum medicinalium (Veneza, 1557-1560; Lion, 1580).
Sempre tratei os meus doentes com igual cuidado, quer fossem pobres ou nascidos em nobreza, sem procurar saber se eram hebreus, cristãos ou sequazes da lei Maometana; Sempre fui parcimonioso nos honorários e muitas vezes sem qualquer paga, tendo sempre mais em vista que os doentes recobrem a saúde do que tornar-me rico pelos seus dinheiros; Como autor de escritos médicos e ao publicar os meus livros quis só promover que a fé intacta das coisas chegasse ao conhecimento dos vindouros, sem outra ambição que não fosse contribuir de qualquer modo para a saúde da humanidade, sem nada fingir, acrescentar ou alterar em minha honra». In Amato Lusitano, Juramento médico, Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia de BN de Portugal/JDACT

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Biblioteca Nacional de Portugal: Catálogo da Doação Sibylle Blei, Sara Halpern. «... mais um significativo conjunto de obras, desta feita, de Filosofia, Psicologia, Religião, Teologia, Ciências Sociais, Economia, Direito, Matemática e Ciências Naturais, Arte, Geografia, História e Literatura, sobressaindo traduções de clássicos russos e escandinavos, tendo esta iniciativa contribuído para enriquecer a Doação efectuada por seu pai»

Cortesia de bnp

«A Biblioteca Nacional publicou, em 1988, o Catálogo da Doação Sibylle Blei, Sara Halpern, correspondente à entrega de um valioso conjunto de obras, sobretudo em língua alemã, doado à instituição pelo Sr. David Halpern, que também generosamente financiou a referida edição.

Ainda não estava publicado o catálogo e já a Professora Miriam Halpern Pereira doava à BN, em Junho de 1987, mais um significativo conjunto de obras, desta feita, de Filosofia, Psicologia, Religião, Teologia, Ciências Sociais, Economia, Direito, Matemática e Ciências Naturais, Arte, Geografia, História e Literatura, sobressaindo traduções de clássicos russos e escandinavos, tendo esta iniciativa contribuído para enriquecer a Doação efectuada por seu pai.
Só muito recentemente, devido ao apoio mecenático de David and Esther Bernstein Halpern Fund (DEBHF), concedido à Biblioteca Nacional de Portugal através das diligências mais uma vez efectuadas pela Professora Miriam Halpern Pereira, foi possível proceder à catalogação da segunda parte da Doação, cujo catálogo ora se publica, enriquecido por uma Introdução da autoria da Professora Ângela Reinthal.

Cortesia de bnp

A assinalar esta edição, a BNP realiza até ao dia 30 de Julho, uma mostra de espécies seleccionadas da doação». In Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia da BN de Portugal/JDACT

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Canções da Ásia: Coro de Câmara de Lisboa. «Inclui canções populares harmonizadas de alguns dos países onde os portugueses fizeram sentir a sua presença desde o século XVI, nomeadamente Malásia, Singapura, Indonésia, Timor-Leste, Tailândia, Filipinas, Japão e China, e tem como principal objectivo estreitar laços e estabelecer pontes, abraçando a cultura musical oriental»

Cortesia de bnp

Canções da Ásia: Coro de Câmara de Lisboa.
Lançamento do CD, dia 15 de Julho de 2011, 18h00, Auditório BNP.
Entrada Livre

«No contexto das relações Portugal-Oriente, o ano de 2011 é inusitadamente rico em efemérides:
  • o «V Centenário da Chegada dos Portugueses ao Oriente» (incluindo a Malásia, Indonésia e Singapura), celebram-se também o «Ano de Portugal na China»,
  • o «V Centenário das Relações Diplomáticas entre Portugal e a Tailândia»,
  • o «50º Aniversário do Estabelecimento de Relações Diplomáticas entre Portugal e a República da Coreia».
O extenso e rico património material e imaterial português que ainda perdura naquelas paragens, fruto de intensas e, em muitos casos, longas relações culturais, comerciais e diplomáticas, oferece uma oportunidade única para o aprofundamento das relações entre Portugal e os países mencionados, a que se acrescentam Timor-Leste, Filipinas, onde, durante a sua viagem de circum-navegação, aportou e morreu Fernão de Magalhães em 1521, e o Japão, país que, em 1543, conheceu pela primeira vez o mundo ocidental através de contactos com portugueses.

Cortesia de bnp

«Canções da Ásia», último CD gravado pelo Coro de Câmara de Lisboa, e agora apresentado ao vivo na BNP, inclui canções populares harmonizadas de alguns dos países onde os portugueses fizeram sentir a sua presença desde o século XVI, nomeadamente Malásia, Singapura, Indonésia, Timor-Leste, Tailândia, Filipinas, Japão e China, e tem como principal objectivo estreitar laços e estabelecer pontes, abraçando a cultura musical oriental e, significativamente, integrando-a no repertório do grupo. Representa um gesto de amizade para com esses povos. Esse gesto estende-se naturalmente ao público português visto que permitirá dar a conhecer música de culturas que povoam o seu imaginário, imbuído das variadas influências que o nosso historial epopeico naturalmente foi assimilando ao longo de séculos. Para além de canções populares orientais cantadas na língua original, estão também incluídas canções em papiá kristang e patuá macaense, duas línguas crioulas de origem portuguesa ainda hoje faladas em Malaca e Macau, respectivamente». In Coro de Câmara de Lisboa, Biblioteca de Portugal.

Cortesia de BNP/JDACT

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Biblioteca Nacional de Portugal adquire álbum fotográfico. Biblioteca Nacional de Lisboa: No Convento de S. Francisco (1949). «A BNP adquiriu em leilão organizado pelo Palácio do Correio Velho, um conjunto de cinquenta e seis fotografias (E.A. 289 P.) referentes à história da própria Instituição. De formato postal e a preto e branco, as provas fotográficas estão reunidas por carcelas e encadernadas, constituindo um pequeno álbum factício, cujo título, gravado a dourado, identifica a biblioteca»

Cortesia da bnp

«A Biblioteca Nacional de Portugal adquiriu, em leilão organizado pelo Palácio do Correio Velho, um conjunto de cinquenta e seis fotografias (E.A. 289 P.) referentes à história da própria Instituição.
De formato postal e a preto e branco, as provas fotográficas estão reunidas por carcelas e encadernadas, constituindo um pequeno álbum factício, cujo título, gravado a dourado, identifica a biblioteca, o tema e a data. O ex-libris de António Capucho manifesta a proveniência próxima.
As fotografias documentam o mau estado de conservação e insegurança das instalações, equipamentos e colecções, em 1949, data que é comprovada pela inclusão de folhas de agenda desse ano em seis provas: «o grande problema da época, situou-se, fora de qualquer dúvida, na precariedade das instalações, degradadas até ao indizível e de estreiteza asfixiante».
Albergada então no antigo Convento de S. Francisco da Cidade (1837-1969) para onde transitara do Terreiro do Paço, desde logo, estas instalações foram consideradas exíguas e inadequadas. A data desta impressionante “reportagem” coincide com o penúltimo ano da direcção de Augusto Botelho da Costa Veiga (1928-1950): em 1934 tinham sido propostas novas instalações vindo a ser nomeada uma Comissão multidisciplinar que produziu duas soluções alternativas. Entre novas instalações, no prolongamento da Avenida da Liberdade, e remodelação das existentes.

Cortesia de bnp

Embora a segunda folha deste álbum apresente a indicação manuscrita de uma selecção de cinco fotografias, a breve pesquisa agora efectuada não foi conclusiva quanto a quem se deve a iniciativa da realização deste conjunto e qual a sua finalidade, sendo de notar que o trabalho obedece a uma planificação técnica: são documentados vários Fundos com as cotas visíveis, apostas, ou de temática expressa (J. – Jornais; B. – Bibliografia; H.G. – História e Geografia; L. – Literatura; P. – Poligrafia; R. – Religião; S.A. – Ciências e Artes; S.C. – Ciências Civis; códices, bíblias, obras iconográficas, obras cartográficas), encadernações, exemplos de tipos de problemas de mau estado de conservação de obras (danos por bibliófagos, rasgões, fungos, vestígios de incêndio).
No entanto, e considerando a data das fotografias, não consta do Inventário do Arquivo Histórico da BNP referência expressa a Relatório assinado por Costa Veiga, nem por João Martins da Silva Marques, Director durante escassos meses, entre 1950-51. Igualmente não consta dos Anais das Bibliotecas e Arquivos, 1949, último ano desta publicação antes do início da nova série, nove anos mais tarde, qualquer colaboração sobre este tema.

Cortesia da bnp

Finalmente em 1950 é criada mais uma Comissão para estudo do problema e é escolhido o terreno do Campo Grande. Em 1951, é nomeado Director Manuel Santos Estevens e a elaboração do projecto, segundo criterioso programa deste Director, é entregue ao Arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, em 1952: os trabalhos iriam durar dezassete anos; a permanência da Biblioteca Nacional em instalações provisórias duraria cento e trinta e dois anos». In Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia de BNP
JDACT

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A Ciência na Aula da Esfera: Segundas Jornadas. «A "Aula da Esfera" do colégio de Santo Antão foi a mais importante instituição de ensino e prática das ciências matemáticas em Portugal. Por esta aula do colégio jesuíta de Lisboa passaram eminentes homens de ciência da Europa e aí se treinaram alguns dos mais reputados especialistas técnicos do nosso país»

Cortesia de bnp

Ciência na «Aula da Esfera», Segundas Jornadas, hoje dia 27 de Maio de 2011
BNP, Entrada livre

«Entre 1590 e 1759, a «Aula da Esfera» do colégio de Santo Antão foi a mais importante instituição de ensino e prática das ciências matemáticas em Portugal. Por esta aula do colégio jesuíta de Lisboa passaram eminentes homens de ciência da Europa e aí se treinaram alguns dos mais reputados especialistas técnicos do nosso país. Foi também por esta instituição que entraram em Portugal as mais importantes novidades científicas do período, desde as descobertas telescópicas de Galileu à projecção de Mercator, passando pelos logaritmos e outras técnicas matemáticas avançadas, novos instrumentos, máquinas, novidades astronómicas, etc.
Conhecer o conteúdo e o impacto das actividades desta instituição singular na história científica portuguesa é o objectivo destas Jornadas, agora na sua segunda edição, depois de uma primeira realizada em 2008 no contexto da Exposição:
  • «Sphæra Mundi: A Ciência na Aula da Esfera», também com organização conjunta da BNP e do Centro de História da Ciência da Universidade de Lisboa.
Para conhecimento, passo a citar:
Aula da Esfera
«A Arte de Navegar em Portugal começou por se basear em regras essencialmente práticas e empíricas. A formação dos responsáveis pela condução dos navios tinha um carácter eminentemente prático, sendo os conhecimentos necessários transmitidos pelos mais experientes aos “aprendizes” dessa arte. A literatura náutica daquela época, redigida quase exclusivamente por pilotos, é uma prova evidente desse pragmatismo, nela se indicando as regras para condução dos navios, nos mares que os Portugueses mais praticavam.
As bases matemáticas necessárias para a navegação eram bastante rudimentares, não sendo exigidos nenhuns conhecimentos especiais, nem grandes capacidades de cálculo, para levar a efeito as operações aritméticas necessárias para determinar a posição dos navios. Por esse motivo não existia em Portugal, durante o século XV e pelo menos na primeira metade do XVI, qualquer organismo institucional vocacionado para a formação dos pilotos. O “apoio científico” era garantido por astrólogos, que preparavam tabelas, prontas a utilizar, com coordenadas dos astros para serem usadas na determinação da posição dos navios.
Com o passar do tempo, as exigências de precisão, no que respeita ao conhecimento da posição do navio foram aumentando. No final da primeira metade do século XVI, a Coroa decidiu criar uma aula, do Cosmógrafo-mor, que tinha, entre outras incumbências, a de ministrar formação aos futuros pilotos e a outros homens ligados às actividades náuticas, como cartógrafos e fabricantes de instrumentos. Pouco se acerca das actividades deste funcionário régio nos primeiros anos, mas as suas aulas não teriam tido grande afluência, pelo menos durante o século XVI. Situação semelhante se verificou com a cadeira de matemática criada na Universidade de Coimbra.

Cortesia de bibliofototeca
Em 1574, o rei decidiu solicitar ao Jesuítas que instituíssem uma classe, no seu colégio de Santo Antão, em Lisboa, destinada a dar a formação matemática necessária aos homens do mar. Aproveitar-se-ia assim a experiência e a vocação para ensinar que os membros daquela ordem religiosa demonstraram desde a fundação da mesma. As lições aí ministradas ficaram conhecidas pela designação de Aula da Esfera. A origem desta designação está certamente relacionada com os inúmeros “Tratados da Esfera” redigidos na Idade Média, nos quais eram expostas noções de Cosmografia, base dos conhecimentos necessários para a Arte de Navegar.
O objectivo inicial da Aula da Esfera era fornecer as ferramentas técnicas e matemáticas necessárias para os homens do mar. Por esse motivo, o seu ensino era bastante prático, e vocacionado para aquele objectivo concreto, pelo menos nos primeiros tempos do seu funcionamento. Uma característica importante desta aula é o facto de ele se afastar da prática definida para o ensino da matemática nos colégios jesuítas. Essa prática encontrava-se enunciada no Ratio Studiorum, onde se definia o plano estratégico a ser seguido pelos Jesuítas, em termos de ensino.

Cortesia de bnp
Sendo o latim a língua culta da época usada na maioria das aulas ministradas um pouco por toda a Europa, não passou despercebido a um visitante italiano o facto de em Portugal serem dadas lições, na Aula da Esfera, em vernáculo, o que se percebe pelo facto de os alunos serem geralmente pessoas que não dominariam certamente o latim.
Com o passar do tempo, e a modificação de diversos aspectos da vida nacional, a referida aula sofreu também alterações mais ou menos profundas. O programa das aulas era definido pelo professor que as ministrava, razão pela qual se notam modificações nas matérias ensinadas cada vez que o professor mudava. Analisando os diversos sumários, e nalguns casos apontamentos das próprias aulas, que chegaram até aos nossos dias, notamos uma tendência para um ensino cada vez mais teórico, afastando-se portanto do seu objectivo inicial, que era o de dar formação de índole prática.

Cortesia de icamoes
O interesse pela Arte de Navegar foi sendo cada vez menor, mantendo-se no entanto, o interesse pela cosmografia e pelo uso de globos. Nota-se por vezes, que os professores analisam os problemas que interessavam aos homens do mar, mas dum ponto de vista bastante teórico, propondo soluções sem qualquer interesse prático. Também o ensino da Geografia, que na época era conhecida como Hidrografia, foi desaparecendo, a pouco e pouco, das aulas.
Após a Restauração da Independência, em 1640, os programas da Aula da Esfera sofreram alterações significativas de forma a melhor servirem as necessidades que o país conhecia. Vivendo‑se então uma situação de confronto militar eminente com Castela era premente a construção de fortificações militares, especialmente nas regiões de fronteira.
Matérias como a Aritmética e a Geometria passaram a ser ensinadas na segunda metade do século XVII, fornecendo assim as bases essenciais para aqueles que mais tarde viriam a ser engenheiros militares. A inclusão no curso, por ordem régia, de lições de Arquitectura, é mais uma prova evidente da importância que na época se dava à formação de homens habilitados a construir e reparar fortificações.

Cortesia de bnp
Muitos dos professores que ensinaram na Aula da Esfera eram estrangeiros. A insuficiência de pessoal qualificado, em Portugal, para ministrar essas matérias é uma das explicações para esse fenómeno. Por outro lado, muitas das actividades de missionação da Companhia de Jesus ocorreram no Oriente. Na China essa missionação concretizou-se através de uma actividade científica intensa por parte dos padres jesuítas, que resolveram muitos dos problemas de ordem prática que os Chineses lhes colocaram. Sendo Lisboa a via pela qual esses cientistas chegavam ao Oriente, e pertencendo aqueles territórios à Província portuguesa da Companhia compreende-se facilmente que muitos desses estrangeiros destinados ao Oriente cá ensinassem, enquanto aguardavam a partida, ou quando de lá regressavam.
Embora possam ser apontadas inúmeras lacunas nas lições apresentadas na Aula da Esfera importa destacar o facto de esta ter sido o único local onde em Portugal se ensinou regularmente Matemática, numa época em que a cadeira universitária dessa disciplina não tinha praticamente nenhuns alunos. Além disso, devido ao facto de muitos dos seus professores serem estrangeiros, que tinham contactado com realidades diferentes da portuguesa, a Aula da Esfera foi a via de entrada de muitas das novidades científicas que iam surgindo um pouco por toda a Europa». In António Costa Canas, Instituto Camões

Cortesia da BN de Portugal/Instituto Camões/JDACT

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Engrácia Cardoso: Enciclopédia, um projecto de desenho. «A solidão é aqui uma consciência da diferença porque não é possível a seres de diferentes espécies a partilha de uma linguagem comum e isso cria um silêncio»


Cortesia de bnp

Exposição, 26 Maio, 18h00, Galeria-corredor do Auditório, Entrada livre, até 12 de Agosto de 2011. Biblioteca Nacional de Portugal.
Enciclopédia, um projecto de desenho é uma colecção de dados, de viagens e de conhecimento em que a relação homem-animal é explorada na perspectiva da partilha do espaço físico em oposição a uma visão de cumplicidade.

O desenho é construído na folha de papel sem uma intenção prévia, partindo para a construção e o coleccionismo de formas, fazendo a ponte com os conhecimentos adquiridos ao longo de uma passagem.
A personagem cresce e envelhece e no fim da sua vida está presa a um lugar sem contudo se desligar do que se passa à sua volta.


Cortesia da bnp

Os animais cheios de vitalidade e força deslocam-se ao longo da folha revelando as suas características. Cada animal caminha num sentido fazendo parte do todo mas seguindo a sua singularidade. As figuras não interagem, são recortes, formas, linhas e manchas – no fundo são energia.
A tinta-da-china, numa primeira parte essencial a uma minúcia, rapidamente se desmoronou pelos pequenos pingos, sujidades e pinceladas de cor que, cintilado e distraindo, dão ao observador um caminho de ritmos no processo de construção.
Por fim, a forma solta-se de uma observação rigorosa sucedendo-se do prazer de desenhar livremente e de transmitir a sua energia pelo pincel e pela grafite num suporte maior. O reconhecimento de um espaço partilhado, das relações de culturas antigas com as outras espécies em harmonia com o meio envolvente e respeito pela diferença sobrepõe-se neste projecto a uma superioridade em que domine apenas uma força que retira energia ao todo, criando um espaço desequilibrado, monótono, triste e solitário.


Cortesia de bnp

Algumas figuras estão envoltas numa solidão que não é necessariamente má, na verdade ela existe e faz parte do crescimento. A solidão é aqui uma consciência da diferença porque não é possível a seres de diferentes espécies a partilha de uma linguagem comum e isso cria um silêncio». In Engrácia Cardoso, Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia de BN de Portugal.
JDACT

sábado, 14 de maio de 2011

Alves Redol e Manuel da Fonseca: O ciclo histórico do Neo-Realismo português no centenário do nascimento dos dois escritores.

 Cortesia de bnp 

Alves Redol, Manuel da Fonseca e o ciclo histórico do Neo-Realismo português.
«No centenário do nascimento dos dois escritores, a mostra bibliográfica pretende situar a obra de ambos no contexto histórico em que a corrente neo-realista configurou um ciclo de pertinência (1937-1959) de uma opção realista na literatura e na arte, não obstante as soluções de mediação estética diversas. Ora, justamente, o autor de Glória, uma Aldeia do Ribatejo e do romance Gaibéus, com forte influência etnográfica inicial, surge na linha de um realismo documental que forma dicotomia com o autor dos poemas de Rosa dos Ventos ou dos contos de Aldeia Nova, cujo realismo é marcadamente lírico.

Alves Redol (1911-1969) e Manuel da Fonseca (1911-1991) iriam posteriormente evoluir:
  • o primeiro para a sua obra clássica, abandonada a tendência para a recolha de campo, a partir do romance A Barca dos Sete Lemes, em 1958, a Muro Branco, de 1966;
  • o segundo, abandonada a tematização alentejana, deu lugar aos temas citadinos de Um Anjo no Trapézio, de 1968, ou de Tempo de Solidão, em 1969.

O cabeçalho do artigo mostra os dois autores, em fotografia,pormenor, de cerca de 1940, da Col. de António da Mota Redol». In Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia de BN de Portugal/JDACT

Biblioteca Nacional de Portugal: Adquire importante mapa manuscrito da Região Diamantina (Minas Gerais, Brasil) datado de 1776.

Cortesia da bnp

A Biblioteca Nacional de Portugal adquiriu recentemente o «Mapa da demarcação Diamantina» sem autor atribuído, datado de 1776, em leilão organizado pelo Palácio do Correio Velho.
O mapa, com uma representação à escala de cerca de 1:180 000, está ladeado por quatro cartelas, exuberantemente decoradas e aguareladas com colorido muito intenso. A demarcação da Região Diamantina, situada na Comarca do Serro do Frio, na Capitania de Minas Gerais, no Brasil, está assinalada por uma linha verde que circunda a área geográfica contemplada e que, de acordo com a escala do mapa, corresponde a cerca de 5 000 quilómetros quadrados. O centro desta demarcação era o Arraial do Tejuco, actual cidade de Diamantina. A primeira demarcação diamantina foi realizada em 1734 por Martinho de Mendonça de Pina e Proença, tendo sido criada, nesse mesmo ano, a Intendência dos Diamantes, uma administração especial sedeada no Tejuco. Data também deste ano um mapa atribuído aos jesuítas matemáticos Domingos Capassi e Diogo Soares intitulado «Rios e córregos em que se descobriraõ e mineraõ os diamantes» que se encontra na Direcção de Infra-estruturas do Exército, em Lisboa. Esta primeira demarcação foi sendo sucessivamente alargada, à medida que foram sendo feitas novas descobertas de diamantes nas áreas confinantes, de que é exemplo a incorporação do território de Minas Novas em 1757.
Até 1734, a exploração dos diamantes esteve aberta a quem possuía escravos, embora sujeita ao imposto de capitação. A partir de 1740 a exploração foi concessionada a privados através de contratos exclusivos. Em 1771, já durante o reinado de D. José I, e sob a orientação do Marquês de Pombal, foi criada a Real Extracção dos Diamantes, que transformou a exploração destas pedras preciosas num monopólio da Coroa. Conhecem-se para o período posterior a 1771 vários mapas da demarcação Diamantina. Contudo, deste mapa, datado de 1776, apenas se tem notícia de um exemplar, muito semelhante, que integra a Mapoteca do Arquivo Histórico do Exército do Brasil (Rio de Janeiro).

Carta de fronteira entre o Alentejo e a Extremadura espabhola
Cortesia de bnp

Neste mapa, a rede hidrográfica encontra-se assinalada com grande detalhe, nele figurando não apenas os rios mais importantes, mas também os seus afluentes, bem como secundários cursos de água (“córregos” ou “corgos”) que eram os locais por excelência da exploração dos diamantes. A rede viária está representada, em linhas sépia, por inúmeros caminhos, muitos dos quais confinados pela linha de demarcação. Esta rede apresenta a irradiação de cinco alternativas de estradas, de entrada e saída da região, marcadas em volta do Tejuco. A vermelho estão assinaladas as linhas que enquadram e delimitam a área de influência de nove quartéis (Tejuco, Rio Manso, Inhaí, Andaial, Chapada, Rio Pardo, Gouveia, Paraúna e Milho Verde) que tinham a incumbência de fiscalizar os pequenos ribeiros e evitar o extravio dos diamantes. Estão ainda representadas oito importantes povoações, ou seja, os arraiais do Tejuco, Rio Manso, Inhaí, Chapada, Gouveia, Andrequicé, Milho Verde e S. Gonçalo.
O mapa, que originariamente pode ter feito parte de um anexo da correspondência trocada entre a Real Extracção dos Diamantes, sediada no Arraial do Tejuco, e a Directoria dos Diamantes, em Lisboa, encontra-se dobrado, com vestígios de assim ter permanecido durante muito tempo, facto que, embora possa ter contribuído para a excelente qualidade da fixação das cores que apresenta, acentuou profundamente os vincos de dobragem que, em alguns casos, se encontram fragilizados». In Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia da BN de Portugal/JDACT