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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sistema Marcial Asiático. António José de Noronha. «Nestas circunstâncias, o rei Luís XV não só galardoa o ‘Père Antoine’, com a ordem de «Notre Dame du Mont Carmel et St. Lazare», mas, também solicita à Santa Sé a sua eleição para Bispo “in partibus infidelium”»

Plano e perspectiva da cidade de Goa
Évora, colecção Manizola
Cortesia de foriente

Edição e Introdução de Carmen Radulet
«Num dos numerosos memoriais que escreve durante a sua existência aventurosa, o bispo António José de Noronha apresenta da seguinte maneira esta fase movimentada da sua vida:
  • ‘Foi o exponente conduzido a Inglaterra debaixo de ama dura e rigorosa prisão e maltratado. No porto de Pormud [Portsmouth] recebeu Mr. Preston, capitão da dita fragata Dilcastil ordem para entrar no Rio de Chatão [Chatham], onde tendo escrito várias cartas ao Conselho do Almirantado não teve resposta alguma respectiva ao Exponente e, como foi obrigado à entrega da fragata à mestrança, tornou o expediente de entregar o ‘Exponente’ ao capitão da Guarda Costa da América que se achava ancorada naquele Porto. Este o levou a bordo da sua nau com todo o resguardo em companhia de muitos forçados que levava para as suas ilhas daquela costa. Cinquenta e seis dias esteve o ‘Exponente’ sem esperança de soltura até que por via da família de Mr. André, capitão-tenente da mesma nau, que então se achava a bordo dela, teve ocasião de escrever ao Ministro de Portugal na Corte de Londres e no dia que a nau se aparelhou para a América chegou ao comandante uma ordem do Ministro (que parece ser então o Duque de Bedford) para que sem demora pusesse logo o ‘Exponente’ na sua liberdade, com a qual partiu para Londres onde foi recebido de António Freire de Andrade Encerrabodes, Ministro de Portugal, com todo o agrado’.
A posição da Inglaterra e da Companhia inglesa torna-se neste ponto bastante delicada já que se mostra necessário enfrentar ao mesmo tempo uma complicada questão diplomática (as relações com Portugal no que dizia respeito ao domínio de São Tomé de Meliapor) e um caso particular, o da prisão de António José de Noronha, súbdito português. Frente a uma oferta de indemnização de «cem mil libras de França» o antigo Governador de São Tomé mostra a sua determinação em não aceitar uma proposta considerada como indigna e injuriosa.

Provável retrato de D. António
jdact

O ambíguo comportamento observado pela Corte de Londres a este respeito é bem notório no seguinte comentário de Silva Correia:
  • «A oferta cavilosa e imoral de cem mil libras, que no meado do século XVIII representava uma avultada fortuna, não foi feita ao Governo português para silenciar as suas reclamações diplomáticas, porque se o tivesse sido a título de uma indemnização por motivo da usurpação à força armada de S. Tomé e das aldeias circunvizinhas, esse oferecimento monetário seria feito à Corte portuguesa directamente, por intermédio do seu embaixador em Londres, que era, ao tempo, António Freire de Andrade Encerrabodes».
António José de Noronha, rejeitando esta aliciante tentativa de compensação, deixa Londres para se transferir para Paris. Na Corte de Luís XV, graças sobretudo aos informes do marquês Dupleix, António José encontra um ambiente favorável, pronto a manifestar abertamente o reconhecimento pela actividade por ele desenvolvida na Índia em favor da causa francesa. Nestas circunstâncias, o rei Luís XV não só galardoa o ‘Père Antoine’, com a ordem de «Notre Dame du Mont Carmel et St. Lazare», mas, também solicita à Santa Sé a sua eleição para Bispo “in partibus infidelium”. O pedido do monarca francês abre, porém, uma complexa questão com a Coroa portuguesa no que diz respeito à ideia, então já bastante controversa, da exclusividade do Padroado Régio.

Plano e perspectiva das ilhas e províncias de Goa
Biblioteca Nacional
jdact

Através de consultas entre a Santa Sé, a Corte de Paris e a de Lisboa, foram resolvidos os problemas relativos ao pagamento da côngrua, de que se encarregava a Companhia francesa das Índias Orientais. Paralelamente, o Ministro de Portugal ao manifestar publicamente o beneplácito do seu país para a eleição do novo bispo, eliminava os últimos receios da Santa Sé. O Breve de 23 de Março de 1751 confirmou a eleição do Bispo de Halicarnasso indicando, porém, uma limitação no que dizia respeito ao exercício da jurisdição:
  • ‘non abbia egli a esercitare giurisdizione espiscopale se non col consenso e permissione del Vescovo ordinario di S. Tomé’.
Esta restrição e o facto de o embaixador português em Paris, Gonçalo Manuel Galvão de Lacerda, pedir a António José de Noronha que se deslocasse a Lisboa a fim de apresentar o seu caso, podem estar, muito provavelmente, relacionadas com as pressões de alguns dos numerosos inimigos eclesiásticos, não contentes de ver regressar à Índia o ex-frei António da Purificação distinguido com o título de Bispo». In António José de Noronha, Sistema Marcial Asiático, edição de Carmen Radulet, Fundação Oriente, 1994, ISBN 972-9440-34-4.

Cortesia de F. Oriente/JDACT

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sistema Marcial Asiático. António José de Noronha. «O padre português, chamado pelos Franceses ‘Père Antoine’ ou ‘Padre Antonio de Meliapor’, acaba por dedicar maior esforço às iniciativas militares e diplomáticas de Dupleix do que à evangelização e à vida espiritual»

Plano e perspectiva da cidade de Goa
Évora, colecção Manizola
Cortesia de foriente

Edição e Introdução de Carmen Radulet
«Esboçar a biografia de D. António José de Noronha não é tarefa fácil, pois se algumas fases da vida de uma personagem tão complexa foram delineadas, mais ou menos satisfatoriamente, em estudos como os de José Heliodoro Rivara, Ismael Gracias, Closets d'Errey e Alberto da Silva Correia, outros aspectos e circunstâncias estão ainda indefinidos, interpretados de maneira aproximada, quando não mesmo traçados de forma passional ou manifestamente incorrecta. Nesta ocasião, não nos empenhamos numa reconstrução pormenorizada da vida deste Autor, mas apenas tentaremos definir os momentos mais significativos do ponto de vista biográfico e cultural, ultrapassando as posições polémicas que caracterizaram parte dos estudos que lhe foram dedicados.
No que respeita ao nascimento de António José de Noronha, quer Ismael Gracias quer Silva Correia, baseando-se numa petição registada no “Livros das Monções”, com certeza só indicam a data do seu baptismo: 14 de Julho de 1720.
Este elemento induz Ismael Gracias a aventar a hipótese de que:
  • «dado o escrúpulo com que se cumpriam antigamente e ainda hoje se observam em familias illustradas os preceitos da Egreja, é de suppôr que se não tivesse demorado muito a imposição dos santos oleos. Sendo o mez de julho de rigoroso inverno em Goa, seria talvez essa a causa da administração do baptismo em casa e da seródia apresentação ao registo parochial».
Por seu lado, Silva Correia assevere a este respeito que «D. Antonio José de Noronha, cuja data certa de nascimento não se conhece, foi baptizado em velha Goa aos 14 de Julho de 1720. É presumível que tenha nascido alguns meses entes, aí por Janeiro do dito ano».
Num texto de autoria do próprio António de Noronha até agora ignorado pela crítica, o “Diário dos sucessos da viagem que fez do Reino de Portugal para a cidade de Goa, Dom António José de Noronha, Bispo de Halicarnasse”, encontra-se uma referência de carácter autobiográfico que proporciona a seguinte informação:
  • «Nove meses e dous dias retido no ventre da minha Mai, dele sai pela permissão do Altíssirno quase leso dos sentidos de modo que me tinhão por morto o que causou grande choro aos meos Pais por espaço de duas horas com que existia na mesma lesão; foi o mesmo Senhor servido dos alentos da vida de sorte que abrisse olhos no teatro deste mundo em cinco de Julho de 1720».
A reflexão autobiográfica não só confirma a data exacta do seu nascimento - 5 de Julho de 1720 - como também esclarece os motivos que determinaram a administração do baptismo em casa, ou seja, o medo causado pela doença que manifestou no nascimento.

Plano e perspectiva das ilhas e províncias de Goa.
Biblioteca Nacional
jdact

António José de Noronha era filho primogénito de «Francisco de Noronha da Casa dos Arcos e de D. Cecília Anna de Menezes, neto pela parte paterna de Gil Eannes de Noronha Sarmento e de D. Leonor da Cunha e Souza da Casa do Prado e bisneto de Bernardo de Noronha e de D. Anna Sarmento e, pela parte materna, de Ruy Dias de Menezes de Casa de Cantanhede e de D. Antónia de Souza Coutinho, bisneto de Gaspar Carvalho de Menezes e de D. Cecília de Mello Sampay».
Trata-se, portanto, quer do lado paterno quer do materno, de nobres e ilustres famílias de luso-descendentes empenhadas na vida militar e na administração do Estado da Índia (particularmente na Província do Norte), mas, muito provavelmente, já em princípios do século XVIII desprovidas de grandes meios económicos. Esta situação condicionará profundamente a existência do jovem António José quando Francisco de Noronha, capitão-de-fragata, desaparece em 1729 durante um naufrágio e, sobretudo depois de a mãe, D. Cecília de Meneses, também falecer precocemente.

O filho primogénito do casal fica assim entregue aos cuidados da avó paterna, D. Leonor da Cunha e Sousa que o leva a entrar no convento de S. Francisco de Goa.
Como se verá, António José de Noronha não terá tido uma verdadeira vocação eclesiástica, mas sim uma inclinação bem patente para a vida militar e diplomática, sentimento vincado, aliás, em várias ocasiões nos seus relatórios, nos documentos justificativos, e confirmada pela acção efectivamente desenvolvida durante a vida inteira. A este propósito é significativa uma frase de carácter autobiográfico, inserida já nos últimos anos de vida, numa carta dirigida ao Marquês de Pombal:
  • «Não devo porém deixar de lembrar novamente a V Exa que eu sou o único Português titular da Corte do Grão Mogor e que também o sou da Corte de França [...] Em cujos termos, não duvidando eu dispir-me inteiramente do carácter eclesiástico para servir a Sua Magestade (segundo o meu génio) na profissão militar [...]».

Provável retrato de D. António
jdact

António José de Noronha começa a sua controversa carreira eclesiástica muito cedo, já, que, com menos de 16 anos, idade estabelecida pelo Segundo Concílio Tridentino para a profissão religiosa, recebe o nome de Frei António da Purificação, sendo enviado para a missão de S. Tomé de Meliapor na costa do Coromandel. Dentro em breve, apesar de uma provisão de D. João V pela qual era proibida a nomeação de religiosos com menos de 15 anos de profissão e de idade inferior a40, o padre franciscano alcança o lugar de vigário da Igreja da Nossa Senhora da Luz de Meliapor.

Encontrando-se na missão de S. Tomé de Meliapor, Frei António da Purificação, começa a visitar assiduamente em Pondichéry o seu governador, o marquês Dupleix, e a mulher deste, a luso-descendente D. Joana de Castro, tornando-se uma das figuras representativas da sociedade europeia da colónia francesa e, frequentemente, um ‘liaison officer’ do próprio Dupleix. Neste período, o padre português, chamado pelos Franceses «Père Antoine» ou «Padre Antonio de Meliapor», acaba por dedicar maior esforço às iniciativas militares e diplomáticas de Dupleix do que à evangelização e à vida espiritual. A sua atitude, os hábitos de vida e o facto de ter conseguido cargos eclesiásticos importantes por intercessão do Governador francês (em 1747 é, por exemplo,’visitador’ das missões de Coromandel e Pegú) e recompensas materiais significativas, desencadeia as reacções de outros religiosos que, por três vezes, propõem o seu caso à avaliação da Junta das Missões de Goa». In António José de Noronha, Sistema Marcial Asiático, edição de Carmen Radulet, Fundação Oriente, 1994, ISBN 972-9440-34-4.

Cortesia de F. Oriente/JDACT

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

António José de Noronha. Diário de Viagem. «… redige o seu diário a bordo do navio que o leva ao Oriente, de maneira que no momento em que chega a Goa o texto está pronto. Sendo a intenção a de entregar esta obra, como as outras elaboradas precedentemente em Lisboa, Marquês de Pombal, o Autor manda copiar o texto para conservar um exemplar»

Plano e perspectiva do sítio da Praça do Piro, 1768
Cortesia de foriente

Diário dos sucessos da viagem que fez do Reino de Portugal para a cidade de Goa, principiada aos 21 de Abril de 1773

Manuscrito e critérios de edição
«O texto intitulado “Diário dos sucessos da viagem que fez do Reino de Portugal para [a] cidade [de] Goa, Dom António Jozé de Noronha, Bispo de Halicarnasse, principiada aos 2l.º de Abril de 1773”, é hoje conhecido graças à existência na Biblioteca Nacional de Lisboa (de Portugal) (cod. 11378) de um manuscrito proveniente da colecção de Victor Perez. Trata-se de uma cópia do século XVIII constituída por 94 folhas numeradas, formato 210 x 150 mm. O manuscrito ostenta uma encadernação da época em pele com ferros dourados e, na lombada, o rótulo José de Noronha / Viagem / Que Fez / De Portugal / Para / Cidade Goa.

Uma comparação com as outras obras manuscritas de D. António José de Noronha revela tratar-se de uma cópia efectuada por um copista diferente dos que transcreveram, por exemplo, o “Sistema Marcial, Asiático; o Árbítrìo para a expulsão dos denominados Jesuítas das Missões Orientaes; a Narração Recupilada da Cidade de Sancto Thomé de Meliapor e suas Aldeas, a Dedução cronológica de algumas infracções dos Tratados da Paz praticadas pelos Inglezes nos Estados da Índia desde o ano de 1728 ‘té o de 1769; ou o Manifesto Apologético e Crítico”.
Enquanto estas obras nos surgem transcritas esmeradamente, sem erros significativos, o manuscrito do Diário revela-se bastante descuidado quer na qualidade da grafia quer no número elevado de erros evidentes: repetições, lacunas de uma ou mais palavras, erros de transcrição, etc. Todavia, o facto de a mesma mão aparecer nalgumas cartas inseridas numa Miscelânea conservada hoje na Biblioteca Municipal de Évora, em que se guarda documentação concernente ao Autor, pode oferecer indicações preciosas relativamente à história textual da obra.

Pouco tempo passado sobre o seu regresso a Goa, D. António José de Noronha escreve um longo relatório «aos Senhores do Ministério» em que representa a situação política de Goa, as relações com alguns potentados orientais e com outras potências europeias, dando notícia de questões pessoais em que estavam porém envolvidas personagens de relevo da política goesa. O título actual deste relatório é “Cópia da carta que se mandou ao[s] Senhores do Ministério”, com o texto estruturado em grandes capítulos, dos quais um se intitula: «Da minha viagem, pertenções e execução do Real Decreto». No exórdio deste capítulo o Autor afirma que:
  • Da Bahia tive a honra de escrever a V. Ex.ª largamente e como tenho agora de remeter incluso o meu jornal, não quero tomar o precioso tempo de V- Ex.ª com uma repitição. Só exporei algumas circunstâncias que me parecem dignas da atenção de V Ex.ª e, se for algum tanto extenso não é por falta de vontade de abreviar mas sim porque não quero ficar com escrúpulos em deixar mal entendidas as palavras: as minhas, bem sabe V Ex.ª que sempre forão sem equívocos e sem paixão.
A informação contida neste trecho também nos permite aventar algumas hipóteses acerca da história do “Diário” que nos interessa.
Cortesia de foriente

D. António José redige o seu diário a bordo do navio que o leva ao Oriente, de maneira que no momento em que chega a Goa o texto está pronto. Sendo a intenção a de entregar esta obra, como as outras elaboradas precedentemente em Lisboa, Marquês de Pombal, o Autor manda copiar o texto para conservar um exemplar.
Prática amplamente documentada dado que D. António José de Noronha guarda rigorosamente todos os documentos que considera significativos e grande parte das cartes que escreve durante a sua complexa carreira. O facto de o copista que transcreveu o manuscrito do Diário ser conhecido hoje como o mesmo que também copiou o texto da relação enviada aos «Senhores do Ministério», indica que a cópia não foi redigida em Portugal, com base no exemplar enviado ao Marquês de Pombal, mas em Goa, antes da partida da monção de 1774 em que a documentação foi enviada. Esta circunstância explicaria também algumas das características do manuscrito:
  • A necessidade de a preparar com urgência para a monção poderia ter obrigado o Autor a mandar realizar não só rapidamente uma cópia da obra mas também de utilizar um copista menos atento do que aqueles que normalmente empregava. Nestas circunstâncias, encontrariam também explicação os numerosos erros detectáveis e, mais em geral, a qualidade do manuscrito no seu todo.
As dificuldades que D. António José encontra ao preparar em poucos dias a sua correspondência, antes da partida para Lisboa da nau “Caridade” depreende-se claramente deste trecho inserido no “Diário”:
  • Continuarão-se as visitas e eu sempre molestado com a mesma defluxão e dores de dentes e obrigado e escrever as cartas de monção e muitas da minha leitra.
Na transcrição do texto foi adoptado um critério de ponderada actualização da grafia, o mesmo utilizado na edição da principal obra de D. António José de Noronha, o “Sistema Marcial Asiático”.


Cortesia de mwlwikipedia e oldphotosbombay

Neste processo, as folhas do manuscrito foram assinaladas entre parênteses rectos com a indicação rº e vº. As variantes do manuscrito, indicadas com numeração progressiva entre parênteses oblíquos < >, foram colocadas em pé de página. As dúvidas de leitura foram assinaladas com [?], enquanto que as integrações de palavras ou letras foram indicadas com parênteses rectos. Frente a um texto que apresenta numerosos problemas de decifração e de interpretação, nos casos de lacunas não unidireccionalmente solúveis foi escolhida uma atitude de cautela, sendo as lacunas indicadas com [...] . No respeito do mesmo critério, quando não foi possível proceder a uma correcção satisfatória de frases em que aparecem erros de transcrição ou lacunas múltiplas para cuja correcção ou integração não foi encontrada uma solução unívoca, foi conservada a formulação da frase transmitida pelo manuscritos.
O critério de conservação da realidade manuscrita foi respeitado também no caso de formas linguísticas erradas no quadro do sistema do Português normativo mas que se revelam característica da época e da “langue” peculiar do Autor, fortemente marcada não só pelo Português falado no Oriente mas também pelo plurilinguismo. O Autor, como ele próprio declara em numerosas ocasiões falava algumas línguas europeias e várias orientais, mas é o Francês, dado ter frequentado Pondichéry e a comunidade francesa, que marca consideravelmente a sua linguagem.

Como peculiaridade do texto foi conservada e grafia “ex” por “eis”, já que aparece em toda a obra. De um ponto de vista náutico revela-se na obra a presença de algumas incongruências constantes, como “veste e vante e milhas e minutos”, que escolhemos conservar na forma em que aparecem, mas que ficam esclarificadas no Posfácio de Francisco Contente Domingues». In D. António José de Noronha, Diário da Viagem, Carmen Radulet, Fundação Oriente, Biblioteca Nacional, 1995, ISBN 972-9440-51-4, ISBN 972-9440-50-6 (Col.).

Continua
Cortesia da Fundação Oriente/JDACT