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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Os Poemas. José Afonso. «Quando um cão te morde uma canela, o que faz falta, quando a esquina há sempre uma cabeça, o que faz falta»

Cortesia de wikipedia

O que Faz Falta
«Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a mer…
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta

Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta

Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz alta

Quando um cão te morde uma canela
O que faz falta
Quando a esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta

Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta

Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta dar poder à malta
O que faz falta».
In Zeca Afonso


Vejam bem
«Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de de febre a arder

Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer

Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão

E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vem levantá-lo do chão
ninguém vem levantá-lo do chão

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar».
In Zeca Afonso

 Cortesia de Wikipédia

domingo, 9 de setembro de 2012

A Arte de Furtar. Um texto Panfletário. «Considerando o conteúdo do livro ao nível da simples descrição de factos isolados e típicos dos mais...variados comportamentos sociais, o seu realismo supera de muito o melhor dos Apólogos Dialogais…»


Cortesia de wikipedia

Roubam-me Deus
outros o diabo
- quem cantarei?

Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
- quem cantarei?

Sempre há quem roube
quem eu deseje
e de mim mesmo
- todos me roubam

Quem cantarei?
Quem cantarei?

Roubam-me a voz
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui d'El Rei.
Epígrafe para a Arte de Furtar
Poema de Jorge de Sena



Quanto à composição literária, a ‘Arte de Furtar’ é bem uma obra barroca. Em vez de dispor os assuntos segundo uma ordem lógica, de acordo com o desenvolvimento do interesse intrínseco, arruma-os em obediência a um critério formal conceptista». In Wikipédia.


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