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sábado, 26 de março de 2011

Robert Koldewey: «Os Jardins Suspensos da Babilónia, cheios de plantas verdes e árvores que supostamente foram construídos pelo rei Nabucodonosor (governou 605 a.C. - 563 a.C.) para a sua esposa Amyitis»

(1855-1925)
Blankenburg am Harz, Alemanha
Cortesia de specialtyinterests

Cortesia de amazon

Robert Johann Koldewey, um arquitecto e arqueólogo, famoso pela descoberta da antiga cidade de Babilónia, no actual Iraque. As escavações na Babilónia revelou as bases do zigurate (enormes estruturas construídas na antiga Mesopotâmia, tendo a forma de um terraço de uma pirâmide) de Marduk, e a Porta de Ishtar, ele também desenvolveu várias técnicas modernas arqueológicos, incluindo um método para identificar tijolos de barro usados na arquitectura. Esta técnica foi útil na escavação dos Jardins Suspensos da Babilónia (1899-1917) que foi construído, aproximadamente cerca de 580 a.C..

Koldewey estudou arquitectura e história da arte em Berlim e Viena, sendo contratado em  1882 para participar na escavação de antigos Assus na Turquia. Aqui aprendeu métodos diversos de escavação e a melhor forma de retirar restos antigos. Um arqueólogo prático. Participou em muitas escavações, por exemplo na Ásia Menor, Grécia e Itália.
Cortesia de livius

Cortesia de alexanderstomb 
Os Jardins Suspensos da Babilónia foram uma lenda (numa bonita montanha), cheios de plantas verdes e árvores que supostamente foram construídos pelo rei Nabucodonosor (governou 605 a.C. - 563 a.C.) para a sua esposa Amyitis.

Robert Koldewey revelou muitas das suas características, incluindo as paredes exteriores, paredes interiores, fundação de Etemenanki, o original da «Torre de Babel», de Nabucodonosor. Ao escavar a Cidadela do SulKoldewey descobriu um porão com 14 quartos amplos com tectos em abóbada. Os textos antigos revelavam que apenas 2 localizações na cidade havia utilizado pedra, a parede norte da Cidadela do Norte e os Jardins Suspensos. Como a muralha norte da Cidadela do Norte já tinha sido encontrada, fez supor a Koldewey ter encontrado o subsolo dos jardins.


Cortesia de commonswikimedia e news

Cortesia de anavazquez

Cortesia de Encyclopaedia Britannica/JDACT

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pedro Dufour: História da Prostituição em todos os Povos do Mundo. Parte I

Cortesia de LibraryUniversityofToronto

Com a devida vénia à Library University of Toronto, May 23 1968, Lisboa, Typ da Empreza Litteraria Luso-Brazileira, Pateo do Aljube 5, 1885.

História da Prostituição
Se é difícil definir a palavra «Prostituição», quanto mais difícil não será fazer a sua historia nos tempos antigos e modernos! Esta palavra que marca, exactamente como um ferro em brasa, uma das mais tristes misérias da humanidade, emprega-se menos em sentido próprio do que no figurado, e aparece frequentemente na linguagem falada ou escrita, despida da sua verdadeira acepção.
Os ilustres e conspicuos autores do Dicionário da Academia Francesa, na sua última edição, não encontraram para esta palavra melhor definição do que: Abandono á impiidicicia. E antes d'eles outro philologo francês, Richelet, teve de contentar-se com esta, ainda mais vaga: — Desregramento de vida.

Todavia o mesmo escritor, mediocremente satisfeito com semelhante explicação, teve de completar o seu pensamento com uma frase menos amfibológica : «Abandono ilegítimo que uma mulher faz do seu corpo a outra pessoa, para que esta tenha com ela prazeres proibidos.» Esta frase, que sugeriu aos autores do Dicionário da Academia a sua definição, não diz ainda tudo o que compreende a palavra prostituição, porque o abandono de que se trata tem sido em certas circunstâncias praticado por pessoas de ambos os sexos, e porque os prazeres proibidos pela religião ou pela moral são autorizados, ou quando menos, tolerados pela lei.

Cortesia de LibraryUniversityofToronto
Já na actualidade, por toda a parte, tanto em França como nos demais países submetidos a um governo regular, a prostituição vê decrescer progressivamente o numero dos seus agentes e o das suas vítimas.
Observa-se que ela retrocede perante o desenvolvimento da razão moral, como se fora acessível a um sentimento de pudor: não queremos dizer que abdique, mas o que é certo é que se vai sentindo destronada e que se envolve no seu manto de cortesã, perdida completamente a esperança de reconquistar a sua coroa impudica. Não está longe o dia em que a prostituição se envergonhe de si própria, em que saia para sempre do santuário dos costumes, em que venha a cair na obscuridade, e pouco depois no olvido. Há enfermidades no coração humano, que, como certas enfermidades físicas, acabam por gastar-se, perdendo o seu carácter epidémico, sob o influxo de um bom regime de vida. Hoje em dia apenas conhecemos a lepra de nome, e quando por acaso se encontra uma relíquia dessa terrível peste da antiguidade, reconhece-se com grande jubilo que essa enfermidade já não tem forças para propagar-se.

A prostituição, na história antiga e moderna, reveste três formas distintas, ou reduz-se a três graus que pertencem a três épocas diferentes da vida dos povos:
  • 1º - A prostituição hospitalar ou doméstica;
  • 2º - A prostituição sagrada ou religiosa;
  • 3° - A prostituição legal ou civil.
Estas três denominações resumem perfeitamente as três espécies de prostituição, que Rabuteaux qualifica nestes termos, num excelente trabalho sobre o mesmo assunto, que nos propomos tratar debaixo de um ponto de vista mais geral.

Cortesia de LibraryUniversityofToronto
«Por toda a parte, diz o erudito escritor, até onde a historia nos permite penetrar, em todos os povos e em todos os tempos, vemos como um facto mais ou menos geral a mulher, aceitando a mais odiosa escravidão, entregar-se sem eleição nem prazer aos grosseiros estímulos que a excitam e provocam. Às vezes, por se ter extinguido dentro dela completamente a luz moral, a nobre e doce companheira do homem perde nessas sombrias trevas os últimos restos da sua dignidade, e perfeitamente indiferente ao homem que a possue, vem a ser uma coisa vil entre os presentes da hospitalidade: as relações sagradas de que emanam os gozos inefáveis do lar domestico e as doçuras da família, não têm nem valor nem importância entre aqueles povos degenerados. Outras vezes, no antigo Oriente, por exemplo, e em todos os povos que ali foram beber as velhas tradições, por um consórcio muito mais repugnante ainda, o sacrifício do pudor da mulher ligava-se aos dogmas de um naturalismo monstruoso, que exaltava todas as paixões, divinisando ainda as mais brutais; e é assim que o rito sagrado de um culto degenerado e absurdo, e o estipêndio pago a sacerdotisas impúdicas vem a ser uma oferenda feita aos deuses. Noutros povos, enfim, nos que ocupam o lugar mais elevado na escala moral, a miséria ou o vício entregam aos grosseiros impulsos dos sentidos e aos seus desejos cínicos uma classe inteira, relegada para a última escória social, tolerada, mas ferida de infâmia, a classe dessas infelizes mulheres para quem a dissolução e a vergonha chegaram a ser um oficio».

Assim, pois, Rabuteaux considera como uma odiosa escravidão o que nós consideramos um obsceno tráfico. Efectivamente, nestas três formas principais, a prostituição apresenta-se-nos mais venal do que servil, porque é sempre voluntária e livre. Hospitalar, representa uma troca de cumprimentos, de conveniências, digamo-lo assim, com um estrangeiro, um desconhecido, que se torna de repente um amigo; religiosa, compra, a preço do pudor por ela imolado, os lavores de um deus e a consagração do sacerdote; legal, estabelece-se e põe-se em prática exactamente como os outros ofícios: tem, como eles, os seus direitos e os seus deveres, as suas mercadorias, os seus estabelecimentos e mercadores; vende e ganha, visto que, como o mais honesto dos comércios, não tem outro fim senão o lucro. Para que estas três classes de prostituição possam ser colocadas na categoria das escravidões morais e físicas, seria mister que a hospitalidade, a religião e a lei as tivessem criado violentamente, obrigando-as a existir, a despeito de todas as repugnâncias e resistências da natureza.

Cortesia de LibraryUniversityofToronto
A mulher ficaria então purificada pelas amorosas carícias de uma divindade. Eis como a prostituição hospitalar, comum a todos os povos primitivos, veio a perpetuar-se por tradição e por habito nos costumes da civilização antiga.
A prostituição sagrada era quase contemporânea desta primitiva prostituição, que foi de certo modo um dos mistérios do culto da hospitalidade. Logo que as religiões nasceram do temor e espanto que imprimira no coração do homem o aspecto das grandes comoções da natureza, assim que o vulcão, a tempestade, o raio, o tremor de terra, e a cólera formidável do oceano fizeram inventar os deuses, a prostituição ofereceu-se em sacrifício a esses deuses terríveis, mas não implacáveis, e o sacerdote apropriou-se muito naturalmente de uma oferenda, de que os deuses a quem ela era destinada não podiam tirar o menor proveito. Os homens, ignorantes e crédulos, levavam ao altar tudo quanto possuíam de mais precioso, o leite das suas vacas, a carne da sua caça e da sua pesca, as obras das suas mãos, e as mulheres não tardaram a oferecer-se a si próprias em sacrifício ao deus, quer dizer, ao ídolo e ao sacerdote, e o sacerdote e o ídolo recebiam a oferenda, tanto da virgindade da donzela, como do pudor da mulher casada.

Cortesia de LibraryUniversityofToronto
História da Prostituição
Primeira Parte
Antiguitlade - Grécia - Roma
Capítulo I

É à Caldea, antigo berço das sociedades humanas, que se devem ir procurar os primeiros vestígios da prostituição. Uma parte da Caldea, a que confinava ao norte com a Mesopotâmia e compreendia o país de Ur, pátria de Abrahão, tinha por habitantes povos pertencentes a uma raça selvagem, que se acolhia nas montanhas e não conhecia outra arte ou profissão além da caça. Foi este povo de caçadores rudes como as montanhas que inventou a hospitalidade e a prostituição, que era de certo modo a sua expressão franca e brutal. Na outra parte da Caldea, limítrofe da Arábia deserta, região que se desdobrava em férteis campinas, outro povo pastor de índole doce e pacifica andava errante apascentando os seus numerosos gados. Este povo observava os astros, criava as ciências, e inventando as religiões inventou também a prostituição sagrada ou religiosa. Quando Nemrod, aquele rei conquistador a quem a Bíblia chama o caçador forte diante de Deus, sujeitou ao seu domínio as duas províncias e os dois povos da Caldea, quando fundou a grande cidade de Babilónia na foz do Eufrates, no ano do mundo 1402, segundo os livros de Moisés, deixou misturar as crenças, as ideias e os costumes das diferentes raças dos seus súbditos, e nem sequer dirigiu essa fusão que se operou lentamente sob a influência do hábito. Assim, a prostituição religiosa e a hospitalar significaram desde logo uma só e a mesma coisa, vindo a ser simultaneamente uma das formas mais características do culto de Vénus ou Milita.

Cortesia de niltoncavalini
Ouçamos Heródoto, o venerando pai da história e o mais antigo coleccionador das tradições do mundo:
«Os babilónios tinham uma lei extremamente vergonhosa. Toda a mulher nascida naquele país era obrigada uma vez na vida a ir ao templo de Vénus para se entregar a um estrangeiro. Muitas delas, orgulhosas pelas suas riquezas, desdenhavam de confundir-se com as mulheres das classes inferiores e faziam-se conduzir ao templo em sumptuosos carros cobertos, nos quais permaneciam sentadas, tendo ao lado um grande numero de escravos que as tinham acompanhado; mas a maior parte das outras concorrentes sentavam-se no pavimento do templo, em sítios circunscritos por cordas estendidas. Os estrangeiros passeavam pelas ruas intermédias e escolhiam a seu gosto uma daquelas mulheres. Logo que uma concorrente se sentava no lugar sagrado, não podia voltar a casa sem que algum estrangeiro lhe tivesse atirado dinheiro ao regaço, e sem que tivesse comércio com ela fora do recinto sagrado. Ao atirar-lhe o dinheiro, o estrangeiro dizia-lhe: —«Invoco a deusa Milita.
«Por mais diminuta que fosse a quantia, não receava ser recusado. Era a lei que o proibia, considerando aquele dinheiro como sagrado. A mulher seguia o estrangeiro sem que lhe fosse permitido mostrar desagrado ou má vontade.
«Uma vez cumprido o preceito que a trouxera ao templo da deusa, apenas se entregava ao estrangeiro, voltava para sua casa, e então não era possível seduzi-la com todo o dinheiro do mundo. As mulheres, a quem coubera em sorte o grande atractivo da beleza, não permaneciam por muito tempo no templo; não sucedia o mesmo ás feias, que não podiam satisfazer á lei tão breve como desejavam. Havia algumas que permaneciam no recinto sagrado, esperando um estrangeiro, três e quatro anos». (Livro I, pag. 199).

Esta prostituição sagrada, por mais extraordinária, inverosímil e monstruosa que pareça, é um facto de incontestável verdade histórica. O culto de Milita ou Vénus Urania estendia-se de Babilónia á ilha de Chipre e à Fenícia. O profeta Baruch, que Heródoto não consultou por certo, e que se lamentava com .Jeremias dois séculos antes do historiador grego, refere as mesmas torpezas na epístola de Jeremias aos judeus, que Nabuchodonosor levara cativos para Babilónia:
  • «Mulheres cingidas de cordas sentam-se á beira das estradas e queimam perfumes. (Succendentes ossa olirarum). Quando uma delas atraída por algum transeunte se abandona à impudícicia, lança em rosto à que lhe fica mais próxima a desgraça de não ter sido digna como ela das carícias impudicas daquele homem, e de não ter podido quebrar a corda de que está cingida, (Baruch, c. 6).
A corda que rodeava o corpo da mulher consagrada a Vénus significava o pudor que só as detinha por um débil laço, que um amor impetuoso devia quebrar facilmente. O estrangeiro a quem agradava alguma destas mulheres, tomava a extremidade da corda que a cingia, e arrastava deste modo a sua conquista para debaixo dos cedros e lentiscos, que prestavam a sua sombra á consumação daquele mistério.

Cortesia de valedealmeida
O sacrifício era sobremodo grato a Vénus, quando o sacrificador, no seu amoroso transporte, quebrava impetuosamente todos os laços que lhe causavam estorvo. Os sábios, que têm comentado esta passagem de Baruch, não estão, porém, de acordo sobre a espécie de oferenda que as consagradas queimavam para tornarem a deusa propicia.
Segundo uns, era um pequeno pão de cevada ou de trigo: segundo outros, era um filtro que excitava os desejos e predispunha para a sensualidade; outros, finalmente, por uma explicação mais natural, opinam que se tratava do fruto perfumado da arvore do incenso.

Cortesia de Library University of Toronto/JDACT