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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Lágrimas de Ametista. Maria Mar Carvalho. «Anda comigo agarrar o sonho, não o deixes diluir-se como a neve... Afaga em mim a criança suja e o passarinho que esvoaça além, solta teu ser em livre harmonia e vem colher…»

jdact

Reencontros
«É tão triste esse olhar distante!
Mas com que força ele penetra em mim,
sinto, nele, a busca constante
de uma verdade que começa assim:
era uma vez um réptil alado,
que erguer os olhos, para o céu, ousou,
e, de repente, viu-se transformado
no primeiro homem que a terra pisou

Julgava ele que tinha ascendido
com o poder, à supra verdade,
mas não sabia o louco, convencido,
que, assim, perdera a sua liberdade.
Depois, buscando, nunca mais parou
e a um vida, somou-se outra vida,
e em caminhada longa se ficou
por terra e pó, lama convertida.
Por entre as pedras, com sangue e suor
marcha cansado e desiludido
procura e sofre por um puro amor,
tenta voltar ao tempo perdido.
E à sua volta num vazio, então,
surgem amarras, pobre acorrentado,
e já não ouve, triste, o coração
que encerra, rico, todo o seu passado.


Mas, um dia, surge, ao fundo, a luz,
no olhar breve, tão inesperado,
e não sabia, mas breve deduz
que o encontro estava, à muito, marcado.
E agora, juntos buscam o caminho,
no amor etemo, que era o seu,
porque ninguém pode fazer sozinho
a caminhada desta terra ao céu».
Poema de Maria Mar de Carvalho, in ‘Lágrimas de Ametista

JDACT

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Coimbra. Museu da Guitarra e do Fado instala-se na Torre de Anto: «...guitarras que pertenceram a Carlos e a Artur Paredes, vão deixar o Museu do Chiado, onde se encontram bem guardadas e longe dos olhares dos visitantes, para passarem a estar à vista de todos, dando-se assim a conhecer um espólio tão característico da cidade»



Cortesia de cmcoimbra e giranostromondo

«As velhinhas, mas muito valiosas, guitarras que pertenceram a Carlos e a Artur Paredes, vão deixar o Museu do Chiado, onde se encontram bem guardadas e longe dos olhares dos visitantes, para passarem a estar à vista de todos, dando-se assim a conhecer um espólio tão característico da cidade. Serão as primeiras «habitantes» da Casa Museu da Guitarra e do Fado de Coimbra, que a Câmara de Coimbra se prepara para instalar na Torre de Anto, localizada no centro histórico. Há verba aprovada no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e tudo parece bem encaminhado para dar início às obras que se pretendem concluídas até final do próximo ano. Na próxima reunião de Câmara, quarta-feira, o executivo camarário vai tomar conhecimento de uma alteração da operação de co-financiamento». In Diário de Coimbra.




Cortesia de DC/JDACT

segunda-feira, 15 de março de 2010

Carlos Paredes: O Mestre dos mil dedos

Calos Paredes foi um dos grandes guitarristas, e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor.
Carlos Paredes (Coimbra, 1925-Lisboa, 2004) foi um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - manteve um estilo Coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições.



Conhecido como O Mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme «Os Verdes Anos». Segundo as suas palavras, «muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade».
A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos agarra
e nos rasga e nos lavra
com seu fio de mágoa e cimitarra.
Asa e navalha. E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua).
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento).
Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voar ei-la a subir
ei-la a voltar de Alcácer Quibir.
Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.
Poema de Manuel Alegre
«Já me tem sucedido fazer as pessoas chorar enquanto eu toco... E eu não compreendia isto, mas depois percebi que é a sonoridade da guitarra, mais do que a música que se toca ou como se toca, que emociona as pessoas». São palavras de Carlos Paredes.
JDACT