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terça-feira, 1 de julho de 2014

Castelo de Vide. Convento de Nª. Sª. Da Conceição. Monumento de Interesse Público. «… são classificados como monumento de interesse público a Igreja e o antigo Convento de São Francisco, na Rua Sequeira Sameiro, Castelo de Vide, freguesia de São João Baptista, concelho de Castelo de Vide, distrito de Portalegre, …»


Cortesia de wikipedia

«O Convento de Nossa Senhora da Conceição de Frades Recoletos da Ordem de São Francisco foi fundado em 1585, ficando a igreja e as dependências conventuais, das quais se destaca o pequeno e harmonioso claustro, concluídas em 1589. O conjunto sofreu nova campanha de obras em meados do século XVIII, da qual resultaram a remodelação da fachada do templo, hoje de características barrocas, bem como os retábulos de talha dourada e policromada do interior, e os revestimentos azulejares setecentistas, de oficina lisboeta, do átrio do convento, figurando cenas da vida de Santo António. A partir de 1863 esteve instalado no convento o primeiro Asilo de Cegos do país, instituído em 1856 por João Diogo Juzarte Sequeira Sameiro, tendo -se então adaptando a planimetria do edifício às necessidades dos invisuais, sem adulteração significativa da estrutura original.
A classificação da Igreja e do antigo Convento de São Francisco reflecte os critérios constantes do artigo … 2001, de 8 de Setembro, relativos ao carácter matricial do bem, ao seu interesse como testemunho simbólico ou religioso, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua concepção arquitectónica e urbanística, e à sua extensão e ao que nela se reflecte do ponto de vista da memória colectiva. A zona especial de protecção (ZEP) tem em consideração a implantação do conjunto arquitectónico no contexto urbano de Castelo de Vide, onde existem outros edifícios com interesse patrimonial, incluindo imóveis classificados. A sua fixação visa preservar toda a área envolvente, garantindo o enquadramento dos imóveis e as perspectivas da sua contemplação. Procedeu -se à audiência escrita dos interessados, nos termos gerais do artigo … Foi promovida a audiência prévia da Câmara Municipal de Castelo de Vide. Assim:

Sob proposta dos serviços competentes, nos termos do disposto no artigo … 2011, de 12 de Julho, manda o Governo, pelo Secretário de Estado da Cultura, o seguinte: Artigo 1.º Classificação, são classificados como monumento de interesse público a Igreja e o antigo Convento de São Francisco, na Rua Sequeira Sameiro, Castelo de Vide, freguesia de São João Baptista, concelho de Castelo de Vide, distrito de Portalegre, conforme planta constante do anexo à presente portaria, da qual faz parte integrante. Artigo 2.º Zona especial de proteção, é fixada a zona especial de protecção do monumento referido no artigo …, conforme planta constante do anexo à presente portaria, da qual faz parte integrante». In Portaria n.º 513/2014, 18 de Junho de 2014, Diário da República, 2.ª série - N.º 123 - 30 de Junho de 2014.

Cortesia de JRRabaça/JDACT

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Fortaleza de Vilar Maior. Beira Interior. «O povoado que se definiu à sombra do castelo foi muralhado já no final do século XIII, estando-lhe associada uma inscrição de 1280, o que demonstra como, por esta altura, a povoação era importante o suficiente para ser agraciada com um projecto real»


Cortesia de wikipedia e jdact

«O Castelo de Vilar Maior localiza-se na freguesia e povoação de Vilar Maior, concelho do Sabugal, distrito da Guarda. Em posição dominante sobre o vale do rio Cesarão e a povoação, do alto de seus muros é possível avistar-se o Castelo da Guarda».

«A posição estratégica de Vilar Maior no contexto de fronteira entre Portugal e Leão cedo determinou que aqui se erguesse um castelo. Ele encontra-se documento desde a segunda metade do século XI (imediatamente após a campanha das Beiras promovida por Fernando Magno), e a sua construção justifica-se neste novo quadro de expansão do reino leonês. De acordo com a análise de Barroca, o perímetro oval da cerca deve corresponder a este período, pela aparente simplicidade do seu dispositivo defensivo, ignorando ainda os torreões e evitando os ângulos. Para além disso, apresenta um aparelho tendencialmente a caminho da isodomia, com fiadas horizontais já claramente definidas e silhares de apreciáveis dimensões, razoavelmente bem talhados.
No caminho para a Baixa Idade Média, Vilar Maior continuou a merecer a atenção por parte dos monarcas leoneses. O povoado que se definiu à sombra do castelo foi muralhado já no final do século XIII, estando-lhe associada uma inscrição de 1280, o que demonstra como, por esta altura, a povoação era importante o suficiente para ser agraciada com um projecto real de dimensão considerável, como era certamente a empreitada de muralhamento de uma vila.
A configuração actual do conjunto, com a sua poderosa torre de menagem, data já da transição para o século XIV. A 17 de Novembro de 1296, ainda antes da assinatura do Tratado de Alcanices, o rei Dinis I passou foral à povoação. Um ano depois, o monarca leonês assinou a passagem de Vilar Maior, e de outras vilas de Riba-Côa, para a coroa portuguesa. Foi a partir dessa data que se deu início à derradeira fase construtiva da estrutura militar, com actualização de dispositivos e renovação de alguns elementos.
O recinto tem a forma oval muito bem definida, e encontra-se protegido pela gigantesca torre de menagem quadrangular que apoia a defesa da porta principal. Do lado oposto da cerca, localiza-se uma segunda porta, de arco apontado e com vestígios de ter sido sobrepujada por alpendre ou sistema de madeira para apoio do adarve. Este tem acesso por escadarias longitudinais, em vários pontos da cerca, o que permitia uma rápida movimentação de tropas no interior do circuito.
Neste sistema, a torre de menagem desempenha uma activa função de defesa, projectando-se para o exterior da cerca, o que permite uma maior abrangência de tiro sobre a cerca e, no caso particular, sobre a porta principal. É de três andares, sendo o térreo cego e sem acesso directo. A entrada faz-se pelo interior da muralha, ao nível do adarve, por meio de porta sobrelevada de arco apontado. Neste andar, assim como no registo superior, os alçados voltados ao exterior integram apertadas frestas, faltando já o coroamento, que poderia apresentar outros dispositivos de defesa, como um terraço ameado. O seu aspecto compacto e maciço disfarça as escassas aberturas, mas reforça a monumentalidade e inexpugnabilidade do conjunto, cujo impacto cenográfico não poderia deixar de impressionar, numa paisagem pouco humanizada e certamente destituída de pontos de referência desta amplitude. O estatuto da torre como obra de propaganda por parte dos novos poderes é reforçado pela presença do brasão real português, colocado ostensivamente na face principal da Torre.



Pacificado o território, Vilar Maior decaiu de importância e começaram a sentir-se dificuldades de povoamento. Em 1440, numa época de clara litoralização do reino, a localidade albergou um couto de homiziados, numa clara tendência para inverter a desertificação. Em 1510, D. Manuel concedeu-lhe novo foral, mas não mais a povoação voltaria a ter a importância de outrora. Ponto de passagem durante as invasões francesas de inícios do século XIX, consta que foi incendiado e pilhado. Na actualidade, aguarda pela definição de um projecto de valorização, que terá, obviamente, de passar por uma prévia investigação arqueológica». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de Wikipédia e IGESPAR/JDACT

A Fortaleza de Sabugal. Beira Interior. «A localidade mantinha a anterior importância, agora acrescida pelas cláusulas do “Tratado de Alcanices”, que lhe impunham um estatuto de primeira fortaleza raiana. Neste contexto, Dinis I ergueu um castelo exemplar, moderno e espacialmente racionalizado»


Cortesia de igespar e jdact

«O Castelo do Sabugal, também referido como Castelo das Cinco Quinas devido ao formato incomum de sua torre de menagem, localiza-se na freguesia e concelho do Sabugal, no distrito da Guarda. Em posição dominante sobre a povoação, num pequeno planalto da serra da Malcata, controla a travessia do rio Côa na sua margem direita. Daí  a sua importância na antiguidade e na época medieval.
Reza a tradição que foi no largo deste castelo que se deu o famoso milagre das rosas tendo como protagonistas a Rainha Santa Isabel e o rei D. Dinis».

«As origens do Castelo de Sabugal encontram-se no reino de Leão, quando Alfonso IX detinha as terras de Riba-Côa. Nos séculos XII e XIII, a vila era a principal localidade desta vasta região, na medida em que controlava a ponte que permitia a passagem do rio Côa. Apesar desta circunstância de inegável importância, os primeiros dados seguros surgem apenas nos inícios do século XIII, quando o monarca leonês fundou a vila, por volta de 1224. Nos setenta anos seguintes, um primitivo reduto defensivo foi edificado a expensas do reino de Castela e Leão, fortificação que haveria de ser conquistada pelo monarca Dinis I em 1296, na sequência da ofensiva militar do nosso rei sobre as terras de Riba-Côa.
É a partir da transferência de soberania da vila que aparece o castelo gótico de Sabugal. A localidade mantinha a anterior importância, agora acrescida pelas cláusulas do Tratado de Alcanices, que lhe impunham um estatuto de primeira fortaleza raiana. Neste contexto, Dinis I ergueu um castelo exemplar, moderno, arquitectónica e espacialmente racionalizado. As obras principiaram pelo desimpedimento do núcleo central da vila, dentro das antigas muralhas leonesas, onde se erguiam algumas casas. Definido o perímetro, a opção foi por uma fortaleza de planta geométrica quase perfeita, delimitando um pátio sub-rectangular com torreões quadrangulares nos ângulos.
A radicalidade e modernidade deste projecto está bem espelhada na majestosa torre de menagem. Ao contrário dos castelos românicos, onde esta torre aparecia isolada dentro do recinto interior, a torre de menagem do castelo de Sabugal adossa-se a uma das muralhas e tem por objectivo a defesa activa da porta principal. Para além disso, ao contrário da secção quadrangular da estrutura, optou-se por uma torre pentagonal, herdeira das torres quinárias dos Templários e de Sancho I, cuja imponência se assumiu como uma das principais imagens da vila ao longo da sua história.
As muralhas do castelo foram igualmente tratadas de forma cuidada e bastante actual, de um ponto de vista operacional. Dois torreões circulares protegem um dos alçados e um largo adarve percorre todo o recinto quadrangular. Exteriormente, uma barbacã, possivelmente já do século XIV, circunda a fortaleza, obrigando ao estreitamento dos acessos e à progressiva individualização das forças inimigas, que ficam, assim, expostas ao tiro vertical.




A cerca que circunda a vila é, também ela, um produto gótico. De planta oval, e integrando grande parte do castelo, devem datar do século XIV, praticamente em simultâneo com a construção do reduto. A porta principal localiza-se na outra extremidade e, entre estes dois elementos, a Rua Direita assume-se como o principal eixo de circulação intra-muros.
À semelhança da maioria dos nossos castelos, também o de Sabugal foi objecto de várias reformas. No reinado do monarca Manuel I, os desenhos de Duarte de Armas mostram uma barbacã bem composta de tranoeiras, perfeitamente adaptada à guerra de artilharia. Nos séculos seguintes sucedem-se as obras, visando o reforço da estrutura, que ainda serviu de ponto de apoio às guerras peninsulares de inícios do século XIX. A partir daqui, perdida a função militar pelo progresso da arte da guerra, o castelo entrou em decadência. Se no século XVI existiam algumas casas no interior do pátio, em meados de Oitocentos este foi adaptado a cemitério da localidade, chegando mesmo, na viragem do século, a demolir-se a capela de Santa Maria, templo tutelar da fortaleza desde a época gótica.
As obras de restauro tiveram início pouco depois, após a constituição da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Esta instituição, desenvolveu aqui um programa de intervenção bastante ambicioso e integral, que teve por objectivo a reconstrução de grande parte do castelo medieval, desde as muralhas à colocação de merlões, obras que estão na origem da configuração actual do castelo». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de Wikipédia e IGESPAR/JDACT

sábado, 29 de junho de 2013

Dança. Olga Roriz. Teatro Garcia de Resende. Évora. «Algo ficou por fazer, tanto ficou por ser dito. Pretendo encontrar um outro estar, uma acumulação do mesmo mas sempre em renovação, jamais entendido. Ignorar os tabus, reescrever a história, acrescentar as referências e criar o momento»

Cortesia de rodrigosousa

«A Companhia de Dança Olga Roriz vem a Évora apresentar dois espectáculos no Teatro Municipal Garcia de Resende, intitulados Present in Progress e A Sagração da Primavera, sendo que o primeiro realiza-se no pf dia 3 de Julho e o segundo no dia 6 de Julho, ambos com início às 21h30. Present in Progress, com coreografia e interpretação de Olga Roriz e com duração de 20 minutos, é um encontro de dois gestos distintos, a dança e a pintura. Juntos e ao vivo, pintor e coreógrafa dialogam na sua solidão. A música é a única ligação entre eles, espacial e temporal. Ela move-se colada a uma tela branca. Ele está em pé em frente a uma mesa em branco, câmaras de vídeo, tintas, pincéis, papeis… O Movimento dela flutua entre as explosões de linhas e cores. O resultado é ora dramático, ora poético.


No segundo espectáculo, A Sagração da Primavera, Olga Roriz, após 36 anos de carreira como intérprete e 9 solos criados, lança-se pelo duplo desafio: a revisitação de uma obra maior como é A Sagração da Primavera e a insistência da sua longevidade como bailarina e intérprete. Poucos são no mundo os criadores que se propõem a coreografar esta obra, muito menos ainda os que aos 56 anos de idade dançam. Olga Roriz é a única intérprete/criadora no nosso país, e das poucas na Europa, que continua a transmitir pelo seu próprio corpo o seu legado coreográfico e artístico, continuando a construir, desenvolver e partilhar com o público a sua presença gestual e interpretativa ímpar. Em 2013 celebra-se o centenário da criação de A Sagração da Primavera por Nijinsky/Stravinsky e, após a sua primeira criação desta obra.


Olga Roriz confessa: Algo ficou por fazer, tanto ficou por ser dito. Pretendo encontrar um outro estar, uma acumulação do mesmo mas sempre em renovação, jamais entendido. Ignorar os tabus, reescrever a história, acrescentar as referências e criar o momento. Paixão, memórias e saber, manter-se-ão intactos, serão respeitados mas sem voz, sem espaço, sem presente. Corpo a corpo num confronto nunca pacífico. Estes espectáculos da Companhia de Dança Olga Roriz são uma organização do Cendrev no âmbito da Rede Culturbe, Braga, Coimbra e Évora, que conta com o apoio do Inalentejo e da Câmara Municipal de Évora». In C. M. de Évora

Cortesia da CMEvora/JDACT

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Exposição. O Território do Desenho. Os grandes formatos dos Anos 60. Museu Nacional Soares dos Reis. Mestre Ventura Porfírio. «Um criativo de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de criar e modular a opinião, e de abraçar a arte várias vezes no mesmo dia. Um abraço onde quer que esteja…»


Cortesia de wikipedia e jdact

Exposição. Amanhã, sexta-feira, dia 7 de Junho às 18h00 no Museu Nacional Soares dos Reis.

A Directora Geral do Património Cultural e a Directora do Museu Nacional Soares dos Reis convidam para a inauguração da Exposição do Mestre Ventura Porfírio. O Território do Desenho. Os grandes formatos dos Anos 60, comissariada por seu filho José Luís Porfírio. 

«Recebe uma bolsa do Grémio de Ação Municipal de Castelo de Vide e entra para o 2º ano da Escola de Belas Artes do Porto em 1926. Contacta com escritores como Alberto Serpa, José Régio e Adolfo Casais Monteiro; o estímulo e rivalidade de colegas como Dominguez Alvarez e o companheirismo e amizade de toda a vida com Augusto Gomes, Abel Moura ou Basto Fabião serão decisivos na sua formação. Participa na formação e nas ações do grupo Mais Além.
Entre 1935 e 1937 é bolseiro do Instituto de Alta Cultura, estudando em Madrid, Paris e Bruxelas. Em 1938 assume o cargo de Conservador do Palácio Nacional de Queluz, que desempenha até à sua reforma por motivo de doença em 1973.
Em 1956 obtém a 2ª medalha no Salão de Primavera da Sociedade Nacional de Belas Artes com um Auto-Retrato; em 1958 a obra Poeta de Deus e do Diabo, retrato de José Régio, marca um importante ponto de viragem na sua produção. Em 1959 inicia experiências de desenho abstracto, em diferentes formatos e técnicas que vão prolongar-se até 1976.
Entre 1983 e 1989, faz uma intervenção de fundo no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Castelo de Vide, destinado aos actos públicos mais importantes do Município. A sua intervenção engloba trabalhos de arquitctura, artes decorativas e pintura mural.
Por proposta da Câmara Municipal de Castelo de Vide, a Casa e Jardim do Pintor e Mestre Ventura Porfírio foi classificada em 2003 pelo IGESPAR como de Interesse Municipal». In CM de Castelo de Vide e Wikipédia.



Após a Exposição na Fundação de Nossa Senhora da Esperança, no ano de 2012, o Museu Nacional Soares dos Reis convida-nos para a inauguração da Exposição do Mestre Porfírio. O Território do Desenho. Os grandes formatos dos Anos 60.

A saudade de um amigo.

A amizade de RR

JDACT

sábado, 2 de março de 2013

A Fortaleza de Penamacor. Beira Interior. «Sabe-se que no reinado de Dinis I foram empreendidas obras de amuralhamento, entre as quais se conta a torre de menagem e alguns panos de muralha. No momento actual, todavia, é a esse período que se atribui a obra genérica do castelo medieval»


jdact e cortesia de igespar

Castelo templário, na linha beirã, ergue-se num cabeço rochoso entre a ribeira de Ceife e a ribeira das Taliscas, afluentes do rio Ponsul, que, por sua vez, desagua no rio Tejo. O castelo e a fortaleza de Penamacor foram classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 1973.


«As origens do castelo de Penamacor recuam ao reinado de Sancho I, concretamente ao ano de 1189, data em que o monarca doou a vila ao Mestre da Ordem do Templo, Gualdim Pais. Tem-se atribuído a este momento, ou a uma data um pouco posterior, o início da construção do recinto fortificado mas é de supor que, à semelhança do que aconteceu com outras doações aos Templários, também Penamacor tivesse já alguma relevância militar, alicerçada numa possível pré-existência. As recentes escavações no Cimo da Vila ainda não confirmaram essa fase imediatamente anterior, mas ela deve permanecer como hipótese de trabalho a ter em conta em próximas intervenções. Do antigo castelo medieval é muito pouco o que resta e esses vestígios atestam uma cronologia já avançada, em plena Baixa Idade Média. Sabe-se que no reinado de Dinis I foram empreendidas obras de amuralhamento, entre as quais se conta a torre de menagem e alguns panos de muralha. No momento actual, todavia, é a esse período que se atribui a obra genérica do castelo medieval, com algumas fases construtivas imediatamente posteriores, como a barbacã e outros elementos, datáveis já dos reinados de Fernando e de João I. O principal elemento remanescente é a majestosa torre de menagem, erradamente designada de vigia e sistematicamente assim caracterizada pelos autores que se seguiram. É uma estrutura de planta quadrangular regular, com entrada elevada acima do solo que requeria o uso de uma escada amovível. Escassamente fenestrada, era coroada uniformemente por balcão de matacães assente em cachorrada, uma solução militar relativamente rara em Portugal e que deve corresponder a uma intervenção realizada pelos inícios do século XVI, uma vez que Duarte d'Armas, por essa mesma altura, refere que a:
  • a torre de menagem nom era acabada ao tempo que eu aly estaua.
O aglomerado urbano medieval é ainda perceptível, ao longo da Rua de São Pedro. As parcelas habitacionais aí existentes revelam um perímetro genérico de tendência oval, próprio das vilas muralhadas góticas. Sensivelmente ao centro desta artéria, desenvolve-se uma outra, de perfil transversal àquela, e que coloca em comunicação com o centro histórico a antiga entrada da alcáçova. Nos inícios do século XVI, Duarte d'Armas desenhou um castelo de complexo sistema defensivo, com uma alcáçova perfeitamente perceptível, dotada de barbacã e uma possível liça, e um perímetro amuralhado de tendência oval, defendido por torre no extremo oposto ao da alcáçova. Nos séculos seguintes, o castelo foi alvo de profundas reformas. Logo em 1568 edificou-se a Casa da Câmara sobre a porta Norte da vila, como ainda se encontra, uma espécie de torre de três pisos, cujo andar térreo é ocupado pela entrada no recinto, fazendo com que a Câmara controlasse directamente quem entrava e saía da povoação. Décadas depois, as muralhas foram reforçada e parcialmente reconstruídas, no âmbito das Guerras de Restauração. Nessa ocasião, sob o comando do marquês de Castelo Melhor, construíram-se seis baluartes em redor da anterior fortificação medieval, e outros melhoramentos foram realizados. O processo de destruição e desmantelamento do castelo iniciou-se no século XIX. Na centúria anterior, existem ainda notícias de manutenção das guarnições militares, mas a sua extinção, em 1834, precipitou a destruição de todo o sistema militar. A partir dessa altura, o conjunto serviu de pedreira a diversas construções privadas. Em 1867, destruiu-se a porta de Santo António, tendo o município adquirido a pedra daí resultante; em 1874, Baltasar Pereira da Silva pediu autorização para se desmantelar um baluarte, tendo a câmara concedido 30 carros para transporte. O processo continuou na primeira metade do século XX, mas cedo os habitantes da vila reconheceram a importância desse património, com a instalação do Museu Municipal nos antigos Paços do concelho logo em 1943. In PAF, IGESPAR.




Um Mito
«Correndo o ano de 1584, sendo ainda vivas na população portuguesa as feridas de Alcácer Quibir, a população de Penamacor acreditou na legitimidade de um impostor que se fez passar pelo infortunado monarca Sebastião (1568-1578). Mesmo sem a idade e nem as características físicas do soberano, o impostor, o primeiro de diversos no mito do Sebastianismo fazendo-se passar pelo soberano misteriosamente regressado, chegou à vila narrando vívidos detalhes da batalha, complementados por uma algaravia interpretada pela simplicidade e credulidade dos habitantes como frases no idioma árabe. Sendo desse modo acolhido pela população, formou uma pequena corte onde pontificavam dois cúmplices: um auto-proclamado bispo de Braga e outro que se denominava como Francisco de Távora. Acolhiam as dádivas da comunidade quando as autoridades do reino intervieram, detendo o impostor e seus cúmplices. Conduzidos a Lisboa, foram julgados e sentenciados, o primeiro, às galés perpetuamente (das quais se evadiu anos mais tarde) e os cúmplices, à morte». In Wikipédia.



Cortesia de IGESPAR/Wikipédia/JDACT

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A Fortaleza de Monsanto. Beira Interior. «De um Românico tardio, já trecentista, é o mais eloquente testemunho do bairro residencial intra-muralhas, que Duarte de Armas desenhou, e que, no século XVIII, possuía ainda vinte fogos, mas que acabou por ser abandonado»

 
jdact, cortesia de wikipedia e igespar

«Sabe-se muito pouco acerca das origens do castelo de Monsanto. Apesar de, durante muito tempo, se ter considerado a existência de um castro proto-histórico, posteriormente romanizado, a verdade é que, à excepção da vila de São Lourenço, no sopé do monte, nada mais apareceu que relacione esta fortaleza com um passado pré-medieval. De resto, as informações concretas só aparecem no reinado de Afonso Henriques, altura em que Monsanto desfrutou de uma posição privilegiada de fronteira. Face a Leão mas, principalmente, frente aos Almóadas, o nosso primeiro monarca passou-lhe foral em 1174, numa altura em que o retrocesso cristão se fazia já sentir.
Neste mesmo contexto, Monsanto e Idanha foram doados à Ordem dos Templários, encarregues de efectivar a defesa da capital do reino, Coimbra, pelo Sul e pelo Leste. A fortificação por eles erguida não chegou até aos nossos dias. Com certeza seria um castelo plenamente românico, com torre de menagem isolada no centro do recinto interior, como as fortalezas templárias contemporâneas de Tomar, Almourol ou Pombal.
Duarte de Armas, nos inícios do século XVI, desenhou um castelo com cinco torres, sendo uma, a central e mais alta, de menagem. Infelizmente, de todas essas, apenas uma, a Torre Atalaia, ou Torre do Pião, se mantém parcialmente, assim como modificada foi a estrutura que protegia a entrada principal, ao que tudo indica um cubelo redondo. Também a cintura de muralhas foi bastante adulterada, não restando troços significativos da estrutura medieval.



Para estas alterações, muito contribuíram as guerras peninsulares, nos inícios do século XIX. Enquanto que a história da aldeia de Monsanto foi a de uma descida persistente da população, em busca de melhores condições, o castelo permaneceu, durante largos séculos, como uma das mais impressionantes estruturas militares da Beira Interior, cuja relevância militar não passou despercebida a sucessivos exércitos. Em 1813, o major Eusébio Cândido Furtado deixou-nos uma relação dos trabalhos efectuados. Por ela apercebemo-nos da amplitude desta reforma:
  • demolição de cinco torres;
  • construção de três novas baterias para protecção da entrada;
  • construção de um baluarte paralelo à muralha;
  • aproveitamento da igreja do interior do recinto para armazém, etc.
Anos depois, a explosão do paiol, no interior do castelo, e o desabamento de um rochedo granítico, que arrastou parte da muralha, foram determinantes para a destruição da fortaleza templária. Por esta caracterização sumária, facilmente se compreende como o aspecto actual do castelo pouco tem que ver com o período medieval. A fortaleza original, organizada em dois recintos, a alcáçova e a cerca que limitava o primitivo núcleo populacional, possuía outros tantos templos. No interior, a igreja de Santa Maria, edifício que chegou até nós como uma obra barroca demasiado adulterada. No exterior, perto da entrada principal, a pequena capela de São Miguel, modesto templo de nave única, que chegou até hoje como uma quase-ruína, destelhado e com acentuado desgaste de cunhais e de paredes.




De um Românico tardio, já trecentista, é o mais eloquente testemunho do bairro residencial intra-muralhas, que Duarte de Armas desenhou, e que, no século XVIII, possuía ainda vinte fogos, mas que acabou por ser abandonado, por se situar demasiado longe dos locais de abastecimento. À entrada, e sem aparente relação com este templo, um conjunto de sepulturas escavadas na rocha, bastante destruído, poderá, um dia, vir a confirmar uma ocupação humana medieval anterior ao reinado de Afonso Henriques». In PAF, IGESPAR.


A lenda da Santa Cruz
«O castelo está ligado à tradição da principal celebração de Monsanto, a Festa da Santa Cruz. Originalmente uma tradição profana ligada ao ciclo da Primavera, foi cristianizada e associada ao lendário cerco do castelo, segundo algumas versões pelas tropas do pretor Lúcio Emílio Paulo em fins do século II a. C., segundo outras a um ataque dos mouros por volta de 1230, ou até posteriormente durante as lutas com Castela. Em qualquer hipótese, os inimigos sitiantes procuraram vencer pela fome os defensores do castelo. A tradição refere que o cerco se prolongava já por sete longos anos, quando intramuros restavam apenas uma vitela magra e um alqueire de trigo. Uma das mulheres sugeriu então um estratagema desesperado para iludir o inimigo. Alimentaram a vitela com o último trigo, lançando-a com alarde por sobre os muros do castelo, na direção dos sitiantes. Despedaçando-se contra as rochas, do ventre da vitela espalhou-se o trigo, abundantemente. Com essa manobra, o inimigo entendeu que os defensores ainda se encontravam milagrosamente providos de alimento, protegidos pela providência divina, levantando o cerco e se retirando da região.


O episódio é atribuído a um dia 3 de Maio, dia da Santa Cruz, razão pela qual nesta data, anualmente, as mulheres do povoado se vestem com as suas melhores roupas e, ao som de adufes e canções populares, agitando marafonas, bonecas, coloridas com armação em cruz, algumas com potes caiados de branco, decorados e cheios de flores à cabeça, partem da povoação em direcção ao castelo. No interior do castelo, do alto das muralhas, os potes brancos, simbolizando a vitela, são lançados em direção ao exterior, revivendo simbolicamente o episódio da salvação da vila».

O castelo e as muralhas de Monsanto encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 29 de Setembro de 1948.

Cortesia de IGESPAR/Wikipédia/JDACT

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Fortaleza de Penha Garcia. Beira Interior. «No século XVI, com a integração das ordens militares à Coroa, voltou novamente à posse régia. Encontra-se retratado por Duarte de Armas, Livro das Fortalezas, c. 1509, tendo a vila recebido Foral Novo passado por Manuel I (1495-1521) em Santarém, a 1 de Junho de 1510»

jdact
 
«O castelo situa-se na encosta sul da Serra de Penha Garcia, sobranceiro ao Rio Ponsul, onde existe também uma barragem, oásis de frescura nas tardes quentes de verão. Conquistada pelo rei de Portugal em 1220, a localidade de Penha Garcia foi sede de concelho até ao século XIX. O que hoje temos à vista nas ruínas do seu castelo é digno de visita e ainda evidencia a importância da terra ao longo dos séculos. Perto de Penha Garcia situam-se as aldeias históricas do Monsanto e Idanha-a-Velha, ambas com castelos dignos de visita.
A construção do castelo de Penha Garcia deve-se a Sancho I, embora existam vestígios que remontam ao período romano e outros muito anteriores. Do período pré-histórico há conhecimento de vários testemunhos tais como castros, antas e diversos utensílios. Em 1256, o rei Afonso III concede foral a Penha Garcia. Nos princípios do século XIV a vila é doada aos Templários. Destes passa para a Ordem de Cristo e no século XVI volta à posse do rei. Na Igreja Matriz, reconstruída recentemente, existem vestígios da anterior igreja que em 1515 já aparecia em desenhos da época. No seu interior uma raríssima imagem gótica, em pedra de Ançã, da Senhora do Leite, com uma inscrição que a permite datar: 1469. 


No século XVI, com a integração das ordens militares à Coroa, voltou novamente à posse régia. Encontra-se retratado por Duarte de Armas, Livro das Fortalezas, c. 1509, tendo a vila recebido Foral Novo passado por Manuel I (1495-1521) em Santarém, a 1 de Junho de 1510.


O rio Ponsul, depois de atravessar a crista quartzítica em Penha Garcia, concentra ouro nos seus depósitos aluvionares. As explorações, a céu-aberto, de ouro, provavelmente romanas e medievais, têm, ainda hoje, vestígios bem patentes na região das Termas de Monfortinho, nos depósitos aluvionares cascalhentos. Na passagem pelo apertado vale escavado nos duros quartzitos, o rio permitiu a utilização da energia hidráulica nas muitas azenhas, que, neste momento, estão quase todas recuperadas. Recentemente, o estreito vale do rio Ponsul, de vertentes rochosas, permitiu a a instalação estratégica da barragem de Penha Garcia, cuja albufeira permite abastecer de água toda a região envolvente». In Wikipédia.


Cortesia de Wikipédia/JDACT

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Deveres dos Enfermeiros em 1935. Ditadura do Estado Novo. Um Documento. «Os deveres dos enfermeiros, de acordo com um documento de 12 de Fevereiro de 1935, do antigo Hospital de Alpalhão. Da mesma Ordem de Serviço, os deveres das enfermeiras e os direitos dos enfermos»

Cortesia de wikipedia

Um documento curioso. Comportamento ou Rigor…
Agradecimento ao amigo JR

«O documento, ou Ordem de Serviço, pode ser apreciado no antigo Hospital de Alpalhão, no Largo do Terreiro, actual Museu de Arte Sacra. É um documento datado de 12 de Fevereiro de 1935, para ser cumprido, e que define as funções do Enfermeiro. Atentem nelas:
"O Enfermeiro tem a seu cargo o tratamento dos doentes do sexo masculino, responde por todos os actos e omissões que se derem na enfermaria onde eles estiverem recolhidos e cumpre-lhes:
  • 1º - Assistir às visitas do facultativo e dar imediato cumprimento ao que por ele for ordenado sobre o tratamento dos doentes;
  • 2º - Tratar os doentes com o devido carinho e zêlo e acudir prontamente ao seu chamamento prestando-lhes os serviços que eles reclamarem e necessitarem;
  • 3º - Ir buscar as refeições à cozinha a horas próprias e ministrar-lhes aos doentes, restituindo em seguida quaisquer sobras à cozinheira;
  • 4º - Compôr diariamente as camas aos doentes e fazer todo o serviço de limpeza da respectiva enfermaria, menos o da lavagem das casas e caiação das paredes que será custeado pela Misericórdia e oportunamente ordenado pela Mesa Administrativa;
  • 5º - Abrir e fechar as portas do Hospital;6º - Fazer lavar, oportunamente e concertar a roupa para uso dos doentes do hospital;
  • 7º - Dar imediatamente parte do óbito de qualquer doente a seu cargo;
  • 8º - Cumprir fielmente todas as ordens que em matéria de serviço, lhe sejam dadas pelos seus superiores.
Deveres das enfermeiras no Estado Novo
Acima publicámos “os deveres dos enfermeiros”, de acordo com um documento de 12 de Fevereiro de 1935,do antigo Hospital de Alpalhão. Da mesma Ordem de Serviço, reproduzimos, os "deveres das enfermeiras" e os "direitos dos enfermos".

Deveres das Enfermeiras
Além das obrigações do enfermeiro, compete-lhes fazer a cozinha para os doentes, às horas regulamentares e prescritas pelo facultativo.
  • 1º Conservar sempre no maior asseio possível a louça, vasilhame e utensílios da cozinha;
  • 2º Tem a seu cargo os doentes do sexo feminino e responde por todos os actos ou omissões que se derem na enfermaria onde estes estiverem recolhidos.
Direitos dos Enfermos
  • 1º Teem direito a que se deem medicamentos para eles e para os filhos que com eles vivam;
  • 2º A um quarto onde possam estabelecer à sua custa, uma cama;
  • 3º A utilizar-se da cozinha para prepararem os alimentos exclusivamente destinados para eles e sua família que com eles viva e nunca para pessoas estranhas ao Hospital, preferindo sempre o serviço de cozinha para os doentes;
  • 4º A que se lhe forneça a luz indispensável para iluminação do seu quarto de dormir.
In Alpalhão, em 12 de Fevereiro de 1935.


A amizade do JR.
O CM terá conhecimento deste texto… original?
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