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sábado, 9 de abril de 2011

TEMÁTICA, a Maçonaria: Parte V. Oliveira Marques sobre a Maçonaria. «Conhecimento filosófico, 4º. Grau: Mestre Secreto - o maçom aprende as virtudes do Silêncio. Avança no conhecimento de símbolos utilizados; 5º. Grau: Mestre Perfeito - Aprende-se a meditação interior, o princípio moral de render culto à memória de honrados antepassados e completa o conhecimento dos graus anteriores...»

Cortesia de cabalamaconaria 

Graus
«Teoricamente, deveria haver cerimónias de iniciação em cada, um dos graus da hierarquia maçónica. Na prática, respeita ao Rito Escocês, com os seus 33 graus. Estas cerimónias só se efectuam nos mais importantes, por exemplo no 2.º, no 3.º, no 15.º, no 18.º, no 30.º e no 33º, processando-se a passagem a outros graus por decisão e comunicação das autoridades supremas da Maçonaria. Pode ainda tal elevação ser feita com dispensa dos chamados graus intermédios. O Rito Escocês, em Portugal, compõe-se, como foi dito, de 33 graus, cuja ascensão, para cada obreiro, simboliza o gradual aperfeiçoamento no conhecimento dos números e de si próprio. Esses 33 graus têm nomes simbólicos ligados a uma tradição remota e fixada no século XVIII:

O aprendiz maçom está dividido por etapas. Cada etapa é desenvolvida numa Câmara própria, com seus respectivos graus. São elas:
  • Lojas Simbólicas (do 1º. ao 3º. grau),
  • Lojas de Perfeição (do 4º. ao 14º. grau),
  • Capítulos (do 15º. ao 18º. grau),
  • Conselhos de Kadosch (do 19º. ao 30º. grau),
  • Consistórios (31º. e 32º. graus),
  • Supremo Conselho (33º. grau).

Cortesia de omapadomaroto
Conhecimento de si próprio
1º. Grau: APRENDIZ - O Aprendiz deve, acima de tudo, saber aprender. É o primeiro contacto com o Simbolismo Maçónico. Aprende as funções de cada um no templo e sempre busca o desenvolvimento das virtudes e a eliminação dos vícios. Muitos maçons antigos afirmam que este é o mais importante de todos os graus.
2º. Grau: COMPANHEIRO - A fase de Companheiro propicia ao maçom um excepcional conhecimento de símbolos, além de avanços ritualísticos e desenvolvimento do carácter.
3º. Grau: MESTRE - É o chamado grau da plenitude maçónica. No âmbito do Simbolismo (Lojas Simbólicas) é o grau mais elevado que permite ocupar quaisquer cargos. O Mestre possui conhecimentos elevados da história e objectivos maçónicos.

Cortesia de sociedadesocultas 

Conhecimento filosófico
4º. Grau: MESTRE SECRETO - Neste grau, além de outros conhecimentos, o maçom aprende as virtudes do Silêncio. Avança, fantasticamente, no conhecimento de símbolos utilizados na Maçonaria em geral.
5º. Grau: MESTRE PERFEITO - Aprende-se no 5º. grau a meditação interior. Privilegia este grau, o princípio moral de render culto à memória de honrados antepassados. Completa o conhecimento dos graus anteriores.
6º. Grau: SECRETÁRIO ÍNTIMO ou MESTRE POR CURIOSIDADE - É dedicado à necessidade de se buscar o conhecimento, sem o qual não há progresso. Contudo, adverte para a vã curiosidade, capaz de gerar malefícios. Investiga-se a miséria social e as maneiras de combatê-las, dentre outras coisas.
7º. Grau: PREBOSTE E JUIZ ou MESTRE IRLANDÊS - Neste grau estuda-se a equidade, os princípios da Justiça, o Direito Natural e alguns princípios éticos da liderança.
8º. Grau: INTENDENTE DOS EDIFÍCIOS ou MESTRE EM ISRAEL - Dedica-se a estudar a fraternidade do homem através de valores como o trabalho e o direito à propriedade. Combate à hipocrisia, à ambição e à ignorância.
9º. Grau: MESTRE ELEITO DOS NOVE - Estuda-se a realidade dos ciclos, as forças negativas e a força da reconstrução.
10º. Grau: MESTRE ELEITO DOS QUINZE - Estuda-se a extinção de todas as paixões e as tendências pouco proveitosas, censuráveis.
11º. Grau: SUBLIME CAVALEIRO ELEITO ou CAVALEIRO ELEITO DOS DOZE - Dedica-se à regeneração.
12º. Grau: GRÃO-MESTRE ARQUITECTO - Estuda o poder da representação popular.
13º. Grau: CAVALEIRO REAL ARCO - Estuda os magos pontífices do Egito e de Jerusalém.

Cortesia de msmacom 

Conhecimento do Universal pelo Amor
14º. Grau: GRANDE ELEITO ou PERFEITO E SUBLIME MAÇOM - É o grau mais alto das Lojas de Perfeição. Proclama o direito inalienável da liberdade da consciência. Defende uma educação digna para que o homem possa ter governantes que assegure direitos e obrigações compatíveis.
15º. Grau: CAVALEIRO DO ORIENTE - Dedica-se à luta incessante para o progresso pela razão.
16º. Grau: PRÍNCIPE DE JERUSALÉM - Estuda a vitória da liberdade como consequência da coragem e perseverança.
17º. Grau: CAVALEIRO DO ORIENTE E DO OCIDENTE - Explora o Direito de reunião.
18º. Grau: CAVALEIRO ROSA-CRUZ - É dedicado ao triunfo da Luz sobre as Trevas. É a libertação pelo Amor.

Cortesia de symbolom

Realização da ordem Humana em harmonia com o universal
19º. Grau: GRANDE PONTÍFICE - Fala sobre o triunfo da Verdade, estuda o pontificado.
20º. Grau: MESTRE AD VITAM - É consagrado aos deveres dos Chefes das Lojas Maçónicas.
21º. Grau: NOAQUITA ou CAVALEIRO PRUSSIANO - Estuda os perigos da ambição e o arrependimento sincero.
22º. Grau: CAVALEIRO DO REAL MACHADO ou PRÍNCIPE DO LÍBANO - Estuda o trabalho como propagador de sentimentos nobres e generosos.
23º. Grau: CHEFE DO TABERNÁCULO - Dedica-se à vigilância dos valores propagados pela Ordem e ao combate da superstição.
24º. Grau: PRÍNCIPE DO TABERNÁCULO - Dedica-se à conservação das doutrinas maçónicas.
25º. Grau: CAVALEIRO DA SERPENTE DE BRONZE - Dedica-se ao combate ao despotismo.
26º. Grau: PRÍNCIPE DA MERCÊ ou ESCOCÊS TRINITÁRIO - Estuda princípios de organização social através da Igualdade e Harmonia.
27º. Grau: GRANDE COMENDADOR DO TEMPLO - Defende princípios de governo democrático.
28º. Grau: CAVALEIRO DO SOL ou PRÍNCIPE ADEPTO - Estuda a Verdade.
29º. Grau: GRANDE ESCOCÊS DE SANTO ANDRÉ - É dedicado à antiga Maçonaria da Escócia.
30º. Grau: CAVALEIRO KADOSCH - Fecha o ciclo de estudos no Kadosch. É um grau de estudos profundos a respeito do Simbolismo e Filosofia Maçónicos.


Cortesia de andreia-andreiavieira
Graus Administrativos
31º. Grau: GRANDE JUIZ COMENDADOR ou INSPECTOR INQUISIDOR COMENDADOR - Estuda o exame de consciência detalhado. Só os conscientes podem ser justos. Estuda-se História.
32º. Grau: SUBLIME CAVALEIRO DO REAL SEGREDO: Estuda o poder militar.
33º. Grau: SOBERANO GRANDE INSPECTOR GERAL: É o último grau. Fecha o ciclo de estudos. É, em última análise, o maçom mais responsável ( pois todos o são!) pelos destinos da Maçonaria no país (no que tange ao Filosofismo). É o guardião, mestre e condutor da Maçonaria.

NOTA: O objectivo foi dar uma visão geral de cada um dos graus. Evidentemente os mesmos tem muito mais conteúdo do que foi comentado. Bons livros de Maçonaria, dedicados ao público em geral, podem, com certeza, subsidiar de forma mais apropriada àquele que pretenda saber mais. Há livros que comentam quase tudo da Maçonaria.

In A. H. Oliveira Marques, A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo, Publicações Dom Quixote, 2ª Edição 5 O 797, Maio 1983.
Cortesia de Publicações Dom Quixote/JDACT

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

TEMÁTICA, a Maçonaria: Parte III. Oliveira Marques sobre a Maçonaria. «O ritual maçónico compreende uma série de cerimónias, sinais, toques e palavras, ilustrando-se mediante paramentos, objectos e outros elementos decorativos de grande riqueza emblemática»

Cortesia de oliveiramarquestripod
Ritual
«A forma da Maçonaria é ritualista, reza o artigo 2.º da Constituição Portuguesa de 1926. Eis a caraeterística maçónica que mais contribui para afastar e para atrair os profunos, para justificar acusações de arcaísmo, atitudes de mofa e de superior condescendência ou, pelo contrário, para suscitar interesses pueris de curiosidade e de mistério. Nos muitos livros e artigos escritos sobre Maçonaria por autores profanos, é o ritual - mais ou menos adulterado, quando não totalmente falsificado que aparece sempre como prato de resistência, como razão de ser desses mesmos livros e artigos. Não apenas se vicia a descrição de cerimónias e sinais de reconhecimento - transformados, muitas vezes, em grotescas cenas de carnaval ou em macabros actos aparentados com a magia negra - como também se truncam e acrescentam textos, fazendo-os dizer e significar coisas que nunca disseram nem significaram.

Cortesia de oliveiramarquestripod

Não se esqueça, para começar, que toda a nossa vida se desenrola sob o signo do ritual. Quase todos os actos de cortesia e de civilidade são ritualistas, embora tenhamos, de há muito já, esquecido o seu significado de origem. Levantar o braço com o punho cerrado ou transportar uma bandeira numa manifestação política são actos de ritual. Fazer a continência ou levar aos lábios o punho da espada são actos de ritual. Usar amuletos, medalhas e emblemas, sejam eles de carácter religioso ou político, traduzem atitudes de simbolismo ou ritualismo que normalmente não levamos em conta. Qualquer cerimónia religiosa cristã ou pagã, a missa, por exemplo, é um conjunto de ritos mais ou menos consciencializados. E os exemplos multiplicar-se-iam para lembrar ao leitor que o ritual maçónico é apenas mais um entre os muitos rituais que abundam e se entrecruzam nas nossas vidas quotidianas.

Por outro lado, o ritual da Maçonaria, para além do seu significado histórico e moral, que todo o maçon deve conhecer com rigor, tem-se simplificado com o andar dos tempos e tende a simplificar-se ainda mais, exactamente como os rituais cristãos se simplificaram e dia a dia se vão desformalizando as políticas do nosso viver civil.

Cortesia de emule
Há, é certo, na Maçonaria, uma corrente espiritualista assaz poderosa, que vê no ritual muito mais do que um conjunto de símbolos e de políticas simbólicas de fácil explicação racionalista, os quais, levando a depuração e a simplificação formalistas, próprias da nossa época, às suas ultimas consequências, se poderiam em última análise abolir por completo sem com isso ser tocada a essência da Ordem. Para essa corrente, a Maçonaria dispõe de um método próprio para a pesquisa da Verdade, admitindo-se, consequentemente, a existência de uma Verdade absoluta, a chamada iniciação temática. Mediante a iniciação, o indivíduo é levado, ao autêntico Conhecimento por uma iluminação, o interior, projecção e apreensão no centro do Eu humano da luz transcendente (R. Naudon). Nestes termos, «a iniciação real deve distinguir-se cuidadosamente das iniciações simbólicas que são apenas imagens suas». Para autores como estes, o método iniciático é uma via essencialmente intuitiva, utilizando a Maçonaria símbolos para provocar a tal «iluminação» por aproximação analógica. Naudon afirma que é difícil «clarificar os símbolos maçónicos em linguagem usual sem lhes falsificar o sentido profundo e o valor». A partir do método analógico da via iniciática, explica o mesmo autor a lei do silêncio maçónico, que interpreta como sendo, simultaneamente, de ordem simbólica e iniciática. «Só o silêncio - diz, por seu turno, C. Chevillon - pode permitir-nos entender a via subtil das essências». «Os verdadeiros segredos da Maçonaria são, aqueles que não se dizem ao adepto e que ele deve aprender a conhecer pouco a pouco, soletrando os símbolos». Ou ainda «o que-se transmite pela iniciação não é o segredo em si, o qual é incomunicável, mas a influência espiritual que tem por veículos os ritos» (R. Guenon).

Cortesia de primeirovigilante
Esta interpretação religiosa e metafísica da Maçonaria está, no entanto, longe de ser aceite por todos ou, porventura pela maioria dos maçons. Espécie de nostalgia do cristianismo ou até dos cultos herméticos do passado pagão, leva a conceber a Ordem como uma nova igreja, expressão já utilizada pelo escritor francês Jules Romains. Ela depara, todavia, com a forte resistência de todos aqueles que vêem na Maçonaria apenas uma instituição laica, racionalista e progressiva, sempre na vanguarda do conhecimento humano e nas conquistas sociais e políticas da Humanidade. Para estes, uma Maçonaria religiosa e baseada em métodos que consideram não científicos está votada ao desaparecimento ou à inutilidade. Defendendo embora o ritual e advogando até a sua prática rigorosa como cimento indispensável à unidade todos numa ligação com o passado o que não exclui ritos indispensáveis e inadiáveis, rejeitam toda a explição desse mesmo ritual que não seja puramente simbólica e nacionalista. Só dessa maneira, alegam, pode a Maçonaria alargar e diversificar as suas fileiras, integrando nelas adeptos de credos religiosos variados e filosofias políticas ateias. Esta foi-sempre, também, a corrente tradicional da Maçonaria portuguesa. Relembre-se o artigo 2.º da Constituição maçónica de 1926: «A forma da Maçonaria é ritualista».

Cortesia de gremiolusitano
A forma, apenas, e não a essência.
O ritual maçónico compreende uma série de cerimónias, sinais, toques e palavras, ilustrando-se mediante paramentos, objectos e outros elementos decorativos de grande riqueza emblemática. Funde tradições que remontam à mais alta Antiguidade com outras bem mais modernas, de há cem ou menos anos. Pode, no entanto, dizer-se que a sua parte mais importante foi constituída nos séculos XVIII e XIX». In A. H. Oliveira Marques, A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo, Publicações Dom Quixote, 2ª Edição 5 O 797, Maio 1983.
Cortesia de Publicações Dom Quixote/JDACT