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domingo, 6 de maio de 2012

Senhor Jesus dos Aflitos. Origens (1713 - 1845). Fortios. Portalegre. «Com a luz do “Documento 21”, tentei penetrar neste “silêncio”, que tem escondido o “facto”, nas origens. Até aos nossos dias, o “silêncio” sobre o “facto inicial” era quebrado apenas pelas “lendas”, que recolhi junto de pessoas ligadas ao lugar…»



jdact

In Memoriam de MLAC

O silêncio dos primórdios. O facto e a lenda.
«Até hoje, com base em documentos, em relação à origem da devoção ao “Senhor Jesus dos Aflitos”, não foi possível recuar além do período de l713 - 1720. Por estes anos, é-nos atestado o “facto”. O que eventualmente esteve para trás permanece envolvido no “silêncio”. Com a luz do “Documento 21”, tentei penetrar neste “silêncio”, que tem escondido o “facto”, nas origens. Até aos nossos dias, o “silêncio” sobre o “facto inicial” era quebrado apenas pelas “lendas”, que recolhi junto de pessoas ligadas ao lugar, porque os documentos do arquivo da confraria, aos quais agora dou vida, permaneceram adormecidos e esquecidos noutro silêncio e sono prolongados.
A lenda deve ser compreendida como um “género literário” próprio para transmitir ou explicar dados realmente históricos, cujos traços exactos, na sua origem, ficaram sepultados na obscuridade da noite e da distância no tempo. Não se trata de ‘patranhas’ inventadas, mas de “história” bem real, cujos contornos escaparam a quem os vive agora e que quem a viu nascer nunca pensou em legar aos vindouros senão pela própria vivência. É o facto que explica a lenda e não a lenda que cria o facto.
Só o facto, fosse ele qual fosse, embora envolvido no silêncio, explicava as manifestações indesmentíveis de fé e de religiosidade popular, em que gerações e gerações de peregrinos participavam. E estas, à medida que o cordão umbilical mais se estendia, distanciando-se da origem, por necessidade natural, apresentaram explicações plausíveis e compreensíveis de todos, impregnadas de roupagem valiosa, mas não histórica. Para tais gerações, o importante não era a roupagem, mas sim o “facto” que, ano após ano, tinham diante dos seus olhos. É isto a lenda.
O conteúdo nuclear da lenda deve ser tido em conta; é assunto que “deve ser lido”». In Bonifácio Bernardo, Senhor Jesus dos Aflitos, Origens 1713 – 1845, Edições Colibri, 2000, ISBN 972-772-145-1.



Cortesia de Ed. Colibri/JDACT

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Imagens do Gerês de há Cem Anos. Pires de Oliveira. «Não se limitando ao ensino correu o país e as colónias estudando e recolhendo espécies. Em 28 de Maio de 1918 foi dado o seu nome ao Museu, Laboratório e Jardim Botânico da Universidade de Coimbra»

jdact

Separata de ‘Terras de Bouro. O Homem e a Serra’. Série Cadernos Culturais nº 2

«Este texto ilustrado que hoje apresentamos é mais uma achega que queremos trazer para o conhecimento da gravura de madeira oitocentista portuguesa como fonte imprescindível da iconografia urbana ou rural. E ao mesmo tempo mais um elemento para a luta pela preservação da nossa Memória, do nosso Património Natural e Cultural.
São poucas as gravuras, mas o Gerez é um sítio longínquo de Lisboa, onde tudo se decide. E se hoje é assim, há cem anos era muito, muito, pior. Eu sei que o Gerês é um local mítico deste nosso Portugal; que já no século XVIII se falava das suas antiguidades romanas e que no século seguinte foi visitado por estrangeiros. Mas não nos podemos esquecer que as estradas eram fracas e os transportes ainda piores.

Para encontrarmos este artigo corremos todas as revistas ilustradas, de grande ou pequena tiragem, do século passado. Mas não nos devemos admirar, repito, com tão grande alheamento; se formos a folhear essas revistas descobriremos que os locais que divulgaram são apenas os mais centrais ou algum edifício de características monumentais ou de grande qualidade artística. No Minho podemos dizer que nem sequer afloraram qualquer momento, parcela, paisagem ou monumento de Melgaço, Cerveira, Paredes de Coura, Vila Verde, Esposende, Amares, Celorico etc. !

Serra do Gerês, rio Caldo, junto das Caldas. Foto de Júlio A. Henriques
‘O Ocidente’, 11Mar1886, p. 57
Cortesia da cmdeterrasdebouro

É que para fazer um artigo era preciso que alguém estivesse disposto a correr léguas e incómodos e, ou levasse máquina fotográfica, então coisa só de iniciados, ou fosse acompanhado de um desenhador.
No caso deste texto o autor foi o professor Júlio Augusto Henriques que nascera em Cabeceiras de Basto em 15 de Janeiro de 1838. Em Coimbra, onde faleceu em 7 de Maio de 1928, formou-se em Direito (1860) e doutorou-se em Filosofia (1865); em 10 de Janeiro de 1874 foi catedrático. A sua vocação, porém, era a flora, de tal forma que foi encarregado da regência da cadeira de Botânica e da direcção do Jardim Botânico.
Incansável, escreveu e traduziu manuais, criou colecções didácticas e melhorou substancialmente o laboratório. Foi fundador, em 1879, da Sociedade Broteriana.
Não se limitando ao ensino correu o país e as colónias estudando e recolhendo espécies. Em 28 de Maio de 1918 foi dado o seu nome ao Museu, Laboratório e Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.
Como resultado do seu conhecimento do Gerês escreveu:
  • “A Vegetação da Serra do Gerez” (Coimbra, 1885).
Mas algo se deve dizer, também, sobre esta notável arte da Gravura de Madeira. E porque muito a admiramos e dela nos temos socorrido e iremos continuar a utilizar seja-nos permitido expandir-nos um pouco mais. Na História da Arte portuguesa, que tantos e tão belos monumentos já estudou, muitas são as lacunas. Todos conhecem artistas insignes como João de Castilho, Francisco de Holanda, André Soares ou Amadeu de Sousa Cardoso. Todos conhecemos Gil Vicente, ourives, Nuno Gonçalves, pintor, ou Machado de Castro escultor. Mas não conhecemos ainda muitos, diria até, a maior parte, dos inúmeros artistas anónimos que fizeram obras primas em artes ditas menores, mas que, no final, só são menores porque pouco divulgadas ou porque têm pequena dimensão. São as rendas e bordados, são os vidros soprados ou esculpidos, são as obras de latão, são os gravadores...

Serra do Gerês, um curral de Leonte. Foto de Júlio A. Henriques
‘O Ocidente’, 11Mar1886, p. 69
Cortesia da cmdeterrasdebouro

É precisamente desses gravadores que aqui queremos falar um pouco. Não para fazer a sua história, pois ainda não tivemos tempo para, com profundidade a ela nos dedicarmos. Mas apenas para manter a chama viva do interesse por tão bela e tão desprezada arte. E, dentro das diversas técnicas da gravura, vamos apenas falar da xilogravura ou gravura de madeira.
Desde tempos remotos, gregos e romanos, que a arte de gravar já é conhecida. Mas, com maior interesse económico, só desde a Idade Média; e, mais ainda, com a invenção da imprensa, pois que, embora antes se pudesse imprimir, o processo era lento porque só era possível tirar uma cópia de cada vez. Com Gutemberg maior foi a utilização e interesse da gravura pois que com a sua nova técnica rapidamente se poderiam obter várias cópias. Em Portugal, conhece-se em:
  • 1495 uma ‘Vita Christi’ esplendidamente ilustrada com imagens da vida de Jesus Cristo;
  • logo se seguem outras obras interessantes como os ‘Evangelhos e Epístolas’, de 1497;
  • a ‘Crónica do Condestabre’, de 1526;
  • o ‘Breve Memorial dos Pecados e Cousas que Pertencem à Confissão’, de 1545;
  • as ‘Ordenações Manuelinas’ de 1514; etc.
Breve, porém, a gravura de madeira foi utilizada como ilustração nos folhetos de cordel e outras folhas volantes; no século XVIII serviu abundantemente para ilustrar os múltiplos Almanaques, Lunários, e Prognósticos que se editavam em profusão.
A xilogravura deixou então para a gravura de metal os desenhos mais finos, mais aprimorados. Passou a ser usada, essencialmente por artistas sem escola, que tanto mais assumem a Sua intensa «naïveté» quanto mais procuram imitar a arte oficial». In Eduardo Pires de Oliveira, Imagens do Gerês de há Cem Anos, A serra do Gerês do Prof Júlio Henriques, Separata de ‘Terras de Bouro. O Homem e a Serra’. Série Cadernos Culturais nº 2, Câmara Municipal de Terras de Bouro, 1992.

Continua
Cortesia da CM de Terras de Bouro/JDACT

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O monte Saint-Michel. Bastides. «A arquitectura prodigiosa do monte e sua baía constituem o ponto turístico mais frequentado da Normandia e um dos primeiros da França. A história da Abadia do monte Saint-Michel remonta, crê-se, ao ano 708»


Cortesia de wikipedia

«O monte Saint-Michel, é uma pequena ilha rochoso na embocadura do rio Couesnon, no departamento da Mancha, na França, onde foi construído um santuário em homenagem ao arcanjo São Miguel. O seu nome antigo é «Mons Sancti Michaeli in periculo mari». Este mosteiro, fortificado no século XIII, integra um conjunto com mais três cidades cujas fortificações e desenvolvimento são notáveis:
  • Aigues-Mortes (1270-1276), ponto de reunião dos Cruzados rumo à Terra Santa,
  • Carcassone, célebre por suas defesas,
  • Avignon, sede alternativa da Cristandade (1309-1377).
Estas cidades fortificadas, denominadas "bastides" marcavam a fronteira dos reinos ao final da Idade Média, servindo como elementos de defesa e dando ao povo novas oportunidades sociais. Foram construídas mais de 300 só na França entre os anos de 1220 e 1350.
Recordo o caso da vila de Nisa, no Alto Alentejo.



Cortesia de wikipedia

Além das "bastides", foram projectadas e construídas em toda a Europa, de Portugal à Polônia, e nomeadamente no sudoeste da França, entre 1136 e 1270, numerosas "villeneuves" (cidades novas), que muito contribuíram para o nascimento e consolidação de uma classe social burguesa.


Cortesia de wikipedia

A arquitectura prodigiosa do monte Saint-Michel e sua baía constituem o ponto turístico mais frequentado da Normandia e um dos primeiros da França, com cerca de 3 200 000 visitantes por ano. Uma estátua de São Miguel colocada no topo da igreja-abadia culmina a 170 metros de altura. Diversos prédios e habitações do sítio são, a título individual, classificados como monumentos históricos (a igreja paroquial desde 1909, por exemplo) ou inscritos no inventário suplementar de monumentos históricos.

A história da Abadia do monte Saint-Michel remonta, crê-se, ao ano 708, quando Aubert, bispo de Avranches, mandou construir no monte Tombe um santuário em honra a São Miguel Arcanjo. No século X os monges beneditinos instalaram-se na abadia e uma pequena vila foi-se formando aos seus pés. Durante a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, o Monte Saint-Michel foi uma fortaleza inexpugnável, resistindo a todas as tentativas inglesas de tomá-la e constituindo-se, assim, em símbolo da identidade nacional francesa. Após a dissolução das ordens religiosas ditadas pela Revolução Francesa de 1789 até 1863 o Monte foi utilizado como prisão. Declarado monumento histórico em 1987, o sítio figura desde 1979 na lista do Património Mundial da UNESCO.

Cortesia de wikipedia

O monte era ligado ao continente através de um istmo natural que era coberto pelas marés altas. Ao longo dos séculos a planície alagável em torno foi sendo drenada para criação de pastagens, reduzindo a distância do rochedo à terra, e o rio Cousenon foi canalizado, diminuindo seu aporte de água e acelerando o assoreamento da baía. Em 1879 o istmo foi reforçado e tornou-se uma passagem seca perene. Em 2006 o governo francês anunciou um projecto para tornar novamente o monte uma ilha com a construção de barragens, devendo ser completado em 2012». In Wikipedia e Tutismo da Normamdia.

Cortesia da Wikipedia/JDACT

terça-feira, 12 de julho de 2011

Projecto Rios: II Encontro de Monitores, que se realizará na Paisagem Protegida de Corno de Bico, 22 a 24 de Julho de 2011

Cortesia de pr 

O Projecto Rios vai realizar o II Encontro de Monitores que se realizará na Paisagem Protegida de Corno de Bico, 22 a 24 de Julho de 2011.
O II Encontro de Monitores não é exclusivo aos monitores, mas aberto a todos os possíveis interessados.
Enquadramento
Desde as primeiras civilizações, o ser humano, por razões económicas, culturais e de lazer, esteve sempre ligado aos recursos hídricos, vivendo uma relação que sustentava uma natureza mais poderosa do que o Homem. Com a evolução da civilização humana, esta posição mudou. O desenvolvimento das sociedades actuais tem conduzido a uma degradação generalizada do meio ambiente e a uma utilização irracional dos recursos naturais. Actualmente, os rios e as ribeiras em Portugal apresentam vários problemas, nomeadamente ao nível dos usos comuns e da afluência de oportunidades de exploração de recursos que ocorrem ao longo da sua bacia hidrográfica. Muitos destes problemas resultam da falta de conhecimento e participação pública, quer ao nível da população em geral quer ao nível do poder decisor.

Cortesia de siesaipsantarem

O que é o Projecto Rios?
O Projecto Rios é um projecto que visa a participação social na conservação dos espaços fluviais, procurando acompanhar os objectivos apresentados na Década da Educação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e contribui para a implementação da Carta da Terra e da Directiva Quadro da Água.
A implementação deste projecto pretende dar resposta à visível problemática, de âmbito nacional e global, referente à alteração e deterioração da qualidade dos rios e à falta de um envolvimento efectivo dos utilizadores e da população em geral.
O Projecto Rios, pela metodologia que utiliza, pretende promover a curiosidade científica e implementar o método científico experimental, através da recolha e registo de informações e dados geográficos, físico-químicos, biológicos, eventos históricos, sociais e etnográficos, contribuindo assim para a melhoria do espaço estudado e da qualidade fluvial global, com vista à aplicação das exigências da Directiva Quadro da Água e da Lei da Água.

Cortesia de pr

Objectivos gerais
O Projecto Rios visa a adopção e monitorização de um troço de rio, de modo a promover a sensibilização da sociedade civil para os problemas e a necessidade de protecção e valorização dos sistemas ribeirinhos. O Projecto Rios tem como principal objectivo implementar um plano de adopção de 500 metros de um troço de um rio ou ribeira. Para auxiliar nesta tarefa é fornecido um kit didáctico (ver “Materiais”).
Com a aplicação prática deste projecto é possível aprender a valorizar a importância das linhas de água, implementar uma rede nacional através da observação, monitorização ou vigilância, visando a conservação e adopção de diferentes troços de rios. Pretende-se ainda desencadear um conjunto de actividades experimentais de educação ambiental e participação pública, no sentido da implementação da Directiva Quadro da Água.

É de salientar que este projecto surgiu com o objectivo de contribuir para a implementação de planos de reabilitação dos rios e ribeiras, com o envolvimento e responsabilização de toda a comunidade civil, com vista ao desenvolvimento sustentado, à educação para a cidadania e ao crescimento local e regional.

Objectivos específicos:
  • Promover a reflexão participada com a finalidade de criar um intercâmbio de estratégias e metodologias de educação ambiental nas zonas ribeirinhas;
  • Criar um espírito de cooperação entre os grupos envolvidos inscritos, fomentando a troca de ideias e experiências em torno de preocupações referentes às zonas de estudo;
  • Monitorizar e inspeccionar troços de um rio ou ribeira, com vista à avaliação do grau de qualidade da linha de água adoptada;
  • Realizar monitorizações (ou inspecções) regulares, com o objectivo de reunir e interceptar dados comparativos (no mínimo duas inspecções por ano);
  • Implementar acções que promovam a melhoria do rio ou ribeira adoptado (no mínimo uma acção por ano);
  • Sensibilizar a comunidade para a adopção de estratégias promotoras de mudanças conceptuais, com vista à melhoria do ambiente em geral e das linhas de água em particular;
  • Promover a ligação afectiva da população ao espaço ribeirinho e à comunidade local;
  • Organizar acções, actividades e eventos para a promoção, divulgação e discussão sobre a água e a importância dos ecossistemas ribeirinhos;
  • Levar a comunidade local a adoptar um papel activo na defesa do ambiente e na redução dos impactes negativos de algumas acções do Homem nos ecossistemas ribeirinhos;
  • Promover a utilização de novas tecnologias de informação;
  • Alargar a informação e sensibilização à população em geral, promovendo campanhas de sensibilização e acções de melhoria;
  • Em contexto escolar, contribuir para a implementação da educação ambiental enquanto área transversal na política das escolas.

Com a amizade de RR.
JDACT

domingo, 17 de abril de 2011

Lituânia: Vilnius e Castelo de Trakai. «Uma agradável mistura de temperaturas, de estilos, de gente, fria e quente, como o tempo. Os lituanos são conhecidos como os latinos do Bálltico e o centro histórico de Vilnius, foi classificado Património Mundial pela UNESCO»

Cortesia de lithuaniatoris

Apesar de ser capital de um país da União Europeia, Lituânia, Vilnius não é um destino popular. Uma cidade pacata e agradável, com aspecto de aldeia grande graças à abundância de zonas arborizadas.


Vilnius.
«Uma agradável mistura de temperaturas, de estilos, de gente, fria e quente, como o tempo. Os lituanos são conhecidos como os latinos do Bálltico e o  centro histórico de Vilnius, foi classificado Património Mundial pela UNESCO.  A cidade exibe um centro histórico fácil de percorrer a pé, onde as igrejas ou monumentos históricos se encontram a cada esquina:
  • da praça da catedral e pelas estreitas ruas dos séculos XV e XVI,
  • das Portas do Entardecer, que marcavam a estrada para Moscovo,
  • ao Bastião da Artilharia, do século XVII, com um museu de armas no interior, percorremos ruas pavimentadas a pedra fachadas seculares,
Mas a grande maioria dos monumentos históricos são igrejas, numa manifestação de fé só comparável com a dos polacos, os vizinhos do Sul.
Cortesia de manualdoturista
Castelo de Trakai
Quem visita Vilnius aproveita para ir a um lugar encantador, entre floresta e lagos:
  • o castelo de Trakai, antiga capital do país.
Estendendo-se numa pequena península entre dois lagos, a aldeia é especialmente conhecida pelo castelo situado numa ilha no extremo da povoação. Passadiços de madeira levam-nos sobre as águas do lago Galvé até o castelo dos nossos sonhos de criança, feito de tijolos vermelhos, com a sua ponte levadiça sobre um fosso, as torres perfeitas de telhados cónicos, pátios e salas escuras e misteriosas. Data do século XV, mas foi restaurado nos anos 50 e alberga agora o museu do castelo. É possível alugar barcos para contornar o exterior e apreciar a beleza do lago e dos bosques, enquadramento que o transformam num castelo de Avalon, saído das águas.

Cortesia de wikipedia/JDACT

Mosteiros de Metéora. Grécia: «Estão construídos no topo de espectaculares rochedos de arenito que ficam a nordeste da planície da Tessália, perto do rio Peneios e dos montes Pindo, na Grécia central. Em Metéora existem ainda 6 mosteiros»

 
Cortesia de bocaberta 

Metéora, ou seja, «rochas suspensas» ou «colunas do céu» é o segundo maior complexo de mosteiros na Grécia, logo a seguir ao Monte Athos. Fica próximo de Kalabáka, no centro-norte da Grécia.
Os mosteiros estão construídos no topo de espectaculares rochedos de arenito que ficam a nordeste da planície da Tessália, perto do rio Peneios e dos montes Pindo, na Grécia central. Em Metéora existem ainda 6 mosteiros. O maior pico em que se localiza um mosteiro tem 549 metros. O menor, a 305 metros.

 
Cortesia de bocaberta
Apesar de ser desconhecida a data de fundação de Metéora, crê-se que os primeiros eremitas se estabeleceram em cavernas no século XI. No final deste e início do século XII, formou-se um estado monástico rudimentar centrado à volta da Igreja de Theotakos, mão de Deus, que ainda hoje existe. Os monges eremitas, procurando um refúgio seguro à ocupação otomana, encontraram nos rochedos inacessíveis de Metéora um refúgio ideal.
Foram construídos mais de 20 mosteiros, mas hoje em dia apenas existem 6.
  • Megalos Meteoros (Grande Meteoro ou Mosteiro da Transfiguração),
  • Varlaam,
  • Agios Stephanos (Santo Estêvão),
  • Haguia Triada (Santíssima Trindade),
  • São Nicolau Anapausas,
  • Roussanou.
O acesso aos mosteiros era feito por guindastes e apenas em 1920 foram construídas escadas de acesso. Dos 6 mosteiros, cinco são masculinos e um é feminino.

Cortesia de bocaberta
Em 1988, este monumento com montes e vales revestidos com florestas que têm a presença de animais selvagens como o lobo e a víbora foi classificado Património Mundial pela UNESCO.

Cortesia de wikipedia/JDACT

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Alberto Caeiro: O Guardador de rebanhos. «Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. Mas porque a amo, e amo-a por isso»

Cortesia de olhares

Falaram-me os Homens em Humanidade

Falaram-me os homens em humanidade,
Mas eu nunca vi homens nem vi humanidade.
Vi vários homens assombrosamente diferentes entre si.
Cada um separado do outro por um espaço sem homens.
Alberto Caeiro, Heterónimo de Fernando Pessoa, in «Fragmentos»


A Manhã Raia

A manhã raia. Não: a manhã não raia.
A manhã é uma coisa abstracta, está, não é uma coisa.
Começamos a ver o sol, a esta hora, aqui.
Se o sol matutino dando nas árvores é belo,
É tão belo se chamarmos à manhã «Começarmos a ver o sol»
Como o é se lhe chamarmos a manhã,
Por isso se não há vantagem em por nomes errados às coisas,
Devemos nunca lhes por nomes alguns.
Alberto Caeiro, Heterónimo de Fernando Pessoa, in «Poemas Inconjuntos»

Cortesia de badesigner 

Cortesia de O Citador/JDACT

sábado, 11 de setembro de 2010

A sucessão de Fibonacci: Os números de Fibonacci podem ser usados para caracterizar diversas propriedades na Natureza. O modo como as sementes estão dispostas no centro de diversas flores é um desses exemplos

A sucessão de Fibonacci na Natureza.

Já reparou que muitas flores têm 5 pétalas, que nós temos 2 mãos, cada uma com 5 dedos e cada dedo divido em 3 partes?

Cortesia de educfcul

Que o ananás tem 8 diagonais num sentido e 13 no outro?


Cortesia de educfcul

Porque será que as margaridas têm geralmente 34, 55 ou 89 pétalas?


Cortesia de educfcul

Coincidência ou não, todos estes números fazem parte da sucessão de Fibonacci (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, ...), sequência onde cada termo (a partir do segundo) é soma dos dois precedentes.


Cortesia de educfcul

O problema que Fibonacci investigou inicialmente, no ano 1202, foi sobre a rapidez que os coelhos poderiam reproduzir-se em circunstâncias ideais. O número de coelhos que vão existindo ao longo dos meses, supondo que nenhum morre, reproduz a sucessão de Fibonacci.




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Os números de Fibonacci podem ser usados para caracterizar diversas propriedades na Natureza. O modo como as sementes estão dispostas no centro de diversas flores é um desses exemplos. A Natureza «arrumou» as sementes do girassol sem intervalos, na forma mais eficiente possível, formando espirais que tanto curvam para a esquerda como para a direita. O curioso é que os números de espirais em cada direcção são (quase sempre) números vizinhos na sequência de Fibonacci. O raio destas espirais varia de espécie para espécie de flor.
 
Cortesia de educfcul

sábado, 21 de agosto de 2010

Laurissilva: A floresta da ilha da Madeira, constitui na actualidade o remanescente de um coberto florestal primitivo que resistiu a cinco séculos de humanização. Encontram-se as quatro Lauráceas: a Ocotea foetens (Til), Laurus azorica (Louro), Persea indica (Vinhático) e Apollonias barbujana (Barbusano). Considerada Património Mundial da UNESCO desde 1999

Cortesia do TurismoMadeira
Laurissilva é o nome dado a um tipo de floresta húmida subtropical a temperada, composta maioritariamente por árvores da família das lauráceas e endémico da Macaronésia, região formada pelos arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Possui maior expressão nas terras altas da ilha da Madeira, onde se encontra a sua maior e mais bem conservada mancha, tendo sido considerada em 1999 pela UNESCO como Património da Humanidade.

Cortesia de wikipédia
Na laurissilva as plantas mais comuns são as lauráceas como o loureiro (Laurus novocanariensis), o vinhático (Persea indica), o til (Ocotea foetens), e o barbusano (Apollonias barbujana). É um dos habitats, no mundo, com maior índice de diversidade de plantas por km². A palavra laurissilva deriva do latim Laurus (loureiro, lauráceas) e Silva (floresta, bosque).
Um pouco de conhecimento. A laurissilva remonta aos períodos Miocénico e Pliocénico da Época Terciária, há 20 milhões de anos. Nessa altura a floresta ocupava toda a área da agora bacia do Mediterrâneo, Sul da Europa e Norte de África. Em resultado do desaparecimento do antigo mar de Tétis e consequente formação do mar Mediterrâneo, ocorreram alterações significativas do clima por toda a Europa e Norte de África. As glaciações que ocorreram no começo do Quaternário, levaram à regressão da floresta e à sua quase extinção na Europa continental, onde ainda sobrevivem algumas espécies relíquias desta vegetação como o azereiro (Prunus lusitanica) e o loureiro (Laurus nobilis) vivendo em comunidades naturais de carvalhos e até mesmo algumas pequeníssimas manchas florestais em locais de refúgio.


Em consequência desta regressão, essencialmente devido às alterações climáticas determinadas pela formação do Mar Mediterrâneo, esta floresta acabou por ter como último refúgio as regiões insulares, onde, devido à menor flutuação climática proporcionada pelo efeito amenizador do Oceano Atlântico, conseguiu sobreviver e até mesmo prosperar.
Cortesia de ilheu
Actualmente a laurissilva sobrevive nos arquipélagos que integram a Macaronésia, nomeadamente nos arquipélagos portugueses da Madeira e dos Açores. No arquipélago da Madeira encontra-se apenas na ilha maior do arquipélago (Ilha da Madeira), onde se encontra a espécie endémica Teucrium abutiloides. Ocupa nesta ilha uma área de aproximadamente 15.000 hectares, o que corresponde a 20% da ilha, sendo o maior e mais bem conservado núcleo desta floresta. Concentra-se principalmente na costa norte, em altitudes compreendidas entre os 300 e os 1400 metros. Na costa sul, ocorre em áreas de altitude compreendida entre os 700 e os 1600 metros. Esta é a maior concentração de Laurissilva do mundo, sendo conhecida como uma das melhor preservadas.
Hoje em dia, a Laurissilva é considerada Património Mundial da UNESCO. Este é o tipo de floresta onde as espécies animal e vegetal coabitam, dependendo uma da outra e do meio que as rodeia. Como disse anteriormente, encontram-se as quatro Lauráceas: a Ocotea foetens (Til), Laurus azorica (Louro), Persea indica (Vinhático) e Apollonias barbujana (Barbusano).

Cortesia de portugaleoturismo12c
A floresta Laurissilva da ilha da Madeira, constitui na actualidade o remanescente de um coberto florestal primitivo que resistiu a cinco séculos de humanização. Segundo narrativas contemporâneas da descoberta da Madeira (1420), toda a ilha era coberta de extenso e denso arvoredo, razão pela qual os navegadores portugueses atribuíram o nome de «Madeira» à ilha. Trata-se de uma floresta com características subtropicais e húmida. A floresta Laurissilva apresenta um aspecto uniforme, sempre verde, ao longo de todo o ano, dado que a quase totalidade das árvores e dos arbustos que a compõem, nunca perdem a folha. As humidades trazidas pelos ventos dominantes de Nordeste, são retidas e condensadas pela Laurissilva que proporciona, assim, abundantes caudais de que dependem a irrigação dos campos agrícolas e o abastecimento de água aos centros urbanos.

Desde os primórdios da colonização da ilha da Madeira, os caudais que a «floresta produtora de água» proporciona foram vitais para a economia da ilha. A partir da segunda metade do século XX, as águas, transportadas por extensas «levadas», passaram a produzir energia nas centrais hidroeléctricas.

Cortesia de ilheu
Toda a área de ocorrência de Laurissilva integra o Parque Natural da Madeira, conferindo-lhe assim um forte estatuto de protecção. Em 1992 foi incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa e constitui Zona de Protecção Especial-ZPE.

O Tentilhão da Madeira (Fringilla coelebs maderensis), faz parte da peculiar avifauna da Laurissilva, onde é abundante. A par das aves, merece destaque a presença de inúmeros moluscos e insectos endémicos. A Laurissilva da Madeira é um exemplar eminentemente representativo do processo ecológico e biológico em curso na evolução e desenvolvimento de ecossistemas e comunidades de plantas e animais terrestres, aquáticos, costeiros e marinhos. Abrange habitats naturais verdadeiramente representativos e de reconhecida importância para a conservação in situ da diversidade biológica, incluindo aqueles onde sobrevivem espécies ameaçadas de valor universal excepcional sob o ponto de vista da ciência ou da conservação.

Cortesia de wikipédia/Turismo da Madeira/JDACT