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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Brasil em Quinta. Bossa Nova. «Deixei o sol na praia de Quissico. De bruços sobre o verão eu deixei o sol na extensão do tempo. Molhado, quase líquido, o dia afundava nas fundas águas do Índico. A terra se via nua lembrando, distante, seu parto de carne e lua. Não o pássaro: era o céu que voava»

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«Pára, sangue, de correr,
de ressaltar aos borbotões,
de me inundar como torrente,
de me brotar sobre o flanco.
Como contra uma parede,
imóvel como uma sebe,
lírio marinho direito
como espadana na espuma,
como pedra no talude
e o recife na corrente.
Sangue, sangue, se o desejo
te faz correr com tal força,
circula dentro da carne,
abraça-te aos ossos vivos.
Belo, belo que é correr
na obscura pele compacta,
sussurrando nas artérias,
murmurando contra os ossos.
Pára, sangue, de correr
sobre a fria terra morta.
Não corras, leite, no chão,
sangue inocente no vale,
beleza humana entre a erva,
oiro de heróis na colina.
Desce fundo ao coração,
bate surdo nos pulmões,
desce, desce fundamente
aos órgãos vivos do corpo.
Não és rio que se escoe,
nem calmo lago parado,
nem fonte que brote assim,
nem barca velha com rombos»


«Quando eu a cinjo e ela me abre os braços,
sou como um homem que regressa da Arábia,
impregnado de perfumes.
Desço o rio numa barca,
ao ritmo dos remadores.
Com um feixe de canas ao ombro,
vou para Mênfis,
e direi a Ptah, senhor da verdade:
Dá-me esta noite a minha amada.
Este deus é como um rio de vinho,
com seus maciços de canas.
E a deusa Sekhmet é como se fosse a sua moita de
flores.

E a deusa Earit, seu lótus em botão.
E o seu lótus aberto, o deus Nefertum.
E a minha amada será feliz.
Levanta-se a aurora através da sua beleza.
Mênfis é um cesto de tomates
posto frente ao deus de rosto puro.
Bom é mergulhar, bom,
ó deus meu amigo,
é banhar-me diante de ti.
Adivinhas-me quando se molha
minha túnica de fino linho real.
E juntos entramos nas águas,
e à tua frente eu saio das águas,
agarrando entre os dedos
um estupendo peixe encarnado.
Olha para mim.

Tanto se alvoroça meu coração, de puro amor,
que metade da minha cabeleira se desfaz,
quando corro ao teu encontro.
Para que me vejas sempre igual e bela
diante de ti,
eu componho os meus cabelos».
Poemas de Herberto Helder, in ‘Bebedor Nocturno’

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

Vinicius de Moraes: Um «poetão» diplomata

(1913-1980)
Cortesia consciarte



Vinicius de Moraes nasceu na cidade do Rio de Janeiro e foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro. Poeta essencialmente lírico, o poetão (para mim), embora ficasse conhecido com o cognome de «poetinha», notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boémio, fumador e apreciador de bebidas alcoólicas (uísque). De acordo com as revistas «cor de rosa» era conhecido por ser um grande conquistador. Vinicius casou por nove vezes.
A obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetão teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell e Carlos Lyra.
No final de 1968 foi afastado da carreira diplomática tendo sido aposentado compulsivamente pelo AI-5. No entanto, a Câmara dos Deputados aprovou, no pp mês de Fevereiro de 2010, a promoção póstuma do poeta ao cargo de «ministro de primeira classe» do Ministério dos Negócios Estrangeiros, equivalente a embaixador, que é o cargo mais alto da carreira diplomática.
 Do encontro entre Vinícius e Tom nasceria uma das mais fecundas parcerias da música brasileira, que a marcaria definitivamente. Os dois compuseram a trilha sonora, que incluía «Lamento no Morro», «Se Todos Fossem Iguais A Você», «Um Nome de Mulher», «Mulher Sempre Mulher» e «Eu e Você» e foram lançadas em disco por Roberto Paiva, Luiz Bonfá e Orquestra. Além destas canções, a dupla Vinicius e Tom compuseram, entre outros clássicos, «A Felicidade», «Chega de Saudade», «Eu Sei Que Vou Te Amar», «Garota de Ipanema», «Insensatez», entre outras belas canções.
«Chega de Saudade» foi uma canção fundamental do movimento Bossa Nova, especialmente porque o álbum contou com a participação de um jovem tocador de violão, caracterizado por um novo ritmo, que marcou dum modo definitivamente a Bossa Nova e qua a tornou famosa a nível mundial. João Gilberto foi o homem do violão. A importância do disco «Canção do Amor Demais» foi referência para Chico Buarque e Caetano Veloso, de entre outros.
Vinicius de Moraes continua a ser um vulto da música brasileira. Um poetão embaixador.

 
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