Mostrar mensagens com a etiqueta Mistério. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mistério. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de abril de 2024

A Conspiração do Graal. Lynn Sholes e Joe Moore. «… durante a viagem de autocarro através da Turquia nem a verificou no trajecto de Ancara a Londres. E, no voo para os Estados Unidos, teria visto a fita se ela tivesse caído no chão da casa de banho do avião. Era a única que faltava... A cripta»

jdact e cortesia de wikipedia

A Fita

«O básico, retrucou Thornton. A maioria informações da ficha dele na comunicação social. Ele apoiou o lápis sobre a borracha da outra extremidade. É um industrial rico, novato na cena política e está conquistando um bom número de admiradores. A plataforma dele se baseia nos valores familiares e em um carácter moral elevado. Até agora, parece não ter defeitos..., o candidato perfeito. Thornton passou para a página seguinte do seu onipresente computador de mão. É um homem dedicado à família e generoso com a própria riqueza. Um dos seus projectos preferidos é uma organização nacional que patrocina acampamentos modelos para delinquentes juvenis urbanos. E não é só com jovens problemáticos que ele trabalha. Wingate tem sido da maior importância na manutenção de alguns capítulos da Ordem DeMolay em diversas regiões do país, especialmente na Flórida, o estado natal dele. Ele tem se pronunciado vivamente contra os maus-tratos infantis e...

Espere um pouco, interrompeu Casselman. O que é DeMolay? Thornton ergueu os olhos.

A versão da Maçonaria para jovens. É uma organização para garotos entre 12 e 21 anos. Mais alguma coisa?, indagou Casselman. Não consegui descobrir grande coisa sobre ele. Wingate apareceu de repente no cenário político, como se tivesse vindo do nada. Aparentemente, tem uma considerável máquina financeira que o apoia. Ted Casselman coçou o queixo.

Vamos descobrir o que torna Wingate tão perfeito. Separe um segmento sobre ele para o domingo à noite. Vou colocar o meu pessoal nisso, prometeu Thornton. Reuniu os seus apontamentos, levantou-se e deu a volta na mesa de reuniões até onde Cotten se encontrava. Se tiver um tempinho, dê uma passada na minha sala depois da sessão de edição. Vou ver, prometeu Cotten, levantando os olhos para ele. Como foram as filmagens?, quis saber Casselman depois que Thornton deixou a sala. Muito melhor do que eu esperava. Acredite em mim, Ted, as sanções e os embargos internacionais tiveram pesadas consequências sobre as crianças e os idosos iraquianos. Vai ser uma história emocionante. Mas não vou ganhar muitos pontos com o Departamento de Estado, agora que eles estão preparando uma outra guerra.

Bom, isso quase garante uma pontuação alta nas pesquisas de audiência. Ele se levantou. Vamos, vou acompanhá-la até a sua sessão de edição. Ele pôs o braço no ombro dela, conduzindo-a à porta. Você me deu muitas noites de insônia, mocinha. Mas também mostrou coragem. Uma ciscadora. Gosto disso. Agora, quero ver o que tenho em troca de mais alguns cabelos brancos. Não vai se arrepender, Ted. Cotten gostava de Casselman e o respeitava. Sentia muito por fazê-lo preocupar-se tanto com ela. E ele era alguém que podia ajudá-la a galgar rapidamente dois degraus de uma vez na escada hierárquica da carreira.

Entraram na sala B de edição. O ambiente estava às escuras, a não ser pelo brilho suave da parede de monitores e das luzes indicadoras nas bancadas dos controles eletrónicos. Fiz cópias do roteiro e dos meus apontamentos, informou ela, estendendo uma pasta para Casselman e outra para o editor. Por enquanto, podemos gravar uma fita de rascunho para editarmos e deixar para introduzir a locução mais tarde. Ela sorriu para o editor-assistente. Vamos precisar de algumas inserções da biblioteca de sonoplastia... temas dramáticos, sombrios. Ah, e algumas informações históricas sobre o povo. Médio Oriente. Em seguida, Cotten descarregou a sacola de filmes. Todos os vídeos estavam numerados e ela os empilhou em ordem.

Ah, droga!, exclamou. Desfez a pilha de filmes, verificando cada rótulo outra vez. O que foi?, Casselman desviou o olhar do roteiro. Eu... Ele deixou a pasta de lado. Cotten? Vocês terão de começar sem mim, disse ela.

Tyler

Cotten escancarou a porta do apartamento e correu para o quarto. Lembrava-se de ter ficado sentada na cama na noite anterior, esvaziando a sacola e tirando a caixa. Essa tinha sido a única ocasião em que o videocassete que faltava poderia ter caído. De gatinhas, ela levantou a colcha e examinou por baixo da cama. Nada ali.

Sentou-se e correu os dedos pelos cabelos, examinando o resto do tapete que cobria a maior parte do piso do dormitório. Ela não tinha aberto a sacola durante a viagem de autocarro através da Turquia nem a verificou no trajecto de Ancara a Londres. E, no voo para os Estados Unidos, teria visto a fita se ela tivesse caído no chão da casa de banho do avião. Era a única que faltava... A cripta». In Lynn Sholes e Joe Moore, A Conspiração do Graal, 2005, Clube do Autor, 2020, ISBN 978-989-724-534-3.

Cortesia do CdoAutor/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério, Médio Oriente, 

segunda-feira, 1 de abril de 2024

A Conspiração do Graal. Lynn Sholes e Joe Moore. «Bem, você é uma moça de sorte, disse, levantando-se para beijá-la no rosto. Tente mais uma aventura arriscada dessas e vou providenciar para que o único trabalho que consiga seja o de garota do tempo…»

jdact e cortesia de wikipedia

A Fita

«Seguia-se uma entrevista com um arqueólogo da equipe do Museu de História Natural de Nova York. O homem sorria de modo condescendente, chamando Archer de um fanático pelas próprias teorias. Às vezes, afirmava, o entusiasmo leva a melhor sobre o doutor. Ele tem muitas ideias extravagantes. O arqueólogo deu crédito a Archer por muitas descobertas notáveis, incluindo uma obra sobre a busca da Arca de Noé, mas disse que as excentricidades dele diminuíam-lhe a credibilidade. Havia mais algumas entrevistas tratando de Archer. Uma, em especial, chamou a atenção de Cotten: o doutor John Tyler, um padre católico, historiador bíblico e arqueólogo, referia-se afavelmente a Archer. Tyler havia estudado com Gabriel Archer e dizia que o arqueólogo era dedicado ao trabalho, mencionando que muitas das descobertas dele haviam esclarecido muitos aspectos da história bíblica.

Tyler aparentava ter cerca de 35 anos, era alto, de cabelos escuros, e exibia o rosto enrugado de alguém acostumado a passar muito tempo ao ar livre. E que belos olhos, observou Cotten. Ela rebobinou a fita e repetiu a parte de Tyler. Ele falava macio, mas o seu tom era confiante, autoritário. Ele tem muitas aspirações, comentava Tyler sobre Archer. Gosto bastante dele. Cotten tomou nota do nome da faculdade onde Tyler leccionava. Como era em Nova York mesmo, poderia ser uma boa fonte de informações. Ela pensou sobre o que Archer lhe havia sussurrado na cripta e com que facilidade havia citado a Bíblia. Mateus 26, 27, 28. Ele devia estar se referindo a uma passagem da Bíblia. Consultou o relógio: faltavam quinze minutos para a reunião com Ted Casselman.

Concluindo as pesquisas nos arquivos, Cotten voltou para o saguão de entrada do andar, enfiando a cabeça em uma das salas de edição. Alguém tem uma Bíblia? Voltou religiosa do Médio Oriente, Cotten?, ironizou o editor de vídeo, fitando-a por sobre o ombro. Tente o criado-mudo de um quarto de hotel, acrescentou um assistente. Cotten sorriu com sarcasmo. Muito engraçadinhos. Vamos lá, gente. Verdade, alguém faz ideia de onde possa encontrar uma Bíblia?

Com o correspondente de Religião, informou o editor, e voltou aos seus monitores. Claro!, admitiu ela, imaginando por que não havia pensado nisso. Mas, então, religião não era algo em que passasse muito tempo pensando. Consultou o relógio de novo enquanto se encaminhava para a sala. Qual versão?, a secretária do correspondente perguntou. Não sei... não existe uma versão padrão? A secretária indicou a porta atrás de si e se levantou. Cotten a acompanhou. Em uma parede, erguia-se uma estante do chão ao tecto. A secretária retirou da prateleira a versão inglesa do rei Jaime. Por favor, guarde no mesmo lugar depois que consultar, declarou, antes de sair.

Obrigada, agradeceu Cotten, sem desviar o olhar. O que Archer dissera mesmo? Mateus? Mateus ficava no Novo Testamento, pelo menos isso ela sabia. Mateus, Marcos, Lucas e João. Até esse ponto chegara na escola de catecismo. Vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito..., ela disse, enquanto folheava as páginas. Correndo o dedo em cada página, ela parou no Evangelho de Mateus, capítulo 26, e leu os versículos 27 e 28 em voz alta: A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele, todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.

Jesus, ela sussurrou, e então compreendeu a charada. Será que tudo aquilo tinha a ver com o cálice da Última Ceia? Será que era isso o que havia na caixa dentro do fogão dela? Archer disse que estava procurando pelo maior tesouro dos céus. Ela deu um suspiro ao pensar que poderia estar envolvida com uma história da maior importância. Tirando o pedaço de papel do bolso, pegou o telefone da mesa e ligou para o serviço de informações da lista telefónica. Depois de obter o número da faculdade onde o doutor Tyler leccionava, discou-o.

Sim, estou tentando localizar um reverendo doutor John Tyler. Sei que ele lecciona aí. Escutou por alguns instantes e a sua expressão foi de espanto. Bem, e a senhora sabe para onde ele foi designado? Outra pausa e ela acrescentou: Vou lhe deixar o meu número. Cotten desligou, pegou as suas coisas e correu para a sala de Ted Casselman, o chefe de reportagem da SNN. Bateu na porta. Entre.

Casselman estava sentado à cabeceira de uma mesa de reuniões, um punhado de pastas espalhadas à frente. Duas cadeiras ao lado do chefe de reportagem já se achava sentado Thornton Graham. Thornton sorriu calorosamente quando Cotten atravessou a sala. Ted Casselman levantou os olhos. Era um negro de 42 anos de idade, com estatura mediana, unhas perfeitamente bem-cuidadas, alguns cabelos brancos que atenuavam o tom escuro da pele.

Bem, você é uma moça de sorte, disse, levantando-se para beijá-la no rosto. Tente mais uma aventura arriscada dessas e vou providenciar para que o único trabalho que consiga seja o de garota do tempo em uma cidadezinha do interior. Ele relanceou para o relógio de parede. E está atrasada.

Desculpe-me, Ted, falou Cotten, forçando o seu melhor sorriso juvenil. — Precisei fazer uma pequena incursão nos arquivos. Ah, é? Imagino que tenha concluído a sua pesquisa. Só tenho umas pontas soltas. Sente-se e relaxe. Estamos quase acabando aqui. Casselman voltou à cadeira e abriu uma das pastas. Depois de ler algumas linhas no alto, dirigiu-se a Thornton: E o que você sabe sobre Robert Wingate?» In Lynn Sholes e Joe Moore, A Conspiração do Graal, 2005, Clube do Autor, 2020, ISBN 978-989-724-534-3.

Cortesia do CdoAutor/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério, Médio Oriente,

terça-feira, 17 de outubro de 2023

O Último Segredo. Lynn Sholes e Joe Moore. «E quanto ao paleontólogo? De onde surgiu? Ora, vamos, Ted, dá um tempo. Não pode me dar um pouco de sossego?»

jdact e cortesia de wikipedia

Os Fósseis de Gilley

Vale dos Dinossauros, Texas

«Não, não foi pela boa vontade dele, nem sem interesse nenhum. Ele acha que, por causa da publicidade que vamos lhe dar com a cobertura da história, a lojinha de fósseis dele vai fazer rios de dinheiro. Ele ainda pode escrever um livro, dar entrevistas e ter seus quinze minutos de fama. Outra opção seria vender no mercado negro, e ele receberia a mesma quantia em dinheiro, mas não a popularidade. Ele disse que, para ele, tanto faz. Mas que ainda prefere ser uma celebridade.

E quanto ao paleontólogo? De onde surgiu? Ora, vamos, Ted, dá um tempo. Não pode me dar um pouco de sossego? Você é quase uma filha para mim. Eu me preocupo com o que está fazendo. Não quero que seja enganada com toda essa fama. Cotten relaxou o corpo no assento e olhou para o velocímetro. Estava viajando a mais de cem por hora num trecho de estrada em que não podia passar dos oitenta, então tirou o pé do acelerador. Ted realmente se preocupava com ela.

O nome dele é Waterman. Mas é Waterman com P-H-D no final. Eu o conheci numa festa que o Museu Nacional de História ofereceu à imprensa uns dois meses atrás. Foi mais do que perfeito. Ele se ofereceu para vir até ao Texas. É claro que precisou assinar um termo de sigilo enquanto não levássemos a matéria a publicar. E deu algum trabalho para convencer o Gilley a deixar o Waterman dar uma olhada. Só estão sabendo do assunto os chefões da NBC, Waterman, Gilley, eu... e agora você. E eu seria demitida se descobrissem que estou tendo esta conversa com a concorrência.

Waterman, repetiu Ted. Sabe o primeiro nome? Henry... não, Harry, corrigiu-se Cotten. Harry Waterman. Por quê? Só estou curioso. Talvez possa descobrir alguma coisinha a mais sobre ele. Ele escreveu uma carta à emissora dando a sua opinião de que o artefacto é autêntico. Não fosse por isso, acho que eles não teriam liberado a verba. Quer dizer então que você vai gravar ao vivo para o noticiário nocturno? Cotten sentiu os músculos se contraírem por causa da excitação. Estaria de volta ao topo. Naquela noite, o rosto dela marcaria presença nas salas de estar de todo o país. Deus, como ela adorava isso!

É isso aí, confirmou ela. Hoje é o grande dia. Acho melhor começar a colocar o meu pessoal em campo. Cotten percebeu uma dose de ansiedade na voz do ex-chefe. O que está querendo dizer com isso, Ted? Pense nas matérias de continuidade. Qual será a reacção da comunidade científica e dos fundamentalistas ao ver a prova de que a Bíblia estava literalmente certa? Alguém vai engolir o maior sapo... ou talvez seja um bife de brontossauro. Adoro um bom churrasco, disse Cotten.

Houve pelo menos três segundos de silêncio antes de Ted responder. Cuide-se, menina. A gente se fala, disse ela e desligou o telefone. Cotten observou as espessas nuvens cinzentas que se acumulavam no céu baixo. Quem sabe ela iria testemunhar a transformação do rio Paluxy? Logo à frente, ela avistou a placa desgastada: Fósseis e Mercadinho do Gilley. Um quilómetro. Aí estava. O momento pelo qual tanto esperara. A reportagem que a levaria de volta ao topo. A conspiração do Graal fora uma coisa. Mas esta agora... iria provar de maneira inquestionável que o homem tinha vivido durante a época dos dinossauros. Os quinze minutos dela estavam simplesmente sendo esticados». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Último Segredo, 1995,Editora Pensamento, 2015, ISBN 978-853-151-778-5.

Cortesia de EPensamento/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério,

domingo, 15 de outubro de 2023

O Último Segredo. Lynn Sholes e Joe Moore. «Gilley, o texano, filho de um colecionador de bugigangas, com uma pilha de ossos de dinossauro, encontra esse fóssil no porão do pai, numa caixa com um punhado de outros fragmentos de ossos…»

jdact e Cortesia de wikipedia

Os Fósseis de Gilley

«Somos o que pensamos. Tudo o que somos começa nos nossos pensamentos. E com os nossos pensamentos, criamos o nosso mundo. In Buda

Vale dos Dinossauros, Texas

«O mundo está prestes a mudar, Ted, comentava Cotten Stone no telefone móvel. Ela o segurava com uma das mãos e, com a outra, manobrava a direcção do carro na Highway 67 em direção a Glen Rose, Texas. E isso vai mexer com a cabeça de muitas pessoas. Estou impressionado, admitiu Ted Casselman, o som da voz começando a falhar. Cotten olhou para o indicador de sinal do telefone. Ele oscilava entre uma barra e nenhuma. Ela não queria perder o contacto com Ted, seu ex-chefe quando trabalhou para a Satellite News Network. Mesmo depois que deixou a SNN, para se tornar a principal repórter investigativa da NBC, Ted continuou sendo seu amigo e mentor.

Tenho acompanhado a cobertura da mídia, Cotten, mas é claro que tudo continua envolto em mistério. Fizeram um óptimo trabalho na divulgação da sua exclusiva. E é isso o que eu acho que foi..., exactamente um exagero. Não entendi nada. Por quanto tempo trabalhou nessa matéria? – Umas duas semanas. Esperei até que a cobertura da queda do avião da Virgin Atlantic esfriasse. Ainda não consigo acreditar que o piloto de um vôo comercial cometesse um acto tão terrível. Será que não se fazem mais testes de estabilidade mental?

O interessante é que o piloto tinha sido avaliado recentemente e não apresentou nenhum problema. Continuamos a acompanhar os aspectos de interesse humano nesse assunto. Ter de atirar num avião lotado de passageiros inocentes foi um sinal de alerta para muita gente. Mesmo depois do 11 de Setembro, não acho que alguém tenha pensado que se chegaria a esse ponto.

Eu entendi que o avião estava transmitindo um sinal de sequestro. Sim, concordou Ted. Imagina-se que o co-piloto tenha disparado o alarme para chamar a atenção dos controladores de tráfego aéreo. Enquanto ouvia Ted Casselman, Cotten Stone visualizava o homem alto e forte, um negro de 44 anos. Ted tornara-se grisalho mais cedo do que o normal e ela sabia que podia ser responsabilizada por muitos daqueles fios brancos prematuros. Para mudar de assunto, da tragédia com o avião para o tema da sua reportagem actual, ela disse: Estou realmente com um forte pressentimento em relação à minha exclusiva, Ted. Vai ser impressionante.

Mais do que impressionante. Vai destroçar toda uma montanha de conhecimentos científicos, Ted riu, depois suspirou. Espero que dê certo. Despejou uma porção de informações na matéria. Cotten sentiu a excitação correndo nas veias quando vislumbrou o rio Paluxy, agora tão raso que não se podia nem remar nele. Mas como lhe disseram, depois de uma chuva forte, ele se transformava numa torrente furiosa e espumante, formando as únicas corredeiras existentes no norte do Texas. Assim como a chuva que transformava o rio, acreditava ela, sua reportagem produziria, igualmente, uma mudança radical. Quanto você disse que a emissora pagou pelo artefacto?, quis saber Casselman.

Oito mil, respondeu ela, e ouviu Ted assoviar. Ah, Ted, não torne as coisas ainda mais difíceis p’ra mim. Estou absolutamente segura de que a peça vale isso. Se a emissora não a comprasse, ela seria vendida por um preço muito mais alto no mercado negro. E outra pessoa teria ficado com a história..., e com a glória. Verifiquei tudo, Ted. Os especialistas dizem que foi um bom negócio. Verificar um artefacto e confirmar a sua autenticidade são duas coisas bem diferentes, moça. E ninguém melhor do que você para saber disso. Ele fez uma pausa. Não quero que você faça papel de boba. Consegui que um paleontólogo examinasse o fóssil. Ele me deu o sinal positivo.

Veja bem o que parece, Cotten..., e lembre-se de que, por causa disso, está disposta a enfrentar o que der e vier. O bom e velho Gilley..., esse é o nome do comerciante, certo? Deus, será que todo mundo no Texas se chama Gilley?

Não, existem alguns Georges W. e Lyndons. Mas, sinceramente, esse foi o nome que ele deu quando se apresentou..., Gilley. Melhor do que Garganta Profunda, acho... Ted se referia à principal fonte jornalística do caso Watergate, que culminou com a renúncia do presidente Nixon.

De qualquer modo... Gilley, o texano, filho de um colecionador de bugigangas, com uma pilha de ossos de dinossauro, encontra esse fóssil no porão do pai, numa caixa com um punhado de outros fragmentos de ossos. Ele telefona para você, tudo isso sigilosamente, oferecendo-lhe a grande reportagem por um preço razoável... ou então ele venderia a coisa no mercado negro por uma pequena fortuna. Mas tudo pela boa vontade dele, sem interesse nenhum...» In Lynn Sholes e Joe Moore, O Último Segredo, 1995,Editora Pensamento, 2015, ISBN 978-853-151-778-5.

Cortesia de EPensamento/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério, 

O Último Segredo. Lynn Sholes e Joe Moore. «O oposto a essa teoria era que, quando alguém encontra um artefacto, o que normalmente faz? Lava-o com a água da torneira, portanto, voilà, o fluoreto. O resultado final…»

jdact e Cortesia de wikipedia

Peru

Um Ano Depois

«(…) Cotten encolheu-se no assento e; ao fazê-lo, viu de relance o brilho de luzes tremeluzindo lá em baixo. Apenas farrapos de nuvens passavam pelo avião enquanto se aproximavam do solo. Quase pousamos. Quase pousamos. Se tivesse o maldito tranquilizante no bolso, poderia tomá-lo. Mas havia deixado os comprimidos na bagagem de mão guardada no compartimento em cima. Caso se levantasse e pegasse a bolsa, todos olhariam para ela..., alguém poderia até mesmo reconhecê-la.

Cotten fechou os olhos de novo, concentrando-se em respirar e relaxar o corpo, começando pelos dedos dos pés, pensando em cada músculo, subindo pelo corpo até ao couro cabeludo. Respirações profundas, lentas, iguais. Inspirando pelo nariz, expirando pela boca.

As rodas guincharam ao tocar o solo. O avião balançou duas vezes antes de taxiar suavemente sobre a pista. O ruído da redução da potência dos motores soou quase como uma serenata maravilhosa para ela. A respiração de Cotten voltou ao normal e os dedos relaxaram sobre o braço da poltrona. A região da nuca refrescou-se com a humidade do suor. Ela afundou no assento, agradecida por ter passado o encantamento,  ela preferia essa palavra a ataque, mas sem saber se o vencera ou se o pouso seguro é que havia reduzido a tensão a um nível mais controlável. Agora não importava. Estava no chão.

Esse trabalho não era grande coisa, mas era pago como freelance, e a ajudaria a escalar mais um degrau na escada da respeitabilidade. O desastre no Texas no ano anterior não lhe havia custado apenas o emprego na emissora, a imagem e a credibilidade, mas também havia lhe tirado o respeito próprio. Não havia restado quase nada que pudesse ser aproveitado. Finalmente, ela ouviu o suave toque do sinal de Apertar os Cintos sendo desligado. Depois de se levantar e pegar a bagagem de mão do compartimento superior, esperou até o corredor se esvaziar e todos terem deixado o avião.

Pensou em pegar o remédio contra a ansiedade, mas resistiu a abrir a bolsa. Na saída, a tripulação dirigiu-lhe os obrigatórios cumprimentos de despedida quando ela passou pela porta de desembarque. Cotten inclinou a cabeça educadamente e exibiu o que sabia tratar-se de um sorriso falso. Mas, no momento, era o máximo que conseguia fazer.

Abrindo caminho para o terminal de bagagem, Cotten tirou o telefone móvel do bolso. Abriu-o e correu os olhos pela lista de contactos em busca do nome de Paul Davis. Assim que ligou o aparelho, viu o sinal de uma chamada não atendida. Pressionou o botão para consultar a relação de ligações recentes.

John Tyler. Só de ver o nome dele seu coração acelerou. Fechou momentaneamente os olhos e, naquele mesmo instante, pôde ver mentalmente aqueles olhos intensamente azuis. Deus, sentia tanto a falta dele! Se ele não fosse padre, com certeza a vida deles seria diferente.

Cotten pressionou o botão para responder a ligação de John, mas antes que a chamada se completasse, cancelou-a. Queria conversar com ele só quando pudesse pensar com calma e sem pressa. No aeroporto, caminhando em meio a toda aquela agitação, não era o momento nem o lugar.

Voltando a lista de contactos armazenados na memória do telefone, encontrou o número de Paul Davis. Ele era o cinegrafista com quem havia trabalhado na última reportagem, uma mixaria de artigo discutindo se a detecção de fluoreto numa relíquia supostamente antiga deve ser considerada no processo de autenticação. O argumento era que o fluoreto é um complemento actualmente acrescentado a água dos reservatórios e, caso fosse detectado num artefacto, isso deveria provar que se tratava de uma fraude. O oposto a essa teoria era que, quando alguém encontra um artefacto, o que normalmente faz? Lava-o com a água da torneira, portanto, voilà, o fluoreto. O resultado final era que ninguém realmente se preocupava com isso, a não ser um grupinho selecto na comunidade arqueológica que adorava discutir e ironizar sobre picuinhas, um se esforçando para provar que era mais brilhante do que os outros». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Último Segredo, 1995,Editora Pensamento, 2015, ISBN 978-853-151-778-5.

Cortesia de EPensamento/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério,

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

O Último Segredo. Lynn Sholes e Joe Moore. «Fechou momentaneamente os olhos e, naquele mesmo instante, pôde ver mentalmente aqueles olhos intensamente azuis. Deus, sentia tanto a falta dele! Se ele não fosse padre, com certeza a vida deles seria diferente»

jdact e Cortesia de wikipedia

Peru

Um Ano Depois

«(…) Cotten encolheu-se no assento e; ao fazê-lo, viu de relance o brilho de luzes tremeluzindo lá em baixo. Apenas farrapos de nuvens passavam pelo avião enquanto se aproximavam do solo. Quase pousamos. Quase pousamos. Se tivesse o maldito tranquilizante no bolso, poderia tomá-lo. Mas havia deixado os comprimidos na bagagem de mão guardada no compartimento em cima. Caso se levantasse e pegasse a bolsa, todos olhariam para ela..., alguém poderia até mesmo reconhecê-la. Cotten fechou os olhos de novo, concentrando-se em respirar e relaxar o corpo, começando pelos dedos dos pés, pensando em cada músculo, subindo pelo corpo até o couro cabeludo. Respirações profundas, lentas, iguais. Inspirando pelo nariz, expirando pela boca. As rodas guincharam ao tocar o solo. O avião balançou duas vezes antes de deslizar suavemente sobre a pista. O ruído da redução da potência dos motores soou quase como uma serenata maravilhosa para ela. A respiração de Cotten voltou ao normal e os dedos relaxaram sobre o braço da poltrona. A região da nuca refrescou-se com a humidade do suor. Ela afundou no assento, agradecida por ter passado o encantamento, ela preferia essa palavra a ataque, mas sem saber se o vencera ou se o pouso seguro é que havia reduzido a tensão a um nível mais controlável. Agora não importava. Estava no chão. Esse trabalho não era grande coisa, mas era pago como freelance, e a ajudaria a escalar mais um degrau na escada da respeitabilidade. O desastre no Texas no ano anterior não lhe havia custado apenas o emprego na emissora, a imagem e a credibilidade, mas também havia-lhe tirado o respeito próprio. Não havia restado quase nada que pudesse ser aproveitado.

Finalmente, ela ouviu o suave toque do sinal de Apertar os Cintos sendo desligado. Depois de se levantar e pegar a bagagem de mão do compartimento superior, esperou até o corredor se esvaziar e todos terem deixado o avião. Pensou em pegar o remédio contra a ansiedade, mas resistiu a abrir a bolsa. Na saída, a tripulação dirigiu-lhe os obrigatórios cumprimentos de despedida quando ela passou pela porta de desembarque. Cotten inclinou a cabeça educadamente e exibiu o que sabia tratar-se de um sorriso falso. Mas, no momento, era o máximo que conseguia fazer.

Abrindo caminho para o terminal de bagagem, Cotten tirou o telefone móvel do bolso. Abriu-o e correu os olhos pela lista de contactos em busca do nome de Paul Davis. Assim que ligou o aparelho, viu o sinal de uma chamada não atendida. Pressionou o botão para consultar a relação de ligações recentes. John Tyler. Só de ver o nome dele seu coração acelerou. Fechou momentaneamente os olhos e, naquele mesmo instante, pôde ver mentalmente aqueles olhos intensamente azuis. Deus, sentia tanto a falta dele! Se ele não fosse padre, com certeza a vida deles seria diferente». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Último Segredo, 1995,Editora Pensamento, 2015, ISBN 978-853-151-778-5.

Cortesia de EPensamento/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério,

O Último Segredo. Lynn Sholes e Joe Moore. «Depois de um ano sofrido tentando superar a depressão e alguns trabalhos desde o desastre com o falso fóssil, essa seria uma oportunidade de se redimir, ela esperava»

jdact e Cortesia de wikipedia

Os Fósseis de Gilley

«(…) Do lado de fora, na calçada apinhada de gente, os fotógrafos da imprensa bateram os seus instantâneos, disparando perguntas. Senhorita Stone, é verdade que foi forçada a se demitir? Pretende continuar tentando provar que a Bíblia estava certa com relação à Criação? O que pretende fazer, agora que está desempregada? Cotten avistou Ted Casselman parado ao lado do táxi amarelo. Ele lhe acenou com a mão e, quando ela se aproximou, ele abriu a porta do passageiro. Achei que você não teria ânimo para chamar um táxi, comentou ele. Ela o beijou no rosto. Obrigada por vir. Você sempre foi alguém em quem pude confiar. Já lhe disse antes, você é como uma filha pra mim. Cotten acomodou-se no banco de trás e Ted inclinou-se para dentro. Tem a certeza de que quer fazer isso?, indagou ele. Sair de Nova York? Cotten inclinou a cabeça, confirmando. O sul da Flórida me parece a melhor coisa p’ra mim neste momento. Lembre-se, você tem amigos aqui. Ela dirigiu-lhe um sorriso apagado e não disse nada. Tudo bem, menina. Você já foi até ao inferno e voltou. Pode fazer o mesmo outra vez, sei que é capaz. Ele beijou-lhe a testa e depois fechou a porta. Enquanto o táxi se afastava, Cotten sentiu a alma afundar no abismo.

Peru

Um Ano Depois

Cotten Stone encostou a cabeça na janela fria do avião. A superfície da Terra revelava-se em passagens rápidas, na maioria das vezes encoberta por nuvens espessas. Ela consultou o relógio. Bem na hora. Os seus ouvidos tinham sentido a pressão quando o avião começou a se aproximar do Aeroporto Internacional Jorge Chávez. Como o som de um sapato quando cai, Cotten ouviu o gemido eloquente das rodas quando elas saíram dos seus poços. Fechou os olhos. Lima. Uma nova reportagem. Um novo começo. Depois de um ano sofrido tentando superar a depressão e alguns trabalhos desde o desastre com o falso fóssil, essa seria uma oportunidade de se redimir, ela esperava.

Ao ouvir o baque do trem de pouso acabando de ser montado, Cotten apertou os dedos contra o braço da poltrona. Intelectualmente, ela compreendia as teorias de sustentação e empuxo, mas instintivamente continuava tendo dificuldade em confiar que aquelas forças pudessem fazer voar algo tão imenso e pesado quanto um avião. E depois, controlar a descida sem se projectar contra o chão e se espatifar num milhão de pedaços era outra coisa. Essa apreensão era o que fazia os seus dedos apertarem a borda do descanso de braço. A descolagem e a aterragem eram momentos de oração para ela.

Quando a palavra oração se insinuou entre os seus pensamentos, um arrepio tão frio que pareceu mais uma agulhada na base do pescoço a fez estremecer. As lembranças se revolviam nas profundezas da sua mente. Rezar não era algo que fizesse muito. Cotten inspirou fundo pelo nariz e expirou pela boca. Ainda bem que não tinha se esquecido de se reabastecer de tranquilizantes antes de partir de Fort Lauderdale..., só por precaução. Controlar a ansiedade por meio da visualização e de exercícios respiratórios sempre funcionava, mas naquele momento a combinação do pouso do avião com a repentina torrente de lembranças corroía a sua capacidade de concentração. Cotten remexeu-se no assento, pousando a mão entre o cinto de segurança e o peito. O aperto do cinto aumentava a inquietação. A vontade era de arranca-lo..., para que não a tocasse nem a prendesse. A ânsia para se levantar e caminhar borbulhava dentro dela e, caso não a  mantivesse sob controle, chegaria ao ponto de explodir». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Último Segredo, 1995,Editora Pensamento, 2015, ISBN 978-853-151-778-5.

 Cortesia de EPensamento/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério, 

domingo, 23 de outubro de 2022

Lynn Sholes e Joe Moore. O Projecto Hades. «.A conspiração ficou conhecida na comunicação social como a conspiração do Graal. Vou ligar para ele assim que encontrar um momento de paz e conseguir raciocinar direito»

Cortesia de wikipedia e jdact

 «A descida ao Hades é a mesma a partir de todos os lugares». In Anaxágoras, filósofo grego, 500-428 a.C»

O Dia Seguinte

«(…) Ted deu uma risada forçada. Depois completou: John ligou. Sei, ele ligou para o meu telemóvel, mas eu estava ao vivo no ar com a BBC. Ela visualizou a imagem de John Tyler: seu sorriso, seus olhos..., os mais azuis que já vira. Provavelmente o único homem que ela amara na vida. Você sempre quer o que jamais poderá ter, Cotten Stone. O cardeal John Tyler era o director dos Venatori, a agência de inteligência ultrassecreta do Vaticano, e a pessoa mais importante na vida dela. Eles haviam se conhecido anos antes, quando ela ainda era uma repórter novata, uma foca, e ele era um padre licenciado das suas obrigações mas não dos seus votos. Juntos, eles descobriram e impediram uma tentativa de clonagem de Cristo. A conspiração ficou conhecida na comunicação social como a conspiração do Graal. Vou ligar para ele assim que encontrar um momento de paz e conseguir raciocinar direito.

Eu garanti para ele que você estava bem, apesar de um pouco machucada. Ele disse que estava acompanhando todas as reportagens. De qualquer maneira, estou certo de que os russos já prestaram todas as informações ao Vaticano. Ele está preocupado com você, Cotten. Eu se, desabafou ela com um suspiro e fechou os olhos. Ted, estou completamente exausta. Vou precisar dormir um pouco antes do meu voo de amanhã. Não se prenda por mim nem mais um minuto, garota. Simplesmente descanse e volte sã e salva. Feito. Ah, a propósito. Antes que eu esqueça, alguém mais ligou procurando você..., quero dizer, além da montanha de solicitações de entrevista na imprensa. Quem? Disse que era uma velha amiga da sua cidade natal. Viu você no noticiário e procurou entrar em contato na hora. Tinha alguma coisa a ver com a filha dela. Você anotou o nome? Cotten ouviu o ruído de papel folheado através do telefone. Aqui está. Jordan, Lindsay Jordan. Eu disse a ela onde você estava hospedada. Espero que não se importe. Pareceu sincera.

Não, tudo bem. Não tenho notícias de Lindsay há uma eternidade. Então é isso aí, garota. Descanse. Não vemos a hora de você estar de volta. Eu digo o mesmo. Obrigada, Ted. Cotten apertou o botão para finalizar a ligação. Iria esperar um pouco para ligar para John quando fosse capaz de pensar com clareza. No momento, tudo o que queria era uma boa noite de descanso. Observou os últimos raios de sol desaparecerem e o manto das luzes da cidade ganhar vida por toda a capital da Rússia. Lindsay Jordan? A sua melhor amiga desde a infância até ao colégio. Porque estaria ligando depois de tantos anos?

Tera

O som dos grilos lembrou a Lindsay Jordan que esquecera a janela aberta. Era descuido. Descuido demais. Ela fechou a janela e verificou a fechadura de latão. Mais cedo, pouco antes do anoitecer, Tera, a sua filha de 8 anos de idade, estivera olhando pela janela. Lindsay a abrira para a menina. Em que você está pensando tanto, Tera? A resposta da filha abalara Lindsay a tal ponto que ela se esquecera da janela aberta até aquele momento. Lindsay verificou o ferrolho da tranca da porta da frente antes de se encaminhar para o quarto. Olhou para o telefone, tentando se decidir se faria ou não a ligação. Como se explicaria sem parecer que estava louca?

Dane-se, murmurou, erguendo uma fotografia do marido da mesinha de canto ao lado do sofá. Depois a embalou junto ao peito. Às vezes não só lamentava a perda dele, mas o culpava indignada por morrer e deixá-la só, com a filha para criar. Lindsay devolveu a fotografia emoldurada à mesinha antes de se dirigir lentamente para o corredor, seguindo o brilho suave da luz nocturna. Em silêncio, abriu a porta do quarto da filha e observou. Tera dormia profundamente, curvada sob a colcha cor-de-rosa com gravuras de bailarinas em poses estudadas. Os cachos do cabelo louro da menina espalhavam-se sobre a fronha cor-de-rosa. Seu bicho de pelúcia favorito descansava em baixo do queixo delicado. Tera é tão querida, pensou Lindsay.

Ficou olhando para a filha única durante vários minutos até que o medo em seu íntimo evoluísse para um pânico incontrolável e ela teve receio de gritar e acordar Tera. Fechou a porta e voltou para a sala. De novo, olhou para o telefone». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Projecto Hades, 2007, Publicações Europa-América, 2008, ISBN 978-972-105-888-0.

Cortesia de EPEAmérica/JDACT

 Lynn Sholes, Joe Moore, JDACT, Mistério, Conhecimento, 

sábado, 22 de outubro de 2022

O Projecto Hades. Lynn Sholes e Joe Moore. «Foi tudo muito bem planeado, Ted. Ironicamente, o presidente me contou que nada acontece por acaso numa igreja russa. Rapaz, ele estava certo. Quais foram os danos na catedral?...»

Cortesia de wikipedia e jdact

«A descida ao Hades é a mesma a partir de todos os lugares». In Anaxágoras, filósofo grego, 500-428 a.C»

O Dia Seguinte

«(…) Os russos estão considerando-a como uma heroína nacional, comentou o director de reportagem da SNN, Ted Casselman. Ouvi dizer, replicou Cotten ao telefone móvel. Ela olhava para o rio Moscou do apartamento no décimo andar do Hotel Rossiya, vinte horas depois do ataque dos rebeldes chechenos. Observando um barco de turismo deslizar pelo rio, ela visualizou Ted Casselman, seu chefe, amigo e mentor. O homem negro de 48 anos de idade tinha sido como um pai para ela desde que começara a trabalhar para a Satellite News Network, mais de sete anos antes. Graves problemas de saúde obrigaram Ted a ir mais devagar, mas ele ainda dirigia o departamento de reportagem com a força de um general e o coração de um ursinho de estimação. Ted sempre saíra em seu socorro todas as vezes que sofrera algum revés e a empurrara para posições de maior importância quando ela hesitara. Sem a orientação e o apoio de Ted, a carreira dela como correspondente de notícias nunca teria evoluído.

A sua fotografia ao lado do presidente russo no hospital saiu na primeira página de praticamente todos os jornais do mundo. Cotten observou o barco de turismo desaparecer atrás de uma curva. Estou profundamente chocada com o que aconteceu com a minha equipa, especialmente os que foram mortos. Eu mal tinha acabado de conhecer os rapazes antes da gravação. Mal consigo me lembrar do nome deles. O nosso escritório em Moscovo informou que o cameraman vai sobreviver. Ele ficou gravemente ferido, mas graças a Deus, deve sair dessa. O sonoplasta era de Minsk. Vão trasladar o corpo amanhã de manhã. Estamos cuidando de toda a papelada. Cotten abanou a cabeça. Não consigo esquecer a cena..., os gritos, os corpos caindo ao chão, as balas atingindo as pessoas e ricocheteando nas pedras. Parece que aqueles sons vão continuar ecoando para sempre.

Houve um longo intervalo silencioso. Então Ted disse: Vi todas as reportagens e entrevistas, incluindo as suas. O governo está evitando comentar o assunto. Eles realmente sabem como os rebeldes chegaram até lá? Ouvi dizer que já prenderam seis oficiais superiores das forças armadas russas..., simpatizantes que ajudaram os assassinos a conseguir identidades falsas, e todo o resto. É uma bagunça. Todos no Kremlin está com o pé atrás. Se isso tivesse acontecido nos velhos tempos, esses traidores teriam sido arrastados para a rua e eliminados. Essa ainda é uma boa possibilidade. Os rebeldes escolheram um momento perfeito para uma tentativa de assassinato, comentou Ted. A situação ideal..., um grupo pequeno, pouca segurança, uma igreja vazia.

Foi tudo muito bem planeado, Ted. Ironicamente, o presidente me contou que nada acontece por acaso numa igreja russa. Rapaz, ele estava certo. Quais foram os danos na catedral?, quis saber Ted. Um desastre. O curador calcula que vai levar alguns anos antes que a igreja possa voltar a ser aberta ao público. No entanto, mesmo que possam reabrir, nada na catedral é substituível. Os tesouros guardados ao longo de séculos estão destruídos. E quanto aos seus ferimentos? Cotten correu o olhar pelos curativos nas pernas e no braço. O que consta como compensação por ferimentos em combate no meu contrato? Você não tem um contrato. Então acho que vou sobreviver. Os conspiradores não devem estar muito felizes a seu respeito. Você acha que está segura? O governo esvaziou este andar do hotel e colocou dois russos do tamanho de um armário cada um de um lado da minha porta. Estou impressionado. Ei, quando salvou a vida do presidente, você precisou sair por aí acompanhado de guardas portando metralhadoras». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Projecto Hades, 2007, Publicações Europa-América, 2008, ISBN 978-972-105-888-0.

Cortesia de EPEAmérica/JDACT

Lynn Sholes, Joe Moore, JDACT, Mistério, Conhecimento,

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

O Projecto Hades. Lynn Sholes e Joe Moore. «Irrompendo precipitadamente no frio da noite de Moscovo, Cotten observou uma cena surreal, um mar de veículos militares e policiais correndo pela praça Vermelha»

 

Cortesia de wikipedia e jdact

«A descida ao Hades é a mesma a partir de todos os lugares». In Anaxágoras, filósofo grego, 500-428 a.C»

A Tumba

«(…) Eles cambalearam para dentro do que parecia um depósito. Um aperto no interruptor acendeu uma lâmpada no tecto. Pela aparência do lugar, Cotten concluiu que o aposento não vinha sendo usado havia muito tempo, talvez décadas. No entanto, alguém cuidara de manter a iluminação em perfeitas condições. Seria uma rota de fuga para uma ocasião como aquela? Rápido, tranque a porta, apressou o presidente. Cotten avistou uma grossa barra de metal. Ela a enfiou na posição certa para trancar a porta. E agora?, quis saber do presidente. Ele gesticulou para outra porta na parede oposta. Por ali. Cotten segurou a maçaneta e empurrou. Quando a porta recuou, ela viu um corredor, dessa vez feito do que parecia ser mármore preto, piso, tecto, paredes, tudo escuro e reluzente. A iluminação era indirecta, suave e moderna. Quando ela fechou a porta atrás deles, ouviu batidas na porta da entrada do túnel. Os rebeldes não conseguiam passar. Mas por quanto tempo?

Vamos! O presidente apontou para os fundos de um saguão estreito. Alguns passos depois, eles entraram num aposento espaçoso. Esse também era todo preto e com iluminação suave. As paredes exibiam grandes desenhos de raios, e uma carpete vermelha e bem grossa cobria o piso. No centro, situava-se um grande expositor embutido em vidro. Menor no fundo e iluminado de cima, o expositor tinha paredes de vidro espessas sustentadas por uma estrutura metálica. De maneira sombria, ele parecia reluzir. Cotten levou apenas alguns segundos para perceber o que estava vendo. Um sarcófago.

Ali diante dela, deitado em repouso e protegido por trás do vidro, estava o corpo de um homem. O rosto cerúleo, a cabeça descansando sobre uma almofada branca. Ele envergava um traje preto, camisa branca de colarinho e gravata. A mão direita estava fechada. Esse é...?, indagou Cotten. Sim, confirmou o presidente com um esforço desmedido. Ele acenou para tomarem o caminho ao redor do expositor do caixão. No lado oposto, um corredor largo dava numa entrada formal. Estamos presos aqui?, quis saber ela. As portas foram projectadas para se abrir pelo lado de dentro em caso de emergência. O presidente se curvou de encontro à parede e pressionou um grande botão vermelho instalado ao lado das portas. Com uma rajada de ar e um rangido, elas se abriram totalmente. De imediato, os alarmes e sirenes soaram enquanto luzes vermelhas intermitentes acenderam-se no tecto.

Irrompendo precipitadamente no frio da noite de Moscovo, Cotten observou uma cena surreal, um mar de veículos militares e policiais correndo pela praça Vermelha. Eles seguiam na direcção da entrada pela Torre do Salvador para o Kremlin, em resposta ao ataque rebelde, mas atraídos pelas sirenes e luzes provenientes do mausoléu, muitos retardaram a marcha e mudaram de direcção. Aqui!, bradou Cotten, acenando. Ajudem aqui! De repente, o presidente pareceu aumentar de peso, as suas pernas se dobraram e ele caiu. Cotten inclinou-se ao lado dele sobre as frias pedras arredondadas do calçamento ao redor da tumba de Lenine». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Projecto Hades, 2007, Publicações Europa-América, 2008, ISBN 978-972-105-888-0.

Cortesia de EPEAmérica/JDACT

Lynn Sholes, Joe Moore, JDACT, Mistério, Conhecimento, 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

O Projecto Hades. Lynn Sholes e Joe Moore. «Ele elevou um pouco a cabeça. Mantenha sempre a esquerda. Os passos ouviam-se com mais força. Talvez eles não soubessem que ela tinha uma arma, pensou Cotten»

Cortesia de wikipedia e jdact

«A descida ao Hades é a mesma a partir de todos os lugares».In Anaxágoras, filósofo grego, 500-428 a.C»

A Tumba

«(…) O presidente se curvou e estendeu a mão para ela. Apoie nas minhas costas, sugeriu Cotten, enfiando a pistola do agente no cós da saia. Quando sentiu o peso do presidente de encontro ao seu corpo, ela começou a descer com todo o cuidado pela passagem estreita, ajudando-o a se apoiar com os braços em volta do corpo dele. No fim da escada, um túnel estreito levava para um local escuro. Dessa vez, ela apressou-se a encontrar o interruptor mais próximo. O resultado foi uma fileira de luzes correndo ao longo do centro do teto de um túnel. Continue!, ordenou ele. Ela olhou para o presidente, que estava com o braço do casaco vermelho escuro empapado de sangue. Ele contorcia o rosto de dor, os olhos semicerrados. Balas, disparadas do alçapão, chocaram-se contra a plataforma a meio caminho da escada, fazendo chover lascas de madeira.

Cotten conduziu o presidente através do túnel até este finalmente se dividir em duas passagens. Qual o caminho? Ela se encolheu enquanto as balas se chocavam contra a parede ao seu lado. As palavras saíam sem força da boca do presidente, enquanto ele praticamente sussurrava: Mantenha a esquerda. Com um salão a mais para atravessar, ela passou o braço dele pelos ombros enquanto o envolvia com o seu pela cintura, e começou a seguir pelo túnel. Passos ecoaram de trás. À frente, o túnel se abria numa série de grandes canos de esgoto e mais passagens. Senhor presidente. Qual devemos tomar? Ele elevou um pouco a cabeça. Mantenha sempre a esquerda. Os passos ouviam-se com mais força. Talvez eles não soubessem que ela tinha uma arma, pensou Cotten. Poderia ganhar alguns segundos, quem sabe um minuto, se fizesse vários disparos. Arrancando a pistola da cintura, olhou-a intensamente, desejando que quando puxasse o gatilho as balas brotassem sem cessar. O agente russo poderia ter esvaziado a arma antes de cair. Faça o que tem de fazer, Cotten, disse para si mesma. Sim, concordou o presidente num suspiro.

Cotten espiou pelo canto. Como seres de outro planeta, personagens em roupa de combate preta avançavam em fila pelo túnel estreito. Eles usavam capacete, uma armadura grossa sobre o corpo, e cada rosto estava coberto por um aparelho estranho, instrumentos de visão nocturna, presumiu ela. Apontando a pistola para o líder rebelde, puxou o gatilho. O som foi ensurdecedor entre as paredes de rocha nua do túnel. O recuo fez a arma dar um solavanco na mão dela. Imediatamente se preparou para atirar de novo. Dessa vez, manteve a arma apontada com as duas mãos e preparada para o golpe do recuo. Uma vez após outra ela disparou. O primeiro rebelde caiu, se o tivesse matado ou não, ela não sabia, mas conseguira atingi-lo. O segundo e depois o terceiro rebelde também caíram. O disparo de mais armas de fogo um pouco mais atrás espalhou fragmentos de rocha e farpas de madeira pelo ar. O senhor consegue continuar? O presidente concordou com um movimento de cabeça. Os assassinos continuariam avançando, ela sabia, mas talvez não tão depressa. Se não soubessem quando ela pararia e atirassem de novo contra eles dentro dos limites da passagem estreita, eles seriam obrigados a ter mais cuidado, e isso lhe daria uma ligeira vantagem.

Quando ela e o presidente russo dobraram uma esquina, um conjunto de degraus de pedra fez ângulo com a parede. Suba, suba!, sussurrou ele. Com muita dificuldade, Cotten empurrou-o pelas costas enquanto eles subiam para uma plataforma de pedra. Diante deles apareceu uma porta grande, preta e velha. Estendendo o braço, o presidente a empurrou, mas a porta não cedeu. Vamos juntos, sugeriu ela. Vou contar até três. Ele piscou e concordou com um movimento de cabeça. Um, dois, três! Cotten forçou o ombro contra a porta. Com um gemido metálico, ela se abriu». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Projecto Hades, 2007, Publicações Europa-América, 2008, ISBN 978-972-105-888-0.

Cortesia de EPEAmérica/JDACT

Lynn Sholes,Joe Moore, JDACT, Mistério, Conhecimento, 

domingo, 8 de maio de 2022

O Último Segredo. Lynn Sholes e Joe Moore. «Apenas uma semana depois do que deveria ter sido o melhor momento da sua vida, Cotten Stone estava outra vez diante das câmeras. Mas não havia o brilho de excitação no seu rosto, nem qualquer animação na sua voz»

Cortesia de wikipedia e jdact

Os Fósseis de Gilley

«(…) Quer dizer então que vai gravar ao vivo para o noticiário nocturno? Cotten sentiu os músculos se contraírem por causa da excitação. Estaria de volta ao topo. Naquela noite, o rosto dela marcaria presença nas salas de estar de todo o país. Deus, como ela adorava isso! É isso aí, confirmou ela. Hoje é o grande dia. Acho melhor começar a colocar o meu pessoal em campo. Cotten percebeu uma dose de ansiedade na voz do ex-chefe. O que está querendo dizer com isso, Ted? Pense nas matérias de continuidade. Qual será a reacção da comunidade científica e dos fundamentalistas ao ver a prova de que a Bíblia estava literalmente certa? Alguém vai engolir o maior sapo..., ou talvez seja um bife de brontossauro. Adoro um bom churrasco, disse Cotten. Houve pelo menos três segundos de silêncio antes de Ted responder. Cuide-se, menina. Nós falamos, disse ela e desligou o telefone móvel. Cotten observou as espessas nuvens cinzentas que se acumulavam no céu baixo. Quem sabe ela iria testemunhar a transformação do rio Paluxy? Logo à frente, ela avistou a placa desgastada: Fósseis e Mercadinho do Gilley. Um quilómetro. Aí estava. O momento pelo qual tanto esperara. A reportagem que a levaria de volta ao topo. A conspiração do Graal fora uma coisa. Mas esta agora..., iria provar de maneira inquestionável que o homem tinha vivido durante a época dos dinossauros. Os quinze minutos dela estavam simplesmente sendo esticados.

Durante a última viagem que fez a Glen Rose, Gilley a tinha levado por cerca de três quilómetros adiante pela estrada, para visitar o Museu das Provas da Criação. Ela achou aquilo fascinante, especialmente a colecção de dinossauros e pegadas humanas. Conversou com diversas pessoas ali, que eram fervorosas a respeito de sua crença. Imagine só quando todos recebessem a torrente de informações que ela estava prestes a divulgar. Entrando no estacionamento cujo chão era coberto de pedregulhos da rústica atracção turística, Cotten Stone sentiu aquela antiga e conhecida pontada de excitação. Ela havia produzido manchetes importantes ao longo dos dois últimos anos: ao encontrar o Santo Graal, duas vezes; ao persuadir o Vaticano a abrir os seus cofres e permitir que os judeus recuperassem a menorá sagrada do Segundo Templo, levada para Roma por Tito em 70 d.C.; ao cobrir o impressionante achado dos rolos de pergaminhos mais antigos em cavernas próximas ao Mar Morto; e ao anunciar a descoberta das trinta peças de prata que Judas Iscariotes recebera em pagamento pela traição a Cristo. Mas esta agora seria a coroação das suas conquistas. Quando se tratava de sensacionalismo religioso, Cotten Stone ditava as regras. E agora ela tinha a oportunidade de desmascarar, sozinha, os fundamentos da teoria científica da evolução, ali mesmo naquela tarde quente, numa faixa poeirenta às margens de uma rodovia texana. Ela estava nas alturas, sentindo a adrenalina correr pelo rosto e pela garganta.

Cotten parou ao lado do veículo de geração e transmissão de vídeo à distância da NBC-5 de Dallas-Fort Worth, estacionada na frente do estabelecimento de Gilley. Já devia estar tudo pronto para a transmissão ao vivo via satélite da sua próxima reportagem revolucionária. Em instantes, ela revelaria ao mundo um osso de dinossauro com uma ponta de lança enterrada, a prova de que o homem tinha vivido na época dos dinossauros. Quando saiu do carro, Cotten voltou a observar o céu nublado do Texas. Controlem -se, ela pensou. Cotten Stone está prestes a abalar o noticiário nocturno outra vez.

Apenas uma semana depois do que deveria ter sido o melhor momento da sua vida, Cotten Stone estava outra vez diante das câmeras. Mas não havia o brilho de excitação no seu rosto, nem qualquer animação na sua voz. Em vez disso, seus olhos estavam pesadamente maquiados, numa tentativa de disfarçar as pálpebras inchadas. O corpo todo parecia encolhido, recurvado e, quando ela falou, a voz saiu acanhada. Gostaria de me desculpar com todos aqueles que se sentiram traídos ou ofendidos por mim declarou Cotten, evitando o contato visual com a câmera. Ela olhava para baixo, para os apontamentos que tinha preparado, sentindo os olhares de toda a equipa do estúdio sobre ela; o desprezo que eles sentiam era quase palpável. Não era a minha intenção mentir ou conspirar para enganar os espectadores da National Broadcasting Company ou as suas afiliadas. Nunca tive a intenção de decepcionar ninguém. Fui acusada de ignorar as evidências que indicavam aquilo que agora está sendo chamado de fóssil inventado, uma mentira premeditada. Nego terminantemente que tivesse algum conhecimento anterior de que se tratava de um artefacto falso e nunca pretendi iludir nem confundir ninguém. Se fui motivo de embaraço para algum grupo ou pessoa, sinto profundamente que isso tenha acontecido. Espero que todos possam perdoar-me. Cotten deixou as notas escorregarem dos dedos para o chão do estúdio. Afastou-se do foco das luzes e deixou o local das filmagens dos noticiários. Ninguém a acompanhou. Ninguém se despediu. Ela pensou que nunca chegaria às portas para fugir do horrível silêncio». In Lynn Sholes e Joe Moore, O Último Segredo, 1995, Editora Pensamento, 2015, ISBN 978-853-151-778-5.

Cortesia de EPensamento/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério, 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

A Terra Oca. Raymond Bernard. «O aviador deve ter ido além do Pólo Norte, no interior do mesmo território mais quente que o Almirante Byrd visitou, e que fica dentro da abertura polar»

Cortesia de wikipedia e jdact

Aquele Continente Encantado nos Céus, Terra de Eterno Mistério! Gostaria de ver aquela terra além do Pólo (Norte). Aquela área além do Pólo é o Centro do Grande Desconhecido! In Richard Byrd

A Descoberta do almirante Byrd

«(…) Em volta dos quatro lados do oásis, que era de forma aproximadamente quadrada, Bunger viu neve e gelo brancos, eternos e sem fim. Dois dos lados do oásis se elevavam a quase trinta metros da altura e consistiam de grandes paredões de gelo. Os outros dois tinham um declive mais suave e gradual. A existência de um tal oásis, na longínqua Antártica, uma terra de gelo perpétuo, indicaria condições mais quentes, que existiriam se o oásis estivesse na abertura polar sul, que leva ao interior mais quente da terra, como no caso dos territórios mais quentes, com terra e lagos, que o Almirante descobriu além do Pólo Norte, e que estavam, provavelmente, dentro da abertura polar norte. De outra maneira, não se pode explicar a existência de um tal oásis, de território não gelado, no meio do continente Antártico, com quilómetros de espessura de gelo. O oásis não podia ser o resultado de actividade vulcânica, porque sua área era de cerca de setecentos e setenta quilómetros quadrados, demasiado grande, portanto, para ser afectada pelo calor vulcânico. Uma melhor explicação é a de correntes de ar quente vindas do interior da Terra.

Assim, Byrd no Ártico e Bunger na Antártica, fizeram ambos descobertas semelhantes, de áreas de terras mais quentes, além dos Pólos, mais ou menos na mesma época, no princípio de 1947. Entretanto, eles não foram os únicos a fazerem tal descoberta. Há algum tempo um jornal de Toronto, no Canadá, The Globe and Mail, publicou uma fotografia de um vale verde, tirada por um aviador, na região ártica. Evidentemente, o aviador fotografou do ar e não tentou aterrar. O aviador deve ter ido além do Pólo Norte, no interior do mesmo território mais quente que o Almirante Byrd visitou, e que fica dentro da abertura polar. Esta fotografia foi publicada em 1960. Como confirmações adicionais da descoberta de Byrd, há relatos de indivíduos que afirmaram terem entrado pela abertura polar norte, como muitos exploradores árticos o fizeram sem o saber, e penetrado longe o bastante por ela até alcançar o Mundo Subterrâneo, no interior oco da Terra. O dr. Nephi Cottom, de Los Angeles, declarou que um dos seus pacientes, um homem de ascendência nórdica, lhe contou a história seguinte:

Vivia perto do Círculo Ártico, na Noruega. Num Verão, eu e um amigo resolvemos fazer uma viagem de barco juntos, e ir tão longe quanto pudéssemos para o norte. Assim, armazenamos provisões de boca para um mês, num pequeno barco de pesca, e nos fizemos ao mar, com vela e também com um bom motor de popa. No fim de um mês tínhamos viajado bem longe, para o norte, além do Pólo e numa estranha e nova região. Ficámos muito espantados com o clima de lá. Quente, e às vezes as noites eram tão cálidas que quase não se podia dormir. (Exploradores árticos que foram ao norte longínquo têm feito narrativas semelhantes, de clima quente, às vezes o bastante para fazer com que tirem suas roupas mais pesadas, o Autor). Depois, vimos algo tão estranho que ficamos ambos assombrados. Em frente do mar aberto e quente, em que estávamos, vimos o que parecia uma grande montanha. Naquela montanha, num determinado ponto, o oceano parecia estar desembocando. Confusos, continuamos naquela direcção e rios encontramos navegando num vasto e profundo vale, que levava para o interior da Terra. Continuamos navegando e vimos então o que nos surpreendeu ainda mais, um sol brilhando dentro da Terra! O oceano, que nos tinha levado para dentro do interior oco da Terra, gradualmente transformou-se num rio. O rio ia, como descobrimos mais tarde, através de toda a superfície interna do mundo, de uma extremidade à outra. Ele pode ir, se se o segue toda a vida, do Pólo Norte até ao Pólo Sul. Vimos que a superfície interna da terra é constituída, como a outra o é, de terra e água. Há abundância de luz solar e muita vida, tanto animal quanto vegetal. Navegamos mais e mais, para dentro desta região fantástica, fantástica porque tudo era de tamanho grande em comparação com as coisas do lado de fora. As plantas são grandes, as árvores enormes e, finalmente, chegamos até aos gigantes. Eles viviam em lares e cidades, da mesma maneira como o fazemos na superfície da Terra. Usavam um tipo de condução eléctrica, semelhante a um monotrilho, para transportar as pessoas. Corria ao longo das margens do rio, de cidade para cidade. Vários dos habitantes do interior da Terra, gigantes enormes, descobriram nosso barco no rio e ficaram muito surpresos. Entretanto, foram bastante amistosos. Fomos convidados a jantar com eles, nos seus lares, e assim separei-me do meu companheiro, seguindo ele com um gigante para o lar deste, e eu indo para a casa de outro gigante. Meu amigo gigantesco me levou para a sua casa, apresentou-me a sua família, e fiquei completamente aterrorizado ao ver o tamanho enorme de todos os objectos do seu lar. A mesa de refeições era colossal. Foi posto na minha frente um prato com uma quantidade tão grande de comida que poderia me alimentar, abundantemente, por uma semana. O gigante me ofereceu um cacho de uvas e cada uva do tamanho de um dos nossos pêssegos. Provei uma e achei bem mais doce do que qualquer uma que tivesse comido do lado de fora. No interior da Terra todos os frutos e hortaliças são bem mais gostosos e saborosos do que os que temos na superfície externa da Terra. […] In Raymond Bernard, A Terra Oca, 2008, Editorial Minerva, 2008, ISBN 978-972-591-725-1.

Cortesia de EMinerva/JDACT

JDACT, Raymond Bernard, Mistério, Terra, Literatura,