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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Fortaleza de Vilar Maior. Beira Interior. «O povoado que se definiu à sombra do castelo foi muralhado já no final do século XIII, estando-lhe associada uma inscrição de 1280, o que demonstra como, por esta altura, a povoação era importante o suficiente para ser agraciada com um projecto real»


Cortesia de wikipedia e jdact

«O Castelo de Vilar Maior localiza-se na freguesia e povoação de Vilar Maior, concelho do Sabugal, distrito da Guarda. Em posição dominante sobre o vale do rio Cesarão e a povoação, do alto de seus muros é possível avistar-se o Castelo da Guarda».

«A posição estratégica de Vilar Maior no contexto de fronteira entre Portugal e Leão cedo determinou que aqui se erguesse um castelo. Ele encontra-se documento desde a segunda metade do século XI (imediatamente após a campanha das Beiras promovida por Fernando Magno), e a sua construção justifica-se neste novo quadro de expansão do reino leonês. De acordo com a análise de Barroca, o perímetro oval da cerca deve corresponder a este período, pela aparente simplicidade do seu dispositivo defensivo, ignorando ainda os torreões e evitando os ângulos. Para além disso, apresenta um aparelho tendencialmente a caminho da isodomia, com fiadas horizontais já claramente definidas e silhares de apreciáveis dimensões, razoavelmente bem talhados.
No caminho para a Baixa Idade Média, Vilar Maior continuou a merecer a atenção por parte dos monarcas leoneses. O povoado que se definiu à sombra do castelo foi muralhado já no final do século XIII, estando-lhe associada uma inscrição de 1280, o que demonstra como, por esta altura, a povoação era importante o suficiente para ser agraciada com um projecto real de dimensão considerável, como era certamente a empreitada de muralhamento de uma vila.
A configuração actual do conjunto, com a sua poderosa torre de menagem, data já da transição para o século XIV. A 17 de Novembro de 1296, ainda antes da assinatura do Tratado de Alcanices, o rei Dinis I passou foral à povoação. Um ano depois, o monarca leonês assinou a passagem de Vilar Maior, e de outras vilas de Riba-Côa, para a coroa portuguesa. Foi a partir dessa data que se deu início à derradeira fase construtiva da estrutura militar, com actualização de dispositivos e renovação de alguns elementos.
O recinto tem a forma oval muito bem definida, e encontra-se protegido pela gigantesca torre de menagem quadrangular que apoia a defesa da porta principal. Do lado oposto da cerca, localiza-se uma segunda porta, de arco apontado e com vestígios de ter sido sobrepujada por alpendre ou sistema de madeira para apoio do adarve. Este tem acesso por escadarias longitudinais, em vários pontos da cerca, o que permitia uma rápida movimentação de tropas no interior do circuito.
Neste sistema, a torre de menagem desempenha uma activa função de defesa, projectando-se para o exterior da cerca, o que permite uma maior abrangência de tiro sobre a cerca e, no caso particular, sobre a porta principal. É de três andares, sendo o térreo cego e sem acesso directo. A entrada faz-se pelo interior da muralha, ao nível do adarve, por meio de porta sobrelevada de arco apontado. Neste andar, assim como no registo superior, os alçados voltados ao exterior integram apertadas frestas, faltando já o coroamento, que poderia apresentar outros dispositivos de defesa, como um terraço ameado. O seu aspecto compacto e maciço disfarça as escassas aberturas, mas reforça a monumentalidade e inexpugnabilidade do conjunto, cujo impacto cenográfico não poderia deixar de impressionar, numa paisagem pouco humanizada e certamente destituída de pontos de referência desta amplitude. O estatuto da torre como obra de propaganda por parte dos novos poderes é reforçado pela presença do brasão real português, colocado ostensivamente na face principal da Torre.



Pacificado o território, Vilar Maior decaiu de importância e começaram a sentir-se dificuldades de povoamento. Em 1440, numa época de clara litoralização do reino, a localidade albergou um couto de homiziados, numa clara tendência para inverter a desertificação. Em 1510, D. Manuel concedeu-lhe novo foral, mas não mais a povoação voltaria a ter a importância de outrora. Ponto de passagem durante as invasões francesas de inícios do século XIX, consta que foi incendiado e pilhado. Na actualidade, aguarda pela definição de um projecto de valorização, que terá, obviamente, de passar por uma prévia investigação arqueológica». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de Wikipédia e IGESPAR/JDACT

A Fortaleza de Sabugal. Beira Interior. «A localidade mantinha a anterior importância, agora acrescida pelas cláusulas do “Tratado de Alcanices”, que lhe impunham um estatuto de primeira fortaleza raiana. Neste contexto, Dinis I ergueu um castelo exemplar, moderno e espacialmente racionalizado»


Cortesia de igespar e jdact

«O Castelo do Sabugal, também referido como Castelo das Cinco Quinas devido ao formato incomum de sua torre de menagem, localiza-se na freguesia e concelho do Sabugal, no distrito da Guarda. Em posição dominante sobre a povoação, num pequeno planalto da serra da Malcata, controla a travessia do rio Côa na sua margem direita. Daí  a sua importância na antiguidade e na época medieval.
Reza a tradição que foi no largo deste castelo que se deu o famoso milagre das rosas tendo como protagonistas a Rainha Santa Isabel e o rei D. Dinis».

«As origens do Castelo de Sabugal encontram-se no reino de Leão, quando Alfonso IX detinha as terras de Riba-Côa. Nos séculos XII e XIII, a vila era a principal localidade desta vasta região, na medida em que controlava a ponte que permitia a passagem do rio Côa. Apesar desta circunstância de inegável importância, os primeiros dados seguros surgem apenas nos inícios do século XIII, quando o monarca leonês fundou a vila, por volta de 1224. Nos setenta anos seguintes, um primitivo reduto defensivo foi edificado a expensas do reino de Castela e Leão, fortificação que haveria de ser conquistada pelo monarca Dinis I em 1296, na sequência da ofensiva militar do nosso rei sobre as terras de Riba-Côa.
É a partir da transferência de soberania da vila que aparece o castelo gótico de Sabugal. A localidade mantinha a anterior importância, agora acrescida pelas cláusulas do Tratado de Alcanices, que lhe impunham um estatuto de primeira fortaleza raiana. Neste contexto, Dinis I ergueu um castelo exemplar, moderno, arquitectónica e espacialmente racionalizado. As obras principiaram pelo desimpedimento do núcleo central da vila, dentro das antigas muralhas leonesas, onde se erguiam algumas casas. Definido o perímetro, a opção foi por uma fortaleza de planta geométrica quase perfeita, delimitando um pátio sub-rectangular com torreões quadrangulares nos ângulos.
A radicalidade e modernidade deste projecto está bem espelhada na majestosa torre de menagem. Ao contrário dos castelos românicos, onde esta torre aparecia isolada dentro do recinto interior, a torre de menagem do castelo de Sabugal adossa-se a uma das muralhas e tem por objectivo a defesa activa da porta principal. Para além disso, ao contrário da secção quadrangular da estrutura, optou-se por uma torre pentagonal, herdeira das torres quinárias dos Templários e de Sancho I, cuja imponência se assumiu como uma das principais imagens da vila ao longo da sua história.
As muralhas do castelo foram igualmente tratadas de forma cuidada e bastante actual, de um ponto de vista operacional. Dois torreões circulares protegem um dos alçados e um largo adarve percorre todo o recinto quadrangular. Exteriormente, uma barbacã, possivelmente já do século XIV, circunda a fortaleza, obrigando ao estreitamento dos acessos e à progressiva individualização das forças inimigas, que ficam, assim, expostas ao tiro vertical.




A cerca que circunda a vila é, também ela, um produto gótico. De planta oval, e integrando grande parte do castelo, devem datar do século XIV, praticamente em simultâneo com a construção do reduto. A porta principal localiza-se na outra extremidade e, entre estes dois elementos, a Rua Direita assume-se como o principal eixo de circulação intra-muros.
À semelhança da maioria dos nossos castelos, também o de Sabugal foi objecto de várias reformas. No reinado do monarca Manuel I, os desenhos de Duarte de Armas mostram uma barbacã bem composta de tranoeiras, perfeitamente adaptada à guerra de artilharia. Nos séculos seguintes sucedem-se as obras, visando o reforço da estrutura, que ainda serviu de ponto de apoio às guerras peninsulares de inícios do século XIX. A partir daqui, perdida a função militar pelo progresso da arte da guerra, o castelo entrou em decadência. Se no século XVI existiam algumas casas no interior do pátio, em meados de Oitocentos este foi adaptado a cemitério da localidade, chegando mesmo, na viragem do século, a demolir-se a capela de Santa Maria, templo tutelar da fortaleza desde a época gótica.
As obras de restauro tiveram início pouco depois, após a constituição da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Esta instituição, desenvolveu aqui um programa de intervenção bastante ambicioso e integral, que teve por objectivo a reconstrução de grande parte do castelo medieval, desde as muralhas à colocação de merlões, obras que estão na origem da configuração actual do castelo». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de Wikipédia e IGESPAR/JDACT

sábado, 2 de março de 2013

A Fortaleza de Penamacor. Beira Interior. «Sabe-se que no reinado de Dinis I foram empreendidas obras de amuralhamento, entre as quais se conta a torre de menagem e alguns panos de muralha. No momento actual, todavia, é a esse período que se atribui a obra genérica do castelo medieval»


jdact e cortesia de igespar

Castelo templário, na linha beirã, ergue-se num cabeço rochoso entre a ribeira de Ceife e a ribeira das Taliscas, afluentes do rio Ponsul, que, por sua vez, desagua no rio Tejo. O castelo e a fortaleza de Penamacor foram classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 1973.


«As origens do castelo de Penamacor recuam ao reinado de Sancho I, concretamente ao ano de 1189, data em que o monarca doou a vila ao Mestre da Ordem do Templo, Gualdim Pais. Tem-se atribuído a este momento, ou a uma data um pouco posterior, o início da construção do recinto fortificado mas é de supor que, à semelhança do que aconteceu com outras doações aos Templários, também Penamacor tivesse já alguma relevância militar, alicerçada numa possível pré-existência. As recentes escavações no Cimo da Vila ainda não confirmaram essa fase imediatamente anterior, mas ela deve permanecer como hipótese de trabalho a ter em conta em próximas intervenções. Do antigo castelo medieval é muito pouco o que resta e esses vestígios atestam uma cronologia já avançada, em plena Baixa Idade Média. Sabe-se que no reinado de Dinis I foram empreendidas obras de amuralhamento, entre as quais se conta a torre de menagem e alguns panos de muralha. No momento actual, todavia, é a esse período que se atribui a obra genérica do castelo medieval, com algumas fases construtivas imediatamente posteriores, como a barbacã e outros elementos, datáveis já dos reinados de Fernando e de João I. O principal elemento remanescente é a majestosa torre de menagem, erradamente designada de vigia e sistematicamente assim caracterizada pelos autores que se seguiram. É uma estrutura de planta quadrangular regular, com entrada elevada acima do solo que requeria o uso de uma escada amovível. Escassamente fenestrada, era coroada uniformemente por balcão de matacães assente em cachorrada, uma solução militar relativamente rara em Portugal e que deve corresponder a uma intervenção realizada pelos inícios do século XVI, uma vez que Duarte d'Armas, por essa mesma altura, refere que a:
  • a torre de menagem nom era acabada ao tempo que eu aly estaua.
O aglomerado urbano medieval é ainda perceptível, ao longo da Rua de São Pedro. As parcelas habitacionais aí existentes revelam um perímetro genérico de tendência oval, próprio das vilas muralhadas góticas. Sensivelmente ao centro desta artéria, desenvolve-se uma outra, de perfil transversal àquela, e que coloca em comunicação com o centro histórico a antiga entrada da alcáçova. Nos inícios do século XVI, Duarte d'Armas desenhou um castelo de complexo sistema defensivo, com uma alcáçova perfeitamente perceptível, dotada de barbacã e uma possível liça, e um perímetro amuralhado de tendência oval, defendido por torre no extremo oposto ao da alcáçova. Nos séculos seguintes, o castelo foi alvo de profundas reformas. Logo em 1568 edificou-se a Casa da Câmara sobre a porta Norte da vila, como ainda se encontra, uma espécie de torre de três pisos, cujo andar térreo é ocupado pela entrada no recinto, fazendo com que a Câmara controlasse directamente quem entrava e saía da povoação. Décadas depois, as muralhas foram reforçada e parcialmente reconstruídas, no âmbito das Guerras de Restauração. Nessa ocasião, sob o comando do marquês de Castelo Melhor, construíram-se seis baluartes em redor da anterior fortificação medieval, e outros melhoramentos foram realizados. O processo de destruição e desmantelamento do castelo iniciou-se no século XIX. Na centúria anterior, existem ainda notícias de manutenção das guarnições militares, mas a sua extinção, em 1834, precipitou a destruição de todo o sistema militar. A partir dessa altura, o conjunto serviu de pedreira a diversas construções privadas. Em 1867, destruiu-se a porta de Santo António, tendo o município adquirido a pedra daí resultante; em 1874, Baltasar Pereira da Silva pediu autorização para se desmantelar um baluarte, tendo a câmara concedido 30 carros para transporte. O processo continuou na primeira metade do século XX, mas cedo os habitantes da vila reconheceram a importância desse património, com a instalação do Museu Municipal nos antigos Paços do concelho logo em 1943. In PAF, IGESPAR.




Um Mito
«Correndo o ano de 1584, sendo ainda vivas na população portuguesa as feridas de Alcácer Quibir, a população de Penamacor acreditou na legitimidade de um impostor que se fez passar pelo infortunado monarca Sebastião (1568-1578). Mesmo sem a idade e nem as características físicas do soberano, o impostor, o primeiro de diversos no mito do Sebastianismo fazendo-se passar pelo soberano misteriosamente regressado, chegou à vila narrando vívidos detalhes da batalha, complementados por uma algaravia interpretada pela simplicidade e credulidade dos habitantes como frases no idioma árabe. Sendo desse modo acolhido pela população, formou uma pequena corte onde pontificavam dois cúmplices: um auto-proclamado bispo de Braga e outro que se denominava como Francisco de Távora. Acolhiam as dádivas da comunidade quando as autoridades do reino intervieram, detendo o impostor e seus cúmplices. Conduzidos a Lisboa, foram julgados e sentenciados, o primeiro, às galés perpetuamente (das quais se evadiu anos mais tarde) e os cúmplices, à morte». In Wikipédia.



Cortesia de IGESPAR/Wikipédia/JDACT

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Fortaleza de Castelo Branco. Beira Interior. «Muito adulterada ao longo dos séculos, a fortaleza permanece como a mais importante memória histórica militar da cidade. A sua origem remonta à segunda metade do século XII e à presença templária na região, sendo o modelo tipológico adoptado e ensaiado numa das mais importantes fortificações cruzadas na Terra Santa»

Cortesia de wikipedia

«De características arquitectónicas semelhantes ao ‘Chastel Blanc’ dos Cruzados na Síria (1171), ergue-se num maciço de granito, na cota de 470 metros acima do nível do mar. Acredita-se que a primitiva ocupação humana de seu sítio tenha sido um castro pré-histórico, no alto do monte, em cujas encostas se registou a ocupação romana, sucedida por Suevos, Visigodos e Muçulmanos.
À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, a região foi tomada aos muçulmanos desde 1165, sendo doada por D. Afonso Henriques (1112-1185) à Ordem dos Templários para que a povoasse e defendesse. A área da actual cidade de Castelo Branco integrava a propriedade régia conhecida como Herdade da Cardosa, destacada do termo do Concelho da Covilhã no foral de 1186, no início do reinado de D. Sancho I (1185-1211). Ainda no reinado deste soberano, a doação aos templários foi revista (1198), ficando a metade do território nos domínios de Fernando Sanches, que se acredita seja o próprio infante D. Fernando, terceiro filho de D. Sancho I. Este Senhor aí teria constituído a Vila Franca da Cardosa (1211). Em 1214, Fernando Sanches cedeu a vila e seus domínios à Ordem do Templo, sendo seu Mestre em Portugal, Pedro Alvites, com reserva de metade dos rendimentos e sob a condição de promoverem o seu povoamento e nela erigirem castelo para a defesa das suas gentes, doação confirmada por bula do Papa Inocêncio III (1245), quando se refere, pela primeira vez, a toponímia Castelo Branco. É nesta fase, entre 1214 e 1230, que é edificada a primeira muralha, integrando, juntamente com o Castelo de Almourol, o Castelo de Monsanto, o Castelo de Pombal, o Castelo de Tomar e o Castelo do Zêzere, a defesa denominada como “Linha da Raia” ou “Linha do Tejo”. Também é neste período que D. Simão Mendes, Mestre da Ordem, determina a construção do chamado ‘Palácio dos Comendadores’ (1229).

Desenvolvendo-se extra-muros, sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), a Ordem de Cristo sucedeu a do Templo, época em que o soberano determinou a construção da Torre de Menagem de planta poligonal, no extremo Noroeste do perímetro (hoje desaparecida). Nesta fase, ao final do século XIII, os muros eram rasgados por quatro portas:
  • a Porta do Ouro,
  • a Porta de Santiago,
  • a Porta do Pelame,
  • a Porta da Traição.

Cortesia de igespar

O rei D. Afonso IV (1325-1347), ordenou que as vilas de Castelo Branco e de Nisa erguessem novas muralhas, sendo as obras custeadas com o produto da sisa sobre os cereais, vinhos, carne, sobras dos fundos dos hospitais, e dos resíduos dos testamentos, tudo da Ordem, até ao montante de 600 libras. Inicia-se assim, a partir de 1343, uma segunda cinta de muralhas envolvendo a vila, quando a alcáçova passou a contar com sete portas. Iniciaram-se ainda as obras da ‘Torre de Menagem’, adoçada à muralha.
Quando da doação da vila e seus domínios a Martim Lourenço de Figueiredo, é feita menção a um alcaide-mor do castelo (1 de Outubro de 1357). Sob o reinado de João I de Portugal, a edificação do palácio é descrita como possuindo três câmaras, uma torre e duas cavalariças, estando-lhe anexas uma cozinha, uma vacaria, um celeiro e uma casa para guardar a prata (1408). Ainda no século XV é erguida a barbacã. No reinado de D. Manuel I (1495-1521), encontra-se figurado por Duarte de Armas em seu Livro das Fortalezas (c. 1509): o castelo ao alto, em posição dominante sobre a povoação na encosta destacando-se a sua torre de menagem; a cerca da vila, dupla, ameada, na qual se inscreviam cinco torres (uma delas a Torre do Relógio, já referida como tal), rasgada por oito portas:
  • a Porta do Ouro,
  • a Porta de Santiago,
  • a Porta da Traição, 
  • a Porta do Espírito Santo,
  • a Porta do Relógio,
  • a Porta da Vila,
  • a Porta do Esteval,
  • a Porta de Santarém.
Figura ainda o Palácio dos Comendadores, integrado por uma capela, um pátio interno e um pomar, e do qual nos restou a torre.

À época da Guerra da Restauração, sofreu danos diante da ofensiva espanhola, em 1648 e por eles, novamente, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (22 de Maio de 1704), quando perdeu parte das muralhas. Quando da Guerra dos Sete Anos a vila e seu castelo foram invadidos e saqueados por tropas franco-espanholas (1762), sendo restituídos apenas em virtude da assinatura do Tratado de Paris (1763). Mais tarde, durante a Guerra Peninsular, a ofensiva francesa comandada por Jean-Andoche Junot (1807), causou severos danos ao castelo. Diante da destruição causada pelas tropas napoleónicas, a partir de 1821, registava-se a retirada das pedras do castelo pelos habitantes para construção das suas moradias.

Cortesia de igespar

Enfraquecida a estrutura, um violento temporal que se abateu na região fez desabar algumas das paredes da alcáçova e das muralhas (15 de Novembro de 1852).  O processo de decadência prosseguiu no século XX, com o desabamento, em 1930, da última torre da muralha (interna / externa?), ao qual se seguiu, em Março de 1936, a da torre no ângulo nordeste, também devido a uma tempestade. Ainda neste mesmo ano foi solicitada à Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) uma vistoria no local, que realizou a reconstrução da torre (1940), recriando algumas estruturas, como por exemplo, as janelas neo-manuelinas. Novas intervenções se sucederam, em 1977 (prospecção arqueológica e limpeza, consolidação e reconstrução do troço da muralha ruída à altura da Rua Vaz Preto, expropriação e demolição pela Câmara Municipal de imóveis adoçados à muralha), entre 1980 e 1982 (beneficiação do troço de muralhas à altura do mesmo logradouro). Em 2000 descobriu-se parte da muralha medieval, nomeadamente de um dos torreões, durante os trabalhos de demolição de duas edificações na mesma Rua Vaz Preto. No ano de 2002 previa-se a recuperação do troço da muralha a leste, que ligava a torre da alcáçova e a torre de menagem do antigo Palácio dos Comendadores.

O interesse despertado nos últimos anos por este património levou à definição da primeira protecção legal para o conjunto, hoje em vias de classificação. A igreja foi classificada pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público em 1978». In Wikipédia

jdact

«Muito adulterado ao longo dos séculos, o Castelo de Castelo Branco permanece como a mais importante memória histórica militar da cidade. A sua origem remonta à segunda metade do século XII e à presença templária na região, sendo o modelo tipológico adoptado o ensaiado numa das mais importantes fortificações cruzadas na Terra Santa, precisamente o castelo de Chastel Blanc (OLIVEIRA, 2001). Com efeito, desde a evidente analogia toponímica à área amuralhada sensivelmente idêntica, passando ainda por outros pormenores, como o facto da igreja possuir uma cisterna no sub-solo ou de ela mesmo poder ter sido construída incorporada numa estrutura militar, tudo aponta para uma relação de estreita influência entre estes dois casos, separados por milhares de quilómetros, mas unidos pela mesma conjuntura cruzada que caracterizou a segunda metade do século XII e a própria função da Ordem do Templo. As primeiras alterações ao conjunto original deram-se logo em época gótica, mais propriamente nos finais do século XIII e no reinado de D. Dinis, um dos monarcas que mais contribuiu para a renovação das estruturas militares medievais portuguesas. Data dessa altura a construção da nova torre de menagem, de planta poligonal, no extremo Noroeste do perímetro, cujas adulterações posteriores determinaram também a sua destruição, mas de que se conserva ainda a memória numa das estruturas integradaa nas ruínas do conjunto. Igualmente se procedeu à construção da segunda linha de muralhas, facto que correspondeu ao crescimento populacional da localidade e à relevância estratégica do castelo. Esta segunda linha de defesa dotou a fortificação de sete portas, definindo-se, então, genericamente, o sistema geral do urbanismo albicastrense que ainda hoje permanece e que lentamente vaii sendo descoberto à medida que se sucedem as intervenções no núcleo urbano da cidade. A principal campanha reformuladora do castelo ocorreu na transição para a Idade Moderna. Por iniciativa da Ordem de Cristo, aqui se instalou o Paço dos Comendadores, uma estrutura palaciana acastelada magistralmente desenhada por Duarte d'Armas, no início do século XVI, e que foi sucessivamente reconstruída ao longo dos séculos. Na sua origem, este paço data de finais do século XV e deve ter reaproveitado uma estrutura anterior de origem templária (LEITE, 1991, p.16). No século XVIII, a descrição que possuimos deste conjunto aponta para uma planta excessivamente complexa, fruto das sucessivas transformações, e integrando a capela, um pátio interior de grandes proporções e um jardim. A ruína do paço de Castelo Branco iniciou-se no século XIX, altura em que muitos particulares começaram a considerar este imóvel como uma excelente pedreira para as suas obras, atitude seguida também pela Câmara Municipal, após as destruições efectuadas pelas tropas napoleónicas na cidade. Praticamente em ruínas na década de 30 do século XX, o que restava do castelo foi objecto de uma primeira campanha restauradora pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que privilegiou a consolidação das estruturas ainda subsistentes, a par com a recriação de alguns elementos, como as janelas neo-manuelinas que dão para a cidade. Mais recentemente, foram efectuadas algumas campanhas arqueológicas, que lograram identificar um vasto espólio medieval contemporâneo da construção inicial do castelo. A renovação do interesse pelo castelo templário de Castelo Branco, actualmente em curso, levou à definição de uma primeira protecção legal para o imóvel e todo o núcleo intra-muralhas, passo legal essencial a uma posterior intervenção no conjunto». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de IGESPAR/wikipedia/JDACT

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Atouguia da Baleia. A Igreja de São Leonardo. «Uma das principais realizações góticas que definem o que se convencionou chamar Gótico Paroquial, um fenómeno construtivo que percorreu grande parte do país, em particular as principais localidades do litoral, durante os reinados de D. Dinis e D. Afonso IV, entrando, mesmo, pelas primeiras décadas do século XV

Cortesia de jfadabaleia

Nota Histórico-Artistica
«A igreja de São Leonardo de Atouguia da Baleia é uma das principais realizações góticas que definem o que se convencionou chamar Gótico Paroquial, um fenómeno construtivo que percorreu grande parte do país, em particular as principais localidades do litoral, durante os reinados de D. Dinis e D. Afonso IV, entrando, mesmo, pelas primeiras décadas do século XV.

Com efeito, são muitas as afinidades que se podem encontrar entre estes templos, em cujo grupo se incluem igrejas como as de Santa Maria de Sintra, Santo André de Mafra, Santa Maria do Castelo de Tavira, Matrizes de Alcochete ou de Caminha, etc. São invariavelmente templos de três naves escalonadas, seccionadas por arcos formeiros apontados. A fachada principal forma uma espécie de triângulo, com corpo central a dois registos (abrindo-se, no primeiro, o portal, normalmente inscrito em gablete e, no segundo, ampla rosácea), enquanto que a cabeceira é tripartida, com capela-mor de dois tramos, o último poligonal, e absidíolos de esquema idêntico, porém de menores dimensões.

A construção do conjunto anda atribuída à transição para o século XIV e, estilisticamente, alguns autores reconhecem nela indícios de arcaísmo, em particular ao nível dos capitéis (DIAS, 1994, p.100, na linha de outros autores), embora esta apreciação mereça ser revista num século XIV bastante heterogéneo em termos decorativos. Sintoma disso mesmo é a inusitada qualidade do baixo-relevo da Natividade, um frontal de altar realizado no século XIV, único no país e pleno de naturalismo, apesar da rigidez natural do pano de fundo.
Pouco depois de terminada a obra, a igreja começou a ser enriquecida com enterramentos por parte dos mais importantes senhores locais. De 1371 é a inscrição de Domingos Bartolomeu, vassalo do rei e corregedor da Estremadura, que se fez sepultar na nave central. No século XV, a igreja tornou-se um monumento emblemático da principal estirpe que governou a vila, os Condes de Atouguia. O primeiro conde, D. Álvaro Gonçalves de Ataíde, jaz na capela que mandou construir pelos meados do século. E, na década de 60, contam-se importantes realizações, como o coro-alto, obra patrocinada pela Condessa de Atouguia, D. Guiomar de Castro, "pela alma do senhor conde", como indica a inscrição comemorativa da iniciativa.

No início do século XVI, a matriz de Atouguia era uma importante igreja da Estremadura, a ponto de ser novamente enriquecida com empresas vincadamente manuelinas. A principal é o portal da sacristia, em arco canopial regular. No exterior da capela-mor, o coroamento passou a integrar ameias, uma solução característica do ciclo artístico de D. Manuel.

Nas décadas seguintes, o interior foi esteticamente actualizado, com inclusão de pinturas murais (de que restam escassos elementos), mas a história da igreja acompanhou, de perto, a da própria vila: a partir do momento em que Atouguia perdeu importância, em benefício de Peniche, a igreja ressentiu-se, não mais voltando a ser objecto de grandes reformas, o que permitiu que tivesse chegado até aos nossos dias em relativo bom estado de conservação.
O restauro do conjunto ocorreu na década de 70 do século XX (uma fase já tardia na actividade emblemática da DGEMN) e iniciou-se pela consolidação de património integrado, no caso as pinturas murais e o painel da natividade. Houve, no entanto, uma efectiva preocupação em aplicar o "velhinho" conceito de "unidade de estilo", o que determinou a demolição do coro-alto, por exemplo, entre outras obras consideradas pós-medievais». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de IGESPAR/JDACT

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Fortaleza de Ouguela: «Apesar das recentes investigações arqueológicas, são ainda discutidas as origens da fortaleza, nomeadamente quanto à possibilidade de aqui se ter fixado um povoado proto-histórico, posteriormente romanizado e ainda depois transformado em fortaleza islâmica»

Foto de Jorge Reis
Cortesia de pontoblo

A fortaleza de Ouguela, no Alentejo, ergue-se na antiga vila de Ouguela, hoje parte da freguesia de São João Baptista do concelho de Campo Maior. Erguida sobre uma escarpa, o castelo domina a vila, na margem esquerda da ribeira de Abrilongo, próximo à sua confluência com o rio Xévora, vizinho à raia com a Espanha. Reconstruído por D. Dinis, recebeu linhas abaluartadas do reinado de D. João IV. De seus muros observa-se a fortificação espanhola de Alburquerque.

Em 28 de Maio de 1255, os homens-bons do concelho de Badajoz doaram Ouguela e outras localidades ao Cabido e ao Bispo de Badajoz. Pelo Tratado de Alcanices (12 de Setembro de 1297) os domínios de Ouguela e seu castelo passaram a pertencer à Coroa de Portugal. Já no ano seguinte, D. Dinis, visando o seu povoamento e defesa, outorga-lhe Carta de Foral com muitos privilégios (Lisboa, 5 de Janeiro de 1298), determinando a reedificação das suas defesas.


Fotos de Jorge Reis
Cortesia de pontoblo
No reinado de D. Fernando inicia-se a construção da nova cerca da vila, trabalhos que prosseguem sob o reinado de D. João I. Este último, também visando o seu povoamento e defesa, concedeu à vila o privilégio de couto de homiziados (http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4024.pdf ), 7 de Dezembro de 1420).
Em 1475, à época da batalha de Toro, confrontaram-se nas suas vizinhanças o alcaide-mor de Ouguela, João da Silva, e o alcaide-mor da vila espanhola fronteira de Albuquerque, João Fernandes Galindo. Ambos vieram a perecer devido aos ferimentos recebidos: o espanhol imediatamente, tendo o português sobrevivido ainda vinte e oito dias. Em 1551, Diogo da Silva, neto do alcaide-mor de Ouguela, mandou colocar uma cruz no local do combate, actualmente no Museu de Elvas.
Sob o reinado de D. Manuel I, a vila e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). O soberano concedeu-lhe Foral Novo (Lisboa, 1 de Junho de 1512).


jdact
«Apesar das recentes investigações arqueológicas, são ainda discutidas as origens do castelo de Ouguela, nomeadamente quanto à possibilidade de aqui se ter fixado um povoado proto-histórico, posteriormente romanizado e ainda depois transformado em fortaleza islâmica. As referidas escavações incidiram sobre momentos mais recentes da história da localidade, permanecendo por desvendar os primeiros capítulos civilizacionais do aglomerado que deu origem à actual Ouguela.
No século XIII, depois da passagem do território para a esfera cristã, o povoado fez parte do reino de Leão e Castela durante mais de meio século, até ser definitivamente integrado na coroa portuguesa em 1297, no âmbito do Tratado de Alcanices. Logo no ano seguinte, D. Dinis concedeu foral a Ouguela, mas só mais de cem anos depois é que a vila deixou de pertencer ao bispado de Badajoz.

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O essencial do castelo data dessa viragem para o século XIV, se bem que existam vestígios de reformas posteriores, em particular a verificada no reinado de D. João I, monarca que transformou Ouguela num couto de homiziados. Nos inícios do século XVI, Duarte d'Armas deixou-nos o desenho da fortaleza tardo-medieval, defendida por sete torres quadrangulares, entre as quais a de menagem, adossada à cerca pelo lado ocidental.

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Depois de 1640, na guerra que Portugal sustentou contra Espanha com vista à sua independência, a vila foi dotada de um sistema defensivo abaluartado, que inevitavelmente corrompeu parte do dispositivo medieval. Sob o comando de Nicolau de Langres, a nova fortaleza incluiu numerosos baluartes e revelins, um fosso, caminhos de ronda, dependências de aquartelamento e uma ampla cisterna quadrangular (com 12 metros de lado), recentemente intervencionada, localizada na praça de armas da vila». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de IGESPAR/wikipedia/JDACT

sábado, 19 de março de 2011

A Fortaleza de Campo Maior: «Erguida no alto do outeiro de Santa Vitória para defesa da raia alentejana, do alto de suas torres divisam-se as vizinhas Badajoz e Elvas. Só seria incorporada definitivamente aos domínios de D. Dinis em virtude do Tratado de Alcanises, 1297»


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Erguida no alto do outeiro de Santa Vitória para defesa da raia alentejana, do alto de suas torres divisam-se as vizinhas Badajoz e Elvas. Actualmente o monumento integra a Praça-forte de Campo Maior, depois da de Elvas, a mais importante fortificação do distrito de Portalegre.
A vila foi conquistada por forças portuguesas entre 1295 e 1296. Só seria, entretanto, incorporada definitivamente aos domínios de D. Dinis em virtude do Tratado de Alcanises, 1297. Para incrementar o seu povoamento e assegurar-lhe a defesa, o soberano concedeu-lhe Carta de Foral e determinou a reconstrução do seu castelo, 1310.


Diante do crescimento da povoação e da sua importância estratégica sobre a raia alentejana, D. João II ampliou-lhe as defesas, fazendo erguer uma nova cerca envolvente que inscrevia toda a vila dentro das muralhas. Esses trabalhos prosseguiam sob o reinado de D. Manuel I, quando foi figurada por Duarte de Armas no seu Livro das Fortalezas (c. 1509).


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Nos séculos XVII e XVIII, diante da modernização dos meios ofensivos, a defesa da vila foi remodelada com a introdução de linhas abaluartadas e construção de novas instalações militares, transformando a povoação medieval em uma Praça-forte.
O conjunto medieval foi severamente danificado em 1732. Por volta das 3 horas da madrugada, durante uma violenta tempestade, registrou-se a queda de um raio sobre a torre do castelo e posterior explosão e incêndio.
No século XX o castelo foi classificado como Monumento Nacional. Foram iniciadas obras de consolidação e restauro, caracterizadas por trabalhos de reconstrução. Uma segunda etapa de obras foi iniciada na segunda metade da década de 1960, estendendo-se até ao início da década de 1970, marcada por intervenções nas muralhas do castelo e na Capela de Nossa Senhora dos Aflitos. Uma terceira etapa teve lugar na década de 1980. No início de 2010 registou-se o desmoronamento parcial do monumento devido a condições de forte instabilidade atmosférica e chuva persistente.


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«Mandado edificar por D. Dinis, em 1310, este castelo fronteiriço da raia alentejana foi profundamente alterado em meados do século XVII, aquando das guerras da independência, segundo traças e direcção do engenheiro militar Nicolau de Langres. Da época medieval subsistem apenas alguns panos de muralha e parte da torre norte, com os seus matacães. Da cintura, fortificada na campanha seiscentista, restam, ainda, baluartes, portas e revelins. Em 1732, uma violenta trovoada causou a ruína de uma das torres que servia de paiol. A explosão que então deflagrou e o incêndio que se seguiu afectaram grande parte da vila e consumiu mesmo mais de metade das habitações em redor do castelo. D. João V ordenou a sua reconstrução, a cargo do engenheiro militar Manuel de Azevedo Fortes, transformando as antigas ruínas medievais numa fortaleza mais pequena, mas de maior operacionalidade». In PAF, IGESPAR. 

Cortesia de IGESPAR/wikipédia/JDACT

terça-feira, 1 de março de 2011

A Fortaleza de Elvas: «Implantado numa zona raiana, vocacionada desde sempre, para a defesa e protecção do reino. Data do reinado de D. Sancho II. Tomada a cidade aos mouros, sucessivamente em 1166 e 1220, e só defintivamente em 1226, o castelo foi imediatamente reedificado e concluído em 1228»

Cortesia de IGESPAR

O Castelo de Elvas, erguido na zona lindeira, no alto de um monte em posição dominante sobre a povoação e o rio Guadiana, integra um impressionante conjunto defensivo erguido ao longo dos séculos. Na Idade Média, o papel do castelo era complementar à invocação expressa no brasão de armas da cidade:
  • Custodi nos domine, ut pupilam oculi (Guardai-nos, Senhor, como à pupila do olho).
Actualmente é considerado como um dos melhores exemplos da evolução histórica da arquitectura militar no país.

Foi inicialmente tomado por forças cristãs sob o comando de Geraldo Sem Pavor (c. 1166), quando da conquista de Juromenha. Retomada pelos mouros, voltou às mãos portuguesas em 1220 para novamente cair na posse dos mouros. Somente em 1226 (1228 ou 1229 segundo outros autores) caiu definitivamente em mãos portuguesas, sob o reinado de D. Sancho II, que lhe outorgou Foral (Maio de 1229) e lhe determinou a reconstrução e reforço das defesas. Alguns autores compreendem que estas obras estariam concluídas já em 1228.

Cortesia de IGESPAR 
Os conflitos pela posse dessa fronteira atravessaram os reinados de:
  • D. Dinis (1279-1325), que deu Carta de Foral à Vila (1231) e lhe ampliou as defesas;
  • D. Fernando (1367-1383), que a dotou de uma terceira cintura de muralhas, reforçada por torres;
  • D. João II (1481-1495), que determinou a reconstrução da Torre de Menagem (1488) e outros reparos, conforme a pedra de armas deste soberano sobre o portão de entrada;
  • D. Manuel I (1495-1521), que elevou a vila à categoria de cidade (1513).
No conjunto, estes soberanos propiciaram à vila um notável sistema defensivo, que no início do século XVI ostentava uma tripla cintura de muralhas, vinte e duas torres, onze portas e barbacã, conforme o desenho de Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). Estes dois últimos soberanos foram os responsáveis pela modernização do castelo para o sistema abaluartado, com linhas renascentistas, período em que passa a predominar a função residencial (paço dos alcaides).

Durante a Crise de 1383-1385, o alcaide de Elvas tomou o partido de D. Beatriz e de Castela. Entretanto, a população, liderada por Gil Fernandes, atacou o castelo e deteve o seu alcaide. Gil Fernandes jurou fidelidade a Portugal e a D. João I, provocando, no Verão de 1385, um cerco de 25 dias pelas forças castelhanas, ao qual a vila resistiu invicta.



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Já o mesmo não conseguiu fazer no contexto da Crise de sucessão de 1580, quando o seu alcaide passou-se para o lado espanhol.
O castelo medieval ergue-se na cota mais elevada do terreno, a 320 metros acima do nível do mar. Em seu conjunto apresenta elementos dos variados períodos construtivos, que, no início da Idade Moderna, encontrava-se composto por três cortinas defensivas, conservando as duas mais antigas importantes estruturas do período muçulmano.
Na linha de defesa externa, mais recente, datando do reinado de D. Fernando, reforçada por 22 torreões e por uma barbacã, abriam-se originalmente 11 portas, reduzidas a 3 pelas reformas do século XVII (respectivamente a de Évora, a de Olivença e a de São Vicente). Esta defesa foi parcialmente absorvida pela expansão urbana.
A linha intermediária de defesa também foi comprometida por essa expansão. Os seus muros eram rasgados por 4 portas:
  • a Ferrada,
  • a Porta Nova ou da Encarnação,
  • a de Santiago,
  • a do Bispo.
A linha de defesa interna ergue-se na cota mais elevada do terreno, a nordeste, tendo chegado até nós 2 das suas antigas portas: a da Alcáçova e a do Miradeiro. É constituída pelo castelo do reinado de D. Sancho II, remodelado por D. Dinis e reforçado por D. João II e por D. Manuel I, apresentando planta quadrangular.
Ladeado por 2 torres quadrangulares, a mais alta correspondendo à de menagem, o Portão de Armas é protegido por um balcão sustentado por mísulas, onde se exibe o brasão de armas de D. João II. .

Cortesia de IGESPAR
 
«Implantado numa zona raiana, vocacionada desde sempre, para a defesa e protecção do reino, o Castelo de Elvas data do reinado de D. Sancho II, embora sofresse ampliações importantes no reinado seguinte. Assenta sobre uma estrutura muçulmana, da qual ainda se conservam duas cinturas de muralhas. Tomada a cidade aos mouros, sucessivamente em 1166 e 1220, e só defintivamente em 1226, o castelo foi imediatamente reedificado e concluído em 1228.
No reinado de D. Dinis introduziram-se algumas inovações ao nível das coberturas e outros elementos de apoio, como os torreões e os matacães. Nos séculos seguintes, D. João II e D. Manuel I adaptaram o castelo rumo a um novo sistema abaluartado, de gosto renascentista, ao mesmo tempo que todo o conjunto foi assumindo um carácter mais residencial, a cargo dos alcaides da cidade. Sobrepujando as portas de entrada deparamos com a pedra de armas de D. João II, datando essa campanha construtiva. Foi esta dupla função castelo/residência que melhor caracterizou o conjunto até à grande reforma militar de meados do século XVII, época em que o Castelo de Elvas passará a ser um dos mais notáveis conjuntos abaluartados da Europa, devido à premência da defesa em pleno ciclo de guerras de fronteira (1641-1668). A obra de fortificação coube ao engenheiro Padre Cosmander e a outros mestres, para o efeito chamados à corte portuguesa por D. João IV e D. Afonso VI. Destaca-se, desta campanha, o complexo sistema de muralhas, revelins, fossos, bem como duas fortalezas secundárias, as de Santa Luzia e da Graça.

Cortesia de wikipedia
Apesar das grandes transformações sofridas ao longo da História, o Castelo de Elvas mantém a sua estrutura militar medieval e é reconhecidamente um dos mais importantes casos de sobreposição de funções e de evolução das concepções estratégico-militares ao longo da História portuguesa».In IGESPAR, PAF .

Cortesia de IGESPAR/wikipédia/JDACT