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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Miguel Corte Real: Cataldo Sículo. «Não há dúvida nenhuma de que se trata do famoso Miguel Corte Real e traz, pelo menos, um subsídio histórico para a sua biografia, até hoje não aproveitado»

Pintura de Gaspar Corte Real
Cortesia de manuellucianodasilva 

Foge-me o talento e a eloquência,
apodera-se de mim o terror, quando tento
dizer os feitos de tão grande capitão.
É aquele que tem o nome do príncipe
celeste dos cavaleiros e a quem os
antepassados legaram o apelido de Corte Real.

Tudo quanto faz é digno de triunfos,
digno de ser posto em tábua de cedro.
Avô e bisavô o tornaram nobre pelo
sangue. E ele os adorava em todas as
virtudes.

Ele tudo realiza, segundo o
pensamento de quem lho ordena (o Rei).
Cavaleiro ilustre, ora actua como
soldado, ora veste armas ligeiras. Em
qualquer caso, a sua presença significa
victória.
Cataldo Sículo, «Poemata, 1502» 
 
Carta Real de Miguel Corte Real emitido em 02 de Maio de 1502 Cortesia de dightonrock
 
Não há nenhuma pintura de Miguel Corte Real. O Prof. Américo Costa Ramalho afirma:
  • Não há dúvida nenhuma de que se trata do famoso Miguel Corte Real e traz, pelo menos, um subsídio histórico para a sua biografia, até hoje não aproveitado. O poema é dedicado a Miguel Corte Real.
Cortesia de Manuel Luciano da Silva/JDACT

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Pedra de Dighton: Um bloco de rocha cuja superfície está recoberta de inscrições. As teorias (de entre outras) atribuem as incrições a navegadores portugueses. A Miguel Corte Real de acordo com uma teoria postulada em 1918 por Edmund B. Delabarre e defendida numa obra publicada em 1929

Cortesia de cmfunchal

Com a devida vénia a Cândido Mesquita, publico algumas palavras.

«Vale a pena alargar os horizontes e partir para a descoberta do Dighton Rock State Park, criado pelo Senador Estadual Edmund Dinis em 1954, (saida 10 da auto-estrada 24, Berkley, Massachusetts) e aí visitar o Museu da Pedra de Dighton, inaugurado em 1977. É uma visita obrigatória para quem viaja por estas paragens e gosta de conjugar beleza com páginas célebres da nossa história».

Cortesia de dightonrock
«Existem ali provas que o navegador português Miguel Corte Real, visitou o local em 1511 e no Museu é possível ver ainda paineis explicando as inscrições da famosa Pedra de Dighton (dentro de uma vitrina octagonal) e objectos associados com os descobrimentos portugueses. Possui uma réplica da caravela «Victória» de Fernão de Magalhães (oferta do Rei D. Carlos de Espanha), assim como uma réplica da «Nau São Gabriel» de Vasco da Gama (oferta do Museu da Marinha de Lisboa). Mostra a única «Litocolagem» do mundo de Chipi Tegu e ainda um impressionante Padrão dos Descobrimentos, em marmore (oferta da Fundação Gulbenkian).
Das águas calmas do rio Taunton a Pedra de Dighton foi elevada com uma grua sendo construído aí o Museu que assim entrou no leito do rio. Anteriormente as 40 toneladas de rocha de granito areoso, estiveram no rio cobertas com água e gelo. Por muito estranho que pareca estas condições adversas protegeram as inscrições de serem mais vandalizadas».

Cortesia de topazio1950
«Sabendo dos grandes feitos dos portugueses que descobriram os caminhos marítimos para a Índia, África, Extremo Oriente e Américas, seria irónico ignorarmos uma verdade surpreendente revelada em 1918, por Edmund Burke, psicologista na Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island. Burke detectou o nome de Miguel Corte Real e a data de 1511 gravados na Pedra de Dighton. Em 1951 José Dâmaso Fragoso descobriu três cruzes da Ordem de Cristo. Em 1960 Manuel Luciano da Silva apresentou no I Congresso Internacional dos Descobrimentos em Lisboa, toda a documentação sobre a teoria portuguesa, concluindo a apresentação da seguinte forma:

«A semelhança entre estes padrões portugueses tantos milhares de milhas afastados uns dos outros (referindo-se a outros Padrões Portugueses espalhados pelo mundo) é deveras impressionante. Todos têm gravações com o mesmo escudo das armas portuguesas, com a mesma Cruz da Ordem de Cristo e com o mesmo estilo de algarismo. “Todos estes Padrões foram gravados por navegadores que receberam o mesmo treino e instrução na Escola Nãutica do Infante D. Henrique, em Sagres, Portugal».

Manoel de Oliveira
Cortesia de perolasacorianas
«Delabarre, Fragoso e Luciano da Silva, todos eles dedicaram mais de trinta anos das suas vidas a investigar e a acertar a teoria Portuguesa da Pedra de Dighton. Eles próprios, segundo documentação, examinaram no local, muitas vezes a face da Pedra, em alturas diferentes das marés, quer de dia quer de noite, até com luz razante. O Médico e Historiador Manuel Luciano da Silva, que recentemente inaugurou na sua terra natal, Cavião, Vale de Cambra, uma Biblioteca-Museu, tem ao dispor dos nossos leitores um Portal na Internet onde poderão obter todas as informações relacionadas com este texto e muito mais». In Cândido Mesquita. 


Cortesia dewikipédia/Manuel Luciano da Silva/Museu da Pedra de Dighton/JDACT

O Retrato de Miguel Corte Real: As honras desta grande descoberta vão para o Doutor Américo da Costa Ramalho, especialista em Cultura Helénica e Humanista. Foi este académico que descobriu um elogio em latim, contemporâneo de Miguel Corte Real, escrito pelo poeta italiano Cataldo Sículo

Pintura de Gaspar Corte Real
Cortesia de dightonrock
Com a devida vénia a Manuel Luciano da Silva, publico algumas das sua palavras.
Todas as honras desta grande descoberta vão direitinhas para o Doutor Américo da Costa Ramalho, Professor da Universidade de Coimbra e especialista em Cultura Helénica e Humanista, em Portugal.
Foi este académico que descobriu um elogio em latim, contemporâneo de Miguel Corte Real, escrito pelo poeta italiano Cataldo Sículo, que residia temporariamente em Lisboa e foi publicado na colectânea POEMATA, em 1502.

Cortesia de booksgoogle
Miguel Corte Real foi à procura do irmão em Maio de 1502. Nem um nem outro jamais voltaram a Portugal. Que eu saiba não há pintura nenhuma de Miguel Corte Real. Nunca ninguém tinha analisado este poema em relação ao navegador Miguel Corte Real. Logo no começo da sua monografia o Professor Costa Ramalho alerta-nos:

Prof. Américo da Costa Ramalho 
Cortesia de uc
«Não há dúvida nenhuma de que se trata do famoso Miguel Corte Real e traz, pelo menos, um subsídio histórico para sua biografia, até hoje não aproveitado». O poema consta de quarenta e quatro versos dedicado a «michaele curie regalis» ou seja a Miguel Corte Real. Vamos rever a tradução do referido poema feita pelo Professor Costa Ramalho: O título do poema é como acima se disse -- «Dedicado a Miguel Corte Real». Nos primeiros versos o poeta expressa a sua «humildade poética» mas ao mesmo tempo revela bem claro o nome do protagonista como sendo descendente dos famosos Corte Reais. Diz o poema:

«Foge-me o talento e a eloquência, apodera-se de mim o terror, quando tento dizer os feitos de tão grande capitão».
«É aquele que tem o nome do príncipe celeste dos cavaleiros e a quem os antepassados legaram o apelido de Corte Real».
«Tudo quanto faz é digno de triunfos, digno de ser posto em tábua de cedro».
«Avô e bisavô o tornaram nobre pelo sangue. E ele os adorava em todas as virtudes».
«Ele tudo realiza, segundo o pensamento de quem lho ordena (o Rei)».
«Cavaleiro ilustre, ora actua como soldado, ora veste armas ligeiras. Em qualquer caso, a sua presença significa victória».

E agora vêm os versos que nos dão em pormenor a aparência, o retrato físico e o carácter do famoso navegador Miguel Corte Real:

«É amável com pessoas amáveis, brando com brandos amigos, mas com os arrogantes torna-se bastante ríspido».
«Não aprendeu as belas letras na infância, mas ensinado pelo seu talento tudo sabe».
«De aspecto, é sereno e belo, e mais belo é o seu íntimo. Da sua boca eloquente jorra uma graça variada».
«Gosta de dar muito, com mão larga, a quem o merece e piedosamente se esforça por não prejudicar a quem o não merece».

Qual era a posição oficial de Miguel Corte Real? É Cataldo Sículo que nos informa:

«Talvez queiras saber qual é o ofício deste Senhor?
«O Rei confia-lhe todos os encargos. Principalmente como porteiro-mor do palácio sobre as muralhas, é ele quem, no meio do silêncio geral, manda trazer os alimentos».
«A este homem tão leal confia D. Manuel com razão os seus segredos, tão grande é a virtude que nele reside, tão grande a honra».

E agora vem a parte guerreira de Miguel Corte Real que era totalmente desconhecida:

«Passou às costas africanas em navios. Era o comandante. Preparava-se para aí conquistar uma fortaleza, pondo-lhe cerco».
«Fosse inveja, fosse o fado iníquo, a multidão dos companheiros entrega-se a vergonhosa fuga, sob a pressão do inimigo».
«Ele com uma pequena força , faz frente aos africanos que se precipitam ao ataque e retira coberto de sangue, depois de grande morticínio».

E o poeta Cataldo conclui o seu poema comparando o heroísmo de Miguel Corte Real aos heróis da Antiga Grécia. O Professor Costa Ramalho faz uma análise pormenorizada dos vários dados revelados neste poema. Explica a origem do nome Corte Real que foi dado à Vasco Eanes, um dos antepassados de Miguel, pelos grandes serviços prestados à Corte Real presidida pelo Rei D. Duarte.

Confirma a posição de porteiro-mor da Casa Real, portanto uma das posições mais altas na Corte Portuguesa. Explica que o verso que diz que Miguel Corte Real «Não aprendeu as belas letras na infância», isso não quer dizer que o navegador era analfabeto! Quer dizer, sim, que Miguel Corte Real não sabia Latim. E o Professor Costa Ramalho acrescenta que isto é muito importante para darmos razão ao facto de Miguel Corte Real não ter deixado nenhuma mensagem em latim gravada na Pedra de Dighton. Esta conclusão é igual à que afirmei no meu livro «Portuguese Pilgrims and Dighton Rock» publicado em 1971.

Infelizmente a mensagem que o psicólogo-historiador, Prof. Delabarre da Universidade de Brown, sugeriu em 1928 de que Miguel Corte Real tinha deixado na Pedra de Dighton uma mensagem em latim = "V(oluntate) Dei Hic Dux Ind(orum)", significando: " Chefe dos Indios aqui", é uma FANTASIA que continua a ser repetida em muitas notas de rodapé, que na realidade são aquilo a que eu chamo "notas de chulé"!

Outra análise importante do poema de Cataldo é o facto de ficarmos a saber que Miguel Corte Real também foi guerreiro nas campanhas de Norte Africa. Isto é muito importante para explicar a assinatura duma carta dele em 1501 dirigida ao Rei D. Manuel, que o próprio historiador Henry Harrisse teve dificuldade em entender porque não tinha dados que explicassem que Miguel Corte Real jamais tinha estado em Málaga, Espanha, no ano antes de partir para a América do Norte, em 10 de Maio de 1502, à procura do irmão Gaspar Corte Real que não tinha regressado a Lisboa da sua segunda viagem em 1501.

O Professor Costa Ramalho conclui o seu trabalho desta maneira:

«Durante anos, a teoria prevalecente foi a do psicólogo, tornado historiador, Professor Edmund Burke Delabarre, que , descobriu o nome de Miguel Corte Real, o Escudo Português e a data de 1511. Posteriormente (1951), um professor universitário de Português, José Dâmaso Fragoso, (na New York University), revelou a existência de heráldica lusa no rochedo, três cruzes da Ordem de Cristo. E um médico de origem portuguesa, estabelecido nos Estados Unidos, o Dr. Manuel Luciano da Silva, tem sido o ardente propagandista da teoria de que o rochedo de Dighton é um documento histórico da presença de Miguel Corte Real nas costas da América do Norte. Ele nega a mensagem em latim, reduzindo o texto da inscrição ao nome do navegador e a uma data, 1511, além de um Escudo Português e três Cruzes da Ordem de Cristo».

Manuel Luciano da Silva, médico
Cortesia de atlanticconference
Fez, no dia 18 de Dezembro de 1998, 80 anos que o Professor Delabarre lançou a teoria portuguesa das inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton. Durante estas oito décadas todas as investigações só têm servido para consolidarem cada vez mais a Teoria Portuguesa da Pedra de Dighton. Claro que fiquei satisfeito com este artigo original do Professor Costa Ramalho que chegou a ser «Visiting Professor» de Português na «New York University», entre 1959-1962. Devo realçar ainda mais a importância da investigação original do Professor Costa Ramalho pelo facto de ser baseada na análise dum documento contemporâneo de Miguel Corte Real. In Manuel Luciano da Silva (médico).


A Pedra de Dighton
Cortesia de topazio1950
Cortesia de Manuel Luciano da Silva/JDACT