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domingo, 7 de setembro de 2014

Os Silêncios do Regime. Ensaios. António Barreto. «Curioso, é a inversão de valores. A delicadeza, a sensibilidade das matérias, as negociações em curso e o interesse nacional são factores que, justamente, reclamariam mais abertura! ‘Mas não’. A ortodoxia transformou-os em argumentos a favor do secretismo»

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«(…) Aliás, sobre assuntos estratégicos portugueses, sabe-se mais no estrangeiro do que em Portugal. Os debates parlamentares sobre defesa nos países da NATO, as revistas especializadas e os estudos dos centros de investigação (públicos e privados) são mais férteis em informações portuguesas do que as instituições nacionais. É sabido que, num mundo de crescente negociação e multilateralismo consolidado, o domínio público é muitíssimo mais vasto do que há dez ou vinte anos. Menos em Portugal. Perto da defesa, a segurança é igualmente domínio de opacidade. Nos textos legais e na acção, a segurança é sempre bem mais segurança do Estado do que dos cidadãos. O que se passa nas esquadras, nas prisões, nos departamentos ministeriais e até nos tribunais é geralmente confidencial, pelo menos sensível. Nesses locais, onde as liberdades e os direitos dos indivíduos são postos em crise, nesses locais onde, por isso mesmo, toda a abertura deveria ser especialmente cuidada, pois é aí onde, também, a reserva é, a regra. Quando não a mentira, irmã, gémea do silêncio.
A maior parte das instituições não desvenda as contas, os relatórios ou os programas. Autarquias, hospitais, escolas, universidades, institutos e direcções-gerais mantém opaco véu sobre os seus dinheiros e actividades. Quando revelam algo, é quase sempre de modo incompleto e camuflado. Como aliás o fazem as empresas públicas, cujo verdadeiro estado de saúde é raramente conhecido, a não ser pelo único accionista, o Estado, ou antes, pelo ministério da tutela. Há empresas públicas tecnicamente falidas ou em crónica situação de ruptura (como certos bancos, por causa dos créditos mal parados e das pensões), mas o diagnóstico real, para já não dizer o pormenor, não é conhecido, muito menos divulgado por quem tem a responsabilidade de o fazer.
Sei que a maior parte dos cidadãos não se interessa, ou não tem formação para ler espessos relatórios contabilísticos. Mas o problema não é esse. A informação, em sociedade aberta, tem formas muito diversificadas. Entre, por um lado, as entidades burocráticas e empresariais e, por outro, a opinião pública, há uma multidão de políticos, jornalistas e especialistas a quem compete discutir e divulgar a informação sofisticada e hermética. Ora, a dificuldade reside justamente aí: se o público informado não tem acesso à informação, é o grande público que é mantido na ignorância. Os assuntos europeus são sistematicamente tratados com irremediável opacidade. Trata-se, para além da mitologia da política externa, de negociações permanentes. Quer isto dizer que impera uma regra de conduta: só se informa no fim e só se divulgam os bons resultados. Nem a importância das questões europeias tem demovido políticos e funcionários. Queixam-se os eleitos, os parceiros sociais, as empresas, os estudiosos e a imprensa. A propósito de uma questão europeia, qualquer político nos dirá, com meio sorriso de inteira auto-suficiência, que é matéria sensível, que só depois de terminadas as negociações, que é o interesse nacional que está em jogo... Curioso, no argumento, é a inversão de valores. A delicadeza, a sensibilidade das matérias, as negociações em curso e o interesse nacional são factores que, justamente, reclamariam mais abertura! Mas não. A ortodoxia transformou-os em argumentos a favor do secretismo». In António Barreto, Os Silêncios do Regime, Ensaios, Imprensa Universária, nº 96, Editorial Estampa, Lisboa, 1992, ISBN 972-33-0877-0.

Cortesia de Estampa/JDACT

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Os Silêncios do Regime. Ensaios. António Barreto. «Os números e os factos sobre as Forças Armadas, o recrutamento, a distribuição por patentes, os gastos, os orçamentos, os tipos de armamento, o comércio externo de armas…»

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«(…) Os jornalistas, enfim, só recentemente começaram a fazer da visibilidade uma divisa para o seu trabalho: honra lhes seja feita, com exclusão dos que praticam as regras da selectividade. Cada silêncio tem a sua explicação. Mas todos têm de comum o receio de prestar contas: podem ser as ligações perigosas do poder, as necessidades da propaganda política ou o desejo de esconder os próprios insucessos; pode ser a concepção errada do interesse nacional, geralmente confundido com o do Estado, do Estado num momento particular, de um governo; como poderá ser a convicção de que a política, com as suas artes, é domínio reservado aos sábios e aos sacerdotes. Pode ser tudo isso e muito mais. Mas os traços comuns a essas explicações são detectáveis. Crê-se que a opinião pública é prejudicial à conduta dos assuntos do Estado. Pensa-se seriamente que a democracia se esgota na eleição, isto é, que um poder eleito tem carta-branca para fazer o que entende durante o seu mandato. Não se pode passar a vida a discutir, é preciso
decidir!: eis uma verdade banal transformada em horrível aforismo da cultura do sucesso. Julga-se que a prestação de contas aos eleitores e aos eleitos, assim como os debates públicos que daí decorrem, são travões à eficácia dos governos. Aceita-se finalmente que a administração pública tem tais responsabilidades e é tal a sua gravidade, que só em segredo ou discretamente pode desempenhar as suas funções. Assim é que, apesar das garantias constitucionais, os cidadãos não têm ainda, de facto, direito a consultar os arquivos, nem sequer os que lhes dizem respeito.
Os estudiosos, os universitários, os jornalistas ou qualquer outro cidadão, justificadamente interessado, também não têm direito a consultar os arquivos oficiais, estudos, registos ou correspondência, dado que não há prazos legais, nem regras de acesso, nem sequer arquivos organizados com esse fim (ou antes, há alguns arquivos, poucos estão organizados, quase todos estão inacessíveis). Ainda hoje há sérios obstáculos à consulta de documentos oficiais do princípio do seculo!
Nos assuntos de actualidade, a Administração Pública, por iniciativa própria ou instruções do governo, mantém secretos os seus estudos, sejam eles sobre questões de defesa ou sobre problemas do ambiente ou da saúde. Trabalhos preparatórios de legislação, análises de situações, relatórios de fiscalização e acompanhamento, quase tudo o que é produzido nos departamentos ministeriais é reservado. Ora, muito pelo contrário, a regra deveria ser a da publicidade, a fim de que se percebam os fundamentos  e as eventuais consequências dos actos do governo e da administração.
As questões de defesa são, por definição, secretas. Apesar de ínfimos progressos recentes (por exemplo a publicação de documentação sobre a guerra colonial e de um livro-branco sobre a defesa), quase tudo o que diz respeito às Forças Armadas é sensível, sendo-o domínio secreto, entre nós, muito mais vasto do que nos países ocidentais, mesmo nos que têm mais responsabilidades, incluindo a de possuir segredos estratégicos. Os números e os factos sobre as Forças Armadas, o recrutamento, a distribuição por patentes, os gastos, os orçamentos, os tipos de armamento, o comércio externo de armas, os planos de expansão e desenvolvimento, os debates sobre estratégias e organização da defesa, em tudo isto, que não é pouco, mantém-se uma larguíssima zona de confidencialidade, mais própria de um regime inseguro do que de um Estado democrático». In António Barreto, Os Silêncios do Regime, Ensaios, Imprensa Universária, nº 96, Editorial Estampa, Lisboa, 1992, ISBN 972-33-0877-0.

Cortesia de Estampa/JDACT

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Os Silêncios do Regime. Ensaios. António Barreto. «A liberdade de expressão é, quase sempre, o princípio de um regime. É, certamente, o princípio das outras liberdades. Além do direito, existem os meios de comunicação. Com eles, também os direitos...»

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«A política começa com a palavra. Sem a palavra, não há política. Nem democrática, nem autoritária. Ninguém desconhece as vontades de posse e uso da palavra, que se pretenda governar ou contestar. O monopólio da palavra é a primeira tentação dos déspotas. O direito à palavra é a primeira pulsão dos democratas. A liberdade de expressão é, quase sempre, o princípio de um regime. É, certamente, o princípio das outras liberdades. Depois, tudo se complica. Além do direito, existem os meios de comunicação. Numa sociedade moderna, não há um sem os outros. Públicos ou privados, os meios de comunicação podem ser apropriados. Com eles, também os direitos... E ainda há o público, a que uns chamam opinião e outros mercado. Quem usa a palavra, exerce enorme influência sobre o público, até aos cúmulos da manipulação. Mas nem sempre se recorda que, ao invés, o público e o mercado podem representar uma prisão para os que se querem exprimir. A palavra pode ser abafada por quem não quer ouvir quem lhe fale fora dos padrões aceitáveis. Se forem as maiorias, não lhes faltará legitimidade democrática. Mas, como sabemos, esta pode ser ditatorial. Com a palavra, nada é simples.
Do outro lado da palavra, há os silêncios que, num regime de liberdades, são políticos. Como já o eram, em regime autoritário, quando os que resistiam começavam por falar. Os silêncios traduzem cumplicidade, aquiescência, medo, submissão; mas também ordem estabelecida, interesses inconfessáveis ou oportunismo. Em qualquer dos casos, diante do silêncio, estamos quase sempre perante uma vontade, própria ou alheia, de exercer o poder de modo não totalmente visível! Ou uma necessidade de ocultar parte do exercício do poder. Ou, na oposição, perante a promessa implícita de, em caso de vitória eleitoral, manter o estilo oculto de governação.
Todos os países têm, diante de si, questões incómodas. Mas a qualidade da vida pública mede-se também pela forma como os políticos, os universitários, os jornalistas, os escritores e os interesses organizados desvendam sistematicamente os segredos. O silêncio incomodado, de quase toda a gente, sobre a guerra colonial portuguesa, é um exemplo flagrante de cumplicidade. São raríssimos os estudos, livros, memórias, filmes ou debates sobre a guerra, seus antecedentes e fim. Raras são as pessoas que ousam exprimir-se, total e livremente, sobre o assunto. As duas poderosas ortodoxias, a colonialista e a independentista, vigoram mais ou menos impunes. Ainda por cima, são protegidas pelos fundadores do novo regime: os militares e os civis que, tendo feito a guerra em nome da legalidade do Estado e da legitimidade histórica, se sublevaram contra ambas. Portugal fez bem uma má guerra, fez mal uma boa descolonização. Ninguém ficou sem culpas ou sem contradição. Daí o silêncio, que tão lentamente se vai quebrando.
Geralmente, os regimes defendem-se. Os governos e as administrações protegem-se daquilo que chamam a devassa dos assuntos de Estado. Como se os assuntos de Estado não fossem necessariamente públicos! Invoca-se a defesa perante outros Estados, assim como criminosos, subversivos ou terroristas. Mas, salvo excepção, é da opinião pública que governos e administrações se defendem. Um poder misterioso, como diz o complacente eufemismo, é um poder inacessível. Quem conhece os segredos do poder, conhecerá também a maneira de lá chegar. Quem cultiva a política do segredo sabe o que faz. Em Portugal, o vasto domínio secreto do Estado e da política tem longas tradições. Os políticos autoritários cultivam o segredo como quem respira. Os políticos democráticos, por insegurança, nunca se converteram à visibilidade pública. Os interesses quase sempre agiram pela calada e assim pretendem continuar. A Igreja e as Forças Armadas, cultivando com zelo os mistérios da fé e os segredos da defesa, são partidários da ocultação de parte da vida pública». In António Barreto, Os Silêncios do Regime, Ensaios, Imprensa Universária, nº 96, Editorial Estampa, Lisboa, 1992, ISBN 972-33-0877-0.

Cortesia de Estampa/JDACT

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

António Barreto: Portugal, um Retrato Social. Parte VII. Um país como os outros. A formação de uma sociedade europeia

Cortesia de kantophotomatico

O autor António Barreto, sociólogo, produziu uma série televisiva com função científica, onde tentou encontrar respostas às perguntas mais simples sobre o Portugal do século XXI:
  • Quem somos?
  • Onde vivemos?
  • Como trabalhamos?
  • Que saúde, que educação e que justiça temos?
António Barreto recorreu à comparação com o que éramos há três ou quatro décadas e sublinhou as grandes mudanças ocorridas desde então. «É o mesmo país, mas os portugueses já não são os mesmos. Mudámos muito, em pouco tempo. Podemos viver melhor ou não, mas vivemos de modo diferente».

Um país como os outros. A formação de uma sociedade europeia
Portugal já não se distingue, na Europa, como o país da ditadura, da pobreza e do analfabetismo. Embora ainda atrasado, os Portugueses são hoje cidadãos livres e têm acesso aos grandes serviços do Estado de Protecção Social. A educação, a segurança social e a saúde são para todos. Mas ainda há insuficiências, corrupção e desperdício. E deficiências na saúde, na educação, na segurança social e na justiça.


Cortesia de docorlandoribeiro

Cortesia de António Barreto/wikipédia/RTP/JDACT

sábado, 15 de janeiro de 2011

António Barreto: Portugal, um Retrato Social. Parte VI. Igualdade e conflito. As relações sociais

Cortesia de ionline

O autor António Barreto, Sociólogo, produziu uma série televisiva com função científica, onde tentou encontrar respostas às perguntas mais simples sobre o Portugal do século XXI.
  • Quem somos?
  • Onde vivemos?
  • Como trabalhamos?
  • Que saúde, que educação e que justiça temos?
António Barreto recorreu à comparação com o que éramos há três ou quatro décadas e sublinhou as grandes mudanças ocorridas desde então.

«É o mesmo país, mas os portugueses já não são os mesmos. Mudámos muito, em pouco tempo. Podemos viver melhor ou não, mas vivemos de modo diferente».

Igualdade e conflito. As relações sociais
As famílias portuguesas têm hoje mais rendimentos e mais conforto. Em vinte ou trinta anos, o bem-estar melhorou mais que nos cem anteriores. Cresceram as classes médias. Desenvolveu-se a sociedade de consumo de massas. O comércio, as modas, a escola, a televisão e a cultura fazem uma sociedade onde todos parecem iguais. Mas subsistem diferenças muito importantes de classes, de poder económico, de geração, de sexo e de região.



Cortesia de António Barreto/wikipédia/RTP/JDACT

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

António Barreto: Portugal, um Retrato Social. Parte V. Cidadãos

Cortesia de jornaldenegocios

O autor, António Barreto, Sociólogo, produziu uma série televisiva com função científica, onde tentou encontrar respostas às perguntas mais simples sobre o Portugal do século XXI.
  • Quem somos?
  • Onde vivemos?
  • Como trabalhamos?
  • Que saúde, que educação e que justiça temos?
António Barreto recorreu à comparação com o que éramos há três ou quatro décadas e sublinhou as grandes mudanças ocorridas desde então.

«É o mesmo país, mas os portugueses já não são os mesmos. Mudámos muito, em pouco tempo. Podemos viver melhor ou não, mas vivemos de modo diferente».

Cidadãos
Com a sociedade aberta, a democracia, a integração europeia e o crescimento económico, os Portugueses são hoje cidadãos plenos pela primeira vez na sua história. Têm os direitos políticos e sociais e as respectivas garantias. As mulheres são iguais aos homens. Mas a justiça, que deveria acompanhar este progresso e adaptar-se à nova sociedade, tem dificuldades em garantir os direitos dos cidadãos.





Cortesia de António Barreto/wikipédia/RTP/JDACT

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

António Barreto: Portugal, um Retrato Social. Parte IV

Cortesia de democriticamente

O autor António Barreto, Sociólogo, produziu uma série televisiva com função científica, onde tentou encontrar respostas às perguntas mais simples sobre o Portugal do século XXI.
  • Quem somos? Onde vivemos? Como trabalhamos? Que saúde, que educação e que justiça temos?

António Barreto recorreu à comparação com o que éramos há três ou quatro décadas e sublinhou as grandes mudanças ocorridas desde então.
  • «É o mesmo país, mas os portugueses já não são os mesmos. Mudámos muito, em pouco tempo. Podemos viver melhor ou não, mas vivemos de modo diferente».
Nós e os outros: Uma sociedade plural

Há quarenta anos, havia só um povo, uma etnia, uma língua, uma cultura, uma religião e uma política. Hoje, Portugal é uma sociedade plural. Primeiro a emigração e o turismo, depois a democracia, finalmente os imigrantes estrangeiros, fizeram de Portugal uma sociedade aberta. Falam-se todas as línguas, reza-se a todos os deuses, há todas as convicções políticas. Os Portugueses aprendem a viver com os outros.



 
Cortesia de António Barreto/wikipédia/RTP/JDACT

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

António Barreto: Portugal, um Retrato Social. Parte III

Cortesia de olhodefogo

O autor António Barreto, Sociólogo, produziu uma série televisiva com função científica, onde tentou encontrar respostas às perguntas mais simples sobre o Portugal do século XXI.
  • Quem somos?
  • Onde vivemos?
  • Como trabalhamos?
  • Que saúde, que educação e que justiça temos?
António Barreto recorreu à comparação com o que éramos há três ou quatro décadas e sublinhou as grandes mudanças ocorridas desde então. «É o mesmo país, mas os portugueses já não são os mesmos. Mudámos muito, em pouco tempo. Podemos viver melhor ou não, mas vivemos de modo diferente».

Mudar de vida: O fim da sociedade rural
A sociedade contemporânea, urbana, era ainda há pouco tempo rural. Mudou muito depressa. Muitos portugueses emigraram, a maior parte saiu das aldeias e foi viver para as cidades e para o litoral. O campo está despovoado. As cidades cresceram. As estradas aproximaram as regiões. Nas áreas metropolitanas, organizou-se uma nova vida quotidiana. Há mais conforto dentro das casas, mas as condições de vida nas cidades são difíceis.



Cortesia de António Barreto/wikipédia/RTP/JDACT

terça-feira, 2 de novembro de 2010

António Barreto: Portugal, um Retrato Social. Parte II

Cortesia de relogiodaguaeditores
O autor António Barreto, Sociólogo, produziu uma série televisiva com função científica, onde tentou encontrar respostas às perguntas mais simples sobre o Portugal do século XXI. Quem somos? Onde vivemos? Como trabalhamos? Que saúde, que educação e que justiça temos?
António Barreto recorreu à comparação com o que éramos há três ou quatro décadas e sublinhou as grandes mudanças ocorridas desde então. «É o mesmo país, mas os portugueses já não são os mesmos. Mudámos muito, em pouco tempo. Podemos viver melhor ou não, mas vivemos de modo diferente».

Ganhar o pão: O que fazemos.
O trabalho mudou muito nestas últimas décadas. A maioria dos portugueses trabalha nos serviços. Poucos trabalham na agricultura e ainda menos nas pescas. Muitos emigraram. As mulheres são metade das pessoas que trabalham, o que é uma grande diferença com o passado recente. Com a integração europeia, a economia portuguesa fez uma grande mudança. Todos vivem melhor, mas há muitas empresas que não conseguiram adaptar-se às novas condições.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

António Barreto: Portugal, um Retrato Social. Parte I




Cortesia de wikipédia
António Miguel de Morais Barreto é um cientista social e escreve, regularmente, uma coluna de opinião semanal no jornal Público.
Publicou várias obras, nomeadamente sobre os temas da emigração, socialismo, reforma agrária, mudança e evolução da sociedade portuguesa, indicadores sociais, justiça, regionalização, Estado e Administração Pública, Estado Providência, comportamentos políticos e região do Douro.
Recentemente, António Barreto, foi autor da série de documentários para a RTP, Portugal, Um retrato social (realizada por Joana Pontes) (2006).

Com a devida vénia a António Barreto, publico alguns episódios sobre Portugal, Um retrato Social.

Gente diferente: Quem somos, quantos somos e onde vivemos?
Cortesia agal-gz
«Os portugueses são hoje muito diferentes do que eram há trinta anos. Vivem e trabalham de outro modo. Mas sentem pertencer ao mesmo país dos nossos avós. É o resultado da história e da memória que cria um património comum. Nascem em melhores condições, mas nascem menos. Vivem mais tempo. Têm famílias mais pequenas. Os idosos vivem cada vez mais sós. Esta série é um retrato da sociedade e dos portugueses na actualidade, resultado de um processo de transformações recentes e muito rápidas. Uma velha nação e um antigo Estado, na origem de uma população com forte sentido de identidade, conheceram, nas últimas décadas do século XX, um período de mudança muito intensa, sobretudo em consequência de factores externos, como a emigração, a integração europeia, a abertura económica e o turismo. A fundação da democracia teve também efeitos importantes. Estas transformações estão na origem de alterações de comportamentos e das estruturas sociais, visíveis nos diversos sectores e áreas da vida colectiva, na demografia, na saúde, na educação, no trabalho e nas relações entre as classes, as gerações e as regiões. A sociedade portuguesa é hoje aberta e plural» In Lusofonia, agal-gz
  
Cortesia António Barreto/RTP/Lusofonia/Joana Pontes/JDACT