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terça-feira, 18 de outubro de 2022

História e Declínio de Três Povoações na Fronteira. Carlos E. Cruz Luna. «A Guerra das Laranjas levou à conquista da Vila de Juromenha em 20 de Maio de 1801. Alguns meses depois, foi devolvida pelos espanhóis, mas sem a parte do Concelho a leste do Guadiana, com a aldeia de Vila Real…»

Cortesia de wikipedia e jdact

Juromenha

«(…) Podemos, todavia, estar a ser enganados por eventual destruição de documentos. De qualquer forma, não deverá ter perdido importância, pois Manuel I concedeu-lhe, em Lisboa, novo Foral, em 15 de Setembro de 1512. As muralhas, por essa época, eram grandiosas, com 17 torres, sendo uma delas uma Torre de Menagem com 140 palmos (cerca de 30,8 metros) de altura.

No Numeramento de 1527-1573, o mais antigo de Portugal, Juromenha surge como tendo 150 fogos (pouco mais de 600 habitantes, ao que se julga), portanto bastante menos que as vizinhas Elvas (1916 fogos, cerca de 7000 habitantes), Alandroal (284 fogos, cerca de 1100 habitantes), Olivença (1053 fogos, cerca de 4000 habitantes), Vila Viçosa (talvez 800 fogos e cerca de 3.000 habitantes), Estremoz (969 fogos, aproximadamente 3.200 habitantes) e Borba (600 fogos, cerca de 2.300 habitantes). Igualava, todavia, Terena (170 fogos, talvez 650 habitantes).

A importância de Juromenha era essencialmente militar e estratégica, protegendo, à rectaguarda, Olivença, uma urbe alentejana que, cercada por Castela/Espanha por três lados, constituía sempre um quebra-cabeças para as chefias militares portuguesas. As terras do Concelho ultrapassavam aliás o Guadiana, pois pertencia-lhe o lugar de Vila Real, exactamente a sua melhor área agrícola.

1640-1801

O período das Guerras de Restauração aumentou o papel de Juromenha, e João IV ampliou-lhe e modernizou-lhe as fortificações, que passaram a ser em estilo Vauban. Em 1657, recebe milhares de oliventinos fugidos da sua vila, então ocupada pelo inimigo, à qual só regressaram em 1668, quando a administração portuguesa foi reinstaurada.

Juromenha resistiu sempre durante a Guerra de 1640-1668, registando-se nela um triste evento em 19 de Janeiro de 1659, quando explodiu por descuido um armazém de pólvora, perecendo então toda a guarda ali aquartelada, composta por estudantes de Évora capitaneados pelo padre Francisco Soares (conhecido por o Lusitano). Em 1709 (Guerra de Sucessão de Espanha) travaram-se combates nas proximidades, e ainda ao longo de todo o século XVIII a Praça de Juromenha foi alvo de constantes cuidados. É evidente que, em todas estas guerras, toda a zona fronteiriça (raiana), tanto do lado português como espanhol, sofreu consideráveis destruições. O desenvolvimento é, necessariamente, inimigo da guerra. O conflito seguinte, no início do século XIX, irá, uma vez mais, demonstrá-lo.

1801, data incontornável

A Guerra das Laranjas levou à conquista da Vila de Juromenha em 20 de Maio de 1801. Alguns meses depois, foi devolvida pelos espanhóis, mas sem a parte do Concelho a leste do Guadiana, com a aldeia de Vila Real, aliás a mais rica em termos agrícolas desde sempre.

Ainda em 1837 Juromelha era considerada uma fortaleza de Primeira Classe, com uma forte guarnição militar, mas o declínio acelerou-se a partir de então. A meio do século XIX, deixava mesmo de ser sede de Concelho, passando a depender do Alandroal. Os delicados problemas ligados à inexistência oficial de fronteira na região, resultantes da questão em aberto de Olivença, fizeram-se sentir duramente. Durante algum tempo, alguns oliventinos procuravam escolarizar-se em Juromenha, mas em breve a vigilância espanhola, em especial na época franquista, tornou tal quase impossível». In Carlos E. Cruz Luna, História e Declínio de Três Povoações na Fronteira, RV000831, dip-badajoz.es, LXII, 2006.

Cortesia de RV000831/dip-badajoz.es/JDACT

 JDACT, Carlos E. Cruz Luna, Ouguela, História, Conhecimento, Alentejo, 

História e Declínio de Três Povoações na Fronteira. Carlos E. Cruz Luna. «Sem dúvida que no século XIV teve assinalável importância, nela se efectuando três casamentos reais: o de dom Afonso IV com dona Beatriz de Castela, ainda no século XIII e a rematar o já citado Tratado de Alcañices; o de dona Maria de Portugal com Afonso XI de Castela em, 1328; e o de Pedro I com dona Constança de Castela em 1340»

 

Cortesia de wikipedia e jdact

Juromenha

«(…) A história pode ser madrasta, mesmo no vale do Guadiana. O rio e seus afluentes convidam o Homem a instalar-se nas suas margens, ou próximo delas. Com bons resultados, quase sempre. Mas..., acontecimentos diversos podem influir no desenvolvimento normal e no progresso dos aglomerados humanos.

Até ao século XVI

A fortaleza abandonada de Juromenha, sobre o Guadiana, 18 km a nordeste do Alandroal, 16 km a sudoeste de Elvas, 17 km a leste de Vila Viçosa, e 11 km a noroeste de Olivença, impressiona pela sua dignidade fantasmagórica. A sua origem perde-se na noite dos tempos. Sem provas, quer-se que tenha sido fundada por galo-celtas, por volta de 400 a.C. Embora existam vestígios romanos, é muito improvável que tenha sido fundada por Júlio César em 50 a.C., com o nome de Julii Moenia (Muralhas de Júlio). Outra lenda dá-a como fundada pelos visigodos, onde estaria a origem do seu nome, numa princesa de nome Menha a quem um irmão queria arrancar um juramento indecoroso ( Jura, Menha, que não!). Tal lenda não é digna de crédito, independentemente da sua beleza, pois surge muito depois da fixação do topónimo.

Nos tempos muçulmanos, foi uma cidade importante, cujo nome seria, segundo alguns, Chel-Mena. Mas o topónimo árabe mais provável terá sido o de Yulumaniya ou Julumaniya, uma, repete-se, cidade moura importante, e nele se deverá ver a origem mais provável do termo JUROMENHA, que conheceu algumas variantes, como Jeremenha, Gerumenha, ou Jorumenha. Não se pode pôr de lado a hipótese de a forma árabe Yulumaniya derivar de Julli Moenia (Muralhas de Júlio)..., se acaso tal lenda (a da origem romana) já existia no século VIII! Dom Afonso Henriques terá conquistado a povoação em 1167. Gonçalo Viegas, filho ou sobrinho de Egas Moniz, talvez já no tempo de Sancho I, tê-la-á recebido em doação, atravessando então o Guadiana e ocupando o lugar de Vila Real, embora pouco se saiba sobre a veracidade destes factos.

Os muçulmanos reocuparam a região, decerto entre 1169 e 1189, já que a data de 1242 referida em algumas enciclopédias como de conquista moura, estará decerto errada, pois sabe-se com razoável certeza ter o fidalgo Paio Peres Correia ocupado definitivamente a região por volta de 1220, 1230 o mais tardar. Em 1242, já os mouros estavam muito, muito longe.

Após a pacificação da fronteira em 1297 (Tratado de Alcañices), dom Dinis mandou reedificar as muralhas e o castelo de Juromenha, dando-lhe foral em 1312. As suas terra ficaram dentro da área atribuída à Ordem de Avis. Sem dúvida que no século XIV teve assinalável importância, nela se efectuando três casamentos reais: o de dom Afonso IV com dona Beatriz de Castela, ainda no século XIII e a rematar o já citado Tratado de Alcañices; o de dona Maria de Portugal com Afonso XI de Castela em, 1328; e o de Pedro I com dona Constança de Castela em 1340. Durante a crise de 1383-1385, Juromenha não parece ter desempenhado nenhum papel de realce, pois raramente é referida, o mesmo ocorrendo no século XV». In Carlos E. Cruz Luna, História e Declínio de Três Povoações na Fronteira, RV000831, dip-badajoz.es, LXII, 2006.

 Cortesia de RV000831/dip-badajoz.es/JDACT

JDACT, Carlos E. Cruz Luna, Ouguela, História, Conhecimento, Alentejo,

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

História e Declínio de Três Povoações na Fronteira. Carlos E. Cruz Luna. «Bela cidade de Ouguela Dá vistas à lapagueira Mal empregada cidade Estar em tão alta ladeira»

Cortesia de wikipedia e jdact

Ouguela

Declínio

«(…) Tudo isto terá influído no sentido de, em 1800, haver em Ouguela só 24 vizinhos dentro da vila e 20 fora (cerca de 200 habitantes, talvez). Em 1801, durante a Guerra das Laranjas, após a conquista de Olivença e Juromenha, Campo Maior rendeu-se ao exército espanhol, mas só depois de violento cerco e de muita resistência (15 de Junho). Ouguela não foi atacada, mas caída Campo Maior era um espinho nas costas do inimigo. 460 espanhóis, simulando um maior número pela disposição no terreno, aproximaram-se do castelo. O governador, Jóse Joaquim Queirós, acabou por entregar Ouguela ao atacante, já que não havia qualquer possibilidade de resistência (esta descrição encontra-se no Livro A Guerra das Laranjas/A perda de Olivença, de António Ventura, 2004. Até 1811, decerto houve alguns conflitos em terras em redor de Ouguela, mas de pouca monta, pois quase nada chegou até nós. Os vários conflitos do início do século XIX pouco rasto deixaram na região. A novidade seguinte, pouco alegre para a vila, é que em 1836 se extinguiu o concelho, sendo unido a Campo Maior. A decadência, que já vinha do século XVIII, reflectia-se a nível administrativo. E algo pior sucedeu, quando Ouguela deixou de ser freguesia e foi anexada a São João Baptista (Campo Maior) (1941).

É um pouco triste seguir esta história. Uma povoação nasceu e cresceu, teve momentos de alguma grandeza e de glória…, e iniciou um processo de decadência. Algumas quadras populares falam de Ouguela. Uma refere-se à sua grandeza:

Bela cidade de Ouguela

Dá vistas à lapagueira

Mal empregada cidade

Estar em tão alta ladeira

(A lapagueira será um acidente geográfico).

Outra ironiza com a sua decadência, e, com algum sentido de humor, reza assim:

Adeus vila de Ouguela

Que não há vila mais nobre

Para teres vinte ruas

Faltam-te só dezanove

Assim é a roda da história. Olhando as velhas muralhas, a que não falta ainda opulência, sentimo-nos comovidos. Uma inscrição em latim, num dos arcos, informa-nos de uma divisa dos seus antigos defensores e moradores. pro patria, pro rege et pro fide, aut vincere, aut mori (pela pátria, pelo rei, e pela fé, vencer ou morrer). O tempo é (mesmo) implacável. Há, todavia, que pensar no futuro. Ouguela, hoje com apenas cerca de 60 habitantes, terá de procurar reerguer-se. O seu castelo, que já foi palco de filmagens de séries de televisão, tem uma beleza indesmentível. Há que ser-se imaginativo e ter força de vontade, e aproveitar tão vetusto monumento. Agora já não, porque felizmente tal não é necessário, como lugar de defesa, mas quiçá, como lugar de encontro, entre as raias alentejana e extremenha.

Que esta singela história da antiga vila, hoje lugar, de Ouguela, abra caminho nesse sentido, seja um primeiro passo, eis o meu sincero desejo». In Carlos E. Cruz Luna, História e Declínio de Três Povoações na Fronteira, RV000831, dip-badajoz.es, LXII, 2006.

Cortesia de RV000831/dip-badajoz.es/JDACT

 JDACT, Carlos E. Cruz Luna, Ouguela, História, Conhecimento, Alentejo,

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

História e Declínio de Três Povoações na Fronteira. Carlos E. Cruz Luna. «A lenda diz que estando Ouguela cercada durante uma guerra (não se indica qual), e não sendo possível pedir socorro a Campo Maior, uma criança…»

Cortesia de wikipedia e jdact

 Ouguela

«(…) Na memória popular ficou uma mulher, Isabel Pereira, que, segundo rezam documentos da época, se mostrou dotada de grande valentia, quer pelejando nas trincheiras, [quer] repartindo pólvora e balas aos soldados; e retirada ao castelo ficou desacordada por algum espaço com a ferida que lhe deram, até que, tornando a si, e vendo que não era perigosa, prosseguiu a pelejar com maiores brios até ó fim. Em 1662, todavia, Ouguela rendeu-se sem resistência ao exército espanhol de João de Áustria. O capitão Domingos Ataíde Mascarenhas, que deu a ordem de capitulação, foi depois severamente punido. A paz de 1668 permitiu às terras raianas recomeçar a sarar as feridas, tanto do lado português como espanhol. Mas…, novos conflitos se sucederam. Assim, em 1709 houve novas destruições em torno da vila, e em 1762 um rigoroso cerco, durante o qual o capitão Brás Carvalho conseguiu resistir heroicamente. Na obra Corografia Portuguesa, de 1708, de António Carvalho Costa, tomo IF(?), duas páginas são dedicadas à vila de Ouguela; diz-se que a povoação tem mais de 700 habitantes, que o seu orago é Nossa Senhora da Graça, que tem casa da misericórdia na ermida do Espírito Santo. Mais, fala-se em ruínas antigas junto a uma ermida, São Salvador, a quatro quilómetros da vila, citada como tendo sido Casa dos Templários. Diz-se ainda que Ouguela é (…) abundante de pão, vinho, e gados, e [que] tem uma fonte com duas propriedades notáveis: uma, que toda a cousa viva, que se lhe lança dentro, morre logo, excepto rãs; e outra, que de maneira nenhuma coze carnes, nem legumes. Mais, diz-se que a vila tem dois juízes ordinários, vereadores, um procurador do concelho, um escrivão da câmara, um juiz órfãos com o seu escrivão, outro do judicial, e notas, e uma companhia de ordenança. Pedro Cunha, senhor de Tábua, é apontado como senhor de Ouguela. A obra refere a lenda da igreja de Nossa Senhora da Enxara, no caminho de Albuquerque, semelhante a tantas outras, nas quais uma divindade, ou uma estátua da mesma, indica o lugar onde se lhe deverá erguer um templo. Neste caso, é uma garota, e depois a sua mãe, que são escolhidas pela divindade. Descreve-se a imagem da Santa e opina-se que poderá ter origem visigótica. Refere-se que há muita devoção à mesma, e que pessoas de Campo Maior, e até de Castela, lhe pedem protecção, e visitam a Igreja.

É significativo, talvez, que não se refira a lenda do tamborzinho. Com as devidas reservas, tal poderá significar que esta, tão difundida em Ouguela, terá tido origem num facto ocorrido em 1709 ou em 1762. Dificilmente poderá ter tido lugar mais tarde. A lenda diz que estando Ouguela cercada durante uma guerra (não se indica qual), e não sendo possível pedir socorro a Campo Maior, uma criança terá descido pela figueira que ainda hoje se vê junto á muralha, transportando uma bandeira e uma mensagem escrita, e talvez um tamborzinho com que costumava brincar. Não tendo levantado suspeitas no campo espanhol, ultrapassou as linhas inimigas e chegou a Campo Maior, entregando a mensagem no hospital. Diz-se que Ouguela terá tido um brazão inspirado nesta lenda, mas nada consta em documentos. Afinal, esta lenda reflecte a vivência de posto militar raiano das gentes de Ouguela». In Carlos E. Cruz Luna, História e Declínio de Três Povoações na Fronteira, RV000831, dip-badajoz.es, LXII, 2006.

Cortesia de RV000831/dip-badajoz.es/JDACT

JDACT, Carlos E. Cruz Luna, Ouguela, História, Conhecimento, Alentejo,

História e Declínio de Três Povoações na Fronteira. Carlos E. Cruz Luna. «Por volta de 1220 ou 1230, a região de Ouguela, bem como Campo Maior, foi conquistada por leoneses. As duas localidades tornaram-se aldeias de Castela-Leão…»



Cortesia de wikipedia e jdact

Ouguela

«Quem hoje se afasta de Campo Maior para norte, ou nordeste, encontra, a cerca de 10 quilómetros, uma povoação, Ouguela, de pouco mais de 60 habitantes. Um castelo de grandes dimensões, e que desde logo nos surpreende, domina a paisagem. Trata-se de mais um caso de uma povoação que já teve alguma grandeza, e que conheceu um grande declínio, um pouco como sucedeu com Juromenha, e, em menor escala, com Terena, para já não falar de outras. Algumas fontes antigas dizem que ali, existiu uma povoação romana chamada Budua, e que nos tempos visigodos, e até talvez árabes, se chamava Niguella. Não se sabe se há fundamentos para tais afirmações ou se estamos perante lendas.

Até ao Século XVII

Por volta de 1220 ou 1230, a região de Ouguela, bem como Campo Maior, foi conquistada por leoneses. As duas localidades tornaram-se aldeias de Castela-Leão, com algumas situações de conflito sem grande importância, até que, em 1297, pelo tratado de Alcañices, passaram para Portugal, tal como, na região, Olivença (e Táliga). Ouguela (assim se passou a chamar) recebeu foral do mesmo tipo do de Évora, logo em 1298. Todavia, com Campo Maior e Olivença, dependeu do bispado de Badajoz até 1415. O castelo foi mandado reconstruir em 1300 (o que indica que já existia algo de fortificações no local, a não ser que se trate dum erro). Outras fontes indicam 1310, o que parece ser menos provável

A importância de Ouguela, estava na sua posição estratégica, já que defendia um dos caminhos de entrada em Portugal, primeiramente contra Leão e Castela, depois contra a sua sucedânea Espanha. Ouguela quase não é citada na crise de 1383-85, presumindo-se que terá sido anulada por Campo Maior, que se colocou do lado de Castela. Portanto, só terá regressado à coroa portuguesa entre 1348 e 1390. É muito possível que se tenham desenrolado combates na região, e que a população tenha sofrido com isso. O seu castelo é várias vezes reforçado nos séculos XIV e XV, o que significa que mantinha a sua importância estratégica. Em 1475, segundo a lenda e alguns documentos, ter-se-á travado um estranho combate singular entre João Silva, alcaide-mor de Ouguela, e João Fernandes Galindo (Juan Fernández Galindo), alcaide-mor de Albuquerque (Espanha). Parece que um contingente castelhano penetrara na vila. Ambos morreram dos ferimentos sofridos, tendo em 1551 Diogo Silva, neto do alcaide-mor então falecido, a caminho do Concílio de Trento, mandado colocar no local de combate uma cruz comemorativa, hoje no museu de Elvas (Cruz de Galindo). Não se sabe o que haverá de fantasioso em tal episódio. Em 1 de Junho de 1512, Ouguela recebeu uma nova carta de foral (reinado de Manuel I). Claro que Ouguela, ou melhor, as suas gentes, terão participado na gesta dos descobrimentos iniciada no século XV, e terão vivido a decadência portuguesa da segunda metade do século XVI e do século XVII. Em 1527, o numeramento (censo) de Portugal dava a Ouguela 144 fogos (cerca de 600 a 650 habitantes), ao lado de Campo Maior (cerca de 2.900 habitantes), Alegrete (cerce de 1.000 habitantes), Arronches (cerca de 3.300 habitantes), Elvas (8900 habitantes), Olivença (4.900 habitantes), Juromenha (600 habitantes), Terena (600 habitantes também), Vila Viçosa (3.000 habitantes), Borba (3800 habitantes), Estremoz (4.500 habitantes), Marvão (1.700 habitantes), Monforte (2.500 habitantes).

Séculos (XVI e XVII)

A guerra da restauração (1640-1668) levou novas agruras para a sua população. Datam dessa época alguns troços de muralha com os primeiros trabalhos em 1647, mas que se estenderam pelo século XVIII. Logo em 1642, Ouguela fora atacada, mas o exército espanhol não levara a melhor, conseguindo a vila resistir vitoriosamente. Um episódio semelhante ocorreu em 1644, mas aí os combates foram bem mais ferozes. A população resistiu com bravura, tendo várias lendas nascido na época». In Carlos E. Cruz Luna, História e Declínio de Três Povoações na Fronteira, RV000831, dip-badajoz.es, LXII, 2006.

Cortesia de RV000831/dip-badajoz.es/JDACT

JDACT, Carlos E. Cruz Luna, Ouguela, História, Conhecimento, Alentejo,