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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Vinícius de Morais. Casa Fernando Pessoa. «… ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, e durante a qual muda radicalmente a sua visão política, tornando-se um antifascista convicto»

Cortesia de antena2

No pf dia 18 de Outubro. Emissão especial das 16h00 às 17h00
Maratona Vinícius a propósito do centenário do nascimento do poeta e cantor.

«Poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata e compositor, Vinícius de Moraes viveu a vida intensamente. O poetinha como lhe chamava Tom Jobim, casou nove vezes e deixou uma obra vasta. Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro no dia 19 de Outubro de 1913.
 
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
 
Na década de 1940 as obras literárias de Vinícius foram marcadas por versos em linguagem mais simples, sensual e excitante, por vezes, carregados de temas sociais. Publicou os livros Cinco Elegias, que marcou uma nova fase, e Poemas, Sonetos e Baladas, obra ilustrada com 22 desenhos de Carlos Leão. Como jornalista e crítico de cinema em diversos jornais, Vinícius lançou em 1947, com Alex Vianny, a revista Filme. Dois anos depois, publicou em Barcelona o livro Pátria Minha.
Os anos de 1940 ficaram também marcados por uma viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, e durante a qual muda radicalmente a sua visão política, tornando-se um antifascista convicto.
Em 1954, Vinícius publica a sua colectânea de poemas, Antologia Poética, o mesmo ano em que é publicado Orfeu da Conceição, uma dramaturgia premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo, e que consagrou definitivamente o seu nome. Quando Vinícius procurava alguém para musicar a sua peça, aceitou a sugestão do seu amigo Lúcio Rangel para trabalhar com um jovem que vendia músicas em Copacabana, esse jovem chamava-se António Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Do encontro entre Vinícius e Jobim nasceu uma das mais fecundas parcerias da música brasileira». In Antena 2.

Cortesia de Antena 2/JDACT

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vinícius de Moraes: Amigos. Amizade. O Maior Triunfo da Vida. «Tem que gostar de poesia, de madrugada, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa»

Cortesia de wikipedia

http://sonhos63.fotosblogue.com/42973/Procura-se-um-amigo-Vinicius-de-Moraes/




Amigo, também é isso aí...
Não precisa ser homem ou mulher,
basta ser humano,
basta ter sentimentos,
basta ter coração.
Precisa saber falar e calar,
sobretudo saber ouvir.

Tem que gostar de poesia,
de madrugada,
de pássaro,
de sol,
da lua,
do canto,
dos ventos e das canções da brisa.

Deve ter amor,
um grande amor por alguém,
ou então sentir falta de não ter esse amor..
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão,
nem é imprescindível
que seja de segunda mão.

Pode já ter sido enganado,
pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro,
nem que seja todo impuro,
mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e,
no caso de assim não ser,
deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem que ter ressonâncias humanas,
seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças
e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo
para gostar dos mesmos gostos,
que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples,
de orvalhos,
de grandes chuvas
e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo
para não se enlouquecer,
para contar o que se viu de belo e triste durante o dia,
dos anseios e das realizações,
dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas,
de poças de água e de caminhos molhados,
de beira de estrada,
de mato depois da chuva,
de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo
que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela,
mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo
para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros
sorrindo ou chorando,
mas que nos chame de amigo,
para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinícius de Moraes


Amigo
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também.
José Afonso

Cortesia de lomba
 
Com a amizade de RR.
JDACT