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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Dan Brown. O Símbolo Perdido. «Sato olhou para o professor como se ele estivesse louco. Como é que é? Langdon gesticulou na direcção do BlackBerry dela. Procure no Google George Washington Zeus»

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«Sato tornou a baixar os olhos para Langdon e esfregou o pescoço. Instalar um cabo telefónico é algo muito diferente de ser um deus. Para os homens modernos, pode até ser, retrucou Langdon. Mas, se George Washington soubesse que nós virámos uma raça com o poder de nos comunicar através dos oceanos, voar à velocidade da luz e pisar na Lua, ele iria supor que nós nos transformámos em deuses, capazes de tarefas milagrosas. Ele fez uma pausa. Nas palavras do futurista Arthur C. Clarke: Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. Sato franziu os lábios, aparentemente entretida com os próprios pensamentos. Baixou os olhos para a mão e, em seguida, os ergueu de volta para a cúpula, na direcção apontada pelo indicador esticado.

Professor, o senhor foi informado de que Peter iria apontar o caminho, correcto? Sim, senhora, mas... Chefe, disse Sato, virando as costas para Langdon, pode nos fazer ver a pintura mais de perto? Anderson aquiesceu. Sim, há uma passarela que contorna a parte interna da cúpula. Langdon olhou bem lá para cima, para a minúscula grade logo abaixo do fresco, e sentiu o corpo se retesar. Não há necessidade de ir até lá em cima. Ele já subira uma vez naquela passarela raramente visitada, a convite de um senador e sua esposa, e quase desmaiara por causa da altura estonteante e da precariedade da estrutura. Não há necessidade?, repetiu Sato. Professor, nós temos um homem que acredita que esta sala contém um portal capaz de transformá-lo em um deus; temos um fresco no tecto que simboliza exactamente essa transformação; e temos a mão de alguém apontando directo para essa pintura. Parece que tudo está nos incentivando a subir.

Na verdade, interveio Anderson, olhando para cima, poucas pessoas sabem disso, mas existe um painel hexagonal na cúpula que se abre como um portal e pelo qual é possível olhar e... Esperem um instante, disse Langdon, vocês estão entendendo mal. O portal que esse homem está procurando é um portal figurado... que não existe. Quando ele disse Peter apontará o caminho, estava falando em termos metafóricos. O gesto da mão que aponta, com o indicador e o polegar esticados para cima, é um símbolo conhecido dos Antigos Mistérios, e aparece na arte antiga do mundo todo. Esse mesmo gesto aparece em três das obras-primas codificadas mais famosas de Leonardo da Vinci: A Última Ceia, A Adoração dos Magos e São João Baptista. É um símbolo da conexão mística do homem com Deus. Assim em cima como em baixo. A bizarra escolha de palavras do louco começava a parecer mais relevante. Nunca vi esse gesto antes, disse Sato. É só assistir à ESPN, pensou Langdon, que sempre achava graça ao ver atletas profissionais apontando para o céu para agradecer a Deus depois de um touchdown ou de um home run. Perguntava-se quantos deles sabiam que estavam dando continuidade a uma tradição mística pré-cristã de reconhecer o poder superior que, por um breve instante, os havia transformado em um deus capaz de realizar feitos milagrosos. Não sei se adianta alguma coisa, disse Langdon, mas a mão de Peter não é a primeira desse tipo a aparecer na Rotunda.

Sato olhou para o professor como se ele estivesse louco. Como é que é? Langdon gesticulou na direcção do BlackBerry dela. Procure no Google George Washington Zeus. A directora fez cara de desconfiada, mas começou a digitar as palavras. Anderson se aproximou dela devagar, olhando por cima de seu ombro com interesse. Langdon disse: Antigamente, esta Rotunda era dominada por uma gigantesca escultura de George Washington nu da cintura para cima... retratado como um deus. Ele estava sentado exactamente na mesma posição que Zeus no Panteão, com o peito à mostra, segurando uma espada na mão esquerda enquanto a direita se erguia com o polegar e o indicador esticados». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Washington DC, Dan Brown, Literatura, Maçonaria, 

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Dan Brown. O Símbolo Perdido. «O prédio tinha até a sua própria virgem vestal: um funcionário público federal chamado guardião da cripta, que conseguiu manter a chama acesa por 50 anos, até a política, a religião e os danos causados pela fumaça apagarem a ideia»

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«Os olhos de Sato se estreitaram. Estamos na Rotunda do Capitólio dos Estados Unidos, professor, não em um altar sagrado dedicado a antigos segredos místicos.  Na verdade, minha senhora, disse Langdon, conheço um grande número de historiadores que iriam discordar.

Nesse mesmo instante, do outro lado da cidade, Trish Dunne estava sentada dentro do Cubo diante do brilho do telão de plasma. Terminou de preparar  seu spider de busca e digitou as cinco expressões-chave que Katherine havia lhe passado. Isso não vai dar em nada. Sentindo-se pouco optimista, ela accionou o spider, dando início por toda a rede. A uma velocidade estonteante, as expressões passaram a ser comparadas a textos espalhados pelo mundo todo... em busca de uma correspondência perfeita. Era inevitável que Trish se perguntasse qual era o sentido daquilo, mas ela já havia aprendido a aceitar que trabalhar para os Solomon significava nunca conhecer todos os factos.

Robert Langdon lançou um olhar ansioso para o seu relógio de pulso: 19h58. O rosto sorridente de Mickey Mouse não conseguiu alegrá-lo. Preciso encontrar Peter. Estamos perdendo tempo. Sato havia se afastado por alguns instantes para atender um telefonema, mas logo voltou para junto de Langdon. Professor, estou atrapalhando algum compromisso seu? Não, senhora, respondeu Langdon, tornando a cobrir o relógio com a manga do casaco. Só estou muito preocupado com Peter. Entendo, mas eu lhe garanto que o melhor que o senhor pode fazer por ele é me ajudar a entender a maneira de pensar do homem que o sequestrou.

Langdon não tinha tanta certeza disso, mas percebeu que não iria a lugar nenhum antes de a directora do ES conseguir a informação que desejava. Agora há pouco, disse Sato, o senhor sugeriu que a Rotunda é de certa forma sagrada segundo o conceito desses Antigos Mistérios. Isso mesmo, senhora. Explique para mim. Langdon sabia que teria de escolher com parcimónia as palavras. Havia passado semestres inteiros leccionando sobre o simbolismo místico de Washington e, só naquele prédio, a lista de referências místicas era quase interminável. Os Estados Unidos têm um passado oculto.

Sempre que Langdon dava alguma palestra sobre a simbologia dos Estados Unidos, seus alunos ficavam surpresos por descobrir que as verdadeiras intenções dos pais fundadores da nação não tinham absolutamente nada a ver com aquilo que tantos políticos agora afirmavam. O destino que se pretendia dar aos Estados Unidos se perdeu na história. O primeiro nome dado pelos pais fundadores à capital por eles edificada tinha sido Roma. Eles haviam baptizado seu rio de Tibre e construído uma capital clássica de panteões e templos, todos adornados com imagens de grandes deuses e deusas, Apolo, Minerva, Vênus, Hélios, Vulcano, Júpiter. No centro, como em muitas das grandes cidades clássicas, erigiram uma duradoura homenagem aos antigos, o obelisco egípcio. Esse obelisco, mais alto até do que os do Cairo ou de Alexandria, erguia-se 170 metros em direcção ao céu, maior que um prédio de 30 andares, proclamando gratidão e honra ao fundador semidivino ao qual aquela capital devia seu mais novo nome. Washington.

Agora, séculos mais tarde, apesar da separação entre Igreja e Estado no país, aquela Rotunda patrocinada pelo governo estava repleta de simbolismos religiosos antigos. Havia mais de uma dezena de deuses diferentes na Rotunda, mais do que no Panteão original de Roma. O Panteão romano, é claro, fora convertido ao cristianismo em 609... mas este panteão nunca havia sido convertido; vestígios de sua verdadeira história ainda permaneciam claramente visíveis.

Como a senhora deve saber, disse Langdon, esta Rotunda foi projectada como um tributo a um dos santuários místicos mais venerados de Roma. O Templo de Vesta. Das virgens vestais?, Sato parecia duvidar que as virginais guardiãs da chama de Roma tivessem algo a ver com o prédio do Capitólio norte-americano. O Templo de Vesta em Roma, disse Langdon, era circular e tinha um enorme buraco no chão, dentro do qual o fogo sagrado da iluminação era mantido por uma irmandade de virgens cuja tarefa era garantir que a chama jamais se apagasse. Sato deu de ombros. – Esta Rotunda é um círculo, mas não estou vendo nenhum buraco no chão. Não, agora não existe mais, porém durante anos o centro desta sala possuiu uma grande abertura justamente no lugar onde está a mão de Peter. Langdon gesticulou em direcção ao chão. Ainda é possível ver no piso as marcas deixadas pela grade que impedia as pessoas de caírem lá dentro. O quê?,  indagou Sato, examinando o chão. Eu nunca ouvi falar nisso. Parece que ele tem razão. Anderson apontou para o círculo de protuberâncias de ferro que marcava o local das antigas barras da grade. Eu já tinha visto esses negócios antes, mas não fazia a menor ideia do que eram ou para que serviam.

Você não é o único, pensou Langdon, imaginando os milhares de pessoas, incluindo famosos legisladores, que passavam pelo centro da Rotunda todos os dias sem saber que antigamente teriam caído dentro da Cripta do Capitólio, o nível logo abaixo da Rotunda. O buraco no chão, disse-lhes Langdon, acabou sendo coberto, mas, durante um bom tempo, os visitantes da Rotunda puderam ver através dele o fogo que ardia lá em baixo.

Sato se virou. Fogo? No Capitólio? Na verdade, era mais uma tocha grande, uma chama eterna que ardia na cripta logo abaixo de onde estamos. A ideia era que o fogo fosse visível pelo buraco, transformando esta sala em um moderno Templo de Vesta. O prédio tinha até a sua própria virgem vestal: um funcionário público federal chamado guardião da cripta, que conseguiu manter a chama acesa por 50 anos, até a política, a religião e os danos causados pela fumaça apagarem a ideia». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Washington DC, Dan Brown, Literatura, Maçonaria,

domingo, 26 de novembro de 2023

Dan Brown. O Símbolo Perdido. «Se esse homem quer que o senhor localize algum tipo de portal para ele, por que simplesmente não lhe diz como encontrá-lo? Por que toda essa encenação? Por que lhe dar a mão tatuada de alguém?»

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«Com todo o respeito, minha senhora, todos nós já ouvimos falar na Fonte da Juventude e em Shangri-la, mas isso não significa que existam. O chiado alto do rádio de Anderson os interrompeu. Chefe?, disse a voz no rádio. Anderson arrancou o aparelho do cinto. Anderson falando. Senhor, já concluímos a busca do local. Ninguém aqui dentro corresponde à descrição. Mais alguma ordem, senhor? Anderson lançou um olhar rápido para Sato, claramente esperando uma reprimenda, mas a directora não parecia interessada. Ele se afastou um pouco dos dois, falando baixinho no rádio. Sato estava totalmente concentrada em Langdon. Está querendo dizer que o segredo que ele acredita estar escondido em Washington... é uma fantasia? Langdon assentiu.

Um mito muito antigo. Na verdade, o segredo dos Antigos Mistérios é anterior ao cristianismo. Tem milhares de anos. E mesmo assim continua vivo? Assim como várias crenças igualmente improváveis. Langdon muitas vezes lembrava a seus alunos que a maioria das religiões modernas incluía histórias que não resistiam ao escrutínio científico: desde Moisés abrindo o mar Vermelho até Joseph Smith usando óculos mágicos para traduzir o Livro de Mórmon a partir de uma série de placas de ouro que encontrou enterradas no norte do estado de Nova York. A aceitação generalizada de uma ideia não é prova de sua validade. Entendo. Então o que são exactamente esses... Antigos Mistérios? Langdon suspirou. A senhora tem algumas semanas? Resumidamente, os Antigos Mistérios se referem a um conjunto de conhecimentos secretos reunidos muito tempo atrás. Um dos aspectos intrigantes desse conhecimento é que ele supostamente permite àquele que o detém entrar em contacto com poderosas habilidades adormecidas dentro da mente humana. Os adeptos esclarecidos que possuíam esse conhecimento juraram mantê-lo escondido das massas, porque ele era considerado poderoso e perigoso demais para os não iniciados.

Perigoso de que forma? As informações foram ocultadas pelo mesmo motivo que mantemos fósforos fora do alcance das crianças. Nas mãos correctas, o fogo pode proporcionar luz... mas, nas mãos erradas, ele pode ser altamente destrutivo. Sato tirou os óculos e estudou Langdon. Diga-me, professor, o senhor acredita que essas informações poderosas possam realmente existir? Langdon não sabia ao certo como responder. Os Antigos Mistérios sempre tinham sido o maior paradoxo de sua carreira académica. Praticamente todas as tradições místicas da Terra giravam em torno da ideia de que havia um conhecimento misterioso capaz de dotar os seres humanos de poderes sobrenaturais, quase como os de um deus: o tarô e o I Ching davam ao homem a capacidade de ver o futuro; a alquimia, por sua vez, concedia a imortalidade graças à lendária pedra filosofal; a wicca permitia aos praticantes avançados conjurar poderosos feitiços. A lista não tinha fim.

Como académico, Langdon não podia negar o registo histórico dessas tradições, tesouros incalculáveis de documentos, artefactos e obras de arte que, de facto, sugeriam claramente que os antigos possuíam um poderoso saber que só compartilhavam por meio de alegorias, mitos e símbolos, garantindo assim que apenas os devidamente iniciados pudessem ter acesso aos seus poderes. Mesmo assim, sendo realista e céptico, Langdon ainda não estava convencido. Digamos apenas que eu sou um céptico, disse ele a Sato. Nunca vi nada no mundo real que sugerisse que os Antigos Mistérios são algo mais do que uma lenda, um arquétipo mitológico recorrente. Parece-me que, se fosse possível para os humanos adquirir poderes milagrosos, haveria provas disso. Mas até agora a história não nos deu nenhum homem com poderes sobre-humanos. Sato arqueou as sobrancelhas. Isso não é totalmente verdade.

Langdon hesitou ao perceber que, para muitas pessoas religiosas, havia de facto um precedente para deuses humanos, dos quais Jesus era o mais evidente. É verdade, disse ele, que muitas pessoas instruídas acreditam nesse conhecimento capaz de conferir poder, mas ainda não estou convencido. Peter Solomon é uma dessas pessoas?, perguntou a directora, olhando de relance para a mão no piso da Rotunda. Langdon não conseguiu se forçar a olhar novamente para a mão. Peter vem de uma família que sempre teve paixão por todo tipo de coisa antiga e mística. Então a resposta é sim?, indagou Sato. Posso garantir à senhora que, ainda que Peter acredite que os Antigos Mistérios sejam verdadeiros, ele não crê que seja possível acessá-los atravessando algum tipo de portal escondido em Washington. Ele entende o conceito de simbolismo metafórico, algo que evidentemente não se pode dizer de seu sequestrador. Sato aquiesceu.

Então o senhor acredita que esse portal é uma metáfora? É claro, disse Langdon. Pelo menos em teoria. É uma metáfora bem comum: um portal místico que se deve atravessar de modo a alcançar a iluminação. Portais e portas são constritos simbólicos recorrentes, que representam ritos de passagem transformadores. Procurar um portal literal seria como tentar localizar os verdadeiros Portões do Paraíso. Sato pareceu reflectir sobre a questão por alguns instantes. Mas me parece que o homem que sequestrou o Sr. Solomon acredita que o senhor é capaz de destrancar um portal de verdade. Langdon soltou o ar com força. Ele cometeu o mesmo erro de muito zelotes: confundir metáforas com realidade. De modo semelhante, os alquimistas primitivos se esforçaram em vão para converter chumbo em ouro sem nunca perceber que essa transformação nada mais era do que uma metáfora para a exploração do verdadeiro potencial humano: pegar uma mente obtusa, ignorante, e transmudá-la em uma mente brilhante e iluminada.

Sato gesticulou em direcção à mão. Se esse homem quer que o senhor localize algum tipo de portal para ele, por que simplesmente não lhe diz como encontrá-lo? Por que toda essa encenação? Por que lhe dar a mão tatuada de alguém? Langdon havia feito a mesma pergunta a si mesmo, e a resposta era perturbadora. Bem, parece que o homem com quem estamos lidando, além de mentalmente instável, é muito instruído. A mão é uma prova de que ele é versado nos Mistérios, assim como em seus códigos de confidencialidade. Sem mencionar seus conhecimentos relativos à história desta sala. Não estou entendendo. Tudo o que ele fez hoje à noite se encaixa perfeitamente nos protocolos antigos. Tradicionalmente, a Mão dos Mistérios é um convite sagrado, devendo, portanto, ser feito em um local igualmente sagrado».  In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

 Cortesia de BertrandE/JDACT

 JDACT, Washington DC, Dan Brown, Literatura, Maçonaria, 

Dan Brown. O Símbolo Perdido. «No meu trabalho, nós aprendemos que a fronteira entre insanidade e genialidade é tênue. Seria sensato de nossa parte ter um pouco de respeito por esse homem. Ele cortou a mão de uma pessoa!»

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«A Directora Inoue Sato estava em pé, de braços cruzados, olhando com cepticismo para Langdon enquanto processava o que ele havia acabado de lhe dizer. Ele disse que quer que o senhor destranque um antigo portal? O que é que eu faço com essa informação, professor? Langdon deu de ombros, desanimado. Estava se sentindo mal novamente e tentou não baixar os olhos para a mão cortada do amigo. Foi exactamente isso que ele me falou. Um antigo portal... escondido em algum lugar na cidade, acho que neste prédio. Eu disse a ele que não sabia de portal nenhum.

Então por que é que ele acha que o senhor pode encontrá-lo? Evidentemente ele é louco. Ele disse que Peter iria apontar o caminho. Langdon baixou o olhar para o dedo esticado de Peter, sentindo-se novamente enojado pelo sádico jogo de palavras de seu captor. Peter apontará o caminho. Langdon já havia permitido que seus olhos seguissem a direcção do dedo, que indicava a cúpula. Um portal? Lá em cima? Loucura. Esse homem que me ligou, disse Langdon a Sato, é a única pessoa que sabia que eu estaria no Capitólio hoje à noite, então, quem quer que tenha informado à senhora que eu estava aqui é o principal suspeito. Eu recomendo... Não é da sua conta onde eu obtive minhas informações, interrompeu Sato, com a voz cada vez mais incisiva. Minha prioridade máxima neste momento é cooperar com esse homem, e eu tenho informações que sugerem que o senhor é o único capaz de dar o que ele quer. E a minha prioridade máxima é encontrar meu amigo, retrucou Langdon, frustrado. Sato respirou fundo, evidentemente se esforçando para não perder a paciência.

Se quisermos encontrar o Sr. Solomon, só temos um curso de acção possível, professor: começar a cooperar com a única pessoa que parece saber onde ele está. Sato verificou o relógio de pulso. Nosso tempo é limitado. Posso lhe garantir que é essencial atendermos rapidamente às exigências desse homem. Como?, perguntou Langdon, incrédulo. Localizando e destrancando um antigo portal? Não existe portal nenhum, directora Sato. Esse homem é maluco. Sato chegou mais perto, parando a menos de meio metro de Langdon. Permita-me observar... que o seu maluco já manipulou com habilidade dois indivíduos relativamente inteligentes hoje de manhã. Ela encarou Langdon e, em seguida, olhou de relance para Anderson. No meu trabalho, nós aprendemos que a fronteira entre insanidade e genialidade é tênue. Seria sensato de nossa parte ter um pouco de respeito por esse homem. Ele cortou a mão de uma pessoa! Justamente. Isso está longe de ser o comportamento de um indivíduo indeciso ou hesitante. Mais importante ainda, professor, esse homem obviamente acredita que o senhor pode ajudá-lo. Ele o trouxe até Washington e deve ter feito isso por um motivo. Ele falou que o único motivo pelo qual pensa que eu posso destrancar esse portal é que Peter lhe disse que eu poderia fazer isso, rebateu Langdon.

E por que Peter Solomon diria isso se não fosse verdade? Tenho certeza de que Peter não falou nada disso. E, se falou, ele o fez sob pressão. Estava confuso... ou amedrontado. Sim. Isso se chama interrogatório sob tortura e é bastante eficaz. Mais razão ainda para o Sr. Solomon dizer a verdade. Sato falava como se conhecesse a técnica por experiência própria. Ele explicou por que Peter acha que só o senhor pode destrancar o portal? Langdon fez que não com a cabeça. Professor, se a sua reputação estiver correcta, então o senhor e Peter Solomon compartilham um interesse por este tipo de coisa: segredos, factos históricos esotéricos, misticismo e assim por diante. Em todas as suas conversas com Peter, ele nunca mencionou sequer uma vez nada sobre algum portal secreto aqui em Washington?

Langdon mal podia acreditar que uma alta funcionária da CIA estava lhe fazendo uma pergunta dessas. Tenho certeza que não. Peter e eu conversamos sobre coisas bem misteriosas, mas pode acreditar: se ele algum dia me dissesse que existe um antigo portal escondido em qualquer lugar, eu o mandaria procurar um médico para ver se estava tudo bem com a sua cabeça. Ainda mais um portal que conduz aos Antigos Mistérios. Ela ergueu os olhos. Como assim? O homem lhe disse especificamente aonde este portal pode levar? Disse, mas não precisava. Langdon indicou a mão com um gesto. A Mão dos Mistérios é um convite formal para se atravessar um portal místico e obter conhecimentos secretos ancestrais, um poderoso saber conhecido como Antigos Mistérios... ou o saber perdido de todas as épocas. Então o senhor já ouviu falar no segredo que ele acredita estar escondido aqui. Muitos historiadores já ouviram. Então como o senhor pode dizer que o portal não existe?» ». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Washington DC, Dan Brown, Literatura, Maçonaria,

Dan Brown. O Símbolo Perdido. «O meu software não é diferente de, digamos, um simulador de voo. Alguns vão usá-lo como treino para missões aéreas de primeiros socorros em países subdesenvolvidos»

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«É, eu sei que parece loucura. O que estou querendo dizer é que ele quantifica o estado emocional do país. Proporciona uma espécie de barómetro da consciência cósmica, se preferir. Trish explicou como, usando um campo de dados constituído pelas comunicações do país, era possível avaliar o humor da nação com base na densidade de ocorrência de determinadas palavras-chave e indicadores emocionais no campo de dados. Épocas mais felizes tinham uma linguagem mais feliz, e épocas de stress tinham uma linguagem mais stressada. Em caso de atentado terrorista, por exemplo, o governo poderia usar os campos de dados para estimar a mudança na psique dos Estados Unidos e informar melhor o presidente sobre o impacto emocional do acontecimento.

Fascinante, comentou Katherine acariciando o queixo. Então você está basicamente examinando uma população de indivíduos... como se eles fossem um organismo único. Exacto. Um metassistema. Uma entidade única definida pela soma de suas partes. O corpo humano, por exemplo, é constituído por milhões de células individuais, cada qual com atribuições e finalidades diferentes, mas funciona como uma entidade única. Katherine aquiesceu, animada. Como um bando de pássaros ou um cardume que se move como se fosse uma coisa só. Nós chamamos isso de convergência ou de entrelaçamento.

Trish sentiu que a sua convidada famosa estava começando a perceber o potencial da programação de metassistemas e sua aplicabilidade no campo da ciência noética. O meu software, explicou Trish, foi criado para ajudar as agências governamentais a avaliar melhor e reagir de maneira apropriada a crises em grande escala: pandemias, tragédias nacionais, terrorismo, esse tipo de coisa. Ela fez uma pausa. É claro que nada impede que ele possa ser usado para outras coisas... talvez para capturar o estado de espírito do país em um dado momento e prever o desfecho de uma eleição presidencial ou a direcção em que o mercado de acções vai oscilar quando o pregão abrir.

Parece uma ferramenta poderosa. Trish fez um gesto indicando sua casa. O governo, pelo menos, achou. Então, os olhos cinzentos de Katherine se fixaram em Trish. Você se importa que eu pergunte sobre o dilema ético gerado pelo seu trabalho? Como assim? Quer dizer, você criou um software que pode facilmente ser usado para fins escusos. Quem quer que o detenha possui acesso a informações poderosas que não estão disponíveis para todo o mundo. Você não ficou preocupada ao criá-lo? Trish nem sequer pestanejou.

De jeito nenhum. O meu software não é diferente de, digamos, um simulador de voo. Alguns vão usá-lo como treino para missões aéreas de primeiros socorros em países subdesenvolvidos. Outros, para aprender a jogar aviões de passageiros contra arranha-céus. O conhecimento é uma ferramenta e, como todas as ferramentas, seu impacto está nas mãos do usuário. Katherine se recostou na cadeira, parecendo impressionada. Então deixe-me lhe fazer uma pergunta hipotética. De repente, Trish percebeu que a conversa havia se transformado em uma entrevista de emprego.

Katherine estendeu o braço e recolheu um minúsculo grão de areia do piso da varanda, erguendo-o para Trish ver. O que me parece, disse ela, é que, basicamente, seu trabalho sobre metassistemas permite calcular o peso de toda a areia de uma praia, pesando um grão de cada vez. Basicamente, é isso mesmo. Como você sabe, este grãozinho de areia tem uma massa. Muito pequena, mas mesmo assim uma massa. Trish aquiesceu. E justamente pelo facto de este grão de areia ter uma massa, ele exerce uma força de gravidade. Ela também é pequena demais para ser sentida, mas existe. Certo. Então, disse Katherine, se nós pegarmos trilhões de grãos de areia como este e deixarmos que atraiam uns aos outros para formar, digamos, a lua, a força de gravidade combinada deles será suficiente para mover oceanos inteiros e fazer subir e descer as marés por todo o nosso planeta.

Trish não sabia aonde Katherine pretendia chegar, mas estava gostando do que ouvia. Então vamos elaborar uma hipótese, falou Katherine, descartando o grão de areia. E se eu dissesse a você que um pensamento, qualquer ideia minúscula que se forme na sua mente, possui uma massa? E se eu lhe dissesse que um pensamento é uma coisa de verdade, uma entidade mensurável, com uma massa mensurável? Minúscula, é claro, mas ainda assim uma massa. Quais seriam as implicações disso?

Hipoteticamente falando? Bem, as implicações óbvias seriam: se um pensamento tem massa, então ele exerce uma força de gravidade e pode atrair coisas para si. Katherine sorriu. Você é boa. Agora avance mais um passo. O que acontece se muitas pessoas começam a se concentrar no mesmo pensamento? Todas as ocorrências desse mesmo pensamento passam a se consolidar em uma só, e a massa acumulada dele começa a aumentar. Portanto, sua gravidade aumenta. Certo. O que significa que... se um número suficiente de pessoas começar a pensar a mesma coisa, então a força gravitacional dessa ideia se torna tangível e exerce uma força de verdade. Katherine deu uma piscadela. E ela pode ter um efeito mensurável no nosso mundo físico». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

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quinta-feira, 27 de julho de 2023

Dan Brown. O Símbolo Perdido. «Hã... o que eu quis dizer foi que a noética é mais... esotérica. Katherine deu uma risada. Relaxe, estou brincando. Ouço isso o tempo todo. Não é de espantar, pensou Trish. Até mesmo o Instituto de Ciências Noéticas da Califórnia descrevia…»

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«(…) As duas mulheres passaram vários minutos conversando sobre o trabalho de Trish com meta-sistemas, falando sobre sua experiência de analisar, criar modelos e prever o fluxo de imensos campos de dados. É claro que o seu livro é avançado demais para mim, disse Trish, mas eu entendi o suficiente para ver uma intersepção com meu trabalho sobre meta-sistemas. Diz no seu blog que os modelos de meta-sistemas podem transformar o estudo da noética? Com certeza. Eu acredito que os meta-sistemas poderiam transformar a noética numa ciência de verdade. Ciência de verdade? – O tom de Katherine ficou um pouco mais duro. Ao contrário de...?

Ai, me…, que fora!

Hã... o que eu quis dizer foi que a noética é mais... esotérica. Katherine deu uma risada. Relaxe, estou brincando. Ouço isso o tempo todo. Não é de espantar, pensou Trish. Até mesmo o Instituto de Ciências Noéticas da Califórnia descrevia a disciplina numa linguagem misteriosa e difícil de entender, definindo-a como o estudo do acesso directo e imediato por parte da humanidade ao conhecimento além daquele disponível aos nossos sentidos normais e ao poder da razão. A palavra noético, como Trish havia descoberto, vinha do grego antigo nous, que podia ser traduzido aproximadamente como conhecimento interno ou consciência intuitiva. Tenho interesse no seu trabalho com meta-sistemas, disse Katherine, e em como ele pode se relacionar com um projecto no qual estou trabalhando. Por acaso estaria disposta a me encontrar? Eu adoraria fazer-lhe algumas perguntas.

Katherine Solomon quer fazer-me umas perguntas? Era como se Maria Sharapova tivesse lhe telefonado pedindo dicas sobre ténis. No dia seguinte, um Volvo branco parou em frente à sua casa e uma mulher atraente e esguia usando uma calça jeans saltou do carro. Trish na mesma hora se sentiu com meio metro de altura. Que maravilha, resmungou consigo mesma. Inteligente, rica e magra, e eu ainda devo acreditar que Deus é bom? Mas o jeito despretensioso de Katherine logo a deixou à vontade. As duas se acomodaram na imensa varanda dos fundos de Trish com vista para a propriedade de tamanho impressionante. Sua casa é incrível, comentou Katherine.

Obrigada. Tive sorte na faculdade e vendi a licença de um software que tinha desenvolvido. Relacionado com meta-sistemas? Um precursor dos meta-sistemas. Depois do 11 de Setembro, o governo começou a interceptar e analisar imensos campos de dados: e-mails de civis, ligações de telrmóveis, faxes, mensagens de texto, sites na internet, tudo em busca de palavras-chave ligadas a comunicações entre terroristas. Então eu desenvolvi um software que lhes permitia processar seu campo de dados de uma segunda forma, extraindo dele um outro produto de inteligência. Ela sorriu. Basicamente, o meu software lhes permite medir a temperatura dos Estados Unidos. Como assim? Trish riu». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

 Cortesia de BertrandE/JDACT

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sábado, 11 de fevereiro de 2023

Dan Brown. O Símbolo Perdido. «Eu não sabia que os modelos de metas-sistemas tinham avançado tanto. Pode crer que sim, conseguiu responder Trish, fascinada por estar falando com Katherine. Os modelos de dados são uma tecnologia em franca expansão que pode ser aplicada a diversas áreas»

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«(…) Um pedido estranho, pensou Trish, mas com certeza factível. Dez anos antes, a tarefa teria sido impossível. Actualmente, porém, com a internet, a rede mundial de computadores e a crescente digitalização de grandes bibliotecas e museus do mundo, o objectivo de Katherine podia ser alcançado usando uma ferramenta de busca relativamente simples equipada com um exército de módulos de tradução e algumas palavras-chave bem escolhidas. Sem problemas, disse Trish. Muitos dos livros de referência da biblioteca do laboratório continham trechos em línguas antigas, de modo que ela várias vezes precisava elaborar módulos de tradução específicos com base em Reconhecimento Óptico de Caracteres, ou OCR, para gerar textos em inglês a partir de línguas obscuras. Ela devia ser a única especialista em metas-sistemas do mundo a ter elaborado módulos desse tipo em frísio antigo, maek e acádio. Os módulos iriam ajudar, mas o segredo para construir um agente de busca, ou web spider, eficaz era escolher as palavras-chave certas. Específicas, mas não excessivamente restritivas.

Katherine parecia estar um passo à frente de Trish, pois já estava anotando algumas palavras num pedaço de papel. Depois de anotar várias, parou, pensou alguns instantes e incluiu outras. Pronto, disse por fim, entregando o papel a Trish. Trish percorreu rapidamente a lista de strings a serem buscados, e seus olhos se arregalaram ao ver as sequências de caracteres. Que tipo de lenda maluca Katherine está investigando? Você quer procurar todas essas expressões-chave? Uma das palavras Trish nem reconheceu. Meu Deus, que língua é essa? Acha que vamos encontrar tudo isso num lugar só? Ipsis litteris? Eu gostaria de tentar. Trish teria dito impossível, mas aquela palavra era proibida ali dentro. Katherine considerava esse tipo de mentalidade perigosa numa disciplina que muitas vezes transformava falsos pressupostos em verdades confirmadas. Trish Dunne duvidava seriamente que aquela busca fosse entrar nessa categoria.

Quanto tempo até termos os resultados?, perguntou Katherine. Alguns minutos para programar o spider e disparar a pesquisa. Depois disso, talvez uns 15 para ele concluir a busca. Rápido assim? Katherine parecia animada. Trish aquiesceu. As ferramentas de busca convencionais muitas vezes levavam um dia inteiro para se arrastarem por todo o universo on-line, encontrar novos documentos, digerir seu conteúdo e incluí-los na base de dados da pesquisa. Mas Trish não iria programar algo simples assim. Vou escrever um programa chamado delegador, explicou Trish. Não é lá muito católico, mas é rápido. Essencialmente, é um software que coloca as ferramentas de busca de outras pessoas para fazer o nosso trabalho. A maioria das bases de dados tem uma função de busca embutida... bibliotecas, museus, universidades, governos. Então eu vou programar um spider que encontra as ferramentas de busca deles, insere as palavras-chave que você me deu e pede que eles façam a pesquisa. Assim, nós aproveitamos a capacidade de milhares de ferramentas e fazemos com que elas trabalhem simultaneamente. Katherine parecia impressionada. Processamento paralelo.

Uma espécie de metassistema.

Eu chamo você se encontrar alguma coisa. Obrigada, Trish. Katherine afagou-lhe as costas e se encaminhou para a porta. Vou estar na biblioteca. Trish começou a escrever o programa. Codificar um spider de busca era uma tarefa menor, bem abaixo de seu nível de competência, mas ela não ligava para isso. Faria qualquer coisa por Katherine Solomon. Às vezes, Trish ainda não conseguia acreditar na sorte que a levara até ali.

Você foi mais longe do que imaginava, garota.

Pouco mais de um ano antes, Trish havia deixado seu emprego como analista de metas-sistemas numa das grandes empresas impessoais da indústria de alta tecnologia. Nas horas vagas, trabalhava como programadora freelance e criou um blog sobre a indústria, Futuras Aplicações em Análise Computacional de Metas-sistemas, embora tivesse dúvidas de que alguém o lesse. Então, certa noite, seu telefone tocou. Trish Dunne?, indagou uma voz educada de mulher. Sim, sou eu. Quem está falando? Meu nome é Katherine Solomon. Trish quase desmaiou ali mesmo. Katherine Solomon?

Eu acabei de ler o seu livro, Ciência Noética: Portal Moderno para o Conhecimento Antigo. Até escrevi sobre ele no meu blog! É, eu sei, devolveu a mulher em tom cortês. É por isso que eu estou ligando. É claro que é por isso, percebeu Trish, sentindo-se uma boba. Mesmo os cientistas mais brilhantes pesquisam o próprio nome no Google. Achei seu blog intrigante, disse-lhe Katherine. Eu não sabia que os modelos de metas-sistemas tinham avançado tanto. Pode crer que sim, conseguiu responder Trish, fascinada por estar falando com Katherine. Os modelos de dados são uma tecnologia em franca expansão que pode ser aplicada a diversas áreas». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Washington DC, Dan Brown, Literatura, Maçonaria,

O Símbolo Perdido. Dan Brown. «Adoraria saber se essa lenda já foi corroborada em algum momento da história. De toda a história? Katherine assentiu. Em qualquer lugar do mundo, em qualquer idioma, em qualquer momento da história»

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«(…) A directora do ES parecia estar com uma ideia totalmente diferente na cabeça. Anderson também parecia intrigado. Segurança nacional? Com todo o respeito, senhora... Até onde eu sei, interrompeu ela, o meu cargo é superior ao seu. Sugiro que faça exactamente o que eu disser, sem questionar nada. O chefe de polícia aquiesceu e engoliu em seco. Mas não deveríamos pelo menos tirar as digitais dos dedos para confirmar que a mão pertence a Peter Solomon? Eu confirmo, disse Langdon, sentindo uma certeza nauseante. Reconheço o anel... e a mão dele. Ele fez uma pausa. Mas as tatuagens são novas. Alguém fez isso com ele recentemente. Como disse? Pela primeira vez desde sua chegada, a directora pareceu perturbada. A mão está tatuada? Langdon assentiu. O polegar tem uma coroa. E o indicador, uma estrela. Sato sacou seus óculos e caminhou até à mão, rodeando-a feito um tubarão. Além disso, disse Langdon, embora não dê para ver os outros três dedos, tenho certeza de que eles também vão estar com as pontas tatuadas. Sato pareceu intrigada com a observação e gesticulou para Anderson se aproximar. Chefe, pode dar uma olhada nos outros dedos para nós, por favor? Anderson se agachou ao lado da mão, tomando cuidado para não tocar nela. Aproximou a bochecha do chão e examinou a parte de baixo dos dedos fechados. Ele tem razão, directora. Todos os dedos estão tatuados, mas não estou conseguindo ver muito bem o que os outros... Um sol, uma lamparina e uma chave, disse Langdon em tom neutro. Sato ficou de frente para Langdon, avaliando-o com os olhos miúdos.

E como é que o senhor pode saber isso? Langdon retribuiu seu olhar. A imagem da mão humana marcada dessa forma nas pontas dos dedos é um ícone muito antigo. É conhecida como a Mão dos Mistérios. Anderson se levantou abruptamente. Esta coisa tem nome? Langdon aquiesceu. É um dos ícones mais secretos do mundo antigo. Sato entortou a cabeça. Então posso perguntar que raios isso está fazendo no meio do Capitólio dos Estados Unidos? Langdon desejou poder acordar daquele pesadelo. Tradicionalmente, minha senhora, a mão era usada como um convite. Um convite... para quê?, quis saber ela. Ele baixou os olhos para os símbolos tatuados na mão cortada do amigo. Durante séculos, a Mão dos Mistérios representou uma convocação mística. Basicamente, ela é um convite para receber conhecimentos sagrados, um saber protegido a que apenas uma pequena elite tinha acesso. Sato cruzou os braços finos e ergueu para ele os olhos negros feito carvão. Bem, professor, para alguém que alega não ter a menor ideia do que está fazendo aqui... o senhor está se saindo muito bem até agora.

Katherine Solomon vestiu a bata branca e começou sua habitual rotina de chegada, sua ronda, como dizia o irmão. Como uma mãe nervosa conferindo o sono de um bebé, Katherine espichou a cabeça para dentro da sala de máquinas. O gerador de hidrogénio estava funcionando bem, com os tanques de reserva aninhados em segurança nos suportes. Katherine prosseguiu pelo corredor até à sala de armazenamento de dados. Como sempre, as duas unidades holográficas redundantes de backup emitiam um zumbido reconfortante dentro de seu compartimento com temperatura controlada. Toda a minha pesquisa, pensou ela, olhando através do vidro de segurança de 7,5 centímetros de espessura. Os dispositivos de armazenamento holográfico de dados, ao contrário de seus antepassados do tamanho de geladeiras, pareciam mais os elegantes componentes de um aparelho de som, cada qual empoleirado num pedestal em forma de coluna.

Os dois drives holográficos do laboratório eram sincronizados e idênticos, funcionavam como backups redundantes para salvar cópias iguais de seu trabalho. A maioria dos protocolos de armazenamento de dados recomendava um segundo sistema de backup que fosse externo ao local, para o caso de haver um terremoto, um incêndio ou um roubo, mas Katherine e o irmão haviam concordado que a confidencialidade era de suma importância; se aqueles dados saíssem dali para um servidor externo, eles não poderiam mais ter certeza de que continuariam secretos. Convencida de que tudo estava correndo bem ali, ela voltou pelo corredor. Ao fazer a curva, porém, viu algo inesperado do outro lado do laboratório. Mas o que é isso? Um brilho difuso emanava de todo o equipamento. Ela se apressou para examiná-lo, surpresa ao ver luz saindo de trás da divisória de plexiglas da sala de controle.

Ele está aqui. Katherine atravessou voando o laboratório, chegou à porta da sala de controle e a abriu. Peter!, disse, entrando às pressas. A moça gorducha diante do terminal da sala de controle se sobressaltou. Ai, meu Deus! Katherine! Que susto você me deu! Trish Dunne, a única outra pessoa na face da Terra com permissão para entrar al, era a analista de metassistemas de Katherine e raramente trabalhava nos fins de semana. A ruiva de 26 anos era um génio em elaboração de modelos de dados e havia assinado um contrato de confidencialidade digno da KGB.

Naquela noite, estava aparentemente analisando dados no telão de plasma que cobria a parede da sala de controle, um imenso monitor que parecia ter saído do centro de controle de missões da NASA. Desculpe, disse Trish. Eu não sabia que já tinha chegado. Estava tentando terminar antes de você e seu irmão se reunirem. Você falou com ele? Ele está atrasado e não atende o telefone móvel. Trish fez que não com a cabeça. Aposto que ele ainda está tentando descobrir como usar o iPhone novo que deu para ele. Katherine gostava do bom humor de Trish e a presença da ruiva ali acabara de lhe dar uma ideia. Na verdade, que bom que você está aqui hoje. Talvez possa ajudar-me com uma coisinha, se não se importar. Seja o que for, tenho certeza de que é melhor do que futebol. Katherine respirou fundo, acalmando a própria mente. Não sei muito bem como explicar isso, mas hoje mais cedo ouvi uma história estranha...

Trish Dunne não sabia que história Katherine Solomon tinha escutado, mas algo a deixara claramente nervosa. Os olhos cinzentos geralmente calmos de sua chefe pareciam ansiosos, e ela já havia ajeitado os cabelos atrás das orelhas três vezes desde que entrara na sala, um sinal de nervosismo, como Trish costumava dizer. Cientista brilhante. Péssima jogadora de pôquer. Para mim, disse Katherine, essa história parece inventada... tipo uma lenda antiga. Mas... Ela fez uma pausa, arrumando outra vez uma mecha atrás da orelha. Mas...? Katherine deu um suspiro. Mas hoje uma fonte segura me disse que a lenda é verdadeira. Certo... Aonde ela quer chegar com isso? Vou conversar com meu irmão a respeito, mas antes disso talvez você possa me ajudar a lançar alguma luz sobre a questão. Adoraria saber se essa lenda já foi corroborada em algum momento da história. De toda a história? Katherine assentiu. Em qualquer lugar do mundo, em qualquer idioma, em qualquer momento da história». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

O Símbolo Perdido. Dan Brown. «Professor, quem está no comando desta investigação sou eu e, até o senhor começar a me dizer o que quero saber, sugiro que não fale…»

 

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«(…) Robert Langdon havia acabado de cometer um erro muito grave ao lidar com Sato. Infelizmente, Anderson percebeu que era tarde demais. Para seu espanto, Inoue Sato havia acabado de aparecer do outro lado da Rotunda, aproximando-se depressa por trás de Langdon. Sato está aqui no prédio! O chefe de polícia prendeu a respiração e se preparou para o impacto. Langdon não faz a menor ideia do que isso significa. O vulto de Sato foi chegando mais perto, com o telefone colado ao ouvido, os olhos negros grudados como dois feixes de raio laser nas costas de Langdon.

Langdon apertou com força o telefone do chefe de polícia, sentindo-se cada vez mais frustrado à medida que Sato o pressionava. Sinto muito, senhor, disse ele, lacónico, mas eu não sou capaz de ler os seus pensamentos. O que o senhor quer de mim? O que eu quero do senhor? A voz rascante chiou no telefone de Langdon, áspera e cavernosa, como a de um moribundo com a garganta inflamada. Enquanto o homem falava, Langdon sentiu alguém lhe cutucar o ombro. Deu meia-volta e seus olhos foram atraídos para baixo... parando bem no rosto de uma japonesa baixinha. A mulher tinha uma expressão feroz, a tez marcada, cabelos ralos, dentes manchados de nicotina e uma perturbadora cicatriz branca que cortava seu pescoço na horizontal. Sua mão encarquilhada segurava um telefone móvel junto à orelha e, quando seus lábios se moveram, Langdon escutou aquela mesma voz rascante sair do seu próprio celular. O que eu quero do senhor, professor? Ela fechou o telefone com calma e o fuzilou com os olhos. Para começar, poderia parar de me chamar de senhor. Langdon a encarou, morrendo de vergonha. Minha senhora, eu... me desculpe. A nossa ligação estava ruim e... A nossa ligação estava perfeita, professor, disse ela. E eu tenho uma tolerância extremamente baixa para desculpas esfarrapadas.

A directora Inoue Sato era um espécime temível, uma tempestade violenta em forma de mulher com apenas 1,47m de altura. Era esquelética, tinha os traços irregulares e uma doença de pele conhecida como vitiligo, que dava à sua tez o aspecto manchado de um bloco áspero de granito coberto por placas de líquen. Seu terninho azul amarrotado pendia do corpo macilento como um saco frouxo, e a camisa de colarinho aberto nada fazia para esconder a cicatriz do pescoço. Seus colegas de trabalho já haviam reparado que a única concessão de Sato à vaidade física parecia ser depilar com uma pinça seu copioso buço. Fazia mais de uma década que Inoue Sato supervisionava o Escritório de Segurança da CIA. Seu QI era muito acima da média e seus instintos tinham uma precisão assustadora, combinação que lhe conferia uma segurança que a tornava aterrorizante para qualquer pessoa incapaz de realizar o impossível. Nem mesmo o diagnóstico de um câncer de garganta agressivo em estágio terminal a havia derrubado. A batalha lhe custara um mês de trabalho, metade da laringe e um terço do peso, mas ela voltou ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Inoue Sato parecia indestrutível.

Robert Langdon desconfiava que provavelmente não era o primeiro a confundir Sato com um homem ao telefone, mas a directora ainda o fuzilava com seus olhos negros abrasadores. Mais uma vez queira desculpar-me, senhora, disse Langdon. Ainda estou tentando me situar aqui... A pessoa que diz estar com Peter Solomon me enganou para me fazer vir a Washington esta noite. Ele tirou o fax do casaco. Foi isto aqui que ele me enviou mais cedo. Eu anotei o número do jacto que ele mandou para me buscar, então quem sabe a senhora não poderia ligar para a Agência Nacional de Aviação e rastrear o...

A diminuta mão de Sato deu um bote para agarrar o pedaço de papel. Ela o enfiou no bolso sem sequer abri-lo. Professor, quem está no comando desta investigação sou eu e, até o senhor começar a me dizer o que quero saber, sugiro que não fale a menos que alguém lhe dirija a palavra. Sato então se virou para o chefe de polícia. Chefe Anderson, falou ela, chegando perto demais e erguendo para ele os olhinhos negros, pode fazer a gentileza de me dizer que diabos está acontecendo aqui? O segurança no portão leste me disse que vocês encontraram uma mão humana no chão. É verdade? Anderson deu um passo para o lado e revelou o objecto no meio do piso. Sim, senhora, faz poucos minutos. Ela olhou de relance para a mão como se não passasse de uma peça de roupa esquecida. E mesmo assim o senhor não me disse nada quando eu liguei? Eu... eu pensei que a senhora soubesse. Não minta para mim.

Anderson murchou diante do olhar dela, mas sua voz permaneceu firme. Senhora, a situação aqui está sob controle. Duvido muito que isso seja verdade, disse Sato com a voz igualmente firme. Uma equipe de criminalística está a caminho. Quem fez isso pode ter deixado impressões digitais. Sato fez cara de céptica. Acho que uma pessoa esperta o suficiente para passar pelo seu controle de segurança com a mão cortada de alguém provavelmente é esperta o suficiente para não deixar impressões digitais. Pode ser, mas tenho a responsabilidade de investigar. Na verdade, está dispensado dessa responsabilidade a partir de agora. Eu estou assumindo o caso. Anderson se retesou. Isto aqui não é exactamente da competência do ES, é? Sem dúvida que sim. Esta é uma questão de segurança nacional. A mão de Peter?, perguntou-se Langdon, que assistia à conversa atônito. Segurança nacional. Ele sentia que seu objectivo de encontrar Peter o mais rápido possível não era compartilhado por Sato». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

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O Símbolo Perdido. Dan Brown. «Era um inimigo aterrorizante para qualquer oponente. Suas aparições eram raras, e o temor que provocavam, universal. Sato singrava as águas profundas…»

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«(…) Com uma missão aparentemente autodestrutiva, o ES havia sido criado pela CIA com uma estranha finalidade: espionar a própria agência. Como uma poderosa corregedoria interna, monitorava todos os seus funcionários para detectar comportamentos ilícitos: desvio de fundos, venda de segredos, roubo de tecnologias confidenciais e uso de tácticas ilegais de tortura, entre outros.

Eles espionam os espiões dos Estados Unidos.

Com carta branca para investigar qualquer questão ligada à segurança nacional, o ES tinha um poder de longo alcance. Anderson não conseguia imaginar porque eles se interessariam por aquele incidente no Capitólio, nem como tinham ficado sabendo tão rápido dele. Segundo os boatos, porém, o escritório tinha olhos por toda a parte. Até onde Anderson sabia, era possível que eles recebessem uma transmissão directa das câmeras de segurança do Capitólio. Aquele incidente não se encaixava de forma alguma nas directrizes do ES, mas seria muita coincidência ele receber um telefonema da CIA naquele momento sobre qualquer outro assunto que não fosse a mão cortada. Chefe? O segurança lhe estendia o telefone como se fosse uma batata quente. O senhor precisa atender agora... É... Ele fez uma pausa e articulou silenciosamente duas sílabas. SA-TO. Anderson apertou os olhos e encarou o homem com intensidade. Você só pode estar de brincadeira. Sentiu as palmas das mãos começarem a suar. Sato está cuidando disso pessoalmente?

Inoue Sato, a autoridade suprema do Escritório de Segurança, que ocupava o cargo de direcção do órgão, era uma lenda na comunidade de inteligência. Depois de ter nascido entre as grades de um campo de concentração japonês em Manzanar, na Califórnia, após o ataque a Pearl Harbor, Sato, como todo o sobrevivente, jamais esquecera os horrores da guerra, tampouco os perigos de uma inteligência militar deficiente. Agora que ocupava um dos cargos mais secretos e poderosos do serviço de inteligência norte-americano, se revelara de um patriotismo incondicional. Era um inimigo aterrorizante para qualquer oponente. Suas aparições eram raras, e o temor que provocavam, universal. Sato singrava as águas profundas da CIA como um leviatã que só subia à superfície para devorar sua presa. Anderson só havia encontrado Inoue Sato pessoalmente uma vez, e a lembrança de encarar aqueles frios olhos negros bastou para que ficasse grato por só terem que se falar ao telefone. Ele pegou o aparelho e levou-o à boca. Alô, atendeu com a voz mais simpática possível. Aqui é o chefe Anderson. Como posso... Preciso falar agora mesmo com um homem que está aí no seu prédio. A voz da autoridade máxima do ES era inconfundível: parecia cascalho arranhando um quadro-negro. Uma operação para retirar um câncer na garganta tinha deixado Sato com um tom de voz profundamente perturbador, além de uma cicatriz repulsiva no pescoço. Quero que o encontre para mim imediatamente. Só isso? Quer que eu chame alguém? Anderson se sentiu subitamente esperançoso, pensando que talvez aquela ligação fosse pura coincidência. Quem é a pessoa que está procurando? O nome dele é Robert Langdon. Acho que está aí dentro do seu prédio neste momento.

Langdon? O nome parecia vagamente conhecido, mas Anderson não lembrava exactamente de onde. Ele começou a se perguntar se a CIA sabia sobre a mão. Eu estou na Rotunda agora, disse ele, e há alguns turistas aqui... Espere um instante. Ele abaixou o telefone e gritou na direcção do grupo: Pessoal, tem alguém aqui chamado Langdon? Após um breve silêncio, uma voz grave respondeu do meio dos turistas. Sim. Eu sou Robert Langdon. Sato sabe de tudo. Anderson esticou o pescoço para tentar ver quem tinha se identificado. O mesmo homem que tentara falar com ele havia alguns minutos se afastou dos outros. Ele parecia abalado... mas, de certa forma, lhe era familiar. Anderson ergueu o telefone até a boca. Sim, o Sr. Langdon está aqui. Passe o telefone para ele, ordenou Sato com sua voz áspera. O chefe de polícia soltou o ar preso nos pulmões. Antes ele do que eu. Um instante. Ele acenou para Langdon se aproximar. Enquanto Langdon chegava mais perto, Anderson percebeu de repente por que o nome soava conhecido. Eu acabei de ler um artigo sobre esse cara. O que ele está fazendo aqui?

Embora Robert Langdon tivesse 1,83m e porte atlético, Anderson não viu nem sinal da atitude fria e dura que esperava de um homem que havia sobrevivido a uma explosão no Vaticano e a uma caçada humana em Paris. Esse homem escapou da polícia francesa... de sapato social? Ele parecia mais alguém que se esperaria encontrar lendo Dostoiévski ao lado da lareira da biblioteca de alguma das universidades de elite do país. Sr. Langdon?, disse Anderson, adiantando-se para recebê-lo. Sou o chefe de polícia do Capitólio. Eu cuido da segurança aqui. Telefone para o senhor. Para mim? Os olhos azuis do professor pareciam aflitos e hesitantes. Anderson estendeu o telefone. É do Escritório de Segurança da CIA.

Nunca ouvi falar. Anderson deu um sorriso sombrio. Bom, eles ouviram falar no senhor.

Langdon levou o telefone ao ouvido. Sim? Robert Langdon? A voz áspera de Sato irrompeu do pequeno fone, alta o suficiente para Anderson conseguir escutar. Sim?, respondeu Langdon. O chefe de polícia se aproximou um passo para ouvir o que Sato dizia. Aqui é Inoue Sato, Sr. Langdon, do Escritório de Segurança da CIA. Estou administrando uma crise neste exacto momento e acredito que o senhor tenha informações que podem me ajudar. Uma expressão esperançosa atravessou o semblante de Langdon. Isso tem relação com Peter Solomon? Sabem onde ele está? Peter Solomon? Anderson não estava entendendo absolutamente nada. Professor, retrucou Sato, quem está fazendo as perguntas agora sou eu. Peter Solomon está correndo sério perigo, exclamou Langdon. Algum louco acaba de... Com licença, disse Sato, interrompendo-o. Anderson se encolheu. Ele está brincando com fogo. Interromper o interrogatório de um alto funcionário da CIA era um erro que apenas um civil podia cometer. Pensei que esse Langdon fosse uma pessoa esperta. Ouça com atenção, disse Inoue Sato. Neste exacto momento, enquanto estamos tendo esta conversa, este país está diante de uma crise. Fiquei sabendo que o senhor tem informações que podem me ajudar a evitá-la. Agora vou perguntar de novo. Que informações o senhor possui? Langdon parecia perdido. Eu não tenho a menor ideia de que história é essa. Minha única preocupação é encontrar Peter e... A menor ideia?, indagou Sato em tom desafiador. Anderson viu Langdon se eriçar. O professor então adoptou um tom mais agressivo. Não, senhor. Não faço a mínima ideia. Anderson se encolheu novamente. Errado. Errado. Errado». In Dan Brown, O Símbolo Perdido, 2009, Bertrand Editora, 2009, ISBN 978-972-252-014-0.

Cortesia de BertrandE/JDACT

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