Auto-retrato
In Natália Correia, Poesia completa, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999.
Cortesia de PdomQuixote/JDACT
JDACT, Natália Correia, Poesia, Açores,
Auto-retrato
In Natália Correia, Poesia completa, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999.
Cortesia de PdomQuixote/JDACT
JDACT, Natália Correia, Poesia, Açores,
1862 - 1866
Visita
«Adornou
o meu quarto a for do cardo,
Perfumei-o
de almíscar recendente;
Vesti-me
com a púlpura fulgente,
Ensaiando
meus cantos, como um bardo.
Ungi
as mãos e a face com o nardo
Crescido
nos jardins do Oriente,
A receber
com pompa, dignamente.
Misteriosa
visita a quem aguardo.
Mas
que filha de reis, que anjo ou que fada
Era
essa que assim a mim descia,
Do
meu casebre à húmida pousada?
Nem
princesas, nem fadas. Era, flor,
Era
a tua lembrança que batia…
Às
portas de ouro e luz do meu amor!
In
Antero de Quental, Sonetos Completos, Publicações Europa-América, 1998, ISBN
972-104-421-0.
Cortesia de PEAmérica/JDACT
JDACT, Antero de Quental, Poesia, Açores, Cultura,
1862 - 1866
Amor
Vivo
«Amar!
Mas dum amor que tenha vida…
Não
sejam sempre tímidos harpejos,
Não
sejam só delírios e desejos
Duma
doida cabeça escandecida…
Amor
que viva e brilhe! Luz fundida
Que
penetre o meu ser, e não só beijos
Dados
no ar, delírios e desejos
Meu
amor… dos amores que têm vida…
Sim,
vivo e quente! E já a luz do dia
Não
virá dissipá-lo nos meus braços
Como
névoa da vaga fantasia…
Nem murchará do Sol à chama erguida…
Pois
que podem os astros dos espaços
Contra
uns débeis amores… se têm vida?»
In
Antero de Quental, Sonetos Completos, Publicações Europa-América, 1998, ISBN
972-104-421-0.
Cortesia de PEAmérica/JDACT