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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Perdurar das Colecções. Preparação para a Exposição. Laura P. Romão. «As patologias mais recorrentes eram a acumulação de poeiras e sujidades aderentes em praticamente todo o espólio, a desidratação de elementos de madeira…»


Cortesia de pfrobison e jdact

«Momentos como este que o Museu Municipal viveu recentemente, em que um espaço museológico se encontra encerrado ao público para obras de requalificação, são excelentes para trabalhar o seu espólio, uma vez que todas as peças são retiradas do seu local de exposição sendo possível fazer uma profunda avaliação do seu estado de conservação e intervir ao nível da conservação e restauro sempre que se revele necessário. Do vasto núcleo que constitui o Museu, poucas peças foram intervencionadas anteriormente, registando-se apenas dois tratamentos no Instituto José de Figueiredo, relevo de São Bernardo, em madeira policromada e dourada do século XVIII, para integrar a XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura (Lisboa, 1983) e o relevo de Pietá, flamengo, em madeira policromada e dourada do século XVI, quando foi solicitado para ser exposto na Europália (Bélgica, 1991); em 2004 foi assinado um protocolo entre a Câmara Municipal e o Instituto Politécnico de Tomar, que possibilitou a intervenção de quatro pinturas, quatro esculturas e um conjunto de doze pequenos relevos em terracota policromada.
A Fundação Robinson, através da Rede de Património, acompanhou o processo de desmontagem, trabalhos de conservação e restauro realizados durante o período de obra e a remontagem do espaço. Assim que as peças foram retiradas do edifício iniciou-se o processo de desinfestação de praticamente todas as peças em madeira, uma vez que a presença de insecto xilófago, em muitos dos casos activo, era evidente. Dada a enorme quantidade de peças recorreu-se à desinfestação por tecnologia de atmosfera controlada (CAT). Depois de anos em exposição, sem qualquer tipo de intervenção, depois de terem estado em reserva durante os quatro anos de obra (2009-2012), era notório que muitas das peças necessitavam de intervenção. Assim, das 686 peças actualmente expostas, 322 foram alvo de tratamento durante este período. Se nalguns caso essa acção foi apenas uma limpeza superficial, a aplicação de uma cera, a colagem de uma fractura, outros casos houve em que foi necessário realizar um tratamento completo de conservação e restauro.
As patologias mais recorrentes eram a acumulação de poeiras e sujidades aderentes em praticamente todo o espólio, perdas de cor e rasgões nos estofos das cadeiras e canapés, a desidratação de elementos de madeira, o escurecimento de vernizes e lacunas nas molduras das pinturas, destacamentos de policromias, pequenas fracturas, abertura de fendas e desunião de elementos de junta nas esculturas. Nenhum tratamento de conservação e restauro tem como objectivo restituir a aparência inicial de uma peça, o que é impossível e contraria a ética profissional, no entanto a consciência da perspectiva de futuro e a necessidade de contemplação obrigam-nos a Conservar e Restaurar as obras de arte para que se proceda à sua plena fruição. Assim o objectivo de uma intervenção de conservação e restauro, conscienciosa e respeitadora da obra deve ser uma intervenção essencialmente conservativa, regida por critérios de intervenção mínima e reversibilidade dos materiais e técnicas a utilizar de forma a retardar o processo de envelhecimento, restituindo à obra de arte a sua estabilidade química/física e a harmonia estética estritamente necessária para uma correcta interpretação e leitura da composição artística.
Dada a imensa quantidade de peças, o tempo reduzido e a equipa limitada optou-se por realizar as operações urgentes, estabilizando as peças que se encontravam em risco, travando o processo de degradação que algumas peças apresentavam, restabelecendo o seu equilíbrio de forma a poderem ser expostas. Deseja-se que este seja um trabalho de continuidade, esperando-se concluir alguns tratamentos iniciados e realizar outros que embora não tão urgentes são essenciais». In Laura Portugal Romão, O Perdurar das Colecções. Preparação para a Exposição, Publicações da Fundação Robinson, nº 27, 2013, ISSN 1646-7116.

Cortesia FRobinson/JDACT

sábado, 6 de junho de 2015

Um Olhar sobre as Antigas Viaturas dos Bombeiros Privativos da Fábrica Robinson. Portalegre. Armando Quintas. «A primeira intervenção em conjunto de que há conhecimento teve lugar a 2 de Setembro ainda antes da efectiva legalização da corporação Robinson, num incêndio que se deu num olival da estrada da serra»

jdact

A Corporação dos Bombeiros Voluntários de Portalegre
«(…) A Corporação permaneceu naquele espaço até 1916, altura em que George Milner Robinson cedeu as instalações em que a mesma estava ao l.º Batalhão de Infantaria 22, cujo quartel ia entrar em obras, continuando ali a casa escola até pelo menos 1932. Nos anos seguintes os bombeiros voluntários de Portalegre não tiveram os meios necessários para modernizar o seu equipamento e, em 1933, o Álbum Alentejano depois de tecer grandes elogios à Corporação referia que a mesma se mantinha na retaguarda no que diz respeito ao material de combate, pois, ainda conservava as suas antigas viaturas, não dispondo de viaturas motorizadas suficientes numa cidade onde existiam importantes fábricas e edifícios de valor.

A corporação dos Bombeiros Robinson
Esta corporação foi criada a 14 de Setembro de 1908, ficando a dever-se à necessidade de uma equipa permanente que vigiasse e acudisse de imediato ao mais pequeno indício de incêndio na fábrica, devido aos riscos elevados por conta da quantidade e do valor da matéria-prima armazenada. Constituída sobretudo por trabalhadores da fábrica, alguns deles bombeiros nos Voluntários de Portalegre de onde saíram para integrarem a nova corporação. Começou com 25 elementos, tendo como primeiro comandante Francisco António Ceia. Contou de início com diverso material que estava há anos cedido aos Voluntários de Portalegre, entre o qual constavam duas bombas de extinção de incêndios, que passaram para a Fábrica Robinson, continuando no entanto à disposição daquela Corporação. A primeira intervenção em conjunto de que há conhecimento teve lugar a 2 de Setembro ainda antes da efectiva legalização da corporação Robinson, num incêndio que se deu num olival da estrada da serra. Ambas as corporações tinham instituído práticas de entre-ajuda para melhor gerir o combate aos incêndios. Uma dessas práticas, previa que se o incêndio fosse na cidade todos os bombeiros se pusessem sob a alçada do comandante dos Bombeiros Voluntários de Portalegre, outra estabelecia que uma das companhias permanecesse na cidade, enquanto a outra se dirigia ao local do fogo, comunicando previamente tal situação, prática que ainda se encontrava em vigor em 1933. Na comemoração dos 25 anos da corporação dos Bombeiros da Robinson, o jornal A Rabeca de Outubro de 1932, descreve as várias iniciativas com que se comemorou esse dia: alvorada com içar da bandeira, um exercício de bombeiros na Fábrica Robinson, bem como uma romagem ao cemitério e um sarau dançante. Em 1990, a corporação, tendo como comandante José Maria Ramos e contando com 20 elementos activos e 4 auxiliares, é integrada no Serviço Nacional de Bombeiros.

As antigas viaturas da corporação dos Bombeiros Privativos Robinson
A documentação disponível, para além de não ser abundante, nada refere de concreto sobre as viaturas, distinguindo-as apenas pela sua função durante os fogos entre bombas ou viaturas auxiliares. Para além de algumas referências a viaturas que pertenciam a empresas da cidade ou mesmo ao município, não é conhecido o seu número exacto e muito menos as suas características e proveniência, excepto para a bomba já mencioada que George Robinson mandou vir de Inglaterra para oferecer aos Bombeiros Voluntários de Portalegre. Quanto aos meios com que se iniciou a corporação, António Ventura refere a existência de 4 veículos não motorizados, um destinado ao transporte de lances de mangueiras e agulhetas, outro para lances de escadas e os dois restantes equipados com bombas braçais. Dois destes veículos seriam as já mencionadas bombas que foram devolvidas pelos Voluntários de Portalegre, às quais se juntaria o restante material da Fábrica Robinson e tendo em conta as quatro viaturas que chegaram aos nossos dias, três delas poderão constituir o núcleo original das viaturas Robinson.
Estas viaturas eram movidas a força humana, pois além de não existirem nem referências ao uso de animais nem peças de atrelagem, possuem uma barra dianteira revestida de corda, o quepermitia que fossem empurradas por dois homens. São construídas em madeira, com algumas peças em metal, pintadas de vermelho com um pequeno símbolo a negro (dois machados cruzados tendo por baixo as iniciais B.R., de Bombeiros Robinson quer na dianteira, quer face lateral das viaturas. Em relação à primeira viatura trata-se de uma bomba de extinção de incêndios, cujos cilindros de cobre, activados pela força braçal, constituíam uma câmara-de-ar que funcionava através do princípio do vácuo, puxando assim a água de poços ou fontes». In Armando Quintas, Um Olhar sobre as Antigas Viaturas dos Bombeiros Privativos da Fábrica Robinson, Portalegre, Publicações da Fundação Robinson, Portalegre, nº 28, p.22-33, 2014, ISSN 1646-7116.

Cortesia da FRobinson/JDACT

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A Voiturette de José Barahona. Alexandre Ramos. «Em 1903, foi concedido a José Barahona o alvará necessário para circulação e utilização da sua viatura. De salientar, que esta viatura contribuiu para a difusão deste meio de transporte na região do Alentejo»

jdact

«(…)
O proprietário, José Barahona
José Barahona Caldeira Castel-Branco, foi baptizado na freguesia da Sé, Portalegre, a 27 de Julho de 1865 vindo a falecer a 26 de Novembro de 1938. Foi Bacharel formado em Matemática, Engenheiro Civil e desempenhou o cargo de Procurador da Junta Geral do Distrito de Portalegre. Teve uma filha, dona Maria José Côrte-Real Caldeira Castel-Branco que casou com António Cary Potes Cordovil. Era irmão de Francisco Barahona, nascido a 1864 também em Portalegre, fundador da sociedade Portalegre Industrial, mais tarde designada por Moagem de Portalegre, foi igualmente um dos sócios fundadores da fábrica de tecidos Sedas de Portalegre. Destacou-se na administração da casa Agrícola Conde de S. Payo, onde ...ocupou a vanguarda nos modernos processo agrícolas... José Barahona parece ter seguido o mesmo percurso do seu irmão Fernando que fez os seus preparatórios em Portalegre, e depois Lisboa de onde seguiu para a Universidade de Coimbra a frequentar a Faculdade de Matemática...Seguidamente em Lisboa, obteve a carta de engenheiro Civil.
O estatuto e a influência na sociedade portalegrense dos dois irmãos, supõe-se que fosse relevante, não só pelos pelas suas actividades profissionais e formação académica, mas também pela sua actividade política, visto que, por duas vezes, Francisco Barahona assumiu o cargo da Presidência da Câmara Municipal. A juntar aos referidos factores acrescentamos o facto de pertencerem à elite local, a família residia num palácio no Largo Serpa Pinto, uma das casas nobres brasonadas desta cidade, edifício que hoje alberga o Arquivo Distrital de Portalegre. Não foi possível apurar, concretamente, o tipo de utilização dada à viatura, ou seja, se o proprietário a utilizava para fins desportivos, profissionais ou de lazer. Podemos, no entanto, adiantar que este não participou em nenhuma prova oficial de corridas automóveis, não sendo também provável que tenha sido utilizada para a sua actividade profissional, visto este exercer a sua profissão na cidade na qual habitava.

A voiturette de José Barahona
A voiturette de José Barahona foi comprada no ano de 1900. Possivelmente deu entrada no país no mesmo ano ou no ano de 1901, numa altura em que o número de viaturas ainda não chegava a meia centena de exemplares. A aquisição desta viatura acontece, inclusive, antes da realização das primeiras provas desportivas motorizadas e da fundação do Real Club Automóvel de Portugal. Em 1903, foi concedido a José Barahona o alvará necessário para circulação e utilização da sua viatura.
De salientar, que esta viatura contribuiu para a difusão deste meio de transporte na região do Alentejo, visto que a maioria dos automóveis que na altura existiam encontravam-se nos grandes centros urbanos, como Lisboa, Porto e Coimbra. Outros dos aspectos a salientar é que Barahona seguiu a tendência nacional, ao adquirir uma viatura de origem francesa, um Clément. Para determinar a marca e modelo do automóvel adquirido em 1900 por José Barahona, procurámos estabelecer o percurso da viatura desde a sua compra até chegar a Portalegre. A 16 de Agosto de 1900, José Barahona, endossa um cheque no valor de 600 francos à empresa Clément, Gladiator & Humber, sita no número 18 da Rua Brunel em Paris, como forma de efectuar o pagamento de uma voiturette. No mesmo ano emite à mesma empresa outro cheque, mas desta vez com o valor de 1000 francos, em ambos a quantia era especificada como avance sur voiturette. Também no mesmo ano, a 24 de Agosto de 1900, Barahona escreve a Fernando Brederode:

Devendo dentro de poucos dias estar concluído um pequeno automóvel que mandei fazer em Paris, desejo saber se Vossa Ex. se encarrega de fazer transportar até Lisboa pela via marítima os respectivos despachos na alfândega e quais as condições no caso afirmativo. Além do automóvel que será entregue pela fábrica convenientemente encaixotados deve vir também um caixote com peças de sobresselente. O peso dos dois caixotes não deverá exceder 200 libras creio eu. Espero o favor da sua resposta subscrevo V. Ex…

Cremos que este Brederode era Fernando Teixeira Homem Brederode, Bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra, com estudos feitos também na Ecole de ponts et chaussées de Paris, fundador da companhia de seguros A Nacional, em 1906, e futuro ministro da Marinha e posteriormente do Comércio nos governos de António Maria Silva, em 1920 e mais tarde em 1924. José Barahona, segundo cremos, estava por este meio a contratar os serviços de uma companhia de transportes pertencente a Fernando Brederode para fazerem o transporte da viatura até Lisboa». In Alexandre Ramos, A Voiturette de José Barahona, Publicações da Fundação Robinson, Portalegre, nº 28, p.8-21, 2014, ISSN 1646-7116.

Cortesia da FRobinson/JDACT

domingo, 31 de maio de 2015

Bombeiros no 31. Um Olhar sobre as Antigas Viaturas dos Bombeiros Privativos da Fábrica Robinson. Portalegre. Armando Quintas. «O segundo incêndio deu-se a 28 de Novembro, na fábrica pequena; nessa mesma noite, teve lugar uma reunião extraordinária na Câmara Municipal…»

Bomba braçal 
jdact

«Aos Robinson, proprietários da fábrica de cortiça de Portalegre se deve, entre outras iniciativas, a criação de dois corpos de bombeiros na cidade, um deles voluntário e um outro privativo da própria fábrica, sendo a este último, constituído em 1908, que pertenciam as viaturas que ainda hoje permanecem no espaço da antiga fábrica. Estas viaturas, datam do último quartel do século XIX, época na qual em Portugal já tinha tomado consciência da necessidade de um serviço permanente de combate aos fogos, que actuasse na nova realidade urbana marcada por uma maior concentração de pessoas e actividades industriais. Em 1868, surge em Lisboa a primeira Companhia de Bombeiros e, em 1874 é criada a Companhia de Bombeiros do Porto. No Alentejo, a primeira Companhia de Bombeiros foi a de Montemor-o-Novo, criada em 1875, a que se seguiram a de Évora em 1883, a de Beja em 1889 e a de Portalegre em 1898. Em finais de oitocentos existiam no país cerca de 82 corpos de Bombeiros.

A Corporação dos Bombeiros Voluntários de Portalegre
A primeira tentativa de criar a Corporação data de 1887, mas apesar do entusiasmo inicial, estreando-se num fogo com uma bomba de extinção e algum material angariado, nunca se conseguiram institucionalizar. O projecto só seria reanimado após o deflagrar de dois grandes incêndios nas fábricas de George Robinson. O primeiro teve lugar na Fábrica Robinson, a 28 de Julho de 1898, onde o fogo alastrou rapidamente apesar de equipada com os modernos sistemas de válvulas anti-fogo Grinnell. Lavrando numa extensão até meia légua, queimou os olivais próximos e levou à evacuação do quartel de Infantaria 22 situado junto à fábrica, bem como parte desta. Neste incêndio perdeu parte da cortiça armazenada na fábrica, ascendendo os prejuízos a cerca de 30 contos de réis e colocando em risco 600 postos de trabalho, caso não tivesse havido um rápido retorno à laboração. No combate ao fogo, foram utilizadas seis bombas de extinção, pertencendo duas à própria fábrica, duas à Câmara Municipal e outras duas à fábrica Costa & Irmão, tendo sido utilizada a água de todas as fontes da cidade, o que obrigou a cortar o abastecimento público e a recorrer à água de alguns poços particulares. Colaboraram os operários destas fábricas, da empresa Pina Carvalho e Esperança, bem como a guarda-fiscal, soldados de Infantaria 22 e muito povo.
O segundo incêndio deu-se a 28 de Novembro, na fábrica pequena e, apesar de ter mobilizado todos os meios da cidade e centenas de populares, destruiu parte das instalações e causou muitos prejuízos. Nessa mesma noite, perante a situação de destruição, teve lugar uma reunião extraordinária na Câmara Municipal com o objectivo de promover a criação de uma Corporação de Bombeiros, prometendo o seu vice-presidente, João Maria Mourato, uma verba de 500$000 réis para a aquisição do material necessário.
A 4 de Dezembro de 1898 numa nova reunião no Teatro Portalegrense foi aprovada a redacção final dos estatutos da Corporação, recebendo a mesma, a verba prometida, bem como outras doações: 50$000 réis do visconde de Cidrais e os seus serviços como clínico, 4$500 réis da redacção do jornal A Plebe,100$000 réis de Pedro Castro Silveira, 500 réis de Júlio Baptista e 60$000 réis de Francisco Barahona, tendo ainda recebido de George Wheelhouse Robinson, uma bomba e respectivas mangueiras. A corporação recebeu o alvará de funcionamento a 28 de Fevereiro do ano seguinte. George Wheelhouse Robinson foi eleito para a presidência da 1.ª direcção da Corporação, mantendo-se no cargo até 14 de Fevereiro de 1903. Para equipar a Corporação George Wheelhouse Robinson, ofereceu uma bomba de extinção de incêndios, que chegou à cidade em 16 de Agosto de 1899 vinda directamente de Inglaterra em Março de 1900 cedeu parte da Fábrica Real para os bombeiros ai instalarem a direcção, a secretaria e uma casa escola, ajudando ainda na aquisição do fardamento». In Armando Quintas, Um Olhar sobre as Antigas Viaturas dos Bombeiros Privativos da Fábrica Robinson, Portalegre, Publicações da Fundação Robinson, Portalegre, nº 28, p.22-33, 2014, ISSN 1646-7116.

Cortesia da FRobinson/JDACT

sábado, 30 de maio de 2015

A Voiturette de José Barahona. Alexandre Ramos. «… desde a fábrica até à sua chegada a Portalegre. Também determinar o valor patrimonial da ‘Voiturette’ na esfera da historiografia da cidade e do pioneirismo da utilização deste tipo de transporte em Portugal»

jdact

«Este estudo tem como objecto o automóvel que se encontra no Museu Municipal de Portalegre. Segundo a tradição teria sido a primeira viatura do género a circular na cidade, contudo, a escassez de informações dificultou apurar a veracidade das fontes orais. A fim de colmatar esta carência de informação, levámos a cabo uma pesquisa que nos aproximasse da origem deste tipo de viaturas e do percurso da Voiturette de José Barahona, desde a fábrica até à sua chegada a Portalegre. Procurámos também determinar o valor patrimonial da Voiturette na esfera da historiografia da cidade e do pioneirismo da utilização deste tipo de transporte em Portugal.

A afirmação do automóvel na viragem do século
Pierre Souvestre na sua Histoire de l’Automobile de 1907, inicia a obra com uma frase emblemática de Roger Bacon: poderemos um dia construir carros que poderão ser postos em movimento sem o emprego da força ou da tracção de um cavalo ou qualquer outro animal. Esta frase demonstra um pensamento, que não é mais, que o ponto de partida que originou a procura do ser humano pela sua progressiva autonomia face à força animal de modo facilitar a sua mobilidade. A comercialização em grande escala do automóvel para fins particulares, começa em França no ano de 1891 através da marca Panhard-et-Levassor, que inaugura a primeira fábrica de produção automóvel do mundo, sendo construtores de carroçarias equipadas com motores alemães Daimler. Apesar desta indústria conhecer uma produção em grande escala em França, o automóvel nos moldes em como hoje o conhecemos deve a sua concepção ao engenho de três inventores alemães Gottileb Daimler (1834-1890), Wilhelm Maybach (1846-1929) e Karl Benz (1844-1929), sendo que este último foi o único dos três a patentear o modelo. Por esta altura, estes motores eram ainda incomparavelmente mais fracos que os das viaturas a vapor e eléctricas e, devido ao seu elevado preço e à sua manutenção complexa, apenas podiam ser adquiridos por membros da elite ou por sportsman. No entanto, o rápido desenvolvimento da indústria e as exigências do mercado, vão contribuir para o surgimento de motores de explosão cada vez mais potentes que permitirão a entrada destes no mercado das viaturas de transporte público e de mercadorias. A sua explosão comercial dá-se nos anos pós Exposição Universal de Paris de 1900, na qual o automóvel surgiu como uma das principais atracções do evento e como símbolo do progresso da ciência. Nos anos posteriores, os automóveis e os motociclos vão-se afirmando também como um símbolo de mobilidade individual, de afirmação social e de progresso técnico. É a conjugação destes elementos que explica que os pioneiros da utilização do automóvel em Portugal fossem invariavelmente grandes latifundiários, industriais, profissionais liberais e membros da nobreza. Estes últimos vão ter uma importância preponderante na introdução e desenvolvimento do seu uso.

O automóvel em Portugal na viragem do século
Nos anos que se seguiram à importação do primeiro automóvel regista-se um aumento anual considerável de importação de automóveis, que se difundem um pouco por todo o país. Veja-se o exemplo de Tavares Mello, residente em Coimbra, que em 1896 adquire um Peugeot equipado com um motor Panhard, licenciado pela Daimler. Também no Porto, deve-se salientar o papel da casa João Garrido, que se vai afirmar como uma das primeiras casas importadoras de automóveis, e que, como tal, é uma referência obrigatória para o estudo dos transportes motorizados em Portugal. Em 1900 o número de automóveis importados ascendia a 13 e quatro anos depois elevava-se já para 109.
A atestar também a crescente importância que o automóvel atinge no país, verifica-se a criação do Real Automóvel Club de Portugal a 15 de Abril de 1903, impulsionada pela organização, em 1902, da primeira corrida automóvel na Península Ibérica, a prova Figueira da Foz-Lisboa, ganha pelo monarca Carlos I num Fiat conduzido por um piloto francês. O ano de 1903 marca também o fim da produção dos automóveis que se inscrevem a categoria dos pioneiros segundo a FIVA. A introdução deste novo tipo de transporte acarretou consigo um impulsionador económico, pois permitiu a abertura de novos estabelecimentos e a criação de uma nova indústria, bem como a entrada de novas fontes de rendimentos para o Estado, não só através dos impostos alfandegários, mas também através da cobrança de novos impostos, tais como, registo de propriedade sobre a viatura e os alvarás, utilização e circulação, que as novas legislações vão estabelecer. Podemos afirmar que em Portugal, entre 1895 e 1904, o automóvel rapidamente se popularizou e exerceu um crescente papel no sector económico». In Alexandre Ramos, A Voiturette de José Barahona, Publicações da Fundação Robinson, Portalegre, nº 28, p.8-21, 2014, ISSN 1646-7116.

Cortesia da FRobinson/JDACT

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Museu Municipal de Portalegre. Campo de Representações. Espaço de Comunicação. Susana Bicho. «Os primeiros tempos do museu foram atribulados e em 1932 é transferido para a ‘Igreja do Convento de São Bernardo’, onde já se encontrava a biblioteca. Porém, à época estava instalado no convento o Batalhão de Caçadores n.º 1…»

jdact

Rede de Património de Portalegre, edificado, móvel e imaterial
Introdução
«O Museu Municipal de Portalegre foi inaugurado em 1918, mas só na década de 60, aquando da sua transferência para o actual edifício, se tornou parte activa e integrante da cidade. Adaptado o imóvel e organizada a colecção permanente, o museu proporcionava ainda espaços para conferências e exposições temporárias que, durante anos, dinamizaram a vida cultural de Portalegre. Polivalente, apresenta diversas colecções, acrescentadas por doações particulares ao acervo inicial de arte sacra. Elemento de referência, fazia parte do itinerário das visitas oficiais, tendo constituído um campo de múltiplas representações e um espaço de comunicação efectiva com os públicos, que os periódicos da época tão bem expressam e cuja análise constitui o objectivo do nosso trabalho. Actualmente, o museu encontra-se encerrado para uma profunda remodelação (reabertura ao público no pp dia 30 de Janeiro de 2013, JDACT), pretexto para fazer uma reflexão final sobre o seu futuro na perspectiva de melhor comunicar com a sua audiência.

Enquadramentos
Da génese do museu à reformulação nos anos 60 (…) por proposta do mesmo senhor, Laureano Sardinha, deliberou crear nesta cidade um museu e biblioteca municipal para o que nomeou uma comissão para levar a efeito estes melhoramentos(…)
O Museu Municipal de Portalegre foi criado no contexto ideológico da 1.ª República, num esforço de descentralização que teve expressão por todo o país. Apesar de já antes, nos finais do século XIX, ter sido proposta a ideia, porque uma capital de distrito deveria ter o seu museu, a verdade é que na época nunca o projecto se concretizou. Só em 1918, por iniciativa de Laureano António Picão Sardinha é deliberada a criação do museu (juntamente com a biblioteca municipal), em reunião ordinária de 21 de Fevereiro. Abre ao público nesse mesmo ano, a 21 de Dezembro, numa pequena sala do edifício da Câmara Municipal. Percebemos que a criação do museu nessa época correspondeu mais a um propósito da Câmara, (na pessoa do seu vereador), do que propriamente a uma aspiração da sociedade portalegrense. A sua inauguração não teve grande impacto, pois não se registam notícias na imprensa local. Na verdade, a colecção inicial era muito reduzida compreendendo apenas quatro altos relevos de marfim, um cristo crucificado e uma Nossa Senhora da Conceição, também de marfim provenientes do convento de São Bernardo.
Os primeiros tempos do museu foram atribulados e em 1932 é transferido para a Igreja do Convento de São Bernardo, onde já se encontrava a biblioteca. Porém, à época estava instalado no convento o Batalhão de Caçadores n.º 1 e as dificuldades do acesso público ao museu para a realização de visitas, criaram a necessidade de nova transferência, para outro local: Criado assim esse museu e por alguns anos patente no velho convento cisterciense, que no dizer do padre Diogo Pereira de Sotto Maior, naquele local se situou, por ficar à vista da cidade, ali ficou com certos prejuízos, resultantes de se encontrar dentro de um quartel, o que dificultava por vezes o papel que lhe competia de ser um lugar elegíaco, destinado a ensinar as gerações através [d]a sua abençoada missão de contar e encantar. A colecção inicial foi entretanto aumentada. Em 1943, Luís Keil destaca-nos e identifica mais de uma dezena de objectos, particularmente de arte sacra, de entre um acervo onde também constam objectos arqueológicos e referentes à história da cidade. Já na década de 50, sendo presidente Martinho A. A. Coutinho, a Câmara adquire a colecção privada de Laureano Sardinha, nomeadamente tapeçaria e faiança. Em finais dos anos 50, por iniciativa do vereador Raul G. Tavares, a Câmara decide então transferi-lo, juntamente com a biblioteca, para o antigo Seminário situado junto à Sé Catedral, no qual se fizeram obras de adaptação: Existiam várias obras de arte dispersas nas salas do andar térreo, provenientes do Museu da Câmara Municipal, que tinha parte da sua sede no Convento (…) de S. Bernardo. Tudo então se encontrava em obras e ia germinando o plano do qual havia de resultar a actual instalação. Uma notícia informa-nos que em Maio de 1959 se procede ao acabamento das obras do edifício onde se encontram instalados o museu e a biblioteca considerando que era um dos problemas citadinos que requeria a melhor atenção». In Susana Bicho, O Museu Municipal de Portalegre, Campo de Representações, Espaço de Comunicação, Rede de Património de Portalegre, edificado, móvel e imaterial, Museu Municipal, História do Edifício e do Museu, Fundação Robinson, Publicações da Fundação Robinson nº 16, Portalegre, 2011, ISSN 1646-7116.

Cortesia FRobinson/JDACT

terça-feira, 17 de junho de 2014

Exposição. Desenho e Fotografia. Fundação Robinson. Portalegre. «… da autoria Adriano Guerreiro, com a inauguração pelas 18 horas de hoje. Tendo por base a obra literária A Divina Comédia de Dante Aliguieri, explora as questões relacionadas com os Sete Pecados Mortais»

Cortesia da FRobinson

«A Fundação Robinson recebe no Núcleo da Igreja do Convento de São Francisco, de 17 de Junho a 17 de Agosto de 2014, a exposição de desenho e fotografia Os Sete Pecados Mortais, da autoria Adriano Guerreiro, com a inauguração pelas 18 horas. Tendo por base a obra literária A Divina Comédia de Dante Aliguieri o Desenho explora as questões relacionadas com os Sete Pecados Mortais descritos no purgatório de Dante e a Fotografia explora as questões relacionadas com esses mesmos pecados na actualidade».
De forma aleatória:








Com a amizade de Laura P. Romão
JDACT

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Para a História da Fundação. Para uma cronologia da Fábrica Robinson. 1848–1966. António Ventura. «Os reflexos na sociedade local ultrapassaram os aspectos económicos, projectando-se nos domínios do social, do cultural e até do mental. A actividade corticeira moldou a sociedade portalegrense ao longo de 150 anos. As chaminés da fábrica, se converteram, juntamente com a silhueta da Sé Catedral, num ex-libris da cidade»



Cortesia da fundacaorobinson e jdact

«Quando Thomas Reynolds (Sénior) morreu na Nova Zelândia, em 1867, estava longe de imaginar que a pequena oficina de preparação de cortiça que vendera, alguns anos antes, a um seu compatriota, George Robinson, na cidade de Portalegre, se iria converter numa referência na história da indústria portuguesa. A Fábrica de Cortiça Robinson foi durante século e meio um caso invulgar no panorama industrial português. Fundada pelo empresário inglês George Robinson, manteve ao longo do tempo uma laboração sem interrupções, sabendo sempre  renovar-se mau grado as naturais dificuldades conjunturais.
A sua história confunde-se com a história de Portalegre, do Norte Alentejano e da Indústria Corticeira Nacional. Essa história consubstancia-se num importantíssimo património histórico, com destaque para um rico espólio no campo da arqueologia industrial. A empresa conservou numerosas estruturas e equipamentos do século XIX, alguns em perfeito estado de funcionamento, apesar das renovações tecnológicas periódicas. Para além do seu interesse museológico, esse material tem uma valiosa dimensão pedagógica. Mas a história da Robinson não se reduz a essa componente material. Há que acrescentar ao arquivo da empresa outros acervos documentais espalhados por arquivos públicos e privados, tanto em Lisboa como em Portalegre, uma iconografia que compreende essencialmente fotografias e postais e também um património de histórias de vida de muitos operários ainda vivos, que têm toda uma vivência social e cultural que fizeram desta empresa um caso invulgar, diríamos quase ímpar, no panorama industrial luso dos últimos cento e cinquenta anos.
A ela estiveram associadas organizações de beneficência e de instrução, corporações de bombeiros, iniciativas culturais do maior alcance que ajudaram a fazer com que esta região seja o que é hoje. A história da fábrica confunde-se com a história de Portalegre. Os reflexos da vida da empresa na sociedade local ultrapassaram em muito os aspectos meramente económicos, projectando-se nos domínios do social, do cultural e até do mental. Podemos dizer que a actividade corticeira moldou a sociedade portalegrense ao longo de cento e cinquenta  anos e que as chaminés da fábrica, embora edificadas numa fase tardia, se converteram, juntamente com a inconfundível silhueta da Sé Catedral, num ex-libris da cidade.
O caso de George Robinson não é inédito entre nós. Já  no século XVIII se assinalam diversos industriais ingleses que se fixam em Portugal, o que continua a ocorrer na centúria seguinte, em especial no sector dos vinhos do Porto e da Madeira, havendo neste último caso diversos estudos sobre a influência inglesa na economia e na sociedade madeirense.  Mas só no século XIX alguns britânicos se interessaram por um sector tradicional, mas ainda longe da expansão que alcançará em meados de oitocentos, o corticeiro, como sucedeu com os Reynolds e depois com George Robinson.
Apresentamos a seguir uma breve cronologia da história da Fábrica de Cortiça Robinson. É um pálido reflexo de uma vivência mais que secular, mas ilustrativo da sua importância no passado, no presente e no futuro. George William Robinson nasceu em Wakefield, condado de York, Inglaterra, em 1815. A sua família tinha interesses ligados à importação de cortiça portuguesa, que era transformada em fábricas britânicas. George Robinson veio a Portugal para contactar directamente com o comércio corticeiro local, visitando diversas localidades do litoral, Moita, Setúbal, Sintra, dirigindo-se depois a Portalegre. Aqui, um seu compatriota, Thomas Reynolds, fundara em 1837 uma pequena oficina para transformação de cortiça numa parte do extinto convento de São Francisco, que ficara devoluto após a extinção das ordens religiosas decretada pelos liberais triunfantes em 1834 e que traçou um novo destino para o Convento de São Francisco, o mais antigo da cidade, uma vez que a sua fundação data do século XIII


1848 – George Robinson instalou-se em definitivo em Portalegre, acabando por adquirir a pequena fábrica de Thomas Reynolds. Era o início de uma empresa que, começando lenta mas seguramente, se converteria na maior unidade fabril da cidade. George Robinson possuía todas as condições para triunfar: um estabelecimento fabril com trabalhadores dotados de um know-how, uma região produtora de matéria-prima e, sobretudo, bons contactos em Inglaterra. Iria beneficiar, também, do aumento vertiginoso das exportações de cortiça. Se em 1797 Portugal exportara 115182 grosas de rolhas e 1331 toneladas de cortiça em prancha, após uma quebra decorrente das Invasões Francesas e  da Guerra Civil, a partir de meados do século XIX as exportações não mais pararam de subir, ascendendo em 1880 a mais de 2 000 contos de réis. Ora a Grã-Bretanha absorvia mais de 50% desse volume». In António Ventura, Fundação Robinson, Publicações da Fundação Robinson nº 0, 2007, p. 8-23, ISSN 1646-7116

continua
Cortesia da F. Robinson/JDACT

sábado, 7 de julho de 2012

Olhares. Fundação Robinson. Isabel Telo. «Barbara esteve na Fabrica Robison. Lá ficaram intimidade, inquietação, equilíbrio, o prazer da contínua procura, os rasgos de vidas com história. E ficou, consequentemente, a forte marca da memória...»



jdact e barbarawalraven

O Gesto Intuitivo e Espontâneo
«O olhar que vai muito além do que nos é permitido ver. O traço do movimento não reflectido. E a cor, inexplicavelmente, a dar sentido à procura incessante da nossa realidade mais escondida.
E numa pincelada harmoniosa, o equilíbrio natural que dá continuidade à atitude.
O mistério, que não sentimos mas que sabemos existir. A fantasia a desenhar as emoções. A relação que nos permite existir e fazer, e o risco da decisão pelo que se faz.
E este emaranhado de pequenas realidades brincam, numa espécie de extraordinário jogo, aparentemente imperceptível, que se levanta para mostrar quem realmente somos e o quanto queremos ser (e sentir).



Intimidade, beleza, fragilidade, sofrimento, alegria... e a partilha que permanece no encontro. O encontro connosco e com os outros. E a coragem do encontro, com aqueles que nunca saberemos quem são, mas a quem queremos falar de nós!
Foi neste contexto, que as chaminés emblemáticas da cidade de Portalegre, ali na "fábrica da cortiça", fizeram questão de acolher novos olhares, cheios de movimento colorido como a Barbara assim o quis. E ela sorri! Sorri, observando o que sentimos sempre como inacabado...
Barbara esteve na Fabrica Robison. Lá ficaram intimidade, inquietação, equilíbrio, o prazer da contínua procura, os rasgos de vidas com história. E ficou, consequentemente, a forte marca da memória...
Desde a Sala dos Arcos às Condutas e em tantos outros recantos, estava a pintura da Barbara como fazendo parte. Em "Thank you for the roses" as paredes velhas e gastas ganharam vida; em "tribute to Robinson" é a cortiça que, merecidamente protagoniza e recebe a alegria e o sentir da cor; em "fotografia" a vida humana que permite a existência e as pessoas; "dedicated to you" com o gesto da oferta e da disponibilidade; "psychosis" e o sofrimento que ondula nas condutas, a água e os tecidos e os rostos humanos que gritam em silêncio e a sensação do que não queremos para nós mas que é realidade para alguns; "vlo" e outras vidas reais, o significativo que muda de lugar, "under the water" dá-nos a imensidão, o infinito, a grandiosidade do mundo...e " a Fabrica" , que dizer da "fábrica" que as aguarelas da Barbara não tenham dito?!



Conhece ao pormenor cada canto e recanto da imensidão desta estrutura, e a diferença do seu olhar permitiu a cor da emoção, o desenho do sofrimento, o esboço da procura e da descoberta e mostrou o encanto de um lugar com história. Deu-lhe vida, a vida que este magnífico lugar merece.
O tempo que "perdeu" na Fábrica Robinson deu lugar a uma visibilidade diferente. Nas "chaminés emblemáticas" da cidade de Portalegre e em nós, a memória e o encanto do que se viu e sentiu permanecem. A Fábrica Robinson e Barbara Walraven conhecem-se desde sempre!». In Isabel Telo, Olhares, Gazes, Barbara Walraven, Fundação Robinson, Portalegre, Olhares de Pintores, nº 18, 2009.

Cortesia de F. Robinson/JDACT