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domingo, 19 de julho de 2015

Poesia no Entardecer. Vagas. «Se fores, filho da riqueza, terás que ter muito cuidado, se te encostares ao cajado, ainda acabas na pobreza. Pobre e triste cidadão, tantas leis que se fabricam, mais a vida complicam, mais e mais corrupção»

jdact e wikipedia

Vagas…
«Conduzir depressa e mal,
pode ser muito perigoso,
mas condutor vagaroso,
produz o choque frontal.
Eu sei que o honesto tem,
um passado mui brilhante,
mas um futuro ofuscante,
é o que mais tarde lhe vem.

Eu uma noite sonhei,
que a vida era um sonho,
de manhã quando acordei,
era um pesadelo medonho.
O homem é muito pior,
quando bom se quer fazer,
se nada faz p'ró parecer,
decerto é muito melhor.

Se fores, filho da riqueza,
terás que ter muito cuidado,
se te encostares ao cajado,
ainda acabas na pobreza.
Pobre e triste cidadão,
tantas leis que se fabricam,
mais a vida complicam,
mais e mais corrupção».


Quando se dá uma estalada,
tem que se estar preparado,
quando menos for esperado,
pode-se levar uma facada,
de Darwin e sua teoria,
muitos podem duvidar,
mas decerto que um dia,
isso se vai desvendar.

Vejo um macaco a olhar,
para um homem, admirado,
parece que está a pensar,
terei por ali começado.
Quem dinheiro perseguir,
um dia o vai encontrar,
mas tem muito que lutar,
se p’la via do bem seguir.

Se um dia te rires d’alguém,
pode esse alguém não gostar,
poderás um dia esperar,
que se ria de ti também.
A política sempre viveu,
dos crimes que praticou,
e sempre o crime apoiou,
porque do crime nasceu».
[…]
In Fernando Baralba, Vagas, Pragas e Adagas, Chiado Editora, colecção Prazeres Poéticos, 2014, ISBN 978-989-511-322-4.

Cortesia de ChiadoE/JDACT

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Vagas. Pragas. Adagas. Fernando Baralba. «O homem deve trazer, um livro sempre consigo, para que à mão possa ter o seu porto de abrigo. Cansado de infeliz ser que começou a pensar se tudo em mim mudar, nada terei a perder»

jdact e wikipedia

[…]
«Se me dão boa comida,
fico muito satisfeito,
mas p'ró manjar ser perfeito,
tem que haver boa bebida.

Fazem-se filmes às centenas,
todos pagos pelo Estado,
dinheiro ao povo roubado,
que nunca vê essas cenas.

Pobres artistas, coitados,
que vendem a alma ao poder,
não fazem o que sabem fazer,
são p'la lama enterrados.

Andamos cães desolados,
por os homens chamarem cão,
a todo aquele que é vilão,
sentem-se por isso lesados.

Quem não quer ver a verdade,
viverá na escuridão,
é, tal e qual a maldade,
que no mal só vê razão.

Um artista sem dinheiro,
tem a alma hipotecada,
é melhor não fazer nada,
que se vender ao banqueiro.


Se adoçares a tua vida,
e a dos outros também,
viverás como ninguém,
tens tua sina cumprida

Se regares o teu jardim
com muita, muita alegria
vai-se a tristeza, agonia,
serás mais feliz assim.

O pai que mostre o caminho
para o filho caminhar,
mas se ele não se esforçar,
'Inda acaba a pão e vinho.

Se Deus visita o inferno,
vai o diabo louvar,
quer ao diabo agradar,
Vê sol em dia de inverno.

Tanto imposto que se paga.
Sem qualquer retribuição,
É a moderna escravidão,
Pobre o povo, grande praga.

As grandes revoluções,
P'la plebe alimentadas,
Gentes tão sacrificadas,
P'ra proveito dos vilões».
[…]

In Fernando Baralba, Vagas, Pragas e Adagas, Chiado Editora, colecção Prazeres Poéticos, 2014, ISBN 978-989-511-322-4.

Cortesia de ChiadoE/JDACT

domingo, 10 de maio de 2015

Sombras na Lama. Fernando Baralba. «Poesia sem sofrimento não tem alma, poesia sem sangue não tem cor, poesia sem esperança não tem calma, poesia, é a vida, é muita dor»

jdact e wikipedia

Vagueando
«Vejo um barco a navegar,
em sanhudas águas, na serra,
gigânticas árvores em guerra,
esqueletos do triste luar.

Lá longe, lá muito longe,
tão longe que não se vê,
um certo cego que lê
invisível livro de monge.

No silêncio um pássaro canta,
em floresta sem verdura;
árvores que são serradura,
São carne que o homem espanta.

Bebe-se o sangue dos nossos,
em orgias outonais;
come-se a carne dos mais,
com facas dos próprios ossos.

Lágrimas de álgidos prantos,
nos rostos de muita gente,
e o resto feliz, contente,
inferno p'ra muitos santos.

Dores terríveis que passeiam,
outras dores menores esquecem,
frio, que entes não aquecem,
são corpos que p’la morte anseiam.


Olhares que ferem, que matam,
bífidas e agudas lanças,
aniquiladores de esperanças,
sóis que o asfalto dilatam.

Imagem dum deus, distante,
barco esquecido no rio,
sol invernal, no Estio,
sombras em alma ofuscante.

Guerra de anjos, de santos,
num inferno de lisonja,
em cada canto, uma esponja,
podridão em rotos mantos».
[…]
Poema de Fernando Baralba, in ‘Sombras na Lama

JDACT

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Vagas. Pragas. Adagas. Fernando Baralba. «O poder só dirá sim se todos disserem não. Não há outra revolução que conduza a melhor fim. Pensamentos positivos produzem boas acções, mas se forem negativos, assim são as soluções»

jdact e wikipedia

«Levanta-te e foge, foge de ti, ultrapassa-te; corre, corre para além de ti, supera-te, vence-te, vence-te a ti mesmo, atinge o inatingível, atinge o super-homem». In O Diálogo sobre o Super-homem.

«Se o paraíso atingir,
chega à triste conclusão,
que o esforço é em vão,
Deus é o diabo a fingir

Há para aí muita maldade,
vestida de real pureza,
mas eu tenho a certeza,
que engana muita bondade.

Aquele que perde a esperança,
perde o tino, perde o rumo,
nada quer, nada alcança
esvai-se como o fumo.

Lutou tanto por chegar,
mas depois de ter chegado,
ficou tão decepcionado
que só queria regressar.

Uma criança a brincar,
vai a bola p´ra estrada,
vem um carro a passar,
vida perdida por nada.

Médico que doença cura,
tem que ter muito valor,
há para aí muito doutor,
 mais parece que a descura».

In Fernando Baralba, Vagas, Pragas e Adagas, Chiado Editora, colecção Prazeres Poéticos, 2014, ISBN 978-989-511-322-4.

Cortesia de ChiadoE/JDACT