Mostrar mensagens com a etiqueta Dinastia de Avis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dinastia de Avis. Mostrar todas as mensagens

domingo, 14 de agosto de 2011

Batalha de Aljubarrota. Dia 14 de Agosto de 1385, há 626 anos: Parte II. «…pelas dez horas da manhã do dia 14 de Agosto, o exército tomou a sua posição na vertente norte desta colina, de frente para a estrada por onde os castelhanos eram esperados. A disposição portuguesa tinha a infantaria no centro da linha, uma vanguarda de besteiros com os 200 archeiros ingleses, 2 alas nos flancos, com mais besteiros, cavalaria e infantaria»

Painel de azulejos pintado por Jorge Colaço (1922)
representando um episódio da batalha de Aljubarrota.
Cortesia de wikipedia

«Quando as notícias da invasão chegaram, João I encontrava-se em Tomar na companhia de D. Nuno Álvares Pereira, o condestável do reino, e do seu exército. A decisão tomada foi a de enfrentar os castelhanos antes que pudessem levantar novo cerco a Lisboa. Com os aliados ingleses, o exército português interceptou os invasores perto de Leiria. Dada a lentidão com que os castelhanos avançavam, D. Nuno Álvares Pereira teve tempo para escolher o terreno favorável para a batalha. A opção recaiu sobre uma pequena colina de topo plano rodeada por ribeiros, perto de Aljubarrota. Contudo o exército Português não se apresentou ao Castelhano nesse sítio, inicialmente formou as suas linhas noutra vertente da colina, tendo depois, já em presença das hostes castelhanas mudado para o sítio predefinido, isto provocou bastante confusão nas tropas de Castela.

Pelas 10 horas da manhã do dia 14 de Agosto, o exército tomou a sua posição na vertente norte desta colina, de frente para a estrada por onde os castelhanos eram esperados. A disposição portuguesa era a seguinte: infantaria no centro da linha, uma vanguarda de besteiros com os 200 archeiros ingleses, 2 alas nos flancos, com mais besteiros, cavalaria e infantaria. Na retaguarda, aguardavam os reforços e a cavalaria comandados por D. João I de Portugal em pessoa. Desta posição altamente defensiva, os portugueses observaram a chegada do exército castelhano protegidos pela vertente da colina.

Cortesia de wikipedia

A chegada dos castelhanos.
A vanguarda do exército de Castela chegou ao teatro da batalha pela hora do almoço, sob o sol escaldante de Agosto. Ao ver a posição defensiva ocupada por aquilo que considerava os rebeldes, o rei de Castela tomou a esperada decisão de evitar o combate nestes termos. Lentamente, devido aos 30 000 soldados que constituíam o seu efectivo, o exército castelhano começou a contornar a colina pela estrada a nascente. A vertente sul da colina tinha um desnível mais suave e era por aí que, como D. Nuno Álvares previra, pretendiam atacar.

O exército português inverteu então a sua disposição e dirigiu-se à vertente sul da colina, onde o terreno tinha sido preparado previamente. Uma vez que era muito menos numeroso e tinha um percurso mais pequeno pela frente, o contingente português atingiu a sua posição final muito antes do exército castelhano se ter posicionado. D. Nuno Álvares Pereira havia ordenado a construção de um conjunto de paliçadas e outras defesas em frente à linha de infantaria, protegendo esta e os besteiros. Este tipo de táctica defensiva, muito típica das legiões romanas, ressurgia na Europa nessa altura.
Pelas seis da tarde, os castelhanos ainda não completamente instalados decidem, precipitadamente, ou temendo ter de combater de noite, começar o ataque.
É discutível se de facto houve a tão famosa táctica do «quadrado» ou se simplesmente esta é uma visão imaginativa de Fernão Lopes de umas alas reforçadas. No entanto tradicionalmente foi assim que a Batalha acabou por seguir para a história.

Nuno Alvares Pereira a rezar antes da batalha,
Cortesia de wikipedia

O ataque começou com uma carga da cavalaria francesa: a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Contudo as linhas defensivas portuguesas repeliram o ataque. A pequena largura do campo de batalha, que dificultava a manobra da cavalaria, as paliçadas, feitas com troncos erguidos na vertical separados entre si apenas pela distancia necessária à passagem de um homem, o que não permitia a passagem de cavalos, e a chuva de virotes lançada pelos besteiros, auxiliados por 2 centenas de arqueiros ingleses, fizeram com que, muito antes de entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrar desorganizada e confusa. As «baixas» da cavalaria foram pesadas e o efeito do ataque nulo.
Ainda não perfilada no terreno, a retaguarda castelhana demorou a prestar auxílio e, em consequência, os cavaleiros que não morreram foram feitos prisioneiros pelos portugueses. Depois deste revés, a restante e mais substancial parte do exército castelhano atacou. A sua linha era bastante extensa, pelo elevado número de soldados. Ao avançar em direcção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a apertar-se, o que desorganizou as suas fileiras, de modo a caber no espaço situado entre os ribeiros. Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses dispuseram as suas forças dividindo a vanguarda de D. Nuno Álvares em dois sectores, de modo a enfrentar a nova ameaça.

Esquema ilustrando a Batalha de Aljubarrota
Cortesia de wikipedia

Vendo que o pior ainda estava para chegar, D. João I de Portugal ordenou a retirada dos besteiros e archeiros ingleses e o avanço da retaguarda através do espaço aberto na linha da frente. Desorganizados, sem espaço de manobra e finalmente esmagados entre os flancos portugueses e a retaguarda avançada, os castelhanos pouco puderam fazer senão morrer. Ao pôr-do-sol a batalha estava já perdida para Castela. Precipitadamente, D. João de Castela ordenou uma retirada geral sem organizar uma cobertura. Os castelhanos debandaram então desordenadamente do campo de batalha. A cavalaria Portuguesa lançou-se então em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade.
Alguns fugitivos procuraram esconder-se nas redondezas, apenas para acabarem mortos às mãos do povo.
Surge aqui uma tradição portuguesa em torno da batalha:
  • uma mulher, de seu nome Brites de Almeida, recordada como a Padeira de Aljubarrota, iludiu, emboscou e matou pelas próprias mãos alguns castelhanos em fuga. A história é por certo uma lenda da época, de qualquer forma pouco depois D. Nuno Álvares Pereira ordenou a suspensão da perseguição e deu trégua às tropas fugitivas.
Na manhã de 15 de Agosto, a catástrofe sofrida pelos castelhanos ficou bem à vista: os cadáveres eram tantos que chegaram para barrar o curso dos ribeiros que flanqueavam a colina. Para além de soldados de infantaria, morreram também muitos nobres fidalgos castelhanos, o que causou luto em Castela até 1387. A cavalaria francesa sofreu em Aljubarrota outra pesada derrota.
Com esta vitória, D. João I tornou-se no rei incontestado de Portugal, o primeiro da dinastia de Avis. Para celebrar a vitória e agradecer o auxílio divino que acreditava ter recebido, D. João I mandou erigir o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e fundar a vila da Batalha». In Wikipédia, História de Portugal, A. Oliveira Marques, Centro Cultural Nuno Álvares Pereira.

Cortesia de História de Portugal/JDACT

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Oliveira Martins: A Vida de Nun'Alvares. «O Crato era a capital dos estabelecimentos hospitalários portugueses. O prior, D. fr. Álvaro Gonsalves Pereira, fundara, em 1356, na Flor da Rosa uma igreja e mosteiro torreado, para aí dormir o sono eterno sob o patrocínio de Nossa Senhora das Neves»

Cortesia de makewparrcollectio

A Vida de Nun'Alvares
O Prior do Hospital«Meia légua, ou pouco mais, para o norte do Crato, em meio d'essa charneca dilatada que vem das Beiras, e, transposto o oásis do Alto Alentejo, se alonga até às serras do Algarve, está a Flor da Rosa, ladeada a nascente pelos montes de Portalegre, levantados contra a fronteira de Castela. As torres quadrangulares e maciças da nova igreja do Hospital, alvas de mocidade, mordem o céu com os dentes das ameias, abrigando na sua sombra poderosa as choças humildes dos caseiros, a quem o prior vai aforando terra, para criar em torno da fundação um núcleo de moradores, como tantas villas que n'esses antigos tempos constantemente nasciam do solo requeimado do Alentejo.

Cortesia de makewparrcollectio 
Os reis, os monges militares, os donatários: todos, estavam apostados, ainda no ultimo quartel do XIV século, a consolidar, povoando-a e arroteando-a, a metade agreste do reino alcançada das mãos dos mouros à custa de mil combates, devastada e nua, ressequida e deserta, após séculos de incessantes guerras: cemitério de ruínas onde a esteva e o tojo encobriam as pedras dos muros derrocados; porque as raízes das antigas árvores, os pavimentos das estradas e os restos das vilas romanas havia muito que, ou se tinham dissolvido no pó da charneca, ou jaziam soterradas n'elle com o perpassar constante do tropel das guerras. Destruída a vegetação, expulsa a gente, sumiu-se a água para o sub-solo, formaram-se as torrentes com o precipitar das chuvas, abriu chagas a pele da terra; e o sol, secando o ar e o chão, pôde estender o seu império absoluto sobre a amplitude nua do deserto: nua como a ilimitada campina azul do céu, também ermo de nuvens.

Cortesia de mckewparrcollection 
O Crato era a capital dos estabelecimentos hospitalários portugueses. O prior, D. fr. Álvaro Gonsalves Pereira, fundara, em 1356, na Flor da Rosa uma igreja e mosteiro torreado, para aí dormir o sono eterno sob  o patrocínio de Nossa Senhora das Neves, ao lado de seus pais, o arcebispo de Braga, D. Gonçalo Pereira, e Tareja Pires Villarinho, a salamanquina, que já repousavam à sombra dos muros espessos da igreja acastelada, como cumpria n'essa região de fronteira, sacudida sempre por algaras e devastações de inimigos. Ainda, porém, ao cabo de dezesete anos, em 1373, quando o prior resolvera enviar à corte o seu filho, Nuno, que apenas contava treze anos: ainda então, a traça das construções não se achava terminada; e do Crato à Flor da Rosa áa com frequência o prior, já velho, antegostar o sossego do túmulo que escolhera, desejoso de que a morte o não surpreendesse antes de ver terminado o monumento, que devia dar testemunho da sua passagem pelo mundo.

Cortesia de wikipedia 
D. fr. Álvaro, homem poderosíssimo que já privara com el-rei D. Afonso IV, e depois com el-rei D. Pedro-o-crú, era uma das figuras eminentes do tempo de D. Fernando. Os seus anos, os seus serviços, o seu saber e entendimento davam-lhe essa preferência: sobretudo as artes da astrologia, em que punha um minucioso cuidado, nas suas demoradas práticas com mestre Thomaz, o astrólogo da casa, traçando os vaticínios do tempo, a luz tenuissima que n'essas épocas de barbárie lobrega anunciava o despontar da claridade racional. N'uma atmosfera de sombra e medo, n'um tempo de incerteza e crueldade, o esforço pessoal e a superstição divinatória, eram as duas armas com que os homens conseguiam atravessar pelas brenhas da vida, em combates incessantes.
Sábio e valente, o prior era celebrado pela magnânimidade do seu coração, pela largueza do seu espirito, pela generosidade da sua alma. «Partia grandemente o que havia». Quando a existência depende do esforço humano e não da estabilidade da maquina social, o homem, com os impulsos do seu instinto voluntário, pôde expandir à larga os dons que a natureza lhe deu, como árvore bracejando livremente no ar; e mostrar-se qual nasceu e o fizeram, ou na grandeza incoerente de herói, ou na abjecção monstruosa de malvado. D. fr. Álvaro pertencia à familia dos primeiros. Deixada a natureza ao seu livre curso, não há moderação, nem caracteres temperados: esta mediania que é a regra nas sociedades bem ordenadas, onde cada qual, ao nascer, encontra preparado o molde a que tem de sujeitar-se desde o berço até à cova. Ai, d'aquelles que vieram fadados para excêntricos voluntariosos; ai, também, dos que, nas idades tempestuosas do mundo, nasceram sem trazer nos músculos a tempera da energia.

Cortesia de wikipedia
Era um grande braço, era um grande cérebro, era um grande coração, D. fr. Álvaro; e tudo isto era espontaneamente, à lei da natureza, levado pelos impulsos da vontade, pelos assomos do orgulho fidalgo, pela violência de um temperamento carnal. Na sua longa vida, apesar dos votos proferidos antes dos dezoito anos, que foi quando o fizeram prior do Hospital, teve muitos amores, e trinta e dois filhos, machos e fêmeas (1).
__________________________

(1) D'estes trinta e dois filhos, os que aparecem mencionados nas crónicas são:
1. Pedr'alvares, n. de Maria Domingues Brandão, solteira; legitimado em Portalegre a 26 de Agosto (E. 1395) 1357. Prior do Crato; e em 1384, Mestre da Ordem de Calatrava, em Castella. f. em Aljubarrota.
2. Rodrig'alvares, n. de Iria Vicente; legitimado na mesma ocasião. Morgado de Agoas Bellas, senhor de Souzel e de Cerveira.
3. Fernand'alvares, n. de Iria Gonsalves do Carvalhal ; idem. Alcaide-mór de Elvas.
4. Lop'alvares, idem, leg. em Portalegre, a 24 de Julho (1399) 1361.
5. Gonçalo Pereira, idem, id. Atouguia, a 1 5 de Setembro (1405) 1367.
6. Vasco Pereira, idem, id. Coimbra, a 8 de Setembro (1407) 1369.
7. Ruy Pereira, idem, id. Villa Viçosa, a 8 de Janeiro (1413) 1375.
8. Fernão Pereira, idem.
9. Affonso Pereira, idem ?
10. Diog'alvares, idem ?
11. Nun'alvares, idem, id. Portalegre a 24 de Julho (1399) 1361.
N'esta lista parece faltarem dois filhos, pois Nun'alvares era o 13º. Vê-se porém que foi legitimado conjuntamente com seu irmão Lopo; e a julgar pela ordem das legitimações, pelo menos trez irmãos seriam mais novos. Fernão, diz-nos a crónica que o era, o que faz quatro; e sendo Nun"alvares o 13º filho, os varões seriam pelo menos dezesete.
As filhas de que há noticia são:
12. Izabel, c. com Gil Vaz da Cunha, senhor de Basto;
13. Joanna, c. com o Almirante Pessanha;
14. Maria ou Ignez, c. com Pedro, ou Rodrigo, Afonso do Cazal.
15. Violante, c. com Martim Gonsalves de Lacerda;
16. Mecia, c. com Vasco Martins de Altero.
17. Estephania, c. com Álvaro Gil de Carvalho;
18. Violante, filha de Iria Gonsalves do Carvalhal, c. com Martim Fernandes, ou Gonsalves de la Cerda.
19. Leonor, c. com Lourenço Mendes de Vasconcellos.
20. Beatriz, c. com Joanne Mendes de Vasconcellos.
21. Theresa, c. com Gonçalo Rodrigues de Abreu, alcaide-mór de Elvas;
22. Anna, c. com José Gonsalves de Basto.
23. Maria c. com Ruy Lopes Cerveira.
Se os varões foram 17, as filhas deviam ser 15: faltam pois 3.
Cf. a Mon. lusit. VIII; liv. XXIII, 3. Santos, errando n'um dia, põe o nascimento de Nun'alvares a 25 de Junho; quando o computo exacto, pelo que Lopes diz, na sua Chron. de D. João I, dá o dia de S. João, 24.
________________________________

Cortesia de wikipedia
O mais velho chamava-se Pedro: Pedro Alvares (filho de Alvaro) ou Pedr"alvares, e foi quem lhe sucedeu no priorado; entre os menores estava Nuno, Nuno Alvares, ou Nun'alvares, que nasceu em 1360, dia de S. João, como precursor também, no castelo do Bomjardim, filho duma criada da corte, por nome Iria Gonsalves do Carvalhal. Quando esta aventura teve o seu desfecho com o parto de Iria do Carvalhal no mosteiro do Bomjardim, o pai e o astrólogo, D. fr. Álvaro e mestre Thomaz, apressaram-se a tirar o vaticínio do recém nascido, e o oráculo disse que o novo bastardo seria invencível. Vinha ao mundo com o Precursor; os signos afirmavam um prodígio; o pai exultava, e a mãe sorria, amorosa e melancólica, para o fruto do seu amor sacrílego. Não é crível que, por grande que fosse a soltura dos costumes (e não podia ser maior) nas consciências enevoadas do tempo não acordasse vislumbre de remorso por pecados tão contra a letra expressa da lei de um Deus, de quem os mais atrevidos tremiam como varas verdes. A prova é que a amante do prior levou a penitenciar-se o melhor da sua vida, sem comer carne, nem beber vinho, durante quarenta anos, fazendo grandes esmolas e jejuns.

Cortesia de carmelnet 
Mas o pecado teve sempre uma teoria complicada. Sem penitência não se ganha o céu, e sem pecado não há motivo de penitência. Superior às forças humanas, fatalidade inevitável da natureza, para todo o pecado há perdão: o caso está em fazer por ele! E pecados há, dignos de benção, desde que foram resgatados. O pecado de amor estava em tal caso, n'um tempo em que a força das coisas levava a reclamar tudo do vigor do braço, da energia do temperamento, da exuberância das paixões. Era a idade áurea da bastardia.
E gerar nas minhas entranhas um herói, pensaria a mãe; espada invencível como a de Galaaz, o glorioso bastardo de Lançarote do Lago!. . . E vir á luz no próprio dia do Baptista, o precursor de Christo!. . . Se não fosse, também, o pecado de Eva, nunca o mundo teria commungado no sangue do Redentor. . .

Cortesia de formactiva  
O prior, por seu lado, exultava abertamente. Não o assaltavam as dúvidas que perseguem a consciência mais subtil das mulheres. Tomava a vida como o tempo a fazia. Ele próprio, bastardo era também.
Fora seu pai o arcebispo de Braga, D. Gonçalo Pereira, que além jazia na campa da Flor da Rosa, quem o destinara para monge cavaleiro, fazendo-o proferir os votos e alcançando-lhe o priorado do Hospital. Fora ele que, sendo deão da sé do Porto, expulsara o bispo, e depois o banira de Lisboa. Fora homem de grandes ódios, e de maus fígados. O bispo chamava-se fr. Estevam, frade franciscano menor, e era o trigésimo na sé do Porto, sagrado em 1309.
Dera ao deão D. Gonçalo a igreja e o mosteiro de S. Salvador de Canedo, na terra da Feira, propriedade do cabido, quando ao tempo viviam na melhor intimidade. O cabido protestou, a câmara do Porto interviu, reclamando ambos a expulsão do bispo, mas quem partiu com um cónego para Avinhão, a pedir a Clemente V a exautoração de fr. Estevam, foi o próprio deão D. Gonçalo: d'onde se vê quanto aliava a arte para vencer lances difíceis, ao amor entranhado pelas grandezas da terra». In Oliveira Martrins, A Vida de Nun'Alvares, História do estabelecimento da dinastia de Avis, LIvraria de António Maria Pereira, Editor, 1893.

Cortesia de Makew Parr Collection/Magellan and the Age of Discovery/Presented to Brandies University, 1961/JDACT