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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Victor Hugo. O Compromisso Político e Social: «Viveu um intenso processo de compromisso político e social, que evoluiu desde a sua herdada posição conservadora até à sua conquista de porta-bandeira da denúncia social. Neste sentido, criticou duramente a desigualdade social, e também a pena de morte e a guerra. Deste modo, chegou a ser um ícone da III República Francesa»


Cortesia de wikipedia

A imensa figura de Victor Hugo abraçou fortemente o vasto panorama político e social da França durante grande parte do século XIX. Participou activamente na evolução política desta época agitada e converteu-se num grande símbolo republicano.
A personalidade de Victor Hugo viveu um intenso processo de compromisso político e social, que evoluiu desde a sua herdada posição conservadora até à sua conquista de porta-bandeira da denúncia social. Neste sentido, criticou duramente a desigualdade social, e também a pena de morte e a guerra. Deste modo, chegou a ser um ícone da III República Francesa.

Do conservadorismo ao reformismo
Na sua juventude, Victor Hugo optou pela linha política do seu admirado Chateaubriand. Esteve próximo do partido Conservador e, durante a Restauração, apoiou Carlos X. Na revolução de 1848, enquanto par de França, começou por defender a monarquia. Uma vez proclamada a República, nas eleições de Abril foi eleito em Paris pelo partido Conservador:
  • votou a lei do 9 de Agosto, que suspendia alguns jornais republicanos;
  • apoiou a candidatura de Bonaparte às presidenciais de 1848;
  • a sua oposição ao princípio da assembleia legislativa única levou-o a não aprovar a Constituição desse ano.
Foi no Verão de 1849 que se afastou da maioria conservadora, recusando a sua política reaccionária:
  • combateu a lei Falloux, que favorecia a Igreja Católica:
  • combateu a lei que restringia o sufrágio universal (em Maio);
  • combateu e interveio contra a lei Rouher, que limitava a liberdade de imprensa (em Julho);
  • opôs-se à lei que propunha a revisão da Constituição para permitir a reeleição de Bonaparte, em Julho de 1851;
  • redigiu um apelo à resistência armada, juntamente com cerca de 60 representantes, (golpe de estado de 2 de Dezembro de 1851;
  • perseguido, conseguiu "passar" para a Bélgica a 14 de Dezembro. Foi o começo de um longo exílio.


Cortesia de wikipedia

Os combates sociais
Reformista como foi, Hugo quis transformar a sociedade. Apesar de justificar o enriquecimento, denunciou violentamente o sistema de desigualdade social. Assim, a elite burguesa não lhe perdoou. Da mesma maneira, opôs-se à violência quando exercida contra um poder democrático, mas justificou-a, conforme a Declaração dos Direitos Humanos.
Quando à guerra Franco-Prussiana, Victor Hugo condenou-a:
  • «guerra de capricho e não de liberdade».
Posteriormente, o povo de Paris não aceitou a derrota e a Comuna começou a 18 de Março. Levantaram-se ao alto "Os Castigos"». In Wikipédia e História Universal.

Cortesia de História de França/Enciclopédia Verbo/JDACT

Victor Hugo. Personificação da rebeldia romântica contra o classicismo académico. E quando todos têm acesso às luzes do saber, então chegou a hora da democracia».


(1802-1885)
Besançon, França
Cortesia de wikipedia

Personificação da rebeldia romântica contra o classicismo académico, primeiro, e da vontade democrática frente ao absolutismo napoleónico, depois. Victor Hugo é uma das maiores figuras da literatura francesa. Tornou-se ainda em vida uma personagem popular e deixou uma obra monumental, que abarca todos os géneros e registos.
Um exemplo da vontade férrea de Hugo é a declaração de intenções que deixou anotada no seu diário com apenas 14 anos de idade:
  • «Quero ser Chateubriand ou nada».
Mas a sua figura superaria o âmbito do romantismo francês para se converter num dos grandes escritores do século e de tempos, profundamente comprometido com a evolução da realidade social e política que conheceu ao longo da sua vida. Da sua família herdaria as suas convicções monárquicas e atitudes conservadoras, das quais se iria distanciando com o passar dos anos. Na verdade, como deputado da II República ainda apoiou em 1848 a candidatura à presidência do último Bonaparte, Carlos Luís, acabando por "romper" com ele um ano mais tarde por reprovar a política reaccionária de quem, em 1851, concretizaria um golpe de estado e se coroaria imperador como Napoleão III.


Hugo propiciou com a estreia da obra teatral "Hernâni", uma célebre batalha
campal as fileiras do teatro francês. Os clássicos injuriavam a obra. Os românticos
consideravam-na o estandarte do novo drama, a diversidade das paixões humanas.
Cortesia de jocsecund

Hugo partiu para o exílio, primeiro em Bruxelas, depois em Jersey e, finalmente em Guernsey, uma ilha britânica do canal da Mancha onde permaneceria até à proclamação da III República em 1870. A partir daí, tornou-se o mais emblemático opositor do II Império de França, encarnado na pessoa de Napoleão III. Chegou a recusar a amnistia que este ofereceu aos proscritos:
  • «e se só ficasse um, esse seria eu»
Contra o regime, Hugo escreveu "Os Castigos" em que denuncia com «fúria bíblica» a violação das leis da República enquanto um crime. Já em 1846 tinha escrito no seu poema «Em Marcha» ("As Contemplações"), depois da morte sua sua filha Léopoldine:
  • «Amadureci. Ali, onde o conhecimento não é mais do que um homem, a monarqui impõe-se. Ali, onde está um grupo de homens, esta deve ceder o seu lugar à aristocracia. E quando todos têm acesso às luzes do saber, então chegou a hora da democracia».

Léopoldine
A Lenda dos Séculos
Cortesia de wikipedia e divagar

A obra "monumental" de Hugo já contava até ao momento do seu exílio com grandes êxitos, tanto no teatro, "Hernani", como no romance, "Nossa Senhora de Paris". Deste modo, durante este período fecundo, atingiu o topo da sua «produção» com a poesia épica de "A Lenda dos Séculos" e o romance "Os Miseráveis". Após a derrota de Napoleão na guerra Franco-Prussiana em 1870, Victor Hugo regressou à sua terra natal. Foi uma figura tutelar da república recuperada e uma referência literária.

"Uma Lágrima por uma Gota de Água", de Olivier Merson,
que mostra a famosa cena de N. S. de Paris

Cortesia de wikipedia e curiofisica

Morreu a 22 de Maio e calcula-se que cerca de 1 milhão e meio de pessoas se deslocaram para lhe prestarem uma última homenagem no cortejo fúnebre, desde o Arco do Triunfo (onde ficou exposto durante uma noite) até à igreja de S. Genoveva, transformada desde então no Panteão consagrado a oferecer sepultura às grandes personalidades da história nacional francesa.



Cortesia de wikipedia e divagar

Cortesia de Wikipédia/JDACT

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Pensamento e as Interpretações: Parte XVIII. «... só nos podemos impressionar com a espantosa desproporção que reina entre essas coisas, e deplorar a cegueira do homem, que, para nutrir o seu orgulho louco, não sei que vã admiração de si mesmo, o faz correr ardorosamente para todas as misérias de que é susceptível e que a benfazeja natureza havia tomado cuidado em afastar dele»

Cortesia de cantocidadao 

Ponderar as Dificuldades
«Face a qualquer acção, pondera os antecedentes e as consequências, e só depois, mas só depois!, começa a executá-la. Caso não procedas assim, grande será o teu ânimo no começo, dado que não cuidaste das dificuldades que a seguir se apresentam. Tempo depois, quando essas dificuldades, uma a uma, se apresentarem, abandonarás a tua tarefa de maneira vergonhosa». In Epicteto, «Manual».

Cortesia de autoadmirador
A Verdadeira Divisão Humana
«Sois vós um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, vós estais tristes todos os dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem tremíeis pela saúde de alguém que vos é caro, hoje receais pela vossa; amanhã será uma inquiteação de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consciência e a coluna vertebral reprovam, outra vez a marcha dos negócios públicos. Isto sem contar as penas de coração. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse pequeno número que é feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite estagnante.
Os espíritos reflectidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes. A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.
Diminuir o número dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. É por isso que nós gritamos: ensino, ciência! Aprender a ler, é alumiar com fogo; toda a sílaba soletrada cintila. De resto, quem diz luz não diz, necessariamente, alegria. Também se sofre com a luz; em demasia queima. A chama é inimiga da asa. Queimar-se sem deixar de voar, é o prodígio do génio.
Quando conhecerdes e quando amardes, sofrereis ainda. O dia nasce em lágrimas. Os iluminados choram quando mais não seja sobre os tenebrosos». In Victor Hugo, «Os Miseráveis».

Cortesia de professormaxsuel

As Infelizes Necessidades do Homem Civilizado
«Um autor célebre, calculando os bens e os males da vida humana, e comparando as duas somas, achou que a última ultrapassa muito a primeira, e que tomando o conjunto, a vida era para o homem um péssimo presente. Não fiquei surpreendido com a conclusão; ele tirou todos os seus raciocínios da constituição do homem civilizado. Se subisse até ao homem natural, pode-se julgar que encontraria resultados muito diferentes; porque perceberia que o homem só tem os males que se criou para si mesmo, o que à natureza se faria justiça. Não foi fácil chegarmos a ser tão desgraçados. Quando, de um lado, consideramos o imenso trabalho dos homens, tantas ciências profundas, tantas artes inventadas, tantas forças empregadas, abismos entulhados, montanhas arrasadas, rochedos quebrados, rios tornados navegáveis, terras arroteadas, lagos cavados, pantanais dissecados, construções enormes elevadas sobre a terra, o mar coberto de navios e marinheiros, e quando, olhando do outro lado, procuramos, meditando um pouco as verdadeiras vantagens que resultaram de tudo isso para a felicidade da espécie humana, só nos podemos impressionar com a espantosa desproporção que reina entre essas coisas, e deplorar a cegueira do homem, que, para nutrir o seu orgulho louco, não sei que vã admiração de si mesmo, o faz correr ardorosamente para todas as misérias de que é susceptível e que a benfazeja natureza havia tomado cuidado em afastar dele». In Jean-Jacques Rousseau, «Discurso Sobre a Origem da Desigualdade».
Cortesia de O Citador/JDACT