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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

No 31. As Forcas do Distrito de Portalegre. Parte XII. «Com boa visibilidade para a vila e sobranceira à estrada para Ouguela, esta forca aparece referida numa planta da vila de Campo Maior, datada do século XVII»

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«(...)
Campo Maior
A forca de Campo Maior situava-se no cerro denominado actualmente por Cabeça Gorda, onde se levanta um marco geodésico. A curta distância para Su1 do marco, observa-se uma irregular plataforma de terra que teria servido de patíbulo, local onde se teria erguido a forca de Campo Maior. Com boa visibilidade para a vila e sobranceira à estrada para Ouguela, esta forca aparece referida numa planta da vila de Campo Maior, datada do século XVII.
O loca1 onde se situava a forca possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X - 0666682; Y - 4321137.


Localização da forca de Campo Maior

Planta de Campo Maior, assinalando-se com o nº 33 o Sítio da Forca

Marco geodésico da Cabeça Gorda, junto do qual se localizava a forca

Cano
A forca do Cano situava-se na Tapada da Forca, a norte do núcleo mais antigo da vila, no prolongamento da Travessa dos Nocturnos, a cerca de 300 metros do actual limite da povoação. Da forca, hoje já nada subsiste. A Tapada da Forca é uma parcela de terra agrícola aplanada, numa cota levemente elevada à vila.
A Tapada da Forca possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS:
X - 0607590; Y - 4314113.


Localização da forca do Cano

Tapada da Forca

Castelo de Vide
A forca de Castelo de Vide situava-se no Outeiro da Forca, na linha de cumeada que se situa a SE da vila e que acompanha a estrada que liga esta vila a Marvão. No local da forca, existe ainda hoje uma rua denominada Outeiro da Forca. Por informação oral, a forca de madeira estaria levantada em frente ao velho moinho que ainda hoje aí se conserva. Contudo, esta informação parece-nos algo estranha, considerando que a idade do moinho o faria contemporâneo da utilização da forca e não nos parece que fossem consentâneas as duas coexistências em espaço tão reduzido.
Provavelmente, a forca situar-se-ia algumas dezenas de metros para SE do moinho, para os lados da Matosa.
O local provável da forca de Castelo de Vide possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X - 0633656; Y - 4363855».


Localização da forca de Castelo de Vide

Moinho no Outeiro da Forca

Rua do Outeiro da Forca


In Jorge Oliveira e Ana Cristina Tomás, As Forcas do Distrito de Portalegre, 140 anos após a abolição da Pena de Morte, Edições Colibri, 2007, ISBN 978-972-772-767-4.

Cortesia de EColibri/JDACT

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

As Forcas do Distrito de Portalegre. Parte XI. «Torna-se estranha esta informação, quando a muito curta distância se situa Nisa, a sede de concelho, e aí se levantava também uma forca»

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Cabeço de Vide
«A forca de Cabeço de Vide é a que se encontra em melhor estado de conservação, de todas as conhecidas no distrito de Portalegre. A sua não destruição intencional terá ficado a dever-se à extinção do concelho de Cabeço de Vide, no século XIX, e à prolongada indefinição da jurisdição municipal deste território, que era disputado entre Alter do Chão e Fronteira. Pensamos que a principal causa da destruição da maioria das forcas se ficou a dever a deliberações camarárias, logo após a abolição da pena de morte, em 1867.
A forca de Cabeço de Vide é formada por dois pilares em alvenaria. O do lado sul, que se encontra completo, é encimado por uma pirâmide que se sobrepõe a um paralelepípedo. A altura, desde o actual solo ao vértice da pirâmide, é de 333 centímetros, e a largura média dos pilares é de 77 centímetros. O afastamento entre os dois pilares é de 222 centímetros. Na face poente dos dois pilares, a cerca de 130 centímetros do solo, abrem-se dois orifícios simétricos, de secção quadrangular, com cerca de 15 cm de lado e uma profundidade que quase atinge a face oposta dos pilares. Estes orifícios destinar-se-iam a montar uma qualquer estrutura, provavelmente de madeira, com o objectivo de apoiar o condenado antes de ser suspenso pelo pescoço. Nas faces internas dos dois pilares, na base das pirâmides, identificam-se dois orifícios quadrangulares com cerca de 20 cm de lado, destinados a apoiar a trave de madeira que suportaria os enforcados.
Os dois pilares, obtidos em pedra e argamassa, terão sido, na origem, totalmente rebocados e, atendendo a alguns leves sinais ainda visíveis, terão sido, igualmente, caiados. No solo, junto à face nascente da forca, parece existirem sinais de um murete que avançaria dos pilares e limitaria um curto espaço de terreno. Eventualmente, este murete destinar-se-ia a resguardar os corpos dos condenados, quando em morte perpétua, dos animais necrófagos. Atendendo ao aterro que se verifica junto aos pilares da forca, uma eventual escavação arqueológica viria a possibilitar a compreensão desta estrutura.
A forca de Cabeço de Vide, como todas as outras, implanta-se na face nascente de uma colina sobranceira à vila e nas imediações da estrada principal, não muito distante do antigo Rossio. A forca de Cabeço de Vide assinala-se na Carta Militar de Portugal e encontra-se envolta em lendas que os mais idosos da vila constantemente repetem. Possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X - 0621196;Y - 4332920.


Localização da forca de Cabeço de Vide


Forca de Cabeço de Vide


Cacheiro
Houve a informação que, nas imediações de S. Matias do Cacheiro, povoação situada a curta distância de Nisa, existia um local denominado Cabeço da Forca. Na pequeníssima povoação de Cacheiro, que nunca foi sede de concelho, imediatamente nos indicaram onde se situava o lugar da forca. A cerca de 1500 metros para nascente da povoação, num suave outeiro, ali se teria erguido, quando era preciso, uma forca. Segundo informação recolhida entre os idosos que à soalheira de uma tarde de Primavera se sentavam à porta da igreja de S. Matias, soubemos que noutros tempos, quando o juiz por ali passava e havia criminosos presos, enforcavam-nos no alto do cabeço para que todos vissem. Torna-se estranha esta informação, quando a muito curta distância se situa Nisa, a sede de concelho, e aí se levantava também uma forca. Contudo, com a  presença do topónimo e as afirmações peremptórias dos mais idosos da povoação, deslocámo-nos ao sítio da forca, onde nada foi possível observar que se relacionasse com o monumento.
Pelas informações locais, esta forca seria de madeira. O local possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X - 0611184;Y - 4379709.


Localização da forca de Cabeço da Forca do Cacheiro


Cabeço da Forca


In Jorge Oliveira e Ana Cristina Tomás, As Forcas do Distrito de Portalegre, 140 anos após a abolição da Pena de Morte, Edições Colibri, 2007, ISBN 978-972-772-767-4.

Cortesia de EColibri/JDACT

As Forcas do Distrito de Portalegre. Parte X. «Para a construção desta antena, foi destruída, na face poente e Norte, uma estrutura de alvenaria, de forma quadrangular…»

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Barbacena
«A forca de Barbacena situava-se na margem esquerda da Ribeirinha, a nascente do castelo. O local é hoje um amplo largo junto a oficinas de mecânica. Por informação oral, sabemos que a forca era de madeira. Dela hoje já nada resta.
O local possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X – 0648232; Y – 4314182.


Localização da forca de Barbacena


Local onde se implantava a forca


Belver
A forca de Belver situava-se no topo de um cerro sobranceiro à vila, a norte da ermida da Sra do Pilar. O local foi profundamente afectado pela instalação de uma antena de telefones móveis. Para a construção desta antena, foi destruída, na face poente e Norte, uma estrutura de alvenaria, de forma quadrangular, que poderia ter pertencido ao patíbulo onde se levantaria a forca. Atendendo à quantidade de pedras com argamassas que aí ainda se conservam, é provável que esta forca fosse de pedra e cal.
A forca de Belver possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X – 0589804; Y – 4372601.


Localização da forca de Belver


Vista de Belver e topo do Outeiro da Forca, vendo-se a estrutura destruída


In Jorge Oliveira e Ana Cristina Tomás, As Forcas do Distrito de Portalegre, 140 anos após a abolição da Pena de Morte, Edições Colibri, 2007, ISBN 978-972-772-767-4.

Cortesia de EColibri/JDACT

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português. «Com a descoberta da arte rupestre gravada do Tejo, no início dos anos 70, é posto em evidência um complexo arqueológico pós-paleolítico de nível europeu e o maior do género existente em Portugal. Trabalhos recentes permitiram conhecer de forma aprofundada o povoamento, em sítios elevados, de vasta região da Beira Interior, no final da Idade do Bronze»



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Um olhar diacrónico sobre o território humanizado
«Com o advento da contemporaneidade há uma outra realidade que percorre e irmana todos estes concelhos. São as invasões militares vindas de leste, nos séculos XVIII e XIX. Os exércitos invasores entravam na Idanha deixando rasto de conflitos, pilhagens e destruições por toda a região, onde ainda se ouvem inúmeros relatos, sob a forma de lendas e sítios com história. Chegados à muralha natural constituída pelas serras das Talhadas, do Muradal e dos Álvelos ainda se podem ver fortes e baterias posicionados sobre as zonas de passagem obrigatória na rota para Lisboa. De entre estes merecem destaque as fortificações da Ponte do Alvito, na fronteira entre Proença-a-Nova e Castelo Branco e os de Vila Velha de Ródão, protegendo a passagem do rio na área das Portas.
Os primeiros e mais significativos trabalhos de investigação arqueológica nesta região, globalmente considerada, remontam ao início do século XX e devem-se a Francisco Tavares de Proença Júnior, autor da primeira Carta Arqueológica do Distrito de Castelo Branco que também executou escavação em diversos monumentos e sítios.
Nos meados do século XX merecem destaque os trabalhos que, sob o impulso de Fernando de Almeida, conduziram à revelação da ocupação romana e medieval de Idanha-a-Velha.
Com a descoberta da arte rupestre gravada do Tejo, no início dos anos 70, é posto em evidência um complexo arqueológico pós-paleolítico de nível europeu e o maior do género existente em Portugal. Parcelas embora diminutas desse importante património têm sido divulgadas, em monografias ou sínteses cronológico-culturais, por dois dos investigadores do grupo inicial, António Martinho Baptista e Mário Varela Gomes.
Por essa altura têm início os estudos da ocupação paleolítica dos terraços do Tejo em Vila Velha de Ródão, uma linha de investigação que permaneceu até à actualidade sob a direcção do arqueólogo Luís Raposo, e com resultados de enorme valia científica.
Também, desde o início dos anos 70, diversos arqueólogos integrados na Associação de Estudos do Alto Tejo, nomeadamente Francisco Henriques, João Caninas e João Luís Cardoso, desenvolvem, em toda esta região, projectos permanentes de cartografia arqueológica, homologados pelos institutos de tutela sobre o património arqueológico, e pesquisas mais aprofundadas (escavações arqueológicas) em sepulturas e povoados pré-históricos em Vila Velha de Ródão e Idanha-a-Nova.
Trabalhos recentes desenvolvidos pela arqueóloga Raquel Vilaça, universidade de Coimbra, permitiram conhecer de forma aprofundada o povoamento, em sítios elevados, de vasta região da Beira Interior, no final da Idade do Bronze.
O património arqueológico do concelho de Nisa tem sido objecto de estudo sob a coordenação do arqueólogo Jorge de Oliveira, universidade de Évora no âmbito de projectos de investigação que abrangem uma área mais vasta no distrito de Portalegre». In Jorge Oliveira, Associação de Estudos do Alto Tejo, Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português.


Cortesia de AE do Alto Tejo/JDACT

sábado, 19 de maio de 2012

Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português. «Os mais antigos acampamentos do homem pré-histórico, no Paleolítico Inferior e no Paleolítico Médio, podem ser encontrados nos terraços do Tejo, junto a Vila Velha de Ródão. Na Fonte das Virtudes e na Foz do Enxarrique o Homem de Neandertal deixou fortes marcas da sua presença nesta região»


Gravura antiga das Portas do Ródão
Cortesia de wikipedia

Um olhar diacrónico sobre o território humanizado
«A região da Beira Interior Sul é banhada pelo grande rio peninsular, o Tejo. É um território de contrastes geo-ambientais, onde, para além do grande rio, se inscrevem algumas das mais altas serras do distrito de Castelo Branco, bacias aluvionares, superfícies planálticas e, consequentemente, ecossistemas variados, embora alteradas pelo Homem ao longo de milénios.
Sendo uma zona de trânsito obrigatório entre o Norte e o Sul do território continental e entre o interior da Meseta e o litoral era previsível que o homem que por aqui tivesse passado e se tivesse fixado, desde as épocas mais remotas, de um forma permanente e rica de interacções culturais. A arqueologia deste território e o diversificado património que ainda nele se conserva, embora muito delapidado nos últimos trinta anos, comprovam essa perspectiva.
Os mais antigos acampamentos do homem pré-histórico, no Paleolítico Inferior e no Paleolítico Médio, podem ser encontrados nos terraços do Tejo, junto a Vila Velha de Ródão. Na Fonte das Virtudes e na Foz do Enxarrique o Homem de Neandertal deixou fortes marcas da sua presença nesta região.
Bem perto, para montante e jusante das Portas de Ródão, ao longo de cerca de 40 km de margens do Tejo e seus afluentes, entre os concelhos de Nisa e Vila Velha de Ródão situou-se um dos mais expressivos santuários póspaleolíticos ao ar livre, de toda a Europa. Trata-se de um conjunto de mais de 30 000 figuras, geométrico-simbólicas, representações de homens e de animais, em grande parte submersas pela albufeira de Fratel, ilustrando um pensamento mágico-religioso já muito complexo.

Idanha a Velha

As comunidades responsáveis por essas obras de arte gravadas na pedra enterraram os seus mortos em sepulturas megalíticas (antas e mamoas) de que se conservam algumas centenas principalmente no sul de Idanha-a-Nova, em Proença-a-Nova e em Nisa. Estes monumentos encontram-se entre as mais antigas obras de “arquitectura” conservadas nesta região. Da etapa seguinte da presença humana, durante as Idade do Bronze e do Ferro, conhecem-se principalmente povoados situados em pontos elevados, como o Monte de São Martinho (Castelo Branco), nos picos graníticos da área de Monsanto (Idanha-a-Nova) ou no extremo de cristas quartzíticas como em São Miguel (Nisa) ou no Muradal (Oleiros), locais por excelência de controlo da paisagem e da mobilidade das gentes. Os achados de armas ou jóias metálicas, em bronze, em prata ou ouro, fazem aparição por toda a região, evidenciando a importância dos objectos de prestígio naquelas comunidades.
A região tem a particularidade de se situar em plena nação lusitana, abrangendo os territórios de dois importantes populi, os Igaeditani e os Tapori. E segundo os historiadores clássicos, as bodas de Viriato ter-se-ão realizado algures neste último território, onde viveria Astolpas o seu sogro. Mas, é certamente com a Romanização que ocorre o mais profundo processo de ordenamento deste território e de exploração dos seus recursos naturais, até à exaustão. Na complexa e hierarquizada rede de povoamento que então se estabelece emerge a velha Egitânia (Idanha-a-Nova), importante cidade, sede de civitas cujo esplendor chega até aos tempos medievais e que contém a maior concentração de inscrições da Península. Entretanto muitos outros vestígios, nomeadamente de vilas, se encontram por toda a campina de Idanha e Castelo Branco, e neste último concelho, especialmente no triângulo sagrado situado entre São Martinho, Senhora de Mércoles e Santa Ana.
Por toda a região, constroem-se inúmeras obras de engenharia que sobrevivem, por vezes com uso quase até à actualidade, como pontes, calçadas (como as de Alpedrinha), barragens. Exploram-se as melhores terras de aluvião. Da Idanha-a-Nova a Nisa e a Oleiros exploram-se minerais metálicos, a céu aberto ou em galeria, e ouro de aluvião cuja marca mais impressiva se encontra no vasto Conhal (Nisa) situado a jusante das Portas de Ródão.

Arte rupestre

Com a queda do Império atravessam-se tempos conturbados até à consolidação do Reino de Portugal. Esta será durante muito tempo uma terra de fronteira entre os reinos cristãos e muçulmanos, onde as ordens militares, do Templo, do Hospital e de Cristo, vão dar um contributo definitivo à construção de uma nova realidade cujos símbolos e instrumentos, do novo poder, são os inúmeros castelos da Raia que pontuam locais estratégicos em quase todos os concelhos do sul da Beira.
Com o advento da contemporaneidade há uma outra realidade que percorre e irmana todos estes concelhos. São as invasões militares vindas de leste, nos séculos XVIII e XIX. Os exércitos invasores entravam na Idanha deixando rasto de conflitos, pilhagens e destruições por toda a região, onde ainda se ouvem inúmeros relatos, sob a forma de lendas e sítios com história. Chegados à muralha natural constituída pelas serras das Talhadas, do Muradal e dos Álvelos ainda se podem ver fortes e baterias posicionados sobre as zonas de passagem obrigatória na rota para Lisboa. De entre estes merecem destaque as fortificações da Ponte do Alvito, na fronteira entre Proença-a-Nova e Castelo Branco e os de Vila Velha de Ródão, protegendo a passagem do rio na área das Portas». In Associação de Estudos do Alto Tejo, Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português, PDF.

Cortesia de AE do Alto Tejo/JDACT

sábado, 21 de abril de 2012

A propósito do ‘Livro de Horas dos Olhos D’Água em Marvão. Delmira Maçãs. «De 1913 a 1936 a correspondência entre o fundador do Museu de Etnologia e Etnologia e um dos seus principais colaboradores, António Maçãs, revela-se de extraordinária importância para o conhecimento da pessoa que foi o sábio Leite de Vasconcelos, bem como as actividades arqueológicas nesta região do Alto Alentejo»



Leite de Vasconcelos
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«Foi recentemente posto à venda um trabalho da autoria de Delmira Maçãs. Com o sugestivo título de “Livro de Horas dos Olhos d’Água", dividido em doze tempo de leitura, do Trabalho ao Mito, antecedido pelo Funeral, onde a autora conta, de forma apaixonada, num texto rico de sentimentos ‘o nascer e o morrer (!) do lago dos Olhos de Água’. Mais do que um livro que nos diz das “Horas” do lago e da sua história envolvente e por vezes paralela, é um trabalho composto por doze orações onde o ciclo da vida biológico e poético transparece.
A autora transforma o “lago dos Olhos d’Água” num ser vivo. Delmira Maçãs, que na sua prosa vive o grande amor pelo seu e/ou nosso lago, transporta do branco do papel para o bucólico e fresco espaço que foi os “Olhos de Água”.
Se este livro é o produto dum trabalho intimista, duma luta pessoal pelo seu lago, ele é também uma homenagem a um grande homem, António Maçãs, a quem a História e a Arqueologia tanto devem. Não bastasse o texto literário, a informação etnográfica, a testemunha social e política para conferir a este a importância já reconhecida, transcrevem-se 97 cartas inéditas do arqueólogo Leite de Vasconcelos para António Maçãs, fundamentais para a História da Arqueologia portuguesa.
De 1913 a 1936 a correspondência entre o fundador do Museu de Etnologia e Etnologia e um dos seus principais colaboradores, António Maçãs, revela-se de extraordinária importância para o conhecimento da pessoa que foi o sábio Leite de Vasconcelos, bem como as actividades arqueológicas nesta região do Alto Alentejo.
Deve-se a seu pai a preservação e estudo de grande parte do património arqueológico do concelho de Marvão. Pedindo, comprando, alertando e escavando António Maçãs conseguiu que da cidade romana de Ammaia chegasse até nós um importantíssimo espólio, sem o qual seria impossível conhecer a presença romana nesta região.
[…]
Em trabalho tão completa, pena é que Delmira Maçãs não transcreva integralmente, como o fez em relação à Câmara de Portalegre, as tomadas de posição públicas da Câmara de Marvão sobre o diferendo da exploração de águas na freguesia da Aramenha, que seriam fundamentais para que os vindouros melhor ajuizassem a situação de se criou.
O “Livro de Horas” é uma área de influência como tema de estudo». In Jorge Oliveira, 1991, Delmira Maçãs, Livro de Horas dos Holhos d’Água em Marvão, edição da autora, Lisboa, 1991, Ibn Maruán, Revista Cultural do Concelho de Marvão, Coordenação de Jorge Oliveira, nº 1, 1991.

Cortesia da C. M. de Marvão/JDACT