Mostrar mensagens com a etiqueta Fado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fado. Mostrar todas as mensagens

domingo, 31 de outubro de 2021

No 31. Poesia. Fado. «Amiga amante, amor distante, Lisboa é perto, e não bastante. Amor calado, amor avante…»

jdact

Fado do Campo Grande

«A minha velha casa, por mais que eu sofra e ande
É sempre um golpe de asa, varrendo um Campo Grande
Aqui no meu pais, por mais que a minha ausência doa
É que eu sei que a raiz de mim está em Lisboa

A minha velha casa resiste no meu corpo
E arde como brasa dum corpo nunca morto
À minha velha casa eu regresso à procura
Das origens da ternura, onde o meu ser perdura

Amiga amante, amor distante
Lisboa é perto, e não bastante
Amor calado, amor avante
Que faz do tempo apenas um instante
Amor dorido, amor magoado e que me doí no fado

Amor magoado, amor sentido
Mas jamais cansado
Amor vivido é o amor amado

Um braço é a tristeza, o outro é a saudade
E as minhas mãos abertas são chão da liberdade
A casa a que eu pertenço, viagem para à minha infância
É o espaço em que eu venço e o tempo da distância

E volto à minha casa, porque a esperança resiste
A tudo quanto arrasa um homem que for triste
Lisboa não se cala, e quando fala é minha chama
Meu castelo, minha Alfama, minha pátria, minha cama

Amiga amante, amor distante
Lisboa é perto, e não bastante
Amor calado, amor avante
Que faz do tempo apenas um instante
Amor dorido, amor magoado e que me doí no fado
Amor magoado, amor sentido
Mas jamais cansado
Amor vivido é o amor amado

Ai, Lisboa, como eu quero é por ti que eu desespero»

Poema de António Victorino Almeida

Um Contra o Outro

«Anda
Desliga o cabo
Que liga a vida
A esse jogo
Joga comigo
Um jogo novo
Com duas vidas
Um contra o outro

Já não basta esta luta contra o tempo
Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém
Ao fim ao cabo
Que é dado como um ganho
Vai-se a ver desperdiçámos
Sem nada dar a ninguém

Anda
Faz uma pausa
Encosta o carro
Sai da corrida
Larga essa guerra
Que a tua meta
Está deste lado da tua vida

Muda de nível
Sai do estado invisível
Põe um modo compatível
Com a minha condição
Que a tua vida
É real e repetida
Dá-te mais que o impossível
Se me deres a tua mão

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens

Anda
Mostra o que vales
Tu nesse jogo
Vales tão pouco
Troca de vício
Por outro novo
Que o desafio
É corpo a corpo
Escolhe a arma
A estratégia que não falha
O lado forte da batalha
Põe no máximo poder
Dou-te a vantagem
Tu com tudo
E eu sem nada
Que mesmo assim desarmada
Vou-te ensinar a perder

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens»

Poema de Pedro Silva Martins

Cortesia de wikipedia/JDACT

JDACT, Fado, Poesia, Pedro Silva Martins, António Victorino Almeida,

Poesia. Fado. No 31. «Vou cantando amargurado vou d'um fado a outro fado que fale d'um fado meu meu destino assim cantado…»

 

jdact

Fado Triste

«Ando na vida à procura
D'uma noite menos escura
E que traga luar do céu
D'uma noite menos fria
Em que não sinta agonia
D'um dia a mais que morreu

D'uma noite menos fria
Em que não sinta agonia
D'um dia a mais que morreu

Vou cantando amargurado
Vou d'um fado a outro fado
Que fale d'um fado meu
Meu destino assim cantado
Jamais pode ser mudado
Porque do fado sou eu

Meu destino assim cantado
Jamais pode ser mudado
Porque do fado sou eu

Ser fadista é triste sorte
Que nos faz pensar na morte
E em tudo o que em nós morreu

E andar na vida à procura
D'uma noite menos escura
Que traga luar do céu

E andar na vida à procura
D'uma noite menos escura
Que traga luar do céu

Ando na vida à procura
D'uma noite menos escura
Que traga luar do céu
D'uma noite menos fria
Em que não sinta agonia
D'um dia a mais que morreu»

Poema de Alfredo Marceneiro, in Fado

Sei de um rio

«Sei de um rio
Em que as únicas estrelas
Nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade

Sei de um rio
Sei de um rio
Rio onde a própria mentira
Tem o sabor da verdade
Sei de um rio

Meu amor, dá-me os teus lábios!
Dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede!
Mas o sonho continua

E a minha boca até quando?
Ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio
Sei de um rio

Meu amor, dá-me os teus lábios!
Dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede
Mas o sonho continua
E a minha boca até quando?
Ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio
Sei de um rio

Sei de um rio
Ai!
Até quando?»

Poema de Alain Oulman

Cortesia de wikipedia/JDACT

JDACT, Fado, Poesia, Alain Oulman, Alfredo Marceneiro,

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Poesia. Fado. «De aquele em que se escreve, ai… Lume brando, paz e fogo, é a luz final»

jdact

Fado Alado
«Vou de lisboa a S. Bento
Trago o teu mundo por dentro
No lenço que tu me deste
Vou do Algarve ao Nordeste,
Trago o teu beijo bordado
Sou um Comboio de Fado
Levo um amor encantado
Sou um Comboio de gente.

Sou o chão do Alentejo
De ferro é o meu beijo,
Tão quente como a Liberdade
E se não trago saudade
É porque vives deitado
Num amor que não está parado.
Sou um Comboio de Fado
Sou um Comboio de gente

Não há amor com mais tamanho,
Que este amor por ti eu tenho
Voo de pássaro redondo,
Que não aporta no beiral.não há amor que mais me leve,
De aquele em que se escreve
Ai… Lume brando
Paz e fogo
É a luz final.

[…]

Se for morrer a Coimbra,
Traz-me da luz z penumbra,
do amor que nunca se fez.
Corre-me o sangue de Inês,
Mostra-me um sonho acordado,
Somos um povo alado,
Um povo que vive no fado
A Alma de ser diferente»
Poema de Pedro Abrunhosa
Canta: Ana Moura

Cortesia de Larry Klein/JDACT

terça-feira, 10 de julho de 2018

Poesia. Fado. «O Boavista campeão automóveis sem motor motociclos a vapor se não tem divina mão…»

jdact

E tu gostavas de mim
«Aviões no céu a mil
Banda larga em Arganil
Argonautas, foguetões
Fogos factuos e neutrões
Nitro super combustão
Consta em Santa Comba Dão
Dão-se destas situações
Milagres, aparições
Dão-se outro caso assim
E tu gostavas de mim

Pode um rebento em Belém
Ser filho mas só da mãe
Multiplicação do pão
O Boavista campeão
Automóveis sem motor
Motociclos a vapor
Se não tem divina mão
E acontece tudo em vão
Dava-se outro acaso assim
E tu gostavas de mim.

Lei e ordem no Brasil
Ciberespaço em contumi
Cães em naves espaciais
Microchips em cães normais
Microsondas em Plutão
Dentro da televisão
Situações paranormais
Para nós mais que banais
Não era pedir demais
E tu gostavas de mim».
Poema de Miguel Araújo Jorge
Canta: Ana Moura

Cortesia de Larry Klein/JDACT

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Letras e Composições. Carlos Ramos. Frederico Brito. Francisco Viana. Moniz Pereira. «Valeu a pena ter vivido o que vivi, valeu a pena ter sofrido o que sofri, valeu a pena ter amado quem amei, ter beijado quem beijei»



Cortesia de wikipedia e jdact


Recordações do Passado

«Concordo que se falem da Severa
Pois no seu tempo já era mais que rainha do fado
E entendo, que é bom lembrarmo-nos mais
Desses nomes imortais, dos fadistas do passado

Tecer a glória duma Cesária fadista
E da Maria Vitória, ou duma Júlia Florista
Dum Armandinho, fadistas duma só crença
Marceneiro e Machadinho, Joaquim Campos e Proença

Dos poucos nomes que eu disse
Não devo, mesmo que eu queira
Esquecer a Maria Alice
Nem a Emília Ferreira
E então nesta hora incerta
Lembrar-me a Ercília Costa
Amália, Hermínia e Berta
Das quais tanto o povo gosta

Agora quando os mais novos acordam
São os velhos que recordam como em tempos era o fado
E os de hoje, de vida alegre e louçã
Hão-de chorar amanhã com saudades do passado

Ninguém entende, nessa aparência bizarra
Como é que a gente se prende ás cordas duma guitarra
Ninguém maldiga do fado que nos encanta
Que a vida é uma cantiga que nem toda a gente canta

Mas quando eu já for velhinho
Hei-de entreter-me, bem sei
Ensinando ao meu netinho
Os fados que já cantei
Talvez os velhos lhe apontem
As minhas noites de agrado
Que lhe digam, que lhe contem
Que eu também cantava o fado»
Compositor: Frederico de Brito e Francisco Viana


Valeu a Pena

«Com voz serena
perguntaram-me ao ouvido
Valeu a pena
vir ao mundo e ter nascido?

Com lealdade, vou responder, mas primeiro
Consultei meu travesseiro, sobre a verdade

Tive porém, que lembrar o meu passado
Horas boas do meu fado, e as más também

Valeu a pena
Ter vivido o que vivi
Valeu a pena
Ter sofrido o que sofri
Valeu a pena
Ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei
Valeu a pena

Valeu a pena, ter sonhado o que sonhei
Valeu a pena, ter passado o que passei

Valeu a pena, conhecer, quem conheci
Ter sentido o que senti, valeu a pena

Valeu a pena, ter cantado o que cantei
Ter chorado o que chorei, valeu a pena»
Compositor: Moniz Pereira

Cortesia de Wikipedia

Fado e Saudade. Carlos Ramos. «És o passado Apenas recordação Lume apagado A cinza duma paixão»

Cortesia de wikipedia e jdact

Saudade
«Sabendo que em tua ausência
Prazer algum me conforta
No momento em que saíste
A saudade entrou-me a porta

Andou em volta da casa
Como se ela sua fosse
Chegou pertinho de mim
Puxou um banco e sentou-se

Estavas só e tive pena
Disse-me então a saudade
Vamos esperar por ela
Podes chorar à vontade

E não me larga um momento
Toda a noite e todo o dia
Enquanto tu não voltares
Não quero outra companhia»
Autores: Linhares Barbosa e Carlos Ramos

Gostei de Ti

«A nossa vida
Anda escrita no destino
Vai de vencida
Mandada pelo Deus menino
E se em meu fado
Tu foste o meu desespero
Hoje és passado
Podes crer, já não te quero

Gostei de ti
como ninguém há-de amar-te
O que eu sofri
só de pensar em deixar-te
mas se hoje passo
junto a ti por qualquer rua
Não há um traço de paixão
por culpa tua

Foste a culpada
Desta indiferença de agora
Para mim és nada
Tu que foste tudo outrora

És o passado
Apenas recordação
Lume apagado
A cinza duma paixão»
Poema de Carlos Ramos 
Composição: Guilherme Pereira da Rosa e Jorge Costa Pinto

Cortesia de Wikipedia

sábado, 2 de abril de 2016

Nostalgia na Minha Idade. Poesia. A Voz de Adriano. «Coimbra, a república independente em que a ousadia, a rebeldia e a inventiva… se deram as mãos na luta por uma academia livre…»

jdact

Fado da promessa
«Trago a minha vida presa
às promessas que morreram
naquele adeus derradeiro
que os teus olhos me disseram.

Quando a morte me levar
se eu não tiver mais ninguém
basta que chorem por mim
os olhos de minha mãe».

Trova do amor lusíada
«Meu amor é marinheiro
meu amor mora no mar
meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade.

Meu amor é marinheiro
meu amor mora no mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar.

Meu amor é marinheiro
meu amor mora no mar».

Pensamento
«Meu pensamento
partiu no vento
podem prendê-lo
matá-lo não.

Meu pensamento
quebrou amarras
partiu no vento
deixa guitarras.

Meu pensamento
por onde passas
estátua de vento
em cada praça.

Foi à conquista
do novo mundo
foi vagabundo
contrabandista.

Foi marinheiro
maltês ganhão
foi prisioneiro
mas servo não.

E os reis mandaram
fazer muralhas
tecer as malhas
de negras leis.

Homens morreram
chamas ao vento
por ti morreram
meu pensamento».
Poemas de Manuel Alegre, in ‘Trovas do vento que passa


ISBN 978-989-619-121-7
JDACT

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Poesia no Final do Dia. O Nosso Destino. Fado. «O amor é uma estação perigosa: rosa ocultando o espinho, espinho disfarçado de rosa, a enganosa euforia do vinho. O amor a ninguém serve, e todavia a ele regressamos, dia após dia cegos por seu fulgor; tontos de sede nos damos sem pudor em sua rede»

jdact e wikipedia

Não me dou longe de ti
«Não me dou longe de ti
nem em sonhos eu consigo
ter alguém no meio de nós
só Deus sabe o que pedi
para tu ficares comigo
e ouvires a sua voz.

Só eu sei o que sofri
quando sonhava contigo
e abria os olhos a sós.

Sabes da minha fraqueza
onde a faca tem dois gumes
onde me mato por ti
e da tua natureza
corar-me o peito em ciúmes
e eu finjo que não morri.

Mas é da minha tristeza
esconder no fado os queixumes
e a cantar entristeci.

Á noite voltas de chita
com duas flores no regaço
e tudo o que a Deus pedi
és tão minha, tão bonita
és a primeira que abraço
aquela em que me perdi.

Nem a minha alma acredita,
que me perco no teu passo
não me dou longe de ti.

Assim te quero guardar
como se mais nada houvesse
nem futuro, nem passado
de tanto, tano te amar
pedi a Deus que trouxesse
o teu corpo no meu fado».
Poema de João Monge



Barroco Tropical
«O amor é inútil: luz das estrelas
a ninguém aquece ou ilumina
e se nos chama, a chama delas
logo no céu lasso declina.

O amor é sem préstimo: clarão
na tempestade, depressa se apaga
e é maior depois a escuridão,
noite sem fim, vaga após vaga.

O amor a ninguém serve, e todavia
a ele regressamos, dia após dia
cegos por seu fulgor; tontos de sede
nos damos sem pudor em sua rede.

O amor é uma estação perigosa:
rosa ocultando o espinho,
espinho disfarçado de rosa,
a enganosa euforia do vinho.»
Poema de José Eduardo Agualusa

JDACT

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Poesia. Cuca. Raiz. «Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido que havia de ser o do texto; mas fica sempre uma dúvida, e os sentidos possíveis são muitos»

jdact e pablocorralvega

Fado do Cansaço
«De tanta vida que prendo,
sobram palavras sem ideias,
é uma agitação cá dentro
um emaranhar de teias…
É como um nó na garganta,
que prende a respiração,
poeira que se levanta,
ai, dentro do meu coração.

Sê como o vento…
Liberta! Solta!
Sê como o vento,
a libertar do teu pensamento.
Vê com o olhar…
Liberta! Solta!
Vê com o olhar,
mais profundo, mais singular.

Com toda a essência que prendo,
surgem mais e mais porquês,
é uma agitação cá dentro,
desejo, saudades…, talvez.
Cansaço, sobre cansaço,
sufoco, sombrio,
à beira do meu colapso,
descanso, páro, adio…»
Poema de Cuca Roseta, in ‘Raiz


Fado da Vida
«É no monte escarpado,
que à hora sexta acontece,
morre só por ter amado
por todos abandonado,
fecha os olhos e anoitece.

Deixa o mundo vil bem cedo,
pelo chão é arrastado
soterrado num penedo,
fruto de um estranho medo
que é amar e ser amado.

Três dias de solidão,
na terra reina a maldade
laje movida do chão,
marcas no centro da mão
revelam ser verdade.

Gente incrédula esqueceu,
sua alma assim está ferida,
só tarde se percebeu
que se Cristo se perdeu
foi para se encontrar a vida».
Poema de José Avilez, in ‘Raiz

JDACT

sábado, 14 de março de 2015

Madrugada sem Sono. Vieste do Fim do Mundo. «Os espíritos altamente analíticos vêem quase que só defeitos: quanto mais forte a lente, mais imperfeita se mostra a coisa observada. O detalhe é sempre mau. O nada sobrenatural do espírito…»

jdact e wikipedia

Madrugada sem sono
«Na solidão a esperar-te,
meu amor fora da lei.
Mordi meus lábios sem beijos
tive ciúmes, chorei.

Despedi-me do teu corpo
e por orgulho fugi.
Andei dum corpo a outro corpo
só p’ra me esquecer de ti.

Embriaguei-me, cantei
e busquei estrelas na lama.
Naufraguei meu coração
nas ondas loucas da cama.

Ai abraços frios de raiva.
Ai beijos de nojo e fome.
Ai nomes que murmurei
com a febre do teu nome.

De madrugada sem sono,
sem luz, nem amor, nem lei
mordi os brancos lençóis.
Tive saudades, chorei».
Poema de Goulart Nogueira


Vieste do fim do mundo
«Vieste do fim do mundo
num barco vagabundo.
Vieste como quem
tinha que vir para contar
histórias e verdades
vontades e carinhos
promessas e mentiras de quem
de porto em porto amar se faz.

Vieste de repente
de olhar tão meigo e quente
bebeste a celebrar
a volta tua,
tomaste-me em teus braços
em marinheiros laços
tocaste no meu corpo uma canção
que em vil magia me fez tua.

Subiste para o quarto
de andar tão mole e farto
de beijos e de rum
a noite ardeu
cobri-me em tatuagens
dissolvi-me em viagens
com pólvora e perdões tomaste
o meu navio que agora é teu».
Poema de João Loio

JDACT