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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Um Problema Religioso. Cátaros. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «Outra característica occitânica é o desenvolvimento mercantil. O comércio, que tinha por base os dois grandes centros de Toulouse e Narbonne, era fruto do crescimento da burguesia…»

jdact

«O catarismo é um fenómeno histórico que pode ser observado segundo dois pontos de vista: para uns, é uma religião evangélica, para outros, trata-se de uma clara heresia…»

Lenguadoc. Século XIII. A originalidade Occitânica
«(…) Continuemos a compilar pormenores sobre o tema. Pode-se demonstrar, por exemplo, que o número de escravos que recuperam a liberdade é superior no Languedoc relativamenre a outras zonas de França. (Os estudos compararitos são quase todos entre a França do Norte e o Midi). Belperron, sarcástico, assinala o facto da libertação, como que implícito em razões económicas: se ao rei francês lhe repugnava deixar escapar a mais ínfima parcela de autoridade, no Midi, os senhores, mais liberais, mais imbuídos do direito romano, mas necessitados de dinheiro, aceitavam o resgace dos escravos. A questão que permanece por discutir, é saber se é preferível ser livre, ou ter segurança de poder rrabalhar e desfrutar dos frutos do trabalho. Apesar da sua evidente aversão contra tudo o que lhe cheire a meridional, Belperron é um historiador brilhanre, e agora, sem querer, introduz-nos num aspecto interessante e também original: a conservação do espírito romano na Occitânia. Ele implica um respeito ao direito, como ele mesmo o rnanifesta, que faz dele um eixo corrector da conduta. Quis comparar a máxima real do norte de França, nenhuma terra sem senhor, com a fórmula jurídica utilizada na Occitânia, nenhum senhor sem propriedade. Seguindo este raciocínio, o Norte estaria mais vinculado ao feudalismo, baseado na sujeição do homem ao serviço do senhor que ao mesmo tempo o protegia. A perspectiva meridional, pelo contrário, baseada na legislação romana afirmava os direitos do indivíduo e pretende que tudo se estabeleça na força do contrato.
Este relaxamento dos laços entre senhores e vassalos é também visível entre o senhor e as cidades occitânicas, que formavam comunidades à parte, quase independentes, sobre as quais o soberano imediato, o conde de Toulouse, por exemplo, tinha uma autoridade pouco menos que nula. O que leva muitos historiadores a afirmar que o condado é um estado carente de coesão, onde o poder central tinha sofrido um enfraquecimento e que tinha dificuldade em cumprir as suas funções. De acordo com Labal, na Occitânia, as instituições feudais penetraram mal. Existe uma resistência a fazer-se uso do juramento de vassalagem. No contrato feudal, prefere-se o pacto entre iguais, acordos bilatetais de poder a poder, mais flexíveis. Nas relações entre a Igreja e os senhores occitânicos existe mesmo assim um certo grau de originalidade. Existe nelas, como não poderia deixar de ser um facto direccional..., mais um. No Languedoc leva-se a cabo a primeira tentativa de separação dos dois poderes, seguindo o princípio da reforma da Igreja, postulado por Gregório VII. Mesmo assim, a interpretação foi sui generis: se a reforma queria acabar, por exemplo, com a submissão do clero ao poder senhorial na nomeação de reitores e bispos, o conde de Toulouse começou por afastar do seu Conselho todos os eclesiásticos. Deste modo, produz-se a nível institucional uma separação, uma dissociação, entre senhores e Igreja.
Outra característica occitânica é o desenvolvimento mercantil. O comércio, que tinha por base os dois grandes centros de Toulouse e Narbonne, era fruto do crescimento da burguesia nesse arco meridional. O volume de negócios entre Toulouse e Narbonne é considerável. O corredor do Languedoc, compreendido entre o mar e a bacia do Garona, é uma paisagem cheia de caravanas que se afadigam por entregar o mais depressa possível as matérias-primas que acabam de desembarcar em Narbonne e em Montpellier e que se cruzam com os transportes que farão chegar os odres de vinho e os fardos de tecidos de lã aos barcos ancorados nesses mesmos portos. Por este caminho transitam também outras gentes. Forasteiros que há anos tinham trilhado o camí roumieu, quer dizer, o caminho dos peregrinos, que se dirigem, por um lado, a Roma e, por outro, muito mais concorrido, a Compostela. Com a recém-inaugurada prosperidade, estes peregrinos já não são um par de almas que chegavam à Finisterra; cresceram não só em número, mas também em exigências religiosas e de acolhimento. Toulouse era um grande centro de peregrinação que se esforçava, tanto na cidade, como nos arredores, por edificar igrejas, ermidas e hospitals, ou seja, centros de hospedagem para estes viajantes. A partir do século XI, os peregrinos já começavam a ir a Compostela para visitar o sepulcro de Santiago. Inclusive editou-se um guia, El Camiño de Santiago, que aconselhava os viajantes sobre o melhor caminho a seguir a pureza das fontes locais e os costumes, hospedarias ou albergues, dos lugarejos que encontravam pelo caminho». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1995, ISBN 84-8507-710-8., Origens, Desenvolvimento, Perseguição, Extinção, Editora Pergaminho, 2001, Cascais, ISBN 972-711-297-8.

Cortesia de Pergaminho/JDACT

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Um Problema Religioso. Cátaros. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «… no Languedoc da época havia um espíriro de tolerância, um sentimento muito claro da liberdade individual, um governo de tendência democrática nas cidades...»

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«O catarismo é um fenómeno histórico que pode ser observado segundo dois pontos de vista: para uns, é uma religião evangélica, para outros, trata-se de uma clara heresia…»

Lenguadoc. Século XIII. A originalidade Occitânica
«(…) Para conhecermos bem o que são os trovadores e a poesia trovadoresca, nada melhor que entregarmo-nos nas mãos do melhor estudioso, Martin de Riquer: os poetas que integram a lírica provençal dos séculos XII e XIII denominarn-se trovadores, e a sua actividade literária designa-se com o termo trovar, paralelo do latim invenire que significa encontrar (uma coisa) e criar literariamente; o nome de trovador estendeu-se aos autores de poesias cultas em língua corrente. O trovador compunha o texto poético, e também a música, e era, portanto, simultaneamente músico e poeta. O trovador era um profissional da literatura, quer dizer alguém que vivia da protecção e recompensa que recebia nas diferentes cortes de nobres, ou casas de burgueses que o acolhiam. Mas, junto a estes profissionais da trova, surgem os grandes senhores que cultivavam também a poesia lírica. A longa lista que, como sempre, é liderada por Guilherme Poitiers, está repleta de nomes ilustres: Ricardo, Coração de Leão, bisneto do duque de Aquitânia, uma vez que era filho da nossa conhecida Leonor de Aquitânia, neta de Guilherme; Raimbaut d’Auveng, conde de Orange, o mesmo Folquet de Marselha que começou como rrovador e acabou como arcebispo de Toulouse, para desgraça de Raimundo VI. A Catalunha é o país onde existem mais senhores-trovadores, a começar por Afonso, o Casto, outro rei, Pedro, o Grande, e nobres como Berenguer Palol, Guillelm Berguedà, Huguet Mataplana, exemplos de grandes e pequenos senhores apaixonados pela arte da trova.
Voltando aos profissionais, quando o trovador reunia certos méritos artísticos e ganhava prestígio, adquiria categoria social e ombreava com toda a classe de nobres de ascendência. Não se deve confundir o trovador com um outro profissional: o jogral. Aqui apenas nos interessam os trovadores, porque são uma manifestação original e única desta sociedade occitânica, que com a sua dedicação propiciou, além do mais, o nascimento de qualquer coisa muito especial, viva e também original: o amor cortês. O cavaleiro cortês e a dama cortês são exemplos de pessoas em que se concentram várias qualidades que a sociedade occitânica medieval considera indispensáveis e dignas de serem imitadas: nobreza, galhardia, generosidade, lealdade e elegância. Todos estes atributos se resumem numa palavra, a cortesia. E quando a cortesia se identifica com o amor, nasce o fin d’amor, quer dizer, o amor leal. Este fin d’amor é um jogo galante de tributo à beleza e à nobreza da dama. Criam-se, nesta sociedade meridional, conceitos novos de trato social, de conduta refinada, que são levados à prática e que foram tão originais, tão próprios, que desapareceram completamente com a derrota posterior à Cruzada. A exaltação cortês da dama permanecerá, apesar de tudo, para lá dos tempos e dos círculos literários, até ao ponto dos cistercienses chamarem à virgem Maria Notre Dame, numa excelsa versão do fin d’amor que se conservou até aos nossos dias.
Ainda que influenciada pelo mundo medieval, a canção trovadoresca supera-o, e com a ajuda que proporciona ao nascimento desta nova sociedade distancia-se desta esrritâ hierarquia feudal. Quando Afonso, o Casto, competia poeticamente com o trovador limusino Girault Bornelh, de linhagem humilde, abre uma fissura por onde entra uma nova convivência e antecipa o que pode haver de verdade na transformação desta sociedade occitânica, em que acreditam muitos estudiosos actuais: um certo conceito democrático. Fernand Niet comenta: … no Languedoc da época havia um espíriro de tolerância, um sentimento muito claro da liberdade individual, um governo de tendência democrática nas cidades...» In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1995, ISBN 84-8507-710-8., Origens, Desenvolvimento, Perseguição, Extinção, Editora Pergaminho, 2001, Cascais, ISBN 972-711-297-8.

Cortesia de Pergaminho/JDACT

sábado, 11 de julho de 2015

Um Problema Religioso. Cátaros. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «A força viva da expressão literária, que eram os trovadores, foi diminuindo até desaparecer completamente, quando estes se calaram. O decorrer dos anos…»

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«O catarismo é um fenómeno histórico que pode ser observado segundo dois pontos de vista: para uns, é uma religião evangélica, para outros, trata-se de uma clara heresia…»

Lenguadoc. Século XIII. A originalidade Occitânica
«(…) Falou-se amplamente desta nova civilização, desta vida brilhante, numa palavra, do modo de vida diferente que se manifestava nesta parte da Occitânia, e que se pode muito bem balizar no território compreendido desde o Languedoc até à Provença, de Toulouse a Marselha. Nos termos actuais, chamá-la-íamos a singularidade occitânica. Há no entanto, uma parte da Aquitânia a que corresponde, por direito de honra, fazer parte deste novo sentimento, ou forma de entender a vida. Referimo-nos à corte radicada em Peitieu, Poitiers, regida por aquele extraordinário personagem que foi Gilhem de Peitieu, Guilherme de Poitiers, duque da Aquitânia, considerado por todos como o primeiro trovador de que há notícia. É bastante significativo que seja precisamente um grande senhor que abra a galeria dos trovadores, uma forma evidente de literatura, cujo cultivo irmana pessoas de diferentes condições. E dispostos a elaborar um caderno de especificações singulares, recordemos o caso, se não único, pelo menos bastante excepcional, de que um território tome o nome da língua que nele se fala. A força e a singularidade de uma língua dão nome a um país e não o inverso, como costuma ocorrer.
Manuel de Montoliu descreve-nos nos seus estudos o alto nível da língua e da cultura occitânica, também denominada, segundo as épocas, as correntes literárias, etc., limusino, provençal... De qualquer forma, preferimos que seja um occitânico, Peire Bec, quem nos explique: o occitânico medieval foi uma grande língua civilizadora: expressão de uma comunidade humana original e suporte de uma cultura que ensina o mundo. Desde o século XI ao XIII o occitânico é realmente a língua tipo da poesia lírica. Todos os estudiosos são unânimes em reconhecer este primeiro passo literário e avançado da lírica occitânica, que se fica a dever ao trabalho dos trovadores. Mas que uma lingan chegue a ser pioneira no terreno literário, significa também que é uma língua bem construída, elaborada desde o princípio, que tem uma base forte e rica. Podemos confirmar esta dedução: a língua dos trovadores não é um ponto de partida nem o resultado de uma mudança brusca; nem o próprio duque de Aquitânia surge por geração espontânea; pode ser, em todo o caso, o primeiro resultado conhecido de uma longa evolução, tanto linguíscica, como social e cultural: os primeiros passos, sem sombra de dúvida, deram-se muito antes.
Dispomos de outras referências que nos permitem compreender a força desta língua veicular, que substituiu o latim, primeiro na sua vertente oral e, de forma mais pausada, na escrita: possuímos um grande número de escrituras, de estudos de costumes, de actas notariais diversas. Registos de funcionários municipais, de procedimentos, de deliberações locais, etc., mostram-nos que a ponta do iceberg trovadoresco assentava sobre uma cultura linguística, falada e escrita, absolutamente normalizada e desenvolvida. Muito mais por certo, globalmente, que a dos franceses do Norte. Outro aspecto de interesse são as gramáticas que aparecem também nesse período contemporâneo da Ctuzada e que acabam por apurar a língua, no seu todo.
Depois do ano de 1244, o ano da queda e do desastre de Montségur, a decadência da língua occitânica é irremediável. A força viva da expressão literária, que eram os trovadores, foi diminuindo até desaparecer completamente, quando estes se calaram. O decorrer dos anos e o nivelamento levado a cabo pela passagem dos franceses fizerum o resto: o enfraquecimento de uma língua que teria de esperar até ao século XIX para ser descoberta. A corte de Toulouse do século XII, centro de atracção literária, onde os trovadores catalães e italianos, além dos occitânicos, recebiam e davam o melhor do seu gai saber, emudeceria também. O esteio identificador de um povo e de uma cultura iria, pouco a pouco, mas a um ritmo implacável e firme, desaparecendo. E assim se feria de morte uma língua que, segundo parece, Dante pensava empregar para escrever A Divina Comédia. Depois da língua, vamo-nos centrar agora no trovador, um elemento, em si mesmo, original e característico desse novo modo de relacionar-se que caracterizou aquelas terras meridionais». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1995, ISBN 84-8507-710-8., Origens, Desenvolvimento, Perseguição, Extinção, Editora Pergaminho, 2001, Cascais, ISBN 972-711-297-8.

Cortesia de Pergaminho/JDACT

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Um Problema Religioso. Cátaros. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «O jogo manipulado pela lgreja, ainda que motivado por razões religiosas, é raivosamente polírico até à evidência. Inocêncio III, a partir de Roma…»

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«O catarismo é um fenómeno histórico que pode ser observado segundo dois pontos de vista: para uns, é uma religião evangélica, para outros, trata-se de uma clara heresia…»

Lenguadoc. Século XIII
As Forças Políticas
«(…) Seja como for, Pedro achou-se no centro do furacão. E esforçou-se muito para se esquivar da tragédia que, em nossa opinião, veio a abater-se sobre ele. Ele era, de facto, mais talhado para batalhas contra inimigos a cavalo que contra imprecisos hereges. Apesar das polémicas e das discussões não serem o seu forte, foi muitas vezes chamado ao Languedoc para falar com uns e outros, e todos ao mesmo tempo, e tentar fazê-los entrar na razão. Convenhamos que o papel de Pedro I não era fácil: por um lado, parecia-lhe indiscutível que o Languedoc formava parte do território natural da expansão catalã-aragonesa. Contar com Raimundo VI como aliado era uma perspectiva difícil, mas não impossível, como se verificará nas horas mais negras da Cruzada. Os Trencavel eram aliados incondicionais do rei católico: bastava só esperar por um momento oportuno, talvez um casamento?, para que passassem de vassalos a simples súbditos territoriais da Coroa.
O mesmo é dizer que, falando em termos medievais, terras e homens podiam chegar a depender de Pedro I, sempre e quando, naturalmente, este se pusesse a seu lado. Por outro lado, havia a heresia cátara, instalada, clara e crescente. E a atitude irredutível de Inocêncio III, o mesmo papa que o tinha coroado. O problema de Pedro I era o mesmo de Raimundo VI, com todas as matizes e gradações de diferença particulares, mas idêntico no essencial. A Coroa de Aragão, igual à do rei de França, era um estado jovem, como os seus reis, com brio, a que tudo sorria. O território tinha crescido e os cavaleiros das quatro barras eram respeitados e temidos em todo o horizonte medieval: são os anos dourados de conquista, ou reconquista, de criatividade, que naquele momento se definia pelo sistema militar e político.
Traçámos um esboço das forças políticas que vão estar presentes na Cruzada, muitas das quais se viram envolvidas nela contra as suas próprias intenções e vontade. Existe, apesar de tudo, uma força política da qual não dissemos nada: a Igreja Católica. O jogo manipulado pela lgreja, ainda que motivado por razões religiosas, é raivosamente polírico até à evidência. Inocêncio III, a partir de Roma, decide solucionar um problema de primazia religiosa, por meio de manobras políticas e tropas militares. Contudo, a Igreja está a defender qualquer coisa muito grave naquele começo do século XIII: o ser ou não ser da sua hegemonia religiosa, bastante afectada pelo Islão. A eclosão e o desenvolvimento do catarismo tinham alcançado uma difusão e penetração extremamente perigosas no seio do Languedoc católico. Na Lombardia e no Império Germânico, também se tinha enraizado de maneira mais grave a heresia, que se propagava em ambas as vertentes da Catalunha pirenaica, na França do norte e na Provença, ainda que com menor intensidade. O catarismo estava, enfim, presente em todos os lados.
É o momento único para a Igreja, uma conjuntura de proeminência ou retrocesso, com muitos elementos à mistura. Com o objectivo de definir a situação política do momento, seguindo o pensamento de Riu, permitam-nos adiantar que, poucos anos depois do início daCruzada (1209), produzem-se três factos históricos que fixam, quase definitivamente, o desenho do mosaico da Europa moderna. Somente três anos depois, no ano de 1212, ocorre a batalha de Navas de Tolosa, onde a coligação católica hispânica determinou com a sua vitória o fim do predomínio árabe na península. Um ano depois (1213) vírá Muret. Este representou, apesar de tudo, um forte travão às aspirações da Coroa de Aragão de se expandir até ao norte, e colocou todas as cartas nas mãos dos reis de França, que souberam jogá-las muito bem no momento oportuno, consolidando assim a sua fronteira meridional. Não tinha decorrido mais de um ano (1214) quando, em Bouvines, os franceses configuraram pelo norte e pelo este os seus limites, quase os mesmos da actualidade. 1212, 1213, 1214, três anos em que, enquanto a Cruzada seguia o seu curso, a História ia definindo o futuro político desta Europa Ocidental». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1995, ISBN 84-8507-710-8., Origens, Desenvolvimento, Perseguição, Extinção, Editora Pergaminho, 2001, Cascais, ISBN 972-711-297-8.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um Problema Religioso. Cátaros. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «Talvez tenha sido Raimundo d’Abadal quem, com o seu estilo seco mas directo, acabou com esta visão, por um lado típica dos grandes historiadores da nossa Renaixença (Renascença Catalã). A sua opinião é contundente»

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Lenguadoc. Século XIII
As Forças Políticas
«(…) Filipe Augusto é o primeiro rei da nova França que pode respirar com relativa tranquilidade. Por agora, os seus principais problemas continuam centrados no norte de França, e os sucessos da heresia não lhe tiram o sono. Em Maio de 1204, o papa Inocêncio III, memorável redactor de cartas, escreve-lhe uma onde lhe faz notar o terrível estado da terra occitânica e, depois de lhe expressar a pouca confiança que lhe merecem os senhores do país, pede-lhe que actue com a responsabilidade de rei de França. Filipe respondeu-lhe com evasivas e o papa voltaria à carga muitas vezes, a mais significativa delas no ano de 1207, quando nem sequer a tarefa pacificadora de Domingos de Gusmão tinha obtido resultado. A resposta será sempre a mesma: desculpas amáveis, preocupação por não poder estar ao lado do seu amantíssimo Pai, mas vontade manifesta de não entrar em cruzadas. Inclusive no momento crucial, quando se deu a morte do legado papal, Pere Castellnou, e Inocêncio, nourra carta, lhe explica todos os detalhes do assassinato, confiante de que nesta ocasião sim, responderia moralmente à petição papal de ocupar militarmente o Languedoc, Filipe II não reage. A oferta de Inocêncio III não era, contudo, frívola: Não hesites em fazer sentir ao conde de Toulouse o peso da força real, apoderando-vos das terras que ocupa.
Apesar desta sibilina oferta, o rei francês não se deixa convencer. A sua resposta tende mais a invalidar a tese principal de Inocêncio III, pondo em dúvida a condição de herege de Raimundo VI: Vós não podeis despojar Raimundo das suas possessões pela força das armas, senão depois de o ter processado e de o ter condenado por herege. O papa, desesperado, pede-lhe que ao menos envie o seu filho, o príncipe Luís. A resposta será igualmente negativa e, como recurso, consentirá aos barões do seu reino que assim o desejem responder ao apelo papal. Mais adiante, a atitude dos sucessores de Filipe Augusto será já mais clara e decidida, mais activa, aproveitando com uma pequena conquista o trabalho feito por outros, como uma deliciosa oferenda caída do céu. Esta realidade não pode fazer-nos ignorar, contudo, o facto de que, no momento em que se decide dar início à Cruzada, a atitude do rei francês estar longe da concretização do passo definitivo, de maneira franca ou nos bastidores, destinado a fazer da guerra contra os cátaros, o primeiro movimento francês de anexação do Languedoc. Filipe II já tinha dores de cabeça que lhe chegassem!
Falta-nos definir a situação da Coroa de Aragão no tempo em que se inicia a Cruzada. O dirigente dos catalães e aragoneses é Pedro I, chamado o Católico. Pedro I é uma figura muito bem estudada pela historiografia, e de quem parece sabermos tudo. Apesar disso, a sua figura é controversa, entre historiadores amigos e inimigos. Provavelmente, o interesse pela figura do rei católico é suscitado pelos acontecimentos em que se viu comprometido, e o acontecimento chave é precisamente a sua intervenção no conflito cátaro e o desastre de Muret. À partida, deve dizer-se que Pedro I é uma espécie de relâmpago na história, se bem que um relâmpago vibrante, arrojado e temerário, aimador de fembres (mulherengo), como dirá, mais tarde, o seu filho Jaime. Tudo isto rematado por uma morte, senão heróica, pelo menos digna de um cavaleiro e que, só por si, foi o passaporte para a posteridade romântica, literária e histórica. Talvez o adjectivo que melhor define o rei Pedro seja o romântico, com um salto anacrónico dificil de perdoar, mas que define em toda a sua extensão a dimensão do personagem. A auréola que o envolveu foi tão brilhante que ofuscou as suas carências, que foram, desgraçadamente, tão consistentes como os seus atributos. Talvez tenha sido Raimundo d’Abadal quem, com o seu estilo seco mas directo, acabou com esta visão, por um lado típica dos grandes historiadores da nossa Renaixença (Renascença Catalã). A sua opinião é contundente. Referindo-se ao pai de Pedro, Afonso, o Casto, diz: parece impossível que Afonso possa ter sido o pai daquele arrebatado, inconsciente e funesto Pedro o Católico». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1995, ISBN 84-8507-710-8., Origens, Desenvolvimento, Perseguição, Extinção, Editora Pergaminho, 2001, Cascais, ISBN 972-711-297-8.

Cortesia de Pergaminho/JDACT

terça-feira, 25 de junho de 2013

Um Problema Religioso. Cátaros. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «De las tres famosas damas, sin duda la más comprometida con el catarismo fue “Esclaramunda”, (…) recibiendo el ‘consolamentum’, pasó a ser ‘perfecta’. “Esclaramunda” se convirtió en un mito para los historiadores del Lenguadoc, ‘la Dama de las cortes de Amor, la inspiradora de los trovadores’, “la Bella”»

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Lenguadoc. Século XIII
As Forças Políticas
«(…) Unavez más se destaca la convivencia que existía entre señor y caballeros, al mismo tiempo que se señala de forma clara la otra convivencia: la de caballeros y cátaros. Está demostrado, ya fuera por la juventud de Ramón-Roger, cuando se inicia la Cruzada tenía sólo veinticuatro años, o por el aire democrático que impregnaba el país, que Guilhem de Puylaurens, cronista de los cruzados, tiene más razón que un santo al afirmar que durante los años que precedieron a la Cruzada, nada había obstaculizado la propagación de la herejía. Muy distinto era el ambiente que reinaba en Narbona y su reducido vizcondado. El vizcondado de Narbona compartia el dominio de dos señores: el vizconde y el obispo. Pero mientras el pequeño territorio confería escasa importancia al señor civil, el representante religioso tenía gran categoría, ya que Narbona era la sede del arzobispado del Lenguadoc, con amplios poderes de jurisdicción eclesiástica sobre territorios de su entorno. En tiempos de la Cruzada, el poder civil estaba en manos de los Lara y concretamente en las de Aimeric de Lara, que lo había heredado de su tía Ermengarda de Narbona. El otro señor, el eclesiástico, era un personaje sumamente interesante. Se trata de Berenguer, hijo natural de Ramón BerenguerIV, el que cristalizó la unión de Cataluña y Aragón. Es, por lo tanto, hermanastro de Alfonso el Casto y, en cierta medida, tío de Pedro I. La carrera de los hijos naturales reales era, en muchos casos, la carrera eclesiástica, y en este caso se puede decir que a Berenguer le sonrió la fornrna en ella Después de pasar por diferentes dignidades menores accede al cargo de obispo de Lérida y de allí es catapulado a la sede territorial de Narbona, de la cual es arzobispo desde el año 1191.
Berenguer, que debió de tener muchas virtudes religiosas, se hizo notar, sin embargo, por sus inclinaciones humanas, y destacó sobremanera por su ambición de lucro. Existe una carta muy clara, como todas las de Inocencio III, en la que retrata a su representante: Pero la causa de todos los males [del Lenguadoc] reside en el arzobispo de Narbona: es un hombre que no conoce más Dios que el dinero; en el lugar del corazón tiene un portamonedas. Al cabo de diez años [...] no ha visitado ni una sola vez  su diócesis [...]. Cuando una iglesia queda vacante se abstiene de nombrar titular y así se aprovecha de las rentas. En su diócesis monjes y canónigos rechazan el hábito, conviven con mujeres, practican la usura....
Que a Berenguer le gustaba el dinero es cosa cierta. Siempre tuvo mucho interés en continuar rigiendo otras instituciones que nada tenían que ver con Narbona. De este modo, a pesar de la gran distancia a que quedaba de su arzobispado, Berenguer continuó siendo abad de Montearagón, un monasterio de monjes regulares, en Huesca. Era un monasterio muy rico, al cual Berenguer viajaba a menudo y en el que pasaba temporadas dedicado al recuento de caudales. Si bien Berenguer sucumbia al pecado de la avaricia, el tratamento que daba a los problemas de la fe era muy distinto, especialmente en lo relativo a la herejía. El vizconde Aimeric, por su parte, trataba de seguir las pautas ortodoxas de sus admirados franceses del norte. De este modo, uno y otro lograron que en la ciudad y en su territorio apenas tomara alas la herejía.
Observemos lo que sucedía en el otro extremo, pasando del pequeño vizcondado de Narbona al escasamente más extenso condado de Foix. Dado que los Foix eran originarios de Carcasona, todo quedaba en casa. En tiempos de la Cruzada reinaba aquí el conde Ramón Roger, y todo el mundo está de acuerdo en afirmar que no sólo las gentes del país, sino los mismos condes eran, más o menos, cátaros. Tanto Ramón-Roger como su hijo Roger Bernart, que lo sucedió durante la Cruzada, negaron, sin embargo, de forma absoluta y enérgica este supuesto. Al igual que los señores de Tolosa y al igual que los Tiencavel, se opusieron a las fuerzas de la Cruzada y es bien sabido que la fortuna no les fue favorable. Tãmbién es verdad que el calificativo de herejes que se dio a los condes de Foix es una cuestión de mujeres, en el buen sentido de la palabra. Es cierto y real que hay tres mujeres, como mínimo, que giran en torno de los Foix y que eran cátaras de manera declarada.
  • La primera, Felipa de Foix, esposa de Ramón Roger y madre de Roger Bernart; 
  • La segunda, Esclaramunda de Foix, hermana y tía respectivamente de los condes; 
  • y la última, Ermesenda de Castellbò, la mujer catalana de Roger Bernart.
Estas tres damas, de una importancia indiscutible en la pequefla corte pirenaica, son cátaras convencidas, y así lo admiten en sus escritos de descargo sus maridos y hermano. Ramón Roger afirma, por ejemplo, en referencia a su hermana Esclaramunda, el año 1215: si mi hermana ha estado mal aconsejada y ha sido pecadora, como es cierto, yo no debo, por sus pecados, arruinarme. Bastantes años después, concretamente en 1241, delante de los inquisidores, Roger Bernart no deja muy bien parada a Ermesenda. En el sumario inquisidor se puede leer lo siguiente: Roger Bernart dice no haber visto a la condesa, su esposa, después de que ella se volviera herética y que desde entonces él no le dio nunca nada más, fuera lo que fuese... De las tres famosas damas, sin duda la más comprometida con el catarismo fue Esclaramunda, que al enviudar de su marido, justo a finales del siglo XII, se hizo cristiana y, recibiendo el consolamentum, pasó a ser perfecta. Esclaramunda se convirtió en un mito para los historiadores del Lenguadoc, la personificación de la Dama de las cortes de Amor, la inspiradora de los trovadores, la Bella.
Ya sólo nos resta  presentar a los dos reinos externos al Lenguadoc, atentos, empero, a lo que en él sucedía. En tiempos de la Cruzada, Felipe Augusto era el rey de Francia. El año 1180 moría su padre Luis VII, llamado el Joven, que había estado casado con aquella figura novelesca, digna de Walter Scott, que fue Eleanor de Aquitania, una dama de la Occitania occidental, amiga de trovadores y poetas... y coleccionista de amantes regios. A Felipe II se le denominó el Augusto porque incrementó el magro territorio capeto, primero a costa de Normandia y después.con la conquista del ducado de Bretaña. La Batalla de Bouvines, librada en los momentos más álgidos de la Cruzada, aseguró la consolidación del Reino de Francia, a la vez que frenaba cualquier tentación que pudiera tener el Imperio Germánico, en el otro lado de Europa. Felipe Augusto es el primer rey de la nueva Francia que puede respirar con cierta tranquilidad». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

Cortesia de Península/JDACT

Cátaros. Um Problema Religioso. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «Guillermo de Tudela expresa los problemas del joven vizconde diciendo: en razón de su tierna edad se familiarízaba con todas las gentes de su país; ellos jugaban con él como si fuera uno más. También es verdad que todos sus caballeros daban asilo a los heréticos en su castillo»

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Lenguadoc. Século XIII
As Forças Políticas
«(…) Ramón VI sucede a su padre el año 1194 toma las riendas de un estado que había conseguido la máxima extensión de territorio de toda su historia, con una sensación de potencia equiparable a la de sus poderosos vecinos del norte y del sur. De creer a los cronistas, Ramón VI era un príncipe inteligente, brillante, bueno, sensato, pero versátil y débil. Amigo de las artes y las letras, en su corte se reúnen los mejores trovadores de su tiempo. Realiza contratos matrimoniales, según el grado de su fantasia e interés. Se divierte viendo discutir a monjes católicos y ministros cátaros. En lo tocante a Ramón VI existen opiniones para todos los gustos. Pierre des Vaux-de-Cernay, el despiadado cronista de la Cruzada manifiesta otra, nada sorprendente:
  • Ramón VI es un miembro del Diablo, hijo de la perdición, criminal inveterado, cajón repleto de pecados... El mismo Inocencio III prescinde de la caridad cristiana cuando le escribe, en mayo de 1207, e inicia con actitud francamente afectuosa la carta. Tirano impío y cruel, hombre pestilente e insensato.
Veamos la otra cara, contemporánea, de la medalla. El cronista y poeta Guillermo de Tudela, autor de la Cansó,o Cantar, de la Cruzada, nos da a conocer la estimación del pueblo de Tolosa, al explicarnos cómo recibieron los ciudadanos a su conde en noviembre de 1217, unos meses después del sitio de Beaucaire, que constituyó la primera derrota de los cmzados desde el inicio de la Cruzada:

Y cuando el conde entra por los soportales
todo el pueblo acude, mayores y niños,
los barones y las damas, las mujeres y maridos
se arrodillan ante él, besando sus vestidos
y sus pies, piernas, brazos, manos y dedos.

A la muerte de su padre, Ramón tiene ya treinta y ocho años y es, por lo tanto, un hombre maduro, sobre todo si se toma en cuenta la época. De una indiscutible ascendencia católica, nieto de Alfonso-Jordán y biznieto de Ramón IV cuesta creer que estuviera afectado por la herejía câtara. Se casó cinco veces, actitud que le reprochan los historiadores enemigos que, naturalmente, todavía ven con malos ojos las dos ocasiones en que repudió a sus esposas, Beatrizy la hija del rey de Chipre. Ramón VI aparece como un príncipe que se mueve de forma dubitativa, confusa, en dos direcciones: por un lado quiere vivir en el seno de la Iglesia y, no romper ningun vínculo importante con ella. Cuando examinemos los acontecimientos de la Cruzada veremos las múltiples oportunidades en que acata imposiciones, afronta castigos infamantes, invocando contra viento y marea su fe católica. Por otro lado él vive entre los suyos, en medio de nobles y burgueses, cerca del pueblo llano, todos ellos muy influidos por la herejía, y es tolerante para ser coherente con la sociedad de ese Lenguadoc, el cual Ramón amaba hondamente. Esa sociedad que a decir de Vicaire, el mejor historiador de santo Domingo, es de una dulzura y de una facilidad en el vivir que resultan poco menos que únicas en la época, en toda Europa.
Esta especie de contradicción profunda entre las dos convicciones, la de sus creencias religiosas y la de sus creencias vitales, será el gran drama de Ramón VI y será a un tiempo el gran drama de su país, que comulgaba, punto por punto, con los mismos sentimientos de su conde. Esa contradicción fue, también, la causa de la irritación de Inocencio III y por lo tanto uno de los motivos de la convocatoria de la Cruzada. A Ramón VI se le reprocha que no puede ni se atreve a hacer nada en contra del abandono de la fe por parte de muchos de sus amigos y fieles. Su hijo Ramón VII será mucho más claro: dirâ que voluntariamente no quiere hacer nada. En este último, la cerrazón es fruto de la amargura y de la derrota, de íntima rebelión contra los otros, trátese de señores franceses o de la lglesia. En la actitud del padre no alcanzamos a ver, empero, razones secretas o heréticas que sostengan su conducta contradictoria, de duda y de tibieza.
La verdad es que en vísperas de La Cruzada, el Papa Inocencio III, su gran protagonista, está convencido de que no puede contar con Ramón VI. Y los obispos del Lenguadoc serán los primeros en atizar la malevolencia contra el conde de Tolosa, hasta el punto de manifestar que la Iglesia no podrá tener tranquilidad mientras este hombre infamante disponga del condado de Tolosa.
Al lado justo del condado de Tolosa y no siempre al lado de Ramón VI, encontramos la dinastía de los Trencavel. Ramones yTrencavel estaban vinculados por lazos familiares y de amistad, si bien estos resultaban excesivamente quebradizos. El mismo año en que moría Ramón V y tomaba las riendas del condado su hijo Ramón, también fallecía el vízconde Roger II, que estaba casado con la hermana de Ramón VI. Ramón-Roger, su hijo, heredó el vizcondado a los nueve años. Tres años más tarde moría su madre Adelaida de Tolosa y al adolescente se le asignó como tutor Bertrán de Saissac, de acuerdo con los deseos testamentarios de su padre, Roger II. El caso es que Saissac hedía a cátaro por todos los poros, según afirmación de los cronistas cruzados. La consecuencia es clara: si Saissac fue elegido como mentor de Ramón-Roger, los Tiencavel también están afectados.
Naturalmente, también hay quien dice que el vizconde de Albí, Carcasona y Béziers permaneció fiel a la Iglesia, al margen de quién fuera su tutor. Así 1o afirma el otro cronista, Guillermo de Tudela, haciéndose eco del testimonio de muchos clérigos y muchos canónigos que viven en los claustros. La situación de Ramón-Roger era similar a la de su tío Ramón, pero con la diferencia de que el país del vizconde estaba mucho más penetrado por el catarismo, sobre todo entre la pequeña nobleza y las clases acomodadas. El pueblo llano, sin apenas distinciones en un dominio u otro, da la impresión de haber escogido ya el catarismo como alternativa. Guillermo de Tudela expresa los problemas del joven vizconde diciendo: en razón de su tierna edad se familiarízaba con todas las gentes de su país; ellos jugaban con él como si fuera uno más. También es verdad que todos sus caballeros daban asilo a los heréticos en su castillo».

In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

Cortesia de Península/JDACT

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cátaros. Um Problema Religioso. Um Pretexto Político. Jesus Mestre Godes. «… su regreso a Tolosa, los ciudadanos de la ciudad eligen cónsul a “Mauran”. Ramón V nunca llegó a tomar conciencia del alcance y la importancia del catarismo, que desbordaría más tarde a su hijo»

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Lenguadoc. Século XIII
As Forças Políticas
«(…) En el Lenguadoc mandaban señores también católicos, de linaje veterano en las cruzadas a Tierra Santa, amigos y vasallos, emparentados con el rey catalán. Hacia el sur, había tierra cristiana en manos de infieles, comunidades enteras que solicitaban con insistencia, según las peticiones papales, que los príncipes cristianos las liberasen del Islam. Esta última opción ponía espuelas al rey catalán, que junto con la coronación de manos del mismo papa Inocencio III, el año 1204 había recibido en Roma el sobrenombre de Católico, el cual, aun a pesar de los problemas posteriores, había de sobrevivirle en la Historia.
El otro reino situado fuera del Lenguadoc era el del linaje de los Capetos de la Francia del norte. A ellos también les atraían las tierras del Mediodía y podían aducir, además, razones jurídicas, puesto que se consideraban herederos legítimos de Carlomagno y de un modo difuso pensaban que los señores del Midi, los sucesores de la Marca Gótica, continuaban siendo feudatarios de los herederos del Imperio Carolingio. A despecho de esta realidad que podríamos calificar de legal, a raíz del hundimiento del Imperio el sentimiento de vasallaje de los señores del Lenguadoc se había moderado, ya que, como en todas partes, el país había quedado disgregado en infinitos señoríos y el feudo pasaba a ser servitud histórica, pura teoría que sólo salía a la superficie en los momentos en que, a franceses o lenguadocianos, les interesaba sacar algún partido de ella. Aunque el papel fuera mojado, siempre existía, con todo, la posibilidad de presentarlo. Los Capetos tenían la mirada puesta en esa tierra occitana que, por otra parte, les aseguraria el acceso al Mediterráneo en unos momentos en que, bueno es recordarlo, estaba despertando el comercio y los puertos de Montpellier y Narbona podían ser piezas claves de salida para los productos que se mercadeaban en las ferias del norte.
El Lenguadoc tenía, pues, señores propios pero también mantenían actitud alerta otros señores poderosos. Nunca se llevó a cabo nada que, considerado en conjunto o en detalle, pudiera parecer una guerra de conquista, franca y declarada, pero muchos de los pasos que se efectuaron, antes y durante la Cruzada, fueron suficientemente explícitos. Si no se había producido un enfrentamiento abierto era a causa de las actividades bélicas en que estaban inmersas tanto Francia como Cataluña, las cuales hacían que se pospusiera cualquier decisión de intento de ocupación para un impreciso futuro, cuando se hubiera agotado la lucha contra los moros, por parte de la Corona de Aragón, y para cuando Normandia y Aquitania estuvieran ya incorporadas a Francia, por otra.
Quien dominaba el Lenguadoc era la dinastía de los Ramón, que, en el momento de la Cruzada, estaba representada por Ramón VI. Parece ser que esta dinastía raimundiana arrancaba de un conde carolingio de Limoges que Carlomagno había instalado en Tolosa y que de administrador regional del Imperio había pasado a señor feudal. Los Ramón de Tolosa irán adquiriendo dominio sobre los otros señores del Lenguadoc, consolidando su linaje, ampliando territorio y creciendo en prestigio y poder. Serán también católicos de casta, detalle este que no es ocioso dejar sentado de entrada, dados los problemas heréticos que aparecerán y que recaerán sobre la persona de Ramón VI primero, y luego en su hijo. Para confirmar las raíces profundamente cristianas de los Ramón, baste recordar que el primer príncipe que suscribió la idea de ir a Tierra Santa fue precisamente Ramón IV, al que ya por entonces llamaban el rey sin corona del Midi.
Es cierto: las palabras que sirvieron de enseña a los participantes de las primeras cruzadas, aquellas de Dios lo quiere, fueron pronunciadas por Adhemar de Montelh, obispo de Le Puy y legado personal del conde de Tolosa. Ramón IV consecuente con sus deseos, fue a Tierra Santa y ya no quiso volver a Tolosa. Dijo que quería combatir hasta la muerte a los enemigos de Cristo y así lo hizo: el 20 de Febrero de 1105, Ramón de Saint-Gilles, conde de Tolosa, moría en Trípoli. Su primogénito, Bertrán, abandonó también el condado para proseguir el combate contra los infieles y tampoco regresó. Su hermano, Alfonso-Jordán, cuyo nombre no podría ser más explícito, partirá más tarde hacia la Cruzada y correrá la misma triste, o venturosa, suerte que sus parientes: morir con Tierra Santa a la vista.
Ramón V, el padre de Ramón VI, se queda en su ciudad a causa de los ataques que recibe por todos los flancos. Se pasa la vida defendiéndose de los ingleses, es decir, de los normandos señores de Aquitania. Los catalanes, ya sea por vía propia o por medio de sus vasallos Trencavel, Foix y Comminges, lo someten también a un constante hostigamiento. Por si ello fuera poco, comienza a tener los primeros problemas con unos heréticos llamados cátaros y se plantea formar causa común con el rey de Francia y el Papado. Este útimo quebradero de cabeza se termina con una flagelación pública de Peire Mauran, cabeza de turco de la represión, que fue enviado a Tierra Santa por un periodo de tres años. A su regreso a Tolosa,los ciudadanos de la ciudad eligen cónsul a Mauran. Ramón V nunca llegó a tomar conciencia del alcance y la importancia del catarismo, que desbordaría más tarde a su hijo». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

Cortesia de Península/JDACT

Um Pretexto Político. Cátaros. Um Problema Religioso. Jesus Mestre Godes. «… la nobleza del “Midi” es menos militar que la del norte, y más civil. Le agrada tanto el espíritu como el valor. El espíritu raras veces es una herencia, sino más bien al contrario: quien no ha nacido noble puede encumbrarse bien alto por mérito próprio»

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Lenguadoc. Século XIII
O país e suas gentes
«(…) En las ciudades del Lenguadoc surgen ciudadanos que controlan el poder: los cónsules. A principios del siglo XIII los cónsules de las ciudades de Tolosa, Albí, Narbona, Béziers, etc., eran elegidos por su propiá comunidad, con el visto bueno del señor. Los cónsules cumplían sus funciones un año y luego éstas pasaban a sus sucesores, que ellos mismos designaban. En Tolosa se empezó eligiendo seis cónsules y con el paso del tiempo se llegó hasta veinticuatro, doce de ellos de la ciudad y los doce restantes pertenecientes al burgo. Otros elementos característicos de esta vida brillante, que la diferenciaban de las otras sociedades occidentales contemporáneas, eran el pretz y el paratge, dos palabras occitanas que traducidas literalmente significan el precio y la ascendencia, la nobleza de extracción. El pretz, el precio, es 1o que da valor al hombre: el hombre de precio es el perfecto caballero. Valeroso, arrojado y cortés; con una mezcla no cuantifìcable pero sí armónica de valor y cortesía. Y esto nos lleva al otro término, el paratge. Las formas corteses se manifiestan en el seno de una nobleza de origen, pero también tienen cabida dentro de una nobleza natural. Jacques Madaule lo explica así:
  • la nobleza del Midi es menos militar que la del norte, y más civil. Le agrada tanto el espíritu como el valor. El espíritu raras veces es una herencia, sino más bien al contrario: quien no ha nacido noble puede encumbrarse bien alto por mérito propio.
Continuando la relación de estos fenómenos característicos del Midi, acabaremos con un rasgo muy alentador y notable: una cierta promoción de la mujer. Es en esta sociedad meridional donde la mujer comienza a individualizarse, a emerger del gran pozo de oscuridad en el que la habían tenido postergada años y siglos. Hay quien afirma que esta aparición de la mujer en un relativo primer plano se debe a la nueva seguridad y riqueza de que gozael país: las clases altas han comenzado a vivir con un cierto bienestar, en los castillos se establecen contactos propiamente sociales en los que el lugar de las mujeres es cada vez más importante.
Aunque sucinta, talvez esta visión del país y de sus gentes sea suficiente. Querríamos concluir este capítulo con otra citación de Madaule, gran enamorado de su Lenguadoc natal. Son unas palabras que sitúan en su exacta dimensión este concepto de civilización, tan debatido, ahora y antes, cuando se habla del Lenguadoc del siglo XIII:
  • lo que nosotros observamos en el Midi tolosano no es tanto una civilización original como el nacimiento de una nacionalidad sofocada.
Quizá nunca lleguemos a conocer las dimensiones exactas de su existencia. Lo que sí veremos con toda claridad es a manos de quién pereció.

As Forças Políticas
Nuestro siguiente cometido será conocer las fuerzas políticas de esta parcela occitana, saber quién mandaba y quién ansiaba mandar en esse Lenguadoc del siglo XIII. En apariencia todo está bastante claro. Por un lado tenemos al conde de Tolosa, que dominaba su condado, ya descrito anteriormente. Por otro, los Trencavel, que al este de las tierras tolosanas acaparaban buena parte del resto, Albí, Carcasona y Béziers. También tenemos el vizcondado de Narbona, regido conjuntamente por el vizconde y por el obispo. Para acabar de definir las fuerzas que, de un modo u otro, estaban involucradas en la política del Lenguadoc, tenemos aún más al este Montpellier, que por el matrimonio de Pedro I de Aragón y Cataluña con la heredera María formaba parte de los dominios del conde de Barcelona; por el otro extremo, al oeste, el condado de Foix, con vínculos familiares con sus señores catalanes del Pirineo. Podemos decir que éste es el puzzle político del país.
No obstante, también interesados en el Lenguadoc se hallaban, a cierta distancia, dos grandes reinos que, de frente o de soslayo, no dejaban de mirar hacia él. Uno, la Confederación Catalano-aragonesa, que en ese momento todavía no se había decantado en la dirección por la que habría de llevar a cabo su expansión: al sur, arrebatando tierra a los moros, espácio claro de reconquista; o bien al norte, con los campamentos base estratégicamente instalados en Montpellier, la Provenza también catalana, la baja, la más importante, y la punta de lanza catalana que era el Rosellón». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

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Um Problema Religioso. Um pretexto Político. Cátaros. Jesus Mestre Godes. «Son reales la riqueza y la actividad de puertos como Narbona y Montpellier. Las ciudades del interior como Tolosa, Nîmes y Carcasona son el centro de ricas regiones agrícolas, el mercado de la industria de la lana, y lugar obligado de paso para mercaderes y peregrinos»

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Lenguadoc. Século XIII
O país e suas gentes
«(…) El mobiliario de la habitación-vivienda era muy simple: una cama y un arca. La carma,muy grande, pues en ella dormían de dos a seis personas. Para los pobres la cama era una mera caja de madera llena de feno; como almohadas, sacos llenos de paja. Los ricos tenían un jergón y encima unos colchones rellenos de pluma de ave. La gente dormia vestida en invierno y desnuda en verano. El arca tenía una aplicación doble: servía de armario y de asiento. La mesa no era más que una tabla de madera que se colocaba sobre unos rústicos caballetes, es decir, que se montaba cuando se iba a utilizar y se desarmaba cuando ya no era necesaria. El asiento natural en torno a la mesa era el arca, que muchas veces se complementaba con bancos.
Las prendas de vestir eran aún muy primarias. Las mujeres se las componían exclusivamente a base de blusas largas que llegaban a los tobillos; si hacía frío iban superponiendo blusas; no disponían de ninguna pieza de ropa interior. Los hombres llevaban calzas y, encima, calzones. También utilizaban las blusas, como las mujeres, pero más cortas. Si tenían la suerte de poseer un abrigo, éste tenía la misma configuración que el hábito del monje, con capucha incluída. En realidad el efecto de causalidad era a la inversa: son los monjes mendicantes los que visten el abrigo medieval, de tal forma que éste se convierte en hábito. La alimentación, en el Lenguadoc, estaba basada en el pan, los guisantes y las habas, la carne, de cordero, ternera, buey, aves y caza, y, en las montañas, las castañas. El ajo era el condimento rey por encima de las especias. Por Cuaresma el pescado, fresco, salado, ahumado o desecado, sustituía a la carne. La bebida general era el vino, pero por tierras de Béziers se comenzaba a destilar aguardiente. La comida se presentaba en escudillas y se empleaban cucharas y cuchillos; tenedores, platos y servilletas vendrían más tarde. Los manteles, que sólo hacían acto de presencia en fiestas señaladas, colgaban hasta el suelo y servían también para limpiarse las manos. En los grandes banquetes de carne, ésta se servía encima de rebanadas de pan, grandes rebanadas que rezumaban el jugo del asado del cual estaban empapadas.
Hemos dedicado una rápida ojeada a lo que podríamos denominar la vida cotidiana en el Lenguadoc del siglo XIII. Este Lenguadoc, por derecho propio, forma parte de lo que se llamó la Civilización del Midi. Dicha etiqueta la acuñaron sobre todo los historiadores franceses del siglo pasado, en un intento de diferenciar, en los momentos de la Cruzada, la Francia de los Capetos, la de I'Île de France, de la Francia meridional, o más sencillamente: del Midi. Ciertamente existe un contraste entre los franceses reunidos en torno a París y las gentes que vivían al sur del Macizo Central. Ya hemos apuntado el rasgo más signifìcativo, la lengua.
Belperron, nada amigo del Lenguadoc y menos aún de los meridionales, debe admitir con todo que el Midi, durante el siglo XII había desarrollado una civilización urbana [...]. Son reales la riqueza y la actividad de puertos como Narbona y Montpellier. Las ciudades del interior como Tolosa, Nîmes y Carcasona son el centro de ricas regiones agrícolas, el mercado de la industria de la lana, y lugar obligado de paso para mercaderes y peregrinos. No obstante, después de reconocer todo esto, hace todo lo posible por difuminarlo:
  • Es falso decir que, en el momento de la Cruzada, el Midi hubiera creado una civilización brillante y que los cruzados la ahogaran en sangre; en realidad lo que se había creado era una vida brillante, que por su refinamiento, elegância y frivolidad, se había adelantado en el tiempo.
Tolosa, como hemos visto, es una de las ciudades más pobladas de Occidente y está dirigida por una burguesía opulenta, que ha llegado a procurarse sus propias instituciones y que actúa como contrapoder del conde de Tolosa. La imagen de las ciudades libres italianas contemporáneas es un tópico al que a menudo se ha recurrido para definir Tolosa, y no sin acierto. La diferencia, de destacable importância, es que Tolosa tiene un señor, el conde, al frente o a su lado, según se quiera decantar el punto de mira. El burgués tolosano es un hombre libre y privilegiado que día a día va poniendo los cimientos de lo que, en pocos años, sería una clase libre, fuerte y consciente de sus derechos. Zoé Oldenbourg no deja dudas al respecto:
  • el poder de la burguesía juega un papel preponderante. La tierra de los trovadores es la tierra del gran comercio, la tierra donde la importancia del burgués comienza a eclipsar la del noble.
In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

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domingo, 14 de outubro de 2012

Cátaros. Jesus Mestre Godes. Um problema religioso, um pretexto político: «La oveja proporciona la carne como alimento, la piel que se utilizará, una vez tratada, para vestimenta y pergamino, y la lana, base de la industria textil. En el Lenguadoc había un gran flujo de gente del campo hacia las villas nueva y los burgos»


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O país e suas gentes
«La mayoría de la gente vive en el medio rural, si bien las ciudades ‘romanas’ se han conservado e incluso han prosperado. Una de ellas, Tolosa, alcanzaa tener en tiempos de la Cruzada unos 20 000 habitantes. Otros datos nos indican 25 000 y hasta 30 000. La primera cifra es, empero, ya muy significativa: ninguna ciudad del occidente europeo llegaba a ese número. Tolosa es una de las mayores ciudades del momento, y éste es un hecho muy importante que cabe resaltar. Al contar con más fuerzade trabajo, como consecuencia del aumento demográfico, se ha talado el bosque y se cultivan nuevas tierras, lo cual facilita asimismo un aumento importante de la ganadería. Las ovejas, seguidas de las vacas y los caballos, en este orden, son los animales que más se crían. La oveja proporciona la carne como alimento, la piel que se utilizará, una vez tratada, para vestimenta y pergamino, y la lana, base de la industria textil.
En el Lenguadoc había un gran flujo de gente del campo hacia las villas nueva y los burgos, cosa que intensificó el intercambio comercial con el campo y potenció el paso de una economía cerrada, estrictamente rural, a una economía abierta, que se manifestaba claramente con la aparición de un nuevo estamento. Hasta entonces estaban los oratores, que rezaban, los bellatores, que guerreaban, y los, aratores, que trabajaban la tierra; a ellos vienen a sumarse ahora los burgenses, los hombres de la ciudad y el burgo, los burgueses. Este grupo ayudaría a los campesinos a soportar el peso de la economía medieval, que hasta ese momento reposaba sobre las espaldas de los aratores. La tarea más destacada que ocupa a este nuevo grupo es el comercio, muy limitado y asfixiado durante los siglos de la Alta Edad Media. La nueva puesta en marcha del comercio produce un movimiento que incide en el conjunto de la sociedad: desde el campesino al feriante, del mercader al transportista, desde el barquero de río al navegante de mar, del banquero al notario. Genicot, precisamente, dice que a finales de siglo en Carcasona había 63 notarios, nada menos! Aun cuando esta cifra no corresponda al momento que estamos estudiando, si la rebajamos a la mitad, esos treinta notarios establecidos en la villa de los Trencavel son un signo claro de una sociedad nueva que tiene como marco el Lenguadoc. El impulso comercial propicia el establecimiento de ferias en núcleos geográficamente aptos, en días fijos, y permite que el campesino y el menestral entren en la mecánica viva del intercambio de producto por dinero. Le Goff explica así el cambio que se produce en este mundo:
  • ‘en una palabra, en el lugar preponderante de los pecados capitales la superbia, típica de la sociedad noble de la Alta Edad Media, fue destronada por la avaritia,hija de la riqueza mobiliario’.
Junto a ellos tenemos el pueblo llano: los jornaleros, los obreros industriales, los mendigos. Estos últimos eran muy numerosos, como prueba la existencia de ochocientos hogares de indigentes en la misma Carcasona de los más de treinta notarios.

Sería interesante conocer, siquiera de modo superficial, cómo era el hombre medieval en este momento en que se inicia el siglo XIII, en los instantes en que el catarismo planea sobre el Lenguadoc. La gente que vivía en el campo tenía, naturalmente, un hogar, una casa donde se guarecían. Esta casa consistía en una gran habitación donde se vivía, se trabajaba, se recibían visitas, se cocinaba, se comía y se dormía. Y esta descripción era aplicable a todos los estamentos sociales: señores, clérigos y campesinos. En torno a la casa estaba el granero, el establo y el corral de animales. En la ciudad, en el burgo, sus habitantes vivían igual.
Cuando la familia crecía, por el matrimonio de un hijo, se construía otra habitación que regulaba la nueva vida familiar, con el mismo modelo. En la ciudad, esta habitación-vivienda se construirá encima, en crecimiento vertical; en el campo la expansión será en horizontal. Incluso los reyes de Francia, siempre tan refinados, mantendrán esta estancia única: San Luis, ya en tiempos en que el grueso de los efectos de la Cruzada eran historia, todavía comía y recibía visitas en su habitación-dormitorio; los caballeros dormían a sus pies». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Cátaros. Jesus Mestre Godes. Um problema religioso, um pretexto político: «Cuántos habitantes tenía el Lenguadoc en el momento de la Cruzada? Disponemos de un dato: a finales del siglo XIII la senescalía de Carcasona contaba con 90 000 hogares. A finales del siglo XII una agricultura, una industria textil y una expansión decidida con la creación de las ‘villas nuevas’ y los burgos»

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O país e suas gentes
«En la Narbona actual, la Narbo Martius de los romanos, confluían las dos vias antiguas, las dos rutas seculares, la Via Domitilia y el camino de Aquitania, ejes romanos, ejes medievales que aún hoy en día son, por mor de las ‘autoroutes’, ejes de la comunicación en el Lenguadoc. Remontando la Via Domitilia encontramos Béziers y Nimes. Béziers es una ciudad rodeada de viñedos, famosa en tiempos de los romanos, en la cual se producía, según las apreciaciones de Plinio, el mejor vino de la Galia. Más arriba tenemos Montpellier, en tiempos de la cruzada una competidora importante en el tráfico comercial, sobre todo por su salida al mar. Este mar, el Mediterráneo, da vida a una extensa planicie, a del Bajo Lenguadoc. Limitando el llano se yergue la masa de los montes Cévennes, que irá descendiendo, por el otro lado, hacia el Alto Lenguadoc hasta el río Tarn, por las diferentes ‘causses’, esos altiplanos típicos det Albigés. Toda esta zona ocupa una gran extensión de los territórios de los Trencavel.
Volvamos a Narbona para desplazarnos un poco más al norte, a la desembocadura del Aude. Este río se convierte en límite fronterizo de la herejía: a su derecha quedarán la abadía de Fontfroide y el vizcondado de Narbona, poco afectados por el catarismo, de común acuerdo com Inocencio III en lo tocante a la limpieza herética del território. La situacón era muy distinta en las tierras situadas a la izquierda del Aude.
Tanto en su primer tramo, el que llega hasta las proximidades de Carcassona, como en el que, trás una variacion de direccíon en un ângulo de 45º, lo llevará al mar, todo el território está «contaminado», «infectado», por utilizar expressiones tópicas de los inquisidores. La realidad es que el catarismo se extenderá por la llanura del Lauragués, por la Montaña Negra, por los valles del Ariège y el Alto Garona hasta llegar a Tolosa.

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Aquí se encuentran los grandes centros cátaros:
  • Minerve,
  • Montréal,
  • Saint-Félix,
  • Fanjeaux,
  • Mirepoix,
  • Pamiers,
  • Caraman,
  • Lavaur, etc. y, huelga decirlo, toda la cadena de castillos que, de un modo u otro, estuvieron involucrados en la defensa de los cátaros, probablemente más que del catarismo, frente a la Cruzada albigense, incluido Montsegur, muy cerca del Ariège y no lejos de esa ribera izquierda, la herética, del Aude.
A comienzos del siglo XIII, el horizonte medieval gozaba de una prosperidad que ya se había iniciado a mediados del siglo anterior. Un hecho decisivo fue el incremento demográfico que, aun tratándose de un fenómeno generalizado, fue mucho más destacable en el Midi francés. Según Baratier, algunos pueblos de la Provenza y del Lenguadoc habían llegado a duplicar su fogaje, es decir, el número de fuegos u hogares. La natalidad había progresado de forma considerable y se llegaba a contar con una media de cinco hijos por matrimonio, si bien debía tenerse en cuenta la baja expectativa de vida: treinta años.

Se había ganado en esperanza de vida gracias al hecho de que, sumado al incremento de la natalidad, se había producido una baja notable de la mortalidad. Las guerras que podríamos calificar de «menores» se estaban librando entre los Capetos, los franceses del norte, y los ingleses, celosos de conservar la patria de origen de sus reyes, la Normandía. Alguna vez que outra bajaban hasta los límites occidentales del Lenguadoc, pero provocaban más alerta que desazón.


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Las guerras locales, entre señores del país, eran parte integrante del mecanismo de la Baja Edad Media, pêro a menudo se recurría a los «aragoneses» y los «vascos», simples mercenarios que hacían el trabajo sucio. Muchas páginas nos quedan por delante, y en ellas hablaremos de estos hombres que en el argot histórico medieval se llamaban “routiers”.
Todo ello propició que en una región como el Lenguadoc, donde siempre había escaseado la mano de obra, se llegara a sacar adelante a finales del siglo XII una agricultura, una industria textil y una expansión decidida con la creación de las «villas nuevas» y los burgos. Si la «villa nueva» aseguró la expansión del país, el burgo introdujo la menestralía y el comercio.
Y puesto que hablamos de población, es oportuno plantear esta pregunta: cuántos habitantes tenía el Lenguadoc en el momento de la Cruzada? Disponemos de un dato facilitado por J.Vaisette: a finales del siglo XIII la senescalía de Carcasona contaba con 90 mil fuegos, es decir hogares. Pese al desfase de unos setenta y cinco años que separa esta fecha del inicio de la cruzada, la cifra no puede diferir mucho de la reatidad del Lenguadoc de principios de siglo, ya que es imposible que, después de la guerra y la represión, el Lenguadoc hubiera incrementado su población. La senescalía de Carcasona, creada el año 1229 fruto del Tratado de París, ocupaba menos de la mitad del Lenguadoc que hemos delimitado. De ello puede deducirse la probabilidad de que hubiera 180 mil fuegos en todo el país. Multiplicando los fuegos por 5 o 6 (hijos + padres) obtendremos unas cifras de 900 mil y 1 080 mil habitantes. La población se situaría por lo tanto entre las 800 mil y 1 200 mil personas, con una cifra intermedia de un millón». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Cátaros. Jesus Mestre Godes. Um problema religioso, um pretexto político: «Tenemos dos territorios perfectamente establecidos. Los de la lengua de Oc y el del territorio político, que muy bien pudo ser el del Lenguadoc del siglo XIII. En esta etapa de la Baja Edad Media se impone prudencia en el momento de establecer límites y demarcaciones…»

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Lenguadoc, século XIII
El marco

«Fernand Niel continua informándonos:
  • ‘De sus vasallos los más influyentes eran los vizcondes de Carcasona, Béziers, Albí y Rasés, de la dinastía Trencavel [...] el vizcondado deNarbona, limitado a la ciudad y a algunas posesiones en la parte oriental de las Corbières’.
Esta segunda descripción de Niel nos define lo que se denomina el Bajo Lenguadoc.

Ahora tenemos, por lo tanto, un territorio políticamente claro, el cual nos permitiremos llamar Lenguadoc. Una cosa es indiscutible, que el territorio de los condes de Tolosa, el de los Trencavel y el vizcondado de Narbona es mucho más reducido que el territorio lingüístico. Pero pese a todo nos hallamos en condiciones de llegar a una sintesís; hay dos barreras naturales al este y al oeste: los ríos Ródano y Ardèche; el Garona y el Ariège.
Al sur las Fenouillèdes y el Rosellón cierran el Lenguadoc. Y al norte, el límite más difícil de precisar, las ciudades de Tolosa, Montauban, Albí, Millau, Lodève, Alès forman este posible cinturón de límites.

Tenemos dos territorios perfectamente establecidos; los de la lengua de Oc y el del territorio político, que muy bien pudo ser el del Lenguadoc del siglo XIII. En esta etapa de la Baja Edad Media se impone prudencia en el momento de establecer límites y demarcaciones, puesto que aun sin el cataclismo que en breve los iba a desdibujar, el país era constante escenario de riñas, pequeñas o grandes escaramuzas entre señores y vasallos, fieles al homenaje pero desmemoriados en cuanto había que traducirlo en actos. Los territorios cambiaban con mucha frecuencia de amo, debilitando o engrandeciendo unos límites que, como hemos visto, ya era de por sí problemático fijar.

Cortesia de wikipedia 

Pasemos a otro estadio: el Lenguadoc de los cátaros, el Lenguadoc de la Cruzada, que, simplificando, debemos considerar como un mismo país. Emmanuel Le Roy es bastante concreto al respecto:
  • «desde 1165 la nueva iglesia está sólidamente instalada en Tolosa, AÌbí, Agen, Pamiers, Carcasona. Las comarcas más "infectadas", el Lauragués, el Tolosano, el Cabardés,las Corbières. Al margen de Béziers, el Bajo Lenguadoc está poco afectado».
Belperron, por su parte, cree que todo el dominio de los condes de Tolosa y de los vizcondes Trencavel era terreno donde, en mayor o menor grado, se había establecido la herejía. Este último amplía, pues, por la parte del norte, el Agenés, el Quercy, el Rodés, los limites trazados por Le Roy. De los tres narradores dela Cruzada, de los cuales hablaremos extensamente más adelante, sólo Guillermo de Tüdela nos sitúa en este universo cátaro:

Ben avet tug auzit coment la eretgia
Era tan fort monteia...
Que trastor Albiges avia en sa bailia
Carcasses, Lauragues tot la major partia.

Allí donde la herejía estaba implantada de forma manifiesta era en el Albigés, el Carcasés y el Lauragués. Tudela afina el núcleo, el corazón de la fruta herética, los de “major partia”. El canónigo Griffe apenas difiere en sus apreciaciones de las del contemporáneo Tudela:
  • «nos sitúan la herejía en la parte occidental de Narbona y el Albigés. En vísperas de la cruzada, la región circunscrita por las ciudades de Tolosa, Albí y Carcasona constituye el bastión del catarismo de Lenguadoc».
Una vez conocido el marco del país, pasemos a indagar cómo era el Lenguadoc a principios del siglo XIII». In Jesus Mestre Godes, Els Cátars, Problema religiós, pretext politic, Cathari, Ediciones Península, 1997, ISBN 84-8507-710-8.

Cortesia de Península/JDACT