Mostrar mensagens com a etiqueta Político. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Político. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Poesia. Revolta. Pedro Barroso. «… mantenham com cuidado as árvores e estradas pr'a gente poder ver, p'ra gente circular que eu basta-me saúde e o sonho tão distante e a boca perturbante que tu me sabes dar e a festa de viver e o gozo e a paisagem…»

jdact

Poema do lavrador. De palavras aos políticos
não me perguntem coisas daquelas que eu não creia
não me perguntem coisas daquelas que não sei
remeto para os senhores as decisões do mundo
tais como governar, fazer decretos lei

no meio da tempestade no meio das sapiências
se poeta nasci, poeta morrerei
nem homem de gravata nem homem de ciências
apenas de mim próprio, e pouco, serei rei

das decisões do mundo lerei o que entender
que dentro de mim mesmo às vezes nasce um rio
e é esse desafio que nunca hei-de esquecer
e é essa a diferença que faz o meu feitio

mas digam por favor de onde nasce o sol
que eu basta-me o calor - para lá me voltarei
e saibam já agora que se eu lavrar a terra
me bastará que chova que o resto eu o farei
e digam por favor se o céu inda nos cobre
e bastará o azul
que em ave me tornei


mantenham com cuidado as árvores e estradas
pr'a gente poder ver, p'ra gente circular
que eu basta-me saúde e o sonho tão distante
e a boca perturbante que tu me sabes dar

e a festa de viver e o gozo e a paisagem
desta curva do Tejo, soprando a brisa leve
e na tranquilidade assim desta viagem
parar-se o tempo aqui, eterno, fresco e breve

que eu voo por toda a parte mas noutro horizonte
e vivo as coisas simples e rio-me da ambição
e ao fim de tanto ver, escolherei um monte
de onde assistirei, sorrindo, ao vosso enfarte

da ânsia de possuir, da ânsia de mostrar,
da ânsia da importância, da ânsia de mandar

e digam por favor de onde nasce o sol
que eu basta-me o calor - para lá me voltarei
e saibam já agora que se eu lavrar a terra
me bastará que chova que o resto eu o farei
e digam por favor se o céu inda nos cobre
e bastará o azul
que em ave me tornei
Poema de Pedro Barroso

JDACT

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tomás Ribeiro: «O meu berço alpestre acalentou-me ao som dos cantos livres e augustos da natureza. Virá uma nova escola amparar as conquistas da razão com a elevação do sentimento, porque a natureza sempre triunfa por fim»

(1831-1901)
Parada de Gonta, Tondela
Cortesia de wikipedia

Político e literato português, Tomás António Ribeiro Ferreira formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, começando a exercer em Tondela, por onde foi eleito deputado em 1862 e onde viria a presidir à Câmara Municipal. Foi o início de uma série de cargos públicos, série essa que viria a incluir o de secretário-geral da Índia, o de governador-civil do Porto e de Bragança, o de director-geral do Ministério da Justiça, o de presidente da Junta de Crédito Público e o de vogal do Tribunal de Contas.

Filiado no Partido Regenerador, foi eleito deputado pela segunda vez em 1875 e passou a integrar a Câmara dos Pares em 1882.Tomás Ribeiro foi várias vezes ministro:
  • em 1878, foi nomeado ministro da Marinha, num gabinete de Fontes Pereira de Melo, a quem esteve muito ligado;
  • em 1879, assumiu a pasta da Justiça;
  • em 1881, foi ministro do Reino;
  • em 1890, tornou-se responsável pelas Obras Públicas.
Enquanto titular da pasta da Justiça, coube-lhe assinar o importante decreto de 1879 que reconheceu a liberdade de consciência aos cidadãos não-católicos, tanto no casamento como no baptismo.

Cortesia de paradadegonta
Após a sua formatura, publicou «Os Meus Trinta Anos». Em 1862 foi admitido na Academia das Ciências de Lisboa. Nesse mesmo ano, publicou o poema «D. Jaime ou a Dominação de Castela», com um prefácio de António Feliciano de Castilho, que o tornou célebre e viria a desencadear uma acesa polémica literária.

O êxito de D. Jaime foi secundado pelo do poema «A Delfina do Mal (1868)» e pelo de colectâneas de poesia como «Sons que Passam (1868) e Vésperas (1880)». Nos dois volumes das suas crónicas de viagem, Jornadas (1873-1874), resultantes da sua passagem pela Índia, acrescentou às notações de exotismo orientalista uma intenção fortemente patriótica de celebração de «algumas das nossas glórias, tão cobertas por aí da ferrugem dos tempos, das invejas e das ingratidões». Colaborou em periódicos como a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil e Artes e Letras. Fundou os jornais políticos:
  • Repúblicas,
  • O Imparcial,
  • A Opinião, todos de duração efémera.

Cortesia de europress
Apesar da influência de um certo realismo, presente no tom coloquial e no prosaísmo descritivo de alguns dos seus versos, a poética de Tomás Ribeiro, implícita na sua obra e manifesta nos textos de crítica literária que escreveu, a pretexto dos seus livros ou da produção de outros escritores, prefaciou obras de Rodrigues Cordeiro, Maria Amália Vaz de Carvalho e Camilo Castelo Branco, seu amigo e admirador, entre outros». In Infopédia. Porto Editora, http://www.infopedia.pt/$tomas-ribeiro.


Cismar é a minha sina
o êxtase, a minha poesia.

deixai, deixai que eu ande imune 
por todas as paragens do infinito
a sabor dos caprichos do meu estro!

Bibliografia:
D. Jaime ou a Dominação de Castela, 1862; 2.ª ed., 1863 (poema);
A Delfina do Mal, 1868 (poema);
Sons que Passam, 1868 (poesias);
Jornadas. Primeira parte - Do Tejo ao Mandovy, 1873 (crónicas de viagem);
A Indiana, 1873 (drama);
Jornadas. Segunda parte - Entre Palmeiras (de Pangim a Salsete e Pondá), 1874 (crónicas de viagem); Vésperas. Poesias Dispersas, 1880 (poesias);
Dissonâncias, 1890 (poesias).

Cortesia de Infopédia/JDACT