Mostrar mensagens com a etiqueta Domingos Bomtempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Domingos Bomtempo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Estâncias Reunidas. Poesia. António Cândido Franco. «Na escuridão do meu silêncio a palavra ressuscita e exuma o que está esquecido. Na caligem do meu ser a memória faz levedar o nada. Na minha noite íntima a saudade acorda os mortos»

jdact

Estâncias
[…]
«De noite o que se vê é o que se ouve.
Chegam-nos as coisas através de sons.
Somos cegos.
O que se vê é o que se imagina.
A cor do sol é o som do coração.
A luz não se vê

mas contra o escuro
bater se ouve o lume.
Secos estalidos
contra a terra do peito.
Na escuridão

sou como um cego.
Tacteio.
Oiço então no firmamento
o crepitar de uma flor secreta.
Tenho o ouvido encostado
à vidraça do mundo.
Nada vejo.
Dos meus olhos a luz
pelas sombras da noite inutilizada.
Oiço apenas
no negro
estrelas borbulhando
como âgua.
Pedaços de céu a ferverem
a alta temperatura
no buraco da noite.


Em visão traduzo o que oiço
e vejo na escuridão
pétalas em lume
espuma de leite
pólen luminoso.
Rebenta aqui
na treva deste Inverno
uma Primavera de luz eterna».
Poema de António Cândido Franco, in ‘Estâncias Reunidas

In António Cândido Franco, Estâncias Reunidas, 1977-2002, Quasi edições, biblioteca Finita Melancolia, Vila Nova de Famalicão, 2002, ISBN 972-8632-64-9.

Cortesia de Quasi/JDACT

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Poesia. 1951-1986. Alexandre O’Neill. «Dinheiro? Isso não! Já sei, pobrezinho, que em vez de pão ia comprar vinho… Teima? Que topete! Quem se julga ele se um tigre acabou nesta sala em tapete?»

jdact

A Queixada
«A queixada marca o tempo
neste lugar,
a queixada com o seu
furioso mastigar.

É entrar num restaurante
popular,
é entrar e ver a queixada
a abrir e a fechar.

À queixada não dão tempo
neste lugar,
não dão tempo nem comida
da que se pode manjar.

E a queixada não se queixa
(que outras se vão queixar!)
Recebe, esmaga e despacha
a comida por provar.

Como lhe falta comida,
carniça boa a sangrar,
a queixada, que não é parva
e não pode viver do ar,

come tudo o que lhe derem
no restaurante, no bar;
uma dobrada singela
ou um frango a engelhar.

Tem pressa e um vazio
a preencher, a tapar.
Neste verso bebe vinho,
neste vai recomeçar…»
Poema de Alexandre O’Neill, in ‘Poesias Completas, 1951 / 1986


JDACT

quinta-feira, 11 de março de 2010

Domingos Bomtempo: Um Requiem para Camões


Domingos Bomtempo (Lisboa, 1775 – Lisboa, 1842) foi um pianista clássico, compositor e pedagogo português. O Requiem à memória de Camões é considerado a obra-prima por excelência de João Domingos Bomtempo, o compositor português mais destacado do século XIX, e a mais importante missa de mortos composta na Europa no primeiro quartel de oitocentos. Este requiem é talvez o mais importante composto entre o Requiem de Mozart (1791) e o de Berlioz (1837). É indiscutivelmente a mais importante obra coral sinfónica oitocentista da música portuguesa.
A Orquestra Nacional do Porto e o Coro Casa da Música (sala Suggia) vão apresentar este concerto no pf 26 de Março.
iporto (agenda cultural Jan-Mar 2010)/JDACT