Mostrar mensagens com a etiqueta Leiria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Leiria. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

José Rodrigues da Costa: Sob o pseudónimo de Josino Leiriense, que usava nas tertúlias da Arcádia Lusitana,teve uma vida de notoriedade social e intelectual, testemunhadas em várias obras literárias que publicou. «O Balão aos Habitantes da Lua (1819)» foi a obra mais importante

(1757-1832)
Colmeias, Leiria
Cortesia de tertuliabibliofila

José Daniel Rodrigues da Costa  foi um poeta português. Veio com a família para a cidade de Lisboa aos 2 anos de idade.
Sob o pseudónimo de Josino Leiriense, que usava nas tertúlias da Arcádia Lusitana, José Rodrigues da Costa teve uma vida de notoriedade social e intelectual, testemunhadas em várias obras literárias que publicou, quase sempre sob a forma de folhetos. Uma das mais célebres será «O Balão aos Habitantes da Lua (1819)». Gozando da protecção do Intendente-Geral Pina Manique, empenhado em mater a ordem social e reprimindo os ideais iluministas da Revolução Francesa, José Rodrigues da Costa foi promovido a major da Legião Nacional do Paço da Rainha.

Foi popular a sua rivalidade com Barbosa du Bocage, em várias publicações.
Na série televisiva Bocage, realizada por Fernando Vendrell (2006) é o actor Francisco Nascimento que interpreta a personagem de José Rodrigues da Costa.

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RaridadesBibliograficas/bios/JDRCosta.pdf
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo10621.pdf
 

Cortesia de arpose
 
Algumas obras:
  • Novo Entremez dos destemperos de hum Bazofia, jocosos, e exemplares;
  • Ecloga pastoril: primeira parte : fallam Jozino, e Dárcia;
  • Ecloga : tristezas de Jozino, e virtude de Matilde;
  • Verdade do mundo na vida da corte e do campo;
  • Petas da vida ou a terceira parte dos ópios;
  • Espelho de jogadores;
  • Almocreve de petas ou moral disfarçado para correção dos miudezas da vida;
  • Comboy de mentiras vindo do reino petista com a fragata verdade encuberta por capitania;
  • O balão aos habitantes da lua: poema, heroi-comico em hum só canto;
  • Pimenta para as más linguas : em huma epistola ao illustrissimo Senhor José Luiz Guerner;
  • Terceiro aparo da penna, ou continuação da critica sobre costumes e vicios;
  • O novo Janeiro de 1831.

Cortesia de arquivohistorico
Morre aos 71 anos de idade.

Cortesia de wikipédia/Arquivo Histórico/Arpose/JDACT

terça-feira, 22 de junho de 2010

Gonçalo Lourenço Gomide: Natural de Castelo de Vide, com nome de rua no Bairro do Moinho de Vento. Escrivão da puridade de 1391 a 1393.

Gonçalo Lourenço Gomide (1350-1426), nasceu na vila da Castelo de Vide, Alto Alentejo, figura de relevo nos séculos XIV e XV. Escrivão da puridade de 1391 a 1393.
Foi o bisavô do Vice-Rei da Índia, Afonso de Albuquerque. Recebeu do rei D. João I várias doações, uma herdade em Alcácer do Sal (8.7.1382), umas casas junto a S. Vicente de Fora (14.11.1389), o reguengo de Mourão, Santarém (20.8.1390).  Foi o 1º Senhor e alcaide-mór de Vila Verde dos Francos - 1396. Participou na tomada de Ceuta onde foi armado cavaleiro.

Outros dados.
Gonçalo Lourenço Gomide, era filho de Nuno Martins de Gomide, «homem muito nobre» de Portalegre, viveu no tempo d' el-rei D. Pedro I, Senhor de Vila Verde (é o primeiro de que há notícia com o uso deste apelido) e de Bartoleza Lourenço Gorjão.

Escrivães da Puridade (sécs. XIII a XVIII)
Carta de confirmação de El-Rei Dom Afonso IV dos foros e privilégios
atribuidos por reis anteriores à cidade de Lisboa.
 Cortesia de Miguel Pires Prôa

«Escrivão da puridade, designação que se encontra de vez em quando em qualquer biografia de um Rei português. À primeira vista, interpretaria esse cargo como um secretário pessoal do Rei, mas uma análise mais atenta levou-me a perceber que seria não um mero escriturário mas um «quase» primeiro ministro. O escrivão da puridade do Rei, pelo menos da segunda metade do século XIV até ao século XVII, situava-se hierarquicamente acima de todos os outros cargos de Estado, como chanceler-mor, conselheiro de Estado ou vèdor. Pretendo fazer uma pesquisa mais detalhada sobre estes cargos alto-medievais e renascentistas, mas, para já, aqui fica uma listagem dos homens que exerceram o cargo de escrivão da puridade do Rei (a Rainha e os Infantes também tinham os seus próprios escrivães da puridade, mas só o do Rei é que teria funções de Estado)». Escrivães da Puridade do Rei:
  • Dom Afonso III, Petro Petri scriptore secretorum regis;
  • Dom Dinis I, Aires Martins, também vice-chanceler;
  • Dom Dinis I, Martim de Louredo (fl. 1287);
  • (...);
  • Aires Anes de Beja;
  • Gonçalo Lourenço de Gomide, 1391-1393;
  • (...) 
«Nos finais do século XIV, Guardão pertencia a João Fernandes Pacheco, mas, em virtude da sua adesão ao partido castelhano, as terras reverteram a favor da Coroa Portuguesa. D. João I doou-as, a 6 de Abril de 1398, a Gonçalo Lourenço de Gomide, bisavô do Vice-Rei da Índia, Afonso de Albuquerque». Mas a 21 de Outubro de 1446, Gonçalo Lourenço de Gomide e sua esposa, venderam ao rei o Couto de Guardão «pelo preço de mil quinhentos dobras de ouro, com sua jurisdiçam, com todas as suas entradas e saydas e direitos e pertenças, foros e geiras e padroado da ygreja». Cortesia da CM de Tondela.

Mais dados referentes a Gonçalo Lourenço de Gomide:
 
Cortesia do Turismo da CM de Leiria
O Moinho de Papel é um edifício histórico localizado em Leiria. Situa-se na margem esquerda do rio Lis, a leste da Igreja de Santo Agostinho e junto à ponte dos Caniços. O antigo moinho data da época medieval e foi criado especificamente para a produção de papel. Actualmente foi convertido em museu.
Sabe-se que, ao longo da Idade Média, Leiria possuiu vários moinhos em seus arredores dedicados à moagem de cereais que tiveram grande significado para a economia da cidade. O moinho dedicado à manufatura de papel foi instalado em Leiria a partir de 1411, de acordo com uma Carta Régia de D. João I na qual ele permitia a D. Gonçalo Lourenço de Gomide, escrivão do rei, que «… em dois assentamentos velhos que em outro tempo foram moinhos que estão no termo e na ribeira da nossa vila de Leiria … junto à ponte dos caniços…» se instalassem «…engenhos de fazer ferro, serrar madeira, pisar burel e fazer papel ou outras coisas que se façam com o artifício da água… contando que não sejam moinhos de pão». Cortesia da CM de Leiria.
É o primeiro moinho de papel conhecido em Portugal e a primeira fábrica da cidade, no qual se fabricaram as primeiras folhas a base de celulose. A existência de um moinho de papel na cidade terá influenciado o fato de Leiria ter sido uma das primeiras cidades portuguesas a ter uma tipografia, da qual sairia em 1496 um dos primeiros livros impressos do país, o Almanach perpetuum, do erudito hebraico Abraão Zacuto. Estudos recentes apontam que o moinho de papel foi construído sobre uma estrutura preexistente, possivelmente do século XIII, primeiramente dedicado à moagem de cereais.

«Os Albuquerques de Jerónimo de Albuquerque, sogro de Filippo Cavalcanti, eram os chamados Gomides Albuquerques, porque descendentes do casamento, trágico, de D. Leonor de Albuquerque e de João Gonçalves de Gomide. João Gonçalves, homem rico, era de nobreza muito recente. O pai, Gonçalo Lourenço de Gomide, tão ou mais rico, esteve em 1415 em Ceuta acompanhando D. João I; diz-se que levou-lhe quatrocentos homens armados para a empresa. Foi recompensado: o próprio rei armou-o cavaleiro, e depois fez a Gonçalo Lourenço, senhor de Vila Verde dos Francos. Foi também, nome delicioso, que já não nomeiam cargos burocráticos com tal espírito, escrivão de puridade, ou seja, secretário particular, de D. João I». O  filho, João Gonçalves de Gomide, foi igualmente senhor de Vila Verde e escrivão de puridade do rei. Casou-se na boa nobreza de Portugal com D. Leonor de Albuquerque, filha de Gonçalo Vaz de Mello, senhor de Castanheira, Povos e Cheleiros, e de D. Izabel de Albuquerque. Aí aconteceu a tragédia: nalgum momento antes de 1437, João Gonçalves de Gomide assassina a mulher. É preso, condenado, e degolado em alto cadafalso em Évora. Aos órfãos de pai e mãe, determina-se que tomem o nome da mãe como apelido de família, e se lhes nomeia um tutor e curador, isso em 24 de março de 1437. Cortesia de Longtemps je me suis couché de bonne heure.,famadoria.
JDACT

domingo, 20 de junho de 2010

Afonso Lopes Vieira: O Mar e o Pinhal são os principais motivos da sua poética. «Alimenta» as imagens de uma paisagem bucólica e romântica

(1878-1946)
Leiria
Cortesia de alfredocr

Linda Inês

Choram ainda a tua morte escura
Aquelas que chorando a memoraram;
As lágrimas choradas não secaram
Nos saudosos campos da ternura.

Santa entre as santas pela má ventura,
Rainha, mais que todas que reinaram;
Amada, os teus amores não passaram
E és sempre bela e viva e loira e pura.

O Linda, sonha aí, posta em sossêgo
No teu muymento de alva pedra fina,
Como outrora na Fonte do Mondego.

Dorme, sombra de graça e de saudade,
Colo de Garça, amor, moça menina,
Bem-amada por toda a eternidade !
Afonso Lopes Vieira, In Cancioneiro de Coimbra

Pinhal do Rei
Catedral verde e sussurrante, aonde
a luz se ameiga e se esconde
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar:
ditoso o "Lavrador" que a seu contento
por suas mãos semeou este jardim;
ditoso o Poeta que lançou ao vento
esta canção sem fim...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
rei D. Dinis, bom poeta e mau marido,
lá vem as velidas bailar e cantar.

Encantado jardim da minha infância,
aonde a minh'alma aprendeu;
a música do Longe e o ritmo da Distância
que a tua voz marítima lhe deu;
místico órgão cujo além se esfuma
no além do Oceano, e onde a maresia
ameiga e dissolve em bruma,
e em penumbra de nave, a luz do dia.
Por estes fundos claustros gemem
os ais do Velho do Restelo...
Mas tu debruças-te no mar e, ao vê-lo,
teus velhos troncos de saudades fremem...

Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
são as caravelas, teu corpo cortado,
é lo verde pino no mar a boiar.
Afonso Lopes Vieira

JDACT