Mostrar mensagens com a etiqueta Crítico Literário. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crítico Literário. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fidelino de Figueiredo: Um autor esquecido mesmo por aqueles que contactam com a sua Obra. Homem de Letras, espírito fino e elevado, o seu tempo não poderia ser o século XX que conheceu em Portugal (e Espanha): o de regimes conflituosos e populares, e depois violentos e anti-liberais

(1889-1967)
Lisboa
Cortesia de bligig

Fidelino de Figueiredo notabilizou-se como professor, historiador e crítico literário, tal como na faceta de ensaísta e de intelectual cosmopolita. iniciando a sua vida profissional por se dedicar ao ensino e à vida política nos conturbados tempos que se seguiram à implantação da República. Exerceu vários cargos públicos:
  • Funções no Ministério da Educação;
  • Director da Biblioteca Nacional;
  • Deputado;
  • Fundou e dirigiu a Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos e a Revista de História (1912-1928).
Na área dos Estudos Literários, deixou uma vasta, fecunda e influente obra, nos campos da Crítica Literária e do Ensaio, da História e da Literatura Comparada, bem como da Teoría Literária.
O seu grande contributo reside no propósito de contribuir para a profunda modernização teórico-metodológica das disciplinas que integram esta área de conhecimento. Neste domínio, criticou frontalmente os pressupostos teoréticos e os resultados da historiografia de Teófilo Braga, de matriz romântico-positivista.

Cortesia de 30porcento  
Neste esforço renovador, entre as suas grandes matrizes teóricas, destacam-se três:
  • A crítica «científica» francesa de finais do séc. XIX e inícios do séc. XX;
  • O influente pensamento hispanista de Miguel de Unamuno e M. Menéndez y Pelayo);
  • A filosofia estética do italiano Benedetto Croce.
Foi ainda pioneiro na nova área da Literatura Comparada em Portugal:
  • quer no domínio da sua conceptualização teórica,
  • quer na elaboração de sugestivos estudos de crítica comparativista.
Ao mesmo tempo, patenteando um agudo sentido cívico e manifestas preocupações existenciais, dedicou-se a uma contínua reflexão ensaística, de natureza cultural e filosófica, mais acentuada no final da sua vida.


Cortesia de 30porcento 
Fidelino de Figueiredo é há muito um autor esquecido mesmo por aqueles que contactam com a sua imensa Obra. A mais forte das razões para esta situação é a dificuldade em enquadrá-la no seu tempo. Com efeito, nascido no mesmo ano que, por exemplo, Vieira de Almeida, a sua actividade parece anterior (apesar de ter morrido até mais tarde). O que sucede é algo simples de compreender (o próprio Fidelino o observou) mas difícil de contrariar:
  • o seu pensamento e mesmo a sua sensibilidade eram tributários de um século XIX, liberal e selecto, que não chegou a tempo de viver.
Algumas obras:
  • História da Crítica Literária em Portugal, 1910;
  • O Espírito Histórico, 1910;
  • A Crítica Literária como Ciência, 1912;
  • História da Literatura Romântica, 1913;
  • História da Literatura Realista, 1914;
  • Características da Literatura Portuguesa, 1915;
  • História da Literatura Clássica, 3 vols., 1917-24;
  • Estudos de Literatura, 5 vols., 1917-51;
  • História da Literatura Portuguesa (Manual Escolar), 1918;
  • Torre de Babel, 1924;
  • Sob a Cinza do Tédio, 1925;
  • História dum "Vencido da Vida", 1929; 
  • O Dever dos Intelectuais, 1930;
  • Depois de Eça de Queirós, 1933;
  • Pyrene: ponto de vista para uma introdução à história comparada das literaturas portuguesa e espanhola, 1935;
  • Aristarchos: quatro conferências sobre Metodologia da Crítica Literária, 1939; Últimas Aventuras, 1941;
  • Antero: quatro conferências, 1942;
  • História Literária de Portugal (Sécs. XII-XX), 1944;
  • A Luta Pela Expressão (Prolegómenos para uma Filosofia da Literatura), 1944;
  • Um Pobre Homem da Póvoa de Varzim, 1945;
  • Símbolos & Mitos, 1964;
  • Ideias de Paz, 1967;
  • Paixão e Ressurreição do Homem, 1967.
Leitor incessante, Fidelino correspondeu-se com numerosos estudiosos de muitas origens.
Cortesia de antiquabook

Cortesia de alfarrabiodiuminho 


Sempre atento aos grandes temas do seu tempo, talvez melhor do que em outros temas seja no pensamento sobre as crises da época em que viveu que melhor se vê a marca original da sua Obra.


Cortesia de Projecto Vercial/JDACT

quarta-feira, 7 de julho de 2010

João Gaspar Simões: Romancista, dramaturgo e biógrafo, é, todavia, como crítico literário que a sua actividade nas letras mais se impôs

(1903-1987)
Figueira da Foz
Cortesia de wikipédia
João Gaspar Simões foi um escritor polígrafo e multifacetado, ficcionista, dramaturgo, biógrafo, historiador da literatura portuguesa, ensaísta, memorialista, crítico literário, editor e tradutor.
Matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra, vindo a concluir o curso, após várias interrupções. Com Branquinho da Fonseca funda a revista "Tríptico", e com o mesmo e José Régio a revista "Presença" (1927). Desde 1935 fixou-se em Lisboa, tendo sido bibliotecário da Biblioteca da Imprensa Nacional. Fundou e dirigiu, na sua 1ª fase, a Portugália Editora. Preparou para a imprensa, com Luís de Montalvor, a edição dos primeiros 4 volumes das "Obras Completas" de Fernando Pessoa.
Cortesia de produto.mercadolivre
O seu 1º livro - de ensaios, publicados na "Presença" - foi publicado em 1929, sob o título de "Temas". O seu 1º romance (1932 - "Elói ou o romance numa cabeça") obteve o Prémio da Imprensa. Igualmente premiada foi a sua biografia "Eça de Queirós, o Homem e o Artista" (1945).
Romancista, dramaturgo e biógrafo, é, todavia, como crítico literário que a sua actividade nas letras mais se impôs. Sobretudo na modalidade de crítica imediata a obras contemporâneas, sendo as obras dos escritores da sua própria geração as avaliadas com menos preconceitos e melhor receptividade.
Cortesia de delfimsantos
Foi também crítico em jornais, dobrando-se em labor de escrita com a virtude de resistência adentro de polémicas, mais que elucidativas, travadoras de quem trabalha.

Outras obras suas, para além das mencionadas, são:
Romance
  •  "Uma História de Providência";
  • "Pântano";
  • "Amigos Sinceros";
  • "O Marido Fiel";
  • "Internato".    
 Teatro
  • "O Vestido de Noiva";
  • "Teatro";
  • "Marcha Nupcial".
 Ensaio
  • "Novos Temas";
  • "Velhos Temas";
  • "O Mistério da Poesia";
  • "A Arte de escrever romances";
  • "António Nobre, precursor da Poesia Moderna";
  • "Vida e Obra de Fernando Pessoa";
  • "Garret, vida e obra";
  • "Eça de Queirós, a obra e o homem";
  • "Antero de Quental, vida e obra";
  • "Júlio Dinis, a Obra e o Homem";
  • "Camilo Pessanha, a Obra e o Homem".
Crítica
  • "Crítica" (4 vols.);
  • "História da Literatura, História da Poesia Portuguesa" (3 vols.);
  • "História do Movimento da Presença";
  • "50 anos de Poesia Portuguesa";
  • "História do Romance Português" (3 vols).
(Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 20 vols., secretariado por MAGALHÃES, António Pereira Dias; OLIVEIRA, Manuel Alves, 1ª ed., Lisboa, editorial Verbo, vol.17, 1973, pp.175-176)

Da esquerda para a direita:
José Régio, João Gaspar Simões, Albano Nogueira,
Fernando Lopes-Graça e Adolfo Casais Monteiro
Cortesia de mmp.cm-cascais
Em 1981 foi-lhe atribuído o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. Foi sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e colaborador da Enciclopédia Britânica. Durante vários anos foi sua companheira de vida e de trabalhos literários a escritora Isabel da Nóbrega. Em homenagem à importância da sua obra foi o seu nome atribuído a diversas ruas em Portugal. Na Figueira da Foz onde nasceu e em Foros de Amora (Seixal), na Aldeia de Juzo (Cascais), em Leça da Palmeira (Matosinhos) e em Albufeira (Algarve). No Brasil, no Bairro Diadema, distrito de Jabaquara, cidade de São Paulo (SP).

Cortesia de wikipédia/história da literatura/JDACT