Mostrar mensagens com a etiqueta Aquecimento Global. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aquecimento Global. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Opinião. Clima. Os Avisos e a Inacção. Filipe Duarte Santos. «A conclusão principal é que o degelo das calotes polares entre 1992 e 2011 contribuiu 11,1 mm para a elevação do nível médio do mar, o que corresponde a cerca de 1/5 da subida total. Actualmente derretem em média num ano 344 mil milhões de toneladas de gelo, 76% na Gronelândia»


Cortesia de wikipedia

Como explicar a inacção resultante das negociações das Nações Unidas sobre o clima e em particular os magros resultados da COP 18 em Doha?
«Há todos os anos um ritual curioso, patético e aparentemente absurdo. Algures numa grande cidade realiza-se a Conferência das Partes (COP) da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, criada na Cimeira da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992.
As últimas cidades beneficiadas pela invasão de uma multidão de delegados nacionais, políticos, jornalistas, membros de ONG e cientistas foram Copenhaga, Cancun, Durban e, este ano, Doha, no Qatar, país que tem o recorde das emissões de gases com efeito de estufa per capita (55 toneladas de CO2 equivalente por ano e por pessoa em 2005).
A COP 15 de Copenhaga gerou uma grande expectativa e esperança, mas os resultados finais foram esqueléticos. Desde então o clima nas COP mudou muito, mas o ritual continua num mundo em acelerada transformação social, financeira e económica. Mas há outra transformação no sistema terrestre e em particular num dos seus subsistemas, o sistema climático, que está também a acelerar. As duas transformações, uma nos sistemas humanos, outra nos sistemas naturais, estão perigosamente ligadas por relações de causa e efeito em ambos os sentidos.
Entretanto os cientistas vão procurando fazer o seu trabalho de análise do sistema climático, do clima futuro e dos impactos das alterações climáticas antropogénicas nos vários sectores socioeconómicos e sistemas biofísicos. Recentemente, em Novembro, foram publicados dois artigos e um relatório que penso serem importantes para compreender melhor a nossa situação actual e futura.
Comecemos por aquele que diz respeito ao oceano e às regiões costeiras, onde vive cerca de 40 % da população mundial a menos de 100km do mar, ou seja, cerca de 2900 milhões de pessoas. O nível médio do mar subiu mais de 20 cm desde os tempos pré-industriais até 2009. Qual a razão desta subida?
  • A mais importante actualmente é a dilatação térmica da camada superficial dos oceanos que estão a aquecer devido ao aumento da temperatura média global da atmosfera;
  • A segunda razão é o degelo dos glaciares das montanhas;
  • A terceira, a mais preocupante e mais difícil de estudar, é a fusão dos campos de gelo na Gronelândia e na Antárctica.
O nível médio do mar continuará a subir aceleradamente se não conseguirmos reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Esta terceira componente foi analisada, utilizando novas tecnologias de observação, por 47 cientistas de 26 centros de investigação e publicada na Science em 30 de Novembro. A conclusão principal é que o degelo das calotes polares entre 1992 e 2011 contribuiu 11,1 mm para a elevação do nível médio do mar, o que corresponde a cerca de 1/5 da subida total. Actualmente derretem em média num ano 344 mil milhões de toneladas de gelo, 76% na Gronelândia. O ritmo de fusão dos campos de gelo polares está a acelerar, sendo actualmente três vezes superior ao da década de 1990. Isto significa que é cada vez mais provável termos um aumento do nível médio do mar no fim do século próximo de um metro.
Mas o problema não fica por 2100! O nível médio do mar continuará a subir aceleradamente se não conseguirmos reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Todos estes avisos são especialmente importantes para Portugal, onde o risco de erosão, perda de terreno e inundação se irá agravar com a subida acelerada do nível médio do mar.
O segundo artigo analisa os efeitos fisiológicos da seca em 226 espécies de árvores em 81 locais através do globo com diferentes tipos de floresta, envolveu 25 centros de investigação, e foi publicado na Nature em 21 de Novembro. As árvores de todo o mundo transportam diariamente milhares de milhões de litros de água do solo para a atmosfera por meio de um sistema vascular muito complexo e sensível às condições climáticas. O artigo conclui que a maioria das espécies de árvores observadas está com o seu sistema hidráulico perto do limite de segurança, o que as torna muito vulneráveis às situações de seca.
Este resultado é importante por ser muito provável que a temperatura e as secas aumentem à escala global com as alterações climáticas. Para as árvores e para o sistema terrestre as consequências de secas mais prolongadas e temperaturas mais altas são potencialmente dramáticas. As florestas tenderiam a passar de sumidouros para emissores de CO2 e as perdas de biodiversidade seriam muito elevadas. Também neste caso estamos perante um sério aviso para Portugal, dada a vulnerabilidade das nossas florestas às secas, às temperaturas mais elevadas e aos fogos.
"O conhecimento existe, os decisores políticos e o público em geral estão melhor informados e avisados. Como explicar então a inacção?"
O terceiro estudo é um relatório do Banco Mundial intitulado “Turn down the heat. Why a 4ºC warmer world must be avoided”, publicado também em Novembro. Com o actual ritmo de emissões para a atmosfera vamos ultrapassar 2ºC de aumento da temperatura média global, e chegar próximo dos 4ºC. O relatório faz uma análise detalhada das consequências desse aumento em vários sectores socioeconómicos e conclui que os impactos seriam muito gravosos, especialmente para os países menos desenvolvidos.
O conhecimento existe, os decisores políticos e o público em geral estão melhor informados e avisados. Como explicar então a inacção resultante das negociações das Nações Unidas sobre o clima e em particular os magros resultados da COP 18 em Doha?
Os delegados e os membros de Governo que participam nas reuniões não desempenham prioritariamente o papel de evitar uma interferência antropogénica perigosa sobre o sistema climático, nem de defender as gerações futuras, aquelas que irão sofrer mais as consequências desastrosas daquela interferência. Defendem em primeiro lugar os interesses nacionais dos países que representam e que obedecem a preocupações e agendas de curto prazo, agravadas pela actual crise financeira e económica de origem ocidental, mas que tende a globalizar-se. Será necessário primeiro reconhecer que pertencemos a uma sociedade global sujeita a riscos globais, na qual a solidariedade activa entre todos deve ser prioritária». In Filipe Duarte Santos, Opinião, Clima, Os avisos e a inacção, Jornal Público, Dezembro, 2012.

A amizade do Filipe Duarte
Cortesia do Público/JDACT

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Os Senhores do Tempo. O impacto do homem nas alterações climáticas e no futuro do planeta. Tim Flannery. «… a calote de gelo Quelccaya, nas montanhas do Peru, onde o gelo se deposita num padrão anual de camadas, separada por uma camada de poeira escura, que sopra dos desertos durante a estação seca»

jdact

Nascidos no Congelador
«Os sedimentos da Terra abundam em registos do clima e, quanto mais nos aproximamos da nossa época, mais informações fornecem. Na melhor das hipóteses, contêm um registo anual de alterações que inclui informações sobre a direcção e velocidade do vento, a composição química da atmosfera, a extensão e tipo da cobertura vegetativa da Terra, a natureza das estações e a composição e temperatura dos oceanos, em resumo, o estado da Terra tal como era, por exemplo, há 5120 anos.
Uma das melhores fontes de informação sobre o clima é, na sua forma mais simples, evidente para todos. Se observarmos um pedaço de madeira, podemos ver, escrita na sua textura fina e nos anéis de crescimento, a história de como era o tempo quando a árvore viveu. Anéis espaçados falam-nos de estações quentes de crescimento em que o sol brilhava e a chuva caía no momento certo.
Anéis comprimidos, evidenciando um deficiente crescimento da árvore, falam-nos da adversidade, de Invernos longos e duros ou de Verões extremamente secos que testaram os limites da vida. A forma de vida mais idosa do nosso planeta é um Pinus aristata
que cresce a mais de três mil metros de altura, nas Montanhas Brancas da Califórnia. Com mais de 4600 anos de idade, ergue-se no Methuselah Grove, ao lado de muitos outros espécimes velhíssimos. A sua localização precisa é um segredo muito bem guardado, porque, vulnerável às perturbações, tem estado a morrer lentamente nos últimos dois mil anos. No seu tronco, essa árvore, só por si, conserva um registo pormenorizado das condições climáticas na Califórnia, ano após ano. Se juntarmos ao padrão desta árvore de Methuselah o de um tronco morto, nas suas proximidades, poderemos dispor de um registo do tempo durante dez mil anos. Têm-se obtido anéis de árvores em ambos os hemisférios, e espera-se que os grandes ágates-da-nova-zelândia, kauri, cuja madeira resiste em pântanos durante milénios, possam fornecer um registo das alterações climáticas ao longo de sessenta mil anos.
Contudo, o registo do clima nas árvores, apesar de cómodo e amplo, só nos pode fornecer informações relativamente limitadas. Se pretendermos um registo realmente pormenorizado, teremos de recorrer ao gelo, embora ele só desvende todos os seus segredos em lugares especiais. Um desses lugares é a calote de gelo Quelccaya nas montanhas do Peru, onde o gelo se deposita num padrão anual de camadas, com a queda de neve de cada ano separada por uma camada de poeira escura, que sopra dos desertos durante a estação seca. Em Quelccaya, podem cair três metros de neve durante o Verão, e as quedas das estações seguintes comprimem-nos, transformando-os em neve compactada e, depois, em gelo. Durante o processo, ficam presas bolhas de ar, que actuam como minúsculos arquivos que documentam o estado da atmosfera. Foram cientistas australianos que estiveram na vanguarda das técnicas de avaliação dos níveis de metano, óxido nitroso e CO2 destas bolhas, que revelam a sua história sobre as anteriores condições da biosfera. Até a poeira é esclarecedora, pois dá informações sobre a força e direcção dos ventos e sobre as condições por baixo da calote de gelo. Além disso, os isótopos de oxigénio contidos no gelo podem fornecer conhecimentos sobre os oceanos e as calotes polares distantes.
Os lençóis de gelo da Gronelândia e da Antárctida contêm os núcleos mais compridos, mas, como o gelo escorre, o mais antigo costuma ser comprimido, o que modifica as suas camadas anuais. No entanto, quando as circunstâncias o propiciam, é possível recolher registos verdadeiramente espectaculares. Na década de 90, equipas europeias e americanas de investigadores recolheram amostras de núcleo do planalto gelado da Gronelândia. Como não chegaram a acordo quanto ao local, utilizaram duas máquinas de perfuração, suficientemente afastadas para garantir que as diferenças detectadas eram reais e não uma anomalia localizada. A equipa europeia, que perfurou a norte, teve imensa sorte, porque a sua amostra assentava em rochas graníticas cuja radioactividade gerava um calor considerável. O calor derreteu as camadas inferiores de gelo, impedindo a distorção das camadas superiores e preservando um registo climático pormenorizado remontando a cento e vinte e três mil anos. Com base neste registo singular, a equipa pôde provar que ocorreram alterações espectaculares no clima do Atlântico Norte em apenas cinco camadas anuais de gelo e que, há cento e quinze mil anos, a Gronelândia passou por uma fase quente até então desconhecida, que não se reflectiu na Antárctida». In Tim Flannery, Os Senhores do Tempo, O impacto do homem nas alterações climáticas e no futuro do planeta, Editorial Presença, Lisboa, 2006, ISBN 972-23-3641-X.

Cortesia de E. Presença/JDACT

sábado, 7 de julho de 2012

História (quase) secreta do aquecimento global. Geraldo Luís Lino. Blog de Rui Moura. «O impulso geral era claro: os EUA e o mundo deveriam se mover para acabar com o crescimento populacional e a proteção do meio ambiente deveria receber uma importância igual ou maior do que a melhoria dos níveis de vida…»



Cortesia de ruimoura

In Memoriam de Rui Moura

«Essa tendência, em parte articulada como uma visão de mundo nos escritos de Thomas Malthus, toma o que podem ser preocupações razoáveis sobre temas como a qualidade do ar e da água e as reveste de uma ideologia profundamente hostil ao progresso econômico e à maioria dos seres humanos…
O impulso geral era claro: os EUA e o mundo deveriam se mover para acabar com o crescimento populacional e a proteção do meio ambiente deveria receber uma importância igual ou maior do que a melhoria dos níveis de vida… O crescimento econômico e a tecnologia eram vistos como problemas. (…)
Em síntese, a estratégia hegemônica do Establishmenet oligárquico visava, basicamente:
  • transferir o controle dos processos de desenvolvimento, dos Estados nacionais para entidades supranacionais e não-governamentais, consolidando estruturas de “governo mundial” (ou “governança global”); 
  • erradicar o “vírus do progresso” entre os estratos educados das sociedades de todo o mundo, com a difusão do irracionalismo e da descrença nas conquistas científico-tecnológicas como motores do desenvolvimento; 
  • reduzir o crescimento da população mundial; 
  • controlar uma grande proporção dos recursos naturais do planeta.
Por esses motivos, não admira que a agenda ambientalista não priorize os grandes problemas ambientais realmente enfrentados pela maioria da população mundial. Em vez disto, por exemplo, os “verdes” têm em seu currículo: o banimento do inseticida DDT, responsável pela preservação de literalmente centenas de milhões de vidas em todo o mundo, evitando que fossem vitimadas por doenças transmitidas por insetos; o banimento dos clorofuorcarbonos (CFCs), versáteis produtos químicos que possibilitaram a popularização da refrigeração e seus incontáveis benefícios; um atraso de décadas nos usos pacíficos da energia nuclear; a obstaculização de incontáveis projetos de infra-estrutura energéticos e viários; e outras façanhas de igual calibre. Enfim, quase invariavelmente, os alvos principais das suas ruidosas campanhas têm sido elementos que são sinónimo de bem-estar e progresso, principalmente nos países em desenvolvimento.
Desde as fases iniciais da formação do movimento, o potencial de utilização dos fenômenos atmosféricos para a sua agenda antidesenvolvimento não passou despercebido pelos mentores do ambientalismo. Por isso, propostas como estabelecimento de uma legislação internacional referente aos impactos das atividades humanas na atmosfera, a criação de um organismo supranacional para implementá-la e a imposição de custos adicionais na utilização de combustíveis fósseis, como impostos ou, até mesmo, o estabelecimento de cotas de emissões de CO2, vêm sendo discutidas há décadas e nada têm de novidades.

Já em 1963, a Fundação Conservação patrocinou uma conferência sobre as “Implicações do crescente conteúdo de dióxido de carbono da atmosfera”, a qual foi presidida por Charles David Keeling. O relatório da conferência alertava que a duplicação do CO2 prevista para o século XXI poderia provocar uma elevação de até 4 ºC nas temperaturas, o que provocaria o derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, inundação de áreas costeiras e outros problemas cuja descrição se tornaria lugar comum nos prognósticos catastrofistas sobre o assunto.
Em contraste, no mesmo ano, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) convocou uma conferência em Roma para discutir os efeitos do “resfriamento global” sobre a produção mundial de alimentos. O principal especialista ouvido foi o climatologista inglês Hubert H. Lamb, diretor do Centro de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia e um renomado especialista dos climas do passado, além de opositor da tese simplista de que o CO2 teria uma influência determinante no clima». In Rui Moura, Blog Mitos Climáticos, Geraldo Luís Lino, Maio, 2010.

continua
Cortesia do Blog de Rui Moura/Mitos Climáticos/JDACT

quinta-feira, 3 de maio de 2012

História (quase) secreta do aquecimento global. Geraldo Luís Lino. Blog de Rui Moura. «Ao mesmo tempo, uma série de conquistas científico-tecnológicas contribuía para disseminar um intenso optimismo cultural: a “Revolução Verde” das variedades vegetais alimentícias de alto rendimento, os avanços da medicina e da saúde pública, as telecomunicações»


(1930?-2010)
Cortesia de ruimoura

Com a devida vénia a Rui Moura

«A presente histeria mundial em torno do aquecimento global e a mobilização política articulada para “controlar” os seus alegados efeitos têm motivações bastante diferentes daquelas estabelecidas pelo papel e as responsabilidades da ciência como mola propulsora do progresso da humanidade. O facto é que uma legítima indagação científica sobre as funções do dióxido de carbono para o clima e a contribuição humana para o aumento das suas concentrações na atmosfera, que remonta ao século XIX, se viu alçada à condição de obsessão mundial e convertida numa pauta política que ameaça afectar drasticamente a matriz energética e os níveis de vida de todas as nações do planeta.
Tal processo pouco tem a ver com a ciência em si, mas com a captura de fenómenos atmosféricos, como as mudanças de temperaturas e o “buraco” na camada de ozono, pela agenda ambientalista do Establishment” (classe dirigente) anglo-americano. As motivações para a colocação em marcha desse processo remontam à década de 1950, quando a humanidade, como um todo, experimentava o período de mais rápida expansão do seu desenvolvimento socioeconómico. Tal impulso foi proporcionado pela reconstrução económica do pós-guerra, o processo de descolonização na Ásia e na África e o arcabouço financeiro e monetário relativamente estável proporcionado pelo Sistema de Bretton Woods.

Ao mesmo tempo, uma série de conquistas científico-tecnológicas contribuía para disseminar um intenso optimismo cultural: a “Revolução Verde” das variedades vegetais alimentícias de alto rendimento, os avanços da medicina e da saúde pública, as telecomunicações, as perspectivas de uso pacífico da energia nuclear, a corrida espacial e outras. Naquele momento, a palavra de ordem era “industrialização”, principalmente entre os países subdesenvolvidos, muitos dos quais contemplavam ambiciosos planos de modernização económica baseados na indústria. Em 1957, o comércio mundial de produtos industrializados superou, pela primeira vez, o de produtos primários e alimentos. Entre 1953 e 1963, a participação dos países subdesenvolvidos na produção industrial mundial subiu de 6,5 % para 9 %, uma alta de quase 50 %, com tendência ascendente.
Foi nesse contexto que certos sectores do Establishment” anglo-americano, que desde o início do século XX promoviam iniciativas que visavam o controle social, como a ‘eugenia’ (“melhoramento racial”) e o controle demográfico, colocaram em marcha o movimento ambientalista, com a criação de grandes ONGs internacionais como a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) e a Fundação Conservação (Conservation Foundation), as “sementes” da vasta rede de organizações que integram hoje o aparato “verde”. O sociólogo Donald Gibson, da Universidade de Pittsburgh, que esbarrou no ambientalismo durante as suas pesquisas sobre o contexto do assassinato do presidente dos USA John F. Kennedy (1961-63), descreve: 
  • No final da década de 1950 e início da de 1960, uma antiga inclinação existente entre alguns membros da classe superior estava prestes a se tornar um assunto nacional. 
Esta inclinação iria redefinir as conquistas da ciência e da tecnologia como acções malignas que ameaçavam a natureza ou como fúteis tentativas de reduzir o sofrimento humano, que, diziam, era o resultado da superpopulação». In Rui Moura, Blog Mitos Climáticos, Geraldo Luís Lino, Maio, 2010.

Continua
Cortesia do Blog de Rui Moura/Mitos Climáticos/JDACT

terça-feira, 7 de junho de 2011

Tim Flannery. O Clima está nas Nossas Mãos: «Em 1985, quando vi pela primeira vez estas incríveis florestas, no vale de Nong River a norte de Telefomin, perto do centro da ilha. Ali habitavam muitas espécies fora do comum, algumas das quais exclusivas daquela região e desconhecidas da ciência. Uma dessas criaturas era um "gamba" acinzentado do tamanho de um gato, com grandes olhos castanhos, pequenas garras e uma curta cauda, conhecido pelos habitantes de Telefol, que por vezes iam até ao vale para caçar, como matanim»

Marsupiais
Cortesia de enciclopediabritanica

Linha de Wallace
Cortesia de wikipedia

(Continuação)
Mesmo áreas mais isoladas das florestas húmidas estão a sofrer os efeitos do aquecimento global.
«Em zonas da Amazónia situadas bastante longe de qualquer influência humana directa, a proporção de árvores que constitui o dossel da floresta está a mudar. Estimuladas pelo aumento dos níveis de CO2, as espécies de crescimento rápido estão a crescer mais, tirando espaço às plantas de crescimento lento. Isto diminui a biodiversidade da floresta húmida, já que as aves e animais que dependem da flora de crescimento lento para se alimentarem desaparecem, juntamente com os seus recursos.
Uma das mais importantes divisões naturais no nosso planeta é a «Linha de Wallace». A oeste situa-se a Ásia com os seus tigres e elefantes, enquanto que a este situa-se uma região, no centro da Austrália, conhecida como «Meganésia», a qual tem uma flora e fauna únicas, incluindo muitos «marsupiais».
O habitat mais rico da Meganésia são as florestas de carvalhos das montanhas da Nova Guiné. Durante a estação em que esta árvore dá frutos, o rico húmus do solo da floresta fica coberto com bolotas castanhas, grandes e brilhantes. Se apanharmos uma o mais provável é descobrirmos que foi mastigada, porque neste lugar como em mais nenhum existe um número incomparável de «gambas» e «ratos-gigantes», e estes animais adoram petiscar bolotas.

Gato marsupial
Cortesia de wikipedia

Gambá
Cortesia de g1globo

Em 1985, quando vi pela primeira vez estas incríveis florestas, no vale de Nong River a norte de Telefomin, perto do centro da ilha, as mesmas estendiam-se diante dos meus olhos ao longe, contrastando com o azul do horizonte, intocavelmente primitivas. Fui o primeiro mamalogista a trabalhar naquela área, um privilégio raro. Ali habitavam muitas espécies fora do comum, algumas das quais exclusivas daquela região e desconhecidas da ciência. Uma dessas criaturas era um «gamba» acinzentado do tamanho de um gato, com grandes olhos castanhos, pequenas garras e uma curta cauda, conhecido pelos habitantes de Telefol, que por vezes iam até ao vale para caçar, como «matanim». Falando com caçadores, fiquei a saber que este animal tem uma curiosa alimentação à base de folhas de figueira, fruta e raízes apodrecidas de certas árvores. A região de Nong não é propriamente o lugar mais acessível do mundo, por isso, em 2001, quando tive oportunidade de regressar, não hesitei. Podem imaginar como eu estava entusiasmado mas, mesmo antes de o helicóptero aterrar, o meu entusiasmo desabara. O vale inteiro, juntamente com os picos circundantes, tinha-se transformado numa vasta alameda de jazigos vegetais.
Telefomin
Cortesia de thewebsiteofeverything

Mais tarde, os meus velhos amigos de Telefol contaram-me que durante o segundo semestre de 1997 pouco ou nada chovera, apenas penosas geadas caíram agressivamente do céu sem nuvens, matando as árvores.
Por altura do Ano Novo, o que restava da floresta eram apenas bocados queimados e retorcidos, e o chão estava coberto de folhas mortas. Ao chegar, o fogo atravessou rapidamente o vale, subindo até aos picos circundantes. Ardeu durante meses, e mesmo um ano depois podia reacender-se a partir do musgo e da matéria vegetal morta enterrada em profundidade.
Estes acontecimentos tinham devastado a região, expulsando os animais selvagens dos seus esconderijos. A quantidade de mandíbulas de marsupiais como troféus, na posse -de caçadores, mostra que a catástrofe ambiental tinha permitido que os mais intocáveis refúgios ficassem acessíveis a humanos. Centenas de mandíbulas de criaturas maiores e mais raras, como cangurus das árvores, gambás e ratos gigantes, pendurados em lareiras, provam que até aos caçadores medíocres o êxito foi garantido.

Perguntei a mim mesmo se, penduradas entre aqueles troféus, estariam as mandíbulas do último «matanim» da Terra?
Seriam necessários anos de pesquisa até confirmar a presença ou ausência de um tão raro e esquivo animal. Mas depois do que vi em 2001 ao visitar a região, acredito que, se ele sobrevivesse, isso teria de ser considerado um milagre». In Tim Flannery, O Clima está nas Nossas Mãos, História do Aquecimento Global, Oficina do Livro-Estrela Polar, 2008, ISBN 978-972-8920-93-0.

Cortesia de Oficina do Livro/JDACT

Tim Flannery. O Clima está nas Nossas Mãos: «O espectacular caracol "Tiphoboia horei", existente apenas neste lago, perdeu dois terços do seu "habitat";actualmente vive apenas a 100 metros ou menos de profundidade, sendo que há 25 anos aventurava-se três vezes mais fundo. Estas mudanças, avisam os cientistas, ameaçam colapsar todo o ecossistema do lago»

Cortesia de meioambiente

Com tantas espécies a mudar de lugar, é inevitável que as alterações humanas ao ambiente acabem por bloquear o seu caminho.
«A chegada precoce da actividade primaveril é uma pista essencial para as alterações climáticas. No mundo das aves, o «Common murre», ave marinha do Hemisfério Norte, vulgarmente denominada "Airo", começou a pôr os seus ovos em média 24 dias mais cedo por década, ao longo do período de estudo da sua nidificação. Na Europa, numerosas espécies de plantas têm estado a germinar e a florescer 1,4 a 3,1 dias mais cedo por década, enquanto parentes suas na América do Norte têm estado a fazê-lo 1,2 a 2 dias mais cedo. As borboletas europeias estão a surgir 2,8 a 3,2 dias mais cedo por década, enquanto as aves migratórias chegam à Europa 1,3 a 4,4 dias mais cedo por década.
Do mesmo modo que algumas espécies mudam rapidamente em resposta às alterações climáticas, outras ficam para trás. Um alimento essenciul para um predador pode chegar tarde demais ou poderá deslocar-se demasiado para Norte, o que impede que esse predador possa usá-lo.
As lagartas da traça, próprias do Inverno europeu, comem apenas folhas de carvalho tenras. Mas carvalhos e traças guiam-se por sinais diferentes que os avisam da chegada da Primavera. Um clima agora mais quente faz com que os ovos da traça comecem a romper mas as traças guiam-se pelos dias curtos e frios de Inverno para saírem dos ovos.
 jdact

A Primavera é mais quente agora do que era há 25 anos, mas a quantidade de diuas frios de Inverno não se alterou. Como resultado, as traças de Inverno agora saem dos ovos até três semanas antes das primeiras folhas de carvalho nascerem. Como as lagartas só sobrevivem dois ou três dias sem alimento, o seu número é agora muito menor. As que conseguem sobreviver crescem geralmente mais depressa porque a competição por alimento é maior, o que significa que as aves têm menos tempo para as encontrar.
De acordo com o que foi exposto, parece provável que o processo de selecção natural acabe por resultar numa alteração do período de incubaçao da traça, mas não sem antes ocorrerem mortes em massa de lagartas precocemente saídas do ovo e, no mínimo durante algumas décadas, esta será sem dúvida uma espécie rara.
E as aves, aranhas e insectos que se alimentam das traças, sobreviverão? Se não conseguirem sobreviver, isso será mais um exemplo de como em toda a parte as alterações climáticas do planeta estão a fazer colapsar a rede delicada da vida.Ao longo das últimas décadas, as salamandras em fase de reprodução têm entrado nos charcos europeus mais cedo do que o habitual, mas o mesmo não acontece com as rãs. Isto significa que os girinos das salamandras já estão bem adultos quando os das rãs saem dos seus ovos, possibilitando às salamandras alimentarem-se de grandes quantidades de girinos de rã, o que está a ter impacto sobre o número de rãs. Alguns répteis estão nitidamente mais ameaçados de forma directa pelo aquecimento global, porque o sexo das crias é determinado pela temperatura a que os ovos são incubados. Para a tartaruga pintada norte-americana, temperaturas mais elevadas provocarão um menor índice de nascimento de machos. Se as temperaturas de Inverno subirem ligeiramente acima dos níveis actuais, isso poderá gerar uma população só de fêmeas.

Cortesia de tudolevaapericia

Um impacto muito diferente das alterações climáticas foi recentemente detectado no Lago Tanganica, em África, uma das mais antigas e profundas massas de água fresca do mundo. Localizado mesmo a sul do Equador, acolhe uma enorme variedade de espécies únicas. À semelhança da maioria dos lagos, é composto por diferentes camadas de ágUa, sendo a camada superior a mais quente. Isto pode evitar a mistura das camadas superiores ricas em oxigénio com as inferiores, ricas em nutrientes. As plantas nas camadas que apanham luz solar podem morrer por falta de nutrientes, e as que ficam nas camadas mais profundas podem morrer por falta de oxigénio. No passado, esta sobreposição de camadas era interrompida sazonalmente pelas monções de Sueste que agitavam as águas do lago e estimulavam a variedade espectacular de vida nele contida.
Desde os meados da década de 1970, contudo, a alteração do clima aqueceu as suas camadas superficiais de tal maneira, que as monções já não são suficientemente fortes para misturar as águas. Inevitavelmente, o plâncton, do qual depende a maior parte da vida existente no lago, diminuiu agora para menos de um terço da sua abundância de há 25 anos.
O espectacular caracol «Tiphoboia horei», existente apenas neste lago, perdeu dois terços do seu «habitat»;actualmente vive apenas a 100 metros ou menos de profundidade, sendo que há 25 anos aventurava-se três vezes mais fundo. Estas mudanças, avisam os cientistas, ameaçam colapsar todo o ecossistema do lago. Em todo o mundo as superftcies dos lagos estão a aquecer, impedindo as suas águas de se misturarem e ameaçando a base da sua produtividade». In Tim Flannery, O Clima está nas Nossas Mãos, História do Aquecimento Global, Oficina do Livro-Estrela Polar, 2008, ISBN 978-972-8920-93-0.

Cortesia de Oficina do Livro/JDACT

terça-feira, 10 de maio de 2011

Tim Flannery. O Clima está nas Nossas Mãos: «A parte El Niño do ciclo começa com um despertar de ventos tropicais, permitindo que a superfície tépida da água flua novamente para Oriente, subjugando a fria «Corrente Humboldt» e libertando humidade para a atmosfera. À medida que os gases com efeito de estufa aumentam na atmosfera, começaremos a viver condições do tipo El Niño com mais frequência»



Cortesia de southwestclimatechange


Portões mágicos, El Niño e La Niña
«O efeito do aquecimento global no clima da Terra é um pouco como colocar um dedo em cima de um interruptor de luz. Por um momento nada acontece mas, se aumentarmos a pressão, há um ponto em que subitamente algo muda e num estalido dá-se a passagem de um estado a outro.
A climatologista Julia Cole refere-se aos saltos do clima como «portões mágicos» e defende que, desde que as temperaturas começaram rapidamente a subir na década de 1970, o nosso planeta testemunhou dois desses acontecimentos, em 1976 e em 1998.

Em 1998, surgiu uma ligação do portão mágico ao ciclo El Niño-La Niña, um ciclo com a duração de 2 a 8 anos e que traz consigo eventos climáticos extremos à maior parte do mundo. O nome El Niño, que em castelhano se refere «a Cristo criança», foi inventado por pescadores peruanos que se aperceberam de uma corrente tépida que com frequência se fazia sentir nas suas zonas de pesca na altura do Natal. La Niña significa a menina e refere-se a um período de arrefecimento no oceano ao largo da América do Sul.



Cortesia de wikipedia
Durante a fase de La Niña, os ventos sopram na direcção do Ocidente atravessando o Pacífico, empurrando a superfície morna da água em direcção à costa australiana e às ilhas a norte desta. Com as águas tépidas levadas para Ocidente, a fria «Corrente Humboldt» pode emergir percorrendo a costa do Pacífico da América do Sul, transportando consigo nutrientes que alimentam a pescaria mais prolífera no mundo, a anchoveta.

A parte El Niño do ciclo começa com um despertar de ventos tropicais, permitindo que a superfície tépida da água flua novamente para Oriente, subjugando a «Humboldt» e libertando humidade para a atmosfera, o que leva a que os habitualmente áridos desertos peruanos fiquem alagados. A água mais fria emerge agora no distante Pacífico ocidental. Ela não se evapora tão prontamente como a água tépida, portanto a seca atinge a Austrália e o Sueste Asiático.
Quando um El Niño é suficientemente intenso, pode devastar dois terços do planeta com secas, inundações e outros fenómenos climáticos extremos.




Cortesia de wikipedia
O ano El Nino de 1997-98 foi baptizado pelo Fundo Mundial para a Natureza, actual WWF, como «o ano em que o mundo se incendiou». A seca dominou uma grande parte do planeta. Em todos os continentes lavraram incêndios, mas foi nas normalmente húmidas florestas tropicais do Sueste Asiático que os mesmos atingiram o seu auge. Aí, 10 milhões de hectares arderam, dos quais metade eram floresta tropical antiga. Na ilha do Bornéu, perderam-se 5 milhões de hectares, uma área quase do tamanho da Holanda.
Muitas das florestas ardidas nunca recuperarão dentro de uma escala de tempo significativa para os seres humanos. E provável que o impacto na fauna única do Bornéu nunca venha a ser totalmente conhecido.

À medida que os gases com efeito de estufa aumentam na atmosfera, começaremos a viver condições do tipo El Niño com mais frequência.
Eventos do tipo El Niño severo podem alterar permanentemente o clima. O evento de 1998 libertou energia térmica suficiente para fazer subir a temperatura global em cerca de 0,3ºC. Desde então, as águas da zona central do Pacífico Ocidental atingiram com frequência os 30ºC, enquanto o «jet stream» se desviou para o Pólo Norte. O novo regime climático também parece tender a produzir mais El Niños extremos. Os investigadores que pretendem documentar a resposta da natureza às alterações do clima recorrem muitas vezes aos apontamentos tirados por observadores de pássaros, pescadores e outros observadores da natureza.

Cortesia de severewx.atmos
Alguns desses registos são muito extensos. Uma família inglesa registou a data em que ouviu os primeiros coaxares de rãs e sapos na sua propriedade, todos os anos entre 1736 e 1947. Antes de 1950 existe pouca evidência de qualquer tendência nestes registos mas, ao longo dos últimos 55 anos, emergiu um padrão muito forte em todo o planeta. As espécies mudaram-se para mais perto dos pólos, a uma média de cerca de seis quilómetros por década. Recuaram para as encostas de montanhas a uma média de 6,1 metros por década. Similarmente, a actividade de Primavera adiantou-se em cerca de 2,3 dias por década». In Tim Flannery, O Clima está nas Nossas Mãos, História do Aquecimento Global, Oficina do Livro-Estrela Polar, 2008, ISBN 978-972-8920-93-0.

Cortesia de Oficina do Livro/JDACT

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Monte Ararat: A superfície das neves eternas passou de 8 km² em 1976 para 5,5 km² em 2008, o que significa uma redução de aproximadamente sete hectares por ano. A temperatura aumentou 0,03 ºC por ano na área estudada

Monte Ararat, visto de Khor Virap, Arménia
Cortesia de wikipédia

O Monte Ararat é a mais alta montanha da Turquia. Tem dois picos:
  • O Grande Ararat (o pico mais alto da Turquia e de todo o planalto arménio com uma altitude de 5.137 metros);
  • O Baixo Ararat (com uma altitude de 3.896 metros).

Segundo a Agência AFP, as neves eternas do monte Ararat encontram-se ameaçadas pelo aquecimento global.  As neves eternas do lendário monte Ararat, no leste da Turquia, perderam 30% da sua superfície em três décadas, declarou  o geólogo Mehmet Akif Sarikayaun.

Cortesia da NASA
«Utilizamos imagens de satélites para analisar a resposta do gelo no topo do monte Ararat ao aquecimento global. Descobrimos que havia perdido 30% de sua superfície entre 1976 e 2008», indicou o cientista, cujo estudo ainda não foi publicado.

«A superfície das neves eternas passou de 8 km² em 1976 para 5,5 km² em 2008, o que significa uma redução de aproximadamente sete hectares por ano», explicou Mehmet Akif Sarikayaun, professor da Universidade Fatih de Istambul e pesquisador da Universidade de Omaha.

Cortesia da NASA
De acordo com o geólogo, as mudanças climáticas são a causa mais provável do degelo, e pode ameaçar a existência das neves eternas do monte a longo prazo. Sarikayaun mais indicou, que a «temperatura aumentou 0,03 graus por ano» na área durante o período estudado. Entretanto, não descartou que outros factores tenham influenciado no degelo. O investigador reconheceu que não tem elementos para determinar se as causas do aumento da temperatura estão ligadas ou não ao fenómeno do aquecimento global.

Religiões como o judaísmo e o cristianismo acreditam que o monte Ararat (5.137 m) é o local onde a arca de Noé parou depois do dilúvio universal narrado no Antigo Testamento.

Cortesia de AFP, 2010
JDACT

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Antárctida: O gelo marinho da Antárctida aumentou, apesar do aquecimento global, ao contrário do gelo no Ártico. Mas isso deverá mudar, conforme os gases do efeito de estufa continuem a aquecer as águas da Antárctida

Cortesia de wikipédia
Um estudo recente demonstrou que o gelo marinho da Antárctida aumentou, apesar do aquecimento global, ao contrário do gelo no Ártico. Mas isso deverá mudar, conforme os gases do efeito de estufa continuem a aquecer as águas da Antárctida.

Isso fornece uma explicação para o crescente aumento de gelo do mar na Antárctida ao longo dos últimos 30 anos, embora o aquecimento global tenha derretido muito do gelo do Ártico. O aquecimento dos oceanos provocou precipitações na atmosfera superior, e essas precipitações ocorrem como neve na Antárctida. As camadas superiores do oceano tornam-se menos densas, porque a neve faz com que essas camadas superficiais fiquem menos salgadas, tornando-as mais estáveis. Isso impede que as correntes mais quentes, na parte mais profunda do oceano, atinjam as águas superficiais e derretam o gelo na Antárctida.

Cortesia de enciclopedia
Pode parecer uma contradição que as águas quentes da superfície sejam a causa que provoca a precipitação que ajuda a criar gelo, e também provoca o derretimento do gelo do mar quando ele sobe. Mas o problema, de acordo com o estudo, é que os oceanos estão-se tornando muito quentes na Antárctida devido ao aquecimento global causado pelo homem.

Cortesia de apclimaticas
O aumento da quantidade de gases do efeito de estufa provoca o aquecimento global do planeta, e este aquecimento faz com que a precipitação na Antárctida seja sob a forma de chuva em vez de neve, o que derrete o gelo e a neve num ritmo muito rápido. Os raios solares são absorvidos pelo oceano conforme o gelo derrete, o oceano aquece ainda mais e, eventualmente, leva ao derretimento do gelo do mar. Há vários problemas associados com o derretimento do gelo do mar. Por exemplo, alguns animais na Antárctida dependem do gelo para a caça e para a sobrevivência. Esse derretimento também poderia mudar a forma como a água no oceano viaja ao redor do mundo, o que pode interferir nos padrões de circulação que fornecem nutrientes para até três quartos da vida marinha. In Natasha Romanzoti, Hype Science.

Cortesia de Hype Science/JDACT

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Idade do Calor: Em 1975, o cientista Wallace Broecker afirmava «a actual tendência de arrefecimento vai dar lugar dentro de uma década ou mais, a uma significativa tendência de aquecimento devido ao dióxido de carbono, e que no início do próximo século, o CO2 vai levar as temperaturas do planeta para níveis superiores aos sentido nos últimos mil anos». Wallace Broecker previu um aquecimento global de 0,8ºC no século XX

Cortesia de es-marquesaalorna
Publico um artigo que li com muito agrado. Trata-se de um texto de Stefan Rahmstorf, professor de Física dos Oceanos na Universidade de Potsdam e autor do livro «The Climate Crisis».  Deste modo, com a devida vénia para Stefan Rahmstorf, eis algumas ideias simples.


«O último mês de Abril foi o mais quente de que há registo a nível global nos últimos 130 anos, de acordo com os registos de temperatura realizados pela NASA. Os últimos 12 meses formam o período mais quente desde que se iniciaram os registos.
Isto é o que mostram os dados das estações e barcos meteorológicos. Mas se preferirem os dados de satélite, as conclusões são muito semelhantes. Segundo os dados de satélite, o último mês de Março foi o  mais quente de sempre, e Abril o segundo mais quente. Os dados da superfície revelam o contrário, que Março foi o segundo mais quente e Abril o primeiro mais quente.

Claro, que mais importante, em termos científicos, é a tendência de médio/longo prazo. Nos últimos 30 anos, período das medidas de satélite, a tendência é claramente de subida na temperatura e semelhante, em termos de magnitude, em todos os grupos de dados disponíveis.
Se continua a ter dúvidas sobre o aquecimento do planeta, olhe para a diminuição dos glaciares em todo o mundo ou para a redução da placa de gelo no Oceano Árctico, que nos últimos Verões tem tido pouco mais de metade da dimensão que tinha nos anos 70. O que está a causar o aquecimento climático?
A física diz-nos:
  • se querem saber porque está a ficar mais quente, procurem a fonte de calor (é uma consequência da primeira lei da termodinâmica: a energia é sempre conservada). Assim temos que analisar o equilíbrio de calor do nosso planeta para perceber as razões do aquecimento.
Isso é surpreendentemente simples: Existe uma fonte de calor a entrar, a radiação do Sol (que é uma luz extremamente visível, ou radiações de onda curta). E existe apenas uma forma do calor deixar o planeta, através das radiações de calor (que é invisível ou radiações de onda larga). O mesmo fenómeno físico, a diferença na longitude da onda apenas existe porque o Sol é muito mais quente do que a Terra. Alterações na radiação solar poderão, assim, explicar o aquecimento do planeta?
Medições das radiações solares que entram na Terra mostram que estas não aumentaram nos últimos 50 anos. Os registos até mostram uma ligeira redução. Mas a característica predominante nos registos é a predominância de ciclos de radiação solar que duram cerca de 11 anos (chamados ciclos Schwabe, devido ao astrónomo que os descobriu em 1843).

Cortesia de universitario
Nos últimos anos, temos estado no mínimo mais profundo e longo de um ciclo de Schwabe desde que começaram os registos de satélite. Ou seja, enquanto as temperaturas globais estão no nível mais elevado, o Sol nunca esteve tão ténue em décadas. Claramente, as alterações na actividade solar não podem explicar o aquecimento global.

Isso dá lugar a outro factor que afecta a radiação solar:
  • Quanta radiação é reflectida para o espaço pelo gelo, neve, nuvens, areia do desertos e outras superfícies brilhantes.
De facto, parte do aquecimento observado deve-se a um menor reflexo, à medida que a neve e a placa de gelo diminuem. Isto permite que o sistema climático absorva mais calor solar, razão pela qual o Árctico tem aquecido a um ritmo mais rápido do que outras partes do mundo. Mas a diminuição da neve e da placa de gelo é ela própria resultado do aquecimento. Assim, a diminuição dos reflexos dos raios solares não são a primeira causa do aquecimento. Na verdade, é uma reacção que amplifica o aquecimento. Os seres humanos têm alterado o brilho da Terra, tal como é visto do espaço, de formas mais directas. Mas converter florestas em terras de cultivo (que são muito mais brilhantes do que as florestas) e adicionar partículas de «smog» na atmosfera (que reflectem a luz do Sol) aumentaram o reflexo da radiação solar e conseguiram anular parte do aquecimento global que de outra forma teria acontecido.

O «smog»
Cortesia de larasfriends
Assim ficamos com a segunda parte do défice de calor planetário. O calor que escapa para o espaço. Isso pode ser alterado lançando para atmosfera gases que «aprisionam» o calor, os chamados gases com efeito de estufa, que absorvem as radiações de onda longa quando saem e enviam uma parte, de novo, para a superfície. A importância deste «efeito de estufa» é conhecida da ciência desde o século XIX, quando Joseph Fourier definiu o termo. Ninguém o descreveu de forma tão clara como o físico John Tyndall, que foi o primeiro a medir o efeito, em 1869, no seu laboratório, de diversos gases, incluindo o dióxido de carbono (CO2). John Tyndall escreveu:
  • A atmosfera admite a entrada de calor solar mas controla a sua saída, e o resultado é uma tendência para acumular calor na superfície do planeta.
Através de medições sabemos que os gases com efeito de estufa estão a acumular-se na atmosfera da Terra. Os níveis de dióxido de carbono estão um terço mais elevados do que em qualquer altura no último milhão de anos devido às emissões industriais. Podemos calcular em que medida isto alterou o equilíbrio de calor da Terra.
Precisamente, no montante que explica o aquecimento observado. Esta é uma de muitas razões porque quase nenhum cientista do ambiente sério duvida que os gases com efeito de estufa são a causa do aquecimento global.

Cortesia de ecodebate
De facto, este aquecimento foi previsto antes de ser observado. O aumento dos níveis de CO2 é conhecido desde 1960. Em 1975, o cientista norte-americano Wallace Broecker publicou um estudo na revista «Science», intitulado «Are We on the Brink of a Pronounced Global Warming?». Nesse estudo previa-se, de forma correcta, que a actual tendência de arrefecimento vai dar lugar dentro de uma década ou mais, a uma significativa tendência de aquecimento devido ao dióxido de carbono, e que no início do próximo século, o CO2 vai levar as temperaturas do planeta para níveis superiores aos sentido nos últimos mil anos. Wallace Broecker previu um aquecimento global de 0,8ºC no século XX. Ele acertou todas as previsões.
Wallace Broecker
Cortesia de smithsonianmag
Muitas pessoas opõem-se à ciência que estuda o aquecimento global.
Mas as leis da física não se rendem sem se oporem. Nos últimos 35 anos, o aquecimento global ocorreu tal como previsto pela ciência. Muito provavelmente vai continuar a ocorrer até que o paremos através da redução de emissões de CO2». In Negócios online, Stefan Rahmstorf (professor de Física dos Oceanos na Universidade de Potsdam e director de departamento no Instituto Potsdam para a Pesquisa para as Alterações Climáticas), Project Syndicate.

Cortesia de Ana Luísa Marques/Negócios online/JDACT