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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Cartas a Nora. James Joyce. «Mi querida Nora, te mando un boceto mío (Stephen Dedalus) que puede interesarte. Creo que en todo el día no hubo en mi cabeza más que un pensamento»

jdact

[Finales de Julio de 1904?]. Dublin
«Mi querida Nora, anoche, mientras paseaba, me encontré suspirando y recordé una vieja canción escrita hace trescientos años por el rey inglés Enrique VIII, un rey lujurioso y brutal. La canción es tan dulce y fresca y parece haber salido de un corazón tan inocente y apenado que te la envío y espero que te guste. Es extraño cómo los ángeles inspiran espíritu de belleza en tales lodazales. Las palabras expresan muy delicada y musicalmente la vaga y fatigada soledad que siento. Es una canción escrita para laúd». In JIM

Canción (para música)
«Oh, los suspiros que salen de mi corazón
me apenan con su dolor!
Pues debo abandonar a mi amor
Adiós para siempre, mi alegría.

Solía contemplarla
Y en mis brazos tenerla
Y ahora me lleno de suspiros
Adiós mi alegría y bienvenido el dolor!

Oh, me parece que si aún pudiera
(Dios podría, si quisiera)
Comparado con ello no habría alegría
Que iluminara mi corazón».
In Enrique VIII

Matasellos del 2 de Agosto de 1904. Tarjeta Postal. Dublin
«Abajo, en los alegres jardines nos encontramos mi
amor y yo Ella recorría los alegres jardines con sus
puros piececitos
Me ofreció tomar el amor fácilmente como las hojas
crecen en el árbol.
Pero yo, joven y alocado, no estaba de acuerdo con
ella.

En un campo junto al río permanecimos mi amor y
yo
Y en mi hombro acogedor apoyó su mano pura.
Me ofreció tomar el amor fácilmente como la hierba
crece en las veredas.
Pero yo era joven y alocado y ahora estoy lleno de
Lágrimas».
In W.B. Yeats

3 de Agosto de 1904. 60 Shelbourne Road
«Querida Nora, estarás libre esta noche a las ocho y media? Espero que así sea, porque he tenido tantas preocupaciones que necesito olvidarlo todo en tus brazos. Así que ven si puedes. En virtud de los apostólicos poderes investidos en mí por su Santidad el Papa Pío Décimo, por la presente te doy permiso para venir sin faldas para recibir la Bendición Papal que estaré encantado de proporcionarte. Tuyo en el Judío Agonizante». In Vincenzo Vannutelli. (Diácono Cardenal)

Alrededor del 13 de Agosto de 1904. Dublín
«Mi querida Nora, te mando un boceto mío (Stephen Dedalus) que puede interesarte. Creo que en todo el día no hubo en mi cabeza más que un pensamento». In J.A.J.
[…]

In James Joyce, Cartas a Nora, 1902-04, Relógio d’Água, 2012, ISBN 978-989-641-326-2, Elaleph.com, tradução de Filipe Rua Nova, 2000.

Cortesia de Rd’Água/JDACT

quarta-feira, 31 de julho de 2019

No 31. Cartas a Nora. James Joyce. «Debo estar ciego. Durante largo rato estuve mirando una cabeza de cabello castaño rojizo y después decidí que no era la suya»

jdact

8 de Julio de 1904. Dublin
«Pequeña Nora iracunda, (no) puedo encontrarte esta noche, pues tengo que ir a Sandymount donde cierto italiano desea verme. Espérame en la esquina de Merrion Square mañana a las ocho y media. Adiós, querida cabecita castaña». JAJ

15 de Junio de 1904. 60 Shelbourne Road
«Debo estar ciego. Durante largo rato estuve mirando una cabeza de cabello castaño rojizo y después decidí que no era la suya. Volví a casa muy abatido. Me gustaría concertar una cita, pero quizás no sea conveniente para usted. Espero que sea tan amable de fijarla usted misma, si es que no me há olvidado». James A. Joyce

[12 de lulio de 1904?]. 60 Shelbourne Rd., Dublín
«Mi querida Lindos Zapatitos Marrones, olvide que mañana (miércoles) no puedo verte, pero sí el jueves a la misma hora. Espero que pongas mi carta en la cama debidamente. Tu guante a mi lado toda la noche está sin abotonar; por otra parte, se comporta muy decentemente como Nora. Por favor, quítate ese corsé, pues no me gusta abrazar un buzón. ¿Oyes ahora? (Ella se echa a reír) Mi corazón, como dices, sí, de acuerdo.
Un beso de veinticinco minutos en tu cuello». Aujey

[¿Finales de julio de 1904?]. 60 Shelbourne Road, Dublín
«Mi iracunda Nora, te dije que te escribiría. Ahora me escribes y me preguntas qué demonios me pasaba la otra noche. Estoy seguro de que algo anduvo mal. Me mirabas como si estuvieras triste por algo que no había ocurrido, y que habría podido gustarte mucho. Desde entonces he tratado de consolarme, pero no lo consigo. Dónde estarás el sábado, el domingo, el lunes por la noche, para que no pueda verte? Ahora, querida, adiós. Beso el milagroso hoyuelo de tu cuello. Tu Hermano Cristiano en la lujuria. La próxima vez, cuando vengas, deja tu enojo en casa..., y también el corsé». JAJ
[…] 
In James Joyce, Cartas a Nora, 1902-04, Relógio d’Água, 2012, ISBN 978-989-641-326-2, Elaleph.com, tradução de Filipe Rua Nova, 2000.

Cortesia de Rd’Água/Elaleph/JDACT

domingo, 28 de julho de 2019

Cartas a Nora. James Joyce. «Eu devia começar pedindo-te perdão pela carta ordinária que te escrevi ontem à noite. Escrevi-a com a tua carta em frente a mim e de olhos grudados, como ainda estão agora, numa das suas palavras…»

jdact

Prólogo
[…]
«Nas cartas a Nora, Dublin aparece como a cidade do fracasso, do rancor e da desdita. O irlandês converte-se em sinónimo de traição: quando era maiss jovem teve um amigo a quem se deu por completo, em certo sentido mais do que se entregar, e num outro sentido menos. Era irlandês, e traíu-me. Também: a mim parece-me que aquela perda se estendeu à gente vulgar de Dublin, que a odiou e desprezou. Detestará o nacionalismo trasnochado, e os motivos não serão políticos. Sabe-se da sua simpatia pela causa de Parnell, na sua juventude, devido à influência paterna, muito disso se lê na sua conferência dada em Triestre…»
[…]


«27 de Novembro de 1909 sábado à noite
Caríssima Nora. Sigo hoje daqui a uns instantes para Belfast e tenho de perder a tua carta que deve chegar logo Volto amanhã e tornarei a escrever. Sonha comigo. Teu amante». Jim

«Dublin, 2 de Dezembro de 1909
Meu bem.
Eu devia começar pedindo-te perdão pela carta ordinária que te escrevi ontem à noite (nota: esta carta não foi encontrada). Escrevi-a com a tua carta em frente a mim e de olhos grudados, como ainda estão agora, numa das suas palavras. Há qualquer coisa de obsceno elibidinoso até nas próprias letras. Ela soa também como o acto mesmo, curta, brutal irresistível e diabólica. Meu bem, não te ofendas com oque escrevi. Tu me agradeces pelo lindo nome que te dei. Sim, querida, minha linda flor agreste das sebes! Minha flor azul-marinho, encharcada de chuva!, e um nome bonito. Como vês, ainda sou um pouco poeta. Vou dar-te também de presente um livro encantador e é um presente do poeta para a mulher amada. Mas, lado a lado e no âmago deste amor espiritual que tenho por ti há também um desejo bestial e bruto por todos os pedacinhos de teu corpo todas as partes secretas e vergonhosas dele, pelos cheiros todos dele e por tudo que ele faz. Meu amor por ti me leva a orar ao espirito de ternura e de beleza eterna de que teus olhos são o espelho ou a te derrubar debaixo de mim sobre esta tua barriga macia e te fo… por trás, como um cerdo cobrindo a sua fêmea, incensado com o próprio fedor e suor que saem do teu ânus, incensado com a vergonha patente do teu vestido levantado e as calças brancas de menina e com a confusão das tuas faces enrubescidas e teu cabelo emaranhado. Isso me faz romper em lágrimas de piedade e amor por qualquer palavrinha, tremer de amor por ti ao som de algum acorde ou cadência musical ou ao deitar-me contigo pé com cabeça sentindo teus dedos a acariciarem e fazerem cócegas no meu saco ou enfiados em mim por trás e os teus lábios quentes enquanto minha cabeça está inserida entre as tuas coxas gordas, com as mãos grudadas nos coxins redondos da tua nádega, eu lambo com voracidade a tua co… vibrante e vermelha. Ensinei-te a quase desmaiar quando ouves a minha voz cantando ou murmurando à tua alma a paixão e a tristeza e o mistério da vida e ao mesmo tempo ensinei-te a fazer meiguice indecente com a língua e os lábios, a excitar-me por meio de toques e ruídos obscenos, e até a fazer na minha presença o acto mais sujo e vergonhoso do corpo. Lembra-te do dia em que levantaste a roupa e me deixaste ficar deitado por baixo de ti vendo-te fazê-lo? Depois ficaste com vergonha de me olhar nos olhos. És minha, querida! Eu te amo. Tudo que acabo de escrever é somente um ou dois momentos de loucura brutal. A última gota de sêm…mal esguichou pela tua vulva adentro antes de chegar ao fim e o meu verdadeiro amor por ti, o amor de meus versos, o amor de meus olhos pelos teus olhos estranhos e tenta dores sopra sobre minha alma como um sopro descendente. Ainda estou quente e palpitante do último ataque brutal que te fiz e já se ouve um hino em surdina que se eleva como devoção terna e apiedada por ti dos compartimentos sombrios do meu coração. Nora, meu amor leal, minha colegial travessa de olhar lânguido, minha pu…, minha amante, tanto quanto queiras (minha amantezinha, minha puti…!) serás sempre minha linda flor agreste das sebes, minha flor azul-marinho encharcada de chuva». Jim

In James Joyce, Cartas a Nora, 1902-04, Relógio d’Água, 2012, ISBN 978-989-641-326-2.

Cortesia de Rd’Água/JDACT

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

James Joyce: O Livro Ulisses desenrola-se num único dia, 16 de Junho de 1904. Consiste em 18 capítulos. Cada um cobrindo aproximadamente uma hora do dia, começando por volta das 8h da manhã e terminando nalgum ponto depois das 2h da madrugada seguinte

(1882-1941)
Dublin
Cortesia de wikipédia

James Augustine Aloysius Joyce foi um romancista, contista e poeta irlandês. Trata-se de um dos autores de maior relevância do século XX. As suas obras mais conhecidas são o volume de contos Dublinenses/Gente de Dublin (1914) e os romances Retrato do Artista Quando Jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939) - o que se poderia considerar um «cânone joyceano». Também participou dos primórdios do modernismo poético em língua inglesa, sendo considerado por Ezra Pound um dos mais iminentes poetas do imagismo.

Cortesia de nosrevista
Embora Joyce tenha vivido fora do seu país natal, as suas experiências irlandesas são essenciais para a sua obra e fornecem-lhe todo o «manancial» para esplanar toda a temática. Deste modo, ele é ao mesmo tempo um dos mais cosmopolitas e um dos maiores autores modernistas de língua inglesa.

Ulisses
História inicial da publicação.
Em 1906, enquanto terminava «Dublinenses», Joyce considerou adicionar outro conto, sobre um negociante de anúncios judeu chamado Leopold Bloom sob o título Ulisses. A história não foi escrita, mas a ideia permaneceu. No ano de 1914, James Joyce começou a trabalhar num romance usando tanto este título quanto a premissa básica, tendo-o completo em 1921.

Cortesia de wp.clicrbs
Graças a Ezra Pound, trechos do romance começaram a ser publicados na revista The Little Review que era editada por Margaret Anderson e Jane Heap, com o apoio de um advogado de Nova York interessado em arte e literatura experimental contemporânea. Houve censura por parte das autoridades norte-americana e os editores foram condenados (1920) por publicar obscenidades, vindo a interromper a publicação dos trechos do romance. O livro permaneceu proibido nos EUA até 1933.

Cortesia de litminds
James Joyce encontrou muitas dificuldades para encontrar um editor credível. No entanto, a Shakespeare and Company, (...recordo as horas de leitura e o bem-estar que lá vivi...) uma famosa livraria da Margem Esquerda parisiense, de propriedade de Sylvia Beach, publicou-o em 1922. Uma edição inglesa publicada no mesmo ano pela mecenas de Joyce Harriet Shaw Weaver encontrou novas dificuldades com as autoridades dos EUA. Uma outra consequência do status legal ambíguo de Ulisses como um livro proscrito foi a aparição de várias versões «bootleg», do editor Samuel Roth.

Cortesia de blackmarks
Ulisses e a ascensão do modernismo literário
O ano de 1922 foi fundamental na história do modernismo na literatura de língua inglesa, com a publicação tanto de Ulisses quanto do poema The Waste Land, de T. S. Eliot.
No seu romance, Joyce utiliza o fluxo de consciência, da paródia, de piadas e virtualmente todas as demais técnicas literárias para apresentar as personagens. A acção do livro, que se desenrola num único dia, 16 de Junho de 1904, situa as personagens e incidentes da Odisseia de Homero na Dublin moderna e representa Odisseu (Ulisses), Penélope e Telêmaco em Leopold Bloom, sua esposa Molly Bloom e Stephen Dedalus. O livro explora diversas áreas da cidade de Dublin, nomeadamente sobre a sua degradação e monotonia.
Joyce afirmava «que se Dublin fosse destruída por alguma catástrofe, poderia ser reconstruída tijolo por tijolo, usando como modelo a sua obra literária».

Cortesia de ukstudentlife
O livro consiste em 18 capítulos. Cada um cobrindo aproximadamente uma hora do dia, começando por volta das 8h da manhã e terminando nalgum ponto depois das 2h da madrugada seguinte. Cada um dos 18 capítulos emprega um estilo literário próprio. Cada um deles também se refere a um episódio específico da Odisseia de Homero e tem associado a si uma cor, arte ou ciência e órgão do corpo humano.

Esta combinação de escrita caleidoscópica com uma estrutura extremamente formal e esquemática é uma das maiores contribuições do livro para o desenvolvimento da literatura modernista do século XX. Para a construção do livro, James Joyce «abusou» dos detalhes exteriores, de tal modo que a acção relevante ocorre dentro das mentes das personagens.
Nos documentos da época surge a frase atribuída a James Joyce: «talvez eu tenha supersistematizado Ulisses e minimizado as correspondências míticas pela eliminação dos títulos dos capítulos, emprestados a Homero».

Cortesia de awaycity
Cortesia de wikiédia/JDACT