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segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Gíria dos Estudantes de Coimbra. Boletim de Filologia. «Confrontando este vocabulário com as listas apresentadas por Ferreira de Castro, verifica-se que nelas faltam muitas dessas palavras. É de interesse completá-las, tanto mais que o trabalho de Gil Moreno tem sido geralmente esquecido»



Cortesia de wikipedia

«Amílcar Ferreira de Castro, no seu interessante estudo sobre “A Gíria dos Estudantes de Coimbra", cita uma vasta bibliografia relativa à gíria, na qual inclui até trabalhos de mínimo interesse para o assunto tratado, como ele mesmo nota. Escapou-lhe, porém, o vocabulário publicado por Gil Moreno no Jornal ‘A Época’, sob o título “A Linguagem Popular Inédita”, precisamente muito rica em palavras pertencentes à gíria dos estudantes da Universidade de Coimbra, que, conforme declaração do próprio Gil Moreno, ‘foram recolhidas na Universidade de Coimbra, o que não quer dizer que algumas não sejam de uso corrente nas restantes escolas do país’.
Confrontando este vocabulário com as listas apresentadas por Ferreira de Castro, verifica-se que nelas faltam muitas dessas palavras. É de interesse completá-las, tanto mais que o trabalho de Gil Moreno tem sido geralmente esquecido. Além disso, cita Ferreira de Castro vários termos que nos parecem demasiado correntes noutras regiões e sectores sociais que não o académico; formaremos uma lista com eles, alguns dos quais trazem no trabalho de Ferreira de Castro a indicação de citados por Morais, Cândido de Figueiredo ou Bessa e outros encontrámos registados no vocabulário de Gil Moreno com a indicação de populares ou noutras colecções de gíria e linguagem popular relativas a Lisboa, aos ladrões, etc.

Damos em primeiro lugar, alfabeticamente, as expressões reunidas por Gil Moreno com a indicação de terem sido colhidas na Universidade de Coimbra, e que Ferreira de Castro não cita ou não regista com esse sentido.

NOTA: Faço referência aos termos ainda actualmente ou há alguns anos usados, segundo informação de Francisco Carvalho e de Carlos Nogueiro

  • ‘Ãngónia’, sf, - Falta de dinheiro, duas chetas? Não posso. Uma ãngónia completa!;
  • ‘Alteza’, sm, - Importância, proa, impostura;
  • ‘Aparelho’, sm, - Preservativo;
  • ‘Apendice’, sm, - Calote, dívida;
  • ‘Arpejo’, sm, - Arroto;
  • ‘Arrotar’, v, - Aparentar;
  • ‘Asa’, sf, - Estudante com que outro assiduamente acompanha e ainda o que se nos bancos da aula fica à esquerda ou à direita do condiscípulo;
  • ‘Atirar baixo’, - Diz-se do lente que obriga o estudante a estender-se no acto;
  • ‘Balandrau’, sm, - Capa de estudante;
  • ‘Basófia’, sm, - Mentira;
  • ‘Batata’, sf, - Zero, na classificação da lição dada;
  • ‘Bocado’, sm, - Mulher nova e bela.
In Boletim de Filologia, páginas 356 a 368, Delmira Maçãs.

Continua
Cortesia de Delmira Maçãs/JDACT

sábado, 21 de abril de 2012

A propósito do ‘Livro de Horas dos Olhos D’Água em Marvão. Delmira Maçãs. «De 1913 a 1936 a correspondência entre o fundador do Museu de Etnologia e Etnologia e um dos seus principais colaboradores, António Maçãs, revela-se de extraordinária importância para o conhecimento da pessoa que foi o sábio Leite de Vasconcelos, bem como as actividades arqueológicas nesta região do Alto Alentejo»



Leite de Vasconcelos
jdact

«Foi recentemente posto à venda um trabalho da autoria de Delmira Maçãs. Com o sugestivo título de “Livro de Horas dos Olhos d’Água", dividido em doze tempo de leitura, do Trabalho ao Mito, antecedido pelo Funeral, onde a autora conta, de forma apaixonada, num texto rico de sentimentos ‘o nascer e o morrer (!) do lago dos Olhos de Água’. Mais do que um livro que nos diz das “Horas” do lago e da sua história envolvente e por vezes paralela, é um trabalho composto por doze orações onde o ciclo da vida biológico e poético transparece.
A autora transforma o “lago dos Olhos d’Água” num ser vivo. Delmira Maçãs, que na sua prosa vive o grande amor pelo seu e/ou nosso lago, transporta do branco do papel para o bucólico e fresco espaço que foi os “Olhos de Água”.
Se este livro é o produto dum trabalho intimista, duma luta pessoal pelo seu lago, ele é também uma homenagem a um grande homem, António Maçãs, a quem a História e a Arqueologia tanto devem. Não bastasse o texto literário, a informação etnográfica, a testemunha social e política para conferir a este a importância já reconhecida, transcrevem-se 97 cartas inéditas do arqueólogo Leite de Vasconcelos para António Maçãs, fundamentais para a História da Arqueologia portuguesa.
De 1913 a 1936 a correspondência entre o fundador do Museu de Etnologia e Etnologia e um dos seus principais colaboradores, António Maçãs, revela-se de extraordinária importância para o conhecimento da pessoa que foi o sábio Leite de Vasconcelos, bem como as actividades arqueológicas nesta região do Alto Alentejo.
Deve-se a seu pai a preservação e estudo de grande parte do património arqueológico do concelho de Marvão. Pedindo, comprando, alertando e escavando António Maçãs conseguiu que da cidade romana de Ammaia chegasse até nós um importantíssimo espólio, sem o qual seria impossível conhecer a presença romana nesta região.
[…]
Em trabalho tão completa, pena é que Delmira Maçãs não transcreva integralmente, como o fez em relação à Câmara de Portalegre, as tomadas de posição públicas da Câmara de Marvão sobre o diferendo da exploração de águas na freguesia da Aramenha, que seriam fundamentais para que os vindouros melhor ajuizassem a situação de se criou.
O “Livro de Horas” é uma área de influência como tema de estudo». In Jorge Oliveira, 1991, Delmira Maçãs, Livro de Horas dos Holhos d’Água em Marvão, edição da autora, Lisboa, 1991, Ibn Maruán, Revista Cultural do Concelho de Marvão, Coordenação de Jorge Oliveira, nº 1, 1991.

Cortesia da C. M. de Marvão/JDACT