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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Pintura. Secessão de Viena. Gustav Klimt. «Os seus trabalhos mais famosos, datados do último período artístico do pintor, foram o retrato de "Fritza Riedler" e os murais e mosaicos realizados para o Palácio Stoclet em Bruxelas. As suas obras pictóricas mais conhecidas são "O Beijo", onde o artista pinta um par romântico ornado por uma composição de mosaicos e elementos vegetalistas»




Cortesia de wikipedia e galerias de arte

«Artista austríaco, Gustav Klimt nasceu a 14 de Julho de 1862, em Baumgarten, próximo de Viena, e morreu a 6 de Fevereiro de 1918, em Viena, vítima de apoplexia. Estudou na Escola de Artes e Ofícios de Viena entre 1876 e 1883. Nesse mesmo ano fundou, juntamente com o irmão Ernst Klimt e com Franz Matsche, um atelier de pintura, especializando-se na execução de murais, pinturas para tectos ou para cenários.
O seu trabalho inicial consistiu essencialmente em grandes murais para teatros, num estilo naturalista, de entre os quais se destacam o tecto do Burgtheater de Viena (1886-1888) e as pinturas da escadaria do Museu de História de Arte, também em Viena (1890-1892). Neste trabalho, Klimt procurou fazer uma síntese da história da arte, pintando cada personagem num estilo diferente, conforme ao período que encarnava. A partir de 1894 executou grandes pinturas alegóricas para o tecto da Sala Magna da Universidade de Viena, enveredando por uma linguagem mais ornamental e linear, próxima dos ideais estéticos do movimento da Arte Nova. Estes trabalhos, A Filosofia, A Medicina e O Direito, foram tão fortemente criticados pelas correntes mais tradicionalistas, que se abandonou a intenção de os colocar nos locais previstos. Confrontado com esta hostil reacção crítica do público, Klimt retirou-se da vida pública.






Em 1897, Klimt foi um dos membros fundadores do grupo da Secessão de Viena, um movimento de reacção contra o conservadorismo académico burguês, tornando-se seu presidente até 1905, ano em que abandonou o movimento para formar o Grupo Klimt. Nesta altura colaborava no periódico Ver Sacrum, para o qual realizou um conjunto de ilustrações de carácter alegórico. A partir de 1898, o seu trabalho tornou-se mais original e inovador, ganhando um carácter simultaneamente mais simbólico e decorativo. Em 1902 executa, para a sede da Secessão, um edifício projectado por Olbrich, o Friso de Beethoven, uma grande pintura mural, cuja influência sobre as gerações mais jovens foi considerável. Este friso foi, tal como a 9.ª Sinfonia de Beethoven, realizado em três fases, dividindo-se em Aspiração à Felicidade, As Forças Inimigas e Hino à Alegria.






Os seus trabalhos mais famosos, datados do último período artístico do pintor, foram O retrato de Fritza Riedler (1906) e os murais e mosaicos realizados para o Palácio Stoclet (1905-1909) em Bruxelas, uma grande casa desenhada pelo arquitecto austríaco Joseph Hoffmann, também ele membro da Secessão Vienense. Nas suas pinturas, Klimt revelou a tendência para eliminar o efeito de profundidade e de volume, transformando as figuras num conjunto de superfícies decorativas, com carácter abstracto, de onde se destacavam os pormenores figurativos das mãos e dos rostos.
Neste período, Klimt colabora com muitos dos artistas dos Wiener Werstätten (ateliers vienenses), fundados em 1902 por Hoffmann, realizando aí inúmeros trabalhos de artes aplicadas. Apesar de ser contestado no seu país natal até 1917 (ano em que foi eleito membro de honra da Academia de Viena), em 1910 a sua obra foi alvo de uma recepção entusiástica na Bienal de Veneza. Pintou essencialmente a mulher feminina e fatal, enfatizando a sexualidade, nomeadamente através da representação das senhoras da sociedade de Viena. Os seus quadros compõem-se de mosaicos, cores quentes, motivos florais e animalescos e, claro, de mulheres sensuais de corpos desnudados.
As suas obras pictóricas mais conhecidas são O Beijo, uma pintura a óleo sobre tela datada de 1907-1908, onde o artista pinta um par romântico ornado por uma composição de mosaicos e elementos vegetalistas; e o Abraço, um projecto para a decoração da casa Stoclet, concebido entre 1905 e 1909. A pintura de Klimt, um dos mais importantes pintores vienenses de inícios do século, teve significativas repercussões na obra de alguns artistas do movimento expressionista, tais como o alemão Egon Schiele e o austríaco Oskar Kokoschka». In Infopédia, Gustav Klimt, Porto Editora.




Cortesia de Wikipédia e Infopédia/JDACT

sábado, 24 de abril de 2010

Maria Lamas: A «construtora» de uma visão nova e alargada do papel da mulher e da democracia

ruinepomuceno
(1893-1983)
Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas foi uma escritora ribatejana, tradutora e jornalista portuguesa. Maria Lamas viveu em Luanda e em Paris durante alguns anos. 
Nas suas obras utilizou diversos pseudónimos como Maria Fonseca, Serrana d’Ayre e Rosa Silvestre.
Como jornalista trabalhou em diversos jornais e revistas, «A Joaninha», «A Voz», «Correio da Manhã», no suplemento do jornal o Século «Modas e Bordados”». Foi directora da revista «Mulheres».
A sua vivência de África reflecte-se no livro «Confissões de Sílvia».

Sendo o jornal ‘O Século’ um dos expoentes importantes da cultura portuguesa na época, Maria Lamas encontrou aí uma plataforma de trabalho propícia para a sua personalidade dinâmica e afirmativa e desenvolveu vários projectos, organizando conferências, concertos e exposições.
Tendo a mulher portuguesa como temática geral de fundo, ficaram, então, conhecidas algumas das exposições que promoveu e organizou, como por exemplo, a que apresentou teares do Minho, mesas de trabalho de mulheres como a Marquesa de Alorna e Carolina Michaelis, e onde recriou um conjunto de actividades femininas, ou a que foi a realizada com tapetes de Arraiolos fabricados pelas reclusas do estabelecimento prisional das Mónicas e que permitiu a estas algumas horas de liberdade, nos salões do «Século», para apreciarem os seus trabalhos. Sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, escreveu obras infantis, como «Caminho Luminoso» e «Para Além do Amor», entre outras.
Em 1945, Maria Lamas é eleita presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), associação fundada durante a I República e alvo de sistemática repressão pelo regime do Estado Novo. O CNMP permite que Maria Lamas percorra o país e conheça melhor a condição das mulheres. Dessas viagens nasce o livro «As Mulheres do meu País», que ficará como um referente histórico. Após esta obra publicaria ainda «A Mulheres no Mundo» e «O Mundo dos Deuses e dos Heróis».
A sua actividade libertadora de consciências e de identidade e de intervenção cívica era muita. Comunga ideais e actividades com corajosos portugueses oposicionistas. Nos anos 40, adere ao Movimento Democrático Nacional (MDN) e ao Movimento de Unidade Democrática (MUD). Participa activamente na Campanha do General Norton de Matos à Presidência intervindo sempre também em outras campanhas eleitorais. As suas actividades eram consideradas subversivas e o seu trabalho junto das mulheres foi considerado dispensável. Perseguida pela ditadura, presa, por três vezes, parte para o exílio, por duas vezes, em Paris, «uma cidade onde andar na rua é como andar numa universidade». No exílio, o mais longo durou de Junho de 1962 a Dezembro de 1969, muito depois dos 60 anos de idade, conhece um período intenso e solidário de cidadania democrática internacional, em tempos de Guerra Fria. Acolhia, participava e intervinha na generalidade das actividades da Oposição Portuguesa à Ditadura, tendo conhecido os maiores vultos políticos nacionais e internacionais do século XX.
Estátua alusiva a Maria Lamas, Torres Novas
laranjeira
Manteve, durante anos, a famosa coluna «O Correio da Tia Filomena», onde, dentro dos condicionalismos da censura, falava da condição das mulheres em Portugal.
As suas opções pessoais (a proclamação da República, acontecimento que referia como um dos marcos profundos da sua vida) e posicionamentos políticos valeram-lhe várias detenções ao longo da vida. A primeira teve lugar como consequência do seu apoio à candidatura do General Norton de Matos. É presa sob a acusação de propagar notícias falsas e pedir a libertação dos presos políticos. Esta seria apenas a primeira de outras detenções, que viriam a afectar profundamente a sua saúde e a determinar a sua condição de exilada política. Em 1946 participou no congresso que daria origem à Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM).
A partir de 1961, na qualidade de membro do Conselho Mundial da Paz fixa-se, em exílio, durante 8 anos na cidade de Paris.
Cortesia de mdmevora
Maria Lamas foi uma das primeiras pessoas a receber a Ordem da Liberdade.
Apesar dos seus oitenta anos, apoia ainda com todo o vigor a revolução do 25 de Abril, em Portugal.
Maria Lamas morre aos 90 anos de idade, em Évora.
Deixou na memória de todos a marca de uma personalidade rica, invulgar e influente, de forma duradoura, para a construção de uma visão nova e alargada do papel da mulher e da democracia.
Instituto Camões/JDACT