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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Budismo na obra de Dalila Pereira Costa. Rui Lopo. « atingido uma acuidade ou uma perfeição derradeira, mas infinitamente aberta, futurante. Assim, depois do Budismo do Extremo Oriente, lentamente através do Continente, se afirmaria um ser intacto»

Cortesia de wikipedia

«(…) O Budismo continua assim a ser apresentado como um meio de libertação que implica a negação da vida, como o acto da extinção duma chama soprando, como uma filosofia de aniquilamento proposta para seres além de todo o humano. A filosofia da saudade, junto do Atlântico, contrapolarmente realizaria e proporia a total aceitação da realidade do humano, mas ultrapassado na exigência cristã: por sua assunpção: e que ainda nela, por ela, levará consigo a Natureza toda. Refira-se que a abordagem da tradição budista é, na obra de Dalila, elemento de um périplo porventura inspirado pela reflexão de Leonardo Coimbra. Dalila percorre assim Hinduísmo, orfismo, pitagorismo, platonismo e outras correntes salvíficas, destacando o que nelas haja de afim ou contrapolar da proposta de libertação que a Saudade encerra. Este Périplo move-se de leste para oeste, ou do Extremo-Oriente pelo Mediterrâneo até à Ocidental Praia Lusitana.
Pretendendo resolver a tensão que o seu pensamento denota, Dalila acaba por sintetizar, de forma ambígua, que entre o Budismo e a saudade haveria um processo realizado por oposição e semelhança, um processo de ultrapassamento e maturação do homem e, com ele, da natureza. Dalila encontra assim um mesmo veio, ou fio vindo do Oriente, detectável e possível de seguir, que aqui no solo extremo galaico-português teria atingido uma acuidade ou uma perfeição derradeira, mas infinitamente aberta, futurante. Assim, depois do Budismo do Extremo Oriente, lentamente através do Continente, se afirmaria um ser intacto, que perdura e subsiste através de várias formas assumidas na manifestação, e que se lembra de si: na memória, reatando momento a momento, existência a existência, a cadeia indivisa de sua imortalidade, na vida de na morte. Desde lá atrás, dos gregos, na reminiscência, até ao povo galaico-português, na saudade».
Dalila começa por reconhecer um processo de oposição-semelhança mas termina por apontar no extremo do ocaso ocidental uma resolução da oposição do problema posto no outro extremo do nascente. O Mediterrâneo, o franciscanismo e a teoria portuguesa da saudade são apresentados como os lugares onde o vazio, como niilismo e aniquilamento, será por fim abandonado e desfeito. Seria então agora o momento de reatar, depois de quatro séculos de suspensão e ocultamento, um processo de união entre os dois extremos da Eurásia. Seria assim o momento de reintegração de Oriente e Ocidente, o que, para os cristãos herméticos ou místicos poderia ter sido visto como uma realização da Grande Obra. Apontaríamos a Dalila Pereira Costa, contudo, uma lacuna no cumprimento do seu próprio projecto, lacuna aliás facilmente compreensível por contingências histórico-culturais e pela grandeza do desafio a que se propôs. Imputámos a Dalila uma certa incompreensão da tradição budista, ao identificá-la com o niilismo e ao propor a sua superação mediante a adopção de um eternalismo ou substancialismo que lhe é correlativo e contrapolar. Por outro lado, reconhecemos nela um ecumenismo genuíno e o valor de ter compreendido que aquilo a que se tem chamado o pensamento oriental e budista constituem chaves, por confrontação e analogia, de autoconhecimento do Ocidente e, peculiarmente, da cultura portuguesa, chaves de cotejo com alguns temas a que nos habituámos a considerar ocidentais. Assim, seria o momento de retomar os estudos orientais tendo presente o enorme acervo ainda intratado de documentação portuguesa respeitante ao tema. Dalila cita as tradições orientais a partir de contemporâneos trabalhos de divulgação ocidental. Na impossibilidade de consultar as fontes directas e distante do contacto tradicional com mestres que lhe poderiam esclarecer o alcance e o sentido, Dalila poderia ter procurado o que os pioneiros viajantes portugueses do Século XV, XVI e XVII do Budismo disseram. É-nos dado crer que do aturado estudo de tais fontes, hoje praticamente, esquecidas, provirá um muito proveitoso conhecimento do que foi realmente o encontro histórico de culturas e o contexto original do que foi e tem sido a (in-)compreensão ocidental das tradições do Oriente». In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.
FIM

Cortesia da ULisboa/JDACT

Budismo na obra de Dalila Pereira Costa. Rui Lopo. «Colocando-se a necessidade de reconhecimento ou identificação do eu, Dalila Pereira interroga onde iremos colher o elo que une o eu diurno e o eu nocturno, o ser vígil e o ser onírico»

Cortesia de wikipedia

«(…) O estado a que se chama nirvana, em vez de ser definido como uma experiência de aniquilação deve ser entendido como uma visão da vacuidade de todos os fenómenos, o que não equivale à sua mera inexistência e, assim, à total ausência de sofrimento. Todavia, nas escolas do chamado Grande Veículo, é ensinado que para além do samsara e do nirvana é que reside o Despertar último, a Budeidade perfeita. Só aí se poderá aceder à percepção simultânea da vacuidade e da experiência relativa dos seres condicionados. A identificação do Budismo com uma forma de niilismo constitui assim uma construção filosófica ocidental de oitocentos, ainda mantida por alguns intérpretes que não se deixam persuadir pela contemporânea literatura budológica, de crescente qualidade e consistência teórica.
Em outra obra, mais recentemente publicada, Os Sonhos - Porta de Conhecimento, a mesma questão volta a surgir. Colocando-se a necessidade de reconhecimento ou identificação do eu, Dalila Pereira interroga onde iremos colher o elo que une o eu diurno e o eu nocturno, o ser vígil e o ser onírico. A sua postura metafísica leva-a a experimentar a necessidade de remontar a um substrato sobrenatural que denomina como surexistência. As perdas, as mudanças, deverão ser vistas como aparentes, exteriores e provisórias. A evidência da transformação, e do sofrimento que lhe é inerente, não deverá contudo conduzir a nenhuma espécie de Nada: a certeza da descontinuidade não deverá implicar um caminho de aniquilação mas, pelo contrário, a segura apreensão e possessão da sua continuidade, da sua imortalidade; o conhecimento do Sol transcendente. A autora explicita então o diálogo filosófico que estava travando: Os sonhos serão assim um outro caminho oposto ao niilismo do Budismo. E um outro caminho de ascese. Uma outra prática e aprendizagem de despojamento do nosso eu aparente, visto como o único e verdadeiro, através duma primeira e falsa identificação. Despojamento que é incessante aproximação duma essência transcendente; caminho para a possessão da certeza da nossa imortalidade.
Os sonhos são assim apresentados como uma possibilidade de defrontar face a face o real transcendente, constituindo uma das maiores aberturas sobre a surnatureza, o outro mundo, (...) um momentâneo rasgo da parede de opacidade que nos tapa o outro lado, afim do conhecimento poético e da iluminação. A recusa budista da vida, marcada pela angústia e o desespero, seria assim superada pela via saudosa, definida como humilde e amante aceitação da vida. O Nirvana, como estado de alegria extrema pelo desespero extremo, atingido quando se renuncia a apreender a vida e com ela a si próprio, como eu, terá como pólo oposto a apaziguada sabedoria da iluminação expressa por Camões. A mesma ideia irá ser repetida em uma outra obra sua, afastando-se do anteriormente assumido encontro de tradições e propondo agora, de forma um tanto esquemática, uma clara preferência e uma exclusiva opção: conhecer o que só o Cristianismo trouxe, e nele o franciscanismo, altamente proclamou, como saber e poder de viver na terra, na alegria da união com ela, pelo seu amor, onde tudo é ultrapassado. Onde ela é possuída, mas de forma tão desligada, independente. Então, Buda será vencido pela saudade». In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.

Cortesia da ULisboa/JDACT

Budismo na obra de Dalila Pereira Costa. Rui Lopo. «A saudade e o espinosismo (apresentado como importação ocidental de uma forma de conhecimento salvífico, próprio da cultura oriental) inscreveriam assim, no Ocidente moderno, sem nenhum ponto comum…»

Cortesia de wikipedia

«(…) Dalila Pereira aponta para a necessidade de superação da actual confrontação entre Ocidente e Oriente, situação que seria marcada pela oposição e incompreensão mútuas. A saudade, seria assim, no Extremo-Ocidente, uma forma de conhecimento, como conhecimento-vivência, que fará parte daqueles a que, como o Taoísmo, Budismo zen, vedanta, ou yoga, se podem chamar propriamente meios de libertação. Dalila reitera o que já antes afirmara: que o complexo cultural da saudade se aparenta mais às formas cognitivas orientais do que às ocidentais. Na cultura ocidental moderna surgiria assim um conhecimento, porventura único, que é simultaneamente uma vivência, diverso pois do pensamento ocidental, habitualmente distanciado e desinteressado. Esse conhecimento, da saudade, constituiria uma proposta mais que uma imposição, de um meio de libertação. A saudade e o espinosismo (apresentado como importação ocidental de uma forma de conhecimento salvífico, próprio da cultura oriental) inscreveriam assim, no Ocidente moderno, sem nenhum ponto comum com o contexto cultural donde brotaram, sabedorias salvíficas.
A aproximação ao Oriente pode então ser vista como um modo de regresso, recuperação e renovação de fontes aqui esquecidas ou refutadas: subjacente à saudade, como ao Taoísmo, zen, yoga, tantrismo, como meios de libertação, residiria uma força de vida, que poderia ser contactada, possuída directamente, e que rebentará os limites e capacidade do puro intelecto, como única e parcial forma cognitiva usada pelo homem ocidental. A saudade, tal como essas tradições orientais, situa o centro do conhecimento não no pensamento consciente mas no coração. O Budismo corresponderia, contudo, a uma desvalorização da vida. A isto no Oriente se consideraria como uma forma de libertação. Ao longo do continente eurásico, contudo, dar-se-ia um aceitar e assumir progressivo do corpo e vida terrestre, de Leste a Oeste, pelo amor. Camões, assim, teria pela saudade transmitido um ensinamento contrapolar ao do Buda, mas nascendo todavia da mesma experiência, como choque dramático do ser e estar no mundo. A experiência da saudade propiciaria, por um mesmo Despertar, um outro atingir da libertação em face do sofrimento, do devir, do ciclo morte-vida-morte, e uma outra apreensão do eu absoluto. A inapreensibilidade do eu individual será vencida pela memória, a que conserva indelével através do devir, o traço da sua realidade, transitando incólume, entre vida e morte, Sião e Babilónia.
Este passo surge-nos como dos mais importantes de toda a reflexão teórica de Dalila acerca do Budismo. Parecendo aceitar uma teorização da metempsicose de tipo pitagórico, Dalila, em sua teoria da saudade não só mantem o eu, como ainda mais, opera a revelação de um eu absoluto, perfeitamente experienciável, afirmado em toda a sua positividade, como entidade permanente e substracto de nossas experiências sucessivas. A proposta budista de libertação seria, assim, ultrapassada pela experiência saudosa. Em contexto budista, a proposta de Dalila Pereira Costa configura aquilo que se designa como uma visão extrema, o substancialismo ou eternalismo, posição que afirma uma entidade permanente e substancial que fundaria os fenómenos ou o eu.
Esta atitude é tradicionalmente refutada argumentando com o reconhecimento de que tudo o que é composto é impermanente e de que tudo o que aparece é interdependente, não podendo nada existir separadamente e nenhuma aparência possuindo existência absoluta, mas sempre relativa à percepção condicionada que a apreende. Assim, sempre o tempo e a matéria poderão ser divididos e sempre o eu deverá ser visto como um conjunto de agregados karmicamente condicionados e marcados por uma experiência de apego e aversão mais ou menos intensa. O contrário absoluto da posição eternalista constituirá, na posição sustentada pelas escolas filosóficas budistas, uma outra visão extrema: a da negação de toda a realidade e verdade aos fenómenos e ao eu, configurando uma posição niilista, que deve ser refutada pelos adeptos do Caminho do Meio, lembrando que a lei do karma é real para quem a experiencia, embora haja um estado, absolutamente real, onde tal lei deixa de ser actuante. Esta argumentação, conhecida como teoria da dupla verdade, não constitui um posicionamento dualista na medida em que a verdade relativa (a verdade da dor que perpassa toda a existência condicionada) se subsume na verdade absoluta, a verdade última percepcionada pela sabedoria, desprovida de fabricações mentais e caracterizada por se encontrar para além da mente, por ser impensável e inexprimível». In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.

Cortesia da ULisboa/JDACT

Dalila Pereira Costa. A Leitura do Budismo. Rui Lopo. «Dalila afirma que ao abrir para um plano superior do ser, para uma supra-consciência, a saudade só tem par nas formas mais altas da sabedoria oriental e nas dos raros povos actuais de mentalidade…»

Cortesia de wikipedia

«(…) O que na obra de Dalila se propõe é, em primeiro lugar, o reconhecimento do inconsciente colectivo como um mestre espiritual (esse inconsciente, ou mestre espiritual, falará aqui pela voz de dois de seus poetas, absolutos, Camões e Gil Vicente. e pela voz dos seus dois amantes absolutos) e em segundo lugar, a identificação do eu individual ao eu pátrio, como eu supremo. Na cultura portuguesa, assim, cada um destes mantras, corresponderá sintética, arquetípica e simbolicamente às experiências do amor, do conhecimento, da história e do céu. Essas fórmulas serão modos de comunicação de uma via de realização individual e colectiva que culmina numa identificação final. Estes quatro mantras sintetizam aqui a alma portuguesa, isto é, aquilo que na alma portuguesa a move e conduz para o ultrapassamento e superação de si própria, patente em estados-limite de ruptura, de levar o possível ao impossível. A memória até a saudade, a vida até a morte, o desconhecido até ao conhecido. conduzir, desenvolver uma essência ou existência, ou melhor, uma essência numa existência, ao máximo da sua potencialidade, mesmo que humanamente, por essa inserção nele do ilimitado divino, o sacrifício seja total, como dom de vida na morte.
Uma outra temática oriental, hindu e budista, que originalmente surge na teorização de Dalila é a de Maya, definido como o modo de ocultamento do uno no múltiplo e modo de apresentação lúdica desse mesmo uno sob a forma de múltiplo, isto é de aparência e metamorfose daquilo que por natureza é essencialmente imutável. Pela saudade seria possível o acesso à coincidência dos contrários na terra, isto é, num modo de existência espacio-temporalmente condicionado se acederia à visão do Ser dos seres, o impassível e intocável. A utilização do conceito de maya por Dalila é algo dualista, ao procurar ver subjacente à ilusão da multiplicidade uma unidade real e verdadeira. Essa visão seria possibilitada por um exercício de despojamento e ascese. Ao utilizarmos o conceito de dualismo para certos aspectos da teorização de Dalila ou para determinados pontos da sua interpretação do Budismo (ou construção de um neo-budismo), teremos sempre de ter em atenção o quanto Dalila preza o monismo espinosista, a tradição da mística unitiva e o próprio paganismo de raiz celta, que vê sobrevivente e actuante na peculiar tradição cristã portuguesa: a acção da saudade será ainda de dimensão funda e vastíssima na humanidade: como acção ou poder de inserção do paganismo dentro do Cristianismo (...) A saudade manifesta-se (...) num contexto de espiritualidade nacional de formulação cristã: mas para ela trazendo já de trás, do fundo dos tempos, do seu passado imemorial, um outro húmus, como espiritualidade pagã, a que nega o tempo como corrente irreversível e linear.
Dalila anuncia que por fim se vencerá a morte, amando e assumindo a vida, mediante a compaixão da saudade, contraposta à do Budismo. Não logrando desenvolver um tema tão importante como o da compaixão, Dalila denuncia aqui o que já antes havia sugerido, que na saudade estaria presente um amor do mundo que no Budismo se reveste do carácter de uma fuga desse mesmo mundo. Noutro passo, Dalila afirma que a compaixão budista é de todo falta de sentimento e feita na sua ausência, enquanto que a saudade seria um amor humano, repleto de sentimento e feito através dele. Desvalorizando assim a compaixão budista, Dalila irá, todavia elogiar a noção de karma. Deste modo, a autora detecta na visão saudosa do rei Duarte I, a superação do nível moral-teológico cristão e uma aproximação à visão oriental do karma, que considera como de tipo antropo-cosmológico. Assim, em vez de procurar estabelecer normas de conduta de forma coactiva e impositiva, a teoria da saudade procuraria antes reconhecer a causalidade mais profunda a que o homem estaria na sua existência sujeito, enquanto inscrito numa ordem cósmica. Por tudo o que já foi dito, Dalila afirma que ao abrir para um plano superior do ser, para uma supra-consciência, a saudade só tem par nas formas mais altas da sabedoria oriental e nas dos raros povos actuais de mentalidade dita primitiva, ainda subsistentes à face da terra; ainda usados e conhecidos à face da terra; ainda usados e conhecidos também outrora na sabedoria ocidental, nas suas culturas tradicionais. Estas formas contudo, hoje perdidas, só seriam fragmentariamente acessíveis pela poesia, religião ou magia. A cultura ocidental, marcada por dicotomias irredutíveis, poderia ser renovada num sentido libertador mediante a recuperação desses fragmentos, de que é expressão maior a poesia saudosa de Camões, dotada de uma fecundidade infinita nos tempos, (...) a par dos Hinos Vedas especulativos, da filosofia dos pré-socráticos, dos Tantras e Sutras do Budismo, dos escritos do hassidismo...» In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.

Cortesia da ULisboa/JDACT

A Leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira Costa. Rui Lopo. «Em contexto budista, a importante noção de ‘mantra’ é tradicionalmente definida como um som protector (‘tra’) da mente (‘man’) na medida em que se trata de um som puro, um som que ecoa a realidade absoluta, é dito que só os budas plenamente…»

Cortesia de wikipedia

«(…) Como que ecoando antigas pretensões, em registo mito-poético formuladas, de constituição de uma religião nacional (detectáveis de forma explícita em Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa), Dalila estatui a saudade como experiência culminante da proposta de sabedoria portuguesa, força libertadora de reintegração, contributo para uma nova Descoberta perene e universal, a descoberta do Mar Absoluto, o mar do espírito. Dalila vê ainda nas próprias formas anímicas e históricas regressivas o elemento a utilizar por um ser integrado, o elemento que permitirá levar para fora de si próprio, dando-lhe a sua vera natureza, fazendo-o revelar-se, ao transcender-se a si próprio e ao mundo. Dalila continuará a explorar esta original e paradoxal conciliação da busca de um eu perene com uma pulsão de transcensão de si e de saída para fora de si. Daí que também previna que a saudade possa ser possibilidade dupla, de salvação e perdição para o povo que a elegeu e pratica. E neste ponto parece detectar-se uma hesitação no pensamento de Dalila Pereira Costa. Pois a saudade, enquanto experiência culminante e máxima da espiritualidade nacional, depende afinal de uma finalidade que lhe seja dada, uma direcção que lhe seja impressa, uma justificação teleológica para o movimento que desencadeia. Daí que seja necessário proceder à comparação com o trabalho alquímico, bem metódico e descrito em suas operações graduais: O nigredo, obra ao negro, será comparado à estação do Rei na Ilha Encoberta, provação colectiva que define uma primeira operação de auto-gnose, uma descida ao fundo da alma. Sebastianismo, Saudade, profetismo apresentam-se assim como elementos de uma espiritualidade em oposição à espiritualidade europeia moderna, como um núcleo a perseverar, um tesouro desconhecido que haveria que desenterrar, ar a ver, partilhar e usar. Estabelecida esta oposição com a Europa e o Ocidente modernos, a autora procede então à confrontação da experiência da saudade com a espiritualidade do Oriente e concretamente com o Budismo.
Em contexto budista, a importante noção de mantra é tradicionalmente definida como um som protector (tra) da mente (man) na medida em que se trata de um som puro, um som que ecoa a realidade absoluta, é dito que só os budas plenamente despertos poderão enunciar tais mantras, que dependem do conhecimento preciso de todos os fenómenos do samsara e do nirvana, do conhecimento da causalidade originária, do conhecimento da acção benéfica dos sons e da comunicação pela língua e do conhecimento do karma e dos laços existentes entre as causas e os efeitos. Dalila Pereira utiliza este conceito tradicional e redefine-o de modo a encontrar na espiritualidade portuguesa quatro mantras, quatro fórmulas eminentes de consciência do eu pátrio. Esta entidade espiritual colectiva, ao modo de um mestre espiritual, transmitirá tais enunciados aos seus discípulos, filhos espirituais ou herdeiros místicos que são cada um dos portugueses. É dito que tais fórmulas permitirão a cada um o despertar, a subida da energia própria para tomada de consciência de si. Como manifestação do conhecimento supremo. Como revelação do Eu, que reside no seu eu. Vale a pena aqui referir que, em contexto budista, mais especificamente no mantrayana, o veículo dos mantras, designação também dada ao vajrayana ou tantrayana, o veículo adamantino, o veículo que concilia a visão da vacuidade e a utilização dos meios hábeis, as práticas mais avançadas, e que supõem uma longa prática e o acompanhamento de um Mestre qualificado, propõem a visualização de cada um sob a forma de um Buda, de cada um como já sendo aquilo que afinal nunca deixou de ser, a natureza primordial para além de toda a ilusão». In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.

Cortesia da ULisboa/JDACT

domingo, 14 de junho de 2015

A Leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira Costa. Rui Lopo. «A saudade pode assim ser teologicamente considerada como uma via medial, via de salvação pelo conhecimento e ascese, (...) impregnação da terra pelo céu e do tempo pela eternidade…»

Cortesia de wikipedia

«(…) O presente estudo circunscreve-se à função que a referência budista desempenha na obra de Dalila que tem como tema e objectivo a apresentação de um pensamento original e próprio, de tipo especulativo e traços místicos sobre a Saudade. Como veremos, tal referência encontra-se marcada por ambiguidades e configura a construção de um neobudismo, isto é, o estabelecimento de uma atitude mental denominada como budismo, que é utilizada como contraponto daquilo que se quer afirmar. Esta atitude filosófica tem sido já denunciada por diversos intérpretes que alertam para o curioso facto de, no preciso momento histórico em que no Ocidente se começavam a conhecer, em círculos especializados de sábios e tradutores os primeiros textos budistas, alguns filósofos terem começado a delimitar e definir um neobudismo, de tipo niilista, que pouca relação tinha com esses textos ou com a própria realidade da prática budista oriental. Para Dalila Pereira da Costa, a saudade necessariamente subentende um núcleo perene, um eu incólume como Eu, que através de todas as suas metamorfoses atravessando tempo e espaço, as liga e ligando-as, mostra ou demonstra, e ainda justifica, como causa e efeito, a identidade desse eu vivente. Em trânsito sobre a terra. A autora confere assim ao Eu profundo um estatuto de essência, superando as contingências de um ser em trânsito. Radicalizando desde logo o seu discurso, a primeira atitude filosófica exterior à sua própria que a autora convoca é, como já vimos, justamente o budismo: A saudade será a mais potente força de oposição no Ocidente à descontinuidade budista do eu no Oriente. É só pela saudade que se poderá aceder a um eu perene e essencial, irredutível a todas as transformações por que passa o eu aparente que atravessa múltiplas condições e estados de ser e de consciência, a saudade seria assim uma força de vitória sobre o tempo, imagem humana da transformação derradeira na sua realidade vera: a eternidade. A saudade pode assim ser teologicamente considerada como uma via medial, via de salvação pelo conhecimento e ascese, (...) impregnação da terra pelo céu e do tempo pela eternidade, como união recíproca, na final identidade.
A autora denuncia que o existencialismo ocidental e o Budismo oriental convergiriam no niilismo, caracterizado pela angústia e desespero e por propor uma fuga perante a vida. A esta fuga opor-se-ia a acção saudosa que venceria tempo e espaço, o devir e o sofrimento que lhe é inerente, operando a superação e libertação do humano mediante uma assunpção mais completa da vida, do mundo e de si próprio: Só aqui na Terra, nesta orla atlântica da Península, a alma do homem teria assumido integralmente, e amoravelmente, o tempo, para o ultrapassar. A libertação seria possibilitada, propiciada e suscitada pela própria fidelidade à terra e sua paixão, pretensamente oposta à fuga mundi própria do niilismo budista. E Portugal, a cultura portuguesa e a proposta e experiência da Saudade seria talvez o ponto dialéctico de oposição e resolução, em união de complementaridade, de primeiro e último, do Oriente e do Ocidente, aqui achado e elevado na terra dos homens.
Dalila procura assim refutar o Budismo nos seus traços mais essenciais, isto é, reduzindo-o a características tão esquemáticas que o desfiguram até se tornar irreconhecível. Contudo, movida por um genuíno ecumenismo e ao valorizar a sabedoria portuguesa como um meio de libertação, estatui a saudade como um meio de libertação, a par das experiências espirituais orientais, valorizando-as assim indirectamente. Prosseguindo este desígnio, a autora utiliza até um vocabulário retirado dessas tradições com o objectivo expresso de destacar a original especificidade da Saudade, como que implicitamente pressupondo e declarando que o recurso às tradições orientais seja indispensável ao conhecimento aprofundado do que mais importaria na cultura portuguesa.
Este paradoxo ou ambiguidade é reforçado pelo reconhecimento de que há características na cultura portuguesa que se encontram em frontal oposição à tradição europeia. Ao discorrer sobre a saudade, Dalila define-a como uma das mais altas experiências espirituais dadas à humanidade, só que, diferentemente da mítica e da poética, acessível, enquanto via de salvamento a todo um povo, continuadamente ao longo de sua longa história. Todos os tipos de conhecimento espiritual seriam assim formas de prospecção e união com o divino, o transcendente e o mistério. A saudade seria assim um conhecimento que faz participar na realidade suprema. Essa participação é vivenciada como uma forma de alegria em toda a sua força de libertação, revelando que a verdadeira realidade do mundo é isenta de devir, mudança e sua dor, mas que persiste e subsiste dela incólume. A saudade é assim definida como um poder de revelação da eternidade. Dalila vê os textos portugueses impregnados de saudade como elementos não menosprezáveis do mais precioso património espiritual da humanidade, a par de outros documentos que dão conta de outras experiências espirituais libertadoras, em outras tradições, tempos históricos e localizações geográficas, testemunhos da vida imortal». In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.

Cortesia da ULisboa/JDACT

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Jou Pu Tuan. Li Yii. «Chegou o momento crítico em que as tranças esticadas, emblema da meninice, se desmancham para dar lugar a madeixas lisas. O menino transformara-se num jovem. Não tardou a chegar a altura do primeiro exame…»

jdact

«A nossa história situa-se nos tempos da dinastia Mongol (1280-1368), no reinado de Chih-ho, harmonia alcançada, 1328). Nessa altura vivia em Kua-ts'ang-shan, a Montanha vestida de azul, um dhûta, ou seja um monge budista, cujo templo era chamado Ku-feng, Cume Deserto. Nascera no condado de Chuchow, na província de Chekiang, e, na sua mocidade, fora um aluno brilhante da teoria política de Confúcio, destinado a vir ocupar um alto posto no governo. As suas tendências, porém, levavam-no a inclinar-se mais para a meditação e para a reflexão filosófica das origens e da essência das coisas do que para a actividade prática de um governo oficial. Quando ainda andava de fraldas costumava murmurar uns sons incompreensíveis que se assemelhavam muito à lenga-lenga de um estudante a decorar textos clássicos. Isto deixava os pais admirados. Um dia veio bater-lhes à porta um mendigo que era monge e andava a pedir esmola para uma obra piedosa. A criada trazia o menino ao colo quando veio abrir. O monge, ao ouvir a criança balbuciar num tom entre o riso e o choro, encheu-se de espanto e exclamou: mas o que ele diz são máximas tiradas do célebre Leng-yen-ching, Sutra da Severidade Angular!, traduzido para chinês em 1312. É isso que o menino está a recitar. Não há dúvida de que reincarnou nele a alma de um antigo santo, o qual fala pela sua boca. E dirigiu-se aos pais da criança, pedindo para lhes confiarem o filho; despertaria nele a vocação religiosa e torná-lo-ia seu discípulo. Os pais, que eram adeptos convictos e esclarecidos de Confúcio, consideraram aquelas palavras como uma superstição tola e recusaram, indignados. O pai começou muito cedo a ensinar-lhe a escrever e a ler os livros clássicos. O rapazinho dava mostras de uma compreensão rápida e extraordinária; bastava ler uma única vez um texto para este lhe ficar gravado na memória a ponto de o recitar de cor. Contudo, caso estranho, logo de princípio a sua tendência ia para os escritos budistas. Muitas vezes o pai o surpreendeu a interromper os estudos para se dedicar secretamente à leitura dos sutras budistas. O pai e a mãe repreendiam-no severamente, chegando mesmo a castigá-lo com varadas, sem que ele renunciasse a esta secreta ocupação.
Chegou o momento crítico em que as tranças esticadas, emblema da meninice, se desmancham para dar lugar a madeixas lisas. O menino transformara-se num jovem. Não tardou a chegar a altura do primeiro exame e o pai mandou-o para a academia da província a fim de se preparar. Aí distinguiu-se de tal forma que o director o nomeou seu assistente e monitor junto dos outros alunos. No entanto o rapaz mostrava-se pouco interessado em passar nos exames; não se sentia atraído por um lugar de carreira tradicional no governo nem pelos êxitos mundanos que os pais lhe prometiam. Então, pouco tempo depois de ter feito o primeiro exame, os pais morreram e ele encontrou-se livre para seguir a sua inclinação. Observou, claro está, os três anos de luto tradicionais, como competia a um filho dedicado, mas depois pôs em prática o projecto, há muito amadurecido, de renunciar, ao mundo. Distribuiu sem hesitar a herança, a sua casa, as suas terras e dez mil moedas de prata, pelos membros da família. Fez com as suas próprias mãos um saco de coiro, reuniu os escassos objectos indispensáveis a um eremita, um cajado, uma esteira para orar, alguns pergaminho e sutras, mandou rapar o cabelo e dirigiu-se às montanhas para ali viver como eremita». In Li Yii, Jou Pu Tuan, Círculo de Leitores, Tradução de Maria Isabel Braga, Novembro de 1982.

Cortesia de CLeitores/JDACT

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira Costa. Rui Lopo. «… a filosofia, tal qual foi, tal qual é, seria incompreensível sem a contribuição de judeus, árabes e cristãos, sejam teólogos ou filósofos da Natureza. Assim também o pensamento dos gregos seria incompreensível sem o Oriente...»

Cortesia de wikipedia

«(…) Pois que o que sucedeu foi apenas o abrir de uma possibilidade, a exposição de uma virtualidade por realizar. Segundo Quadros, ao possibilitar a interpenetração fica aberta à filosofia a sua mais ampla compreensão: ofertámos à especulação filosófica a máxima latitude dos pensamentos ocidentais e orientais. Assim, mais que celebrar as navegações haveria que proceder à efectiva descoberta do que o Oriente realmente seja. No mesmo sentido, recordemos um muito digno de menção e reflexão heterónimo castelhano de Agostinho da Silva, José Maria Carriedo, apresentado ao leitor como um amigo que intervém no curioso diálogo entre heterónimos presente em Folhas Soltas de São Bento: homem que mora há quarenta anos no Japão, que come à japonesa, mora à japonesa, veste à japonesa, não me falou de outra coisa senão da Espanha e dos problemas da Espanha, aonde nunca voltou (...) como bom espanhol, Carriedo não teoriza sobre sua existência; limita-se, ou dilata-se, a vivê-la plenamente; as teorias ficam para os cartesianos; como cartesiano, proporia eu que se visse em Carriedo uma explosão daquele orientalismo que os observadores têm denunciado na evolução da cultura peninsular e uma afirmação de que o motivo religioso ainda é o mais forte na Ibéria. Pelos mesmos anos, também José Marinho irá reflectir sobre a pretensa oposição entre Ocidente e Oriente. Assim, dirá que a filosofia, tal qual foi, tal qual é, seria incompreensível sem a contribuição de judeus, árabes e cristãos, sejam teólogos ou filósofos da Natureza. Assim também o pensamento dos gregos seria incompreensível sem o Oriente mais próximo ou remoto. (...) Quanto à restrição heideggeriana do conceito de filosofia a cousa europeia, helénica, ou posterior à Hélade, não parece de aceitar em povos periféricos da Europa em relação com o amplo mundo. Aqui também se valoriza a interpenetração como característica funda da filosofia e seu programa de futuro.
A distância do chamado centro europeu é também aqui valorizada por implicar uma proximidade com o amplo mundo. Em atitude convergente, Dalila identifica na tradição cultural portuguesa uma predestinação teleológica ecuménica que seria visível principalmente na acção e obra dos poetas e pensadores da Renascença Portuguesa. Reflectindo, sobretudo, a partir do Cristianismo, estes autores teriam previsto, antecipado e proposto uma transformação histórica no sentido de um universalismo real por vir. Esta mutação futura consistiria num esforço comparável à aventura da Descoberta. Desta feita, porém, a questão já não se prenderia com uma expansão ou dilatação (de Fé e Império) do que se é, ou mesmo com uma simples apropriação do que se encontre (e que nos manteria numa horizontalidade dada) mas fundamentalmente com uma vertical outração: isto é, tratar-se-ia de acolher entre todas as tradições espirituais da humanidade aqueles elementos de plenificante sentido, isto é, os mais matriciais de futuro em fecundidade sempre nova e diferente; seria agora então o momento de actualizar aquilo que mais nos possa superar, operando uma mutação, que consiste na sobre-humanização ou divinização do homem, no ultrapassamento da condição mental ainda dominante. A isto a autora denomina como uma missão antropológica transcendente, uma destinação antropocósmica.
Assim, as tradições espirituais da humanidade serviriam de anúncio e programa de transformação emocional e mental, de metamorfose anímica e espiritual. A reflexão de Dalila marca um momento alto de toda a filosofia da Saudade do século XX pelo seu grande fôlego especulativo, densidade metafísica e consistência do esforço de síntese operado sobre as teorizações anteriores. Tal como vimos suceder com Leonardo em seu instigante contributo, também Dalila experimentou a necessidade de confrontar a teoria da saudade com aquilo a que chama Budismo, vendo-os contudo como contrapolares e considerando a Saudade como uma força de oposição à descontinuidade budista do eu. Provando a fecundidade do cotejo dos temas de cultura portuguesa com temas orientais e, nomeadamente, do Budismo com a Saudade (caminho esboçadamente aberto por Leonardo e retomado por Dalila), Paulo Borges, em nossos dias, leva a cabo uma nova e original teorização da saudade marcada justamente pela presença de temas e noções próprios da tradição budista». In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.

Cortesia da ULisboa/JDACT

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira Costa. Rui Lopo. «… doutrina que ainda hoje se levanta cheia de vida no pensamento dum Schopenhauer e até entre nós obsidiou Antero de Quental e forneceu alimento às atitudes metafísicas de Oliveira Martins»


Cortesia de wikipedia e jdact

«Dalila Pereira Costa identifica na tradição cultural portuguesa uma predestinação teleológica ecuménica que seria visível principalmente na acção e obra dos poetas e pensadores da Renascença Portuguesa. Reflectindo, sobretudo, a partir do Cristianismo, estes autores teriam previsto, antecipado e proposto uma transformação histórica no sentido de um universalismo real por vir. Leonardo Coimbra, em importante artigo sobre a Saudade publicado na revista Águia procura encontrar, em diversas tradições culturais, filosóficas e religiosas, características antecedentes ou pontos similares aos da portuguesa proposta e experiência da saudade. Leonardo percorre assim as civilizações do Egipto, Babilónia e Pérsia, evoca os Celtas, discorre sobre a Índia e o Budismo do qual afirma ser doutrina que ainda hoje se levanta cheia de vida no pensamento dum Schopenhauer e até entre nós obsidiou Antero de Quental e forneceu alimento às atitudes metafísicas de Oliveira Martins. A curiosidade universal de Leonardo leva-o ainda a referir a hipnose, a teosofia, a filosofia de Bergson e o materialismo para concluir com uma adversativa a todos os exemplos mencionados: Mas há uma Religião, que é a mais alta e nobre expressão da Saudade, porque apresenta o homem como um viajante desta vida em procura da verdadeira Pátria do Infinito. É o Cristianismo. O Éden era a Pátria donde o homem foi escorraçado (...). Por vários motivos se reveste para nós de especial relevância esta reflexão de Leonardo Coimbra. Em primeiro lugar, Leonardo procede neste texto a propósito da Saudade a um conciso e circunscrito périplo por tradições espirituais, mundividências religiosas e correntes de pensamento que dá conta de uma abertura cultural e filosófica que enformará a atitude filosófica dos seus assumidos seguidores e continuadores, que sentirão também a necessidade de estudar e reflectir sobre o Oriente e o Extremo Oriente para compreender a própria história de Portugal ou para aprofundar algumas das mais originais características da sua cultura. Em segundo lugar, aponta o Budismo como uma influência obsidiante em Antero de Quental e um alimento metafísico de Oliveira Martins. Em terceiro lugar, aponta o Cristianismo como lugar da mais alta e nobre expressão da Saudade, antecipando características de algum pensamento filosófico português contemporâneo marcado pelo Oriente, aqui e ali sujeito até a ser considerado heterodoxo pela sua abertura ao mistério, pela atracção por posicionamentos que a história dos vencidos da filosofia não consagrou, por uma pulsão mística, mas acabando por culminar no Cristianismo. Este artigo deve assim ser considerado como um dos alicerces da atitude reflexiva e especulativa de Dalila Pereira Costa em seu texto: Saudade, unidade perdida, unidade reencontrada. A atracção desta autora pelo Oriente deve ser equacionada no contexto do grupo de pensadores que habitualmente se consideram como próximos do movimento da filosofia portuguesa, que lhe são imediatamente anteriores e de que Dalila se apresenta como original continuadora. Lembremos, por exemplo, que António Quadros, discípulo dos discípulos de Leonardo, Álvaro Ribeiro e José Marinho, considera o Oriente como um dos doze arquétipos da cultura portuguesa. Assim, a viagem para Oriente assinalará mais que o ponto extremo ou culminante do ciclo mar-nau-viagem-descobrimento-demanda; mais do que um ponto de chegada, um momento de transporte ou deslocação de Portugal para o Oriente. Crucial será o trazer do Oriente para o Ocidente. A ligação dos dois pólos implicará a sua indistinção futura, na medida em que cada um deles deverá encontrar em si características que permitam o diálogo com o outro. Segundo Quadros, o critério de aferição da boa orientação de uma filosofia será a sua disponibilidade de se configurar como pensamento armilar, integrando a fraternidade de raças, povos, religiões e ideias tanto ocidentais como orientais. O regresso à terra onde nasce o sol significa isso mesmo: a superação das filosofias e das tradições terrestre e localmente delimitadas. Um dos sentidos maiores das navegações residirá na sua virtualidade: a descoberta futura do mundo como um todo. As navegações teriam assim apenas preparado Descobertas que ainda agora se estão iniciando: a descoberta de todos por todos, condição preliminar do encontro da totalidade dentro de cada um. As palavras de António Quadros ecoam claramente o programa pessoano de portuguesa fusão de todas as crenças e filosofias e terá continuação na última fase da obra de Agostinho da Silva que nos assume como tarefa cultural e espiritual o encontro inter-religioso e ecuménico, relativizando cada uma das perspectivas e expondo o seu cariz restritivo porventura servindo-se, de forma não explícita, da budista teoria da dupla verdade, que talvez no Ocidente também já tenha tido algo de análogo no neo-platonismo, o que libertadoramente nos inibirá de apormos ao pensamento o designativo de oriental ou de ocidental, pois que em cada um dos pólos se manifesta aquilo que no outro vem também a surgir. As navegações e o encontro de culturas que lhe está associado deve ser assim visto como uma tarefa por cumprir e não como um feito a celebrar». In Rui Lopo, A leitura do Budismo na obra de Dalila Pereira da Costa, Estudos, Universidade de Lisboa, Associação Agostinho da Silva, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, 2007.

Cortesia da ULisboa/JDACT

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os signos Chineses. A lenda de Buda e os 12 animais do Zodíaco. «Segundo uma antiga lenda chinesa, Buda convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, prometendo uma surpresa a cada um dos animais. Apenas doze animais compareceram e ganharam um ano de acordo com a ordem de chegada»

Cortesia de fo

«Os chineses acreditavam que a sua história estava relacionada com os céus. Chamavam à sua terra ‘o Reino do Meio’, que representava o Reino do meio celeste, onde as estrelas nunca se punham. O imperador, ou o «Filho dos Céus» como era chamado, era um mediador entre o Céu e a Terra. Conhecia, os dias da mudança das estações e podia prever e interpretar todos os sinais celestes.
Acreditava-se que, caso o imperador cometesse algum erro nas suas previsões, ele perderia todos os poderes que lhe eram conferidos pela natureza. Era muito importante que os seus conselheiros observassem e calculassem com a máxima precisão todos os movimentos do céu. Os deslizes eram punidos com a decapitação. Tão marcante era a influência da astrologia na China antiga, que mesmo os palácios eram construídos de forma a se adequarem à simbologia astrológica. Havia um palácio para cada estação do ano, eram a representação terrena dos palácios ou sectores do reino celeste.
As portas do palácio de Verão estavam voltadas para o Sul, as da Primavera, para o Leste; as do Outono, para o Oeste e as do Inverno, para o Norte. Durante a dinastia Shang, por exemplo, o imperador era obrigado não só a residir nesses palácios de acordo com a estação do ano, como também a voltar-se para o Sul durante as audiências. O sul representava o centro do seu reino, a Estrela Polar.
Além do Zodíaco Chinês, os astrólogos e os astrónomos deixaram ao mundo outras valiosas contribuições. Acreditavam que os cometas eram emanações dos planetas e foram os primeiros a observar o cometa Halley em 240 a.C.. Dividiram o ano em exactamente 365 ¼ dias em 444 a.C., tal como fez Júlio César quando introduziu o nosso actual calendário. As enchentes e as secas eram previstas astronomicamente desde 300 a.C. e o papel desses sábios era dos mais decisivos na administração económica e judiciária de todo o país. As manchas solares eram cuidadosamente registadas desde 28 a.C., pois acreditava-se que o sucesso na agricultura estava intimamente ligado a esse fenómeno solar. Aos planetas foram dados elementos e direcções:
  • Júpiter = (madeira, leste);
  • Marte = (fogo, sul);
  • Saturno = (terra, centro);
  • Vénus = (metal, oeste);
  • Mercúrio = (água, norte).
Em vez de se basearem na elíptica, como fazem os astrólogos ocidentais, os chineses observavam as estrelas circumpolares, que eram visíveis durante a noite e durante o ano todo. Concentravam-se também nas 28 constelações circumpolares, denominadas ‘hsui’. Cada uma delas pertencia a um dos palácios celestes e tinha o nome de algum animal. Assim, a constelação do Morcego, por exemplo, estaria nos domínios do Palácio do Norte. Alguns desses animais não só dão seu nome aos doze meses, como também aos ciclos horários e aos ciclos de 12 meses. Esse Zodíaco parece ter sido usado desde 500 a.C. Porém, a verdadeira origem do círculo dos animais ainda permanece desconhecida.

Cortesia de wikipedia

A lenda chinesa dos doze animais
Segundo uma antiga lenda chinesa, Buda convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, prometendo uma surpresa a cada um dos animais. Apenas doze animais compareceram e ganharam um ano de acordo com a ordem de chegada:
  • o Rato ou Camundongo;
  • o Boi ou Búfalo (Vaca, na Tailândia);
  • o Tigre (Pantera, na Mongólia);
  • o Coelho (Gato, na Tailândia);
  • o Dragão (Crocodilo, na Pérsia);
  • a Cobra ou Serpente (Pequeno Dragão, na Tailândia);
  • o Cavalo;
  • a Cabra, bode ou Carneiro;
  • o Galo ou Galinha;
  • o Macaco;
  • o Cão;
  • o Porco ou Javali.
  • O Cavalo de Fogo rege a cada 60 anos.
De acordo com um antigo texto budista, quando os animais terminam as suas meritórias tarefas, fazem um juramento solene perante os budas de que um deles estará sempre, por um dia e por uma noite, pelo mundo, pregando e convertendo, enquanto os outros onze ficam praticando o bem em silêncio. O Rato inicia sua jornada no primeiro dia da sétima Lua; procura persuadir os nativos do seu signo a praticarem boas acções e a corrigirem os defeitos de seus temperamentos. Os demais bichos fazem o mesmo, sucessivamente, e o Rato reinicia seu trabalho no 13º dia. Assim, graças ao trabalho constante dos animais, os budas garantem uma certa ordem no universo.

Cortesia de astrologiachinesa

Signos no Zodíaco Chinês e as Horas
Cada período de duas horas, correspondente à regência de um dos signos. Para saber quais são as características que você pode herdar do signo da hora do seu nascimento, basta procurar o signo regente na tabela a seguir:
  • RATO - Nome Chinês: Shú, 23:00 à 1:00;
  • BOI - Nome Chinês: Niú, 1:00 às 3:00;
  • TIGRE - Nome Chinês: Hú, 3:00 às 5:00;
  • COELHO - Nome Chinês: Tú, 5:00 às 7:00;
  • DRAGÃO - Nome Chinês: Long, 7:00 às 9:00;
  • SERPENTE - Nome Chinês: Shé, 9:00 às 11:00;
  • CAVALO - Nome Chinês: Ma, 11:00 às 13:00;
  • CABRA - Nome Chinês: Yáng, 13:00 às 15:00;
  • GALO - Nome Chinês: Ji, 15:00 às 17:00;
  • MACACO - Nome Chinês: Hóu, 17:00 às 19:00;
  • CÃO - Nome Chinês: Gou, 19:00 às 21:00;
  • PORCO - Nome Chinês: Zhu, 21:00 às 23:00 horas.

Cortesia de wikipedia

In Wikipédia/Fundação Oriente/JDACT

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Yoga: Um conceito que se refere às tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia. A palavra está associada com as práticas meditativas tanto do budismo quanto do hinduísmo

Cortesia de espiritualismo.hostmach

Yoga é um conceito que se refere às tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia. A palavra está associada com as práticas meditativas tanto do budismo quanto do hinduísmo. No hinduísmo, o conceito refere-se a uma das seis escolas ortodoxas da filosofia hindu.
Cortesia de espiritualismo.hostmach


Os Yoga Sutras, ou Aforismos do yoga) são os textos clássicos que codificam o conhecimento tradicional sobre o Yoga. Foi escrito por Patañjali, renomado siddha nascido na região a noroeste da Índia, e que obteve notoriedade ensinando o yoga no sul daquele país. Acredita-se que tenha vivido por volta da época de Siddharta Gautama, o Buda, no século V a.C., ou pouco tempo depois.

O texto compõe-se de 196 aforismos divididos em 4 capítulos que tratam do método do Yoga para libertar o praticante das transformações materiais e da morte (sutra IV, 33) devolvendo-o à sua natureza autêntica (sutras IV, 34 e I, 3). Os 4 capítulos são os seguintes:
  • 1. Samāadhi Pāada - trata da definição do samadhi, que é um estado meditativo da mente, e dos processos para alcançar esse estado;
  • 2. Sādhana Pāda - trata da prática que leva ao estado meditativo, e dos obstáculos que podem ser encontrados;
  • 3. Vibhūti Pāda - trata dos resultados obtidos com a prática da meditação profunda (samyama), que são conhecimentos e habilidades especiais;
  • 4. Kaivalya Pāda - trata do objetivo final do Yoga proposto nos Sutras, que é o estado de identificação do praticante com todo o Universo, produzindo o isolamento (Kaivalyam) que dá nome ao capítulo.

Cortesia de umpontoazul.wordpress
O Yoga ensinado nos Sutras é conhecido como Raja Yoga, Yoga Clássico ou Yoga do Samkhya. De facto é do Sistema Samkhya que os Sutras extraem a teoria que dá sustentação à sua proposta prática.




O Yoga ensina, por exemplo, como respirar melhor, como relaxar, como concentrar-se, como trabalhar os músculos, articulações, nervos, glândulas endócrinas, órgãos internos, etc. Através de exercícios físicos belíssimos, fracos, médios ou fortes, porém que respeitam o ritmo biológico do praticante.

Cortesia de rabrip
A prática completa do SwáSthya Yoga compreende 8 tipos de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá, samyama) que vão actuar em 8 áreas distintas, promovendo um aperfeiçoamento multilateral. Os efeitos sobre o corpo, a sua flexibilidade, o fortalecimento muscular, o aumento de vitalidade e administração do stress fazem-se sentir muito rapidamente. Mas para despertar a energia chamada kundaliní, desenvolver as paranormalidades e atingir o samádhi, é necessário uma dedicação intensiva.
Por isso, a maioria dos praticantes de Yoga não se interessa pela meta da coisa em si (kundaliní e samádhi). Em vez disso, satisfaz-se com os fortes e rápidos efeitos sobre o corpo e a saúde.
«Certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos instinti­vos, porém, extremamente sofisticados graças ao seu virtuosismo e, por isso mesmo, lindíssimos. Essa linguagem corporal não era propri­amente um ballet, mas, inegavelmente, havia sido inspirada na dança. A arrebatadora beleza da técnica emocionava a quantos assistiam à sua expressividade e as pessoas pediam que o bailarino lhes ensinasse sua arte. Ele assim o fez. No início, o método não tinha nome. Era algo espontâneo, que vinha de dentro, e só encontrava eco no coração da­queles que também haviam nascido com o galardão de uma sensibili­dade mais apurada. Os anos foram-se passando e o grande bailarino conseguiu transmitir boa parte do seu conhecimento. Até que um dia, muito tempo depois, o Mestre passou para os planos invisíveis. A sua arte, no entanto, não morreu. Os discípulos mais leais preservaram-na intacta e assumiram a missão de retransmiti-la. Os pupilos dessa nova geração compreen­deram a importância de tornar-se também instrutores e de não mo­di­ficar, não alterar nada do ensinamento genial do primeiro Mentor». In Derose.

Cortesia de festivalmundialdapaz2ning

Cortesia de wikipédia/Poder do Yoga/JDACT

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Temática, O Budismo: As Grutas de Yungang. Embora árduo e com imenso sacrifício humano, os escultores dos budas das grutas de Yungang transmitem-nos uma «outra» maneira de viver, onde se extrai os mais altos benefícios da vida

Cortesia de portuguesecri

Ao afirmar que na proximidade de uma das cidades produtoras de carvão da China há 51 mil budas esculpidos na pedra, pode parecer algo estranho. No entanto, em anterior conversa já me tinha debruçado sobre a  cidade de Datong e outras grutas envolventes. 
A temática do budismo é deslumbrante e assume uma prática de vida, melhor, uma filosofia de vida que revela a sabedoria onde a ciência do conhecimento e a inteligência predominam.
Ao pesquisar uma colecção de grutas que se estendem por 1 km, onde o trabalho árduo de milhares de pessoas num período longo de anos, é um encantamento para os olhos e para uma paz interior. Trata-se de uma felicidade e harmonia  que o budismo trouxe a milhões de pessoas ao longo da sua história de mais de 2500 anos.

Por tudo isto, afirmo, que o Budismo é uma religião prática, virada para condicionar a mente inserida no nossso cenário quotidiano, de modo simples a levá-la à paz e serenidade, à alegria e sabedoria, à liberdade e humanismo na «quase perfeição». Deste modo, embora árduo e com imenso sacrifício humano, os escultores dos budas das grutas de Yungang transmitem-nos uma «outra» maneira de viver, onde se extrai os mais altos benefícios da vida.



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wikipédia/JDACT

domingo, 7 de novembro de 2010

As Mil Grutas dos Dez Mil Budas: Grutas de Mogao. Património Mundial, UNESCO. O maior conjunto de arte budista do mundo

Cortesia de absolutchina

Grutas de Mogao, Património Mundial, UNESCO. Localização: 40° 2′ N 94° 48′ E. 

Situadas num ponto estratégico ao longo da Rota da Seda, um local importantíssimo para o comércio assim como de influências intelectuais, culturais e religiosas, os 492 santuários nas cavernas e grutas em Mogao são famosos pelas suas estátuas e pinturas rupestres, abrangendo cerca de 1000 anos de arte budista. As Grutas Mogao, conhecidas no local como Grutas de Mil Budas, situam-se no monte Mingsha.

Cortesia de wikipédia
As Grutas de Mogao, situadas nos arredores da cidade de Dunhuang (no noroeste da China), contém 735 cavernas com mais de 45.000 m2 de pinturas murais, o que as tornam o maior conjunto de arte budista do mundo.

Cortesia de wikipédia
Cortesia de kmstressnet

Também conhecidas como as «Cavernas dos Mil Budas», as Grutas de Mogao foram escavadas no ano de 366, na encosta da montanha Mingshashan, e estende-se, de norte a sul, por quase 2 quilómetros. Ao mesmo tempo em que se esculpiam as esculturas exteriores, as cavernas eram preenchidas com as estátuas dos budas.

Cortesias de spanishchina
Cortesia de futuropasado

Os murais com temas budistas, mostram narrações dos sutras e representações de budas e personagens mitológicos oriundos da Índia, Ásia Central e outras partes da China.
As Grutas de Mogao, consideradas pelos peritos como uma «Enciclopédia da Idade Média» (séculos IV a IX), foram incluídas na lista do Património Mundial pela Unesco, em 1987.
Nos 20 anos seguintes ao descobrimento desse precioso achado, desapareceram cerca de 40 mil passagens dos sutras, assim como incontáveis murais e esculturas. Como consequência das expropriações, na China só se conserva a terceira parte do que originalmente havia nas cavernas.

Cortesia de artehistoriajcyles

A erosão natural provocada pelo vento, pela chuva, pelas tempestades de areia, assim como os danos causados pelas próprias pessoas, têm afectado gravemente os delicados frescos, que sofrem com mudanças na coloração e na sua estrutura.
Com o objectivo de proteger este valiosíssimo legado humano, a Academia de Dunhuang da China trabalha para introduzir o programa «Dunhuang Digital».

Cortesia de viajarporchina

http://portuguese.cri.cn/101/2006/10/03/1@52763.htm
http://portuguese.cri.cn/152/2007/10/20/1@77594.htm
http://whc.unesco.org/en/list/440

Cortesia de opicodamontanha
Cortesia de futuropasado
Cortesia de sincafeina

Cortesia de wikipedia/JDACT