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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Fortaleza de Vilar Maior. Beira Interior. «O povoado que se definiu à sombra do castelo foi muralhado já no final do século XIII, estando-lhe associada uma inscrição de 1280, o que demonstra como, por esta altura, a povoação era importante o suficiente para ser agraciada com um projecto real»


Cortesia de wikipedia e jdact

«O Castelo de Vilar Maior localiza-se na freguesia e povoação de Vilar Maior, concelho do Sabugal, distrito da Guarda. Em posição dominante sobre o vale do rio Cesarão e a povoação, do alto de seus muros é possível avistar-se o Castelo da Guarda».

«A posição estratégica de Vilar Maior no contexto de fronteira entre Portugal e Leão cedo determinou que aqui se erguesse um castelo. Ele encontra-se documento desde a segunda metade do século XI (imediatamente após a campanha das Beiras promovida por Fernando Magno), e a sua construção justifica-se neste novo quadro de expansão do reino leonês. De acordo com a análise de Barroca, o perímetro oval da cerca deve corresponder a este período, pela aparente simplicidade do seu dispositivo defensivo, ignorando ainda os torreões e evitando os ângulos. Para além disso, apresenta um aparelho tendencialmente a caminho da isodomia, com fiadas horizontais já claramente definidas e silhares de apreciáveis dimensões, razoavelmente bem talhados.
No caminho para a Baixa Idade Média, Vilar Maior continuou a merecer a atenção por parte dos monarcas leoneses. O povoado que se definiu à sombra do castelo foi muralhado já no final do século XIII, estando-lhe associada uma inscrição de 1280, o que demonstra como, por esta altura, a povoação era importante o suficiente para ser agraciada com um projecto real de dimensão considerável, como era certamente a empreitada de muralhamento de uma vila.
A configuração actual do conjunto, com a sua poderosa torre de menagem, data já da transição para o século XIV. A 17 de Novembro de 1296, ainda antes da assinatura do Tratado de Alcanices, o rei Dinis I passou foral à povoação. Um ano depois, o monarca leonês assinou a passagem de Vilar Maior, e de outras vilas de Riba-Côa, para a coroa portuguesa. Foi a partir dessa data que se deu início à derradeira fase construtiva da estrutura militar, com actualização de dispositivos e renovação de alguns elementos.
O recinto tem a forma oval muito bem definida, e encontra-se protegido pela gigantesca torre de menagem quadrangular que apoia a defesa da porta principal. Do lado oposto da cerca, localiza-se uma segunda porta, de arco apontado e com vestígios de ter sido sobrepujada por alpendre ou sistema de madeira para apoio do adarve. Este tem acesso por escadarias longitudinais, em vários pontos da cerca, o que permitia uma rápida movimentação de tropas no interior do circuito.
Neste sistema, a torre de menagem desempenha uma activa função de defesa, projectando-se para o exterior da cerca, o que permite uma maior abrangência de tiro sobre a cerca e, no caso particular, sobre a porta principal. É de três andares, sendo o térreo cego e sem acesso directo. A entrada faz-se pelo interior da muralha, ao nível do adarve, por meio de porta sobrelevada de arco apontado. Neste andar, assim como no registo superior, os alçados voltados ao exterior integram apertadas frestas, faltando já o coroamento, que poderia apresentar outros dispositivos de defesa, como um terraço ameado. O seu aspecto compacto e maciço disfarça as escassas aberturas, mas reforça a monumentalidade e inexpugnabilidade do conjunto, cujo impacto cenográfico não poderia deixar de impressionar, numa paisagem pouco humanizada e certamente destituída de pontos de referência desta amplitude. O estatuto da torre como obra de propaganda por parte dos novos poderes é reforçado pela presença do brasão real português, colocado ostensivamente na face principal da Torre.



Pacificado o território, Vilar Maior decaiu de importância e começaram a sentir-se dificuldades de povoamento. Em 1440, numa época de clara litoralização do reino, a localidade albergou um couto de homiziados, numa clara tendência para inverter a desertificação. Em 1510, D. Manuel concedeu-lhe novo foral, mas não mais a povoação voltaria a ter a importância de outrora. Ponto de passagem durante as invasões francesas de inícios do século XIX, consta que foi incendiado e pilhado. Na actualidade, aguarda pela definição de um projecto de valorização, que terá, obviamente, de passar por uma prévia investigação arqueológica». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de Wikipédia e IGESPAR/JDACT

A Fortaleza de Sabugal. Beira Interior. «A localidade mantinha a anterior importância, agora acrescida pelas cláusulas do “Tratado de Alcanices”, que lhe impunham um estatuto de primeira fortaleza raiana. Neste contexto, Dinis I ergueu um castelo exemplar, moderno e espacialmente racionalizado»


Cortesia de igespar e jdact

«O Castelo do Sabugal, também referido como Castelo das Cinco Quinas devido ao formato incomum de sua torre de menagem, localiza-se na freguesia e concelho do Sabugal, no distrito da Guarda. Em posição dominante sobre a povoação, num pequeno planalto da serra da Malcata, controla a travessia do rio Côa na sua margem direita. Daí  a sua importância na antiguidade e na época medieval.
Reza a tradição que foi no largo deste castelo que se deu o famoso milagre das rosas tendo como protagonistas a Rainha Santa Isabel e o rei D. Dinis».

«As origens do Castelo de Sabugal encontram-se no reino de Leão, quando Alfonso IX detinha as terras de Riba-Côa. Nos séculos XII e XIII, a vila era a principal localidade desta vasta região, na medida em que controlava a ponte que permitia a passagem do rio Côa. Apesar desta circunstância de inegável importância, os primeiros dados seguros surgem apenas nos inícios do século XIII, quando o monarca leonês fundou a vila, por volta de 1224. Nos setenta anos seguintes, um primitivo reduto defensivo foi edificado a expensas do reino de Castela e Leão, fortificação que haveria de ser conquistada pelo monarca Dinis I em 1296, na sequência da ofensiva militar do nosso rei sobre as terras de Riba-Côa.
É a partir da transferência de soberania da vila que aparece o castelo gótico de Sabugal. A localidade mantinha a anterior importância, agora acrescida pelas cláusulas do Tratado de Alcanices, que lhe impunham um estatuto de primeira fortaleza raiana. Neste contexto, Dinis I ergueu um castelo exemplar, moderno, arquitectónica e espacialmente racionalizado. As obras principiaram pelo desimpedimento do núcleo central da vila, dentro das antigas muralhas leonesas, onde se erguiam algumas casas. Definido o perímetro, a opção foi por uma fortaleza de planta geométrica quase perfeita, delimitando um pátio sub-rectangular com torreões quadrangulares nos ângulos.
A radicalidade e modernidade deste projecto está bem espelhada na majestosa torre de menagem. Ao contrário dos castelos românicos, onde esta torre aparecia isolada dentro do recinto interior, a torre de menagem do castelo de Sabugal adossa-se a uma das muralhas e tem por objectivo a defesa activa da porta principal. Para além disso, ao contrário da secção quadrangular da estrutura, optou-se por uma torre pentagonal, herdeira das torres quinárias dos Templários e de Sancho I, cuja imponência se assumiu como uma das principais imagens da vila ao longo da sua história.
As muralhas do castelo foram igualmente tratadas de forma cuidada e bastante actual, de um ponto de vista operacional. Dois torreões circulares protegem um dos alçados e um largo adarve percorre todo o recinto quadrangular. Exteriormente, uma barbacã, possivelmente já do século XIV, circunda a fortaleza, obrigando ao estreitamento dos acessos e à progressiva individualização das forças inimigas, que ficam, assim, expostas ao tiro vertical.




A cerca que circunda a vila é, também ela, um produto gótico. De planta oval, e integrando grande parte do castelo, devem datar do século XIV, praticamente em simultâneo com a construção do reduto. A porta principal localiza-se na outra extremidade e, entre estes dois elementos, a Rua Direita assume-se como o principal eixo de circulação intra-muros.
À semelhança da maioria dos nossos castelos, também o de Sabugal foi objecto de várias reformas. No reinado do monarca Manuel I, os desenhos de Duarte de Armas mostram uma barbacã bem composta de tranoeiras, perfeitamente adaptada à guerra de artilharia. Nos séculos seguintes sucedem-se as obras, visando o reforço da estrutura, que ainda serviu de ponto de apoio às guerras peninsulares de inícios do século XIX. A partir daqui, perdida a função militar pelo progresso da arte da guerra, o castelo entrou em decadência. Se no século XVI existiam algumas casas no interior do pátio, em meados de Oitocentos este foi adaptado a cemitério da localidade, chegando mesmo, na viragem do século, a demolir-se a capela de Santa Maria, templo tutelar da fortaleza desde a época gótica.
As obras de restauro tiveram início pouco depois, após a constituição da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Esta instituição, desenvolveu aqui um programa de intervenção bastante ambicioso e integral, que teve por objectivo a reconstrução de grande parte do castelo medieval, desde as muralhas à colocação de merlões, obras que estão na origem da configuração actual do castelo». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de Wikipédia e IGESPAR/JDACT

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Fortaleza de Penha Garcia. Beira Interior. «No século XVI, com a integração das ordens militares à Coroa, voltou novamente à posse régia. Encontra-se retratado por Duarte de Armas, Livro das Fortalezas, c. 1509, tendo a vila recebido Foral Novo passado por Manuel I (1495-1521) em Santarém, a 1 de Junho de 1510»

jdact
 
«O castelo situa-se na encosta sul da Serra de Penha Garcia, sobranceiro ao Rio Ponsul, onde existe também uma barragem, oásis de frescura nas tardes quentes de verão. Conquistada pelo rei de Portugal em 1220, a localidade de Penha Garcia foi sede de concelho até ao século XIX. O que hoje temos à vista nas ruínas do seu castelo é digno de visita e ainda evidencia a importância da terra ao longo dos séculos. Perto de Penha Garcia situam-se as aldeias históricas do Monsanto e Idanha-a-Velha, ambas com castelos dignos de visita.
A construção do castelo de Penha Garcia deve-se a Sancho I, embora existam vestígios que remontam ao período romano e outros muito anteriores. Do período pré-histórico há conhecimento de vários testemunhos tais como castros, antas e diversos utensílios. Em 1256, o rei Afonso III concede foral a Penha Garcia. Nos princípios do século XIV a vila é doada aos Templários. Destes passa para a Ordem de Cristo e no século XVI volta à posse do rei. Na Igreja Matriz, reconstruída recentemente, existem vestígios da anterior igreja que em 1515 já aparecia em desenhos da época. No seu interior uma raríssima imagem gótica, em pedra de Ançã, da Senhora do Leite, com uma inscrição que a permite datar: 1469. 


No século XVI, com a integração das ordens militares à Coroa, voltou novamente à posse régia. Encontra-se retratado por Duarte de Armas, Livro das Fortalezas, c. 1509, tendo a vila recebido Foral Novo passado por Manuel I (1495-1521) em Santarém, a 1 de Junho de 1510.


O rio Ponsul, depois de atravessar a crista quartzítica em Penha Garcia, concentra ouro nos seus depósitos aluvionares. As explorações, a céu-aberto, de ouro, provavelmente romanas e medievais, têm, ainda hoje, vestígios bem patentes na região das Termas de Monfortinho, nos depósitos aluvionares cascalhentos. Na passagem pelo apertado vale escavado nos duros quartzitos, o rio permitiu a utilização da energia hidráulica nas muitas azenhas, que, neste momento, estão quase todas recuperadas. Recentemente, o estreito vale do rio Ponsul, de vertentes rochosas, permitiu a a instalação estratégica da barragem de Penha Garcia, cuja albufeira permite abastecer de água toda a região envolvente». In Wikipédia.


Cortesia de Wikipédia/JDACT

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A Fortaleza de Salvaterra do Extremo. Beira Interior. «A povoação perdeu importância na medida em que as fronteiras se pacificaram no decorrer da primeira metade do século XIX. Pouco resta do castelo medieval, a não ser alguns troços de muralha, actualmente inscritos em habitações de particulares»



Cortesia da cminova

«O Castelo de Salvaterra do Extremo, na Beira Baixa, localiza-se na povoação e freguesia com o mesmo nome, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, e na margem direita do rio Erges. Fortaleza raiana, foi absorvida pela ‘malha’ urbana da povoação, subsistindo apenas vestígios na actualidade.
Na margem oposta do rio Erges, podem ser observadas as ruínas do castelo de Peñafiel, em Zarza la Mayor, em território espanhol.
A primitiva ocupação humana remonta à pré-história, acreditando-se que foi fortificado pelos romanos, posteriormente sucedidos pelos Visigodos e Muçulmanos, ligados à exploração de recursos minerais (chumbo, estanho e ouro).

 

jdact

 

Na época da Reconquista cristã da Península Ibérica, Afonso Henriques (1112-1185) teria determinado a edificação do castelo. Sob o reinado de Sancho II (1223-1248), a povoação recebeu Carta de Foral (1229). Sob o reinado de Manuel I (1495-1521), a povoação e castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509).


jdact

A povoação perdeu importância na medida em que as fronteiras se pacificaram no decorrer da primeira metade do século XIX. Foi sede de concelho até 1855, a partir de quando foi anexada ao concelho de Idanha-a-Nova. Pouco resta do castelo medieval, totalmente descaracterizado, a não ser alguns troços de muralha, actualmente inscritos em habitações de particulares». In Wikipédia.

Cortesia de Wikipédia/JDACT

domingo, 1 de julho de 2012

A Fortaleza de Segura. Beira Interior. «… só temos conhecimento de povoamento efectivo na terceira década do século XIII, época que ultrapassa, em muito, as doações destes territórios aos Templários. Este facto sugere que Segura não terá desempenhado um papel de relevância no contexto defensivo»



Cortesia de wikipedia

«O Castelo de Segura localiza-se na freguesia e povoação de Segura, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, na margem direita do rio Erges.
As origens da fortificação raiana de Segura são obscuras, a povoação apenas sendo mencionada nos primeiros anos da monarquia portuguesa. Entretanto, a sua posse definitiva, pela Coroa de Portugal, só se efectivou em 1282.
A primeira referência sobre o castelo data do reinado de Dinis I (1279-1325), quando, em 20 de Agosto de 1299, o soberano isentou os seus moradores dos impostos tradicionalmente pagos em Salvaterra do Extremo, com a condição de estes construírem um castelo. Vinte anos mais tarde, o monarca doou os domínios da vila e seu castelo à Ordem de Cristo, que aqui instituiu uma comenda, prova de que, nesta fase, Segura já se constituía em um expressivo centro regional.
Sob o reinado de Fernando I (1367-1383), o soberano doou os domínios da vila e seu castelo ao frei Nuno Martins (1376). Nesse período iniciou-se a edificação de uma barbacã, defesa que se articulava com um fosso.
Posteriormente, sob Manuel I (1495-1521), encontra-se figurado por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). A povoação foi elevada a vila e sede de concelho em 1510, posição que desfrutou até 1836, quando foi anexada ao município de Salvaterra do Extremo.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias
No contexto da Guerra da Restauração da independência a povoação e sua fortificação readquiriram importância estratégica sobre a fronteira da Beira Baixa. Por essa razão, as suas defesas foram reformuladas, sendo a vila dotada de uma muralha envolvente, abaluartada.
Essa defesa foi insuficiente para deter a invasão francesa, que por essa fronteira penetrou durante a Guerra Peninsular, em 1807. Posteriormente, em 1846, foi extinto o seu governo militar, o que conduziu ao desmantelamento das defesas, absorvidas desde então pelo progresso urbano.
No início do século XX, foi erguida a Torre do Relógio, hoje referido como uma lembrança do passado militar de Segura, embora sem conexão com o mesmo. Os remanescentes do conjunto defensivo encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 8 de Maio de 1959». In Wikipédia.




A opinião do IGESPAR
«São ainda obscuras as origens da fortaleza de Segura, não havendo notícias confirmadas acerca da sua existência até uma época bem tardia da consolidação desta linha de fronteira. Este facto não deixa de motivar uma certa estranheza, devido à posição estratégica da localidade e da atenção concedida ao extremo leste do actual Distrito de Castelo Branco nos primeiros anos da monarquia portuguesa.
Com efeito, só temos conhecimento de povoamento efectivo na terceira década do século XIII, época que ultrapassa, em muito, as doações destes territórios aos Templários. Este facto sugere que Segura não terá desempenhado um papel de relevância no contexto defensivo dos primeiros tempos do reino de Portugal e só tenha entrado no domínio régio militar numa fase avançada, possivelmente já na viragem para o século XIV, depois de ter passado definitivamente para a posse portuguesa, em 1282.
A primeira referência conhecida sobre o castelo data de 20 de Agosto de 1299, data em que D. Dinis isentou os moradores da localidade de impostos tradicionalmente pagos em Salvaterra do Extremo, com a condição destes construírem um castelo. Vinte anos depois, o mesmo monarca doou a vila à Ordem de Cristo, que aqui instituiu comenda, o que prova que, por essa altura, Segura detinha já uma centralidade regional, com grande probabilidade alicerçada no seu castelo.
Da primitiva fortificação gótica é muito pouco o que chegou até aos nossos dias. A torre de menagem (que em 1505 tinha dois andares) foi substancialmente transformada nos séculos seguintes e a maior parte dos troços de muralha desapareceu, conservando-se apenas pequenas parcelas. A marca mais visível desses primeiros tempos é dada pelo urbanismo do núcleo antigo, organizado em torno de uma Rua Direita que rasga a localidade ao meio e articula as duas portas ainda existentes, a de Baixo e a de Cima, estas de configuração já moderna.
No final da Idade Média, registaram-se alguns melhoramentos. Em 1376, D. Fernando entregou-a a Fr. Nuno Martins. Pouco depois, há notícia de se ter edificado uma barbacã, que se articulava com um fosso (mencionado em 1505). Em 1509, Duarte d'Armas desenhou o castelo ainda com grande parte da sua configuração medieval. De perímetro oval, protegido por duas cercas, fosso e barbacã, tinha pelo menos seis torres, para além da de menagem, que se adossava ao circuito interno de muralhas. A povoação não estava cercada por qualquer muralha e desenvolvia-se colina abaixo, a nascente do reduto defensivo.


 jdact

As grandes transformações ao núcleo medieval aconteceram no século XVII, no contexto das Guerras Peninsulares resultantes da proclamação da independência portuguesa em 1640. Nas duas décadas seguintes, Segura desempenhou um papel fundamental na defesa da raia da Beira Baixa e esse estatuto foi assegurado pela redefinição do seu sistema militar. Assim, a localidade foi integralmente cercada por uma muralha, a qual, por sua vez, era protegida por guaritas. As Portas de Cima e de Baixo permitiam o acesso ao interior da vila, datando deste mesmo período o seu actual aspecto, de arcos abatidos e, aparentemente, sem protecção lateral por torres. O castelo foi também objecto de obras, embora não se conheçam, hoje, as suas características principais, à excepção dos vestígios de três baluartes associados à velha barbacã.
Com o final da guerra, a praça de Segura viu-se relegada para um papel secundário, o que não a impediu de ser, ainda, uma importante porta de entrada em 1807, por ocasião das invasões francesas. No entanto, o declínio avizinhava-se e, em 1846, foi extinto o governo militar, diploma que precipitou o desmantelamento de grande parte das suas muralhas para diversas construções civis e privadas. No século XX, um projecto reinventivo foi responsável pela construção da Torre do Relógio, actual marco da história militar de Segura mas que já tem muito pouco que ver com o papel desempenhado por esta vila de fronteira ao longo da sua história». In PAF, IGESPAR.

Cortesia de Wikipedia/IGESPAR/JDACT

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Fortaleza de Idanha-a-Nova. Localiza-se na freguesia e concelho de mesmo nome. A povoação de Idanha-a-Nova ergue-se num cabeço, aos pés do qual corre o rio Pônsul. Para a defesa deste trecho da raia, a partir de 1187 foi erguido, sobre uma escarpa na margem direita do rio, um castelo pelos cavaleiros da Ordem dos Templários, sob a direção do Mestre Gualdim Pais»



Cortesia de igespar

«Sob o reinado de Afonso Henriques (1112-1185), o património fundiário da Ordem dos Templários estendeu-se até à Beira Baixa, com a doação de Idanha-a-Velha e de Monsanto, a Gualdim Pais, 6º Mestre da Ordem em Portugal, conforme Carta de Doação passada pelo soberano em 30 de Novembro de 1165:
  • Afonso, notável rei do Condado Portucalense, filho de Henrique e da Rainha D. Teresa e neto do grande e ilustríssimo Imperador de Espanha, por nós ao mestre Galdino e a todos os Irmãos da Ordem dos Templários que estão no meu reino, faço uma vasta e fortíssima doação da região da Idanha[-a-Velha] e de Monsanto com os limites: Seguindo o curso da água do rio Erges e entre o meu reino e o de “Legiones” até entrar no [rio] Tejo e da outra parte seguindo o curso da água do [rio] Zêzere que igualmente entra no Tejo [...].
Posteriormente, seu filho e sucessor, Sancho I (1185-1211), em 1197, confirmou a doação de Idanha-a-Velha ao 7° Mestre da Ordem, Lopo Fernandes, que complementou, em 1199, com a doação da “Herdade da Açafa”. Constituiu-se assim um vasto domínio que se estendia do termo de Idanha até ao de Belver.


Cortesia de igespar

O castelo medieval
Para a defesa deste trecho da raia, a partir de 1187 foi erguido, sobre uma escarpa na margem direita do rio, um castelo pelos cavaleiros da Ordem dos Templários, sob a direção do Mestre Gualdim Pais.
A sua estrutura obedece às mesmas linhas arquitetónicas características dos templários, nos castelos de Almourol, Monsanto, Pombal, Tomar e Zêzere, seus contemporâneos.
Visando o seu povoamento e o reforço de sua defesa, o rei Sancho I (1185-1211) outorgou-lhe “Carta de Foral” (1201), tendo feito a doação dos seus domínios à Ordem do Templo.
O seu sucessor, Afonso II (1211-1223), confirmou esta doação e o foral (1229), rebatizando a povoação com a actual toponímia (Idanha-a-Nova), para distingui-la antiga Idanha (doravante Idanha-a-Velha), a “Civitas Igaeditanorum” romana, “Egitânia” dos Suevos e Visigodos, “Eydaiá” dos Muçulmanos, a dezoito quilômetros de distância.
A vila de Idanha-a-Nova desenvolveu-se bastante desde então, ao mesmo tempo em que Idanha-a-Velha entrava em progressiva decadência. Em fins do século XV, Manuel I (1495-1521), admirou-se com a diferença do desenvolvimento das duas Idanhas (1496) e, em Junho de 1510, reconhecendo o progresso de Idanha-a-Nova, concedeu-lhe Foral Novo. Nesta época, a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509).



jdact

“Os vários povos que passaram por Idanha-a-Velha (a antiga Egitânia romana) deixaram diversos vestígios monumentais. Com efeito, Idanha-a-Velha foi a capital da “civitas Igaeditanorum”, que parece ter sido fundada por Augusto. Não tendo existido ‘oppidae’ anteriores, este facto teve, provavelmente, como consequência imediata um maior investimento na área construtiva do que nas povoações onde aquelas estruturas já existiam. Estas edificações eram dirigidas pelos magistri eleitos, que governavam a sua respectiva civitas por não possuírem o ius Latii. Entre outras características construtivas, constatamos que Idanha-a-Velha não possui acrópole, como sucederia normalmente noutras cidades romanas, talvez por ter sido erguida numa ligeira ondulação de terreno. Todavia, tal facto não impediu que o seu principal centro cívico fosse instalado num dos seus pontos mais elevados, coroando a povoação, embora de uma forma menos evidente e monumental. Embora não detenhamos, ainda, todos os dados necessários à possível reconstituição abrangente e fiel do forum (tal como sucede em Conímbriga), os vestígios arqueológicos de Idanha-a-Velha possibilitam, contudo, localizá-lo. É o caso do podium do templo romano que lhe pertencia, perfazendo aquele que era considerado um verdadeiro centro cívico e religioso da cidade romana. Sobre esta estrutura foi posteriormente erguida uma torre de menagem pelos templários, encontrando-se a Sul do forum vestígios de uma construção romana, provavelmente reportáveis às termas da cidade do século III d.C. Das diversas igrejas existentes, sobressai a imponente basílica paleocristã, de três naves (convertida mais tarde em basílica visigótica), eventualmente fundada no século IV, quando Idanha-a-Velha foi sede de bispado e, por conseguinte, uma das povoações mais importantes de toda a região da Beira interior. Esta "basílica" foi sujeita a uma campanha de remodelação durante o século IX, sendo posteriormente adaptada a outros estilos entre os séculos XIV e XVI. No entretanto, era erguida a "Torre dos Templários" precisamente sobre o embasamento de um templo romano, na antiga zona do forum, sobre a qual seria construído um templo medieval. Para além destes edifícios, existia um vasto circuito de muralhas eventualmente subsidiário de uma primeira fortificação datada do século II, e que foi sujeito a remodelações ao longo do século IX, e a reforços durante o período dionísio.
Desde alguns anos a esta parte que decorre um projecto integrado de conservação e valorização dos diversos edifícios históricos constitutivos do conjunto monumental de Idanha-a-Velha, promovido pelo IPPAR, baseado na estratégia de valorização de toda a povoação. Assim, entre outras intervenções, criou-se um passadiço de visita no coroamento da muralha na zona da "Porta Norte", reconstruindo-se os torreões aí existentes e projectando a reconstrução de uma antiga casa de fundação manuelina para instalação do posto de turismo de Idanha-a-Velha, realizado no âmbito da filosofia de intervenção nos monumentos arqueológicos visitáveis, tendente a criar infra-estruturas imprescindíveis ao melhoramento da interpretação dos sítios visitados, ao mesmo tempo que a regular e disciplinar os fluxos de visita». In A. Martins, IGESPAR
 
Cortesia de CMINova/IGESPAR/JDACT