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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Feliciano Falcão. Memória Viva. Portalegre: «A questão, a questão é mais vasta e não se compadece com arranjos parcos. Para um corpo chagado e tão anémico, emolientes, remendos e paliativos de superfície, todos postos a brilhar como fachada, que deixam íntegro o núcleo estagnativo, mórbido e letal, nunca foram remédios salutares»

jdact

De Médico a Curandeiro em Terras Medievais
«Do ilustre conterrâneo, Feliciano Falcão, publicou o jornal “A República”, de 27 de Novembro de 1945, uma crónica interessante e exacta, sob o título acima mencionado, acerca dos meios que são facultados aos médicos que, por necessidades imperiosas da vida, têm de exercer a sua profissão nas aldeias e também sobre a forma como pode ser prestada a assistência médica em tais povoações.
Crónica dura, mas real, bem vinca o esforço titânico do médico, no meio em que os mais elementares princípios de higiene e profilaxia não existem, por deficiência da organização. O depoimento do destino médico é claro e insofismável e, estamos certos, contribuirá em muito para a reforma que terá de ser feita sobre assistência médica, nas povoações sem recursos e distantes dos meios hospitalares.

Porque é necessário divulgar as deficientes condições actualmente verificadas, com toda a nossa concordância, transcrevemos parte da sua brilhante crónica, lamentando apenas que a falta de espaço nos impeça a publicação integral:
  • [...] Para tarefa tão gigantesca, ficam só ao João Semana, em esquema pungente, que é o esqueleto de uma realidade negra, o tonendoscópio para, por veredas e azinhagas num burro lazarento, com, uma que outra vez, a amenidade do ‘cross-country’ e o alpinismo descobrir a doença no alquebrado corpo do aldeão, e as papas de linhaça como tratamento barato, por insuficiência da Organização Estatal e por mor da magra bolsa do doente.
Que a diagnose fina e uma terapêutica racional e o alicerce da profilaxia (sonhos idos...) vão sendo coisas inatingíveis e do domínio da utopia.

jdact

Esta é também uma pequena história do médico da aldeia, que vai de provação em provação, até precipitar-se na maior:
  • ‘a de, após ter-lhe sido cerceado o conforto e a cultura e limitado o fisiologismo gástrico, e o dos seus, não poder chegar - para fruição íntima, necessidade criada, e como dádiva imperativa à comunidade, à seiva pura da Medicina verdadeira, porque o amparo é flébil, e tudo se pantaniza’.
Mas... as casas do povo, neste binómio médico-camponês, não têm impulso decisivo, dir-se-á? Para os encarniçados que se contentam com palavras, que são expressão de uma evidência límpida, alguns números poderão servir: na aldeia onde exercíamos clínica, o inquérito às condições de vida, para efeitos do racionamento, mostrou que o agregado rural estava incluído nos grupos dos que ganhavam por mês entre 0 - 150$00 e 150$00 - 300$00. Indigência e roçar de indigência...
A casa do povo dava de subsídios ao trabalhador:
  • a) -Por invalidez: 2$50 por dia. É este o arrimo pata a velhice...
  • b) - Na doença: 2$00 por dia. Se a doença se prolongava além de dois meses, era-lhe cortado o subsídio, ficando a pedir por portas...
  • c) - Por nascimento de filhos: 20$00. Estes 20$00 que a jovem mãe ia receber com o rosado pimpolho ao colo, que ao fim de meses seria outro, amarelinho e raquítico - voltavam sistematicamente à Casa do Povo para pagar as cotas em atraso. Saíam por um lado e entravam por outro...
  • d) - Farmacêutico: 50% do custo da medicação para o trabalhador doente e nada para a mulher e para os filhos. Quantas vezes assistimos a verdadeiros dramas, com esta limitação de meios tão radical para atacar o morbo!
  • e) - Surgia um tuberculoso e queria-se mandar para o sanatório. Quando aparecia a vaga, após meses e meses, já o doente estava no cemitério. Mas surgiam outros na casa a ocupar o lugar e as coisas repetiam-se com a mesma terapêutica fúnebre.

jdact

Não é o salário calamitoso do trabalhador, não é o professor primário (outra generosa vítima da aldeia, apertando o cinto das calças), com a Escola tateante, por um lado, e despovoada, por outro, e crianças com barrigas vazias, como podem encher a escola? -, nem o clínico sem meios para exercer a sua acção que resolvem o problema angustioso. A questão, a questão é mais vasta e não se compadece com arranjos parcos. Para um corpo chagado e tão anémico, emolientes, remendos e paliativos de superfície, todos postos a brilhar como fachada, que deixam íntegro o núcleo estagnativo, mórbido e letal, nunca foram remédios salutares.
A via justa, a transfusão, a medida drástica, radical, elevar o baixíssimo nível de vida das populações rurais e nesta economia folgada articular, em engrenagem unitária, a Pedagogia e a Medicina actualizadas, não a perseguiram aqueles organismos. Não estava nos seus intentos.
E só assim os camponeses teriam um lugar ao sol. E o João Semana e o Mestre-Escola redimidos, cônscios e amparados, lhes levariam o seu trabalho fecundo. "República, nº5417,27-II-1945, pp. 4 e 5"». In Feliciano Falcão, Memória Viva, coordenação de António Ventura, Edições Colibri, CM de Portalegre, 2003.

Cortesia de Edições Colibri/JDACT

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Erasmo: «O Elogio da Loucura». «Quanto a mim, deixo que os outros julguem esta minha tagarelice, mas, se o meu amor-próprio não deixar que eu o perceba, contentar-me-ei de ter elogiado a Loucura sem estar inteiramente louco. Orgulho-me de vos dizer que esta Loucura, sim, esta Loucura que estais vendo é a única capaz de alegrar os deuses e os mortais»

(1466-1536)
Roterdão, Holanda
Cortesia de wikipédia

Erasmo de Roterdão nascido com o nome de Gerrit Gerritszoon ou Herasmus Gerritszoon, Desiderius Erasmus Roterodamus, foi um teólogo e um humanista.

Erasmo, cursou o seminário com os frades Agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, mas sendo um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica.
Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou os seus estudos na Universidade de Paris. Erasmo optou por uma vida de académico independente. Independente de país. Independente de laços académicos e da lealdade religiosa, e de tudo que pudesse interferir com a sua liberdade intelectual e a sua expressão literária.

Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo académico, mas ele declinou-as todas, preferindo a incerteza, tendo no entanto receitas suficientes da sua actividade literária independente.
A sua estada em Lovaina expôs Erasmo a muitas críticas mesquinhas por parte daqueles que eram hostis aos princípios do progresso literário e religioso aos quais ele devotava a vida. Ele interpretava esta falta de simpatia como uma perseguição e procurou refúgio em Basileia, onde, sob abrigo de hospitalidade suíça, pôde expressar-se livremente e onde estava rodeado de amigos.
A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo.

Cortesia de bligig
Como académico tentou libertar os métodos da Escolástica da rigidez e do formalismo das tradições medievais. A convicção confere unidade e consistência a uma vida que, de outra forma, pode parecer plena de contradições. Erasmo viu-se livre e distante de quaisquer obrigações comprometedoras. Foi, num sentido singularmente verdadeiro, o centro do movimento literário do seu tempo. Aquando da sua estada em Inglaterra, Erasmo iniciou a examinação sistemática dos manuscritos do Novo Testamento, por forma a preparar uma nova edição e uma tradução para Latim. Esta edição foi publicada por Froben de Basileia em 1516 e foi a base da maioria dos estudos científicos da Bíblia durante o período da Reforma. Ele publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego em 1516, Novum Instrumentum omne, diligenter ab Erasmo Rot. Recognitum et Emendatum. A edição incluiu uma tradução em Latim e anotações. Baseou-se também em manuscritos adicionais recentemente descobertos.

Na segunda edição, o termo mais familiar «Testamentum» foi usado em vez de «Instrumentum». O texto ficou conhecido mais tarde como o textus receptus. Erasmo publicou mais três edições. Foi a primeira tentativa por parte de um académico competente e liberal de averiguar aquilo que os escritores do Novo Testamento tinham efectivamente dito. Erasmo dedicou o seu trabalho ao Papa Leão X, como patrono da aprendizagem, e considerou o seu trabalho como o seu principal serviço à causa do Cristianismo.

Erasmo por Holbein, o novo
Cortesia de wikipédia
O movimento de Martinho Lutero começou no ano seguinte à publicação do Novo Testamento, e foi um teste ao carácter de Erasmo. A discussão entre a sociedade europeia e a Igreja Católica Romana tinha-se tornado tão aberta que poucos se podiam furtar a um pedido de uma opinião. Erasmo, no auge da sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido por um dos lados, mas partidarismo era algo de estranho à sua natureza e hábitos. Erasmo tinha uma simpatia pelos pontos principais da crítica luterana à Igreja. Tinha um grande respeito pessoal por Martinho Lutero e Lutero sempre falava de Erasmo com reverência pelo seu conhecimento. Lutero esperava obter a sua cooperação num trabalho que parecia o resultado natural do seu próprio. Na sua troca de correspondência inicial, Lutero expressou uma intensa admiração por tudo o que Erasmo tinha feito pela causa de um cristianismo saudável e razoável e encorajou-o a unir-se ao movimento. Erasmo declinou qualquer compromisso. Apenas como um académico independente poderia ele aspirar a influenciar a reforma da religião. A obra de Lutero foi a de providenciar uma nova base doutrinal para as tentativas até então dispersas de iniciar uma reforma. Ao reavivar os princípios quase esquecidos da teologia de Agostinho, Lutero tinha fornecido o necessário impulso para o interesse pessoal na religião, o que é a essência da Reforma Protestante. Erasmo, temia qualquer mudança na doutrina e acreditava que não havia espaço dentro das fórmulas existentes para o tipo de reforma que ele apreciava tanto.

No seu «De libero arbitrio diatribe sive collatio», 1524, ele analisa com inteligência e bom humor os exageros Luteranos sobre as óbvias limitações da liberdade humana. Ele apresenta ambos os lados da discussão de forma imparcial. A sua posição foi de que o Homem estava obrigado a pecar, mas que tinha o direito à misericórdia de Deus apenas se ele a procurasse pelos meios que lhe eram oferecidos pela própria Igreja. A «diatribe» não encorajava qualquer acção definida. Este era o seu mérito aos olhos dos Erasmianos e o seu defeito aos olhos dos Luteranos.
O programa da «Reforma de Erasmo» era de usar a aprendizagem para remover os piores excessos. No entanto, falhou em oferecer qualquer método tangível para aplicar os seus princípios ao sistema da Igreja existente. Quando Erasmo foi acusado de ter «posto o ovo que Lutero chocou» ele admitiu parcialmente a verdade da acusação mas disse que tinha esperado uma outra espécie de pássaro completamente diferente.

Cortesia de planetanews
A sua obra mais conhecida, «Praise of Folly» «Elogio da Loucura», ou «Moriae Encomium» foi dedicada ao seu amigo Thomas More. Em 1536 ele escreveu «De puritate ecclesiae christianae», na qual ele tentou reconciliar os diferentes partidos.
Muito dos seus escritos apelam a uma grande audiência e lidam com assuntos do interesse humano. Erasmo discute a vida monástica, a veneração dos santos, a guerra, o espírito de classe e as fraquezas da «sociedade», mas o «Enchiridion» é mais um sermão do que uma sátira. Como resultado das suas actividades reformadoras, Erasmo viu-se em conflito com ambas as grandes posições. Os seus últimos anos de vida foram ofuscados por controvérsias amargas com pessoas para quem ele seria normalmente simpático. Notavelmente entre estes encontrava-se Ulrich von Hutten, um génio brilhante mas errático, que se entregara à causa de Lutero e tinha declarado que Erasmo, se tivesse uma faísca que fosse de honestidade, faria o mesmo. Na sua resposta «Spongia adversus aspergines Hutteni», 1523, Erasmo demonstra o seu pleno domínio da semântica. Ele acusa Hutten de ter interpretado mal o seu discurso sobre a reforma e reitera a sua determinação em não tomar partido nunca.

Cortesia de tertuliabibliofila
Em 1535 o Papa Paulo III intentou eleva-lo à condição de Cardeal, mas Erasmus alegou a sua avançada idade e estado de saúde para recusar. Após a sua morte, como reacção da Igreja Católica Romana, os seus escritos viriam a ser colocados no Index dos livros proibidos.

Erasmo morre aos 69 anos de idade na cidade de Basileia, Suíça.

Cortesia de História Universal/wikipédia/JDACT

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Luisa Sigea de Velasco (Toletana): Uma das principais companheiras e mestre de estudo de entre as eruditas que «cercaram» a Infanta D. Maria. Uma mulher de grande beleza e com excelentes dotes sociais

(1522-1560)
Tarancón, Toledo
Cortesia de wikipédia

Luisa Sigea de Velasco, também conhecida por Luísa Sigeia, Luísa Sigea Toledana ou pela versão latinizada Aloysia Sygaea Toletana, foi uma poetisa e intelectual do século XVI, um dos expoentes do humanismo ibérico, que viveu boa parte da sua vida na corte portuguesa ao serviço da infanta D. Maria de Portugal (1521-1577), como dama latina.
Dela disse André de Resende: Hic sita SIGAEA est: satis hoc: qui cetera nescit Rusticus est: artes nec colit ille bonas, ou seja Aqui jaz Sigea. Isto basta. Quem ignora o resto, necessitando explicação, é bárbaro, avesso às artes.
Era filha de Diego Sigeo e foi a mais nova de quatro irmãos. Seu pai era um homem culto, humanista versado na cultura clássica, que foi professor de línguas dos filhos de D. Jaime de Bragança (1479-1532), o 4.º duque de Bragança, e foi com ele que Luísa aprendeu latim e grego clássico. A partir da reunificação da família em Portugal, Diego Sigeo deu particular atenção à educação das suas duas filhas. Luísa, sobretudo, mostrou propensão para aprender línguas. Falava fluentemente castelhano, francês e italiano e escrevia em latim, grego, hebraico, árabe e siríaco.

Cortesia de ubedu
Senhora de uma invulgar cultura, que a distinguia sobremaneira das mulheres suas contemporâneas, Luísa Sigea não foi tímida a mostrar as suas habilidades. Logo em 1540, teria 18 anos de idade, através de um amigo de seu pai, o italiano Girolamo Britonio, enviou uma carta em latim ao papa Paulo III, juntando o que mais tarde chamou quosdam ingenioli mei flosculos,  em português, algumas florinhas do meu jovem talento. A julgar pelos elogios que lhe foram dedicados, além do seu talento e cultura, Luísa Sigea deverá ter sido mulher de grande beleza e com excelentes dotes sociais.
No início de 1542, quando seu pai foi «convidado» a enviá-la, com a irmã, para a corte da rainha D. Catarina, como moças de câmara. Ângela e Luísa juntaram-se então às cultas senhoras que serviam a infanta D. Maria de Portugal, irmã do rei D. João III, nomeadamente Paula Vicente, filha de Gil Vicente, e Joana Vaz. Na corte, Ângela Sigea e Paula Vicente dedicavam-se mais à música e Joana Vaz e Luísa Sigea, notáveis humanistas, eram as damas latinas.

Livro de Carolina Michaelis de Vasconcelos
Cortesia de wook
Por esta altura, Luísa Sigea inicia a escrita de numerosas cartas e poemas, revelando-se senhora de notável cultura clássica e demonstrando que tinha acesso, provavelmente na biblioteca real, a um extenso acervo de obras dos clássicos latinos e gregos, os quais cita extensamente. Interessante é a sua correspondência com o papa Paulo III, a quem, numa pouco modesta demonstração de erudição, chega a escrever uma missiva em cinco idiomas.

A sua principal obra conhecida é o Duarum Virginum Colloquium de vita aulica et privata Loysa Sigea Toletana auctore, editum Vlyssiponae, anno salutis MDLII (Diálogo de duas jovens sobre a vida pública e privada), editado em Lisboa, em latim no ano de 1552. A obra foi muito apreciada pela intelectualidade da altura, mas caiu no esquecimento até quase ao século XX. A obra ficou em manuscrito até 1905, data em que Manuel Serrano y Sanz a incluiu no seu livro Apuntes para una biblioteca de escritoras españolas desde el año 1401 al 1833. Foi traduzida para francês por Odette Sauvage em 1967, mas ainda não foi traduzida por inteiro para português.
O Duarum Virginum Colloquium de vita aulica et privata serviu, embora de forma ínvia, de inspiração a um apócrifo de carácter erótico, escrito por Nicolas Chorier, o qual acabou por celebrizar o nome de Luísa Sigea. Hoje o nome da escritora é bem mais conhecido através da obra de Chorier do que da sua própria.

Cortesia da cm-sintra
Outra obra que também merece destaque é o poema Sintra, escrito em 1546 e impresso em Paris no ano de 1566. A obra, dedicada à infanta D. Maria de Portugal, a sempre-noiva, foi publicada por diligências desenvolvidas por Jean Nicot, que fora embaixador de França em Portugal e mantinha com Diego Sigeo uma relação de amizade. Foi este último quem enviou cópia do poema solicitando que Nicot o mandasse imprimir em Paris. A obra mereceu de imediato o elogio dos humanistas contemporâneos, entre os quais Jorge Coelho e Gaspar Barreiros, que escreveram epigramas elogiosos ao poema. Está publicado em tradução portuguesa na obra O Paço de Cintra, apontamentos historicos e archeologicos de António César e Meneses.

Em Setembro de 1552, Luísa casou com Francisco de Cuevas, um fidalgo de Burgos. Depois de casada, Luísa ficou ainda algum tempo na Corte, que abandonou de vez em 1555, partindo para residir na citada cidade espanhola.

«Depois de me puxar levemente uma e outra orelha, disse-me Calíope: - Vate, bem rústico és, da Pátria ignaro e de suas glórias. Levanta os olhos, eia, ergue os olhos, reconhece a descendente dos teus reis, Maria, aquela que o mui poderoso D. Manuel gerou e o seu magnânimo irmão destina para o Império do Universo, tendo-a criado, não sem intervenção dos deuses, para a mais alta dignidade. Não vês como caminha, rainha de rosto formosíssimo, entre as ninfas Hiampeias? Porém, das suas damas, a que é mais velha, Joana Vaz, já foi celebrada em teus versos. Para não falar dos seus costumes e da sua juventude, até agora vivida sem mácula, merece grandes louvores, pois na corte brilhou, como mestra insigne das donzelas, na gramática latina. A outra é Sigea, donzela admirável, a quem a natureza poderosa de tal forma fez nascer, que é uma mulher que pode aos homens exprobar a sua vida indolente, e fazer corar profundamente os ociosos. Na verdade, não contando ainda vinte e um anos, incansável, dia e noite, não cessa de folhear as obras latinas, aqueias e moisaicas e diligente, estuda a fundo os poetas de Jerusalém. Além disso, avança, sem receio, pelos escolhos aqueménios e asperezas árabes, versada em cinco línguas, quando, entretanto, aqueles que se atrevem a declarar-se sábios, não se envergonham, ao menos, de ignorar o latim. Basta teres sabido isto. Quanto ao resto, porém, ficará ao teu encargo. Assim disse». In André de Resende na Epístola à Infanta D. Maria, a «patroa» de Luísa Sigea.

(SYNTRA_Luisa Sigea de Velasco)

Conde de Sabugosa, O Paço de Sintra, Câmara Municipal de Sintra, 1989-1990, edição facsimilada da da IN de 1903.
Carolina Michaelis de Vasconcelos, A Infanta D. Maria de Portugal (1521-1577) e as suas damas, prefácio de Américo da C. Ramalho, Lisboa, ILBN, Lisboa 1994, edição facsimilada da edição do Porto de 1902.

http://www.leitura.gulbenkian.pt/boletim_cultural/files/HALP_27.pdf

Cortesia wikipédia/Dicionário Histórico/JDACT

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

António Pinheiro: Um testemunho jurídico-político na corte quinhentista portuguesa. Parte I. Dados Biográficos

Cortesia de historicachilena

Com a devida vénia a Isabel Graes e a Cuadernos de Historia del Derecho, publico algumas palavras. 
 
La figura de este político portugués personifica el humanismo portugués del Siglo XVI. Educado en París, cuando regresa a la Corte portuguesa en 1540 desempeña diversos cargos para el rey, todo ellos relacionados con la cultura: en el archivo real, visitador, reformador de la Universidad de Coimbra, educador de Príncipes o traductor de textos clásicos. Su obra puede clasificarse en tres grupos: textos políticos, textos clásicos y escritos varios. En ellos se traslucen las teorías jurídico-políticas del siglo XVI.
PALABRAS CLAVE: Portugal, siglo XVI, Juan III, António Pinheiro, Humanismo.
 
(1510?-1582)
Porto de Mós
Cortesia de ucm
I. Introdução
Iniciado em 1521 e caracterizado por momentos de esplendor jurídico e cultural, o reinado de D. João III todavia cedo entraria na sua fase crepuscular. Não era apenas um rei, cujo reinado se revelava agonizante, moribundo, tendo a seu lado permanentemente um leito de morte, era um reino que sucessivamente se via órfão e que desesperado procurava um sucessor.
Ao descrever o período que antecede o desastre de Alcácer Quibir, J.P. de Oliveira Martins (1) define o reinado de D. João III, a quem atribui o epíteto de faraó, como um período onde a ambição deixara de existir, onde havia apenas a «sombra da velhice, o cansaço depois da grande obra, e as consequências dela» (2). Em suma, o reino ávido do poder de outrora, estava agora apático e facilmente se tornava uma presa fácil da corrupção.
É neste contexto e enquanto símbolo de uma corte elitista, receptiva e conhecedora dos ideais do humanismo que surge a figura de D. António Pinheiro.


D. João III
Cortesia de br500tripod
Humanista, estadista, hábil na retórica e na eloquência, mestre de príncipes, capelão e pregador régio, figura presente nos momentos cruciais da política portuguesa do reinado de D. João III ao entrega do poder a Filipe II de Espanha, D. António Pinheiro revelar-se-ia como profundo conhecedor e divulgador do ideário político do século XVII capaz de enaltecer o Venturoso e o Piedoso, mas também persuasivo o suficiente para justificar não só os anseios de um jovem e inexperiente monarca como de fazer aceitar em Portugal o herdeiro de Carlos V.

II. Dados biográficos
Integrado numa corte de validos, de onde se destacam D. Frei Diogo da Sylva, D. Francisco de Portugal, Frei Gaspar do Casal e D. António de Ataíde, evidencia-se o filho de Pedro Braz do Couto e Leonor Alvares Pinheira, nascido supostamente em 1510, na localidade de Porto de Mós. O neto paterno de Braz Annes do Couto, e de Álvaro Fernandes Pinheiro, cedo revelaria uma total aptidão pelas letras o que leva D. João III (3) a decidir enviá-lo para o Colégio de Santa Bárbara, em Paris, onde é reitor Diogo de Gouveia para aí desenvolver os seus conhecimentos na área das ciências humanas.

Tal foi a ascensão do aprendiz que rapidamente se vê a comentar os textos de Quintiliano, situação que não sendo do desconhecimento do monarca português vem a determinar o regresso do humanista ao reino. Não se conhece o momento exacto do seu regresso, apenas se sabe que em 1541 já se encontra em Portugal, pois nesse ano dedica ao monarca, a tradução do Panegírico de Plínio a Trajano. O apreço que o rei lhe tem é notório sendo traduzido com a atribuição de algumas funções, como a de mestre dos jovens fidalgos que então residiam na corte, e em especial a de acompanhar o estudo do príncipe herdeiro, D. João. Tamanha graça régia, não voltaria a ser-lhe concedida, facto que o deixará deveras inconformado.

Capelão, conselheiro e pregador de D. João III, ao lado de Simão Rodrigues, D. Fernando de Meneses e Vasconcelos, D. António torna-se mesmo um dos colaboradores mais próximos do monarca o que lhe permite a presença e intervenção em alguns dos momentos mais determinantes não só da política interna mas também externa neste reinado na medida em que acompanha já a celebração de alguns tratados com a Santa Sé, num período em que os cismas se sucedem. Do mesmo modo, também por alguns autores, como Inocêncio José da Silva, é indicado ter D. António desempenhado as funções de guarda mor do arquivo real, visitador e reformador da Universidade de Coimbra, cujo ministério exercita no ano de 1565, ainda que em relação às primeiras não existam dados conclusivos a esse respeito. Aliás, tudo parece indicar que não terá desempenhado o cargo de guarda mor, pois numa carta que lhe é dirigida de Almeirim por D. Catarina, datada de 19 de Março de 1569 (4) esta pede-lhe notícias do estado em que se achava a crónica de D. João III e lhe promete as cópias dos documentos do arquivo que lhe fossem necessárias, para a prossecução da mesma.

Universidade de Coimbra
Cortesia de agenda
As funções que desempenha na corte não são apenas as de educador de príncipes ou de tradutor de textos clássicos já que são reconhecidos os dotes do exímio mestre na eloquência portuguesa, sendo intitulado o Cícero Português na expressão de Manuel de Faria e Sousa (5), ou de Oráculo daquela idade na classificação de Jorge Cardoso (6). A si se devem algumas das orações de obediência enviadas ao Sumo Pontífice e a intervenção em alguns dos momentos de maior melindre político verificados no reino como sucede em 1562; ou ainda textos em que o teor político acaba por se mesclar com uma redacção epistolar mais pessoal, como ocorre com a prática consolatória que o Humanista dedica ao monarca em virtude do falecimento da sua tão amada filha D. Maria, mulher do príncipe D. Filipe de Espanha.

No entanto é pela construção e divulgação do pensamento político presente em alguns dos seus textos que ora o analisaremos. Os momentos de maior destaque político em que à envolvência teatral, faustosa e aparatosa da cerimónia se associam peças de oratória politica não são muitos, e a sua participação neles denota a importância que o bispo de Leiria tem na corte.
Assim:
  • é D. António Pinheiro quem profere a oração solene por ocasião do juramento do príncipe D. João, nas cortes de Almeirim (a 30 de Março de 1544);
  • a pregação fúnebre na trasladação dos ossos de D. Manuel e da rainha D. Maria para o Mosteiro dos Jerónimos (1551);
  • aquando das exéquias de D. João III;
  • à prática na aclamação de D. Sebastião (1557);
  • a fala que dirige a D. Catarina para que não se afaste da regência, em 1561;
  • a oração nas primeiras cortes celebradas por este monarca, ainda durante a regência de D. Catarina, 1562 (7);
  • autoria não só da arenga inicial mas também a resposta que seria proferida pelo Doutor Lopo Vaz (esta segundo a indicação de Bento Farinha);
  • a oração dita no capítulo geral da Ordem de Cristo que o rei faz celebrar em Santarém em 1573;
  • a pregação na bênção da bandeira por ocasião da partida de D. António Prior do Crato para Tânger (1574);
  • a oração de abertura das cortes de Almeirim (1580);
  • as orações no auto do levantamento de Filipe II ao trono português e do juramento do príncipe D. Diogo nas Cortes de Tomar (1581).

A sua importância e destaque enquanto figura política no reino rapidamente se revelam. Assim, no ano de 1553 assina como testemunha na escritura pública de renúncia da princesa D. Joana, mãe de D. Sebastião, lavrada em Lisboa a 20 de Dezembro por altura do casamento com o príncipe D. João. Influente, não só junto do monarca mas também da corte, D. António será incumbido pelo infante D. Luís no seu testamento para que proceda à análise do texto daquele documento e verifique se o mesmo está conforme com a razão cristã e segurança da sua consciência, e tudo em que tivesse excedido, ou faltado ao que devia, o corrigisse e emendasse como melhor fosse a serviço de Deus.

Em 21 de Outubro de 1551, prega na trasladação dos ossos d’el rei D. Manuel, sua mulher D. Maria e dos infantes D. Afonso, D. Duarte, D. Maria, D. António e D. Carlos no Mosteiro de Belém; e por determinação de D. João III o fará também nas exéquias deste mesmo rei que se celebrarão no mesmo mosteiro em 14 de Junho de 1557. No âmbito político falará em nome do povo de Lisboa à rainha D. Catarina no ano de 1561 para que não abandone o governo da regência; a que se segue a sua presença nas cortes de Lisboa reunidas a 12 de Dezembro do ano seguinte onde ora em nome do estado eclesiástico e lê a declaração da mesma rainha, a qual se afirma demitir-se do governo da regência.

Vagando o bispado de Miranda pela mudança que D. Sebastião fez de D. Julião d’Alva para seu capelão mor em 1564, o mesmo rei nomeia como bispo daquela cidade o mestre de seu pai. Aí passa a residir, sendo no ano de 1566, convocado pelo arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que lhe determina na qualidade de seu representante que assista ao concílio de Braga a 23 de Junho (8). Deste período é também conhecido o empenho com que procede a obras de caridade. Tal nomeação visava recompensar D. António por não lhe ter sido atribuído o acompanhamento da educação de D. Sebastião, ao contrário do que D. João III havia feito. A recompensa não o iria satisfazer como faz questão de mostrar à rainharegente (9).

Recorde-se ainda que a este acontecimento não foi alheia a intervenção do confessor de D. Henrique, o jesuíta castelhano Miguel de Torres nem tampouco a da sua camareira mor, D. Joana de Eça, os quais determinaram que a escolha tenha recaído no padre Luís Gonçalves da Câmara, então assistente da província de Portugal em Roma. A 4 de Abril de 1573, estando o cardeal em Salvaterra, este remete uma carta a D. António Pinheiro para que em virtude da bula de motu proprio de Pio V sejam por ele examinados os religiosos e aprovados para confessores. A 8 de Dezembro do mesmo ano profere a oração no capítulo geral da Ordem de Cristo que D. Sebastião fez celebrar em Santarém na igreja de Santa Maria de Marvila; e no seguinte por ocasião da bênção do estandarte que D. António, prior do Crato leva para Tanger, faz a pregação na igreja do Mosteiro de Belém em 15 de Julho.

Cardeal D. Henrique
Cortesia de wikipédia
Em 12 de Setembro acompanha o mesmo monarca na primeira jornada que este faz a África e aí tece considerações não muito do agrado de D. Sebastião o que parece ter-lhe custado o bispado pois a eleição recai sobre Frei Marcos de Lisboa. No entanto, D. Rodrigo da Cunha refuta a ocorrência de tal episódio (10). Transferido Frei Gaspar do Casal para a igreja de Coimbra no ano de 1579 passa D. António Pinheiro para a mitra de Leiria, que por ele vagara, por nomeação do rei cardeal D. Henrique, de quem era especial valido, sendo um dos juízes que assinaram a anulação da sentença que D. António prior do Crato obteve da sua legitimidade. A sua proximidade relativamente ao cardeal-rei explica o chamamento a Almeirim onde vem a proferir a oração de proposição nas últimas cortes convocadas por este monarca. D. António também tomaria parte na questão que tinha por objecto a escolha do sucessor de D. Henrique sendo notória a sua preferência pelo filho da infanta D. Isabel e de Carlos V ao serviço de quem diz ter colocado lealdade, amor e verdade (como refere numa carta dirigida a Filipe II, que se encontra datada de 21.09.158 (11).

Gravura da batalha
Cortesia de prosimetron
Assim, e após o desastre de Alcácer Quibir e na qualidade de declarado partidário de Filipe II, cedo se torna alvo de algumas sátiras. Todavia, não altera a opção tomada sendo a sua lealdade reconhecida nas arengas proferidas nas cortes convocadas para a vila de Tomar, bem como no levantamento de rei a 16 de Abril, nas cortes a 20 e no juramento do príncipe D. Diogo a 23 do mesmo mês e ano de 1581.

A data do seu falecimento, tal como a do seu nascimento não são conhecidas, apenas se pode enunciar que terá ocorrido entre 1581 e 1583, pois não se encontra entre os presentes nas cortes que neste ano jurariam o príncipe D. Filipe. Recorde-se ainda que segundo disposição testamentária, era seu desejo ser sepultado na capela de S. Sebastião na igreja paroquial de S. Pedro da Vila de Porto Mós, ainda que o catálogo dos bispos de Leiria informe que jaz na catedral de Leiria.

1 In Temas e Questões, Antologia de Textos, pág. 161 e ss.
2 In História de Portugal, Imprensa nacional Casa da Moeda, Lisboa, 1988, livro V.
3 Sobre este monarca, vide ANDRADE, Francisco de: Crónica de D. João III, Jorge Rodriguez, Lisboa, 1613; BRANDÃO, Mário: Documentos de D. João III, Casa Tipográfica Alves & Mourão, Coimbra, 1937.
4 In IANTT: parte I do Corpo cronológico.
5 In Comentário de Camões, cantoI, est. 33.Cortesia de Cuadernos de Historia del Derecho, 2008, 15 345-382/JDACT
6 In prefácio do tomo 3 do Agiologio Lusitano.
7 Vide CRUZ, Maria do Rosário de Sampaio Themudo Barata de Azevedo: As regências na menoridade de D. Sebastião, temas portugueses, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1992.
8 No mesmo sentido se refere Damião de Góis no capítulo 37, parte IV da Crónica de D. Manuel.
9 Vide BPMP, cód. 678; de que há cópia na BGUC, cod. 166, fls. 1-7 e na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa, ms. Série vermelha 1, 169, fls. 31-36v. Vide ainda a este respeito Diogo Barbosa Machado: Memórias para a História de Portugal que comprehendem o governo d’el rei D. Sebastião, Lisboa Occidental, Officina de António da Sylva, 1736, parte I, livro I, caps. XV e XVI.
10 In Part. II dos bispos do Porto, cap. 39.
11 In BN, códice 3.767, fol. 1v-2; e, Joaquim Veríssimo Serrão: “Fontes de direito para a história da sucessão de Portugal”, in Boletim da FDUC, XXXV, 1960, pp. 195-196. Inocêncio Francisco da Silva: Diccionario bibliographico portuguez, Lisboa, Imprensa Nacional, vol. I, p. 236.

Cortesia de Cuadernos de Historia del Derecho 2008/JDACT 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

André de Gouveia: Um humanista do século XVI. Dá o nome à residência portuguesa que, há mais de 40 anos, existe na Cidade Internacional Universitária de Paris

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André de Gouveia (Beja, 1497-1548),  foi um humanista e pedagogo português do Renascimento. Em 1529 ingressou no Colégio de Santa Bárbara em Paris, que era dirigido pelo seu tio Diogo de Gouveia, tendo sido um dos primeiros portugueses a estudarem neste colégio. Depois de ter frequentado seis anos de maitrise dès arts, fez o doutoramento em Teologia e, simultaneamente, começou a leccionar no colégio.
De 1529 a 1534, foi-lhe confiada a direcção do Colégio de Santa Bárbara, devido às múltiplas viagens que o seu tio fazia. Foi depois nomeado reitor da prestigiada Universidade de Paris, em 1533. Um ano após a sua nomeação para o cargo de reitor abandonou o Colégio de Santa Bárbara e assumiu a direcção do Colégio de Guyenne. Em 1537 foi eleito «doutor regente de toda a Universidade para ler sempre publicamente a Sagrada Escritura em nome da dita Universidade». A sua estada no Colégio de Guyenne prolongou-se até 1547.

Manteve vários contactos com intelectuais e com os negócios portugueses quando estava em França. Foi suspeito de Luteranismo. Escreveu várias obras de pedagogia e de teologia como: Schola Aquitanica (Regulamento do Colégio Guyenne, impresso em 1583) e De Quinque Universalibus (uma pequena súmula de versos latinos).
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Muitos desconhecem a figura de André de Gouveia, que dá o nome à residência portuguesa que, há mais de 40 anos, existe na Cidade Internacional Universitária de Paris, graças à generosidade da Fundação Calouste Gulbenkian. André de Gouveia foi um humanista do século XVI, que residiu em Paris e fez parte de uma importante geração de figuras portuguesas educadas então em vários países da Europa. Foi graduado pela Universidade de Paris, doutorou-se em Teologia, tendo chegado a director do Collège de Sainte-Barbe. Em 1533, foi eleito reitor da Universidade de Paris, tendo, mais tarde, regressado a Portugal para fundar o Colégio Real das Artes, de Coimbra.

Cortesia de duas-ou-tres coisas
O seu papel de pedagogo foi elogiado por Montaigne, que foi aluno do colégio de Guiena. Ao mestre português se refere o filósofo Francês, em Essais I, como «Le plus grand et le plus noble principal de France» isto é, O maior e mais nobre Principal de FrançaAndré de Gouveia privou com Martinho Lutero e teve uma grande importância na reforma dos estudos superiores em Portugal. É uma figura que honra Portugal em França mas de que, infelizmente, em Portugal pouco se fala.

Regressou a Portugal a convite de D. João III, acompanhado de um grupo de mestres estrangeiros, para dirigir o Colégio das Artes, em Coimbra. No entanto, permaneceria pouco tempo no cargo de reitor do colégio. Manteve vários contactos com intelectuais e com os negócios portugueses quando estava em França. Foi suspeito de Luteranismo.
Morre em Junho de 1548.

(Colégio das Artes)
Cortesia de esag.edu/In Infopédia/JDACT