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terça-feira, 15 de julho de 2014

José e os Outros. Almada e Pessoa. Romance dos Anos 20. José Augusto França. «Foi ao saírem do café que viram Columbano, no passeio fronteiro, subindo a São Carlos, rente às paredes, olhando só o chão. Era um dia importante, um dia definitivo para os destinos da arte portuguesa»

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A Inauguração
«(…) O Nazaré despedia-se com um gesto breve: voltava à noite para ver Com a Aurora? Passava pelo Bristol antes. Agora era o Marques quem chegava, o benjamim. As telas dele eram mais complicadas, os recortes não davam. … Cortam-se, decidiu Pacheco, olhando as talhas repolhudas do relógio, no fundo escuro da sala. Era disso que o Teles mais gostava, e o Norte Júnior também: ah, aqueles espelhos e aquelas pilastras de mármore negro!... O João Franco achava uma pena, mas calava-se e serviu outro café ao Pacheco que partiu a falar ao homem da camioneta, no Jardim do Regedor, e tinha também que ir falar ao carpinteiro do Pátio do Tronco, para lá estar. Assim o Teles, que era unhas-de-fome, não fizesse questão em pagar. Que mais queria, com o preço que largara pelos quadros?... Se não fosse ele, e arranjara-se com o Malta para a colaboração; não fora fácil.. . O Stuart, esse é que não se ralava... O mais exigente era sempre o Soares; que queria ser mais bem pago: tinha voltado da exposição de Paris muito cheio de si, dizendo mal do Canto que lá vira. Uma vergonha a falta de presença portuguesa!
José ficava ainda e chamou o João Franco de parte, estava aflito. Deixe lá, Senhor Âlmada, paga para a semana… Ele estava à espera do Falcão, e o Stuart, que garatujava a uma mesa, o cigarro de mortalha colado ao beiço, um fósforo partido molhado num pequeno tinteiro de tinta da China que tirara do bolso do sobretudo; ia ao Diário de Lisboa e daí para o seu arranjinho na Rua das Gáveas. Só às dez, ó Batista, recomendara mais uma vez o Teles, pelo telefone, com o seu sotaque brasileiro que incitava prodigiosamente Pacheco, nas suas discussões que eram sempre de dinheiros. O Barradas e o José não tinham sido pagos, pelo menos na totalidade, o irmão do Viana, o da mercearia, esse recebera por ele; entendia-se melhor com o Teles, em negócios, mas só o Soares conseguira receber tudo, e era dos mais caros, porque os seus ares altivos impressionavam o cliente. A Brasileira ficava como de costume, depois da hora do café e dos jornais e do eléctrico de ir jantar a casa; durante a tarde assim estivera, com entradas e saídas. Gualdino voltara à sua mesa, depois de um amuo que moveu abaixo-assinados, duzentos requerentes em verso e prosa, dezenas de celebridades, Gago Coutinho, Pascoaes e Aquilino, jornalistas, poetas e dramaturgos, o Almada não, por históna antiga, Soares sim e, evidentemente, José Pacheco, que veio cumprimentá-lo à mesa. Então é hoje? perguntou-lhe amavelmente o decano, papa do Chiado.
Viera da sua biblioteca, como sempre, sem tirar o chapéu preto, de feltro mole, moldado em tacho. Ficara à espera de resposta, as lunetas assestadas, delicadamente, mas o seu interesse pelos quadros que tardavam levava uma ironia de céptico que A Brasileira diariamente acalentava. Ouvira e lera dos quadros anunciados mas não eram do seu interesse e nem fora vê-los ao Salão. A decoração do Norte Júnior era o que era, e até a achava bem, ao lado da Casa Havaneza, e com as mesas Sextavadas… Todos se lembravam da blague que fazem sobre a sua geometria. Gualdino Gomes tinha os seus gostos e, sobretudo, a sua opinião sobre os futuristas do Orpheu que eram, de modo geral, da Brasileira. E do Chiado Terrasse; fez uma careta só ao lembrar-se daquele sarau, e do Almada, poeta futurista e tudo, como era? Ele não tinha assinado para a sua volta à Brasileira, hum... Não havia de esquecer... Aquele Pacheco com diploma de arquitecto pela graça de Deus… Olhou-o de baixo: É então hoje à noite o grande dia? José saíra há muito com o Falcão que lhe recomendara cuidado com o Teles e com os outros; era o seu maior admirador e desconfiava do que lhe acontecesse naquela noite de abrocharem. Foi ao saírem do café que viram Columbano, no passeio fronteiro, que recolhia da Academia, subindo a São Carlos, rente às paredes, olhando só o chão.
Era, porém, um dia importante, um dia definitivo para os destinos da arte portuguesa! Que acharia o Pessoa? Na Revista não dissera ele que por arte portuguesa devia entender-se uma arte de Portugal que nada tivesse de portuguesa por nem sequer imitar o estrangeiro?... José fora-se rindo: os destinos da arte portuguesa naquelas telas do Teles, como dizia o Barradinhas... Ele figurara-se numa delas para que não pudesse haver dúvidas, e o Vítor Falcão ficara estupefacto diante do quadro, e repetia-lhe agora, a caminho do Tavares, que as figuras pintadas eram resplendentes de expressão, que tinham alma...» In José Augusto França, José e os Outros, Almada e Pessoa, Romance dos Anos 20, Editorial Presença, Lisboa, 2006, ISBN 972-23-3546-4.

Cortesia de E. Presença/JDACT

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

José e os Outros. Almada e Pessoa. Romance dos Anos 20. José Augusto França. «É mesmo às dez horas, lá isso!... O gerente virou as costas e foi-se embora, dizendo duas palavras ao João Franco que encolheu os ombros, com a sua filosofia. Você conhece-os melhor do que eu…»


jdact

A Inauguração
«O Teles dera ordem para fechar o café só às dez horas da noite e o senhor Batista era fielmente intratável, baixo e reforçado, de grandes bigodes retorcidos. Vamos ficar aqui a noite toda, e não é certo!... Ah, amanhã às sete tem que estar tudo em ordem, para a limpeza! Era mesmo uma ameaça, e Pacheco não podia admiti-lo: O senhor Batista não sabe quem eu sou… O Batista não sabia nem queria saber: eram ordens e o senhor Teles não era para brincadeiras. Para ele, Batista, aquilo dos quadros era então isso, uma brincadeira? O sentido das suas palavras não era esse, a questão era só idiomática, mas Pacheco espumava, lívido: Eu não estou para isto! Sentou-se a uma mesa e o João Franco tentou acalmá-lo: Não beba mais café, senhor Pacheco. Ele ia telefonar para o escritório, ao senhor Teles. Lá isso pode telefonar, mas olhe que é pior... O homem do café a pataco!... Berrou Pacheco, com a sua voz esganiçada, mas engasgou-se e desatou a tossir, de dentro do peito. A sua magreza, o nariz agudo, a sair das faces cavadas, de barba rapada, e dos olhos encovados, ainda fazia mais impressão, vista nos espelhos. Eu tenho estado tão doente… Disse ele, num queixume, apoiando os cotovelos na mesa. Os espelhos, os espelhos, que não conseguira evitar…
É mesmo às dez horas, lá isso!... O gerente virou as costas e foi-se embora, dizendo duas palavras ao João Franco que encolheu os ombros, com a sua filosofia. Você conhece-os melhor do que eu… O plural era para eles todos, os seis ou sete pintores aqueles quadros. Ainda o das lavadeiras... Estavam guardados na Sociedade, na Barata Salgueiro, e o Batista fora vê-los só para ter uma ideia do trabalho de os pendurar. Escadotes, eram precisos três, e ao lado do relógio, como era? E, todo o cuidado com os espelhos era pouco: um dinheirão...
O arquitecto tinha vindo vê-los, a pedido do Teles, e é claro que não achou bem: ele tinha sido sempre contra aquela ideia dos quadros, pusera lá os espelhos para alargar o espaço estreito da Loja, e chegava. Quem é que ia ver os quadros, lá em cima? Perguntara-lhe o cliente. Norte Júnior abanou a cabeça, com delicadeza, deixando correr os seus óculos de aro fino de metal e o seu cuidado bigode, de caracol. O Pacheco tinha trabalhado no seu atelier, era muito hábil mas não tinha juízo; dizia-se arquitecto, enfim... E com k! Mas a ideia, para, ele, era o Alberto de Sousa, de que os jornais tinham falado, a princípio.
E o Soares e o Barradas, que tinham talento, mas aquele Almada, não podia com ele. Ainda tentara demover o Pacheco: Vê lá em que te metes… Enfim, tinha havido um movimento favorável, e depois da questão das Belas Artes, era melhor não os ter contra. E os jornalistas, o Araújo, o Falcão, mesmo o Matos Sequeira concordava. Olha não... E ria-se discretamente, homem de boa educação e de Sintra.
José chegara pelas três horas, com o Dr. Nazaré, distante e irónico. Está Você a ver? Olhou em volta, rapidamente: queria os seus dois quadros lado a lado, como tinham estado no Salão. Pacheco voltara, mais animado, e estava de acordo: havia quatro pares, era pôr dois de cada lado, e ele próprio e o Stuart faziam a separação, frente a frente. Que o do Stuart era muito mau: aquele moinho... O Stuart nunca tinha visto um moinho na vida! Mas o José queria os Soares defronte, e ele à direita, logo à entrada. Era a sua escolha. Pois, concordava Pacheco, mas o outro era capaz de não querer... José riu-se, escarninho: era melhor que fosse para a Garrett… O Barradinhas apareceu sorridente, pelo meio-dia: ele estava sempre de acordo... Tu, também... Irritavam-se os amigos. O Viana tinha ido para Paris, outra vez: podiam arrumá-lo onde quisessem, consolava-se o Pacheco.
Mas só à noite é que podiam trabalhar, nada a fazer com o Teles e o Batista. Ele tinha apalavrado uma camioneta para trazer os quadros, à tarde, e tinha que descomandar, e os galegos da ilha também. O melhor, o menos bronco, era o Domingos, na verdade Domingo, ele é que escolhera os outros dois. Eu prego, eu prego... Dizia ele, mas José era mais ágil para subir os escadotes. São leves, de tela, dizia o Pacheco. As telas do Teles... Riu-se o Barradas. João Franco rondava: Ó senhor Pacheco, olhe que o Domingo… Ele lá sabia: àquela hora da noite eles já estavam bebidos, e não faziam coisa com coisa. E então se o senhor Stuart se mete... Esta só a mim!... Queixava-se Pacheco, enquanto José dava grandes passadas na coxia: o café, àquela hora, estava quase deserto, com gente que passava e não ficava: os outros chegavam mais tarde». In José Augusto França, José e os Outros, Almada e Pessoa, Romance dos Anos 20, Editorial Presença, Lisboa, 2006, ISBN 972-23-3546-4.

Cortesia de E. Presença/JDACT

domingo, 30 de dezembro de 2012

Manifesto [adaptado] anti-… e por extenso. Poeta d'Orpheu Futurista e Tudo. José de Almada-Negreiros. «Trata-se de um ataque implacável ao edifício cultural e artístico vigente que impedia a entrada e frutificação das novas correntes estéticas em Portugal. É Almada a abrir caminho ao “Futurismo”»


jdact e cortesia de wikipedia
  
NOTA: Brincando com as palavras. Onde está … deveria ler-se Dantas

Manifesto Anti-Dantas
Este texto virulento do jovem Almada, que contava 23 anos, terá sido escrito entre Abril e Setembro de 1916, sendo, portanto, anterior à conferência de 1917, início oficial do movimento futurista em Portugal. Saiu este folheto de 8 páginas impresso em papel de embrulho, ao preço de 100 reis, utilizando aqui e além, para sublinhar a onomatopeia - PIM!-, uns ícones representando uma mão no gesto de apontar. Segundo se diz, terá esgotado nos primeiros dias, por obra do açambarcamento do próprio visado. Apesar disso, ou graças a isso, o escândalo rapidamente se propalou e a polémica causada teve uma grande intensidade. É que, no fundo, não é só a pessoa de Dantas que é atacada, mas toda uma geração de literatos, actores, escritores, jornalistas, etc, que ele personificava:
  • Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi.
Através da ironia e do sarcasmo, utilizando uma linguagem iconoclasta e insultuosa, abusando de exclamações, repetições e enumerações, Almada zurze o academismo instalado e os valores tradicionais que pretendia abalar. Em suma, trata-se de um ataque implacável ao edifício cultural e artístico vigente que impedia a entrada e frutificação das novas correntes estéticas em Portugal. É Almada a abrir caminho ao Futurismo e a si próprio.

Basta PUM Basta!
Uma geração, que consente deixar-se representar por um … é uma geração que nunca o foi! É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma rêsma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração!
Morra o … , morra! PIM!
Uma geração com um … a cavalo é um burro impotente! Uma geração com um … à proa é uma canôa uni seco! O … é um cigano! O … é meio cigano! O … saberá grammática, saberá syntaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias p'ra cardeais saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ellle faz! O … pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquezas! O … é um habilidoso! O … veste-se mal! O … usa ceroulas de malha! O … especúla e inócula os concubinos! O … é … ! O … é júlio!
Morra o … , morra! PIM!
O … fez uma sorôr marianna que tanto o podia ser como a sorôr ignez ou a ignez de castro, ou a leonor telles, ou o mestre d'aviz, ou a dona constança, ou a nau cathrineta, ou a maria rapaz! E o … teve cláque! E o … teve palmas! E o … agradeceu! O … é um ciganão! Não é preciso ir p'ró rocio p'ra se ser um pantomineiro, basta ser-se pantomineiro! Não é preciso disfarçar-se p'ra se ser salteador, basta escrever como … ! Basta não ter escrúpulos nem moraes, nem artísticos, nem humanos! Basta andar co'as modas, co'as políticas e co'as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado e usar côco e olhos meigos! Basta ser judas! Basta ser … !
Morra o … , morra! PIM!
O … nasceu para provar que, nem todos os que escrevem sabem escrever! O … é um automato que deita pr'a fora o que a gente já sabe que vae sahir... mas é preciso deitar dinheiro! O … é um soneto d'elle-próprio! O … em génio nunca chega a pólvora secca e em talento é pim-pam-pum! O … nú é horroroso! O … cheira mal da boca!
Morra o … , morra! PIM!


O … é o escarneo da consciência! Se o … é portuguez eu quero ser hespanhol! O … é a vergonha da intellectualidade portugueza! o … é a meta da decadência mental! E ainda há quem não córe quando diz admirar o … ! E ainda há quem lhe estenda a mão! E quem lhe lave a roupa! E quem tenha dó do … ! E ainda há quem duvide de que o … não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é intelligente nem decente, nem zero! Vocês não sabem quem é a soror marianna do … ? E vou-lhes contar:
  • a princípio, por cartazes, entrevistas e outras preparações com as quaes nada temos que vêr, pensei tratar-se de sorôr marianna alcoforado a pseudo auctora d'aquellas cartas francezas que dois illustres senhores d'esta terra não descançaram enquanto não estragaram p'ra portuguez, quando subiu o panno também não fui capaz de distinguir porque era noite muito escura e só depois de meio acto é que descobri que era de madrugada porque o bispo de beja disse que tinha estado à espera do nascer do sol!;
  • a marianna vem descendo uma escada estreitíssima mas não vem só. Traz também o chamilly que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito conhecida aqui na brazileira do chiado. Pouco depois o bispo de beja é que me disse que elle trazia calções vermelhos. A marianna e o chamilly estão sòzinhos em scena, e às escuras dando a entender perfeitamente que fizeram indecências no quarto. depois o chamilly, completamente satisfeito despede-se e salta p'la janella com grande magua da freira lacrimosa. E anda hoje os turistes teem occasião de observar as grades arrombadas da janella do quinto andar do convento da conceição de beja na rua do touro, por onde se diz que fugiu o célebre capitão de cavalos em paris e dentista em lisboa;
  • a marianna que é histérica começa de chorar desatinadamente nos braços da sua confidente e excellente pau de cabeleira sorôr Ignez;
  • veem descendo p'la dita estreitíssima escala (sic), varias mariannas todas eguaes e de candeias acesas, menos uma que usa óculos e bengalla e ainda (sic) toda curvada p'rá frente o que quer dizer que é abadessa;
  • e seria até uma excelente personificação das bruxas de goya se quando fallasse não tivesse aquella voz tão fresca e maviosa da tia felicidade da vizinha do lado, e reparando nos dois vultos interroga espaçadamente com cadência, austeridade e immensa falta de corda...
Quem está ahi?... E de candeias apagadas? Foi o vento, dizem as pobres innocentes varadas de terror... E a abadessa que só é velha nos óculos, na bengala e em andar curvada p'rá frente manda tocar a sineta que é um dó d'alma o ouvi-la assim tão debilitada, vão todas p'ró côro, mas eis que, de repente batem no portão e sem se annunciar nem limpar-se da poeira, sobe a escada e entra p'lo salão um bispo de beja que quando era novo fez brégeirices co'a menina do chocolate. Agora completamente emendado revela à abbadessa que sabe por cartas que há homens que vão às mulheres do convento e que ainda há pouco vira um de cavallos a saltar p'la janella. A abadessa diz que effectivamente já há tempos que vinha dando p'la falta de gallinhas e tão innocentinha, coitada, que n'aquelles oitenta annos ainda não teve tempo p'ra descobrir a razão da humanidade estar dividida em homens e mulheres.
Depois de sérios embaraços do bispo é que ella deu com o atrevimento e mandou chamar as duas freiras de há pouco co'as candeias apagadas. n'esta altura esta peça policial toma um pedaço d'interesse porque o bispo ora parece um polícia de investigação disfarçado em bispo, ora um bispo com a falta de delicadeza de um polícia d'investigação, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto o que o público já está farto de saber - que a marianna dormiu co'o noel. o peor é que a marianna foi à serra co'as indiscreções do bispo e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando p'ra tudo aquillo. esteve mesmo muito perto de se estrelar com um par de murros na corôa do bispo no que (se) mostrou de um atrevimento, de uma insolência e de uma decisão refilona que excedeu todas as expectativas.
Ouve-se uma corneta a tocar uma marcha de clarins e marianna sentindo nas patas dos cavallos toda a alma do seu preferido foi qual pardalito engaiolado a correr até às grades da janella a gritar desalmadamente p'lo seu noel. Grita, assobia e redopia e pia e rasga-se e magóa-se e cae de costas com um accidente, do que já previamente tinha avisado o público e o panno também cae e o espectador também cae da paciência abaixo e desata n'uma destas pateadas tão enormes e tão monumentaes que todos os jornaes de lisboa no dia seguinte foram unânimes n'aquelle êxito teatral do dantas. A única consolação que os espectadores decentes tiveram foi a certeza de que aquillo não era a sorôr alcoforado mas sim uma merdarianna aldantascufurado que tinha cheliques e exageros sexuaes.
Continue o senhor … a escrever assim que há-de ganhar muito co'o alcufurado e há-de ver, que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives do porto, e uma exposição das maquetes p'ró seu monumento erecto por subscriçao nacional do século a favor dos feridos da guerra, e a praça de camões mudada em praça do dr. julio dantas, e com festas da cidade p'los anniversários, e sabonetes em conta «julio dantas» e pastas … p'rós dentes, e graxa … p'rás botas, e niveina … , e comprimidos … e autoclismos … e … , … e limonadas … - magnesia.
E fique sabendo o … que se um dia houver justiça em portugal todo o mundo saberá que o autor dos luzíadas é o … que n'um rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo camões. E fique sabendo o … que se todos fôssem como eu, haveria taes munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar. Mas juygaes que n'isto se resume a litteratura portugueza? Não! Mil vezes não! Temos, além d'isto o chianca que já fez rimas p'ra alubarrota que deixou de ser a derrota dos castelhanos p'ra ser a derrota do chianca. E as pinoquices de vasco mendonça alves passadas no tempo da avôsinha! E as infelicidades de ramada curto! E o talento insólito de urbano rodrigues! E as gaitadas do brun! E as traducções só p'ra homem o illustríssimo excelentíssimo senhor mello barreto! E o frei matta nunes môxo! e a ignez syphilitica do faustino! E as imbecilidades do sousa costa! E mais pedantices do … ! E alberto sousa, o … do desenho! e os jornalistas do seculo e da capital e do noticias e do paiz e do dia e da nação e da repubuca e da lucta e de todos, todos os jornaes! E os actores de todos os theatros! E todos os pintores das bellas artes e todos os artistas de portugal que eu não gosto. E os da aguia do porto e os palermas de coimbra! E a estupidez do oldemiro cesar e o doutor josé de figueiredo amante do museu e ah oh os sousa pinto hu hi e os burros de cacilhas e os menús do alfredo guisado! e (o) rachitico albino forjaz sampaio, critico da lucta a quem o fialho com immensa piada intrujou de que tinha talento! E todos os que são politicos e artistas! E as exposições annuaes das bellas arte(s)! E todas as maquetas do marquez de pombal! E as de camões em paris! E os vaz, os estrella, os lacerda, os lucena, os rosa, os costa, os almeida, os camacho, os cunha, os carneiro, os barros, os silva, os gomes, os velhos, os idiotas, os arranjistas, os impotentes, os scelerados, os vendidos, os imbecis, os párias, os ascetas, os lopes, os peixotos, os motta, os godinho, os teixeira, os diabo que os leve, os constantino, os grave, os mantua, os bahia, os mendonça, os brazão, os mattos, os alves, os albuquerque, os sousas e todos os … que houver por ahi!!!!!!


E as convicções urgentes do homem christo pae e as convicções catitas do homem christo filho! E os concertos do blanch! E as estatuas ao leme, ao eça e ao despertar e a tudo! e tudo o que seja arte em portugal! E tudo! Tudo por causa do … !
Morra o … , morra! pim!
Portugal que com todos estes senhores, conseguiu a classificação do paiz mais atrazado da europa e de todo omundo! o paiz mais selvagem de todas as áfricas! o exilio dos degradados e dos indiferentes! a africa reclusa dos europeus! o entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro ha-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará commigo, a meu lado, a necessidade que portugal tem de ser qualquer coisa de asseiado!
Morra o … , morra! pim!
José Almada-Negreiros, poeta d'orpheu, futurista e Tudo
Abril ou Setembro de 1916


JDACT

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

“Começar” ou Ode à Geometria. Almada Negreiros. Luís Reis. «As questões sobre (im)possibilidade de divisão exacta do círculo eram do conhecimento de Almada, mesmo que não o fossem os pormenores teóricos. Mas, como artista, ele parte “da sabedoria visual para a geometria”, a qual precede a aritmética»


jdact e cortesia de wikipedia

(continuação)

Parte P2
«Nesta secção, Almada baseia-se na Figura Superflua Ex errore, uma estrela de 16 pontas geralmente atribuída a Leonardo da Vinci. As pontas da roseta estão unidas por arcos de círculo cujo raio parece ser a corda da nona parte do círculo de P1.
A azul está um rectângulo de ouro, com as mesmas dimensões do de P1. Duas linhas vermelhas finas sobem na direcção do centro para o canto superior do quadrado circunscrito, determinadas por relações nove/dez. Prolongando para baixo a linha vermelha mais grossa e mais inclinada que estas duas, atingimos o ponto sul da roseta. Esta linha corresponde à diagonal de um rectângulo Φ , pentágono beringela encontrou-o Almada num espelho chinês, cujo lado maior é vertical.
À direita da roseta, em baixo, dispõem-se, verticalmente, os números 16, 32, 64, 128 e 256, estando em frente a cada um a soma dos respectivos dígitos. Note-se que nesta parte existe parcialmente um reticulado que divide o quadrado circunscrito em 16 × 16 = 256 quadrados iguais.

Parte P3
Esta parte é dominada por um pentágono estrelado central, melhor dizendo, por um triplo pentágono estrelado, emblema da confraria pitagórica. Almada não ignorava que este símbolo aparece numa das faces de uma das moedas mandadas cunhar por Afonso Henriques. Furtado Coelho sugere que no centro da composição se pode descobrir um conjunto de linhas que simbolizam, ao mesmo tempo, uma cruz e uma espada, a outra face da moeda afonsina. Por detrás dos pentágonos temos três quadrados concêntricos, de lados horizontais e verticais, subdivididos em 16 quadrados iguais. Estes quadrados rodam 45º, mas os lados estão incompletos, junto dos vértices.
Desenhados a azul, tornamos a encontrar o conjunto de rectângulos √Φ, √2 e Φ.
Todo este conjunto aparece enquadrado por um rectângulo 2 (duplo quadrado) a preto, disposto a 45º, com um dos lados maiores tangentes à Figura Superflua. Junto a este lado, encontramos alguns dos invariantes canónicos, relativos ao semicírculo inscrito no rectângulo 2).

Parte P4
Chama-se a atenção apenas para o extremo esquerdo de P4, onde Almada apresenta outros modos de dividir C2 em 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 16, 18, 19, 20, 38 e 76 partes. Furtado Coelho fornece uma análise mais exaustiva e completa do painel..

Parte P5
No círculo C1 aparecem os elementos daquilo que Almada entendia ser o Ponto de Bauhütte. Disse Almada ao Diário de Notícias (07.06.1960):
  • Ao arquitecto Ernest Mössel, para a reconstituição do antigo conhecimento que é o mesmo dos nossos estudos para os painéis, na impossibilidade de encontrar os documentos históricos eruditos que parecia ficarem afinal enterrados para sempre no resultado de estratagemas epocais do sigilo, serviu-lhe uma quadra popular corrente entre os entalhadores de pedra para a construção de catedrais no Sacro Império Romano. A quadra é esta:
Um ponto que está no círculo
E que se põe no quadrado e no triângulo.
Conheces o ponto? Tudo vai bem.
Não conheces? Tudo está perdido.
  • Esta quadra era a ligação reconhecida por quantos colaboravam na construção e edificação de uma obra. O seu grémio de construtores chamava-se Bahütte […] Ora acontece que o ponto a que a quadra se refere é precisamente um que determina ʘ/7. Esse ponto e o extremo ʘ/7 determinam-se reciprocamente. E esse ponto e o extremo ʘ/7 dividem o diâmetro respectivamente em 10 e nove partes iguais, e também em cinco e em três partes iguais.

Elementos da parte 5 do painel

Na configuração de Almada encontramos o círculo, o quadrado e o triângulo. Este último não é equilátero, mas sim pitagórico, ou seja, triângulo rectângulo nas proporções 3:4:5. Gravados na pedra, junto aos lados do triângulo, estão os números 6, 8 e 10. Na em cima, estão também representados o quadrado circunscrito ao círculo e o polígono de 7 lados inscrito no círculo, que não estão no painel. Recorde-se que o tema do Ponto de Bauhütte tinha já sido tratado por Almada numa bela composição a preto e branco, de 1957.


 O Ponto de Bauhütte, 1957

Dentro do quadrado preto está um par de quadrados vermelhos e, dentro destes, um par de quadrados azuis, mas de tamanhos diferentes:
  • o lado do maior está associado a M e o menor a m. A razão M : m é, aproximadamente, o número de ouro. M e m aparecem diversas vezes na composição, mas nem todos têm que ver com estes. O círculo C1 aparece abrigado por um círculo C2. Almada indica modos de obter as 7ª, 11ª, 13ª, 14ª, 17ª e 19ª partes de C2. Andando para a esquerda, vemos mais semicírculos C2.
Observações finais
As questões sobre (im)possibilidade de divisão exacta do círculo eram do conhecimento de Almada, mesmo que não o fossem os pormenores teóricos. Mas, como artista, ele parte da sabedoria visual para a geometria, a qual precede a aritmética. Escreveu Almada, “a arte precede a ciência, a perfeição precede a exactidão”, afirmação que reforça dizendo, “A perfeição contém e corrige a exactidão.” (Diário de Notícias, 16.06.1960).
O painel Começar é uma impressionante obra de arte abstracta, que o tempo e a localização tornaram um clássico. Além de revelar o interesse do autor pelas questões da geometria secreta dos artistas antigos, é paradigmático de um espírito sedento de verdade e beleza, qualidades intemporais».

In Luís Reis, Grupo de Trabalho T3, Centro de Competência CRIE da UCP-ESB, Educação e Matemática, número 92, Março/Abril, 2007.


Cortesia de Educação e Matemática/JDACT

“Começar” ou Ode à Geometria. Almada Negreiros. Luís Reis. «À primeira vista trata-se de uma sucessão de traçados geométricos, com profusão vertiginosa de linhas e arcos, secundados por texto, números e relações matemáticas mais discretas, que valem pelo equilíbrio estético e pelo jogo de cores»

jdact e cortesia de wikipedia

O cânone
«O painel Começar é a derradeira grande obra de Almada Negreiros (São Tomé, 1893 - Lisboa,1970). Está no átrio da sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. É uma obra extensa, gravada em calcário polido, com 12,87m de comprimento e 2,31 m de largura. Almada projectou a obra em 1968 e acompanhou de perto a sua execução no ano seguinte, por uma equipa de operários especializados. A obra foi inaugurada em Outubro de 1969.
À primeira vista trata-se de uma sucessão de traçados geométricos, com profusão vertiginosa de linhas e arcos, secundados por texto, números e relações matemáticas mais discretas, que valem pelo equilíbrio estético e pelo jogo de cores. Em 12 de Fevereiro de 1969, Jorge de Sena proferiu uma conferência sobre Almada Negreiros Poeta.
Almada, presente, pediu a palavra no fim, tendo a certa altura dito:
  • “Eu acabei agora de fazer um trabalho de vários meses, oito meses consecutivos, trabalho obcecante, a ter de fazer. Em pormenor, basta dizer que o médico todos os dias me dizia: Você está-se a matar! e eu respondia-lhe: Mas se não fizer isto, morro! […] Vou simplesmente dizer o título da obra que eu concluí, que é uma obra síntese de tudo o que eu fiz na minha vida: é a Geometria. O título é Começar
Este painel aperfeiçoa e aprofunda a mensagem já transmitida na tapeçaria O Número, executada por Almada para o Tribunal de Contas de Lisboa (1958). É uma viagem às raízes da cultura, na procura do cânone, o conjunto de regras que atravessa tempos e civilizações. Declarou Almada numa entrevista ao Diário de Notícias (16.06.1960):
  • Nós não pretendemos senão encontrar o cânone e não supusemos nunca que determinada época fosse a exclusiva. E assim é que, hoje, uma vez terminado o trabalho, uma vez chegado ao resultado, assim acontece. O cânone não está exclusivamente nos exemplos da Idade Média, não está só nos exemplos da Suméria, não está só nos de Creta, Gregos, Bizantinos, Árabes, Hebraicos, Romanos ou Góticos. Ele está sempre e é por isso mesmo que ele é cânone. E cada época tira do cânone as suas regras. As leituras feitas de documentos antigos confirmam o que eu digo.
O estudo deste cânone absorveu Almada. Desde 1916, quando se interessou pela primeira vez pela tábua quatrocentista Ecce Homo, (da Escola) de Nuno Gonçalves, nunca mais abandonou o desenvolvimento das intuições e descobertas que então lhe ocorreram. O painel Começar é, pois, o seu legado espiritual às gerações vindouras. O título escolhido foi como se nos quisesse dizer que o seu último esforço não era mais do que um ponto de partida nesta demanda cósmico-filosófico-artística.

O painel
A descrição e análise que se apresenta segue de muito perto a proposta de João Furtado Coelho no artigo Os princípios de Começar. Assim, e apesar da sua interpenetração física e orgânica, é sugerida a divisão da composição em cinco partes, a saber, da esquerda para a direita:
  • P1 - dominada por um círculo C1;
  • P2 - dominada por um círculo C2, de raio duplo do de C1;
  • P3 - parte central, na qual aparece novamente um círculo C1;
  • P4 - dominada por círculos C2;
  • P5 – dominada por um círculo C1.
Importa ainda sublinhar que, neste texto, as referências a cores devem entender-se como dizendo respeito ao painel original.

Parte P1
No círculo C1 estão inscritos três pentágonos: 
  • um pentágono estrelado, ou pentalfa, a preto, proveniente da divisão do círculo em 5 partes iguais e, portanto, relacionado com a divisão em 10 partes;
  • os outros dois pentágonos côncavos, em beringela e vermelho, têm que ver com determinações de nonas partes do círculo.
Do pentalfa tirou Almada uma maneira muito prática de obter a nona parte do círculo. Aqui aparece já um invariante canónico,

2R = 2 × δ/9 + δ/10

na notação de Almada, que significa: o diâmetro é igual a duas vezes a corda da nona parte mais a corda da décima parte, ou ainda, o diâmetro é igual a duas vezes o lado do eneágono regular mais o lado do decágono regular .



Esta é uma das razões por que Almada usa a expressão relação nove/dez tanto para designar uma constante canónica como para designar o próprio cânone.
Ao tomar as cordas pelos arcos na divisão do círculo cometem-se erros. Porém, os erros absoluto e relativo vão diminuindo com o arco. Quando se chega às nona e décima partes do círculo, então a razão das cordas já é praticamente igual à razão dos arcos. Esta é 9/10; a das cordas pode-se dizer que é igual, com um erro inferior a 4%.
Por isso Almada chamou ao seu sistema relação nove/dez em vez de razão nove/dez, querendo frisar a diferença entre relação e proporção.
Esta parte do painel contém ainda três rectângulos a azul, determinados por nonas partes da circunferência. O menor é o rectângulo √Φ, o médio é o rectângulo 2 e o maior o rectângulo Φ». In Luís Reis, Grupo de Trabalho T3, Centro de Competência CRIE da UCP-ESB, Educação e Matemática, número 92, Março/Abril, 2007.


Cortesia de Educação e Matemática/JDACT

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Almada Negreiros: Um dos principais colaboradores da Revista Orpheu

(1893-1970)
Cortesia de catedral
José Sobral de Almada Negreiros foi um artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista português ligado ao grupo modernista e um dos principais colaboradores da Revista Orpheu. Parte da sua infância foi passada na ilha de São Tomé e Príncipe, terra natal de sua  mãe, Elvira Freire Sobral Bristot. Em 1911, Almada Negreiros, entra para a Escola Internacional de Lisboa onde irá desenvolver o seu trabalho, publicando, ainda nesse ano, o seu primeiro desenho na revista A Sátira. Publica também o jornal manuscrito A Paródia, onde é o único redactor e ilustrador. Em 1913, apresenta, na Escola Internacional de Lisboa, a sua primeira exposição individual, composta de 90 desenhos.Nesta Escola trava conhecimento com Fernando Pessoa, com quem edita a Revista Orpheu, juntamente com Mário de Sá Carneiro. A propósito desta revista, há uma troca de palavras com Júlio Dantas, (médico, poeta, jornalista e dramaturgo) ao afirmar que a revista é feita por gente sem juízo. Irónico, mordaz, provocador mesmo, Almada responde com o Manifesto Anti-Dantas (declamado por Mário Viegas) onde escreve: «…uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração! Morra o Dantas, morra! Pim!».  Recebeu o Prémio Columbano pela sua tela intitulada Mulher.

O manifesto teve algum impacto no meio artístico; é tempo de mudar as mentalidades e a sociedade, e Almada fá-lo como poucos, atacando a cultura burguesa instituída e os seus representantes ao mais alto nível. Em 1927, volta a deixar Portugal, desta vez para Espanha, onde, além de colaborar com diversas revistas, escreve El Uno, Tragédia de la Unidad, obra dedicada à pintora Sarah Afonso.

A partir daqui, Almada dedica-se principalmente ao desenho e à pintura. Pinta os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, que o público, agarrado às tradições, não aprecia, o conhecido retrato de Fernando Pessoa (1954), os painéis das gares marítimas de Alcântara e da Rocha Conde de Óbidos, pelas quais recebe o Prémio Domingos Sequeira, pinta o Edifício da Águas Livres e frescos na Escola Patrício Prazeres, pinta as fachadas dos edifícios da Cidade Universitária e faz tapeçarias para o Tribunal de Contas e para o Palácio da Justiça de Aveiro, entre muitas outras obras de arte.
Os seus últimos trabalhos, já com 75 anos, são o Painel Começar na Fundação Calouste Gulbenkian e os frescos da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Pinta também o seu célebre quadro «as mulheres amam-se».
Almada Negreiros morre aos 77 anos de idade, de falha cardíaca, no mesmo quarto do Hospital  em que também tinha morrido Fernando Pessoa.


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wikipédia/JDACT
(Manifesto Anti-Dantas)