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domingo, 26 de maio de 2013

Poesia Lírica. “Naufrágio”… Literário. José Manuel Geraldes. «Meditamos, tentamos encontrar-nos mãos muito unidas, muito dadas, e nas bocas a muda interrogação enquanto esperamos que o tempo da verdade se consuma. Que deixaremos!?»

jdact

NaufrágioLiterário
Dou-te a minha mão, serenidade
e tu dás-me paz, uma palavra amiga,
esta solidão tem a nossa idade
da nossa idade é também a tristeza amiga...
Esboça-me o receio num sorriso,
a raiva contra o sonho secular,
temos dúvida da própria dúvida...
Começamos a tremer de indecisos
já nada temos para dar,
é o princípio do fim,
naufrágio completo,
pois só temos para dar, talvez uma esperança?...
Meditamos, tentamos encontrar-nos
mãos muito unidas, muito dadas,
e nas bocas a muda interrogação
enquanto esperamos que o tempo da verdade se consuma.
Que deixaremos!?
Aos vindouros ofertamos esta herança,
pobres dos povos afinal,
só incertezas... indecisões,
e desculpas com palavras inventadas...
À confusão segue-se o aclarar
de ideias... queremos, temos de falar...
Mas não falamos.
Assistimos maviosamente duros
ao arrastar pelo vento
das páginas já escritas
... de nada!
Sempre será assim onde o cântico nasce,
algum sangue lá fica
marcando a fonte do sofrimento.
Mas nada resta e assim
caminhamos de mãos caídas
aparentemente de mãos caídas... mas unidas...
Não sabemos de onde vimos para onde vamos
e temos nos olhos imagens proibidas!...

Poema de José Manuel Geraldes (Zegabyne), in ‘Poesia Lírica’

Com amizade!
JDACT

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Arte. Fernando Pessoa: Há dias assim... «Porque a arte dá-nos, não a vida com beleza que, porque é a vida, passa, mas a beleza com vida, que, como é beleza, não pode parecer. Não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros. O fim da arte superior é libertar»

Cortesia de obviousmag

A Arte
«Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes, tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura.
A arte é auto-expressão lutando para ser absoluta. Consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.

O valor essencial da arte está em ela ser o indício da passagem do homem no mundo, o resumo da sua experiência emotiva dele; e, como é pela emoção, e pelo pensamento que a emoção provoca, que o homem mais realmente vive na terra, a sua verdadeira experiência regista-a ele nos fastos das sua emoções e não na crónica do seu pensamento científico, ou nas histórias dos seus regentes e dos seus donos.

Cortesia de silescola
A finalidade da arte não é agradar. O prazer é aqui um meio; não é neste caso um fim. A finalidade da arte é elevar. Porque a arte dá-nos, não a vida com beleza que, porque é a vida, passa, mas a beleza com vida, que, como é beleza, não pode parecer.
Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade. A sensibilidade é pessoal e instransmissível. Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitando nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.

Cortesia de forumdofuturo
Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam. De aí a sua perfeita execução da obra de arte.
O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar». In Fernando Pessoa, Ideias Estéticas da Arte.

In Memoriam de MLAC
JDACT