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sábado, 17 de outubro de 2015

Cristóvão Colombo na Madeira. Rebecca Katz. «Pedro Ledesma, que na quarta viagem de 1502 se amotinou, e anos depois, subornado pelos Pinzon, disse muitas mentiras contra o Almirante nas Inquirições que se abriram e negou terminantemente que o navegador tivesse descoberto terra firme»

Cortesia de wikipedia

«(…) Segundo Fernando, Colombo conheceu a sua esposa, dona Felipa Moniz, em Lisboa, quando assistia a missa na capela do Convento de Santos, da Ordem de Santiago. Ela era filha de Bartolomeu Perestrelo, o primeiro capitão e donatário da ilha de Porto Santo, e de dona Isabel Moniz, sua segunda esposa. Perestrelo, filho de uma família nobre de Piacenza que tinha emigrado para Lisboa no século XIV, acompanhou a segunda expedição de colonizadores a Porto Santo e Madeira em 1425. Recebeu a capitania hereditária da ilha mais pequena do infante Henrique e morreu lá ao redor de 1457. O pai de dona Isabel, Gil Ayres Moniz, pertencia a uma das mais velhas famílias do Algarve e tinha lutado junto com o Infante Henrique em Ceuta em 1415. Também a sogra de Colombo era aparentada com o condestável Nuno Alvares Pereira e por conseguinte, com a casa real, ou seja com a maior nobreza do reino.
Depois da morte do esposo, dona Isabel vendeu os seus direitos na capitania de Porto Santo a Pedro Correia Cunha, marido de uma das suas enteadas, e voltou a Lisboa. Alguns anos depois, o seu próprio filho Bartolomeu foi reconduzido na posse da capitania de Porto Santo quando chegou a sua maioridade em 1473. Isso deixou a mãe com pouco dinheiro para a sua manutenção e a das suas filhas. Como se explica o casamento da aristocrática dona Felipa com o filho de um humilde tecelão? Dizem alguns investigadores que sua mãe, que mal podia manter-se, devia ter ficado feliz de vê-la casada, poupando assim as despesas do convento. Este convento, estava desde a sua origem destinado a asilo das famílias dos cavaleiros de Santiago. O mestre da Ordem fora amo de Bartolomeu Perestrelo. Como Cristóvão chegou a corteja-la não sabemos. Seu filho, o biógrafo, só diz que como ele se portou muito honradamente e era um homem de uma presenca muito fina e tão honesto que dona Felipa teve tanta conversa e amizade com ele, que consentiu ser sua esposa. Ignoramos a data e lugar do casamento mas como parece que o filho que teve com dona Felipa nasceu em 1480, podemos supor que Cristóvão e Felipa se casaram nos fins de 1479.
Na referida biografia do seu pai, Fernando Colombo escreve que o casamento teve lugar em Lisboa, mas que o jovem casal partiu imediatamente para Porto Santo. Isso é duvidoso por vários motivos. E quanto aos muitos tomos da biografia de Colombo escrita por Bartolome de las Casas, diz-se que o bispo copiou muito do manuscrito de Fernando. Quando escreve no Livro I, capitulo 130, que Colombo residiu na Madeira depois do casamento, é muito provável que essa informação lhe tivesse vindo do manuscrito de Fernando que teve a mão. E apesar de que esses dois biógrafos eram íntimos de Cristóvão Colombo, suas biografias não inspiram muita confiança. Fernando Colombo, que não era o fruto desse casamento, também nos informa que Colombo residiu por algum tempo com sua sogra em Porto Santo, e que ela, vendo quanto Colombo se interessava pelo mar, lhe contou muitas historietas que ouviu ao seu marido. Disse que lhe contou como Bartolomeu tinha arruinado Porto Santo por muitos anos, por ter levado a ilha a sua chegada, uma coelha com sua ninhada. Os coelhos cresceram tão rapidamente que dentro de um ano cobriram toda a ilha e comeram lá tudo o que fosse verdura.
Os colonizadores foram portanto forçados a transferir-se para a ilha da Madeira e assim a colonização de Porto Santo foi retardada ate que o equilíbrio da natureza foi restabelecido. Posto que o almirante gostou tanto de ouvir estas historietas e outras das viagens feitas naquela época, segundo escreve Fernando, dona Isabel lhe deu os papeis e mapas deixados pelo seu falecido marido, do que o almirante se apaixonou, e se informou assim de outras viagens e navegações que os portugueses faziam. Nem o menor indício nos foi legado da disposição ou aparência física da única mulher de Colombo, e dona Felipa fica sendo uma figura tão obscura como a da mãe do descobridor. Nem sabemos quando morreu, só que foi antes que Colombo partisse de Portugal para Espanha em 1485, e que está sepultada no mosteiro do Carmo em Lisboa. Isso sabemos pelo testamento do seu filho Diogo que se refere a el cuerpo de dona Felipa Moniz, su legitima mujer (do almirante) que esta en el monasterio del Carmen, en Lisboa. O terceiro contacto de Colombo com a Madeira ocorreu durante a sua terceira viagem a América em 1498. Naquele ano, a Espanha estava em guerra com a Franca, e dizia-se que uma frota francesa estava perto do Cabo de são Vicente, esperando a flotilha colombina de seis barcos. O Almirante navegou para o sul, passando perto da costa africana, em vez de seguir um curso directo para Porto Santo, o seu primeiro objectivo. Depois de oito dias, a frota chegou a Porto Santo, em 7 de Junho de 1498, após ter navegado pelo menos 650 milhas. Ai Colombo decidiu meter a bordo lenha, água, e provisões, e ouvir missa. Infelizmente, os habitantes confundiram a frota de Colombo com a dos corsários franceses e fugiram para os montes com o seu gado. Como não encontrou gente em Porto Santo, Colombo fez-se à vela naquela mesma noite para a Madeira. O Funchal não é a mais que 40 milhas de Porto Santo mas parece que a frota teve alguma dificuldade porque foi só a 10 de Junho, ou seja três dias depois, que o almirante surgiu no porto do Funchal. Esta informação se encontra no livro de Las Casas onde diz textualmente que En la villa lhe fue hecho muy buen recibimiento y mucha fiesta, por ser alli muy conocido, que fue vecino de ella en algun tiempo.
Este é, por enquanto, o único documento histórico da estada de Cristóvão Colombo em Porto Santo, embora só de passagem, e de mais uma visita, a mais prolongada, apenas por seis dias, a Madeira, portanto sem longas nem demorada residência. Também a Madeira contribuiu tanto para a alegria do Almirante como para a sua tristeza porque foi de ali que Colombo levou um piloto para um dos seus barcos, um sevilhano chamado Pedro Ledesma, que se portou bastante bem na terceira viagem de 1498 mas que na quarta viagem de 1502 se amotinou, e anos depois, subornado pelos Pinzon, disse muitas mentiras contra o Almirante nas Inquirições que se abriram e negou terminantemente que o navegador tivesse descoberto terra firme. Isso foi tudo o que eu pude encontrar sobre a permanência de Cristóvão Colombo no arquipélago da Madeira. Também soube que em 1953 a população da Madeira honrou a memória de Cristóvão Colombo erigindo-lhe uma estátua numa das praças principais perto do mar. Isso não admira porque há estátuas de Colombo em todas as partes do mundo ocidental. Não sei se há uma estátua de Colombo em Portugal continental. Duvido muito. De todas as maneiras, espero que os madeirenses não me condenem por ter destruído alguns dos seus mitos mais venerados». Trabalho apresentado ao Colóquio sobre os Descobrimentos e a Literatura de Viagens, 2 – 4 Novembro 1988, nas instalações da Fundação Gulbenkian, em Lisboa.
In Rebecca Katz, Christopher Columbus and the Portuguese, 1476-1498, Greenwood Press, USA, 1993, ISBN 0313288674, Cristóvão Colombo na Madeira, muweb.millersville.edu/columbus/data/spc/CATZ-03P.SPK, Paulo Campos, Arquivo Histórico, Madeira, 2009.

Cortesia de PCampos/JDACT

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Cristóvão Colombo na Madeira. Rebecca Katz. «… este documento, conhecido como o documento Asseretto, foi descoberto em 1904 por Hugo Asseretto e é declarado com justiça, o subsídio basilar para o estudo da vida de Cristóvão Colombo»

Cortesia de wikipedia

«(…) Destes protestos lavrou-se o respectivo registo no notário Gerolamo Ventimiglia de Génova, a 21 de Agosto de 1479, estando presente ao acto o próprio Cristóvão Colombo, como testemunha e parte. Nesse documento Colombo declarou que era cidadão de Génova, que tinha ao redor de 27 anos de idade, que tinha na sua pessoa 100 florins, e expressou a sua intenção de regressar a Lisboa no dia seguinte.
Este documento, conhecido como o documento Asseretto, foi descoberto em 1904 por Hugo Asseretto e é declarado com justiça, o subsídio basilar para o estudo da vida de Cristóvão Colombo. Encontra-se em Génova entre as Actas Notarias do Governo de Génova, anos de 1474 a 1779.
A segunda ligação de Colombo com a Madeira resulta do seu casamento com dona Felipa Moniz de Perestrelo. Parece estranho, mas nunca se encontrou o assento deste casamento nem o do nascimento do filho do casal. Quase tudo o que sabemos deste casamento provem dos livros dos principais biógrafos de Colombo, entre eles, Fernando Colombo ou Colon, o filho mais novo do navegador, e Bartolome de las Casas, o seu amigo e grande admirador, e bispo de Chiapas. O original da obra de Fernando Colombo, escrito em espanhol antes de 1537, já que foi este o ano da sua morte, desapareceu, tendo-nos aquela chegada apenas através da tradução italiana que, por determinação de Luis Colombo, seu sobrinho, Afonso de Ulloa fez e em 1571 publicou em Veneza com o que deve ser o mais largo titulo jamais escolhido por um livro. Chama-se Historie del signor don Fernando Colombo nelle quale s'ha particolare e vera relatione della vita, e de fatti dell Amiraglio D. Christoforo Colombo, su padre, et dello scoprimento ch' egli fece dell'indie occidentali delle mondo nuovo hora possedute del sereniss. Re Catolico. Hoje o livro é conhecido simplesmente pelo breve título de Historie. Sucederam-se as edições da obra e ainda em 1867 se publicou em Londres uma nova edição desta versão italiana. Em 1749 foi o livro vertido para espanhol por Gonzalez Barcia, que o incluiu na sua obra Historiadores primitivos de las Indias Occidentales, com o titulo de La historia de D. Cristobal Colon, que compuso en castellano D. Fernando Colon, su hijo, y traduxo en toscano Alfonso de Ulloa, vuelta a traducir en castellano, por non parecer el original.
A obra de Fray Bartolome de las Casas, bispo de Chiapas, em grande parte consagrada a Cristóvão Colombo, chama-se Historia de las Indias e foi começada a escrever em 1552, quando o seu autor tinha já 78 anos, e concluída em 1561 ou 1562, cinco anos antes da sua morte.
Muito discutido tem sido o valor destas duas obras, pelas muitas contradições que nelas se encontram, embora Las Casas se tenha inspirado em Fernando Colombo. A autenticidade da autoria das Historie de Fernando Colombo tem mesmo sido posta em dúvida. Henry Harisse, o celebre colombista norte-americano, embora nascido em Paris, publicou em Sevilha, em 1871, uma obra intitulada Don Fernando Colon, historiador de su padre, onde mostra as falsidades, contradições, anacronismos e outras deficiências e erros palmares, que custa a crer pudessem ter sido escritos pelo culto filho de Cristóvão Colombo. Daí veio para muitos a suposição de ter o tradutor, Afonso de Ulloa, alterado, ou mesmo falsificado, o escrito original de Fernando Colombo no sentido de convencer que o famoso navegador era italiano. Em 1876, ou seja cinco anos depois do aparecimento da referida obra de Harisse, e porém publicada pela primeira vez a Historia de las Indias de Las Casas, e verifica-se então que este, em numerosas passagens, quase se limitou a copiar as Historie de Fernando Colombo. Ora, como Las Casas acabou de escrever o seu trabalho o mais tardar em 1562 e as Historie de Fernando foram pela primeira vez publicadas em 1571, concluiu-se que ele pode consultar o original desta obra, assim ficando, ipso-facto, abonada a honestidade do tradutor. Os detractores das Historie estendem então as suas acerbas críticas já não só ao tradutor mas também a Fernando Colombo, que acusaram de falsificar a biografia de seu pai com o intuito de o engrandecer». In Rebecca Katz, Christopher Columbus and the Portuguese, 1476-1498, Greenwood Press, USA, 1993, ISBN 0313288674, Cristóvão Colombo na Madeira, muweb.millersville.edu/columbus/data/spc/CATZ-03P.SPK, Paulo Campos, Arquivo Histórico, Madeira, 2009.

Cortesia de PCampos/JDACT

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Problema dos Governadores gerais da Ilha da Madeira. Damião Peres. «A si próprio chama-se ‘governador e capitão geerall em toda esta ilha da madeira e superintendente das causas da guerra’ na carta de nomeação de Manuel Damil para o cargo de escrivão e secretário da guerra…»

Cortesia de wikipedia

«Trazendo a história das transformações por L que passou a administração pública das ilhas da Madeira e Porto Santo, Álvaro Rodrigues Azevedo afirma ter ficado toda a superintendência destas ilhas a cargo de uma única autoridade, de nomeação régia, desde que Filipe I deu o governo total delas ao desembargador João Leitão. Esta autoridade foi, durante o governo dos Filipes, o governador geral, e, depois da Restauração, o capitão general Q, tendo desempenhado o cargo de governador geral, sucessivamente, o desembargador João Leitão, Agostinho Herrera, Tristão Vaz Veiga, António Pereira Barredo, Diogo Azambuja Melo, Cristóvão Falcão Sousa, João Fogaça Eça, Manuel Pereira Coutinho, Jorge Câmara, Pedro Silva, Francisco Henriques, Fernão de Saldanha, Francisco Sousa, João Menezes e Luís Miranda Henriques Pinto. Apesar da autoridade especial do autor de tais afirmações, aceites até hoje sem discussão, ha nelas muito que rectificar: a lista dos nomeados, a designação dada ao cargo que desempenharam e a extensão das suas atribuições.
Relativamente à lista dos nomeados, entendemos, e adiante procuraremos demonstra-lo, que ela está errada pela inclusão dos nomes de João Leitão e de Agostinho Herrera, conde de Lançarote. Quanto à designação dada a estas autoridades, é pura fantasia chamar-lhes governadores gerais, tratando-se do período filipino, e capitães generais, tratando-se dos tempos posteriores à Restauração: o título de governador geral nunca existiu e tal distinção não tem fundamento. Vejamo-lo. A carta de nomeação de Tristão Vaz Veiga, de 19 de Outubro de 1585, diz: ...o emvyo ora a dita ilha por gerall e superimtendente das cousas da guerra... O alvará de ordenado, de 22 de Outubro de 1585, chama-lhe também geeral e sobreentendente das cousas da guerra. António Pereira é, pela carta de 30 de Dezembro de 1590, nomeado gerall e superemtemdemte das cousas da guerra, sendo também designado pelos mesmos títulos na carta régia à Câmara do Funchal, de 30 de Dezembro de 1590 e na provisão de ordenado. Diogo Azambuja Melo é nomeado geral e superintendente das cousas de guerra, por carta de 23 de Maio de 1594, sendo designado pelos mesmos títulos no alvará de ordenado de 30 de Junho de 1594.
A si próprio chama-se governador e capitão geerall em toda esta ilha da madeira e superintendente das causas da guerra na carta de nomeação de Manuel Damil para o cargo de escrivão e secretário da guerra, de 16 de Fevereiro de 1596; governador e capitam gerall da ilha da madeira e superintendente das cousas da guerra na carta de nomeação de Francisco Vieira Abreu para o cargo de capitão de uma companhia de arcabuzeiros, de 29 de Setembro de 1598, e capitão geral desta ilha da madeira e superentendente das cousas da guerra em outro documento da mesma natureza, de 5 de Junho de 1596.
Cristóvão Falcão Sousa é designado pelos títulos de gerall e superemtemdemte das cousaa de guerra na carta de nomeação de 20 de Abril de 1600 e pelos de capitão e governador na da nomeação do seu sucessor, João Fogaça Eça, de 14 de Agosto de 1603. João Fogaça Eça é designado pelos títulos de geral e superemtemdemte das cousas da guerra no referido diploma de nomeação. Uma carta régia, de 21 de Fevereiro de 1609, louvando-o pelo auxílio prestado à armada do vice-rei Rui Lourenço Távora, comandada pelo almirante Estêvão Teixeira, chama-lhe João foguassa dessa... capitão geerall E g.dor da ilha da madeira. Manuel Pereira è designado pelos títulos de gerall e superemtemdemte das cousas da guerra na carta de nomeação de 22 de Novembro de 1601 e na de 29 de Novembro de 1601 em que o rei ordena a João Fogaça de Eça que lhe faça entrega do cargo; pelo de governador em um alvará de 31 de Março de 1609 sobre provimento interino de cargos de justiça; pelos de capitão-mór e governador em outro alvará de 18 de Junho de 1611 sobre o mesmo assunto; pelos de governador e capitão gerall, na provisão de 13 de Maio de 1613, sobre arrecadação de dinheiros de defuntos, ausentes e cativos, e nas provisões sobre aplicação a reparos nas ribeiras de certas verbas destinadas a obras de fortificação, de 21 de Janeiro de 1612, e 12 de Julho de 1613; pelo de geral no alvará de 13 de Maio de 1613, sobre as mesmas obras». In Damião Peres, O Problema dos Governadores-gerais da Ilha da Madeira, Faculdade de Letras do Porto, Revista de Estudos Históricos, Ano 2, nº 1, Janeiro-Abril, 1925.

Cortesia da FL do Porto/JDACT

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Digressões e Novellas. Bulhão Pato. «Excitaram-me as perigosas seducções de um amigo e parti para a Madeira. Se ha clima no mundo que faça sentir bem a deliciosa significação do dolce far niente, e por certo aquelle. Ali a ‘magnolia’ cresce ao lado da arvore da Europa que se acurva, no verão, cedendo ao peso dos seus thesouros»

jdact

Nota: De acordo com o original

Sir John. (Mathilde)
«Sempre tive a mania de viajar. Se Deus me houvesse concedido a fortuna de algum lord spleenatico, havia de gastal-a por esse mundo contemplando as ruinas da Grecia, os graciosos despenhadeiros da Suissa,o céo azul-escuro de Contantinopola, os arredondados capiteis de S. Pedro em Roma, as madonas de Raphael, e as encantadas virgens de Millo.
Como não a tenho, resigno-me a passear, de fraque e chapéo redondo, pelas interminaveis calçadas d'esta cidade. Logo, porém, que apparece ensejo favoravel ahi estou eu decidido a caminhar, embora tenha de soffrer as estalagens da nossa terra e de affrontar com as nossas deploraveis estradas.
Quanto mais transpor a barra e sentir-me embalado pelas ondas do oceano! No verão passado tratava-se de uma viagem; era curta, não passavamos dos nossos dominios; mas andavam-se algumas leguas do Atlantico, respirava-se outro ar e via-se outra natureza. Excitaram-me as perigosas seducções de um amigo e parti para a Madeira. Se ha clima no mundo que faça sentir bem a deliciosa significação do dolce far niente, e por certo aquelle.
Em dezembro, quando o norte agudo nos traspassa até a medulla dos ossos em Portugal, ali abre-se pela alta noite uma janella, e passam-se horas inteiras com um bom charuto, aspirando a brisa, que vem fresca e impregnada no perfume das plantas que viçam em continua primavera.
Ali a magnolia cresce ao lado da arvore da Europa que se acurva, no verão, cedendo ao peso dos seus thesouros. Nos primeiros dias do aprasivel outono achava-me na quinta do meu amigo C. de C., a mais rica e mais bella das propriedades de recreio na Madeira.

Dois inglezes vieram tambem passar comnosco uma temporada ali. Eram dois legitimos filhos da Gran-Bretanha. Cabello encarnado, perna longa, olho azul, pescoço esguio e emparedado entre os colleirinhos. Um delles tinha infelizmente sympathisado commigo. Eu estava ainda convalescente de uma longa e penosa doença e o maldito entendeu que devia matar-me usando da sua atroz hygiene.
Uma tarde chegou-se a mim e disse-me, com aquelle pronunciado assento que atraiçoa os filhos da nossa constante e fiel alliada, por mais corretamente que fallem qualquer língua! - Quer vir dar um passeio commigo? Hoje não temos nevoa na serra, deve-lhe fazer bem.
Hesitei primeiro, receiando ter de passar tres ou quatro horas sem abrir a bocca, mas por fim resignei-me para escapar a outro supplicio maior. Montámos a cavallo e partimos juntos. De manhã tinham caido alguns aguaceiros fortes, e succedera-lhes uma fresca brisa do norte que dissipara os vapores levantados da terra, purificando totalmente a atmosphera; de modo, que, fóra do que ordinariamente acontece, as serras, destoucadas de nuvens, recortavam-se no firmamento purissimo.
Trampozemos o portal da quinta, e tomámos sobre a direita. Não sei que haja nada mais agradavel no mundo, do que uma bella tarde de outono, no meio daquella robusta e esplendida natureza. Com a chuva que viera abundante, mas rápida, do terreno e das plantas elevava-se um cheiro forte e acre, que excitava os sentidos e desafogava os pulmões. O inglez olhou duas vezes para mim, sem dizer palavra, mas com gesto de quem se applaudia intimamente.
Eu confesso que estava em plena inspiração; tive tentações de me apear do cavallo e principiar a fazer versos. Retive-me com vergonha do meu amigo. Passavam-me pela imaginação mulheres pálidas, com os braços nús, o seio palpitante, os olhos húmidos de lagrimas, que se derramam à lembrança de prazeres sonhados». In Bulhão Pato, Digressões e Novellas, Artemágica editores, Lisboa, 2004, ISBN 972-8772-16-5.

Cortesia de Artemágicas/JDACT

domingo, 3 de julho de 2011

A Expansão dos Portugueses no Período Henriquino. Jaime Cortesão: «Estes problemas eram de há muito debatidos pelo escol europeu; nestas circunstâncias, arrojo e fantasia fora supor que não se estudassem na corte tão culta de D. João I, quando as Espanhas haviam tão largamente contribuído para criar aquilo a que chamamos a teoria da expansão geográfica da Crístandade»

jdact

O Desígnio do Infante.
«A nomeação, no ano seguinte, de 1416, do infante D. Henrique como governador de Ceuta, representa para nós o traço essencial de ligação entre esse primeiro acto aos que vão seguir-se. É sabido que na iniciativa e organização da tomada de Ceuta, João Afonso, o vedor da fazenda de D. João I, tomou parte essencial. Pois no segundo acto da grande empresa, o reconhecimento da Madeira em 1418, vai por capitão e a mandado do Infante, segundo as crónicas, João Gonçalves Zarco, neto de João Afonso, conforme rezam os nobiliários. Isto nos permite supor que ao primeiro passo em as navegações não fosse estranho o mesmo poderoso ministro que sugerira o acto de conquista, inicial, segundo nexo, pois, entre um e outro.
É em 1421, segundo Azurara, que começam as tentativas anuais de descobrimento ao longo da costa de África, seguidas em 1424 do primeiro ensaio de conquista das Canárias. A quem possam afigurar-se demasiadamente longos os intervalos de tempo entre estes vários actos, para que se admita entre eles continuidade, temos de lembrar que a falta de preparação técnica e as dificuldades financeiras do Estado, agravados com a ocupação de Ceuta, tornavam inevitáveis as delongas. Assim, só em 1431 deve ter começado o reconhecimento do arquipélago dos Açores.
Cabe aqui pergunta:
  • quando na mente dos governantes surgiu o pensamento de alcançar a Índia?

jdact

Supomos que muito cedo, aquando o projecto de Ceuta ou pouco depois. Vemos que as tentativas ao longo da costa de África não tardaram em seguir-se. Com que fim? É, à luz da vastíssima cultura geográfica do Infante que temos de encarar a questão. De que ele procurasse alcançar os centros produtores do oiro, não pode duvidar-se. Nas cartas da escola de Maiorca, o mestre Jaime deve ter entrado ao serviço do Infante pouco depois de 1420 (segundo G. de Reparaz Júnior), figurava o baixel de Ferrer em demanda do rio do Ouro, e sabemos, pelo «Libro del Conoscimiento», quanto esse pensamento era comum ao escol peninsular. Uma e outra fonte de culfura sugeriam igualmente, principalmente a última, a viagem através da África até o reino do Preste João. Mas como não surgir do mesmo passo o pensamento de alcançar a Índia, se a cartografia de então com a forma triangular da África o sugeria igualmente e havia mais dum século que os Genoveses o haviam tentado realizar? Se a bula de 1454 já não permite dúvidas quanto a esse propósito, outros factos, a nosso ver, atestam anteriormente a sua existência. Antes de mais nada, tratava-se do magno problema do comércio europeu, como já vimos. Lisboa, empório cosmopolita onde formigavam mercadores das nações mais interessadas no tráfico levantino, escala desse comércio, e porto por excelência da Europa para as viagens transoceânicas, possuía eminentes condições para a compreensão e solução desse problema.
jdact

Também, na corte de D. João I e D. Filipa de Lencastre, não faltavam entusiasmo e fé católica capazes de entender, no plano meramente religioso, as vantagens, tantas vezes apregoadas, de combater a hegemonia muçulmana no oceano Índico.
Estes problemas eram de há muito debatidos pelo escol europeu; nestas circunstâncias, arrojo e fantasia fora supor que não se estudassem na corte tão culta de D. João I, quando as Espanhas haviam tão largamente contribuído para criar aquilo a que chamamos «a teoria da expansão geográfica da Crístandade».
Na «Crónica da Guiné», de Azurara, não obstante ter chegado até nós mutilada, como provámos no nosso estudo «Do Sigilo Nacional sobre os Descobrimentos», ainda assim quedou o rasto de que esse pensamento preocupara o Infante, desde os primeiros passos na empresa. No capítulo VII da sua crónica enumera Azurara as cinco razões que levaram o Infante a enviar navios à conquista da Guiné e são:
  • aquela que diríamos de interesse científico («por aver de tudo manifesta certidam»);
  • a da interesse comercial;
  • a do interesse militar, isto é, conhecer o poderio dos Mouros naquelas partes;
  • de interesse religioso.
Não se esqueça que o Infante mostrou sempre a maior solicitude pelo desenvolvimento da agricultura nas terras da Ordem de Cristo, de que foi governador; pelo desenvolvimento e criação de indústrias, como a da pesca, a da moagem, a do coral, a do fabrico do açucar e finalmente da tinturaria e que mostrou o maior zelo na exploração comercial das terras descobertas». In Jaime Cortesão, A Expansão dos Portugueses no Período Henriquino, Portugália Editora, Lisboa 1965.

Cortesia de Portugália Editora/JDACT

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Expansão dos Portugueses no Período Henriquino. Jaime Cortesão: «Tudo isto se deu em vida de D. João I, e um destes actos do longo plano, que então iniciávamos, a tentativa da conquista das Canárias com uma forte armada, foi de grande dispêndio para o erário real. D. Pedro é certo que procurou contrariar com prudentes razões a empresa infeliz de Tânger»

Cortesia de historia

«O infante D. Henrique foi sóbrio e austero de virtudes. Não adorava o fausto e o bulício da corte; e Cadamosto vai encontrá-lo, em 1454, na Raposeira, onde «por ser remota do tumulto das gentes e propícia à contemplação do estudo, ele habitava de preferência». Esta solicitude em buscar auxiliares e hóspedes de toda a Nação revela, pois, antes preocupaçõesde investigador científico; e, à luz das mais vastas possibilidades de conhecimento e informação, devemos estudar os seus desígnios. Ainda hoje se debatem e debaterão, opiniões contrárias sobre a espécie de causas que provocaram o movimento dos Descobrimentos portugueses e sobre a amplitude do plano respectivo em tempo do infante D. Henrique.

Cortesia de livrariaultramari 
A nosso ver, e antes de mais nada, essas divergências provêm quer da credibilidade de certos historiógrafos que tomam à letra o relato das crónicas oficiais, esquecendo que as conveniências do Estado obrigavam com frequência a uma política de sigilo, quer duma incapacidade, por carência de erudição ou de imaginação criadora, para abranger no seu complexo de ambições comerciais, sentimentos religiosos, ideias científicas e preparação técnica, todos os factores, de cujo feixe espectral clarearam as luzes do Renascimento.
Há, para ter uma visão completa, tanto quanto possível, que fazer a crítica das fontes oficiais e completá-las com toda a espécie de documentos acessórios e quantas vezes de origem clandestina.
Num pequeno estudo, tentámos demonstrar que o plano dos Descobrimentos é obra dum escol nacional, dentro do qual há que assinalar os principais responsáveis na direcção política da Nação, durante os três primeiros quartéis do século XV, ou sejam:
  • D. João I,
  • D. Duarte,
  • o regente D. Pedro,
  • D. Afonso V,
  • D. João II.

Cortesia de wikipedia
«Os primeiros e definitivos passos no caminho da expansão marítima deram-se durante o reinado de D. João I. Logo três anos depois de Ceuta, começávamos a ocupar e povoar:
  • o arquipélago da Madeira;
  • a breve trecho seguiam-se as primeiras tentativas de descobrimento ao longo da costa de África;
  • em 1424 o infante D. Henrique dirigia uma expansão de conquista, aliás pouco frutuosa, contra as Canárias;
  • cerca de 1431, iniciava-se o reconhecimento do arquipélago dos Açores.
Tudo isto se deu em vida de D. João I, e um destes actos do longo plano, que então iniciávamos, a tentativa da conquista das Canárias com uma forte armada, foi de grande dispêndio para o erário real».
D. Pedro é certo que procurou contrariar com prudentes razões a empresa infeliz de Tânger. «Isto não impediu que ele enquanto ocupou a regência do Reino, durante os dez anos da menoridade de D. Afonso V, facilitasse por vários modos a empresa do irmão navegador, premiasse os navegantes que mais longe levavam as suas explorações, que ele próprio enviasse navios seus ao descobrimento e se ocupasse de colonização da ilha de S. Miguel». In Jaime Cortesão, A Expansão dos Portugueses no Período Henriquino, Portugália Editora, Lisboa 1965.

Cortesia de Portugália Editora/JDACT

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os selos 2010 dos CTT: Jardim Botânico da Madeira

Cortesia dos CTT
«O Jardim Botânico da Madeira é uma instituição científica que se dedica ao estudo e à conservação da riquíssima flora e vegetação dos arquipélagos da Madeira e das Selvagens, mas é também um local aprazível para desfrutar e conhecer a diversidade do reino das plantas. Nos seus jardins apresenta uma importante colecção de plantas originárias de diferentes regiões do Mundo, desde as taigas mais frias até aos desertos mais quentes, sem esquecer as plantas indígenas da Madeira. As colecções de plantas estão organizadas de acordo com a sua família, distribuição geográfica e utilidade. Assim, existem diversas colecções, como a de plantas indígenas da Madeira, o arboreto, as plantas suculentas, os jardins coreografados, as plantas agro-industriais e as aromáticas e medicinais, a topiária, as cicadales e as palmeiras, não faltando as plantas cultivadas em estufa, que constituem as suas principais áreas.
Cortesia dos CTT
Este Jardim Botânico, instituição do Governo Regional da Madeira, com uma área de aproximadamente 8 hectares e uma média anual de 330 000 visitantes, foi fundado a 30 de Abril de 1960 pelo engenheiro agrónomo Rui Vieira. Está localizado na cidade do Funchal, na Quinta do Bom Sucesso ou Quinta Reid, que data de meados do século XIX. Nesta instituição científica são realizados estudos de sistemática de plantas vasculares e avasculares, de biologia molecular, de biologia reprodutiva, de biologia da conservação e de ecologia da vegetação. A investigação é fundamental para conhecer a diversidade da flora e vegetação da Madeira, de modo a estabelecer estratégias de conservação das espécies e comunidades vegetais. A ocupação das ilhas dos arquipélagos da Madeira e das Selvagens pelo Homem, com a introdução de animais e plantas, provocou a destruição ou alteração de muitos habitats naturais. Como consequência, algumas espécies de plantas encontram-se, actualmente, ameaçadas de extinção ou estão restritas a escarpas e a outros locais pouco acessíveis. O Jardim Botânico da Madeira tem, aqui, um papel activo, através das acções de inventariação e monitorização dessas espécies.
Cortesia dos CTT
A monitorização da evolução das populações naturais permite determinar o seu estado de conservação e possíveis ameaças, de modo a definir as estratégias de conservação mais adequadas. Uma estratégia para conservar as espécies vegetais a longo prazo, fora do seu habitat natural, é o armazenamento e manutenção das suas sementes nos denominados bancos de sementes. No Banco de Sementes do Jardim Botânico da Madeira, criado em 1994, estão armazenadas sementes das espécies endémicas dos arquipélagos da Madeira e das Selvagens, e de outras espécies indígenas. A recolha de sementes revela-se por vezes extremamente difícil, pois muitas populações apenas ocorrem em locais quase inacessíveis. Outras das acções desenvolvidas pelo Jardim Botânico da Madeira é a propagação de espécies indígenas, principalmente dos endemismos raros e ameaçados de extinção. A maioria das espécies são propagadas por sementeira, nos viveiros e estufas, mas em alguns casos é necessário recorrer à estacaria e à cultura in vitro. Posteriormente são levadas a cabo acções de reintrodução e reforço de populações na natureza, principalmente de espécies com reduzido efectivo populacional.
Cortesia dos CTT
Para além de ser um centro de investigação e conservação da flora da Madeira, o Jardim Botânico é também um pólo de educação. Esta instituição realiza diversas acções de divulgação e sensibilização sobre a flora e vegetação da Madeira e a necessidade da sua conservação. As actividades, principalmente destinadas a alunos dos vários graus de ensino, incluem visitas guiadas ao Jardim ou saídas de campo, acções de plantação na natureza, acções de erradicação de plantas invasoras de habitats naturais, entre outras. O Jardim Botânico é também um local propício para a realização de diversas actividades culturais, como concertos, dança, teatro e pintura».  In Selos de 2010, CTT, Roberto Jardim
Cortesia dos CTT

Cortesia dos CTT/JDACT

O ZAMG: Instituto de Meteorologia da Áustria publica uma primeira versão das inundações na Madeira em 20/02/2010, Trabalho de Nuno Marta Moreira

Cortesia de Nuno Marta Moreira
Está disponível uma primeira versão, em formato wiki, da análise satélite e sinóptica relativa às inundações na Madeira em 20/02/2010. Este trabalho da autoria de Nuno Marta Moreira e com a colaboração de Paula Peixe e João Rio, do Instituto de Meteoeologia, IP, foi publicado pelo Instituto Central de Meteorologia e Geodinâmica (ZAMG). Esta Instituição foi fundada em 1851, sendo a agência da Áustria do serviço de Meteorologia. O produto e a qualidade do serviço está em conformidade com o estado científico actual da «arte do conhecimento» com base na experiência de projectos de I & D e desenvolvimento contínuo de métodos. O ZAMG é conhecido como representante da Áustria no âmbito da sua actividade, fazendo parte de uma série de organizações internacionais.
Com a devida vénia para o meu estimado colega e amigo Nuno Marta Moreira, publico o trabalho referente às inundações na Madeira no pp dia 20 de Fevereiro de  2010.

(Catastrophic flash flood in Madeira Island,  20th February 2010)













Cortesia de Nuno Marta Moreira/JDACT

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pai dos Pobres: São Vicente

«Depressa compreenderás que a caridade pesa muito, mais que a panela da sopa e o cesto do pão, mas conserva a tua doçura e o teu sorriso. Nem tudo consiste em levar a sopa ou o pão; isso podem fazê-lo os ricos. Tu és a pobre serva dos pobres, a serva da caridade sempre sorridente e bem humorada. Eles são os teus senhores, senhores terrivelmente susceptíveis e exigentes, de maneira que quanto mais feios e sujos sejam, quanto mais injustos e grosseiros te pareçam, maior amor lhes deverás dar. Unicamente pelo teu amor, e só pelo teu amor, os pobres te perdoarão o pão que lhes dás» (do filme Monsieur Vincent, 1947).
Com a devida vénia reproduzo um texto do Pe. Nélio P. Pita, natural da Ilha da Madeira e ordenado sacerdote em 2000, autor do livro «Vicente de Paulo, pai dos pobres».
Nélio P. Pita/Depósito legal nº 10972-751-776-5/Adaptação de JDACT.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Região Autónoma da Madeira: Tempo de catástrofe

A Região Autónoma da Madeira, no dia de ontem (20 de Fevereiro), foi condicionada por um sistema frontal de actividade forte e associado a um vasto campo depressionário com núcleo principal centrado, às 06:00 UTC (Imagem 1), a nor-noroeste dos Açores. A massa de ar era quente e alimentada por um streamlines aos 300 hPa (Imagem 2). Havia condições de forte instabilidade atmosférica conforme a evolução do parâmetro Ómega aos 700 hPa das 06:00 e as 12:00 UTC (Imagem 3 e Imagem 4). O teor de TPW, quantidade de água precipitável, às 12:00 UTC (Imagem 5) apresentava um máximo na proximidade da RAM, complementada pela figura da SevereStormRGB das 12:00 UTC (Imagem 6).
De acordo com o Instituto de Meteorologia, IP, as quantidades de precipitação registadas entre as 06:00 e as 11:00 UTC foram de 165 l/m2 na estação do Pico do Areeiro e 108 l/m2 na estação do Funchal-Observatório, mas com relevância para as quantidades registadas numa hora: 52 l/m2 no Funchal-Observatório (09-10UTC) e 58 l/m2 no Pico do Areeiro (10-11 UTC).
Alguns produtos do Satrep Online mostram a evolução do acontecimento catastrófico verificado na RAM. (Imagem 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13 e 14).
Satrep Online/IM, IP/JDACT

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Tempestade Tropical Delta, 2005


Na temporada dos ciclones tropicais de 2005 no Atlântico Norte, a tempestade tropical Delta foi classificada como o vigésimo quinto acontecimento, superando todos os registos anteriormente estabelecidos e que prevalelecia desde 1933. O desenvolvimento da tempestade tropical Delta decorreu de 23 a 28 de Novembro. Estre trabalho (Considerações sobre a tempestade Tropical Delta e a Influência na Região Autónoma da Madeira, versão reduzida) conduz a uma descrição, de entre outros elementos, do modo como se formam as tempestades tropicais, a diferença existente as depressões associadas a sistemas frontais e os valores da humidade na média troposfera. Numa primeira fase são clarificadas as evidências adicionais ao desenvolvimento de uma tempestade tropical e as suas causas e efeitos. Na fase seguinte, e na procura de objectivar a evolução da tempestade tropical, faz-se a representação esquemática dos modelos numéricos.

JDACT

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Depressão na Madeira, ciclone tropical?


As fortes chuvas que caíram durante a noite e manhã de 02 de Fevereiro, pp, na Madeira provocaram várias inundações, derrocadas, queda de árvores e de muros, estradas cortadas e forte agitação marítima, conforme fica demonstrado na imagem que tão bem retrata o acontecimento.
O concelho mais atingido pelo mau tempo foi o de Santana, no norte desta Região Autónoma.
JDACT/NM/imagem de palpitesetal

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Madeira, 4 e 5 de Outubro de 1997

O ar que contacta com a superfície da terra aquece e, a alguns metros de altitude, o aquecimento do ar é já muito menor; daqui resulta uma rápida diminuição da temperatura ao longo da vertical
podendo estabelecer um gradiente muito grande (super adiabático). A densidade do ar aumenta rapidamente de modo que se formam correntes de convecção em que o ar mais denso tende a descer e a substituir o ar mais quente junto ao solo que por sua vez tende a subir. A camada de ar torna-se instável no sentido mecânico. As correntes de convecção podem levar o ar mais quente e a humidade da superfície até níveis elevados.
(Considerandos sobre as condições meteorológicas nos dias
4 e 5 de Outubro de 1997 na Região Autónoma da Madeira)
JDACT