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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

His Sinful Secret. Emma Wildes. «Talvez. Pode explicar? Ainda não. Esfregou o queixo e semicerrou os olhos. À luz do que aconteceu esta noite, estou analisando as diversas opções para poder formular uma teoria»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Não acho que seja dever dela me entreter. A minha vida já é emocionante por si só, isso para não falar que há alguém aí fora que me quer ver morto. Se não se importa, vamos deixar de lado o assunto sobre a minha jovem noiva; de qualquer modo, nunca vamos concordar sobre isso. Acha mesmo que o ataque pode ter vindo de dentro? Antónia acabou de amarrar as pontas da bandagem, aproximando-se tanto que ele pôde sentir bem o seu cheiro de mulher com um toque de essência de rosas. O cabelo de ébano acariciava-lhe a face, e os dedos hábeis se deslocavam pela pele dele. Não sei, reconheceu ela em voz baixa. Mas penso que pode deixar inquieto qualquer um que saiba o que você é, ... o que representa. Nem ele sabia bem o que era, excepto que era perito em evasivas e truques. Pode ser que algo concreto haja desencadeado tudo isso, reflectiu em voz alta. O empenho em caçar Roget? Não que me pareça errado, sabe. Ele sabia. Talvez. Pode explicar? Ainda não. Esfregou o queixo e semicerrou os olhos. À luz do que aconteceu esta noite, estou analisando as diversas opções para poder formular uma teoria. Já tem uma. Não tente enganar-me, disse Antónia, enfiando as pontas da atadura debaixo da borda da mesma. O último ataque foi aterrorizante, talvez, significativo, não é? Sim, como mesmo disse, ambos foram frustradas tentativas de assassinato; e haverá outros, até que este trabalho termine. Eu lhe agradeceria se não chamasse a minha vida de trabalho, querida. Ela rosnou de forma pouco elegante.
E como devo chamá-lo então? Michael ignorou alegremente a pergunta e prosseguiu: Infelizmente, o primeiro atacante não sobreviveu ao assalto; do contrário, eu teria conseguido respostas no mesmo instante e teria podido evitar o encontro desta noite. Havia sido em defesa própria, e nem sequer fora Michael quem havia matado o atacante; naquela ocasião, o cocheiro havia visto o ataque e sacara de uma arma no melhor momento. Ou no pior, conforme se olhasse. Acabou que o velho tinha excelente pontaria. Uma intervenção infausta, embora oportuna, então. Uma verdadeira lástima. Os feridos soltam a língua logo, já os mortos são mais difíceis, nesse sentido. Mas, agora que aconteceu..., o que pensa fazer?, inquiriu ela, arqueando preocupada as sobrancelhas de cor azeviche. Ele estava decidido a matar-me. Michael agradecia ao brevíssimo lampejo de luz da lua, que quase o salvara, no aço da lâmina. Se não tivesse saltado na direcção errada, teria saído ileso. Aquele erro havia-lhe acarretado um belo problema, mas era melhor do que uma punhalada no coração.
No entanto, como iria justificar o ferimento na noite de núpcias? Até com a luz apagada e debaixo das cobertas a sua noiva notaria as ligaduras. Embora, por sorte, o ferimento fosse grave o bastante para incapacitá-lo, não poderia deixá-lo descoberto senão depois de dois dias, caso contrário o mesmo voltaria a abrir. Céus. Às vezes a vida se complicava uma barbaridade, e aquilo era um exemplo. Não seria nada romântico se ele começasse a sangrar em cima da esposa, por isso teria que encontrar um pretexto. Inferno! Não teria conhaque, teria? Ele precisava não tanto pela dor, mas para clarear um pouco as ideias. Michael remexeu-se, inquieto, na banqueta. Antónia lhe deu um sorriso felino.
É claro que sim. Conhaque francês de contrabando, embora me custe reconhecer que aqueles mal paridos sabem fazer bem alguma coisa. Eu o comprei de alguns ingleses, e isso me consola. Com elegante precisão, levantou-se e foi até ao aposento contíguo para lavar bem as mãos. Havia uma garrafa de bebida e dois copos sobre uma mesinha. Antónia serviu uma dose em cada um e virou-se, descalça, vestida apenas com um robe de cor clara, sempre muito feminina, de impressionante beleza e com aquele brilho permanente nos olhos escuros. Obrigado. Pegou o copo, deu um bom gole e o cheiro embriagante lhe inundou o nariz. Também vou precisar de uma camisa nova. Quiçá Lawrence tenha uma... Devido ao casamento, Southbrook está abarrotada de gente e não vou conseguir passar despercebido, por mais tarde que seja. Vou deixar a minha casaca aqui para que se desfaça dela. Tudo bem, eu encarrego-me seja lá do que for. Michael não deixou de perceber aquela promessa tão sensual. Antónia era tremendamente útil em alguns aspectos, mas não era nada subtil. E eu lhe agradeço pela lealdade e disponibilidade, respondeu ele em tom neutro. Mas continua pensando em se casar com aquela cândida jovenzinha. Ele a olhou por cima da borda do copo. É claro.
Eu levei aquele seu valioso pacote quase até à prestigiosa porta da sua casa. Antónia, sentada diante da lareira, levantou o olhar. O ciúme não lhe cai bem. Lawrence, ele ignorava se era o nome verdadeiro, mas não sabia nada sobre o passado daquele homem, estava de pé junto à porta, com um ombro apoiado contra as dobradiças». In Emma Wildes, His Sinful Secret, 2010, Baror International, Random House Mondadori, Megustaleer, 2011, ISBN- 978-840-138-431-8.

Cortesia de Megustaleer/JDACT

His Sinful Secret. Emma Wildes. «Como disse, eu vou sobreviver. Eu já imaginava, mas isso pressupõe um grave problema para mim»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Diga-me..., o ferimento valeu a pena?, perguntou com exagerada prudência. Não. Ah... Ela deu de ombros enquanto lhe desabotoava a camisa, mas nos seus olhos escuros podia-se ver um lampejo de decepção. Que pena. Resignado, Michael olhou para o corte irregular e inclinou-se para ajudá-la a soltar a camisa rasgada dos ombros. O ferimento, de uns quinze centímetros de comprimento, não tinha bom aspecto, embora supusesse que era todo aquele sangue que fazia com que a aparência do mesmo parecesse pior. Eu me descuidei. Não esperava um ataque naquele momento. Meu suposto informante já havia ido embora fazía um bom tempo. Esta já é a segunda vez. E se o ataque não tinha nada a ver com o seu encontro? Já disse que aquela região é perigosa, principalmente à noite. Antónia soltou a camisa ensanguentada sobre a manta. Ele não me tentou roubar. Porque a sua reacção o surpreendeu. Talvez ele pretendesse matar primeiro, para poder subtrair-lhe o dinheiro sem problemas. Lá fora, no jardim, uma ave nocturna entoava um canto suave e melodioso, em desacordo com a sombria conversa dentro da alcova. Não, eu acredito que os dois acontecimentos estão relacionados, respondeu Michael. O ataque da semana passada foi muito semelhante. Sem aviso prévio, à guisa de emboscada. Eu devia ter previsto isso. A minha intuição costuma ser melhor do que isso. Terei que ficar mais atento. Parecia-me que a coisa estava tranquila demais, e eu perguntei se a nossa presa teria saído do país novamente. Agora já não tenho a certeza. Que desgraça, ele escapou. Mais uma vez.
Quando ela se inclinou à frente, para inspeccionar-lhe o ferimento e limpar o sangue, o cabelo de ébano derramou-se sobre aqueles ombros perfeitos. Ela era de ascendência espanhola, o que se notava pela pele morena e os rasgos chamativos; as faces eram proeminentes e aristocráticas; nariz levemente afilado, e a boca, generosa e de lábios grossos. As curvas exuberantes da sua figura tentariam um santo. Deus sabia que Michael não se encaixava nessa categoria. O robe de Antónia abriu-se um pouco e, mesmo ferido e sangrando, Michael ainda não estava morto, e não conseguiu resistir a admirar aqueles seios redondos e túrgidos, arrematados por escuros mamilos. Ela o excitava? Não; eles já haviam posto fim àquela relação fazia anos. Não obstante, ele continuava sendo homem, e ela era uma mulher muito atraente. Usufruiu do panorama sem se desculpar. Vai sobreviver, sentenciou ela em tom cortante enquanto torcia o pano dentro de uma bacia com água morna. Voltou a pressionar o pano sobre o ponto do ferimento onde ainda brotava sangue. O corte é extenso, mas não muito profundo. Vou pedir a Lawrence para que chame o médico. Não, obrigado. Ela, resmungou, irritada com aquela negativa cortês, mas categórica. Sabia que se ia opor. Isso vai precisar de sutura. Você já viu os meus bordados? Acredite em mim, eu iria deixar outra interessante cicatriz.
Coloque uma ligadura e pronto. Só faltava que corresse o rumor de que o marquês de Longhaven fora apunhalado por um meliante. Chamar a atenção era perigoso. Quanto menos pessoas soubessem, melhor. Antónia colocou as mãos na cintura. Miguel... Pare com isso, por favor. Está muito tarde para discutir. Ela hesitou por um instante, depois negou com a cabeça e ergueu os braços desesperada. Os seus olhos, tão escuros quanto noite sem lua, revelavam rendição. Sei quando sou derrotada, em todo caso. Aprendi com o tempo. Está bem. Como quiser, cabeça dura. Michael a viu entrar no quarto de vestir. Dali a pouco saiu com uma camisola de fino linho. Com uma pequena tesoura, começou a cortá-la em tiras. Em circunstâncias normais, ele teria feito uma piada por receber ligaduras feitas com roupa íntima feminina, mas naquele momento não estava com humor para risadas.
Como disse, eu vou sobreviver. Eu já imaginava, mas isso pressupõe um grave problema para mim. Sentado, deixava-se ser cuidado; ela cobriu o ferimento com um pedaço de tecido enquanto ele olhava compungido para a lareira de mármore ao fundo do quarto. Vou-me casar dentro de dois dias. Terei que inventar algo para me justificar. Antónia olhou-o, com os lábios apertados. Depois pegou uma faixa mais longa do fino tecido branco. Vai mesmo levar isso adiante? Custa-me a acreditar. O quê, o meu casamento? Por quê? Faz meses que estamos formalmente comprometidos. Isso não é próprio de si, Miguel. Eles já haviam tido aquela conversa antes. Ele suspirou resignado. Embora não seja próprio de mim, sim, vou levar isso adiante.  Vai-se casar com alguma menina insípida, recém-saída da escola só porque o seu pai assim o quer?! Eu lhe agradeceria se não chamasse insípida à minha futura esposa. Talvez fosse imaginação sua, mas lhe pareceu que, ao começar a pensar o ferimento, ela apertou com mais força do que o necessário, então proferiu um grunhido de dor. Ela vai matá-lo de tédio. Michael arqueou uma sobrancelha devagar». In Emma Wildes, His Sinful Secret, 2010, Baror International, Random House Mondadori, Megustaleer, 2011, ISBN- 978-840-138-431-8.

Cortesia de Megustaleer/JDACT

His Sinful Secret. Emma Wildes. «Antónia colocou a banqueta dourada do toucador em cima da manta e empurrou Michael devagar para que se sentasse nela. Se bem me lembro…»

Cortesia de wikipedia e jdact

«O erro de cálculo foi fatal. Quando Michael Hepburn se virou, um segundo mais tarde do que o necessário para evitar a facada em cheio, a ténue luz da luz lhe proporcionou uma imagem vaga da figura na penumbra. Percebeu que a afiada lâmina atravessou a fina casaca de brocado e sentiu a fria mordida do aço no corpo. Uma dor aguda o invadiu, inclusive quando, de forma reflexa, deu um golpe com o pé e ouviu o som surdo do pontapé. O assaltante grunhiu e recuou, cambaleando pelo chão de pedra engordurado, mas não demorou a recuperar o equilíbrio e lançou-se de novo sobre ele. Felizmente, dessa vez Michael não estava desprevenido. Ele esquivou-se inclinando o corpo para trás e deixou que o impulso do atacante o aproximasse o suficiente para lhe acertar um soco com a mão direita. Como o beco pestilento estava muito escuro, em vez de acertá-lo em pleno queixo, pegou de mau jeito num dos lados do pescoço. Ouviu-se um gemido agudo e Michael aproveitou para dar outro pontapé no desconhecido, mas desta vez, na entreperna. Jogo limpo era para quem se podia dar ao luxo da derrota. Isso tinha ele aprendido em Espanha. Ter uma morte honrosa tudo bem, mas, na sua opinião, viver era muito melhor, e não lhe ocorria nada mais sórdido do que perder a vida num beco imundo de Londres. O atacante conseguiu esquivar-se do pontapé, o que demonstrava que também ele se vira em mais de uma luta suja e havia previsto o golpe, mas patinou no chão escorregadio e caiu como um saco de batatas. Porém ele perdeu a faca, e enquanto se abaixava para reavê-la, Michael viu a figura pôr-se de pé com dificuldade, dar meia volta e sair correndo. A própria respiração dele abafou o estrondo dos pés correndo ao bater no chão.
Se não fosse pela sensação morna e melada do sangue que ensopava a sua roupa, talvez ele tivesse tentado caçar o homem para lhe arrancar alguma informação. Inferno, resmungou, abrindo a casaca riscada para olhar o ferimento. A camisa branca de linho já exibia um vivo tom de escarlate. Aquele mal parido, fosse lá quem fosse, pretendia causar-lhe dano de verdade. A lâmina devia ter colidido com uma costela, por isso, embora o ferimento sangrasse muito, Michael não considerou que fosse grave. Ele já havia sido ferido o suficiente para saber quando tivesse chegado o momento. Não obstante, aquele ferimento não podia ter sido mais inoportuno. Tirou o relógio do bolso do colete e semicerrou os olhos para poder ver a hora à escassa luz, procurando ignorar o fedor de lixo que o rodeava. Já era muito tarde, mas ele não podia voltar para casa naquele estado porque poderia encontrar alguém ainda acordado. A enorme mansão estava cheia de parentes e convidados de todo o tipo. Felizmente, tinha outras opções. Andou até onde o esperava o veículo que havia alugado a preço de ouro. A carruagem ducal teria chamado muito a atenção naquele lugar de negócios escusos e de contravenções, e albergues de telhados e portas desmanteladas, indicativos da sordidez do entorno. Certamente ele estava um pouco tonto quando chegou ao veículo. O cocheiro, um homem de rosto afilado e barba desastrosa, alarmou-se ao vê-lo aparecer. Caramba, algum problema, chefe? Está falando do sangue?, perguntou Michael com cinismo. Os bandidos estão ficando cada vez mais atrevidos. O cocheiro teve a delicadeza de não mencionar o quão tarde da noite era e o bairro de má reputação no qual se encontravam. Com uma boa gorjeta, ele se esqueceria do que havia visto. Michael deu-lhe um endereço, subiu no velho veículo e se instalou com muito cuidado no assento. O trajecto foi um tanto quanto agitado, mas, felizmente, não muito longo; não demoraram a sair daquele bairro horroroso e chegar a uma parte mais elegante, e segura, de Londres. Tratava-se de uma quinta elegante, mas discreta, nos arredores de Mayfair e, para seu alívio, via-se luz numa das janelas do andar superior. Ele desceu resmungando uma palavra de agradecimento e acrescentou uma quantidade substancial ao preço da viagem. Se me faz o obséquio, esqueça-se de mim e do incidente.
A julgar pelo semblante do homenzinho, decerto ele estava a pensar que as excentricidades da aristocracia, embora impenetráveis, eram proveitosas e, após assentir com a cabeça, voltou para o assento suspenso, incitou o esquálido cavalo e o coche se afastou com grande estrépito. Apesar da hora, a porta da elegante mansão foi aberta por um homem com uma cicatriz no rosto e semblante impassível. Estava de camisolão e o cabelo escuro alvoroçado, o que indicava que já se havia retirado para dormir. Eram quase da mesma estatura e, embora lhe falasse com respeito, o olhar fixo com o qual olhava para Michael não era sinal de comedimento. Afastou-se e o convidou a entrar. Senhor Marquês, entre por favor. Michael entrou. Lamento tirá-lo da cama, Lawrence. Não precisa se desculpar, senhor, em absoluto. Não fossem as gotas de sangue que caíam no esplêndido piso de mármore branco e preto do vestíbulo, pareceria que estavam trocando palavras corteses; mas Michael e Lawrence não eram amigos, apenas companheiros. Lady Taylor está..., ocupada? Esta noite ela está completamente só, milorde, disse Lawrence com ironia, examinando a casaca riscada de Michael. Bom. Pelo menos ele não interromperia nada pessoal. Antónia não costumava falar sobre os seus passatempos íntimos, e ele também nem perguntava. Mas ele desconfiava que entre Lawrence e ela havia algo mais do que uma relação de mordomo e senhora; em todo caso, isso não era da sua conta, pois nenhum dos dois dissera nada sobre isso e ele preferia assim. Eram sócios, embora com uma relação bem mais estreita do que o habitual, e Michael preferia separar os negócios das questões pessoais. Se importaria de lhe comunicar que estou aqui? Ela ficará encantada por recebê-lo, como de costume. Apesar dos ferimentos e das desastrosas consequências, Michael arqueou uma sobrancelha, divertido pelo tom insolente do jovem. Lawrence nem sequer pestanejou ao vê-lo chegar ensanguentado no meio da noite; tampouco lhe fizera perguntas sobre o ferimento. E jamais o faria, claro. Ele já havia visto coisas piores, e sabia manter a boca bem fechada. No entanto, o palpável antagonismo era significativo. Dali a pouco, Antónia andava para lá e para cá perto dele com o sensual corpo envolto em seda e os lábios apertados à guisa de reprovação. Estavam na alcova dela, que estendeu uma manta no chão para que o sangue não manchasse o caríssimo tapete. Pingentes de seda dourado claro enfeitavam a cama com dossel e as janelas estavam abertas para o jardim dos fundos.
Antónia colocou a banqueta dourada do toucador em cima da manta e empurrou Michael devagar para que se sentasse nela. Se bem me lembro, disse ela, puxando a camisa de dentro dos calções, fazendo caso omisso para a careta de dor que ele fez, eu lhe adverti que tivesse cuidado. A minha fonte disse-me que tinha informações sobre Roget, de modo que aproveitei a ocasião e aceitei me encontrar com ele. Além do mais, não me atacaram lá, mas quando eu estava voltando por aqueles becos de má reputação para o coche de aluguer. E isso lhe surpreende? Quem mora em bairros caros não costuma ter informações em primeira mão sobre assassinos e traidores. Certo». In Emma Wildes, His Sinful Secret, 2010, Baror International, Random House Mondadori, Megustaleer, 2011, ISBN- 978-840-138-431-8.

Cortesia de Megustaleer/JDACT

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Pérola das Arábias. Emma Wildes. «Demorei alguns anos para poder aceitar, mas estou muito honrado por sua hospitalidade. Possivelmente a mão de Alá interveio na escolha da data»

Cortesia de wikipedia e jdact

Londres. 1817
«É uma ideia fascinante, não? Jonas Maxim verteu a água cuidadosamente sobre o coador e observou como o torrão de açúcar se dissolvia. O esverdeado liquido de seu copo se turvou lentamente.O quarto de um dos clubes mais exclusivos de Londres ficou absolutamente silencioso depois de sua escandalosa proposta. Revelar nossa façanha sexual mais atrevida?, seu irmão Colin, que estava confortavelmente sentado em uma poltrona estofada com suas longas pernas estendidas respondeu finalmente com uma risada baixa. Somente você poderia ter uma ideia semelhante.Mesmo assim, conte comigo.Todos somos velhos amigos, assinalou Jonas de forma pratica, e já que nos reunimos aqui a cada mês para desfrutar de nossa amizade e de umas taças, penso que seria um entretenimento interessante. Gavin St. John, loiro e magro,arqueou as sobrancelhas. Também somos homens e suponho que gostamos de uma boa história que trate de um de nossos temas favoritos, o sexo, quero dizer, acredito que a ideia tem seus méritos. Levantando seu copo, Ross Benson, o visconde Winterton, disse secamente. Acredito que todos sabem que estou de acordo, já tenho uma história memorável quando chegar a minha vez. O duque de Bellingham parecia divertido, como era de se esperar. Seu irmão mais jovem, Christian, também sorriu. Sentado à mesa, o conde de Grayson segurava o copo languidamente entre os dedos e sorriu. Parece-me bem, de facto, se não se importam, eu gostaria de ser o primeiro, acredito que tenho uma história que interessará a todos. Jonas se reclinou em sua cadeira. Somos todo ouvidos.
O salão onde o receberam era grande, um fraco e exótico aroma de tabaco e especiarias flutuava no ar. Robert St. Claire inalou devagar e tentou parecer completamente tranquilo e relaxado, embora a situação o tenha deixado um pouco desconcertado. Não era o caso de não estar acostumado à formalidade e a opulência do palácio, simplesmente não estava certo do que se esperava dele neste encontro em particular. A política era complicada entre dois países tão diferentes, e sabia que não queria causar mais problemas. Era um convidado, e não um embaixador da Inglaterra. Milord Grayson. O homem lhe fez uma reverência, e ele imitou o educado gesto. Sinto o atraso, disse Abdul, o cônsul do sultão, por favor, sente-se. Desejava falar a respeito de algum tipo de tratado entre nossos países, ministro? Robert disse, indagando com cautela, e sentando-se outra vez. Temo que não seja um diplomata, e portanto não estou autorizado a falar em nome de meu governo sobre nenhum acordo. O outro homem sorriu. Era magro, com o cabelo escuro, e surpreendentemente não vestia o traje típico de seu país. Em vez disso, vestia-se de forma similar à sua. Vestir roupas europeias era, sem dúvida, uma deferência para com seu hóspede, para fazê-lo sentir-se menos estrangeiro e fomentar as boas relações. Abdul negou com a cabeça levemente. Usei essa desculpa para obter uma audiência particular com você, me perdoe, por favor. É amigo do filho de meu senhor, mas também é inglês, e por isso desejava vê-lo. Ainda desconcertado, Robert se perguntou por que o homem que tratava dos assuntos políticos do poderoso sultão queria vê-lo. Já vejo. Por que o subterfúgio, posso perguntar? Abdul falou lentamente, com seus olhos negros fixos nele. Você conheceu Ali em Cambridge, e vocês dois, tão diferentes mas intelectualmente compatíveis, tornaram-se grandes amigos, não é? São da mesma idade e ambos de sangue nobre. A família de Ali ocupa uma posição mais elevada, mas seu país é mais poderoso. Em resumo, milord, os dois são príncipes, por título e riqueza. O sultão o aprecia porque seu filho gosta de você. Os escuros olhos de Abdul o observaram de forma especulativa. Em resposta a suas observações, Robert disse: Ali tinha um pequeno problema com o críquete, e como não é alguém que aceite perder por causa da ignorância, ajudei-o um pouco treinando seus lançamentos, e suponho que apesar da cor de nossa pele, reconhecemos um ao outro quanto a nossa natureza competitiva, e assim cresceu a amizade entre nós. O ministro juntou as mãos em seu colo. E o convidou a vir aqui. Demorei alguns anos para poder aceitar, mas estou muito honrado por sua hospitalidade. Possivelmente a mão de Alá interveio na escolha da data. Robert arqueou a sobrancelha em uma interrogação silenciosa, agarrando sua taça. Achou o doce e quente café um pouco enjoativo, mas uma vez mais, estava em um lugar muito diferente das verdes colinas inglesas. Meu senhor deseja lhe oferecer um presente, disse Abdul com brutalidade, uma mulher para encher suas noites de prazer enquanto estiver connosco. Foi comprada recentemente e destinada ao seu harém, mas tomei a liberdade de sugerir que você sentiria uma grande atracção por uma pálida e loira mulher de seu país natal. Robert se esticou ligeiramente, suas botas se moveram sobre o tapete de vivas cores sob seus pés. Há uma mulher inglesa aqui? O outro homem assentiu, sua taça de café permanecia sem tocar na delicada mesa que havia entre eles. Não tivemos nada a ver com sua captura, entenda, há homens que fazem isso ao longo de toda esta costa, homens que tomam prisioneiros e os vendem, especialmente mulheres bonitas. Quando as trazem aqui, se forem traentes e puras, meu senhor, se o agradarem, compra-as. Abdul sorriu sucintamente. Pensa que é algo bárbaro, seu rosto o demonstra, mas não é muito diferente da maneira como sua sociedade vende suas jovens filhas em casamentos de conveniência pelo dote e a posição social. Um pouco diferente, alegou Robert em silêncio, mostrando em seu rosto uma expressão impessoal, mas possivelmente não tão diferente se alguém pensasse bem. E comentou. Não estou aqui para julgar seus costumes, ministro. Deseja que fale com Ali, para ver se pode pedir a seu pai que liberte a garota? De maneira nenhuma, a resposta foi enfaticamente cortante. Já falei com sua alteza, contando que a mulher diz ser da nobreza, e que sua família tem influência e dinheiro e que desejariam sua liberdade, mesmo se isso significasse que os navios de guerra ingleses atraquem em nossas costas. O cônsul inglês tem espiões aqui e cedo ou tarde descobrirá que está encerrada no palácio, é somente uma questão de tempo. Quem é ela? Diz que é a filha do duque de Rushton. Robert digeriu a informação com consternação. Bom Deus. A filha mais jovem, recordou. Era considerada a jovem mais bela da sociedade de Londres. Nunca foram apresentados já que ela era uma ingénua debutante e ele esteve em viagens por muito tempo, mas seu nome aparecia na secção de sociedade de vários periódicos que sua mãe enviava regularmente. Como demónios, perguntou-se, tinha caído nas mãos de criminosos errantes em busca de mulheres para vender ilicitamente no mercado do sexo nesta remota parte do mundo? Conheço seu pai, disse Robert, e ela pode estar certa, tem uma grande influencia em meu país, e também é muito rico, possivelmente deveria pedir um resgate por ela, seu pai pagaria bem para recuperar sua filha. Infelizmente, meu senhor não precisa de dinheiro, e não entende que uma mulher possa ter tanto valor para que um país empreenda uma guerra para libertá-la. Abdul acrescentou pacientemente. Não é nossa maneira de ver as coisas. As mulheres são propriedades, entende? Meu senhor não é cruel, e Ali basicamente é um bom homem, mas nenhum dos dois atenderá seu pedido de libertar uma simples mulher. Para eles, ela é insignificante. Ora, replicou Robert, quando a conversa tornou-se mais clara. Estudei seus costumes a fundo antes de vir. Eu sou um pouco diferente, minha mãe era de sua raça, o sultão descartou a ameaça de uma possível represália, mas eu não estou tão certo. Abdul titubeou brincando com a asa de sua taça. Sugeri a ela como o presente que deseja lhe oferecer, isso é algo que ele entende. A declaração de que você preferiria uma mulher de sua própria raça é algo que faz sentido para ele». In Emma Wildes, A Pérola das Arábias, Siren Publishing, Wikipedia, Luciana Veit, versão espanhola, ISBN 978-141-168-430-0.

Cortesia de SirenP/JDACT