domingo, 4 de abril de 2010

António Sardinha: Fundador do «Integralismo Lusitano»

(1887-1925)
António Maria de Sousa Sardinha foi um político e poeta português. Destacou-se como ensaísta e argumentador, produzindo uma obra que se afirmou como a principal referência doutrinária do Integralismo Lusitano. A sua defesa de uma monarquia tradicional, orgânica, antiparlamentar serviu de inspiração a uma influente corrente do pensamento político português da primeira metade do século XX.
António Sardinha foi um adversário da Monarquia da Carta (1834-1910) chegando, no tempo de estudante na Universidade de Coimbra, a defender a implantação de uma República Portuguesa. Depois de 5 de Outubro de 1910, profundamente desiludido, acabou por se converter ao ideário realista da monarquia orgânica.

Armas de Monforte, Alto Alentejo
Terra natal de António Sardinha
A lusitana antiga liberdade do verso de Luís de Camões era uma referência dos integralistas, tendo no municipalismo e no sindicalismo duas palavras-chave de um ideário político que não dispensava o Rei, entendido como o Procurador do Povo e o melhor garante e defensor das liberdades republicanas.
António Sardinha era anti-iberista. António Sardinha morreu aos 37 anos.

A OLIVENÇA, A PERDIDA
Fiel ao sangue, nossa irmã germana,
chora Olivença as suas horas más
junto do rio que tornou atrás,
quando soou a trompa castelhana.

Ó Casa de Antre Tejo-e-Guadiana,
lembra-te dela que entre ferros jaz!
Não a dobrou a guerra nem a paz,
- fiel ao sangue, o sangue a ti a irmana!

E todo aquele em quem ainda viva
o ardor da Raça e a voz que nele anseia,
se for p'ra além da raia alguma vez,

é Olivença, nossa irmã cativa
lá onde com surpresa a gente alheia
oiça dizer adeus em português!

LETREIRO
Tudo o que sou o sou por obra e graça
da comoção rural que está comigo.
Foi a virtude lírica da Raça
a herança que eu herdei do sangue antigo.

Foi esta voz que em minhas veias passa
e atrás da qual, maravilhado eu sigo.
Como um licor de encanto numa taça,
assim se quer esse condão comigo.
Olhai-me: - Eu vim de honrados lavradores.
De avós e netos, sempre os meus Maiores
fitaram o horizonte que hoje eu fito.
«O que estaria além da curva estreita?»
- E da pergunta, a cada instante feita.
nasceu em mim a ânsia p'ra o Infinito.
(In Epopeia da Planície)


«Ensaísta, poeta e doutrinador político-social, António Sardinha foi uma das mais singulares e polémicas figuras do complexo campo da direita portuguesa do primeiro quartel do século XX. O seu precoce desaparecimento (com apenas 37 anos), deixando incompleta o que se adivinhava ser uma enorme obra, a riqueza da pluralidade das suas intervenções publicas e a sinuosidade do seu percurso intelectual ainda hoje tornam a sua biografia um desafio tão difícil quanto historiograficamente necessário. É a esse desafio que este livro responde, estudando o caminho que levou Sardinha do republicanismo da juventude para o ideário católico, monárquico e antiliberal com que ele e tantos outros da sua geração passaram a Historia. Esta biografia ajuda a compreender a essência mesma da vida e da reflexão do patriarca do Integralismo Lusitano — a qual era não apenas restaurar a Monarquia em Portugal mas, sobretudo, restaurar Portugal através da Monarquia.» In José Miguel Sardica, Universidade Católica Portuguesa
«Finalmente uma biografia politica e intelectual de António Sardinha, um dos mais importantes intelectuais portugueses do inicio do século XX. Utilizando fontes parcialmente inéditas, como a rica correspondência com a sua mulher, a autora escreveu uma obra de referência, traçando com rigor o perfil do fundador do Integralismo Lusitano.» In António Costa Pinto, Universidade de Lisboa  
(Análise Social - Um intelectual no século)
Ana Isabel Sardinha Desvgines/Fernando Martins, UÉvora/JDACT

Oliveira Martins: História, Política, Economia e Sociologia

(1845-1849)
Joaquim Pedro de Oliveira Martins foi um político e cientista social português. Oliveira Martins é uma das figuras-chave da história portuguesa contemporânea. As suas obras marcaram sucessivas gerações de portugueses, tendo influenciado vários escritores do século XX, como António Sérgio, Eduardo Lourenço ou António Sardinha.
Elemento animador da Geração de 70, revelou uma elevada «plasticidade» às múltiplas correntes de ideias que atravessaram o seu século.
Oliveira Martins colaborou nos principais jornais literários e científicos de Portugal, assim como nos políticos e socialistas. A sua vasta obra começou com o romance «Febo Moniz» (1867) e estende-se até à sua morte, em 1894. Na área das ciências sociais escreveu «Elementos de Antropologia» (1880), «Regime das Riquezas» (1883) e «Tábua de Cronologia» (1884).
Das obras históricas há a destacar «História da Civilização Ibérica» e «História de Portugal» (1879), «O Príncipe Perfeito (vol. póstumo)» (1896), «O Brasil e as Colónias Portuguesas» (1880) e «Os Filhos de D. João I» (1891). A sua obra suscitou sempre controvérsia e influenciou a vida política portuguesa, mas também historiadores, críticos e literatos do seu tempo e do século XX.

Oliveira Martins foi um autor ecléctico, atitude filosófica que nele traduzia um espírito de abertura mental avesso à cristalização em sistemas rigidamente constituídos, oscilando, por isso, entre o racionalismo iluminista, o positivismo e o movimento de ideias dos românticos alemães. Daí também a possibilidade de, ao longo da sua vida, podermos delimitar etapas várias e fases distintas que marcaram outros tantos momentos de assimilação crítica e de adesão às ideias da época. Atitude que sempre o caracterizou foi a de um vincado pendor para os problemas morais, logo manifestado na publicação do seu primeiro livro, «Febo Moniz», romance histórico, escrito sob a inspiração de Alexandre Herculano, e posteriormente reforçado numa concepção da história como mestra da vida e dos costumes. Este espontâneo eticismo favorecerá a simpatia com que encarou a obra de Proudhon, na linha fundamental que percorreu os escritos deste autor: a ideia de justiça universal. Proudhon representa, por isso, um encontro e uma adesão natural para Oliveira Martins. Como mais tarde escreveria, a justiça era «a própria substância da alma humana que o tempo nos vai gradualmente revelando [...] Essa revelação é a razão da nossa existência» Todavia, a grande projecção alcançada no seu século por Hegel, que Oliveira Martins considerava «o Aristóteles da idade moderna», conduzi-lo-á à tentativa de explorar as potencialidades do pensamento do filósofo de Iena. A tendência hegeliana e idealista explica em boa medida a sua oposição a certos aspectos do positivismo, nomeadamente à indiferença deste perante a metafísica. Deste modo, procurou realizar o que designava como a fusão do «génio francês» com o pensamento alemão, de modo a expurgar este último do «dogmatismo escolástico» que o animava na mãe-pátria, num panorama ecléctico, que conciliava «a justiça com a filosofia objectiva». De filosofia objectiva se tratava, de facto, porque, para Oliveira Martins, a verdadeira realidade era de natureza ideal, residindo no espírito, como afirmou na sua História de Portugal.
Nesse sentido, a história do homem mais não era, na sua substância, do que a revelação do espírito: «A manifestação do Espírito consciente, na sua plenitude, é o princípio do mundo e a finalidade da História» Concepção ontológica da História em que a revelação progressiva do espírito constitui a «lei fatal da evolução», mediante a qual o indivíduo se vai gradualmente afirmando um ser moral e livre e que, em Portugal e o Socialismo, identificava com o advento do socialismo.

Aspecto a realçar é, pois, o seu esforço em libertar o conceito de evolução, que Antero de Quental definiria como a ideia central do século, de uma exclusiva visão mecanicista do universo, remetendo-a para o âmbito da metafísica. Por isso, nos Elementos de Antropologia defendeu que, se a ciência natural confirmava e impunha a tese da evolução do homem, este não era, todavia, um ser exclusivamente natural, mas também um ser moral e livre, sendo, portanto, pela manifestação do seu espírito consciente que verdadeiramente se afirmava. Concepção ontológica mas igualmente concepção finalista da história: a história acaba no dia em que o homem obtiver a soma de espírito consciente de que é capaz, esse dia só pode chegar quando a unificação de todas as raças e a civilização de todos os povos estiverem consumadas.
Há uma diferença entre lógica e história, a mesma que obriga a distinguir o «homem real» do «homem ideal», de que aquele é apenas uma «imagem rude». É nessa distância entre lógica e história que situa o âmbito de intervenção do acaso e do fortuito, enquanto cruzamento de séries causais independentes. Aí reside também a explicação para a diferença de critérios com que analisa o nosso passado histórico, expressa na História da Civilização Ibérica e na História de Portugal. Enquanto na primeira destas obras se preocupa com a análise daquilo que designa como «a corrente íntima da história», à luz de um critério necessariamente metafísico, expressa pela ideia romântica de «alma nacional» dos povos, encarnando nos seus heróis (cf. também Camões e a Renascença ... ), já na segunda constrói, como num teatro dramático, a história dos actos individuais, desligados do seu suporte ideal. Enquanto ao nível metafísico tudo é sublime e puro, porque tudo é de natureza ideal, ao nível fenoménico a história tende a surgir como um espectáculo vil de misérias, paixões e lutas de interesses privados, que, todavia, educa moralmente, pelo sentimento de repulsa que em nós gera.

Após o malogro da sua experiência política e governativa, entra numa fase de pessimismo e descrença. O mundo surge-lhe, a partir de finais da década de 80, como um irremediável espectáculo de contradições insofismáveis. Desvanece-se a crença na vitória da Justiça, da Ideia ou da Consciência. A paz, a harmonia e a justiça eram ideias que habitavam decididamente dentro de nós, em radical desfasamento com a realidade observável, e esse paradoxo afigurou-se-lhe, desde então, inultrapassável. Encarava então o mundo à luz do predomínio do inconsciente irracional de Hartmann, ancorando-se ainda ao pessimismo de Schopenhauer, encontrando apenas na arte uma vaga e momentânea possibilidade de conforto. In Pedro Calafate
Pedro Calafate/JDACT

José Frederico Laranjo: Homem de Cultura do Alto Alentejo

(1846-1910)
José Frederico Laranjo foi um jurista, economista, professor universitário e político português. Doutorou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1877 e iniciou a sua carreira de docente universitário no ano seguinte. Foi director do jornal O Distrito de Portalegre, deputado pelo Partido Progressista e nomeado par do reino (membro da Câmara dos Pares do Reino) em 1898.
Dirigente destacado do Partido Progressista, foi autor de diversificada bibliografia, sobretudo no âmbito da sua actividade académica, a Economia Política e o Direito.
Para assinalar o 150º aniversário do seu nascimento foi publicado um livro da autoria de António Ventura (Edições Colibri) cuja capa se ilustra em cima. 

Uma outra obra José Frederico Laranjo e a Teoria Social, de autoria de João Carlos Graça, traça o perfil deste Homem de Cultura do Alto Alentejo, nomeadamente da bela vila de Castelo de Vide. Na explanação elabora interrogações que passo a citar:
«Qual a influência, no seu pensamento como economista, da escola clássica e da economia cristã? Qual a do marxismo e qual a da revolução marginalista? Qual a do historicismo e do organicismo alemães e qual a do positivismo francês? Que afinidades com as de filósofos sociais portugueses seus contemporâneos serão detectáveis nos escritos deste amigo, discípulo e colega de Oliveira Martins e Emídio Garcia? E a que sistema ou falta dele, a que coerências ou incoerências poderá ter dado origem o cruzamento de tais e tão distintos elementos? A tais questões procurará dar-se resposta neste artigo, onde também, e acima de tudo, será visado o tipo de filosofia social consciente e filosofia social espontânea que uniu, mal ou bem, a obra de Laranjo economista às de Laranjo constitucionalista, Laranjo historiador das ideias económicas em Portugal, Laranjo deputado, Laranjo teorizador da colonização portuguesa, etc. E, bem entendido, à de Laranjo sociólogo».
As duas obras referenciadas são complemento de cidadania e de didáctica.
http://www.edi-colibri.pt/
JDACT

sábado, 3 de abril de 2010

Maria João Pires: Uma pianista e uma afinidade misteriosa, que nasce espontaneamente.



Maria João Pires
embaixada de Portugal no Brasil



Ingenium Abril 1999: A ilusão da Lua (Ciência, claro como água)

Na Grécia, a impressão que a Lua fica maior quando visto perto do horizonte
foto de Anthony Ayiomamitis
A ilusão sobre o tamanho da Lua no horizonte já foi ponderada por centenas de anos. Este problema é comumente conhecido como Ilusão da Lua.Todos nós, quando olhamos a Lua Cheia próxima do horizonte, avaliamos ilusoriamente que o seu tamanho é muito maior do que quando ela se encontra elevada no céu. Entretanto o diâmetro do disco lunar, ao invés de diminuir, até aumenta um pouco durante a ascensão da Lua.
Algumas pessoas especularam que existe algum efeito que faz a atmosfera agir como uma lente de aumento que amplia a Lua, fazendo-a parecer maior. O facto é que, na verdade, qualquer distorção causada pela atmosfera, faria a Lua parecer um pouco menor, e a explicação para a ilusão sobre o tamanho da Lua no horizonte nada tem a ver com a refracção da luz na atmosfera e é um problema ainda não completamente esclarecido pela psicologia da percepção.

Podemos usar a persistência da imagem na retina para reproduzir a ilusão da Lua. Olhe fixamente para uma lâmpada acesa. A seguir, olhe para o tecto da sua sala e verá uma bola escura, onde devia estar a luz a que o olho se habituou. Olhe em seguida para uma parede afastada. A mesma imagem virtual, que deixou a mesma impressão na retina, parece-lhe agora muito maior! Tudo aponta para uma explicação da ilusão da Lua nos termos seguintes:
O cérebro «sabe» que uma árvore enorme parece minúscula à distância e que uma nuvem grande por cima das nossas cabeças parecerá cada vez menor à medida que se afasta para o horizonte. O nosso cérebro foi treinado a correlacionar tamanho e distância. A Lua, vista no horizonte com o seu tamanho angular normal por entre árvores ou prédios que sabemos serem enormes mas nos parecem minúsculos, é interpretada pelo cérebro como muito maior do que quando vista com o mesmo tamanho angular mas isolada, sem pontos de referência no zénite. Aconselho a ler A ilusão da Lua.
Cortesia de Ingenium, revista de Abril de 1999.
Cortesia de Jorge Buescu/JDACT

Luis de Sotomaior: «Cantici canticorum Salomonis interpretatio»

Luis de Sotomaior, OP.
Cantici canticorvm salomonis interpretatio, 1599
Portada
Ao «visitar» a Biblioteca Joanina da UC, fiquei admirado com a portada de um livro atribuída a Luís Sotomaior. Posteriormente, encontrei a Tertúlia Bibliófila e mais admirado fiquei. Recomendo uma «visita» a este sítio.
Com a devida vénia para a Tertúlia eis alguns dados de Sotomaior.
 
Luís Sotomaior, OP.
Cantici canticorvm salomonis interpretatio, 1599
Vol.2. Cap. IIII
Luís de Sotomaior foi um exegeta dominicano português que começou a ensinar a cadeira de Sagrada Escritura em Coimbra, em 1566. O autor, formado por Lovaina, comenta nesta obra o texto bíblico de Salomão, talvez com menor qualidade literária do que Luís de León mas com maior erudição teológica. O texto é aproveitado para explicar temas ético-morais e inculcar a prática espiritual.
Esta é a primeira edição da obra, impressa em Lisboa por Pedro Craesbeeck, em 1599, quando Luís de Sotomaior já tinha sido afastado da Universidade, em 1580, por suspeita de apoiar D. António, Prior do Crato.
A obra ostenta uma magnífica portada alegórica gravada a talhe doce, trabalho português segundo Ernesto Soares.

Luis Sotomaior, OP.
Cantici canticorvm salomonis interpretatio, 1599
Portada - Figura da pastora Sulamite
A cartela central é ocupada pela figura da pastora Sulamite, sobre a qual anjos deixam cair rosas e à volta pode ler-se a legenda «Fulcite me floribus, quid amore langueo», ou seja, «amparai-me com flores, porque me sinto desfalecer de amor». Dos lados, duas figuras aladas: à esquerda, a Poesia (ou a Música) e à direita a Ciência (ou a Sabedoria).

Portada – Poesia


Portada – Ciência

Cortesia de Tertúlia Bibliófila.  
http://bibliotecajoanina.uc.pt/obras_raras
JDACT

António José de Almeida: A eloquência e a afabilidade do 6º Presidente da República

Estátua de António José de Almeida em Lisboa
escultor Leopoldo de Almeida e arquitecto Pardal Monteiro
(1866-1929)
António José de Almeida foi um político português, sexto presidente da República Portuguesa  (5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923) e um dos mais populares dirigentes do Partido Republicano,  manifestando ideias republicanas desde muito novo. Ainda aluno de Medicina, em Coimbra, publicou no jornal académico Ultimatum um artigo que ficou famoso, intitulado Bragança, o último, que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos. Defendido por Manuel de Arriaga, acabou condenado a três meses de prisão.
Depois de terminar o curso, em 1895, foi para Angola e posteriormente estabeleceu-se em São Tomé e Príncipe, onde exerceu medicina até 1903.
Em 1906, em plena Câmara dos Deputados, equilibrando-se em cima duma das carteiras, pede aos soldados, chamados a expulsar os deputados republicanos do Parlamento, a proclamação imediata da república. No ano seguinte adere à Maçonaria.
Os seus discursos inflamados fizeram dele um orador muito popular nos comícios republicanos. Foi preso por ocasião da tentativa revolucionária de Janeiro de 1908, dias antes do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe. Posto em liberdade, continuou a sua acção demolidora pela palavra e pela pena, sobretudo enquanto director do jornal Alma Nacional.
Ocupou vários cargos nos Governos de então, sendo ministro de várias «pastas» e deputado. Fundou o partido Evolucionista, partido republicano moderado organizado em torno do A República,  opondo-se ao Partido Democrático de Afonso Costa, mas com o qual porém se aliou no governo da União Sagrada, em Março de 1916, ministério de que foi primeiro ministro.

Em 6 de Agosto de 1919 foi eleito presidente da República e exerceu o cargo até 5 de Outubro de 1923, sendo o único presidente que até 1926 ocupou o cargo até ao fim do mandato. Nestas funções foi ao Brasil em visita oficial, para participar no centenário da independência da antiga colónia portuguesa. A sua eloquência e a afabilidade do seu trato fizeram daquela visita um êxito notável.
Durante o seu mandato deu-se o levantamento radical que desembocou na noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em que foram assassinados, por opositores republicanos, o chefe do governo da altura, António Granjo, assim como Machado Santos e Carlos da Maia. Nomeou 16 governos durante o seu mandato.
O monumento a António José Almeida, em Lisboa, foi inaugurada em 1937. Junto a ele presta-se homenagem aos heróis da revolução, constituíndo este local como ponto de encontro daqueles que lutaram pela liberdade.
Wikipédia/JDACT

Casa da Música: Comemora o 5º Aniversário

Cinco anos. Passaram num ápice, ao ritmo dos grandes artistas que actuaram na Casa da Música. Desde a sua abertura, ao som de Lou Reed, tocaram na Casa da Música mais de 10.000 artistas que fizeram da diversidade de géneros e estilos musicais a marca da programação.
É esse o cunho dos concertos que entre os dias 1 e 14 de Abril assinalam o 5º Aniversário da Casa da Música. Uma homenagem de Dee Dee Bridgewater a Billie Holiday, desaparecida há 50 anos, uma edição do Clubbing que traz pela primeira vez a Portugal o guitarrista Dick Dale e a banda The Sonics, um recital de piano pelo virtuoso Arcadi Volodos, o regresso de Carla Bley à Sala Suggia na companhia da Orquestra Jazz de Matosinhos, a presença da big band da ESMAE, a interpretação historicamente informada das Sete Últimas Palavras de Cristo, de Haydn, numa versão para orquestra de cordas do maestro Laurence Cummings, e um concerto comentado onde a ONP desvenda como a ideia do destino domina a 5ª Sinfonia de Tchaikovski.
As estreias de obras de compositores portugueses pela Orquestra Nacional do Porto e o Remix Ensemble assinalam o incentivo da Casa da Música à criação contemporânea numa encomenda a António Chagas Rosa e na atribuição do Prémio de Composição Casa da Música/ ESMAE 2009 a Igor Silva.

Mas muito mais acontece no aniversário da Casa da Música. O Serviço Educativo acolhe uma Conferência Internacional da Rede Europeia de Serviços Educativos de Casas de Ópera (RESEO) e promove uma Viagem com instrumentos criados para pessoas com necessidades especiais. A oportunidade de participar numa jam session orientada pelo tubista Oren Marshall está igualmente ao seu alcance.

Cinco anos. A melhor forma de os recordar talvez seja olhar para trás no tempo e relembrar alguns dos momentos que marcaram a actividade da Casa da Música. Uma exposição de fotografia dividida em dez instalações vai levá-lo a redescobrir o edifício que já conhece e a reviver o que nele se passou. Venha celebrar connosco o 5º aniversário da Casa da Música.O projecto Casa da Música foi definido em 1999, como resultado de um concurso internacional de arquitectura que escolheu a solução apresentada por Rem Koolhaas - Office for Metropolitan Architecture. As escavações iniciaram-se ainda em 1999, no espaço da antiga Remise do Porto na Rotunda da Boavista, e a Casa da Música foi inaugurada na primavera de 2005, no dia 15 de Abril.

Concebida para ser a casa de todas as músicas, integra-se no processo de renovação urbana da cidade e numa rede de equipamentos culturais à escala metropolitana e mundial. É uma instituição que acolhe um projecto cultural inovador e abrangente e que assume a dinamização do meio musical nacional e internacional, nas mais variadas áreas, da clássica ao jazz, do fado à electrónica, da grande produção internacional aos projectos mais experimentais. Para além de concertos, recitais e performances, a Casa da Música promove encontros de músicos e musicólogos, investindo na procura das origens da música portuguesa e apostando fortemente no seu papel de elemento nuclear na educação musical. Define-se também enquanto plataforma cultural aberta a cruzamentos entre a música e outras áreas de criação artística e de conhecimento, um espaço aberto a todos os públicos e a todos os criadores.

«Há alguns edifícios que oferecem uma continuidade, mas este tem esta espécie de elementos autónomos e abruptos, que se ligam através de um espaço fluido. Assim, vejo-o como uma espécie de ensaio acerca de autonomia e fluidez, separação e ligação. Para mim, é importante que os elementos fixos estejam rodeados por uma experiência muito mais fluida». Rem Koolhaas in Publico
Para conhecimento da agenda do evento deve visitar sítio:
http://www.casadamusica.com//
Cortesia Casa da Música/JDACT

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Jean-Efflam Bavouzet: Clareza, profundidade, musicalidade


Teatro S. Luiz: Festa do Jazz em Abril

Durante três días, o Teatro São Luiz será o cenário e o aspaço de encontro para os amantes do jazz. Trata-se de uma Festa de Jazz Português, um estado da alma e da arte que se ensina, se cria e se interpreta pelas terras lusas. Nos dias de Festa, cruzam-se no Teatro de São Luiz nomes conhecidos e nomes desconhecidos do Jazz.  Músicos mais jovens e músicos menos jovens. Jovens promessas e músicos de valor reconhecido do Jazz nacional.
O evento vai decorrer nos dias 16 a 18 de Abril.

Para melhor esclarecimento devem consultar:

Centro Cultural de Belém: Programação para o 2º Trimestre

Neste trimestre, aliás, a consulta não podia ser mais fácil, dada a natural proeminência que adquire o programa do festival Dias da Música em Belém, agora na sua quarta edição, dedicada às Paixões da Alma. Do amor ao ciúme, da admiração ao desprezo, da generosidade à inveja, mais de 70 concertos proporcionam uma visão da música ocidental articulada em torno deste núcleo conceptual, tomado de empréstimo a Descartes, que o teorizou em 1649, no seu Tratado das Paixões.
Numa edição que assinala a estreia da Orquestra Sinfónica Metropolitana como orquestra residente do festival, e que acolhe agrupamentos como a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro das Astúrias, o Coro Lisboa Cantat, o Retrospect Ensemble (ex-King’s Consort), La Fenice, I Faggiolini, Atalanta Fugiens e a Orquestra de Câmara Portuguesa, os concertos de abertura e de fecho balizam o arco das paixões que aqui se celebram: uma oratória de Handel, L’Allegro, il Penseroso ed il Moderato, e a Nona Sinfonia de Beethoven serão dois dos momentos mais altos do programa.

A Dança estará em grande destaque neste trimestre, com a apresentação de Orfeu e Eurídice, coreografia de Marie Chouinard, de uma nova coreografia de Lia Rodrigues (com Leonor Keil e Amélia Bentes), ambos em Abril, da terceira produção com que Rui Horta encerra a sua residência como Artista Associado da Temporada do CCB, e da apresentação de Thomas Hauert, no âmbito do Festival Alkantara. Mas um dos pontos mais altos da temporada será a apresentação, em produção do CCB, da coreografia criada por Olga Roriz para A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, em espectáculos que terão a participação da Orquestra Sinfónica Metropolitana (Maio/Junho).

Junho será um mês de muitas músicas no CCB. A Carta Branca dada a Fausto promete ser um momento inesquecível na carreira do cantor, enquanto o ciclo De Bach a Kurtág, com oito concertos ao longo de quatro dias, constitui uma experiência inovadora de colaboração entre alguns dos agrupamentos em residência no CCB. Concertos da OSP, da OML e do Schostakovich Ensemble, e o regresso do Jazz às quintas-feiras, prometem animar as noites quentes do início do Verão. Uma tradição do CCB.
Cortesia CCBelém/JDACT

Aquilino Ribeiro: A força plástica e musical

Aquilino Ribeiro
Óleo sobre tela de Maluda, 1985
Colecção Livraria Bertrand
(1885-1963) 
Aquilino Gomes Ribeiro foi um escritor português, considerado por alguns como um dos romancistas mais fecundos da primeira metade do século XX. Inicia a sua obra em 1907 com o folhetim «A Filha do Jardineiro». Seguem-se os contos de Jardim das Tormentas e o romance «A Via Sinuosa» que dedica à memória do seu pai. A linguagem de Aquilino Ribeiro caracteriza-se por uma excepcional riqueza lexicológica e pelo uso de construções frásicas de raiz popular, cheias de provincianismos.
Aquilino foi sobretudo um estilista e, por isso, a sua linguagem vernácula e sem estrangeirismos é arejada, frequentemente condimentada nos diálogos com expressões entre grotescas e satíricas.Apesar de ter optado por uma literatura de tradição, Aquilino procurou ao longo da sua vida uma renovação contínua de temas e processos, tornando-se difícil sistematizar a temática da sua vastíssima obra.

Num número considerável de obras, Aquilino reflecte, ainda que distorcidas pela imaginação, cenas da sua vida: o convívio com as gentes do campo, a educação ministrada pelos sacerdotes, as conspirações políticas, as fugas rocambolescas, os exílios. Todos os ambientes, contextos e personagens que Aquilino cria, remetem para a sua querida Beira natal. «O Malhadinhas», «Andam Faunos pelos Bosques» e «Terras do Demo» constituem o melhor exemplo desta situação. Sentimo-nos envolvidos com as suas personagens beirãs, os seus costumes, tradições e modos de falar típico. Aquilino Ribeiro como escritor não pode ser enquadrado em nenhuma das escolas e tendências da sua época.
Serra da Lapa, Terras do Demo
A convite de Raul Proença, 1919 começa a trabalhar para a Biblioteca Nacional. Dá-se o início da sua  brilhante criatividade: «Terras do Demo» (1919), «O Romance da Raposa» (1924), «Andam Faunos Pelos Bosques» (1926), «A Batalha Sem Fim» (1931) de entre outros pulicações. A partir de 1935 o seu labor literário torna-se mais fecundo: «Volfrâmio» (1944), «O Arcanjo Negro» (1947), «O Malhadinhas» (1949), «A Casa Grande de Romarigães» (1957), «Quando os Lobos Uivam» (1958).  Morre aos 78 anos.
Por decisão da Assembleia da República, os restos mortais de Aquilino Ribeiro estão depositados no Panteão Nacional.
«A força plástica e musical do mundo aquiliniano é admirável. A serra portuguesa, a aldeia patriarcal, o rebanho transumante, vivem nos seus livros como a vida flamenga e holandesa nos quadros dos grandes pintores dos Países Baixos» Vitorino Nemésio.
Cortesia de delgata2
http://deltagata2.no.sapo.pt/AdeusOSerradaLapa.html
Wikipédia/JDACT

Menina e Moça: O fado do colega e amigo José Barros Ferreira






Bernardim Ribeiro: Vozes e disfarces de «Menina e Moça». Parte II


Uma das inovações mais atractivas de «Menina e Moça» de Bernardim Ribeiro é o uso de uma, ou mais, narradora feminina. Essa inovação rompe com a tradição das narrativas em voz masculina estabelecidas desde a primeira novela sentimental escrita em castelhano, Siervo libre de amor, de Juan Rodriguez del Padron, embora pelo menos duas das obras que influenciaram o desenvolvimento do género sentimental na Península Ibérica (de Boccaccio e de Ovídio) sejam já narrativas em voz de mulheres.
Naturalmente, há antecedentes peninsulares: na lírica medieval, tnto as cantigas de amigo, que se tornaram populares no século XV, género, que segundo Helder Ribeiro era sensível em Bernardim.
As vozes de mulheres que dominam a narrativa não constituem uma categoria estável e Menina e Moça. Deste modo, Bernardim mostra-se consciente das limitações convencionais, isto é, de género, desse procedimento e tematiza-as no curso da narrativa.
A Menina, que dá o título à narrativa, está sozinha junto a um rio, observando como um rochedo no meio da corrente interrompe o fluxo do rio, separando as águas. O mesmo episódio do Rouxinol (em português é um substantivo do género masculino) é depois repetido enquanto acontecimento narrado a uma outra outra personagem. Esta, é uma mulher mais velha, a Dona do tempo Antigo, que vem ter com a Menina pouco depois do acontecido, e é dessa dupla narrativa que o texto se ocupa a seguir.
Descobrimos que existe uma dualidade no uso do género gramatical, e por isso na marca do sexo: a passagem começa com o Rouxinol, marcado como masculino, e logo depois muda para o feminino, com a substituição de «rouxinol»  por «avezinha» um substantivo feminino e também um diminuitivo.
Enquanto que o rouxinol masculino revela uma sensibilidade no feminino, a voz feminina reinscreve mais do que uma voz masculina, a mais importante das quais é a de Avalor.
In Isabel de Sena, Journal of Institute of Romance Studies (3) 1994-95.
O amor e as tristezas não se deixam explicar. A Menina não conhece a causa da sua levada, a fadiga de Aónia e de Bimarder aparece-lhes injustificada no momento em que se dão um ao outro e vão morrer. O amor não traz consigo um princípio de razão, mas tão-só infindos e múltiplos desvairos. Viver pelo amor é o único sentido da vida, como as mulheres o sabem.
Nesta ontologia negativa reside o enigma da Menina e Moça. O amor permanece um enigma que ninguém pode desvelar. A Menina e Moça são várias maneiras de o dizer. Os arvoredos espessos, as sombras, as aparições misteriosas, o mar sem limites (na história de Avalor) repetem o retiro do amor.
As coisas sofrem, a mágoa da rola a quem o caçador mata o companheiro e cujos filhos morrem imediatamente não é menor qua a da criatura humana (é o mistério desta ave). É para guardarem o amor que as mulheres desejam ouvir tristezas e por isso também já entre os homens todos os caminhos vão dar a contos de mulheres porque também os homens são apanhados pelo amor.
A frase-chave da Menina e Moça, enunciando o enigma, é e será:

Trazem-nos os nossos fados com não sei que antolhos, que temos as coisas diante e não nas vemos.

É o que ilustra a história do Cavaleiro da Ponte, morto por amor oito dias antes de expirar o prazo de três anos de espera e de esforço que por amor havia aceite.
In Fernando Gil e Helder Macedo, Viagens do Olhar: Retrospecção, Visão e Profecia no Renascimento Português.

Esfera do Caos: O ambiente, uma questão de ética

O Desafio Global (ver o desenvolvimento na parte final do texto), como enfrentar as alterações climáticas criando uma nova era de progresso e prosperidade, de Nicholas Stern, foi o título escolhido para abrir esta colecção da editora Esfera do Caos. O livro actualiza e torna acessíveis ao leitor comum as teses e as conclusões do Relatório Stern, que estabeleceu os alicerces da teoria económica sobre as alterações climáticas.

Desenvolvimento sustentável. Desenvolvimento limpo. Continuar a crescer sem extinguir as bases da sobrevivência humana no planeta e sem reti­rar aos países mais pobres a possibilidade de terem uma vida melhor, tanto mais que pouco contribuíram para a crise ambiental global. Esta parece ser uma ideia bastante promissora! Mas até que ponto é que o «Desenvolvimento Limpo» - mecanismo do Protocolo de Quioto que pretende favorecer os menos desenvolvidos e os poluidores ao mesmo tempo - faz realmente o que apregoa? Faz crescer os mercados, ajuda os mais pobres e salva o planeta, em simultâneo?
Focado no caso português e na sua estratégia de cooperação internacional, dando destaque à coo­peração com os PALOP, este livro surge no rescaldo da Cimeira de Copenhaga e ajuda a reflectir sobre o que devemos mudar para reciclar Quioto, a começar pelo «Desenvol­vimento Limpo».


Através da análise dos textos de Aquilino Ribeiro, esta obra visa aprofundar a ligação entre a paisagem e a sua representação literária, e avaliar os conteú­dos que testemunham a ocupação do terri­tório, a diversidade bioló­gica e a relação do Homem com a Natureza. Transpostas para o território, as paisagens lite­rárias podem potenciar a preservação da diversi­dade, coerên­cia e identidade.
A paisagem é uma realidade complexa e dinâmica que resulta das diferentes características do espaço biofísico, da evolução natural dos sistemas ecológicos e das alterações que o Homem lhe introdu­ziu ao longo da História. A combinação destes factores gera a sua diversidade. A pai­sagem, que se apresenta como um mosaico de usos do solo, é também um mosaico de ideias, objec­tivos, práticas e vivências de quoti­dianos anteriores, assimilados na cultura local. Entre as serras da Nave e da Lapa, num território designado Terras do Demo por Aquilino Ribeiro, encontramos um itinerário de reflexão sobre a paisagem local, em que a obra do mestre é charneira e catalisador.
Através da sua paisagem literária chegam-nos memórias de dife­rentes épocas e de diferentes histórias de vida que parece indispensável conhe­cer, compreender e considerar para o ordena­mento do territó­rio. Este livro mostra-nos como a Literatura pode ser uma fonte de informação sobre as paisagens do passado e um elemento a ter em conta na protecção e valorização da paisagem actual.
 
 
A aldeia global em que vivemos oferece-nos, quase todos os dias, o espectáculo trágico de um imparável cortejo de múltiplas catástrofes. Ainda assim, a desflorestação prossegue, a ero­são dos solos aumenta, o ar e as águas apresen­tam níveis de poluição crescentes, a biodiversi­dade diminui dia após dia, o número de espé­cies extintas ou em vias de extinção engrossa dramaticamente, as alterações climá­ticas indu­zidas pela pressão antropogénica colocam em risco a vida na Terra.
Os jornais e a televisão dizem-nos que enquanto milhões de pessoas morrem à fome todos os anos, no lado rico do planeta biliões de animais são mortos em cada dia, para serem transfor­mados em peles, adornos, medicamentos, cobaias. E que grandes extensões de florestas virgens são destruídas diariamente para construir estradas, vias-férreas, complexos industriais e obter matérias primas. O que se passa em redor é claramente errado e imoral. Por isso, o nada fazer não será também pouco moral?
O que este livro procura mostrar é que a crise ecológica é, em essência, uma crise de valores que afecta o modo com o Homem se relaciona com o seu mundo natural. Neste sentido, defende-se que a crise ambiental é também, por isso, a crise do humano, procurando mostrar que o respeito e a consideração por essa terra que dá a vida, é condição fundamental para o respeito e para o equilíbrio do ser humano consigo mesmo. A ameaça global interpela-nos para a urgência de repensar a nossa relação com o mundo natural e de recolocar noutros termos o pensar e o agir, de acordo com os valores do respeito, sabedoria, prudência e responsabilidade. Como enfrentar as Alterações Climáticas criando uma nova Era de Progresso e Prosperidade.

O Relatório Stern estabeleceu os alicerces da teoria económica sobre as alterações climáticas. Este livro explica o que deve ser feito para que a maior das ameaças seja afinal uma oportunidade.
Graças ao monumental trabalho de Sir Nicholas Stern, as alterações climáticas entraram na agenda dos mais importantes decisores económicos e políticos do planeta. O livro actualiza e torna acessíveis ao leitor comum as teses e as conclusões do Relatório Stern.
É ainda possível transformar esta gigantesca ameaça - o aquecimento global e as alterações climáticas - numa oportunidade ímpar: corrigindo falhas de mercado, definindo novas políticas públicas, ultrapassando a crise económica e financeira em que estamos mergulhados, combatendo a pobreza e abrindo um novo caminho para o desenvolvimento e para a prosperidade.
Cortesia: 
Esfera do Caos Editores/FCG/Programa Gulbenkian Ambiente/JDACT

Global Footprint Network: Calcule a sua pegada ecológica



A Global Footprint Network, vencedora do Prémio Internacional Calouste Gulbenkian, desenvolveu o conceito de pegada ecológica, um indicador que serve de base para a análise de impacto do consumo nos recursos naturais, calculando o saldo ecológico negativo que se tem vindo a acumular ano após ano e que compromete a capacidade de sobrevivência da Humanidade e a manutenção da vida no planeta.
A pegada ecológica permite calcular qual é a área necessária para produzir tudo aquilo que consumimos, revelando os limites ecológicos da Terra.

A Calculadora da Global Footprint Network, versão em português, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, pode ser encontrada no sítio:
http://www.esb.ucp.pt/gea/myfiles/pegada/questionario.pdf
Global Footprint Network/FCG/JDACT

Gulbenkian: Pensar Verde no local de trabalho

Dia 16/04/2010, 09h00, Aud. 2
Entrada livre

«Pensar Verde no Local de Trabalho», uma conferência sobre boas práticas ambientais no meio laboral. Marcado para o dia 16 de Abril, o evento terá lugar no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, que apoia a iniciativa. A ideia é que possamos partilhar sucessos e falhanços e, juntos, encontrar o melhor rumo a seguir.
Caso tenha interesse e disponibilidade para participar na conferência, queira ter a gentileza de confirmar a sua participação até ao dia 12 de Abril para  o contacto: opalisbon@state.gov.
(Programa)
FCGulbenkian/JDACT

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bernardim Ribeiro: «Menina e Moça». Parte I

Editor: Delfim Guimarães
Release Date: January 6, 2009 [EBook #27725]
Language: Portuguese
Character set encoding: ISO-8859-1
Produced by Pedro Saborano and the Online Distributed Proofreading Team at http://www.pgdp.net/
Bernardim Ribeiro (1482?-1552?) foi um escritor e poeta português renascentista. A sua principal obra é a novela Saudades, mais conhecida porém como Menina e Moça (da primeira frase da novela, que se tornou um tópico da literatura portuguesa: Menina e moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe…).
Monumento a Bernardim Ribeiro na vila de Torrão, Alentejo
Teria frequentado a corte de Lisboa, colaborou no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, que assim como Bernardim pertenceu à roda dos poetas palacianos juntamente com Sá de Miranda, Gil Vicente e outros. Foi o introdutor do bucolismo em Portugal.
Praticamente nada se sabe de certo na vida de Bernardim Ribeiro. Presume-se que nasceu por volta de 1482. Não se conseguiu ainda provar que este poeta Bernardim Ribeiro e um seu homónimo que frequentou, entre 1507 e 1511, a Universidade de Lisboa, e que em 1524 foi nomeado escrivão da câmara, fossem a mesma pessoa.
Esteve algum tempo na Itália, onde tomou conhecimento inovações literárias. Tão misterioso quanto o nascimento é a morte do escritor. Alguns autores datam-na como 1552. Porém, pela leitura da écloga Basto, de Sá de Miranda e escrita antes de 1544, verificamos que este autor se refere ao seu «bom Ribeiro amigo» como já falecido.
Considerando especulativas todas as referências sobre as datas e locais de nascimento, período de vida e morte de Bernardim Ribeiro, algumas alusões autobiográficas à «aldeia que chamam Torrão» e a um «monte» podem levar-nos a considerar que o autor era oriundo da vila do Torrão, Alentejo. Na vila encontra-se actualmente uma estátua em homenagem ao escritor. Outro monumento ao autor está no Museu de Évora, onde existe uma estátua de António Alberto Nunes (1838 - 1912).

«Menina e moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe. Que causa fosse então a daquela minha levada, era ainda pequena, não a soube. Agora não lhe ponho outra, senão que parece que já então havia de ser o que depois foi. Vivi ali tanto tempo quanto foi necessário para não poder viver em outra parte. Muito contente fui em aquela terra, mas, coitada de mim, que em breve espaço se mudou tudo aquilo que em longo tempo se buscou e para longo tempo se buscava. Grande desaventura foi a que me fez ser triste ou, per aventura, a que me fez ser leda. Depois que eu vi tantas cousas trocadas por outras, e o prazer feito mágoa maior, a tanta tristeza cheguei que mais me pesava do bem que tive, que do mal que tinha».
A sua obra resume-se a doze composições insertas no Cancioneiro Geral, cinco éclogas, a sextina Ontem pôs-se o Sol, a novela Menina e Moça e o romance Ao longo de uma ribeira, única composição portuguesa inserida no Cancioneiro Castelhano de 1550 (cf. Carolina Michaelis), só apareceu publicado com as obras completas do poeta na edição de 1645.
Sob o título Trovas de dous pastores, foi feita, em 1536, a primeira impressão de uma écloga (a de Silvestre e Amador). Em 1554, na oficina do hebreu exilado Abraão Usque, em Ferrara (Itália), são editadas as suas obras. Menina e Moça é editada sob o título de História de Menina e Moça. Na segunda edição, de 1557-58, em Évora, com o título de Saudades e a terceira realizada em Colónia a partir da primeira edição.
A segunda edição possui um prolongamento que se costuma aceitar como sendo do autor até ao cap. XXIV. Segundo o investigador Teixeira Rego, não é de recusar liminarmente a hipótese de que Bernardim Ribeiro fosse de origem hebraica. Na verdade, e ainda segundo o referido investigador, o estilo de queixume e lamentoso, mesmo algo bíblico, que encontramos nos primeiros capítulos da Menina e Moça, alguns termos utilizados pelo autor na obra referida, nomeadamente «transmatação» ou «transmigração» e algumas alusões a perseguições e cisões do povo hebraico, implícitas nas falas de uma personagem, podem ser indicadores positivos e atestantes desta hipótese. Soma-se a essas circustâncias o facto do primeiro editor de Menina e Moça ter sido um judeu português exilado em Itália.
Por outro lado, e de acordo com a afirmação de Hélder Macedo, os textos benardinianos encerram «uma meditação mística pessimista… em torno do amor humano e da saudade». Analisando o seu conteúdo, podemos considerar que a Menina e Moça tem um fundo autobiográfico e é, em certa medida, um "roman à clef", definições sugeridas pela recorrência de anagramas (palavras ou frases formadas com a transposição das letras de outras. Ex.: «Natércia é anagrama de «Caterina»), tais como: Binmarder (Bernardim), Aónia (Joana), Avalor (Álvaro), Arima (Maria), Donanfer (Fernando), etc.
Como poeta, é autor de cinco éclogas, um romance em verso, a cantiga aqui publicada e alguns poemas menores. Foi um dos primeiros (se não o primeiro) a adotar em Portugal: o dolce stil nuovo (pelo menos a écloga – gênero helenístico, celebrizado por Teócrito, grego de Siracusa, e continuada por Virgílio e pelos italianos, sendo Sannazaro o mais célebre), mas em suas composições pastoris pulsa, na verdade, um cultor entranhado da ‘medida velha’ peninsular.Senhor de uma linguagem estilizada, repleta de arcaismos, Bernardim prolonga a tradição dos Cancioneiros medievais, tendente a confundir-­se com a simplicidade da linguagem popular – neste caso, uma simplicidade sábia ( a sageza) de poeta culto e complexo (não erudito, embora leitor de Virgílio, Ovídio, Petrarca, Sannazaro), um dos grandes representantes do «abstracionismo lírico», da «intelecção devaneadora» ( cf. Jorge de Sena) que permeia toda a poesia portuguesa, dos Cancioneiros a Camões, Antero de Quental e Femando Pessoa.

Em Benardim – continua Jorge de Sena – «a melancolia mergulha no mais cruciante desespero, raiando pelo desvario de um fatalismo herético, muito diferente da anarquia heróica do lirismo camoneano».
Wikipédia/JDACT

Vila de Marvão: Um «passeio» com o mestre



http://static.publico.clix.pt/docs/imagens/marvao/small.html
Cortesia da CMMarvão

Vila de Marvão: No topo da Serra do Sapoio, numa plataforma emoldurada por murallhas. Parte I

Marvão
Cortesia da CM

Vamos falar um pouco da sua História.
A utilização dos rochedos de Marvão para refúgio de povoações assoladas por povos invasores, como atalaia ou como ponto estratégico em termos estritamente militares, datará, pelo menos, do período romano. Podemos referir os seguintes factos históricos cabalmente documentados:
As Origens
Período Romano e Alta Idade Média
Se no séc. X, o que é hoje Marvão, era identificado pelo historiador cordovês Isa Ibn Áhmad ar-Rázi, por Fortaleza de Amaia e por Fortaleza de Amaia-o-Monte, entre outras designações, tal facto levanta a hipótese de que existiria fortificação no topo do monte que teria servido a cidade de Ammaia, fundada no séc. I, durante a sua existência.
Período Árabe - séc. IX
No séc. X, Marvão era identificada, pelo historiador cordovês acima referido e para além das designações já aludidas, por Monte de Amaia e por Amaia de Ibn Maruán. Ibn Maruán, de seu nome completo «Abd ar-Rah.ma:n Ibn Marwa:n Ibn Yu:nus al-Jillí:qi»(Ab-derramão filho de Marvão filho de Iúnece - i. e. Johannes-João - o Galego), era um muladi de nobre estirpe emeritense que se celebrizou no último quartel do séc. IX como rebelde e caudilho de guerra contra o Emirato de Córdova. A Fortaleza de Ammaia servia então como refúgio estratégico ao (re)fundador de Badajoz quando, nesta capital, se sentia ameaçado. Assim aconteceu no ano de 884 perante a aproximação das tropas do Emir Muhâmmad, ameaçando destruir a cidade e fugir para o seu Monte: Marvão.
Período da Reconquista - 1160/1166
Na sua campanha de 1160/1166, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, terá conquistado Marvão, embora não se saiba se definitivamente, tendo em conta a contra-ofensiva de Almansor, entre 1190/1191, até à linha do Tejo.

Foral de 1226
Em 1226, D. Sancho II atribui a Marvão o seu primeiro foral, um dos primeiros forais régios no Alentejo.
D. Dinis apodera-se de Marvão
A importância estratégica de Marvão - e de outros Castelos da raia - levam D. Dinis a disputa-lo a seu irmão D. Afonso, no ano de 1299, apoderando-se da fortificação.
Crise de 1383-1385
Tomada do Castelo por forças partidá-rias do Mestre de Avis sendo alcaide Fr. Pedro Álvaro Pereira, Prior do Crato, Fronteiro-mor do Alentejo e alcaide de Portalegre, após renhido combate que durou meio dia.
Guerra da Restauração, 1641-1668
A partir da restauração da independência, a velha fortificação medieval é reabilitada face às novas tecnologias de guerra, ficando abaluartada nas zonas sensíveis e transformando-se o Castelo na sua cidadela. No decorrer da guerra desempenha um importante papel na defesa do Alto Alentejo. Registaram-se dois ataques importantes à fortaleza: em 1641 e em 1648, este último sob o comando do Marquês de Lagañes.
Guerra da Sucessão de Espanha, 1704-1712
Após a queda de Castelo de Vide, a 24 de Junho de 1704, entregou-se a Praça de Marvão, sem batalha. Mais tarde, tendo a população, o governador francês dos paisanos mandou aprisionar a população, enforcar, para exemplo, alguns populares, e enviar outros sob prisão para Castela, incluindo os frades do Convento de Nossa Senhora da Estrela. A Praça foi posteriormente tomada pelo exército português comandado pelo Conde de São João. Frente ao Baluarte das Portas da Vila, distinguiu-se o ataque desferido pelo terço de infantaria portuguesa comandado pelo Conde de Coculim.
Guerra dos Sete Anos, 1756-1762
Em Novembro de 1762, Marvão sofreu um ataque surpresa por parte do exército espanhol, durante as últimas operações.
 Testemunho da importância estratégica da Praça, 1796
Tenente Coronel Engenheiro, Tomás de Vila Nova e Sequeira: A posição que tem na linha da Fronteira a faz importante para a sua defesa, porque de Valência de Alcântara ou de Albuquerque para Portalegre, para o Crato, para Castelo de Vide e também para Ribatejo, não há outra estrada por onde se possa conduzir artilharia que a do Porto da Espada, que passa à vista da Praça no sítio a que chamam o Prado, e por ela também é que se pode levar artilharia contra a mesma Praça.
Guerra das Laranjas, 1801
A Praça de Marvão sofre vários ataques, resistindo sempre.
Guerras Peninsulares, 1807-1811
No dia 25 de Junho de 1808, a Praça, governada pelos franceses, sofre um assalto vitorioso por parte de um corpo de voluntários valencianos (Valência de Alcântara) chefiados por D. Mateus Monge. Os espanhóis foram instigados pelo destemido escrivão do geral da vila (ou Juís de Fora?) de Marvão, Joaquim António da Cruz, que se havia refugado em Espanha após uma sua tentativa, malograda, de sublevação da população. O assalto foi comandado pelo Tenente-Coronel espanhol D. Vicente Perez e pelo Tenente-Coronel graduado de milícias, D. Pedro de Magalhães, filho do arquitecto português Teodoro Magalhães.
Guerras Liberais, 1832-1834
Em Junho/Julho de 1833, a Praça de Marvão, comandada pelo miguelista Coronel Francisco da Silva Lobo, resiste às intimações de rendição feitas pela guerrilha constitucional, por sua vez comandada pelo antigo coronel do exército espanhol, D. Manuel Martini. Neste período, servia de refúgio, base de apoio logístico e ponto de partida para incursões em Espanha, aos carlistas que acompanhavam o infante espanhol, D. Carlos Maria Isidro (1788-1855). Decorria em Espanha a Primeira Guerra Carlista ou Guerra dos Sete Anos (1833-1839), sendo os carlistas comandados pelo brigadeiro D. Fernando Peñarola. Em 12 de Dezembro de 1833, é conquistada a Praça de Marvão pelas tropas liberais, reunidas sob a designação de Legião Patriótica do Alentejo, com ajuda de tropas espanholas e com a cumplicidade de elementos do interior da fortaleza. De Dezembro de 1833 a 26 de Março de 1834, Marvão é cercada pelas tropas miguelistas, sob o comando do Brigadeiro António José Doutel.
As tropas liberais, comandadas pelo General António Pinto Álvares Pereira, eram abastecidas a partir do território espanhol. Foram socorridas, a 22 de Março de 1834, por forças vindas de Espanha, comandadas pelo Tenente-General José Joaquim de Abreu. O cerco levantado a 26 de Março é referido em documento militar de 1861, de forma muito elogiosa e nos seguintes termos: A esta Praça está ligado um facto histórico que muito a honra; foi o memorável sítio que ela sustentou por uns poucos de meses em 1834, tornando-se, por este feito d'armas, o baluarte da liberdade na Província do Alentejo.
Guerra civil em consequência das rebeliões da Maria da Fonte (1846) e da Patuleia (1847)
Entre 23 e 25 de Julho de 1847, a praça foi ocupada pelo General espanhol, Concha.
Cortesia da CMMarvão/JDACT
http://www.cm-marvao.pt/noticias/noticiasdet.asp?news=364
http://www.cm-marvao.pt/noticias/noticiasdet.asp?news=372