segunda-feira, 26 de julho de 2010

Navegações Portuguesas: Parte I. Navegação à Bolina

Cortesia de prof2000
Com a devida vénia a António Gonçalves e ao Instituto-Camões, publico algumas palavras. 

A navegação à bolina é, por definição, aquela que é efectuada com o vento aparente para vante do través, ou seja, menos de 90º relativamente à proa do navio, que o mesmo é dizer menos de 8 quartas. Uma quarta, por conseguinte, equivale a 11º,25 ou 11º15’. Com o vento aberto entre os 90º e os 157º,5 (8 a 14 quartas) o navio navega a um largo e com o vento a entrar por um ângulo superior a 14 quartas, navega à popa.

Contrariamente a uma ideia mais ou menos generalizada, nenhum navio à vela pode navegar contra o vento. Para se deslocar na direcção de onde sopra o vento – ganhar barlavento –, terá que fazer bordos, navegando em zigue-zague, a uma bolina tanto maior – menor ângulo com o vento – quanto as suas velas e o seu aparelho permitam. Por norma, um navio de pano latino – velas que envergam no sentido longitudinal do navio (e.g. caravela) – pode navegar mais chegado ao vento (bolina cerrada) do que um navio de pano redondo – velas que envergam no sentido transversal do navio (e.g. nau). Esta razão deve-se ao facto de as vergas – paus onde enverga o pano redondo – terem o seu movimento para vante limitado, devido à presença das enxárcias – cabos que seguram o mastro para a borda. Como tal, o ângulo com que a vela pode receber o vento é sempre menor do que aquele em que a vela já está, à partida, envergada no sentido proa-popa. Esta é a justificação pela qual, muitas das vezes mal explicada, se diz que uma caravela podia andar contra o vento. O que não corresponde minimamente à verdade. É que a navegação à vela para Portugal, da Mina ou do arquipélago de Cabo Verde, só podia ser feita à bolina, pois a presença constante dos ventos alísios de nordeste (NE) a isso obrigava. Os navios tinham, consequentemente, que se afastar muito da costa e fazer a volta pelo largo, de forma a tornar possível a viagem, indo passar perto dos Açores. Com uma caravela, em vez de um navio de pano redondo, esse afastamento, ou volta pelo largo, seria um pouco menor. Mas não muito. É que, quanto mais cerrada for a bolina, maior é o abatimento – ângulo entre a proa e o rumo. No trajecto entre Cabo Verde e o cabo da Boa Esperança também os navios navegavam à bolina, até atingirem uma latitude próxima da do cabo. Nestas circunstâncias, sendo as mais das vezes navios redondos – naus – a fazer a viagem para a Índia, o afastamento da costa ocidental africana era enorme e passavam, inclusivamente, muito próximo da costa brasileira. O que terá levado ao descobrimento do Brasil, logo na segunda viagem da carreira, por Pedro Álvares Cabral.

Cortesia do Instituto-Camões

Apesar de muito se ter escrito acerca das capacidades de bolinar dos navios portugueses dos séculos XV-XVI, nem sempre as teses estão devidamente fundamentadas. E não por falta de documentação que refira as limitações de naus e caravelas. Indirectamente são fornecidas muitas informações por D. António de Ataíde na sua obra Viagens do Reino para a Índia e da Índia para o Reino (1608-1612), quando refere a proa a que os navios navegam e a direcção de onde sopra o vento. Mais explícito é o padre Fernando Oliveira, na sua Arte da Guerra do Mar, que escreve: «Os ventos que seruem pera qualquer derrota, sam os que vam com nosco, quero dizer, os que vão donde nos estamos pera laa onde imos. E vão com nosco todos os que ficão da ametade da roda ou circolo pera trás [mais de 90º com a proa], conuem asaber se irmos pera o sul, seruem largos todos os ventos que ficão da banda do norte de leste atee loeste,... qualquer destes leuaraa qualquer nauio do norte pera o sul sem trabalho. Tambem tomão as vezes os nauios do outro meyo circolo[menos de 90º com a proa], hua quarta e meia [cerca de 16º],... em especial os latinos... porem he cõ trabalho,... e descaem muyto do rumo sem aproueytar no caminho». De uma forma geral, como regra prática, e com base na documentação consultada, podemos concluir que um navio de pano redondo poderia navegar, no limite, com o vento relativo nas 6 quartas – cerca de 68º – a contar da proa. Por seu turno, uma caravela poderia bolinar com o vento relativo nas 5 quartas – cerca de 56º – a contar da proa. No entanto, em qualquer dos casos limites de bolina seriam de esperar cerca de 10º a 15º de abatimento relativamente à proa, o que tornava este tipo de mareação pouco eficaz. Era por isso preferível, não existindo obstáculos que o justificassem – e.g. baixos, ilhas, cabos – optar por uma mareação em que o vento fosse menos escasso. Cortesia de António Gonçalves.


Para se navegar contra o vento, a vela é colocada de modo a que o seu plano divida aproximadamente em partes iguais o ângulo formado pela direcção do barco e a direcção do vento. O vento empurra a vela sempre segundo um ângulo perpendicular ao plano que ela define. A força do vento pode ser decomposta em duas componentes: uma força que obriga o ar a deslocar-se ao longo da vela (a verde) e outra que é a que exerce pressão sobre a vela (a azul claro). A resistência da água impede que um barco se mova lateralmente. Um barco tem de avançar na direcção da sua proa. ..A força que exerce pressão sobre a vela (a azul claro) pode ser decomposta em duas componentes: uma força que tenta deslocar o barco lateralmente mas apenas o consegue inclinar (a preto) e outra que é a que efectivamente faz o barco avançar (a azul escuro). Por isso, a maior parte da força do vento (a verde) faz simplesmente com que o ar corra pela vela saindo pela rectaguarda, uma outra parte (a preto) inclina o barco e, finalmente uma pequena parte (a azul escuro) faz com que o barco navegue à bolina.

Bibliografia:
  • ATAÍDE, António de, Viagens do Reino para a Índia e da Índia para o Reino – 1608-1612, 3 vols., Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, 1962;
  • OLIVEIRA, Fernando, A Arte da Guerra do Mar, Lisboa, Ministério da Marinha, s.d.
Instituto Camões, 2002

Cortesia do Instituto Camões/JDACT

domingo, 25 de julho de 2010

A Vila de Monchique: O «Jardim do Algarve». Importante complexo termal das Caldas de Monchique, rodeado por um parque de vegetação luxuriante onde existe a maior magnólia da Europa. Um recanto diferente do Algarve

Cortesia da CMMonchique
Monchique é uma vila pertencente ao distrito de Faro, região e subregião do Algarve.
É sede de um município subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Odemira, a leste por Silves, a sul por Portimão, a sudoeste por Lagos e a oeste por Aljezur.
O concelho de Monchique foi criado em 1773, por desmembramento do concelho de Silves.
No centro de duas grandes serras, Fóia e Picota, o concelho de Monchique entra na história com a presença dos romanos nas Caldas de Monchique, atraídos pelo poder curativo das suas águas. Nos séculos seguintes, a serra foi-se povoando lentamente e no século XVI Monchique era uma povoação suficientemente importante para merecer a visita do rei D. Sebastião, que pretendeu conceder-lhe o estatuto de vila.

Cortesia da CMMonchique
A tecelagem da lã e do linho, os sólidos sorrobecos, orianos e estopas dos tempos antigos, entre outras actividades, como as relacionadas com a madeira de castanho, contribuíram para a prosperidade e desenvolvimento de Monchique, de tal forma que em 1773 foi promovida a vila.
Monchique é uma vila airosa, virada para o turismo, com um artesanato activo e uma economia diversificada. O seu município possui riqueza em sobreiros, eucaliptos e castanheiros, que abundam nas suas florestas, dando a conhecer, por outro lado, os parques zoológicos e naturais e expedições pedestres através de safaris.
As casas têm a arquitectura algarvia tradicional, com paredes brancas, usando nas cantarias as manchas de cor, quer nas portas e janelas. No entanto, exibem as típicas chaminés de saia, muito diferente das chaminés da região do litoral. As ruas são estreitas e progridem nas colinas envolventes, algumas com inclinação, dita acentuada, dão ao horizonte novas perspectivas sobre a serra verdejante. Quiçá, um certo exotismo, aumentado pela presença de cameleiras e hortenses, de árvores de fruto, evocadoras de jardins e pomares. Um recanto diferente do Algarve.
Monchique é uma vila muito bonita. O casario branco parece descer em degraus pelas encostas da serra, um pequeno presépio envolto em verdes, flores e frescura.
Cortesia da CMMonchique
 As Caldas de Monchique é a designação de uma estância termal situada neste município. Fica localizada a sul da vila de Monchique, aproximadamente a 6 km de distância. As propriedades terapêuticas das águas locais são reconhecidas desde o tempo do Império Romano, altura em que receberam a designação de águas sagradas.
As águas provêm de oito nascentes, sendo ricas em:
  • bicarbonato;
  • flúor;
  • sílica;
  • sódio.
São adequadas ao tratamento de problemas no aparelho respiratório e no aparelho digestivo, assim como ao tratamento de problemas musculares e reumáticos. Estas águas brotam em temperaturas compreendidas entre os 27ºC e os 31,5ºC, possivelmente devido aos diferentes percursos de escoamento. As nascentes das Caldas de Monchique estão relacionadas com a circulação de água em profundidade no interior do maciço eruptivo sub-vulcânico de Monchique e de natureza litológica essencialmente sienítica, que se instalou no seio da Formação de Brejeira.

Cortesia de e-geo.ineti
«O sistema de circulação das águas neste maciço consiste, fundamentalmente, na percolação das águas através do sistema de fracturas existente no interior do mesmo. As águas, infiltradas nos sectores mais fracturados superficialmente do maciço, evoluem em profundidade para a periferia deste. Durante o seu percurso no interior do maciço, as águas sofrem um aquecimento significativo, desenvolvendo reacções químicas com o material rochoso em que circulam, justificando-se assim a temperatura que apresentam nas emergências à volta dos 30ºC e a sua composição físico-química específica e constante ao longo do ano. A primeira barreira à progressão do escoamento subterrâneo é constituída por uma orla de corneanas de grão fino e negro que ocorre em bancadas de direcção NNW-SSE com inclinação para NE, pouco permeáveis, resultante do metamorfismo de contacto, pelo que as águas tendem a ascender nos limites do maciço até alcançar a zona deprimida da superfície topográfica, a confluência das ribeiras do Lajeado e Banho; esta barreira é reforçada pela presença do flysh que em profundidade se deve apresentar ainda menos permeável que o sienito. Estas águas apresentam composição química semelhante e brotam a temperaturas variáveis entre os 27ºC e os 31,5ºC em consequência, provavelmente, dos diversos trajectos de escoamento.
Segundo um estudo realizado pela Geoestudos (1992), a existência de teores de sílica em concentrações muito baixas e em menor quantidade que o verificado nas águas sub-superficiais da área envolvente é devido a fenómenos que impedem o contacto do solo com as águas destinadas à circulação profunda, o que significa a localização das áreas de recarga nas zonas mais altas do afloramento, onde os solos não se desenvolvem e a tectonização é intensa, de modo a criar espaços relativamente abertos que permitem uma infiltração rápida, não dando oportunidade à água de dissolver a sílica. Este fenómeno deve verificar-se igualmente durante o percurso ascensional da água». In e-geo.ineti.pt/bds/recursos_geotermicos.

A Serra de Monchique é uma serra do oeste algarvio, cujo ponto mais elevado, a Foia com 902 m de altitude. Devido ao facto de estar próxima do mar possui um clima subtropical húmido, com precipitações médias anuais entres os 1000 e os 2000 mm, que associadas a temperaturas amenas permite a existência de uma vegetação rica e variada, onde se inclui o raríssimo carvalho-de-monchique e a bela adelfeira, bem como espécies raras, tais como o castanheiro, o carvalho-cerquinho ou o carvalho-roble. Nesta serra está instalado o importante complexo termal das Caldas de Monchique, rodeado por um parque de vegetação luxuriante onde existe a maior magnólia da Europa. A diversidade de aves é bastante reduzida, mas algumas espécies são relativamente frequentes e fáceis de observar neste local, como por exemplo o cartaxo-comum e o pintarroxo. Por vezes ouve-se aqui o canto da cotovia-arbórea. Por vezes aparecem aqui migradores pouco frequentes, como o melro-das-rochas ou o melro-de-peito-branco, especialmente durante as épocas de passagem migratória. De salientar, ainda, a fertilidade dos seus solos, devido não só à humidade, mas também ao facto da sua rocha, a foíte, ser de origem magmática.

Vários ribeiros e ribeiras têm origem na Serra de Monchique:
  • Ribeira de Seixe;
  • Ribeira de Aljezur (ou da Cerca);
  • Ribeira de Odiáxere;
  • Ribeira de Monchique;
  • Ribeira de Boina.
Do soco de xistos de Carbónico, levanta-se um maciço de Sienito (rocha que compõe o topo da serra), de vertentes abruptas mas arredondadas, constituindo um elemento de destaque na paisagem algarvia, a Serra de Monchique. Zona serrana com uma grande diversidade vegetal e clima suave, a Serra de Monchique é apelidada de «Jardim do Algarve», o que se pode comprovar através de um passeio a pé pelas suas magníficas paisagens. Os seus principais picos revestem-se de um coberto arbóreo denso e marcado pela diversidade, sendo a Fóia o ponto mais alto do Algarve com 902 metros de altitude. Lá de cima a vista espraia-se até ao cabo de São Vicente, Serra da Arrábida e Faro. Separado por um vale bem marcado encontra-se a Picota, que com os seus 774 metros também merece uma visita.

Cortesia da CMMonchique
A presença simultânea de topos de considerável altitude, de vales com significativo grau de encaixamento, as inúmeras linhas de água e a profusão de nascentes naturais, conferem ao território marcas irrepetíveis e originais no contexto regional.
Monchique, como praticamente todo a região algarvia, está hoje mais virada para o turismo e, nesse sentido produz o seu artesanato e confecciona a sua gastronomia tradicional, aliás, muito apreciada por todos os visitantes estrangeiros, nacionais ou regionais. Mas não é só o turismo a única actividade económica de destaque. Actualmente, desenvolve-se uma actividade industrial no município de Monchique principalmente ligada ao sector das rochas ornamentais e das águas termais. O sienito nefelínico da intrusão ígnea alcalina é extraído e exportado, quer em grandes blocos quer em placas de rocha polida para os mercados nacionais e internacionais.

Cortesia da CMMonchique/wikipédia/INETI/JDACT

sábado, 24 de julho de 2010

Tempestade Tropical BONNIE: Centrada a 27,0 N e 85,1 W às 09UTC de hoje (24JUL2010)

Cortesia de Unisys Weather

Tempestade Tropical (Tropical Storm) BONNIE (22-24 JUL)

Storm - Max Winds: 35 Kt (nós); Min Pres: 1006 hPa; Category: Tropical Storm.
Current - Max Winds: 30 Kt; Min Pres: 1013 hPa; Category: TD (Depressão Tropical).
TROPICAL DEPRESSION BONNIE FORECAST/ADVISORY NUMBER 8

Comunicado das 09:00 UTC, SAT JUL 24, 2010
A Tempestade Tropical produz avisos para a Florida, Morgan City Louisiana,  incluindo o Lago Pontchartrain.

TROPICAL DEPRESSION CENTER LOCATED NEAR 27.0N 85.1W AT 24/0900Z

Apresenta um movimento para Oeste-Noroeste, aproximadamente 295º, com uma velocidade de 15 Kt (nós). A pressão mínima estimada é de 1013 hPa ou mb. Os ventos máximos são de 30 Kt (nós) com rajadas de 40 Kt.
WINDS AND SEAS VARY GREATLY IN EACH QUADRANT. RADII IN NAUTICAL.
MILES ARE THE LARGEST RADII EXPECTED ANYWHERE IN THAT QUADRANT.

A previsão da sua localização e os ventos máximos prováveis:
INITIAL 24/0900Z 27.0N 85.1W 30 KT;
12HR VT 24/1800Z 28.0N 87.3W 35 KT;
24HR VT 25/0600Z 29.4N 89.7W 35 KT...INLAND;
36HR VT 25/1800Z 30.8N 91.4W 25 KT...INLAND;
48HR VT 26/0600Z 32.1N 92.6W 20 KT...POST-TROP/REMNT LOW;
72HR VT 27/0600Z 35.0N 93.5W 20 KT...POST-TROP/REMNT LOW;
96HR VT 28/0600Z...DISSIPATED.
Cortesia de Unisys Weather

Cortesia de Unisys/NWS TPC/NATIONAL HURRICANE CENTER MIAMI/JDACT

A Cidade de Lagos: A primitiva Lacóbriga. A cidade envolveu-se nos Descobrimentos desde o seu início, pois foi porto de abrigo para a armada portuguesa a caminho de Ceuta, em 1415. A construção da Marina de Lagos dinamiza a actividade turística

Cortesia de wikipédia
Lagos é uma cidade pertencente ao distrito de Faro, região e subregião do Algarve. Localiza-se no Barlavento, a zona ocidental do Algarve. Esta cidade contém uma longa e rica evolução histórica, marcada por diversas fases de expansão e declínio.
A primeira localidade na região de Lagos, chamada de Laccobriga ou Lacóbriga, foi fundada cerca de 2000 anos A. C. pelo povo denominado por cónios. Posteriormente foi conquistada por Cartagineses, Romanos, povos bárbaros, muçulmanos e finalmente reconquistada pelos cristãos. Os vestígios são bem visíveis na sua arquitectura, organização física e toponímia. Foi de Lagos que saíram muitas das embarcações portuguesas que nos séculos XV e XVI descobriram o caminho marítimo para diversas partes do mundo, sendo que muitos navegadores da História dos Descobrimentos Portugueses são lacobrigenses, em que o mais afamado será Gil Eanes, já referenciado em data anterior.
Devido ao facto, Lagos intitula-se com muita nobreza como «Cidade dos Descobrimentos».

Cortesia de wikipédia
Cortesia da CMLagos
A história de Lagos principia com a fundação de Laccobriga ou Lacóbriga, uma povoação fortificada fundada pelos Cónios cerca de 1899 A.C. na zona do Monte Molião, acidente geográfico a noroeste do centro da actual cidade de Lagos. A sua prosperidade económica, resultante da exportação de produtos piscícolas salgados e de outros produtos alimentares provindos do interior algarvio, resultou num incremento do contacto com outros povos. A nova localização de Laccobriga terá sido no actual Núcleo Primitivo, uma zona residencial que se estende desde a foz da Ribeira de Bensafrim até à Porta e Baluarte da Vila.
Durante a ocupação romana, Lacóbriga torna-se num centro de produção e exportação de peixe salgado. Foram encontrados, nas actuais Ruas 25 de Abril e Silva Lopes, vestígios de um complexo industrial que incluía salgas, que estiveram em uso entre os Séculos II e VI, e a lixeira de uma fábrica de cerâmica romana. A cidade detinha alguma influência na região, podendo o seu poder administrativo abranger a povoação romana na actual zona da Abicada, na Ria de Alvor.
Cortesia da CMLagos
A povoação foi tomada pelos cristãos entre 1241 e 1249, sendo a sua conquista parte de uma campanha militar levada a cabo por D. Sancho II e D. Afonso III. Após a reconquista, a povoação, denominada de Lagus, verá rejuvenescida a sua importância económica com um conjunto de medidas aplicadas por D. Dinis. Este renascimento reflectiu-se na independência administrativa em relação a Silves em 1361, na concessão de armações de pesca a estrangeiros e no crescimento da povoação. Um dos núcleos mais importantes forma-se em torno da Ermida de Nossa Senhora da Conceição (actualmente Igreja de São Sebastião), com a construção de habitações para pescadores e operários.

A cidade, devido à suas condições geográficas, local de passagem entre o Mar Mediterrâneo e Europa setentrional, junto a uma baía e um rio, e económicas, indústria piscatória e de salga, centro mercantil de produtos florestais e agrícolas, foi desde sempre um importante porto de construção, reabastecimento e reparação de embarcações.
Deste modo, tornou-se num ponto fulcral durante os Descobrimentos Portugueses (século XV), fornecendo embarcações, instrumentos e apetrechos, alimentos, água, e capital humano. De facto, vários pescadores, navegadores, comerciantes e militares lacobrigenses participaram nos Descobrimentos, devido aos seus conhecimentos de navegação e orientação.
Como exemplo, destaco:
  • Gil Eanes;
  •  Soeiro da Costa;
  • Vicente Dias;
  • Lançarote de Lagos.
A cidade envolveu-se nos Descobrimentos desde o seu início, pois foi porto de abrigo para a armada portuguesa a caminho de Ceuta, em 1415. O Infante D. Henrique, O Navegador, viveu em Lagos, comandando muitas expedições, que partiram às conquistas em Marrocos e à descoberta das costas ocidentais africanas. A maior parte dos produtos vindos de África eram vendidos na Casa da Guiné, um entreposto comercial em Lagos criado especificamente para este fim. A vila de Lagos foi elevada a cidade por el-rei D. Sebastião em 1573, aquando da sua deslocação ao Reino do Algarve. No entanto, a carta de confirmação do título apenas foi passada pela chancelaria régia no reinado do Cardeal D. Henrique, em 1579.
Cortesia da CMLagos
A importância de Lagos aumentou durante o Domínio Filipino, entre 1580 e 1640, tendo sido estabelecido o posto de Governador do Algarve, que residia no Castelo ou Paço dos Governadores. Foi estabelecida uma rede de forticações para defesa da cidade e da costa, contra os corsários ingleses, que então assolavam a área.

A cidade começou a sofrer sinais de decadência após a restauração da independência, devido a uma quebra na produção agrícola, redução das actividades comerciais provocados pela centralização em Lisboa, e uma epidemia de cólera que grassou a partir de 1640. O auge do declínio urbano deu-se quando a cidade foi devastada pelo Terramoto de 1755 e subsequente maremoto. A destruição da maior parte das construções, o assoreamento do rio Molião, actualmente Ribeira de Bensafrim, acentuado devido ao movimento de terras durante o maremoto, a deslocação do poder administrativo e comercial para Faro, os problemas de saúde devido ao número de mortos, agravamento das condições de higiene e a destruição das embarcações de pesca provocaram uma profunda recessão económica.
Durante mais de meio século, assistiu-se a um esforço de reconstrução e recuperação económica, embora o poderio comercial, militar e administrativo de Lagos conquistado durante os Descobrimentos tenha sido irremediavelmente perdido.A partir do século XIX, a recuperação económica da cidade é interrompida pelas Invasões Francesas (1807-1810) e pela Guerra Civil Portuguesa (1828-1834).
José Joaquim de Sousa Reis, apelidado de Remexido, comandante miguelista, ataca e cerca a cidade durante vários meses.

Cortesia da CMLagos
Desde meados do século XIX e até cerca de 1960, Lagos foi uma cidade dominada pela indústria, devido ao facto da cidade deter mão-de-obra em grande quantidade, uma ligação directa ao interior algarvio, de aonde provinham matérias-primas e trabalhadores, e um porto para o escoamento dos produtos. De entre as actividades industriais, a que deteve mais impacto foi as conservas alimentares, devido ao facto da cidade deter uma indústria piscícola em plena actividade.
A primeira fábrica conserveira em Lagos foi a F. Delory, que se estabeleceu em 1882. A indústria atingiu o seu auge em 1920, existindo 32 empresas a laborar em Lagos. A necessidade intensiva de mão-de-obra para as indústrias provocou um êxodo rural no concelho. Além do rejuvenescimento económico, também se assistiu a uma evolução nos transportes, com a construção da tão conhecida Estrada Nacional 125 e da estação ferroviária (1922).

Foi neste período que se iniciaram as primeiras actividades turísticas na cidade de Lagos. O transporte ferroviário permitiu a chegada de turistas à cidade, criando as primeiras unidades de alojamento.

Após a Segunda Guerra Mundial, a cidade de Lagos «entra»  numa decadência económica e social, que só seria afastada nos anos 1980 e 90, com o desenvolvimento da actividade turística na cidade. Apesar do turismo já ser conhecido na cidade desde inícios do século XX, foi com a inauguração do Aeroporto de Faro, em 1965 que se verificou um aumento no número de visitantes.
Foi elaborada a construção da Avenida dos Descobrimentos e o restauro do Forte da Ponta da Bandeira. Por outro lado,  em 28 de Fevereiro de 1969, ocorre um sismo de intensidade elevada, provocando avultados prejuízos materiais na região. O antigo edifício da Câmara Municipal de Lagos foi bastante afectado, tendo as reparações tido lugar, apenas, em 1982.

Cortesia da CMLagos
A cidade de Lagos encontra-se num processo de estabilização da actividade turística, investindo em eventos culturais, em infra-estruturas de suporte à actividade turística e ao restauro de edifícios de valor histórico. Entre os projectos públicos realço a construção da Marina de Lagos em 1994, empreendimento que dinamiza a actividade turística na cidade.

A cidade de Lagos é um local muito aprazível, com cunho cultural e dotada de meios para eventos de cariz educacional e didáctico. Recordo alguns Simpósios Internacionais onde intervi com comunicações do foro académico.

Cortesia da CMLagos/Arquivo Histórico Municipal/JDACT

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Vila de Aljezur: A vila possui um dos mais impressionantes castelos algarvios, localizado numa zona excêntrica da província, mas de enorme importância regional, é, simultaneamente, uma das mais desconhecidas fortalezas nacionais. A sua localização privilegiou a defesa do rio de Aljezur, curso que, na época islâmica, era navegável e cujo aglomerado populacional detinha um importante porto

Cortesia da CMAljezur
Aljezur é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, região e subregião do Algarve.
É sede de um município subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Odemira, a leste por Monchique, a sueste por Lagos, a sudoeste por Vila do Bispo e a oeste tem uma extensa costa com o Oceano Atlântico. O limite noroeste, com o concelho de Odemira, é marcado pela Ribeira de Seixe. O litoral do município faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Cortesia da CMAljezur
O Castelo de Aljezur, localiza-se em posição dominante sobre a vila e a ribeira de Aljezur, embora constituindo-se num dos castelos figurados nas sete quinas do brasão pátrio, é quase desconhecido nos roteiros turísticos portugueses, tratando-se de um dos mais expressivos monumentos algarvios.
A recente pesquisa arqueológica pela Unidade de Arqueologia do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, em parceria com a Câmara Municipal de Aljezur, revelou que a primitiva ocupação humana deste sítio remonta à pré-história, trazendo à luz camadas com vestígios da Idade do Bronze (c. 3.000 AP), da Idade do Ferro e do período romano (entre os séculos IV e I a.C.).

Cortesia de IGESPAR
Segundo os dados disponíveis, na época da invasão muçulmana o curso da ribeira de Aljezur era navegável e esta povoação era um importante porto fluvial. Data deste período, numa fase inicial (anterior ao século X), a primitiva fortificação, que em linhas gerais, apresentava planta poligonal, com expressivos troços de muralhas, uma torre com planta circular e a cisterna. Numa fase mais tardia, nos séculos XII e XIII, foram criadas no recinto diversas estruturas habitacionais e dois silos. Nesta fase, o castelo teria integrado o sistema defensivo Almóada da região de Silves, que então se estendia desde os actuais concelhos da Lagoa e de Albufeira até Aljezur e ao sul do litoral alentejano.

Cortesia de IGESPAR
Na época da Reconquista cristã, com a conquista da região do Algarve (1246), a povoação e o seu castelo passaram, segundo alguns autores, para os domínios do rei D. Sancho II a 24 de Junho de 1242 ou de 1246. Outros pretendem que o sucesso ocorreu entre 1243 e 1244 por acção do Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia. Outros ainda, que no reinado de D. Afonso III, por iniciativa do mesmo Mestre, na madrugada de 24 de Junho de 1249, dia de São João, mantendo-se como padroeira da vila, Nossa Senhora d'Alva. A Crónica da Conquista do Algarve refere que Aljezur foi a última praça do Algarve a ser conquistada, neste ano de 1249.

Cortesia de IGESPAR
D. Dinis concedeu-lhe Carta de Foral em 1280, promovendo obras de conservação e reforço.

Embora carecendo de investigação mais aprofundada sobre a evolução arquitectónica do monumento durante a Idade Média, tendo em consideração a função militar e a posição estratégica, apresenta um estado de ruína em meados do século XV, nomeadamente em 1448. A informação da Visitação da Ordem de Santiago a Aljezur no ano de 1482 confirma o estado de abandono do castelo de Aljezur.
No reinado de D. Manuel I, a Ordem de Santiago intentou reconstruí-lo.

Cortesia de IGESPAR
A vila e os remanescentes da estrutura arruinada foram bastante danificados pelo Terramoto de 1755, principalmente as habitações no interior do recinto. Os relatos coevos, até ao século XIX são acordes em referir a degradação do monumento.
No século XX, no contexto das comemorações pelo Centenário de morte do Infante D. Henrique foram promovidas intervenções de restauro na fortificação de Aljezur. Classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 29 de Setembro de 1977, os trabalhos realizados contaram de consolidação e ligeira reparação das muralhas, alteadas e recriadas em alguns trechos, sem que tenha havido descaracterização do monumento.
O castelo apresenta planta poligonal orgânica, sendo os seus muros rasgados, a leste, pelo portão de entrada, defendido por um torreão de planta circular. Pelo lado de oeste, foi edificada uma torre de planta retangular. Na praça de armas encontra-se uma cisterna (algibe), de planta retangular, coberta por abóbada. Os silos postos a descoberto pela pesquisa arqueológica, foram escavados na rocha. Ao longo e encostados às muralhas, no período de ocupação cristã, foram identificados vestígios de compartimentos de planta rectangular e trapezoidal, que teriam constituído um provável aquartelamento de tropas.
Uma tradição local inscreve no terreno da lenda o episódio da conquista do castelo pelos cristãos. A Lenda de Mareares.
Consciente da posição privilegiada do castelo e da cerrada vigilância mantida pelos mouros, D. Paio Peres Correia, enviou batedores a sondar o terreno e os hábitos das gentes da povoação, de modo a definir o plano de assalto. Em pleno campo agrícola, estes conseguiram aliciar uma moura de rara beleza, Maria Aires, que lhes informou a prática de um antigo costume dos habitantes da região, de se banharem na praia da Amoreira na madrugada do dia 24 de Junho.
De posse desse dado, D. Paio dispôs os seus homens de modo que na noite de 23 para 24 daquele mês, se ocultassem no vale vizinho ao castelo, hoje conhecido como vale de D. Sancho, certamente em homenagem ao soberano da época (D. Sancho II). Camuflados com a vegetação, aguardaram o movimento dos mouros rumo à praia. Tão logo este se iniciou, os cristãos a coberto pela escuridão, encetaram a aproximação final para o assalto à povoação e castelo desguarnecidos. Neste momento, uma menina, neta de uma idosa que tinha ficado na povoação, percebendo a movimentação incomum fora de portas, correu a avisar a avó que as moitas estavam a andar. A velha senhora explicava à neta os efeitos da brisa sobre a vegetação quando de surpresa os cristãos irromperam pelas portas, dominando a senhora que ainda intentou dar o alarme, fazendo soar um sino na torre da cisterna.
Senhores do terreno, os portugueses deram então o alarme, atraindo os defensores para uma armadilha mortal, no interior do recinto. Com a povoação conquistada para as armas de Portugal, D. Paio, fica  sensibilizado pelos encantos da bela Maria Aires de lindos cabelos negros. Poupou-lhe a vida e a honra, fazendo-lhe erguer uma casa em local próximo da povoação que ainda hoje, em sua memória, se chama Mareares.

Cortesia de wikipédia
A visão do IGESPAR:
Um dos mais impressionantes castelos algarvios, localizado numa zona excêntrica da província, mas de enorme importância regional, é, simultaneamente, uma das mais desconhecidas fortalezas nacionais. A sua localização, sobranceira à actual vila, privilegiou a defesa do rio de Aljezur, curso que, na época islâmica, era navegável e cujo aglomerado populacional detinha um importante porto (GOMES, p.120). As origens da fortificação são, porém, bem anteriores ao período islâmico. As escavações aqui conduzidas por Carlos Tavares da Silva revelaram níveis de ocupação das Idades do Bronze e do Ferro, o que testemunha a importância deste cerro para as sucessivas populações que habitaram o sudoeste do actual território nacional. Mas foi, com certeza, com o consulado islâmico que se construiu a primitiva fortaleza. Independentemente das alterações posteriores, Rosa Varela Gomes identificou, em traços gerais, essa estrutura: o castelo apresentava planta poligonal e dele subsistem, ainda, importantes troços de muralhas, uma torre de planta circular e a cisterna. De acordo com as escavações aqui efectuadas, a época muçulmana tardia dotou o recinto de diversas estruturas habitacionais, assim como dois silos, elementos datáveis dos séculos XII-XIII (GOMES, p.120). Em 1246, com a conquista definitiva do Algarve, o castelo passou para a posse do rei português, que deverá ter empreendido algumas reformas. Desconhecemos a marcha de intervenções na Baixa Idade Média, mas o que é certo é que em pleno século XV, em 1448, as informações são as de que o castelo está já em ruínas. Perdida a função militar, e desvalorizada a importância estratégica da vila, a fortaleza foi abandonada. Em vão a Ordem de Santiago tentou proceder à sua reconstrução, ordenando a reparação das muralhas, facto que voltou a ser vincado pelo novo ordenamento do reino determinado por D. Manuel. Dois séculos depois, o Terramoto de 1755 arruinou grande parte da vila, arrastando consigo uma significativa parte do castelo, incluindo as habitações do recinto.
Até há escassos anos, a história do castelo de Aljezur foi a de uma lenta e progressiva degradação. Diversas notícias dos séculos XVI a XIX são unânimes em assinalar a sua antiguidade e decadência, referindo-se, sistematicamente, a crescente ruína da sua estrutura. No século XX, as comemorações do centenário do Infante D. Henrique foram o pretexto para o restauro. Tendo como pano de fundo o Sudoeste do país, como a Fortaleza de Sagres e a cidade de Lagos, também Aljezur viu intervencionado o seu velho castelo, cuja tradição alegava ter sido um dos que figuravam nas quinas nacionais. As obras então empreendidas não foram substanciais, limitando-se a reparar as muralhas (alteando e reinventando algumas partes), mas sem alterações assinaláveis ao nível da planta e adulteração do interior do recinto. Nos últimos anos, diversos programas de beneficiação foram elaborados, mas o castelo de Aljezur aguarda ainda a definição de um projecto de valorização integral». In PAF, IGESPAR

Cortesia do IGESPAR, CMAljezur/Turismo do Algarve/JDACT

Frei Vicente de Santo António: Beato Vicente de Albufeira. Presbítero. Mártir. Dia 3 de Setembro de 1632

(1590-1632)
Albufeira, Algarve
Cortesia da CMAlbufeira
Frei Vicente de Santo António, de nome de nascimento Vicente Simões de Carvalho, também conhecido como Beato Vicente de Albufeira, foi um missionário português da Ordem de Santo Agostinho.
Desde 1965, Albufeira prostra-se diante do testemunho eloquente deste seu filho que enobreceu a fé dos seus antepassados tendo levado até às terras longínquas do Japão a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Vicente de Santo António nasceu no ano de 1590. Viveu nesta cidade até aos 12 anos. Foi depois estudar para Lisboa e aí experimentou as seduções da vida fácil lisboeta, como ele próprio confessa numa das suas Cartas do Japão.
Aluno brilhante e dotado de qualidades de chefe, tudo para ele era fácil. Filho de um médico, aprendeu com o seu pai os rudimentos da medicina que lhe foram muito úteis ao serviço do povo humilde japonês que, em Nagazaqui se dedicava às lides do mar.

Em Lisboa manifestou o desejo de ser sacerdote e missionário, sobretudo após a morte de sua mãe, quando ele tinha 26 anos de idade. Foi missionário da Ordem dos Agostinhos e durante cerca de 10 anos exerceu o apostolado no meio de perigos e ciladas, pensando apenas no bem espiritual daqueles que tão longe haviam abraçado a fé em Jesus Cristo.
As suas Cartas provenientes do Japão revelam a grandeza de alma deste homem e deste missionário filho de Albufeira. Desde então, esta cidade nunca mais deixou de lhe prestar culto no dia do aniversário do seu martírio a 3 de Setembro. Esse dia foi durante alguns anos considerado e vivido em Albufeira como verdadeiro Feriado Municipal.

Cortesia da CMAlbufeira
O seu entusiasmo evangelizador levou-o até ao Japão em 1623. Aí mudou de nome e de aspecto: tornou-se caixeiro ambulante, pregando nas casas que lhe abriam as portas, consolando os perseguidos, convertendo os gentios. Apesar do seu disfarce, foi preso seis anos mais tarde e condenado à morte. Resistiu admiravelmente a todos os tormentos e acabou queimado pelas chamas de uma fogueira. São admiráveis as cartas que escreveu aos seus amigos e discípulos já durante os tempos de martírio, exortando-os à fidelidade ao Senhor Jesus.
Tendo passado por Espanha, México e Filipinas, acabou martirizado no Japão.
www.albufeira.pt/img/albufeira/downloads/1275666421127566642162.pdf
 
Sinopse do livro Cartas do Japão, Editora Távola Redonda, 2001, SBN: 972-9366-18-7
Fac-símile da edição comemorativa do Centenário da Beatificação, preparada pelo Cónego José Cabrita (Faro, 1967), com um estudo de Manuel Cadafaz de Matos. FREI VICENTE DE SANTO ANTÓNIO, O.S.A. Natural da cidade de Albufeira e filho de um médico do Algarve, Vicente Simões de Carvalho (este o seu nome de nascimento) foi ordenado sacerdote em 1617 - quando contava 27 anos - e, pouco depois, decidiu partir como evangelizador para as missões da América Latina. Ingressando como noviço num convento da Ordem de Santo Agostinho, na Cidade do México, em 1621, alguns meses depois seguiu para as missões da sua Ordem existentes nas Filipinas, onde veio a ter lugar a sua profissão religiosa no ano seguinte. Homem dotado de uma significativa cultura e apostado na evangelização dos gentios do Japão, partiu para aquele arquipélago em Abril de 1623. Durante a sua permanência naquelas ilhas escreveu cerca de dezena e meia de cartas, que dão testemunho da sua acção e da sua fé, as quais voltam agora a ser publicadas. Frei Vicente de Santo António acabou martirizado pelo fogo, nos arredores de Nagasáqui (sul do Japão), com alguns dos seus companheiros de missão, em 3 de Setembro de 1632, vindo a ser beatificado pela Igreja em 7 de Julho de 1867.
Fontes: http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20090907&id=11603&fd=0

Cortesia da CMAlbufeira/Arquivo Histórico/JDACT

terça-feira, 20 de julho de 2010

José Régio: Amália Rodrigues. A Cidade de Portalegre. O «nosso» Café Central. Maria Bethânia. Oitenta anos depois da chegada de José Régio a Portalegre




O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.



 
Oitenta anos depois da chegada de José Régio a Portalegre, o poeta continua a ser recordado como um dos «expoentes máximos» da cidade, através de várias exposições e conferências que evocam a sua passagem pelo Alto Alentejo.
Em 1929, quando foi colocado como professor de Português/Francês naquela cidade, existia apenas em Portalegre, como lugares de convívio, um teatro, o Grémio Transtagano, um campo de futebol, uma praça de touros e o café Central. Mas, foi na sua casa, «velha, grande, tosca e bela», que o professor José Reis Pereira (José Régio) deu asas à sua escrita, aos seus livros e ao colecionismo de arte sacra, entre outras atividades. Maria José Maçãs, responsável pela Casa Museu José Régio, recordou, em declarações à Agência Lusa, que o poeta gostava de permanecer por casa, no seu “casulo”, como descreve em diversas obras. «Além de escrever, dormia, lia e tomava algumas refeições, não muitas, porque ia à Pensão 21, de que a casa era dependência, e na sua casa recebia os amigos», sublinhou.
«Naquela casa, à qual quis como se fora feita para morar nela», escreveu a maior parte da sua obra literária.
Em Portalegre permaneceu por mais de 30 anos, desenvolvendo, a par do ensino e da escrita, uma constante procura de obras de arte, principalmente de arte popular, dando-lhe valor no devido tempo.
«A casa foi um dos elementos que o fez ficar em Portalegre, porque, como sabemos, achou que vinha desterrado para um lugar que ficava e fica a mais de duas léguas da estação de caminhos de ferro», salientou. Para assinalar a chegada de José Régio a Portalegre está patente ao público no castelo da cidade, até ao dia 19 de Setembro, uma exposição com vários objetos do poeta. No Castelo de Portalegre têm também sido apresentadas várias conferências sobre o escritor, com a participação de amigos de José Régio. O município da cidade, que está também associado a esta efeméride, recordou durante as últimas festas da cidade, em Maio, a figura do poeta com um conjunto de iniciativas.

A autarquia recriou o ambiente que se vivia no Café Central, nos anos 30 do século XX, através da dramatização de palavras de José Régio e promoveu um baile à antiga.
Cortesia da Rádio Portalegre.




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