terça-feira, 16 de setembro de 2014

Flores do Exílio. Poesia. Maria Elvira. «Não possuem a frescura e a louçania das flores viçosas da actualidade. Expostas a um ambiente estranho deixar-se-ão morrer por certo. É o destino das flores e das almas sensitivas… Deixarem-se morrer… Devem ter perdido o vago e longínquo perfume que dizem ser a alma das flores»

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Os meus sonhos
«Como um sonho de névoas e lamento,
lembro-me de em criança alguém contar
que há até quem faça o rouxinol cegar
para melhor cantar, com mais alento.

Na dor, na solidão do desalento,
também vencida uma alma a soluçar
aprende muitas vezes a cantar,
com a própria mágoa do seu sofrimento.

Assim, se os versos meus que são meus cantos,
derem doce consolo a alheios prantos,
prantos que repercutam meu sofrer,

deixo que a vista seja-me apagada,
afim de que mais triste e amargurada,
possa melhor cantar, até morrer».
Soneto de Maria Elvira, in ‘Flores do Exílio


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